terça-feira, 7 de setembro de 2010

Evola e o Pós-Fascismo

por Marcos Ghio

"O Fascismo é muito pouco."

Em concordância com o processo de globalização que hoje vige no planeta, o prefixo "pós" tem sido o termo utilizado para se referir às distintas correntes de pensamento próprias de tal etapa. Assim sendo, se a pós-modernidade significa viver plenamente o moderno em seus efeitos, liberando-o de qualquer estéril idealismo que interfira com seu desdobramento, as correntes "pós" no plano do pensamento político tem tentado aplicar tais consequências em seu âmbito próprio. Isso aconteceu especialmente com suas duas expressões antitéticas seja de esquerda como de direita.

Assim pois, o comunismo "pós" representa aquela postura que renunciou para sempre à conflitivas teses tais como a "luta de classes", a "ditadura do proletariado", etc, para reduzir-se ao contrário a um fenômeno light, gramsciano, reduzido a meras reivindicações sociais ou culturais que não são outra coisa que uma via reformista de adaptação ao "curso irreversível" do processo histórico e moderno. Quer dizer, esvaziar a tal ideologia de todo espírito revolucionário e antiburguês que pudesse ter tido em algum momento.

Faltava que também o fascismo vivesse sua experiência "pós", isso é, que manifestasse planamente aqueles rumos modernos também presentes em sua doutrina, já denunciadas em seu tempo por Julius Evola, em seus escritos da revista "A Torre" nos quais contrastava os dois espíritos que combatiam em seu próprio seio, o burguês e o legionário.

O primeiro não significava outra coisa que uma simples adaptação ao sistema moderno vigente; em vez de corrigi-lo ou retificá-lo, tratava ao invés de chegar a formar parte do mesmo. Tal espírito burguês e conformista foi o que se viveu especialmente durante o primeiro fascismo, conhecido como o do "Ventennio". A Guerra permitiu que essa primeira vertente abandonasse rapidamente o carro, passando abertamento para o lado do inimigo e que, por contraste, o espírito legionário se plasmou na República Social Italiana que significou o da resistência heróica frente o incontível avanço das forças do caos soviético-norteamericanas. Porém o fascismo "pós", surgido logo após a queda do Muro e da "morte das ideologias", hoje consiste em repudar essa última etapa e retornar ao invés de forma multiplicada ao espírito burguês antes mencionado.

Gianfranco Fini, ex-líder do fascismo italiano no século passado, hoje aberto aderente à ideologia "pós", mostrou até que limites pode chegar tal trabalho de esvaziamento doutrinário. Assim que viajou a Israel, denunciou o Holocausto, repudiou Mussolini e endossou o kipá, conseguiu alcançar o cargo de Ministro de Relações Exteriores do governo de Berlusconi, conhecido como o Ménem italiano. Um de seus primeiros atos de governo foi justamente viajar ao país al qual devia o reconhecimento por seus arrependimentos e adesão à ideologia "pós". Ali teve a honra de ser recebido pelo ministro Sharon em pessoa. Grande foi sua surpresa ante as indicações recebidas dessa vez.

Muito solto de corpo o primeiro-ministro indicou-lhe de forma peremptória que, se quer seguir contando com seu "apoio", deve impedir a difusão das doutrinas de Julius Evola. É que o chefe do sionismo compreendeu muito bem, sem dúvida após a leitura incessante de nossos comunicados, que não existe pensamento mais contrastante com o sistema hoje vigente no mundo que o que foi formulado à luz de tal corpo doutrinário. Quiçá seu compreensível medo se deva à possibilidade de que, assim como o moderno pode ser negado pelo que é superior e não pelo que resulta de sua consequência mais sombria, como o fenômeno "pós", em consonância com isso se pode também negar ao fascismo em suas facetas burguesas e conformistas que o convertiam em um fenômeno escasso e insuficiente. Tal como disse Evola, somos suprafascistas e não pós-fascistas. Somos antimodernos e não pós-modernos.

Tradução por Raphael Machado

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