segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Direitos Humanos?

por Adriano Scianca

Na pluralidade ruidosa e multiforme que caracteriza o sistema – pluralidade de todos os modos ilusória, que tende a mascarar a substancial convergência das suas formas – destaca-se, pela unanimidade que o rodeia, o tema dos "direitos humanos". Hoje em dia não há ninguém – ninguém – que se atreva a declarar-se publicamente contrário à moral dos direitos do homem e à filosofia que se encontra na sua base. Isto é facilmente constatável somente observando o "debate" que tem caracterizado estes dias de guerra, debate essencialmente destinado a demonstrar se o melhor modo de exportar ao mundo os valores "universais" dos direitos do homem é mediante a utopia cosmopolita e pacifista à maneira da "Emergency" ou mediante o precipitado pragmatismo ianque à maneira de Bush. Duas perspectivas, como se vê, tão distantes e no entanto tão próximas. Nenhuma das duas, em qualquer caso, se distancia dos mesmos valores de fundo e da mesma ideologia implícita. Os direitos humanos continuam sempre a ser o substrato, assumidos tacitamente como valor supremo.

Compreender a essência desta religião moderna, descobrir as suas origens e desenvolvimento parece-nos, portanto, essencial para quem queira hoje situar-se em contraposição ao sistema sem ter as suas armas obstruídas à partida encontrando-se entre aqueles que combatem o fogo com gasolina.

GENEALOGIA DA DOUTRINA DOS DIREITOS HUMANOS

Os "direitos do homem" são a suprema expressão do igualitarismo, isto é, daquela tendência histórica que nasce e se afirma pela primeira vez na História com o judaicocristianismo e, posteriormente, resulta historicamente nas suas variantes laicas (democracia-liberal, comunismo, mundialismo, etc.).

A fase originária – a que Giorgio Locchi chamava fase "mítica" do igualitarismo contém já em si todos os seus desenvolvimentos futuros, ainda que de forma latente e não expressa. Isto serve também para a doutrina dos direitos humanos. Adverte Stefano Vaj, de fato, que o monoteísmo judaico-cristão contém, na sua primeira formulação, todos os postulados teóricos que se encontram na base da moderna doutrina dos direitos do homem: a crença num direito natural cuja validade transcende todo o direito positivo concreto e que é expressão de uma moral objetiva e universal, a afirmação da prioridade do indivíduo sobre toda a comunidade orgânica, afirmação diretamente conseqüente da idéia de salvação individual; a crença na existência de uma 'pessoa humana' independente de toda a determinação concreta, isto é, a primazia do 'Homem' abstrato sobre os "homens" historicamente situados, a mentalidade universalista e cosmopolita que considera o gênero humano como uma unidade indiferenciada face à qual toda a pertença é um acidente que pode ser olvidado. Todos estes mitemas estão contidos de modo claro e explícito na formulação originária da tendência histórica igualitarista, isto não quer dizer, no entanto, que na Bíblia se encontre expressa, também de modo explícito, a mesma idéia de direitos humanos que conhecemos hoje. Para chegar a isto o igualitarismo deve desenvolver-se totalmente, atravessando e consumando até ao fundo a sua fase "ideológica" – usamos sempre a linguagem de Locchi – a fase, portanto, em que as diferentes ideologias humanas, nascidas do mesmo seio, se contrapõem umas às outras.

É esta a fase histórica que coincide com o período que vai da afirmação do protestantismo até ao final do Oitocentos. Neste arco de tempo as distintas formas ideológicas do igualitarismo, esquecendo-se da sua origem comum, combatem-se, reivindicando cada uma a primazia na afirmação da mesma visão do mundo.

Os fundamentos teóricos da doutrina dos direitos humanos surgem de modo cada vez mais evidente no interior da reflexão igualitarista (pensamos em Grócio, em Locke, em Kant, na Constituição dos EUA, nas declarações solenes da França pós-revolucionária, nos ideais da irmandade universal que constantemente emergem na tradição marxista, etc.), e no entanto, não se está em condições de 'recompor a ruptura', para dizer como Benjamin.

O que falta? É óbvio: falta um inimigo absoluto ante o qual coligar-se e reencontrar a unidade perdida. Este inimigo, quase não é preciso dizê-lo, está representado pelo surgimento na cultura européia de uma tendência nova, anti-igualitarista e anti-humanista, que se cristaliza logo politicamente nos movimentos fascistas europeus. É na guerra contra o fascismo que o igualitarismo encontra a sua síntese final debaixo da bandeira dos "direitos humanos". Esta unidade reencontrada terá a sua celebração na farsa judicial de Nuremberg. Todo o pós-guerra, servirá depois para expulsar todo o "resíduo ideológico". Neste sentido compreende-se o afã – entre arrependimentos, conversões, mudanças de opinião e psicodramas – dos "progressistas" em busca, durante toda a metade do Novecentos, de um comunismo "de rosto humano", de um ideal de emancipação depurado finalmente de toda a veleidade revolucionária, de todo o impulso de heroísmo, de toda a tentação autoritária. Encontrarão tudo isto no culto dos direitos humanos, verdadeiro ponto de convergência de todas as ideologias igualitárias, velhas e novas, lugar de abrigo para todos os que abandonaram os hábitos da revolução e para os maoístas em crise de consciência. 1989, ano da queda do muro de Berlim – e bicentenário da revolução francesa – representará portanto a data do triunfo da doutrina dos direitos humanos como nova religião laica do Sistema.

TRIUNFO DE UMA MORAL

Havido sido definitivamente elevada a "horizonte moral dos nossos tempos" (Robert Badinter), a religião dos direitos humanos celebra hoje o seu triunfo e a sua expansão planetária. Vírus ideológico pela sua capacidade etnocida quase total, esta moral presumidamente universal proporciona a armadura ideológica a um neo-colonialismo que em lugar do "fardo do homem branco" tem hoje como justificação um cocktail devastador de messianismo e hipocrisia. "Tratando de impor uma norma moral particular a todos os povos (a religião dos direitos humanos) pretende voltar a dar uma boa consciência ao Ocidente permitindo-lhe instituir-se uma vez mais como 'modelo' e denunciar os 'bárbaros' que rejeitam este modelo". A destruição dos povos passa também a partir daqui pela imposição a nível planetário dos "valores" ocidentais e pela conseqüente desintegração de todo o vínculo orgânico, de toda a tradição particular, de todo o resto de comunidade – obstáculos todos eles à tomada de consciência da nova "identidade global" por parte do cidadão da era da globalização. "Como edificar a sociedade multirracial? Evidentemente extirpando toda a identidade precedente (e, portanto, toda a diferença). A eliminação das diferenças é o a priori transcendental, a condição de possibilidade da sociedade multirracial.Mas como preencher este vazio? Recorrendo necessariamente a um instrumento abstracto (e, portanto, ideológico). E então: o Direito é a resposta; unir todos os homens através do Direito"… A resposta é óbvia: através da concepção abstrata e anti-política dos direitos do homem. Se a globalização é o nosso destino – como diz a vulgata – então os direitos do homem contêm em si uma verdade para-religiosa, são verdadeiramente a expressão de uma moral que tem o seu fundamento num renovado "sentido da História".

Pretendendo-se verdade auto-evidente (Cfr. A Declaração de Independência dos EUA: "consideramos como verdade evidente por si mesma que os homens nascem iguais…") a moral dos direitos humanos faz-se dogma, protege-se de todo o questionamento. Quem se opõe, portanto, ou inclusive quem simplesmente ostenta indiferença, situa-se contra uma espécie de verdade indiscutível, contra uma espécie de Lei inerente à História; é um herege, um blasfemo, um inimigo do Homem. Daí o ardor inquisitório por parte da "nova classe" contra povos e indivíduos culpáveis de transgredir os dogmas do politicamente correto.

ENTÃO?

Abandonemos os lugares-comuns induzidos pelo Sistema: rejeitar a doutrina dos direitos humanos não significa tomar partido pelo extermínio, a injustiça ou o ódio. Diga-se o que se disser na Declaração Universal, não é o reconhecimento de tal doutrina que funda "a liberdade, a justiça e a paz no mundo". Liberdade, justiça e paz já existiam antes que a expressão "direitos humanos" tivesse algum sentido. O reconhecimento dos direitos humanos, por si mesmo, não funda, na realidade, nada mais que o tipo de justiça e liberdade que, tautologicamente, se encontram expressos… na própria doutrina dos direitos humanos! Pese o fato de que os defensores de tal doutrina continuem a pensar que "inventaram a felicidade" é preciso manter com firmeza que outra justiça, outra liberdade, outra paz, são possíveis. Opor-se aos direitos humanos significa rejeitar uma moral, uma antropologia, uma certa idéia das relações internacionais e da política, uma visão do mundo global herdeira de uma tendência histórica bem identificável; hoje em dia "é o primeiro gesto subversivo fundamental que se impõe a quem queira tomar posição para regenerar a História contra o universalismo mercantilista e ocidental".

