terça-feira, 31 de agosto de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Homem, a Mulher e as Verdades Alegres

"Eis como quero o homem e a mulher: um, apto para a guerra, a outra, apta para a maternidade; mas os dois aptos para dançar com cabeças e pernas.

E que todo dia em que se não haja dançado, pelo menos uma vez, seja para nós perdido! E que toda verdade que não traga ao menos um riso nos pareça verdade falsa."
(Friedrich Nietzsche, Assim Falou Zaratustra/Das Antigas e das Novas Tábuas, XXIII)


sábado, 28 de agosto de 2010

Raphael Machado - A Vontade de Poder

por Raphael Machado



Vontade de Poder é um dos conceitos mais centrais da filosofia de Nietzsche. Nesse conceito é possível notar a influência de Schopenhauer no pensamento de Nietzsche, vinda através de duas formas: A proposição de que a essência do Mundo é Vontade e a de que o que move os seres-vivos é a Vontade de Vida, que atuaria não só para a sobrevivência do animal, mas também na sua perpetuação através da procriação e de diversos outros instrumentos atuando com o objetivo de eternizar a Vontade. Segundo Schopenhauer a Vontade, porém, no modo em que ela atua nos homens é a origem de toda a forma de sofrimentos e desgraças que se abatem sobre ele por ela o impelir em direção a inúmeros objetivos infrutíferos e por ela despertar nele desejos insaciáveis. Para combater esse sofrimento interno e externo do homem, Schopenhauer propõe, seguindo certas influências budistas, a negação dessa Vontade no homem, mesmo em sua instância imediata como Vontade de Vida. Através da negação da Vontade, que é a essência do Mundo, o homem se libertaria de todos os sofrimentos diretamente associados com o simples fato de existir em um Mundo, e deixaria completamente de existir, para Schopenhauer, alcançando então uma verdadeira liberdade na inexistência.

A Vontade de Poder, porém, em muito se diferencia dos conceitos schopenhauerianos. Em todo o lugar, Nietzsche só enxerga a Vontade de Poder. É ela que está por trás de toda ação, pensamento ou coisa. É esse princípio e não a Vontade de Vida que está em ação nos animais. O que um animal deseja não é fugir da morte e perpetuar sua Vontade, mas sim impor sua Vontade sobre o que existe ao seu redor, expandir seu poder sobre tudo que existe. Um animal ao procriar não está tendo apenas se perpetuar, mais do que isso ele busca expandir e satisfazer sua Vontade de Poder. E uma fêmea que se sacrifica para salvar um filhote está exatamente negando sua Vontade de Vida em prol de sua Vontade de Poder. É a busca pela satisfação da Vontade de Poder que está no fundamentos dos atos dos animais, seja a alimentação, a procriação ou qualquer outro. A Vontade de Poder é, portanto, uma espécie de força que se impele para fora de si mesma, sem sair de si em busca de sua própria satisfação e expansão.

Tudo na natureza é essa Vontade de Poder. O que conhecemos por realidade não passa da interação entre inúmeras Vontades de Poder tentando se sobrepor umas às outras, buscando se impor e estabelecer a si mesma como senhora do mundo, com as Vontades de Poder mais fortes se impondo sobre as Vontades de Poder mais fracas. Por isso tudo é dotado de impermanência, já que a todo momento muda a configuração de Vontades de Poder que está em atuação por trás de um determinado fenômeno, apesar de sempre termos uma impressão de permanência do mundo, graças a maneira sutil pela qual muitas vezes a Vontade de Poder atua.

Mas é no homem que deve-se verificar com mais atenção as atuações da Vontade de Poder. Durante muito tempo, entre a maioria dos povos, os valores eram determinados exatamente por aqueles dotados da Vontade de Poder mais elevada, estes eram os líderes das nações, os homens mais fortes, mais inteligentes, mais corajosos, mais belos. E foi com base em si próprios que eles definiram quais eram os valores positivos, aqueles que refletiam suas próprias qualidades e os valores negativos, os que representavam um contrário dos valores aristocráticos: fraqueza, piedade, pobreza, feiúra; exatamente as características das massas. Por isso, graças a sua inferioridade natural as massas transferiram todo o valor para um além-mundo, um lugar onde elas sejam consideradas virtuosas por suas fraquezas e os aristocratas sejam considerados maus por seu excesso de força.

Com o tempo, a negligência dos aristocratas e a superioridade numérica das massas fez com que os valores aristocráticos fossem definitivamente transformados no mal e os valores plebeus fossem adotados pelos líderes. Assim deu-se a inversão dos valores, e os valores aristocráticos do excesso de vontade de poder, associados com o que há de bom neste mundo ao serem banidos levou a que este mundo mesmo fosse odiado. Com a fuga dos valores para o além-mundo, este mundo ficou desvalorizado em relação a este além-mundo, repositório de todo o bem. Essa foi a vitória da Vontade de Poder fraca sobre a forte. Desse modo surgiu a moral, como instrumento de controle e auto-defesa do rebanho em relação aos homens dotados de uma Vontade de Poder forte.

Desse modo toda a humanidade foi submetida a escravidão de uma moral que demoniza o mundo, as forças vitais, os valores ascendentes e sadios e tudo que representa vitória e poder neste mundo. É neste situação que está o homem moderno. E esta situação reduz ainda mais a força da Vontade de Poder e os impulsos criativos do homem. Assim para se libertar o homem deve buscar dentro de si próprio a descoberta de sua verdadeira natureza através de sua Vontade de Poder.

