quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Trecho de "Comunicação: O Terror do Hiperreal"

por Tomislav Sunic

Uma das mentiras secretas da democracia liberal é o dogma da liberdade de expressão. A palavra "propaganda" obteve ao longo das últimas seis décadas um sabor desagradável; por isso a necessidade de usar a palavra "comunicação". Porém, assim como todo mundo na sociedade moderna almeja se comunicar, os laços comunitários tradicionais, ou laços intragrupais, estão mais do que nunca sujeitos aos processos de desintegração. Vale a pena lembrar que etimologicamente os termos "comunidade" e "comunicação" possuem a mesma origem. Porém, como se pode comunicar se a comunidade não mais existe?
Para providenciar uma imagem "faz de contas" de absoluta liberdade de expressão, a mídia e o Príncipe moderno, recorrem a uma linguagem hiperbólica repleta de metáforas e qualificadores hiperreais. Isso é especialmente verdade no que concerne a termos como "democracia" e "direitos humanos". Esses termos assumiram o papel emocional de arregimentar lealdades políticas anteriormente reservadas para termos evocando nacionalidade e patriotismo. Fazedores de opinião na Europa e na América não estão tão preocupados com o conteúdo de sua linguagem, mas sim com a estruturação apropriada da linguagem e seu impacto emocional sobre as massas.
Para uma comunicação eficaz o político moderno (ou o Príncipe moderno?) precisa usar imagens com uma ambientação alegre e um cenário de "final feliz". Sua aparência também é importante. Um aspirante a candidato presidencial deve se preocupar mais com sua dentição do que com sua deontologia. Um terno Armani bem ajustado e sapatos Gucci engraxados são muito mais importantes do que seu QI. A imagem é essencial posto que não encoraja a reflexão, mas oblitera toda reflexão. A imagem hiperreal nas telas de TV com todos os ornamentos de riqueza, poder, e apelo pessoal é ideal para propagar novas mentiras políticas e, por extensão, para instituir horrendas censuras políticas.
Para um político europeu ou americano que aspira a um alto cargo, o ritual de arrependimento tornou-se uma obrigação.
Tradução por Raphael Machado.

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