A verdadeira face do liberalismo

"No início deste terceiro milênio, após o fim do comunismo, o liberalismo de que o Homo Americanus foi ponta de lança, já não pode ocultar o seu verdadeiro rosto. Já não pode esconder a sua face inumana sob palavras abstratas como 'paz' e 'progresso'. Os acontecimentos do histórico 11 de Setembro nos Estados Unidos demostraram que o americanismo, para defender os seus valores 'democráticos' e a sua natureza financeira predadora, não se coíbe de recorrer à tortura, aos campos de concentração e à vigilância informática. No entanto, quando se compara ao comunismo, o americanismo é capaz de realizar essas práticas totalitárias de forma muito mais traiçoeira, e de forma mais fácil de assimilar."
(Tomislav Sunic, Trecho de "Homo Americanus")

domingo, 28 de novembro de 2010

Patriotismo ou Nacionalismo?

por Vijay Prozak

Se tivéssemos que estabelecer uma distinção entre os elementos mais novos do pensamento de direita, e os mais antigos, poderia ser que os elementos mais antigos são patrióticos, enquanto os elementos mais novos se iniciam no Nacionalismo – e continuam adiante. Interessantemente, porém, os mais bem sucedidos dentre os novos movimentos políticos são uma fusão dos melhores ideais tanto da direita como da esquerda, unificados sob um conceito de tradição – supostamente a inspiração da política direitista convencional. Como essa divisão está começando a ganhar a atenção pública, faz sentido contrastar patriotismo e Nacionalismo para acharmos o ponto de divergência.

Patriotismo é a crença no próprio país, uma unidade conhecida como o “Estado-Nação” porque ela unifica Nação (tribo, raça) e estado político, significando que uma população não é mais definida por herança e cultura apenas, mas pelas fronteiras políticas e econômicas de seu estado paterno. Dado que inclusividade é o objetivo, não comunalidade de origem, política patriótica é “qualificadora” no sentido de que procura achar um lugar para todos na infraestrutura sócio-política da Nação; e é inerentemente oposta ao Nacionalismo, ou “patriotismo-racial” como era chamado antigamente. Por essa razão, a política patriótica opera sobre o indivíduo como uma entidade granular, dado que ela requer a participação de indivíduos de modo a criar consenso, e não há mais consenso duradouro, como poderia ser formado por uma entidade cultural.

De modo a apelar ao indivíduo, Estados-Nações usam crenças patrióticas que comandam o indivíduo a considerar seu Estado melhor que outros por seus atributos que apelam ao indivíduo, usualmente implicações amplas como “liberdade” ou “justiça”. 

Inerentemente, o Estado-Nação deve ser uma entidade populista, dado que requer o apoio de pessoas entre as quais um consenso não existe, logo Estados-Nações são quase exclusivamente criações morais, já que eles justificam a si mesmos através de algum “bem absoluto” considerado melhor que o oferecido pelos outros Estados-Nações. Até aqueles sem economias “livres”, ou de uma natureza totalitária, fazem isso, como a União Soviética quando ela ainda era a principal entidade Comunista. Populações são impelidas a apoiar o Estado através dessa crença na retidão moral, e disso emerge o patriotismo.

Assim sendo, o Estado-Nação arranca de si mesmo toda Identidade exceto aquela de (a) sistema política e (b) sistema econômico. Por essa razão, Estados-Nações tendem a incentivar imigração em massa, e não têm restrições à liberdade dos indivíduos de se engajarem em qualquer prática ou na defesa de qualquer crença que eles achem significativa; já que não há consenso exceto pelos sistemas político e econômico, tudo que não afete diretamente um dos dois é permissível. Já que esses sistemas são necessários para agradar ao indivíduo, eles tendem a ser populistas e afirmar “liberdade” acima de todos os outros objetivos, assim é quase impossível fazer qualquer coisa que ameace esses sistemas exceto defende um sistema econômico diferente, ou algum tipo de política baseada na comunalidade e interesse coletivo ao invés do indivíduo granular.

Quando movimentos conservadores apóiam patriotismo ao invés de Nacionalismo, eles são inerentemente contra qualquer determinação de consenso, seja de herança ou direção política geral, já que fazer isso excluiria alguns dentre o povo do sistema, e em conseqüência faria com que indivíduos temessem que seu modo de vida, ou preferências, ou meios de sustento econômico, não seriam aceitáveis àquela Nação. 

Quer isso ocorra na primeira geração ou nas sucessivas não é importante; é inevitável de um jeito ou de outro, porque sistemas políticos têm início por um germe de um pensamento e rapidamente se desenvolvem à sua forma completa pela própria natureza das pessoas desenvolvendo profundidade àquele conceito. Esse é o mesmo mecanismo que preenche movimentos artísticos, línguas e culturas; começa-se com um conceito amplo e com o tempo definem-se todas as suas partes, do mesmo jeito que engenheiros erguem uma estrutura e depois pisos e paredes entre eles.

Essas são as fronteiras da definição de patriotismo. “Nações” Patrióticas são aquelas que produzem afirmações como “eles odeiam nossa liberdade” ou exaltar as virtudes de ser livre e ser capaz de acumular riqueza como meio de calar a boca da “ameaça comunista”. Elas apelam a indivíduos que respondem apenas ao seu egoísmo, e buscam acumular poder e riqueza, e por isso elas pareceram uma opção viável por muitos anos. Porém, movimentos conservadores estão fundamentalmente em contrariedade com esses: como se afirma valores tradicionais em uma cultura baseada no consenso de não ter consenso? Por essa razão, políticos conservadores hoje apelam às bases eleitorais mais polarizadas e iludidas, geralmente aqueles iludidos por fundamentalismo e paranóia, e abordam questões simbólicas sem fazer qualquer grande mudança no sistema.

Uma área em que a disfunção dos Estados-Nações patrióticos é vista é no setor ambiental. Pode parecer óbvio que qualquer Nação orgulhosa de si mesma faria o melhor possível para preservar sua Beleza Natural, mas esse não parece ser o caso, já que Estados-Nações mais patrióticos e “livres” têm feito o melhor possível para convidar o maior número possível de pessoas, especialmente do proletariado não-especializado, e em conseqüência, têm expandido desastradamente – em adição aos danos causados pela indústria ilimitada. 

Afinal, se você está justificando seu patriotismo por possuir “liberdade”, isso inclui a liberdade de construir um McDonald’s onde você quiser. Inclui a habilidade de tirar quanto lucro você quiser dos recursos naturais. Em lugar nenhum há qualquer tipo de “check” ou balança no sistema para medir os impactos sobre o todo, já que isso necessitaria de um consenso.

Não surpreendentemente, os conservadores patrióticos de hoje se polarizam contra a questão ambiental como um todo. Essa não é uma afirmativa sobre o “movimento” ambiental, que é tão disfuncional quanto a maioria das identidades políticas, mas uma medida da resposta conservadora aos interesses ambientais. Não tem havido nenhuma, à exceção de dedicações simbólicas de parques e legislações vagas e periódicas que encorajam a obediência à “letra da lei”. Dado que nós como cidadãos vivemos em nosso mundo, e nos beneficiamos de sua saúde natural assim como de beleza natural dos arredores, seria racional para aqueles interessados em tradição preservar e cultivar o meio-ambiente. Eles não o fazem, porque fazer isso excluiria alguém que quer “ganhar uma grana” derrubando árvores ou construindo um McDonald’s em um ecossistema insubstituível.

Outra área de falência dos conservadores é nas finanças, especificamente, uma vontade de participar nas finanças internacionais que exportam dinheiro do país e o deixa nas mãos de investidores estrangeiros ou, pior, investidores apátridas, que portanto não têm fidelidade à nada e responsabilidade zero com qualquer governo. Corporações multinacionais, cartéis bancários internacionais, e lobbies de investidores estrangeiros não só são donos de uma boa porção da América, por exemplo, mas seus interesses são representados mais fortemente por grupos conservadores. Se você não pode dizer “não” à ninguém, você diz “sim” à todos, e assim o que prevalece é o caos, colocado em cheque apenas por “imagem pública” e uma força policial cada vez mais autoritária. Esse não é um bom futuro para Indo-Europeus. 

Dispensando com o patriotismo, vamos dar uma olhada no Nacionalismo. Em contraste às crenças patrióticas, a crença nacionalista está centrada em tribo e cultura, e portanto é inerentemente baseada em comunalidade e interesse coletivo. Isso não toma o extremo coletivista do Estalinismo, nem o extremo laissez faire da América, mas um caminho entre os dois onde o indivíduo é representado no contexto dos interesses do todo. Na medida em que o indivíduo não deseja algo destrutivo para o todo, “liberdade” existe; porém, porque o sistema é baseado no consenso e na idéia de que um único grupo étnico e cultural compreende a Nação e sempre o fará, o sistema tem a habilidade de ter consenso e proibir coisas que sejam destrutivas. Enquanto sistemas patrióticos limitam liberdades pela destruição de coisas não reconhecidas como sendo de valor pelas massas, sistemas nacionalistas impõem restrições sobre liberdades destrutivas de modo a que as massas não dominem com seus interesses egoístas.