A partir dessa descoberta, cabe ao homem derrubar os valores de rebanho pré-estabelecidos, para ele mesmo impor através de sua Vontade de Poder quais são os valores que ele deve seguir. Mesmo que no fim das contas o homem acabe recolocando os velhos valores, o que importa é que ele saiba porque deve seguir tais valores, ao invés de os seguir cegamente. A isso Nietzsche deu o nome de Transvaloração de Todos os Valores. Para isso o homem deve se colocar Além do Bem e do Mal, para poder julgar o mundo através dos olhos de sua Vontade de Poder para então ser capaz de decidir qual é o seu caminho.

O homem que for capaz disso, se libertará da tirania dos valores de rebanho e poderá dispor de seu poder criativo segundo sua vontade. Este homem trará de volta dentro de si o amor pela existência e incorporará dentro de si valores que exaltam este mundo com todas as suas possibilidade, seja de sofrimento ou de glória.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Gandalf está vivo e luta conosco!

"Tolkien nunca participou em política nem expressou convicções definidas; tão pouco 'O Senhor dos Anéis' pode ser reduzido às categorias políticas em uso: nem ao debate político dos anos 1940-1950, nem ao de 2001. Mesmo assim, não pode negar-se um facto evidente: nem Tolkien nem a sua obra escrita podem ser consideradas neutrais perante os episódios fundamentais do nosso tempo.

'Gandalf está vivo e luta connosco'. Não é um mote surrealista, mas um lema político do início dos anos 70, imediatamente após a primeira tradução italiana de "O Senhor dos Anéis". Já então, na Península Itálica, se compreendera a militância estrutural do mundo de Tolkien contra a evolução do mundo moderno e em defesa, em entre-linhas, de determinados princípios: sacrifício perante o hedonismo, família e comunidade contra o individualismo, fidelidade e integridade frente ao transformismo, tradição e respeito perante a mecanização, ecologia e lei natural perante a exploração da Terra.

Gandalf, como o seu criador Tolkien, não é de direita. Nem de esquerda. Representam simplesmente a denúncia dos males da sociedade de consumo. E uma alternativa ética, mesmo que não necessariamente política e ideológica. Em muitos e distantes países, uma minoria de jovens - sempre jovens, independentemente da sua idade e sempre rodeados por jovens cronológicos - adoptou Tolkien como bandeira de protesto, ou apenas como símbolo de uma opção de descontentamento pessoal.

(...) Falamos dos jovens de todas as idades que participaram nos já longínquos 'Acampamentos Hobbit', que ouviram a diferente música da 'La Compagnia dell'Anello', que utilizaram os nomes de 'Eowyn' ou de 'Erebor' para as suas iniciativas culturais. Uma juventude diferente, dissidente, minoritária e mais disposta a seguir um mito literário anti-moderno que a submeter-se às modas dominantes. Uma juventude quase marginal, mas viva e real, surpreendentemente consciente da sua identidade comunitária e difusamente disposta a uma luta quase espiritual num mundo pouco inteligível como o contemporâneo.

Haverá uma 'geração hobbit'? Nas actuais circunstâncias, os valores de JRR Tolkien não podem chegar a ser socialmente dominantes. A sociedade ocidental baseia a sua organização nos princípios mais opostos. Vivemos entre Morgul e Mordor. Mas continuará a haver dissidentes, que aspirem a viver em Hobbiton ou em Lórien; e, logicamente, a difusão cinematográfica do mito favorecerá que essa minoria cresça, porque haverá um maior segmento da população exposto à inegável beleza desse mito. Com este filme poderá haver mais hobbits, mais jovens de espírito em luta estética contra as injustiças do presente.

Aconteça o que acontecer, JRR Tolkien não passou pelo Mundo sem deixar uma firme recordação."

Pascual Tamburri

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Daniel Laguna - Friedrich Nietzsche: Guia de Leitura

por Daniel Laguna



Faremos aqui uma introdução da obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, visando a introduzir leitores interessados em iniciar uma leitura de sua obra, EM ORDEM RECOMENDADA, pedindo-se ao leitor que evite preconceitos comuns atualmente, como a reinterpretação perpetuada principalmente por autores marxistas, anarquistas e liberais, que tentam fazer de Nietzsche um hedonista, cuja visão dionisíaca nada mais é do que a afirmação dos prazeres fugazes e momentâneos; que tenta fazer de Nietzsche um inimigo de qualquer forma de Estado e política; que tenta fazer de Nietzsche um simples ateu materialista.

1. O Anticristo (Der Antichrist): Recomendada como primeira na lista por ser uma obra mais direta e linear, fazendo-a uma leitura mais simples para quem ainda não está acostumado com o estilo do autor. Nessa obra, identifica-se a falsificação na filosofia por parte do mundo moralista perpetuado pela moral cristã, que reverenciaria o fraco, feio e doente em lugar do forte, belo e poderoso. Essa moral judaico-cristã levaria o mundo ao nihilismo, já que se negaria a existência em troca de uma vida post mortem, e à ruína do poder artístico e cultural, como levou à queda do Imperium Romanum. É importante que se note, também, que se diferenciará uma forma de cristianismo ‘’hebreu’’ (de Paulo) e a figura solitária de Jesus (o último cristão morreu na cruz), abrindo a possibilidade de o cristianismo ter sido (ou poder ser) interpretado de formas diversas e adquirir facetas ambivalentes.

2. Genealogia da Moral - Uma polêmica (Zur Genealogie der Moral – Eine Streitschrift): Nessa obra se apresentará com clareza as diferenças entre a moral dos fortes (aristocrática) e dos fracos (escrava), fazendo-se uma crítica profunda sobre a segunda, que sempre busca a má-consciência e a culpa. A culpa, que em alemão (Schuld), é sinônimo de ‘’devedor’’, é apresentada como uma forma de dominação do sacerdote sobre o homem, que se torna o credor de todo um grupo de homens, que passa a ser um grupo de ovelhas.

