sábado, 25 de setembro de 2010

A Economia Tradicional Ariana

"O espírito fundamental do corporativismo era o de uma comunidade de trabalho e de uma solidariedade produtiva na qual os princípios da competência, da qualificação e da hierarquia natural atuavam como sólidos eixos, tendo como próprio um estilo de impessoalidade ativa, de desinteresse, de dignidade. Tudo isto foi bem visível nas corporações artesanais medievais, nas guildas e nas Zünften: levando-nos todavia mais atrás no tempo, temos o exemplo das antigas corporações profissionais romanas. Estas, segundo uma expressão características, estavam constituídas ad exemplum reipublicae, ou seja, à imagem do Estado, e as mesmas designações (por exemplo de milities ou milities caligati para os simples agremiados até aos magistri) refletiam sobre o próprio plano o ordenamento militar. Relativamente à tradição corporativa, tal como floresceu no Medievo romano-germânico, teve particular relevo a dignidade de serem livres os pertencentes à corporação, o orgulho do sujeito de pertencer à ela; o amor pelo trabalho, considerando não como um simples meio de ganância, mas sim como uma arte e uma expressão da própria vocação, e ao compromisso das maestrias se vinculava a competência, o cuidado, o saber dos mestres de arte, o seu esforço para a potencialização e elevação da unidade corporativa, a sua tutela da ética e das leis de honra que a mesma tinha como próprias. O problema do capital e da propriedade dos meios de produção quase não aparecia aqui, tão natural era o concurso dos múltiplos elementos do processo produtivo para a realização do fim comum. No mais, tratava-se de organizações que tinham 'como próprios' os meios de produção, instrumentos que ninguém pensava em monopolizar para fins de exploração e que não estavam vinculados a uma finança estranha ao trabalho. A usura do 'dinheiro líquido' e sem raízes - o equivalente ao que é hoje é o uso bancário e financeiro do capital - era considerado como coisa de judeus e para eles deixada, estando muito longe de condicionar o sistema."
(Julius Evola, Homem Entre as Ruínas)

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