Ademais, sistemas nacionalistas têm estado historicamente preocupados com questões ambientais pelas razões delineadas pelo NSDAP na Alemanha com seu slogan de “Sangue e Solo”: Uma Nação é seu Povo, mas esse povo está ligado à terra pela Tradição e desejo pela continuação de seu povo. Passado e futuro são igualmente importantes quando se consideram questões ambientais. Enquanto governos patrióticos têm suas mãos amarradas por medo de limitar a “liberdade” de alguém em derrubar uma antiga floresta, governos nacionalistas reconhecem a importância de manter aquela floresta para todos, inclusive os ainda não nascidos. Já que governos nacionalistas por definição excluem aqueles que não nasceram no grupo etnocultural que habita a Nação, não há investidores que, vivendo em outro lugar e vendo apenas números em uma planilha, não dariam a mínima caso uma antiga floresta fosse derrubada. 

O mesmo conceito é aplicado às finanças. Governos Nacionalistas criam um valor superior ao lucro,e esse valor é a preservação de um povo unido por sua comunalidade. Por essa razão, eles tendem a se retirar da algazarra bancária e financeira internacional, e tentam se tornam o mais auto-suficientes quanto seja possível, com uma ênfase e, fontes renováveis de riquezas, em oposição à fontes não-renováveis que, uma vez usadas, jamais voltarão a existir. Isso limita a flexibilidade financeira do cidadão, e sua habilidade de acumular quantias ilimitadas de riqueza, mas em troca oferece segurança econômica ao cidadão pela eliminação de um fluxo constante de interesses contrários. Isso permite ao povo a continuar nas profissões de seus ancestrais, e a trabalhar menos horas por um salário decente. Ele não está submetido ao tipo de competição insana que causa dispensas em massa ou “outsourcing”. Isso é benéfico para a cultura, apesar de que investidores patrióticos podem achar que isso limita suas “liberdades”.

Essa diferença, essa entre sistemas políticos baseados na comunalidade contra sistemas políticos individualistas, é essencial para se compreender a política futura tanto da esquerda como da direita. Há muitos anos já, muitos dos dois lados da barreira política têm reconhecido que as divisões entre esquerda e direita estão sendo usadas para manter uma farsa de mudança política, enquanto os erros básicos de nossa civilização – e o curso de sua marcha de morte na direção da superpopulação, escassez de recursos, poluição e diluição etnocultural – permanecem sem mudanças. Enquanto a direita e a esquerda brigam, e os eleitores vibram quando o “melhor” vence, o mecanismo que opera por trás das cenas permanece em atividade. 

Por essa razão, há uma convergência em uma terceira via, dado que aqueles que se importam com o futuro mais do que com uma “carreira” política estão interessados em resolver o problema, e eles percebem que a democracia partidária distrai ao invés da focar na questão – e até pior, cria a ilusão de que alguma mudança está ocorrendo.

Sistemas políticos futuros, reconhecendo a falha do conservadorismo convencional assim como a sabotagem do liberalismo por grupos de interesses especiais, irão hibridizar esquerda e direita, tomando de cada um os elementos que têm como objetivo um alvo: uma sociedade baseada no consenso que está disposta a dizer a seu povo que eles não têm certas “liberdades” que resultam em atos destrutivos. Atualmente, tal idéia é politicamente impensável, já que a plebe patriótica da direita a iria calar a base de gritos, enquanto a esquerda iria uivar pelos “direitos individuais”. Porém, assim como a diferença entre uma direita patriótica e uma direita nacionalista, esse vão será fechado conforme as pessoas perceberem que nosso futuro se torna crescentemente mais nublado enquanto nós permitimos que o mecanismo político se coloque à frente de nossos objetivos coletivos. 


Tradução por Raphael Machado

Por quê escrevemos?

"Anos atrás eu li Spengler. Por anos eu tenho visto suas previsões lentamento se desdobrarem na Nova Zelândia diante dos meus olhos, toda vez que eu leio o jornal ou mesmo levo o cachorro para passear na rua e vejo vidro quebrado brilhando no chão, testemunhoa dos selvagens bastardos que vagueiam ensandecidos sem pensar em ninguém ou qualquer coisa além de sua auto-gratificação imediata. (E o quê se pode pensar daqueles cidadãos mais respeitáveis que não conseguem nem chamar para si a responsabilidade de se incomodarem o bastante para limparem os cacos de vidro de suas próprias calçadas, presumidamente com a desculpa de que não foram eles que fizeram isso?)

Eu reconheço a miríade de maneiras tais como essas mencionadas que em agregado estão soletrando as palavras: decadência cultural e social. Algumas das coisas sobre as quais escrevo acima podem parecer triviais (...), porém, todas de alguma maneira refletem a Nova Zelândia como um microcosmo da Civilização Ocidental em seu dilema cíclico, como previsto por Spengler.

Porém, apesar de todo o pessimismo, onde há Vontade há esperança; onde há uma fagulha pode um dia haver um fogo purificador. O mínimo que podemos fazer é seguir o conselho de Evola e 'cavalgar o tigre'.

Eu simplesmente não gosto do quê vejo que está acontecendo, e não sou inclinado a ficar calado. Eu não acredito em recuar por qualquer razão, nem acredito que os bastardos que estão devastando nossa civilização devem ser permitidos a proceder sem serem chamados a responder por isso. Como eu não sou um grande pintor, músico, poeta, organizador ou orador, eu posso ao menos rascunhar meus pensamentos e tentar colocá-los 'lá fora' para qualquer que possa se dar ao trabalho de lê-los, quer sejam aceitos ou não, úteis ou inúteis. É parte de quem eu sou, e sempre será."
(Kerry Bolton, Trecho de "Por quê escrevemos?")

sábado, 27 de novembro de 2010

Contra o Globalismo, Reflexões e Novas Estratégias

por Marco Signori

Habitat, Identidade, Sociabilidade: Pontos de referência para uma perspectiva estratégica.
É tempo de refutar esquemas gastos e trilhar novos caminhos.

Para a linguagem todo detalhe tem sua importância, principalmente a escolha dos elementos significativos. “Globalização” e “Mundialismo” são termos ás vezes sobrepostos ou mesmo confusos, que por sua vez indicam aspectos distintos não obstante estejam no âmbito do mesmo fenômeno.

A globalização ( corporate globalization ) nos parece poder ser definida como “processo de liberalização dos intercâmbios econômico-financeiros dirigido à constituição de um mercado único planetário.”
O mundialismo ( global governance ) cremos que se pode definir como “processo de homologação sócio-cultural que afirma a hegemonia do pensamento único neoliberal como modelo universal e tende a constituição, com formas não necessariamente explícitas, de um domínio mundial.

Ambos os processos se valem de novas e potentes tecnologias, sobretudo no campo crucial da comunicação. Ambos são difundidos: por meio da manipulação midiática e a corrupção econômica quando suficiente, por meio da pressão financeira e da força militar quando necessário.

Se trata de processos complementares e relacionados, cada um dos quais não seria pensável sem o outro. Para evitar equívocos, nos referiremos portanto ao globalismo como o somatório ( soma ) dinâmica dos dois processos ( globalização e mundialismo ) distintos porém indispensáveis.

Se poderia dizer, sob uma certa perspectiva, que o início dos processos globais se coincidiu com o lançamento do próprio capitalismo, cuja compulsão à metástase, como no câncer, é congênita: a expansão por todos os meios em qualquer espaço é de fato uma tendência constante no desenvolvimento histórico do sistema capitalista. 

Mais especificamente, o frenético processo difusor no qual são reconhecíveis as características do globalismo atual tem início no último ventênio do século XX e manifesta seus primeiros efeitos na época da presidência Reagan nos Estados Unidos ( 1981-1989 ) e do ministério Thatcher na Grã-Bretanha ( 1979- 1990 ): lugares e personagens significativos. Ambos Estados são as guaridas históricas do economicocentrismo com inclinações mercantilistico-financeiras, e ambos os indivíduos são alheios à política no sentido da “nobre” arte do governo do Estado: um foi ator de cinema de pouca notoriedade antes de fazer aprendizado como governador da Califórnia, a outra é filha de um vendedor de fruta. Segundo a teoria liberal o Estado deve fazer o menos possível e sobretudo não deve substituir os centros de decisão econômica. Sua despolitização é a premissa indispensável da inversão na hierarquia das funções, dirigida a subordinar o público ao privado, o comunitário ao individual, as mesmas instituições impessoais ao imperativo econômico da empresa: os círculos industriais e financeiros, as multinacionais que se transformam em empresas globais, os centros de poder às vezes ocultos que dependentes de tal sistema de interesses, se apoderam diretamente do Estado para esvazia-lo de suas prerrogativas essenciais, e não certamente para transferir essas a comunidades livres auto-governáveis.