3. O Nascimento da Tragédia, ou Helenismo e Pessimismo (Die Geburt der Tragödie, Oder: Griechentum und Pessimismus): Analisa a função da tragédia grega em sua sociedade. A catarse (καθαρός, purificar) da tragédia ateniense clássica servia aos gregos como uma forma de livrar-se do nihilismo, não por uma mentira, ou seja, com uma visão falsa e otimista da existência, mas propondo o olhar do homem sobre o abismo, fazendo-o olhar seu fundo e, assim, olhar para dentro de si mesmo, em uma situação atemporal, na qual o indivíduo sente seu poder e toda a sociedade, formada por diferentes seres olhando para o mesmo abismo, transcendam as dores e tornem-se heróis. É nessa obra, também, que se diferenciará o Apolíneo, vida e arte de imagens e palavras, do Dionisíaco, de sentimentos e música.

4. Crepúsculo dos Ídolos ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen-Dämmerung oder Wie man mit dem Hammer philosophiert): Depois de ler as obras anteriores, poder-se-á deleitar-se e mesmo divertir-se com o poder de ataque de Nietzsche. Aqui, atacar-se-ão várias figuras nos campos de filosofia, política, história, música... Com o conhecimento e o entendimento das leituras anteriores, o proveito será grande, o prazer também.

5. A Vontade de Poder (Der Wille zur Macht): Apresenta temas de todas as principais obras de Nietzsche em sua forma mais madura e completa. Embora tenha sido editada depois de sua morte, a idéia e o índice da obra foram feitas por ele próprio. Tendenciosamente se afirmou que essa obra fosse uma deturpação da irmã de Nietzsche, Elisabeth Föster-Nietzsche. Na introdução da nova edição (recomendada) da Editora Contraponto, o professor Gilvan Fogel (doutor em filosofia pela Karl-Ruprecht Universität e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro) que participou da preparação e tradução do texto, escreve:

É preciso que se enfatize: Os textos são autênticos. Todos são da cunhagem, da lavra de Nietzsche. Não foram, como já se disse e se insinuou, distorcidos ou adulterados pelos organizadores. Não. Seu ordenamento e sua publicação, porém, não seguiram rigorosos critérios crítico-filológicos. Confrontados com a edição crítica, hoje disponível, se vê tratar-se de textos genuínos, ainda que, aqui ou ali, com pequenos erros e pequenos cortes, lacunas, não por alguma pretensa má-fé, mas por deslizes naturais de uma publicação que não segue normas crítico-filológicas próprias na acribologia científica. Isso é decisivo: Os textos são autênticos e constituem uma rica coletânea de fragmentos da última década produtiva de Nietzsche.

A Beleza da Democracia

"Quando quero que um assunto não seja resolvido, encomendo-o a um comitê."
(Napoleão Bonaparte)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

William Adolphe Bouguereau - Nymphes et Satyre

Por Felipe Angelim

Bouguereau é inquestionavelmente um dos maiores gênios das artes visuais; e, na opinião do autor deste texto, é o maior deles. Suas representações da manifestação mais bela da natureza - o corpo humano - vêm à vida, e nos transmitem todo o espírito da verdadeira arte.

O maior argumento dos modernistas contra a arte visual do século XIX é justamente o excesso de técnica, o que eles chamam de academicismo, como se o conhecimento acadêmico fosse algo negativo. Bouguereau era certamente o mestre da técnica, e isso pode ser comprovado por qualquer leigo mesmo com a mera observação despretensiosa de suas pinturas. O que os modernistas não conseguem ver é que o artista capturava os mais sutis nuances de personalidade e humor; retratava a juventude - sua eterna paixão - em todo seu frescor, brilho e pureza. O culto à beleza, que herdamos de nossos antepassados clássicos, atinge com Bouguereau seu ápice. Os valores indo-europeus estão presentes em todas as suas obras.

É claro que o século XX não poderia suportar tal herança, e os modernistas fizeram um trabalho muito eficiente em apagar Bouguereau dos livros de história da arte: hoje, um estudante de artes pode graduar-se sem nunca ouvir seu nome. Não é agradável para uma zeitgeist degenerada que obras exaltadoras dos nossos valores raciais sejam admiradas. Bouguereau, quando abordado nos cursos supracitados, o é apenas como exemplo do que não deve ser seguido: culto à técnica; falta de expressividade e originalidade; derivacionismo. Não posso me alongar demais, e portanto não haverá tempo para que eu redargua as críticas feitas a Bouguereau e à arte do século XIX em geral. Ao certo, o farei em em próximo post, pois a temática de artes visuais será abordada toda terça feira neste blog.

Cabe apenas um questionamento: onde está o problema em ser derivativo? Um dos principais focos deste blog é justamente salientar que nada somos sem nossa tradição, sem nossa cultura herdada. Nada podemos fazer de profundo sem ela e nada pode tocar nossas almas com maior precisão do que aquilo que se fundamente nos princípios que norteiam nosso pensamento e que vieram do âmago de nossa expressividade. Não é por se apropiar do passado que se perde a originalidade; sendo assim, todos os trabalhos sérios de sociólogos, filósofos, historiadores e muitos outros cientistas seriam descartados como igualmente derivativos. Por que com a arte deve ser diferente? Por que a ciência pode se apropriar do conhecimento prévio e a arte deve ser sempre ''totalmente original''? Diferentemente do que as avant-gardes modernistas estabeleceram, a originalidade não está em obter algo do completo vácuo, e sim de poder usar do que é anterior de forma eficiente e criativa de modo que o novo trabalho tente sempre superar os anteriores. Vejo muito mais originalidade em qualquer pintura de Bouguereau ou de muitos outros - os quais certamente exporei aqui no blog - do que nos inúmeros e idênticos retratos de seres humanos deturpados feitos por ''artistas'' como Picasso ou Paul Klee, com sempre a mesma explicação de terem ''capturado a natureza interior da pessoa, não a beleza externa''. Desculpas para a própria inabilidade e falta de cultura.