É, ao invés, a função econômica a que se afasta da tutela da política e coloca seus testas-de-ferro, nesse caso, sob o domínio das máximas potências capitalistas mundiais.

Na época Reagan-Thatcher começa o grande assalto ao Estado de Bem Estar Social de tradição tipicamente européia, avança com ímpeto a “financialização” da economia e sobretudo, em 1986, através do G7, é introduzida a desregulamentação financeira global.

Decola, em resumo, o que o próprio Edward N. Luttwak, entendido na matéria, definiu “capitalismo superalimentado”, o “turbo-capitalismo”: a quintessência do globalismo. 

As conseqüências estão hoje diante dos nossos olhos: um neo-colonialismo fundado na usura institucionalizada nos organismos globalistas ( World Bank, World Trade Organization, International Monetary Fund, etc. ), verdadeiras mutações antropológicas geradas pelo pensamento totalitário neoliberal; agressões militares desencadeadas contra os que resistem à Nova Ordem Mundial. E depois a destruição do meio ambiente, o louco ataque a identidade dos povos, a exploração neo-escravista do trabalho e inclusive também o infantil.

No curso da grande ofensiva globalista o crime organizado também se globalizou e penetrou em profundidade nos sistemas econômicos e políticos, inclusive em Estados importantes. À “reciclagem” de dinheiro sujo e ao tradicional contrabando de armas e drogas, sustentam o tráfico de clandestinos e de mão-de-obra escravizada. Ademais investiu enormes somas no setor imobiliário, em partes estratégicas dos meios de comunicação e no essencial do crédito. Entre governantes, especuladores e padrinhos da máfia há, muitas vezes, ligações orgânicas estabelecidas.

Na completa ação de oposição ao globalismo consideramos que sejam destacáveis alguns aspectos prioritários. 

1) Na questão do meio-ambiente se combate uma batalha fundamental contra o economicocentrismo que é a raiz do globalismo. Esta não pode utilitariamente se limitar à “contenção de dano”, mas sim deveria se desenvolver melhor sobre três linhas distintas e correlacionadas:
- tutela e vivificação do caráter sagrado do meio ambiente em todos os seus componentes vivos e não-vivos;
- salvaguarda das “paisagens”, como fator constitutivo essencial da identidade étnica, contra o afeamento e o saque economicista: luta contra especulação imobiliária, contra as “grandes obras” de devastação, o desmatamento, a canalização de águas, a utilização industrial etc:
- oposição a todo campo da exploração ambiental, principalmente se privado e lucrativo, por suas desastrosas conseqüências práticas ( efeito estufa, desertificação, mudanças climáticas, inundações, poluição atmosférica etc. )

Dentro dessas linhas principais de referência se colocam elementos mais específicos e articulados da ação ambientalista, que preferiremos não atribuir o nome de “ecologia” ( a segunda parte do termo composto deriva do grego “logos” e especificamente significa discurso, estudo ) mas sim o de “ecofilia”, ou seja do amor pela própria morada ( “oikos” = lar + “filia” = amor )

2) Um âmbito essencial da luta antiglobalista é aquele cultural-identitário. O desenraizamento dos povos e o cancelamento das identidades está na própria natureza do globalismo, que prospera ali onde povos alienados e amorfos, sem nenhuma tradição nem valores de referência, se deixam docilmente estandartizar ao pensamento único e ao consumo global. 

A invasão da Europa por parte dos assim chamados “imigrantes”, uma Völkerwanderung sem precedentes na época moderna, não procede da atração do modelo ocidental ( como impudicamente sustentam os defensores de sua pretendida “superioridade” ), mas sim da hábil promoção que os globalistas mesmos realizam, reduzindo as gentes à fome e ao desespero por um lado, e lhe seduzindo com o espelho, instalado por via televisiva, de um luminoso futuro no país das jaulas. Na Europa, os chamados “imigrantes” na realidade cumprem, com grande vantagem para os globalistas, uma dupla função de devastação: de um lado funcionam como reserva de mão-de-obra a custo ínfimo, extremamente útil para a subversão do mercado de trabalho e para reduzir a renda e condições de vida dos trabalhadores europeus; de outro lado constituem um fator objetivo de desnaturação da identidade étnica, extremamente útil para abater o bastião de uma Kultur multimilenar na chusma indistinta do “melting pot”.

Daqui o direito inalienável dos povos da Europa à auto-tutela étnica, ou seja, à salvaguarda da própria cultura e da própria tradição, está claro sem nenhuma presunção racista de superioridade. Mas por outro lado, como afirma Alain de Benoist, “quem fica calado diante do capitalismo não deve reclamar da imigração”.

A identidade é em outro sentido o pressuposto básico essencial de uma necessidade de auto-governo, que não seja meramente instrumental às convulsões de quem deseja se subtrair às imposições tributárias independentemente do uso que vem sendo dado dos recursos derivados ( enquanto mesmo assim reivindica serviços e vantagens ), ou aos saques de quem anseia se enriquecer por qualquer meio, lícito ou ilícito; mas sim se fundamentando em uma concepção democrática e comunitária das relações sociais, que se apóie sobre a relação direta de liberdade e direitos com responsabilidades e deveres. À qual a natureza antiglobalista, já é no plano estritamente antropológico, consubstancial. 

3) O tema social ocupa uma importância centra na oposição ao globalismo. Este último se caracteriza por um darwinismo social baseado no paroxismo economicista, no empobrecimento dos povos, na desestabilização e na subversão das relações sociais a benefício de uma casta não-nobre e depravada constituída no fundamentalismo do dinheiro. A chamada nova economia, o centralismo da Bolsa, o “Finanzkapitalismus”, são instrumentos modernos desta guerra social. O globalismo propõe e impõe modelos de consumo superficiais e nocivos: Diminui a “pobreza absoluta” ampliando os mercados e multiplicando os benefícios, enquanto tanto estende, na mesma medida, a pinça da pobreza relativa e reduz desta forma a um estado de permanente precariedade, na carência de sólidas perspectivas existenciais e familiares, milhões de jovens na Europa e outros lugares. Chama com o nome de “privatização” o roubo dos serviços de interesse público, que realiza com a chamada subsidiariedade horizontal propulsora do lucro individual, enquanto cria obstáculos a qualquer forma de subsidiariedade vertical, de auto-governo do território, posto que é a aprovada pelo interesse comunitário.

Plutocratas, usurários e exploradores são elevados a artífices sócio-antropológicos essenciais nos processos globalistas. A justiça social, ao contrário, é um elemento base da própria identidade européia, cuja afirmação constitui um objetivo irrenunciável da luta antiglobalista.

Aspiramos podermos nos ocupar, de nós mesmos ( Wir selbst ), não cultivando a perversa ambição de estender nossos modelos tradicionais ao mundo inteiro. Justo por isso, dado que outros por sua vez quiseram se ocupar de nós em nosso lugar e contra nossa vontade, advertimos para a necessidade de olhar ao nosso redor e de estender o quanto seja possível a resistência, que reduzida em âmbito local seria provavelmente dominada. 

O globalismo não é um destino inevitável, como sustenta a insistente propaganda de seus partidários. Contrariamente se levanta um poderoso movimento antagonista, uma rede composta, diversamente formada, muitas vezes não privada de contradições, mas que tem o mérito da iniciativa e da ação.

No “mare magnum” do movimento anti-globalista, fermentam reflexões novas, e diversas, que reabrem o debate, e portanto a uma possível reconsideração, fatores já considerados imóveis. Neo-comunitaristas, ambientalistas radicais, animalistas, bio-regionalistas, partidários da agricultura camponesa, identitários, autonomistas, expoentes de movimentos de liberação e muitos outros mais participam da resistência na primeira linha e contribuem desta maneira a conferir um autêntico aspecto pós-moderno a um movimento que alguns quiseram ao invés instrumentalizar e englobar segundo os cânones consentidos nos esquemas da “politique politicienne”. O antiglobalismo está portanto caracterizado por numerosos elementos que possuem um alcance próprio intrínseco e politicamente “neutro”, e que portanto não encontram subscrição nas taxonomias politiqueiras.

No terreno do anti-economicismo, em particular, pode se desintegrar a ossificada homologação política das categorias de referência. O quadro das tendências, dos valores de referência, da projeção cultural e social pode resultar proveitosamente confundido. Os esquemas, e entre eles o de “direita-esquerda” típico do parlamentarismo representativo, é, a essas alturas, apenas instrumental ao sistema, podem se descompor e recompor em novas formações. No rechaço de um reacionarismo grosseiro e de um progressismo miserável a luta de resistência ao globalismo pode verdadeiramente forjar uma mentalidade persuasiva, se lograr encaminhar até o fundo novas vias, se for capaz de ser ao mesmo tempo, em espírito e ação, conservadora por ocasião e revolucionária por necessidade:

LIBERDADE NACIONAL, JUSTIÇA SOCIAL, IDENTIDADE CULTURAL

Terceira Função

"Não desprezamos a economia. A economia não é o diabo. Pelo contrário, a 'terceira função' é tão necessária como as outras. É necessária no seu lugar. As três funções são complementares; são indissociáveis. Mas devem estar hierarquizadas: o social na dependência do econômico, o econômico na dependência do político. E a soberania justificada pelas formas de autoridade que a fazem legítima. Restabelecer no seu lugar a primeira função, a terceira na sua, colocar fim ao 'reino da quantidade', à concepção da economia como destino, ao social como razão de ser da política, é tudo a mesma coisa."
(Robert de Herte)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Julius Evola - Raça como Construtora de Líderes

por Julius Evola



No nosso último artigo no Diorama, nós questionamos se, além das aplicações gerais de higiene nacional e racial, e naturalmente, da defesa de nossa herança genética contra a mestiçagem e  a hibridização, a doutrina da Raça deveria ser limitada a ser uma questão de “ensinamento” ou, no nosso país, deveria mais cedo ou mais tarde se tornar a base de uma verdadeira “educação”, com tarefas especiais de uma natureza política e espiritual com respeito a uma certa elite racial. Em outras palavras, deve ser pensado se, em casa, dadas necessidades similares, nós devemos dar início a projetos similares aos do Nacional Socialismo Alemão, que, apesar de ser de desenvolvimento mais recente que o Fascismo Italiano, já tomaram forma concreta, como a criação das Adolf Hitler Schule, dos cadetes da Ordem Ordensburger, da S.S. e sua escola para líderes e com a Politische Hermehunganstante. Em verdade todas essas instituições alemães mostram uma intenção definida de proceder à uma seleção política, na qual considerações raciais devem ter um papel fundamental e o valor de uma real força formativa. 

A Futura Classe de Líderes

Em geral, deve ser reconhecido que o problema da futura classe governante é um dos mais essenciais para os movimentos de natureza restauradora: ele pode ser adiado nas primeiras fases da luta pela conquista de poder e de consolidação contra inimigos externos, mas, em uma segunda fase, deve ser abordado de modo a perpetuar e estabilizar aquele organismo que a manifestação de “homens do destino” criou. Longe de serem confinados à esfera da academia ou de exaurirem a si mesmos em formas culturais e propagandísticas, a doutrina da Raça deve pois contribuir para a conquista de tal tarefa. É claro, o pré-requisito, aqui, é que tal doutrina seja compreendida em um modo global, e não seja portanto limitada às esferas biológicas e antropológicas (“racialismo de primeiro grau”), mas seja levada também a considerar Raça como uma realidade da alma, do caráter e do modo de vida, e, finalmente, Raça como “visão-de-mundo” (Weltanschauung) e Raça do Espírito (“racialismo de segundo e terceiro graus”).

Cada tipo de adulteração étnica indiscriminada, por um lado, é a conseqüência de uma sensibilidade interna degenerada e da tirania de considerações materialistas, individualistas e sentimentais, e, por outro lado, é a causa de mais degenerações de povos e civilizações; isso deve ser mantido em mente. Considerações precisas do “racialismo de primeiro grau” não devem portanto ser negligenciadas na criação de uma nova classe governante, e, certamente, como estão as coisas presentemente, na Itália acima de tudo, não é impossível que aparências físicas peculiares a uma dada raça possam estar acompanhadas pelos traços psíquicos de uma raça diferente.  (Obs.: Aqui Evola se refere a sub-raças, como nórdico ou mediterrâneo, e não a raças no sentido hodierno do termo.)

Não pode ser discutido, porém, que, exceto em casos excepcionais, quando a pesquisa e subseqüente seleção são restritas a uma esfera definida pela correspondência a esse tipo físico racial que nós consideramos mais elevado, nomeadamente, o Ariano Nórdico, nós mais provavelmente encontramos qualidades espirituais correspondentes do que se fôssemos por uma pesquisa caótica, que ignorasse essa tipologia racial física e esse sinal de uma hereditariedade e de uma origem, talvez enterrada, mas improvável de estar completamente extinta, que uma pureza racial relativa em um sentido físico e antropológico constitui. E as vantagens dos efeitos da ação de prestígio e de exemplares visíveis não podem ser ignoradas, onde quer que cabeças, líderes, têm, fisicamente, uma presença viril particular, são no sentido comum da expressão, “bem formados” ao de invés homens pequenos, mal constituídos, bastardizados.

Seleções Adicionais

Uma vez que, por meio do racialismo de primeiro grau, uma dada esfera e uma primeira seleção sejam identificadas, nós devemos proceder, através do racialismo de segundo e terceiro graus, a testes adicionais, em uma exploração de qualidades mais profundas e essenciais do que aquelas da aparência exterior. Uma característica definidora dos movimentos renovadores atuais é seu antiintelectualismo ou, se vocês preferirem, seu anti-racionalismo.Tais movimentos estão imbuídos de forças heróicas e ativas, irredutíveis à razão abstrata. 

Uma das tarefas decisivas para nosso futuro será aquela de conectar os mitos de tais movimentos com um instinto sangüíneo: certas idéias e expressões, que são uma “força motora” apenas na medida em que possuem um poder sugestivo sobre as massas nacionais, devem achar um modo de expressão que, pelo menos em uma elite, se relacione organicamente à raça e tradição em um sentido mais profundo, de modo a diferenciar as idéias de nosso movimento das expressões coletivistas e mitos que podem às vezes exercer o mesmo poder sobre as massas, mas que estão em negação completa de tudo que representa estirpe, tradição, pátria.

Nós portanto pensamos em uma seleção de segundo grau, a ser efetivada por um exame atento, preciso e repetido da sensibilidade política dentro de um grupo que já teria alcançado as exigências da seleção racial física. Envolveria examinar, aqui, em que extensão as idéias-raízes da Revolução Fascista poderiam realmente falar ao Sangue, de modo a serem traduzidas à uma realidade mais profunda do que procede tanto do senso comum como de um entusiasmo confuso. Aqueles que forem bem sucedidos em provar, através dos testes apropriados, uma capacidade adequada em relação a isso, a ser desenvolvida e fortalecida com disciplinas apropriadas, devem ser confiados com posições de elevada importância política, com o que seria chamado na Alemanha “die Überwachung der national-sozialistischen Weltanschauung” (supervisão da visão-de-mundo Nacional-Socialista ).

Assim como a Igreja organizou, em seu próprio campo, um Santo Ofício com a missão de supervisionar tudo que está relacionado à ortodoxia, a elite em questão, tendo como base seu instinto Fascista e sua consciência racial, deveria controlar tudo que, na cultura Italiana, está relacionado, direta ou indiretamente, aos princípios que condicionam a renovação Fascista e estão na raiz de seu desenvolvimento. Uma de suas tarefas seria realizar a purificação e melhoramento cultural. 

Deve ser garantido que, no lar, tarefas de uma importância vital não afundem no pântano burocrático e em meras medidas entendidas e realizadas ao pé da letra, mas não segundo seu espírito, que, em um campo tão sensível e diferenciado, é a coisa essencial.

Por uma Nova “Ordem”

Na Alemanha a tentativa mais séria e concreta de criar uma elite é constituída pela já mencionada S.S. (abreviação de Schutzstaffel ). É interessante que Heinrich Himmler, líder dessa organização, que poderia ser chamada de “Guarda e Ordem da Revolução Nazista”, é ao mesmo tempo líder da Polícia Secreta do Estado (Gestapo) e que outros líderes sob seu comando ocupam posições similares. Notavelmente, Himmler junto com toda sua organização respondem direta e exclusivamente à Hitler. O que aprendemos com isso é a necessidade de que o conceito de “polícia” vá além do escopo estreito que era próprio no velho Estado democrático e positivista, no qual ela tinha que lidar apenas com delinqüentes e, no máximo, com subversivos no sentido mais direto e estreito da palavra. O novo Estado totalitário representa um organismo que deve defender a si mesmo contra não apenas lesões verdadeiras, mas também contra infiltrações sutis, tudo que possa enfraquecê-lo e facilitar a ação de germes e toxinas. O que é necessário, nesse sentido, é uma ação que não só seja defensiva, mas também preventiva e contra-ofensiva. Nesse sentido, as tarefas que se tornam aparentes não tem muito a ver com um parágrafo do Código Penal ou outro. Elas requerem ao invés uma ação sutil de vigília e proteção, que considere o moral e espiritual como muito importantes e que tenham a natureza de um Santo Ofício no melhor sentido, mais do que a natureza de uma “polícia”, por causa da consciência de que o verdadeiro poder da revolução está na visão-de-mundo e em suas grandes idéias fundamentais e que sua distorção ou seu enfraquecimento também representariam um declínio fatal do organismo político-partidário no sentido estreito do termo. 