O valor máximo que uma pintura de Bouguereau atingiu ao ser vendida foi $3.520.000. Ressalto que o pintor produziu 826 obras, feitas com muito sacrifício e dedicação durante toda a sua vida, com trabalho diário de aproximadamente 8 horas, o que o dá o mérito de ter sido o artista acadêmico mais profílico de toda a história. Picasso produziu 80.000 ''obras'', as quais vendem por algo em torno de $25.000.000 dólares cada. Em média, na década de 60, as pinturas de Bouguereau vendiam entre $500 e $1000. Eis o que o establishment modernista conseguiu fazem com a verdadeira arte.

Sem mais delongas, procedo à análise de uma de minha pinturas favoritas: Nymphes et Satyre (As Ninfas e o Sátiro).



Aqui belíssimas ninfas tentam puxar um sátiro para o lago. Sátiros, por natureza, sendo aparentados aos bodes, não gostam muito de água. Uma das ninfas acena para três outras em segundo plano, possivelmente as chamando para participar da brincadeira. Pela sua expressão, vemos que o sátiro tenta resisir, mas pouco pode fazer contra quatro ninfas que o puxam, ainda mais por estar - como todas as bestas o ficam - rendido por sua beleza.

Primeiramente, é nítida a associação de brancura e delicadeza à beleza. A diversão, o lúdico, se liga ao belo, criando uma imagem de exaltação da juventude eterna das ninfas, a qual representava para os gregos - como podemos ler no diálogo ''Hípias maior'' de Platão - o espírito da estética, imutável, uno e eterno, como uma divindade. Elas submetem um sátiro às suas vontades: um ser semibestial, um intermediário entre o homem e os brutos: a atitude é simbólica em mostrar como os seres inferiores são subordinados à beleza antropomórfica e como os seres a meio caminho entre o homem e o animal - incluo aí, como Aristóteles e Propércio o faziam, alguns membros de nossa própria sociedade - nada podem quando confrontados com nosso espírito estético.

Por sua vez, a água do lago simboliza a limpeza, a renovação e acrisolamento aos quais apenas a estética pode guiar o bruto para que mude sua natureza; ela é alegre e elevada, acompanhada pelos risos das ninfas. É claro que a besta, o ser inculto, resiste à tentativa, mas por hora é forçado a ceder, pois a estética sublime submete a todos. Destarte, cabe aqui uma mensagem implícita na pintura:

Renovai-vos, camaradas incultos, néscios e desprovidos de senso estético. Banhai-vos no lago de nossa arte; rendei-vos à divina beleza; desprendei-vos do instinto sexual primitivo dos sátiros para adquirir a sensualidade sublime de vossa tradição, de vossa natureza interior. Sede belos por dentro para que vosso mundo externo se acrisole.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Nem Direita, nem Esquerda.

NOSSO GESTO

Por Onésimo Redondo. (Novembro de 1932)

“Direita, Esquerda. Estão aqui os pólos, ao redor dos quais gira a atividade eleitoral. E agora, mais que nunca, se evidencia a impressão e a vaga imprecisão desse absurdo enquadramento político. Até onde chega a direita? Até onde a esquerda? Onde termina uma e onde começa a outra?

Em frente a estes rígidos moldes de política “decimonónica” (do século XIX), a juventude nacional toma uma postura de franca e legitima rebeldia: nem direitas, nem esquerdas. Não queremos saber disto.

Se por direita se entende espiritualidade nós somos direita. E apresentamos um brilhante histórico de catolicismo autentico, pratico, não rotineiro, juvenil, enérgico e sentido, “não-topcista”. Se por direita se entende, tática diferença do capital ou burguês, reduto de ambições liberal conservadoras, baluarte de apetites pequeno-burgueses, nós somos esquerda, nós somos revolução. Se por esquerda, se entende, beocia demagógica, motim “populachero” (do povão, ralé), destruição e anarquia, nós somos direita, propondo uma nova ordem construtiva.

Se por direita se entende, conservadorismo beato, frescura sentimental, derrotismo legalista, nós somos esquerda.

Cai, pois, por sua base, a estrutura da atual política. Não nós esvaziamos nos seus velhos moldes. Isso explica, a atitude quiçá acida, porem nobremente rebelde, que adotamos ante a próxima batalha eleitoral.

Nós, não podemos seguir sendo “os quatro exaltados direitistas”, que pregam cartazes, escrevem letreiros em jornadas noturnas, e recebem as tortas que na rua se perdem, enquanto os “pacíficos” burgueses tomam o aperitivo no Cassino, ou fofocam em quaisquer encontros políticos. Eles terminaram o jogo.

Desde agora, marchamos sozinhos, poucos ou muitos, sem necessidade de andadores. Queremos emancipar-nos, porque temos fé na nossa idéia.”