Nesse campo também, é evidente que nada seria mais letal e ineficaz do que burocratismo, nada mais essencial que uma sensibilidade sutil, uma sensibilidade racial, um instinto capaz de desenvolver mesmo em áreas beirando o oculto.

Dado que nossa atenção foi justamente chamada ao documento conhecido como “Protocolos dos Sábios de Sião”, nós devemos perguntar se as dificuldades da tarefa de formar elementos que possam pelo menos ser iguais em suas capacidades aos líderes secretos da subversão mundial e que conheceriam todos os seus instrumentos, pode ser em qualquer sentido subestimada. Considerando isso, nós podemos ver que importância essa idéia de uma elite racial-espiritual a qual nós devotamos as considerações anteriores deve ter. Enquanto se desenvolve, ela poderia mesmo se permitir crescer para além do mero campo nacional e mesmo para além de uma organização como um serviço de inteligência, realizando tarefas que, por estarem atualmente limitados a sua própria área nacional, permanecem apenas potenciais mesmo na própria S.S. Nacional Socialista. Isso quer dizer que, dessa maneira, é possível ascender a uma idéia de uma Ordem Militar, no sentido antigo, medieval, que também é espiritual, construída para defender a Tradição e para atacar o inimigo em todas as suas formas, visíveis e invisíveis, onde quer que esteja e qual seja o disfarce, social, político, cultural ou mesmo científico, que assuma: em resumo, a contraparte positiva da solidariedade da conspiração mundial e do fronte internacional de subversão. 

Naturalmente, antes de chegarmos a essa fase, um longo período de treinamento, de seleção interna e externa, de organização social e política da elite em questão será necessário. Nessa fase, porém, a questão principal é se tornar cônscio dos requisitos e impor o princípio: ir além da fase genérica, política, propagandística e popular da consciência racial, para chegar a fase construtiva, séria, diferenciadora e educativa pelo estabelecimento de instituições apropriadas e confiando com responsabilidades precisas aqueles que possuem por boa sorte histórica as qualificações adequadas para liderarem, com mais do que meras palavras ou teorias, o que poderia realmente ser chamado um seminário para futuros líderes.

Etnomasoquismo

"É a tendência a considerar com um senso de culpa e um senso de desvalor o próprio grupo étnico, o próprio povo.

Etnomasoquismo é similar a sentir vergonha de si mesmo e ao auto-ódio. É uma psicopatologia coletiva, ativada por um longo esforço propagandístico com a finalidade de gerar um senso fundamental de culpa sentido por europeus [ou brancos, em geral] em relação a outros povos, dos quais eles são considerados os 'opressores'. É necessário, portanto, se arrepender e 'pagar a dívida'. Esse esforço de arrependimento, uma verdadeira fraude histórica, tem sido comandado pelas Igrejas, bem como pelos Estados europeus [ou ocidentais, em geral].

O etnomasoquismo também é a base das medidas anti-natalistas que subrepticiamente objetivam limitar a reprodução de populações européias. Implicitamente então, ele pode ser ligado a uma forma de 'auto-racismo'. Pode-se dizer que o homem europeu foi atingido por um pecado original, por uma mancha racial intrínseca: ele é culpado de ser o que é.

O etnomasoquismo provoca a defesa sistemática do cross-breeding ('mestiçagem') e do cosmopolitanismo. Curiosamente, ele nega aos europeus [e brancos, em geral] a idéia de identidade étnica, mas a garante aos outros. Os europeus possuem o dever de se diluírem, mas outros povos, africanos por exemplo, não. O etnomasoquismo é o contrapeso da xenofilia (o amor e superestimação do estrangeiro, do 'outro'). Está relacionado ao etnosuicídio.

Na história o etnomasoquismo não é novo; tem sido o sintoma de povos cansados da vida, cansados de se perpetuarem; de povos envelhecidos que passam a tocha para outros. A elite européia [ou branca] está contaminada com essa doença coletiva. E essa doença explica a lassidão frente a colonização por migrantes e a idéia de que nós temos tanto um dever como uma necessidade de dar as boas-vindas aos novos ocupantes."
(Guillaume Faye)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Guerra é uma grande escola

"Quando os observo a abrirem em silêncio corredores na rede de arames farpados, a escavarem escadas de assalto, a compararem relógios fosforescentes, a determinarem a direção do norte pelas estrelas, ganho uma consciência flagrante: eis o homem novo, o sapador de assalto, o escol da Europa Central. Uma raça completamente nova, inteligente, forte, carregada de vontade. O que se descobre no combate, e surge até à luz, será amanhã o eixo de uma vida com rotação sonora e cada vez mais rápida. Não haverá sempre, como aqui, que abrir caminho entre as crateras, através do fogo e do aço, mas o passo de carga que impulsiona o acontecimento, o tempo ditado pelo ferro, continuarão imutáveis. O poente abrasado de uma era que desaparece é também uma aurora onde há que se armar para combates novos e mais duros. Longe, na retaguarda, as cidades gigantescas, os exércitos de máquinas, os impérios cujo tufão rasga os ligamentos internos, espelham o homem novo, mais intrépido, aguerrido no combate, que não se poupa nem poupa os outros. Esta guerra não é o final da violência, é apenas o seu prelúdio. É a forja onde o mundo é martelado em fronteiras novas e novas comunidades. Formas novas reclamam um sangue que as encha, e o poder quer que dele se apoderem com uma mão de ferro. A guerra é uma grande escola, e o homem novo será da nossa têmpera."
(Ernst Jünger, Trecho de "A Guerra como Experiência Interior")

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Arthur E. LeBouthillier - Introdução ao Nacionalismo

por Arthur E. LeBouthillier

Nós ouvimos muito sobre nacionalismo nos noticiários e mesmo de muitos no movimento branco. Usualmente, o nacionalismo é insultado como uma coisa ruim que leva à desintegração e violência em massa. Para a mídia, é uma força ameaçadora da estabilidade que causa a queda de governos. Para alguns membros no movimento branco, é a força que faz com que irmãos brancos lutem entre si. Porém, um melhor entendimento do nacionalismo é necessário para apreciar seu verdadeiro papel na política mundial e como ele se relaciona com nosso próprio movimento.

Há muitos mitos sobre o que é nacionalismo. Para muitos, nacionalismo se evidencia apenas como guerra entre grupos étnicos ou como a força que desestabiliza países multi-étnicos. Porém, essa visão perde um fato muito mais importante sobre nacionalismo: que é algo que afeta as ações diárias das pessoas em muitos modos positivos ao mesmo tempo nunca lhes levando a praticar atos de violência. Outro mito sobre nacionalismo é de que é algo fundamentalmente diferente de racismo. Em verdade, a base do nacionalismo pode ser um ou mais entre diversas influências como religião, raça, língua ou outros fatores.

Nacionalismo

Nacionalismo é um fenômeno complexo que não é sempre imediatamente fácil de compreender. É um ponto de vista ideológico completo que afeta todos os aspectos de sua vida política, cultural, econômica e social. Como Anthony D. Smith define em Nacionalismo no Século XX, é o “...movimento ideológico para a conquista e manutenção da autonomia, coesão e individualidade para um grupo social, concebido por alguns de seus membros como sendo uma nação atual ou potencial.” 

Em acordo com essa definição, pode ser visto que virtualmente qualquer atividade tomada em favor da nação (um grupo social) pode ser considerado um “ato nacionalista.” Tais coisas como escrever poesia para difundir os ideais da nação, aprender as danças históricas da nação, falar na língua histórica do povo, ou se envolver em política em nome dos interesses da nação são todos eles, “atos nacionalistas.” Em casos extremos, nacionalismo de fato se evidencia como guerra étnica quando dois ou mais grupos étnicos competem as custas dos interesses uns dos outros. Segundo John Breully em Nacionalismo e o Estado:

“Um argumento nacionalista é uma doutrina política construída sobre três asserções básicas:

Há uma nação com um caráter explícito e peculiar.

Os interesses e valores dessa nação tem prioridade sobre todos os outros interesses e valores.
A nação deve ser tão independente quanto possível. Isso usualmente requer pelo menos a conquista de soberania política.” (Breully, 1982. p3)

Segundo as definições acima, pode-se ver que nosso movimento para garantir a sobrevivência da raça branca é um movimento nacionalista. Isso é ainda mais radicalmente evidente quando se considera o próprio slogan da Aryan Nation: “Sua raça é sua nação.” Esse slogan é uma asserção óbvia ligando argumentos e ideais raciais e nacionalistas.

O Estado

Nacionalistas fazem distinções explícitas entre a nação, que é um grupo social, e o Estado, que é o governo que governa sobre uma ou mais nações. Portanto, nacionalistas geralmente afirmam que nacionalismo é amor pelo próprio povo, enquanto patriotismo é amor pelo Estado. É importante compreender essa diferença entre nacionalismo e patriotismo já que a maioria dos argumentos contra o nacionalismo são tentativas patrióticas de garantir a sobrevivência de um Estado particular. 

Como uma instituição política, o Estado é uma entidade com seus próprios interesses. Estados derivam seu poder do número de pessoas das quais eles pagam impostos e que controlam através de leis e pela força. Por causa disso, há um conflito de interesses entre o Estado e a nação. Geralmente, Estados consideram necessário suprimir sentimentos nacionalistas e perseguir grupos nacionais de modo a garantir sua dominação. Onde vários grupos étnicos existem no mesmo Estado, o Estado deve comprometer os interesses nacionais de um grupo de modo a satisfazer os desejos de grupos minoritários ou para garantir sua posição aos olhos de outras nações ou Estados do mundo. Geralmente, grupos minoritários são capazes de assumir o controle do aparato estatal e assim torna-lo um instrumento de seus próprios fins. Para o nacionalismo, muitas vezes o único Estado viável é um que expressamente se estrutura para proteger e promover sua própria nação acima de todas as outras; portanto, Estados multi-étnicos são vistos como ilegítimos.

A Nação

O conceito chave para compreender nacionalismo é conhecer o significado da palavra nação. Contrariamente ao usa diário da palavra nação, que geralmente inclui os muitos grupos étnicos diferentes existentes em um certo Estado, a definição nacionalista de nação é aquelas pessoas que crêem se pertencerem juntas porque são um grupo social ligado por sangue, língua, cultura, religião ou outros fatores. Como Walker Conner diz, “A essência da nação é um elo psicológico que unifica um povo e o diferencia, nas convicções subconscientes de seus membros, de todos os não-membros de um modo muito vital” (Conner, 1994.p197). Há muitos desses laços, mas talvez a identidade nacional mais forte é aquela fundada na raça (linhagem ou sangue). “Em contraste radical com a maioria dos analistas acadêmicos do nacionalismo, aqueles que mobilizaram nações com sucesso compreenderam que no núcleo da etnopsicologia está o senso de sangue compartilhado, e eles não hesitaram em apelar a ele.” (Conner, p197). 

Outras bases da identidade étnica incluem muitas outras características como língua, costumes, pontos de vista históricos e outras características.

A Perspectiva Nacionalista Branca

Com a compreensão acima de nações e Estados, nós brancos podemos examinar nossa própria situação melhor. Enunciando nossa posição nos termos dos argumentos nacionalistas básicos, pode-se dizer que nós brancos somos uma nação, que os interesses e valores dessa nação tem prioridade sobre todos os outros e que nós devemos ser tão independentes quanto possível. Portanto, nós devemos embarcar em um programa levando a cada vez maior soberania e segurança para nossa nação. Não devemos deixar QUALQUER governo impor políticas e programas que sejam danosos aos interesses de nossa nação.

Devemos reconhecer que o governo dos EUA, como um Estado, subverteu os interesses de nossa nação e que a não ser que medidas sejam tomadas para engrandecer nossa nação, tudo que nós é caro será destruído.

Conclusão

Nacionalismo é um movimento social de um povo buscando a manutenção de seu grupo. O elemento chave no nacionalismo é a nação, um grupo social daquelas pessoas que acreditam pertencer juntas por causa de interesses e características comuns. Ao colocar os interesses de seu grupo social acima de todos os outros interesses, eles são capazes de garantir sua sobrevivência. Porque eles colocam os interesses de seu povo primeiro, nações estão muitas vezes com conflito com os Estados nos quais residem. Isso muitas vezes resulta em um desejo por soberania política pelas nações. O modelo nacionalista se aplica ao movimento branco na América do Norte. Com um entendimento melhor do nacionalismo, pode-se aprender a utilizar as táticas de outros movimentos nacionalistas ao redor do mundo.

Romper com a mentalidade dominante

"Por nossa ação audaciosa nós rompemos com a mentalidade dominante desse século e do mundo. Nós matamos em nós um mundo de modo a construir outro, um mundo superior estendendo-se até os céus. A soberania absoluta do dinheiro é quebrada para ser substituída pelo poder do espírito e dos valores morais. Nós não negamos, e não negaremos a necessidade do material no mundo, mas negamos e sempre negaremos o seu direito à preeminência."
(Corneliu Zelea Codreanu)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Veglia

por Giuseppe Ungaretti


Un’intera nottata
buttato vicino
a un compagno
massacrato
con la sua bocca
digrignata
volta al plenilunio
con la congestione
delle sue mani
penetrata
nel mio silenzio
ho scritto
lettere piene d’amore

Non sono mai stato
tanto
attaccato alla vita



A Idéia Democrática

"A democracia não é um fato. A democracia é uma idéia. Essa idéia inspira as leis. E essas leis e essas instituições revelam-se todos os dias mais desastrosas, destrutivas e ruinosas, mais hostis às tendências naturais dos costumes, ao jogo espontâneo dos interesses e ao desenvolvimento do progresso. Por quê? Porque a idéia democrática é falsa, e está em desacordo com a natureza. Porque a idéia democrática é má e submete constantemente o melhor ao pior, o superior ao inferior."
(Charles Maurras)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Para uma Historiografia de Direita

 por Julius Evola

A propósito de considerações sobre o significado europeu que pode ser atribuído a Donoso Cortés, interessante figura de homem político e de pensador espanhol, cujas atividades se situam no período dos primeiros movimentos revolucionários e socialistas da Europa, Carl Schmitt, conhecido historiador alemão, salientou o seguinte: embora, desde então, as esquerdas tenham elaborado sistematicamente e aperfeiçoado uma historiografia própria como fundamento geral da sua ação destrutiva, nada de semelhante se verificou no campo oposto, isto é, no campo da Direita, no seio da qual tudo se reduziu a alguns ensaios esporádicos, que em nada são comparáveis, pela coerência, pelo radicalismo e pela largueza de horizontes, àquilo que, desde há muito, propõem o Marxismo e a Esquerda em semelhante domínio.

Esta observação é em grande parte justa. Com efeito, a única história, conhecida universalmente e com autoridade, à exceção da história de inspiração marxista, tem essencialmente natureza e origens liberais, iluministas e maçônicas. Refere-se às ideologias do Terceiro Estado, que apenas serviram para preparar o terreno aos movimentos radicalizantes de esquerda, já que os seus fundamentos são essencialmente anti-tradicionais. Uma historiografia de Direita espera ainda a vez de ser escrita: o que constitui um sinal de inferioridade em relação às ideologias e à ação agitadora das esquerdas. De modo mais particular, nem mesmo a história corrente, de orientação patriótica, pode suprir esta lacuna, pois, fora dos seus possíveis cambiantes nacionais e das evocações comovidas de acontecimentos e de figuras heróicas, ela própria se ressente, e em larga conta, das sugestões de um pensamento que não é de modo algum o pensamento de uma Direita, e, sobretudo, porque não pode suportar a comparação, quanto à largueza de horizontes, com a historiografia de esquerda. 

Eis o ponto fundamental.

De fato, somos obrigados a reconhecer que a historiografia de esquerda soube abranger as dimensões essenciais da História: para lá dos conflitos e das perturbações políticas episódicas, para lá da história das nações, soube descobrir o processo geral e essencial que se realizou durante os últimos séculos, no sentido da passagem de um tipo de civilização e de sociedade a outro. Que a base da interpretação tenha sido, a esse respeito, constituída pela economia e pelas classes, isso nada tira à amplitude do programa que foi traçado por esta historiografia, a qual, como realidade essencial para lá do contingente e do particular, nos indica, no curso da História, o fim da civilização feudal e aristocrática, o aparecimento da civilização burguesa, liberal, capitalista e industrial, e, depois desta, o anúncio e o começo da realização de uma civilização socialista, marxista e, finalmente, comunista. Aqui, a revolução do Terceiro Estado e a do Quarto Estado são reconhecidas no seu encadeamento natural, causal e tático. A idéia de processos pré-estabelecidos, para os quais, sem querer nem saber, contribuíram os egoísmos mais ou menos “sagrados” dos povos, as rivalidades e as ambições daqueles que pensaram “fazer a história” sem sair do domínio do particular, tal é a idéia que devemos tomar em consideração. Por isto estudamos as transformações de conjunto e a estrutura social e da civilização, que são o efeito direto do jogo das forças históricas, relegando com exatidão a história das nações para a simples fase “burguesa” do desenvolvimento geral: com efeito as nações só apareceram na história, como sujeito desta, a partir da revolução do Terceiro Estado, e como sua consequência. 

Comparada à historiografia de esquerda, a historiografia que é própria a outras tendências aparece pois superficial, episódica, de duas dimensões, até mesmo frívola. Uma historiografia de Direita deveria abranger os mesmos horizontes que a historiografia marxista, com a vontade de apreender o real e o essencial do processo histórico, que se desenrolou no curso dos últimos séculos, fora dos mitos, das superstruturas e também da crónica vulgar. Isto, naturalmente, invertendo os sinais e as perspectivas: isto é, vendo, nos processos essenciais e convergentes da história mais recente, não as fases de um progresso político e social, mas as de uma subversão geral. É evidente que as premissas econômico-materialistas deveriam ser igualmente eliminadas, reconhecendo como simples ficções o homo oeconomicus e o presumível determinismo inexorável dos diversos sistemas da produção.