Traduzido do Espanhol por Fernando Fidalgo.
Grifos do Tradutor.



sábado, 21 de agosto de 2010

Raphael Machado - Concepção Platônica de Estado Ideal na "República"

por Raphael Machado



A apresentação feita por Platão na República é suficientemente complexa a ponto de ser capaz de gerar diversas possibilidades de interpretação, algumas das quais poderiam mesmo ser consideradas contrárias ao que mais provavelmente Platão buscava dizer. As prescrições e recomendações para o estabelecimento de uma cidade perfeita são enunciadas de tal forma a dar margem a interpretações de cunho extremamente moralista, porém os mesmos enunciados são sutis a ponto de serem capazes de expressar uma visão de mundo dotada de um alto grau de poder liberador. Deve ser, portanto, apresentado em primeiro lugar uma interpretação moralista e reacionária do pensamento platônico, para que depois possamos fazer sua contraposição em relação a uma interpretação libertária do mesmo pensamento.

Em primeiro lugar está a questão da hierarquização da sociedade em Platão. Apesar de essa hierarquização ser construída de modo sutil e por razões bastante especiais, não seria difícil tomar essa defesa da hierarquia de um outro modo. Um moralista reacionário veria a defesa da hierarquia em Platão como uma espécie de Social Darwinismo da Antiguidade. Segundo doutrinas Social Darwinistas, como as ideologias liberais, a justificativa para a ocupação de um cargo de liderança ou uma posição hierárquica superior está no simples fato de se estar ocupando esse cargo ou posição. Quem é um líder, só é líder porque já merecia chegar no lugar onde está, independentemente de quem seja tal pessoa ou de qualquer outra circunstância. Assim para um moralista reacionário qualquer estrutura de dominação pode ser considerada válida, através de uma certa inversão. Ao invés de se entender que os melhores deveriam ocupar os cargos de liderança, poder-se-ia entender que se alguém ocupa um cargo de liderança é porque ele já é um dos melhores. Esse tipo de entendimento de hierarquia é essencial e útil para a manutenção de estruturas de poder como a oligárquica ou mesmo para qualquer sociedade decadente que ainda se utiliza de estruturas hierárquicas. O efeito dessa visão sobre a atividade humana é de um extremo cercear de possibilidades, na medida em que, se quem ocupa o poder, o ocupa porque já é melhor e quem não ocupa não o faz por falta de merecimento ou capacidade qualquer tentativa de mudança na estrutura ou modelo dessa hierarquia se torna injustificável e a única possibilidade que sobra é aceitar passivamente tudo que acontece ao seu redor e atuar como uma engrenagem que alimenta a manutenção desse mesmo modelo mecânico de hierarquia.

Deve-se chamar também atenção para o cuidado que Platão dedica a produção artística na cidade. Sob olhares moralistas, esse cuidado poderia parecer um apelo para o estabelecimento de uma censura desmesurada. A preocupação com os efeitos e natureza da arte, acabaria sendo transformada em uma preocupação exclusiva com os aspectos meramente formais da criação artística. O foco de preocupação sairia assim do que há de interno e vital na arte para o que é meramente artificial, a maneira como essa arte apresenta aquilo que há nela. O resultado disso seria um congelamento do poder de criação que em nada ajudaria a impedir que possíveis efeitos negativos da arte sobre a alma dos cidadãos. Em verdade, na medida em que o foco passasse do que é interno para o meramente superficial, ainda que se mantivessem as formas artísticas consideradas sadias perder-se-ia aquilo que torna essas formas sadias. E o mesmo processo impediria que novas formas de criação, mesmo as dotadas da maior vitalidade, surgissem na cidade.

Outra questão de suma importância é a possibilidade de ambigüidade gerada pelas formulações platônicas relacionadas a educação, seleção, preparação e teste dos guardiões. Tais formulações são de tal modo a dar margem, aos olhos de um moralista, para um pensamento dualista que reduz todas as coisas à participantes em uma oposição entre as virtudes e o mundo físico. Onde havia uma preocupação em garantir que o todo das aspirações e ações humanas não se limite ao que é meramente quantificável e aparente, passa a haver uma rejeição do mundo presente em prol de um além-mundo. Isso se funda exatamente nas recomendações que Platão faz aos guardiões sobre como eles não devem conhecer o vício e devem ser virtuosos e perfeitos. O moralista a partir disso propõe um juízo de valor moral acerca desse dualismo, que só foi visto por ele mesmo. O que é material e sensual está associado ao vício e é, portanto, parte do erro e do mal. O que está fora do material, o que está fora do mundo é puro e é, desse modo bom. Desse jeito todo valor sai da existência humana e se concentra em algo que está muito distante de qualquer coisa que faça realmente sentido para um homem. Essa separação do mundo, acaba ocorrendo paralelamente a uma divisão que ocorre no interior do próprio homem. Ao mesmo tempo em que ele existe, ele é obrigado a rejeitar a existência como sendo um erro. Uma existência compreendida desse modo não pode guardar para o homem nada a não ser sofrimento e enfraquecimento de suas energias vitais e criadoras.

Platão também faz várias recomendações quanto a procriação e como devem ser formados os casais que gerarão a próxima geração. Essas recomendações visam exatamente a manutenção da estrutura da cidade que ele imaginou, através do pareamento de indivíduos compatíveis dotados das mesmas aptidões e visando a geração de crianças sadias. Essas recomendações são, então, uma forma de eugenia já que visam a manutenção e aperfeiçoamento das gerações através da seleção dos casais. Porém, há a abertura para que um moralista entenda essa política como significando que deve haver um imobilismo social total e que o casal do qual um homem nasceu determina de modo irredutível que aptidões ele terá e que posição na cidade ele deverá ocupar. Acoplada com a noção de que a hierarquia vale por si só e que quem ocupa posição de liderança só o faz porque já o merece, esse entendimento geraria o congelamento total da sociedade, e um lento porém fatídico e inevitável adoecimento.

Pelo que se pode ver, todo o entendimento de Platão através de uma lente moralista e reacionária culmina em uma criação de um tipo de cidade totalitária cujas forças vitais foram completamente paralisadas por uma inversão de prioridades e pela transferência do foco de um real entendimento e participação no que há de possibilitador de toda vitalidade e criatividade para uma mera repetição e manutenção de formas vazias. A literatura possui exemplos de sociedades cujos criadores bem poderiam ser homens inspirados por uma visão reacionária e moralista da cidade de Platão, como 1984 de George Orwell e Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. As duas obras são visões distópicas de um futuro dotado de muitas desses elementos, como a eugenia e hierarquização total da sociedade no Admirável Mundo Novo e a rejeição do prazer sensorial no 1984, e também apresentam o resultado final de estabelecer uma sociedade sobre esses princípios, a mecanização completa da sociedade e a ausência de qualquer olhar que ultrapasse o meramente presente e quantificável.



Porém nas mesmas formulações assentam elementos impulsionadores de uma liberação do homem, em tendência exatamente oposta a de uma visão moralista e reacionária. A hierarquização especializada da sociedade não precisa, de modo algum, ser considerada como fruto de um pensamento reacionário. Para se enxergar o potencial libertário dessa formulação, deve-se ver o estado do homem em uma cidade que não segue essa formulação. Em uma cidade comum, na qual cada um pode fazer muitas coisas e o que quiser, o homem está sempre disperso e distraído pela multiplicidade gigantesca de coisas que lhe são oferecidas pela cidade. Submetido a tal bombardeio de possibilidades ele nunca pode ter uma relação autêntica e profunda com qualquer atividade a qual ele pudesse se dedicar. Porque ele salta de atividade em atividade ele está sempre em uma relação superficial com as coisas ao seu redor. A prescrição de que cada um deve se dedicar a uma única função libera o homem para a possibilidade de realização de si mesmo através da ação, segundo exatamente sua natureza. Ao mesmo tempo o homem na cidade em que se espera que cada um possa fazer qualquer coisa é jogado em uma posição de eterno conflito com os outros cidadãos, já que ele não tem mais nenhum lugar garantido por sua natureza. Porque não lhe é concedida a possibilidade de desvendar suas próprias aptidões e interesses o homem está sempre em uma posição frágil, dado que ele deve exercer apenas as atividades consideradas úteis pela cidade comum e que a definição de quais são essas atividades e o valor atribuído a elas está sempre sendo modificado. Assim o homem é arrastado pela sociedade a se necessário até mesmo exercer atividades totalmente contrárias a sua natureza apenas para conseguir sobreviver. Pelo mesmo motivo na cidade platônica ele está livre da possibilidade de se ver esmagado pela pressão de ter de realizar funções as quais diferem muito de sua natureza.

Na questão da produção artística não há necessidade alguma em se entender de modo reacionário as formulações platônicas. Estas formulações, visando a promoção dentro da cidade apenas de produções que influenciem positivamente os cidadãos, devem ser entendidas não como um apelo a uma censura paralisadora das forças criativas, mas sim em uma preocupação em garantir que as forças criativas sejam direcionadas do modo mais positivo e potente possível. Desse modo deve-se entender que não é necessário que a cidade produza grandes quantidades de obras. Uma mera grandeza quantitativa de modo nenhum dá qualquer indicação sobre a verdadeira potência da força criadora mas pode ao contrário simplesmente contribuir para a dispersão da atenção do cidadão, ou para o despertar dentro do cidadão de inúmeros impulsos antagônicos. Assim, não é a preocupação com formulação formal da criação que é central, mas de que modo cada forma é mais propícia a expressar ou auxiliar a expressar os elementos que auxiliam ao fortalecimento dos cidadãos. Logo, não ocorre o congelamento das forças criativas, acontece na verdade o contrário, já que elas passam a ser auxiliadas pelos guardiões a alcançarem o máximo de potência.



Quanto a uma oposição entre a virtude e o mundo físico, ela também não é necessária, pelo contrário. As mesmas formulações poderão ser entendidas por um libertário como significando uma busca por um caminho reto e equilibrado no mundo, através do qual o homem não seja escravizado por todos os impulsos, forças e influências que podem agir dentro e sobre ele. E é isso que mostra um potencial liberador e não um mero moralismo. Não é necessário apregoar uma rejeição da existência física, mas que o homem alcance um grau de autonomia e autarquia diante dos impulsos, não por negação, mas pelo estabelecimento pelo homem de uma medida dentro dele mesmo através da qual ele interage com os diversos desejos. Essa caminho de equilíbrio não é uma mera expressão de indecisão, mas sim de uma decisão impor a si próprio uma disciplina que impede que o homem seja levado como uma “folha no vento” por todo o jogo de paixões que lhe habitam. Tal disposição gera no homem uma serenidade que lhe capacita a desvendar sua natureza e estabelecer a partir dela sua relação com o mundo que o cerca.

Mesmo um conceito tão polêmico como a eugenia, geralmente associado a idéias reacionárias, pode ter um potencial liberador dependendo do modo como se compreende as recomendações de Platão para a cidade . Se for reconhecido que de modo geral a natureza dos pais exerce uma forte influência sobre qual será a natureza dos filhos, o pareamento de casais compatíveis impede ou pelo menos dificulta o nascimento de cidadãos dotados de uma natureza caótica, desagregada e confusa. Pessoas nascidas de casais incompatíveis, acabariam tendo enormes dificuldades para conhecer e seguirem sua própria natureza e por isso, acabariam vendo a si mesmos como párias dentro da cidade, como homens sem um lugar apropriado. Do mesmo jeito ao evitar o nascimento de homens deformados não se garante apenas o não enfraquecimento da cidade, mas intencionalmente ou não, evita o sofrimento para um homem de possuir uma forma incapaz de exercer funções na cidade e de ser como um fardo para os outros cidadãos.

Levando todas essas coisas em consideração verifica-se a existência de ampla margem de interpretações, de várias qualidades, das prescrições feitas por Platão quanto ao meio correto de melhor liderar e organizar a sociedade. E apesar de ser argüido que tais prescrições tornam Platão um reacionário e que qualquer cidade que seguisse tais preceitos seria necessariamente totalitária, as mesmas prescrições ainda pode ser vistas como garantidoras de uma maior liberação do homem do que poderia ser vista em uma cidade que não segue esses preceitos.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sobre nação, cultura e raça. Erkönig de Schubert

Salve, camaradas leitores da Legio Victrix! Quem posta hoje é Felipe Angelim, e dou início aos posts de quinta feira deste blog, os quais serão focados em apresentar aos leitores leigos algo de nossa cultura musical. Juntamente com estes, haverão também posts toda terça feira concernentes às artes visuais (pintura, escultura, cerâmica, e outros), bem como todo domingo posts concentrados na literatura. Portanto, por ser o primeiro post da série, vejo necessidade de esclarecer sobre o projeto e sobre as diretrizes do blog no que concerne à arte e à nossa concepção de cultura.

Este blog é nacionalista, porém na real acepção semântica do termo: o conceito de nação está ligado, originalmente, ao conceito de sangue, de grupo étnico-cultural. Aos iniciantes, nação, para os que aqui escrevem, se vincula à idéia de raça. Sabemos, claro, o quanto usar o termo raça é problemático nos tempos hodiernos, e que este uso se vincula à idéia de racismo, da forma como é tida no senso comum. Desde já, então, esclarecemos: não somos racistas. Não, é claro, da forma como o vulgo pensa em racismo, e sim de modo identitário e culturalista.

Ao certo serão feitos alguns outros posts na Legio Victrix para explicar esses conceitos, os quais pedem desenvolvimento teórico mais aprofundado; porém, como este post está sendo feito a título de esclarecimento, não exporei aqui as premissas de nossa tese. Deste modo, farei uma breve introdução ao assunto:

O visitante do blog, ao pensar em racismo, logo tem a imagem do nazismo vindo à consciência, bem como a noção agregada de superioridade racial. Isso é errado, pois acreditar em raças não pressupõe que se pense em umas como superiores às outras. Não entrarei aqui na biologia para fundamentar o conceito de raça, mesmo porque ele pouco importa. Raça é uma unidade biológica sim, e hão - ao contrário do que a mídia passa - fundamentos para o conceito na biologia atual, porém ela é muito mais do que meramente uma classificação baseada em genótipos, e sim uma idéia vinculada à cultura produzida pelo grupo que é tido como uma raça distinta, bem como seus aspectos filosóficos, morais, ideológicos e comportamentais.

Portanto, eis que voltamos ao conceito de nação: uma unidade cultural e racial. Não imaginamos os dois conceitos de nação, cultura e raça como separados entre si, e sim como diretamente interdependentes. Cabe a cada nação, e a cada raça, manter seu patrimônio cultural e garantir que as gerações presentes e futuras tenham acesso ao mesmo. Nós da Legio Victrix, então, faremos nossa parte com os posts semanais, para divulgar aos leitores que têm pouco acesso à nossa bela arte.

Cabe aqui, por último, esclarecer que, quando falamos nossa arte, nossa raça, nossa cultura, nos referimos à cultura e arte da raça branca. É claro que definir raça branca pressupõe uma abrangência complicada, e ao certo nós esclareceremos o termo em futuro post. Basta dizer agora que abarcamos o conjunto racial dos indo-europeus instaurados na Europa - tomada como uma concepção geográfica - e na área do Mediterrâneo e dos povos autóctones destas regiões. Raça branca é um conceito tão generalizante quanto raça negra, e no entanto este último é frequentemente usado sem maiores consequências.

Não tentamos, com isso, tomar uma postura de superioridade da cultura de nossa raça, e o fazemos meramente por sermos - todos da equipe do blog - brancos de raça e cultura, e pensamos como nosso dever sermos propagadores de nossa cultura. Penso que negros, asiáticos e outros devem fazer o mesmo, e aplaudiremos quaisquer grupos que tomem nossa concepção de cultura, raça e nacionalidade para si mesmos, sejam eles centrados na raça branca ou em quaisquer outras.

Isto posto, apresento-lhes o primeiro vídeo musical do blog: a lied Erkönig de Franz Schubert. Não haverá espaço para que eu defina o conceito de lied, logo me resumirei a dizer que é uma canção alemã - normalmente com a presença de um piano - baseada em algum poema, principalmente poemas folclóricos.

A lied em questão foi feita por Schubert em cima de um poema de Goethe de mesmo nome, o qual se baseou em uma antiga lenda germânica. No mesmo, um pai preocupado cavalga com seu agonizante filho nos braços, na esperança de chegar em sua casa e tratá-lo de sua misteriosa doença. A lenda germânica conta do Rei dos Elfos (Erlkönig), que roubava crianças louras e belas para seu reino em outra dimensão, no qual todos viviam em maravilha e eterna juventude. Falha quem vê - como Freud o fez - uma imagem pedófila no Rei dos Elfos; ele é meramente um apaixonado pela beleza, pela jovialidade e pela inocência das crianças.

Enquanto o menino sofre em sua doença, o Rei dos Elfos, vendo que o garoto está perto da morte, o seduz para que o acompanhe ao seu reino, lhe contando das mais diversas maravilhas que o lugar lhe oferece. Assustado, o menino conta ao seu pai de suas visões, o qual, por ser adulto, não vê tampouco ouve o Rei dos Elfos e pressupõe que seu filho delirava por estar doente: tenta dar explicações fenomenológicas à aparição e à voz que o menino diz ver e ouvir. Ao ver que sua argumentação só apavorava a criança, o Rei dos Elfos resolve o tomar pela força. O pai finalmente, ao entrar em sua casa, verifica que seu filho morrera.

A música, de grande dramaticidade, é performada por uma voz de barítono - aqui, o grande Dietrich Fischer-Dieskau -, o qual faz o papel do narrador (em seu tom médio), do menino (nas notas mais altas), do pai (na parte mais grave da extensão) e do Rei dos Elfos (de novo no tom médio, mas com uma coloratura sedutora, charlatona; o que os ingleses chamam de oiled voice). O piano representa a marcha rápida do cavalo no qual estão o pai e o filho, e dá tensão à obra. Peço que prestem atenção em todos os nuances dramáticos e leiam a letra do poema, que está traduzida no vídeo para o inglês. Aos interessados, a letra original em alemão se encontra na wikipedia, seguindo abaixo os links:

Link do poema em alemão

Link do vídeo

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Viktor Weiss - Que benefícios a Democracia trouxe para o mundo?

por Viktor Weiss

Sob a égide de uma suposta libertação dos povos, os vencedores de 1945 empurraram sua democracia goela abaixo em todos os países em que conseguiram meter seu bedelho. Com esse pretexto, agrediram países, deflagraram guerras, praticaram genocídios. Coréia, Vietnã, Iraque, Afeganistão não nos deixam mentir. 

Falam em mundo global sem fronteiras, mas favorecem o expansionismo de Israel, com constantes promessas de bilhões de dólares e foguetes de última geração a um estado usurpador, que expulsou de suas casas um povo inteiro, obrigando-o a viver no deserto.

Destruíram tradições e culturas. E o que lhes deram em troca? Seu colonialismo cultural, o chiclete, a Coca-cola, o mais desenfreado hedonismo. 

Acusavam o fascismo de anular o indivíduo, mecanizando-o e suprimindo sua liberdade. Como se essa política não fosse especialidade exclusiva da Rússia de Stalin, sua grande aliada na Segunda Guerra. Enaltecem o sufrágio universal, que concede até a degenerados, bandidos e criminosos o direito de influir na escolha de um líder de nação. Trouxeram o individualismo e abençoaram a humanidade com a maconha, a cocaína, o crack e a heroína. E, de brinde, os traficantes, as crackolândias e as favelas. 

Diziam que a forma como o fascismo lidava com os jovens era uma preparação para o militarismo. Exercícios físicos, disciplina, liderança, espírito de corpo, acampamentos com diversas atividades e mesmo organizações para crianças onde era ensinado o amor à pátria e aos pais, não agradavam aos plutocratas. Deste modo, os novos senhores do mundo impuseram seu "sistema". Estimularam a rebelião, inverteram e subverteram valores morais, propagaram a permissividade, proclamaram aos quatro ventos que era proibido proibir. Criaram as chamadas sociedades alternativas, o sexo livre, a promiscuidade e a Aids. 

Os guardiões da democracia combateram o "culto à personalidade" nacional-socialista. Para eles era um escândalo os povos admirarem e se espelharem em grandes líderes. Tudo fizeram para demonizar Mussolini, Hitler e seus aliados, com calúnias, anátemas e guerras. Substituíram as legiões fascistas com os Beatles, os Rolling Stones e as Madonas da vida. Todos regados a alucinógenos e LSD. Estes sim, grandes exemplos para o povo... 

Com seus meios de comunicação de massa sufocaram e envenenaram corações e mentes. Com suas telenovelas e pornografia, erotizaram as crianças desde a mais tenra idade. Hoje as colocam, trajadas em roupas microscópicas, para exibi-las ao público, desfilando diante de escolas de samba. Isto feito, se dizem indignados com a pedofilia? 

Criticavam a suposta busca pela perfeição física dos regimes autoritários. Incentivar o esporte e uma vida saudável era suspeito para esses senhores. "Tudo para mostrar a tal superioridade ariana", é a explicação de sempre. Então criaram os concursos de halterofilismo movidos a anabolizantes e esteróides, e aplaudem as mães que dão Botox de presente a filhas de 18 anos. 

Maravilhoso mundo democrático que trouxe o multiculturalismo devastador, a ditadura das minorias e marca a ferro todo orgulho nacional. Enviaram papai Noel para África e a Disneylândia para a Ásia. 

Seus cientistas, com suas teorias bizarras, deformaram a própria concepção do espaço-tempo e seus filósofos relativizaram até a verdade. A única coisa real e concreta, dizem eles, é o suposto holocausto judeu. 

Puseram em marcha seus asseclas contra a família. Facilitam o divórcio e o aborto. Promovem gigantescas manifestações gays (com dinheiro do contribuinte) e incentivam pais a levarem seus filhos a estes eventos. 

Não seria de se admirar se, num futuro não tão remoto, criassem leis obrigando todos a serem homossexuais ou bissexuais. Ou outra nomenclatura mais moderninha. Talvez chegue o dia em que, quem não praticar sodomia seja preso como altamente suspeito. Ou ainda, seja rotulado e perseguido como preconceituoso e até neonazista. Quem sabe, sejam até mesmo enviados para Israel, o bastião da democracia no Oriente Médio, para serem julgados por crimes contra a humanidade. 

Democracia. A palavra já é feia de por si, mas quando se entende seu real significado, se torna repugnante e imoral. 

A maioria quer brindar! Outros chorar... Democracia? 

Não, obrigado. Não sigo modas, não uso drogas!