Forças bem mais vastas, profundas e complexas, agiram e agem na história. Quanto aos detalhes, o mito do “comunismo primordial” é também ele rejeitado por aí opor, para as civilizações que precederam as de tipo feudal e aristocrático, a ideia de organizações, de preferência baseadas num princípio de pura autoridade espiritual, sacral e tradicional. Mas, à parte isto – repitamo-lo –, uma historiografia de Direita reconhecerá, não menos do que a de esquerda, a sucessão ou o encadeamento de fases distintas gerais e supranacionais, as quais conduziram regressivamente até à desordem e às perturbações atuais: tal será, para ela, a base de interpretação dos fatos particulares e das mudanças, sem nunca deixar de estar atenta aos efeitos produzidos por estes últimos no quadro social. 

É impossível indicar aqui, nem mesmo à força de exemplos, toda a fecundidade de um tal método e a luz insuspeitada que projetaria sobre muitos acontecimentos. Os conflitos político-religiosos da Idade Média imperial, a constante ação cismática da França, as relações entre a Inglaterra e a Europa, o verdadeiro sentido das “conquistas” da Revolução Francesa, e assim por diante, até episódios de interesse particular, a Itália como o rosto efetivo da revolta das comunas, o duplo aspecto do “Risorgimento” italiano, enquanto movimento nacional, acionado no entanto por ideologias do Terceiro Estado, o significado da Santa Aliança e os esforços de Metternich – o último grande europeu –, o significado da primeira guerra mundial com a ação de contra-golpe das suas ideologias, a discriminação entre o positivo e o negativo nas revoluções nacionais, que se afirmaram ontem na Itália e na Alemanha, e assim por diante, até chegar, finalmente, a uma visão conforme à realidade nua das verdadeiras forças, hoje em luta pelo domínio do mundo: eis uma escolha de argumentos sugestivos, entre tantos outros, aos quais se poderá consagrar a historiografia de Direita, para assim revolucionar os pontos de vista que o maior número está habituado a ter em tudo isto pelo efeito de uma historiografia de orientações opostas, e para agir de modo esclarecedor.

Uma historiografia assim concebida, e visando portanto o universal, encontrar-se-ia de modo muito particular à altura dos tempos, se é verdade que, por efeito de processos objetivos irreversíveis, cada vez se perfilam mais, hoje em dia, agrupamentos que não são apenas constituídos por unidades étnicas e políticas, particulares e fechadas. Infelizmente, esta historiografia desejada corresponderia unicamente a um aumento de conhecimentos. 

No estado atual das coisas, só dificilmente poderíamos esperar dela uma eficácia também prática, na perspectiva de uma ação decidida, de uma luta global e inexorável contra as forças que estão quase a derrubar o pouco que resta da verdadeira tradição europeia. Seria preciso, com efeito, que existisse, como contrapartida, uma Internacional de Direita, organizada e munida de um poder comparável ao da Internacional comunista. Ora sabe-se infelizmente que, devido à carência de homens dotados de uma grande elevação espiritual e de uma autoridade suficiente, devido ainda à prevalência de interesses partidários e de pequenas ambições, devido também a uma falta de verdadeiros princípios, e sobretudo de uma falta de coragem intelectual, não foi possível, até agora, constituir um governo unitário de Direita, nem mesmo só na Itália, e só nos tempos recentes foi possível ver anunciarem-se iniciativas neste sentido. 
 

Covardia Pública

"Um declínio na coragem (...) pode ser a característica mais marcante que um observador externo poderia notar no Ocidente em nossos dias. O mundo ocidental perdeu sua coragem civil, tanto como um todo e separadamente, em cada país, cada governo, cada partido político e, é claro, nas Nações Unidas.Tal declínio em coragem é particularmente notável entre os grupos governantes e a elite intelectual, causando a impressão de perda da coragem por toda a sociedade. É claro que há muitos indivíduos corajosos, mas eles não tem influência determinante na vida pública. Burocratas políticos e intelectuais demonstram depressão, passividade e perplexidade em suas ações e em suas afirmações e ainda mais em reflexões teóricas para explicar o quão realista, razoável e intelectualmente ou mesmo moralmente legítimo é basear políticas de governo na fraqueza e na covardia. E o declínio na coragem é ironicamente enfatizado por explosões ocasionais de ira e inflexibilidade da parte dos mesmos burocratas ao lidarem com governos e países fracos, não apoiados por ninguém, ou com correntes que não podem oferecer qualquer resistência. Mas suas línguas ficam amarradas e paralisadas quando eles lidam com governos poderosos e forças ameaçadoras, com agressores e terroristas internacionais. Alguém deveria apontar que desde tempos antigos, um declínio na coragem tem sido considerado o início do fim?"
(Alexander Solzhenitsyn, Trecho de 'Um Mundo Dividido')

domingo, 21 de novembro de 2010

Comunidade e Sociedade: Uma visão sociológica da decadência da sociedade moderna

por Alain de Benoist

 Sociedades modernas pacíficas que respeitam o indivíduo evoluíram a partir de laços familiares antigos. A transição de sociedades de bandos, passando por organizações tribais e de clã, em Estado-Nação foi pacífica apenas quando conquistada sem perturbação dos laços básicos que ligam o indivíduo à sociedade maior por um senso de história, cultura e origem comuns. O senso de “pertencimento” à uma nação por virtude de tais laços compartilhados promove cooperação, altruísmo e respeito por outros membros. Nos tempos modernos, laços tradicionais foram enfraquecidos pela ascensão das sociedades de massa e comunicação global veloz, fatores que trazem consigo mudanças sociais céleres e novas filosofias que negam a significância do senso de nacionalidade, e enfatizam individualismo e objetivos nacionalistas. A coesão das sociedades tem sido conseqüentemente ameaçada, e substituída por sociedades multi-étnicas e multiculturais e por um senso sobrepujante de identidade perdida na sociedade global massificada a qual o homem Ocidental, pelo menos, concebe a si mesmo como nela pertencendo.

Sociologicamente, o primeiro teórico a identificar essa mudança foi o erudito árabe, Ibn Khaldun (1332-1406), que enfatizou a tendência em sociedades urbanas massificadas de desintegrarem, quando a característica de solidariedade social das sociedades tribais e nacionais desaparecia. Ibn Khaldun viu dramaticamente o contraste entre a moralidade dos Berberes do Norte da África, nacional e etnicamente unificados, e a conjunção confusa dos povos que chamavam a si mesmos Árabes sob liderança Arábica, mas que não possuíam a unidade e senso de identidade que havia feito a relativamente pequena população de Árabes verdadeiros que tinham construído um amplo e arabofono Império. Posteriormente foi Ferdinand Tönnies (1885-1936) que introduziu esse pensamento à sociologia moderna.

Ele o fez em sua teoria do Gemeinschaft e Gesellschaft (Gemeinschaft und Gesellschaft, 1887). Essa teoria revelou como as sociedades primitivas tribais ou nacionais (Gemeinschaft) alcançaram colaboração e cooperação harmoniosas mais ou menos automaticamente devido à cultura comum e um senso de genética comum e identidade cultural dentro da qual todos os membros eram criados. Isso evitava maiores conflitos no que concerne valores básicos já que todos compartilhavam um conjunto comum de mores (costumes) e um senso comum de destino. Porém, conforme “progrediu” a história, sociedades multietnicas e multiculturais maiores começaram a se desenvolver, e essas Tönnies descreveu como sendo unidas por laços Gesellschaft. Essas não eram unidas por qualquer conjunto de valores comuns ou identidade histórica, a colaboração só era mantida devido à necessidade de trocar bens e serviços. Em resumo, sua existência veio a depender de relações econômicas, e como um resultado da diversidade de valores culturais, e falta de qualquer “sentimento familiar”, e a ênfase na troca econômica e na riqueza econômica, e de conflitos por riqueza e valores básicos a harmonia de tais sociedades estava sempre em posição de ser abalada a qualquer momento. Em termos políticos, liberalismo foi desenvolvido para exaltar a liberdade de indivíduos em relação às reivindicações a lealdade nacional e ao apoio ao destino nacional, enquanto o Marxismo brotou da insatisfação sentida por aqueles que foram menos bem sucedidos em alcançar riqueza e poder, que agora vieram a representar os objetivos primários dos indivíduos que foram abandonados à mercê da sociedade gesellschaft moderna e massificada. Nacionalismo e qualquer senso de lealdade à nação como uma unidade consangüínea, etnicamente distinta veio a ser anatemizado tanto por liberais como por marxistas.

“Um espectro assombra a Europa – um espectro de comunismo” escreveu Marx no prefácio do Manifesto. Um século depois esse espectro se tornou um mero fantasma, com o liberalismo sendo a força dominante. Ao longo das últimas décadas, o liberalismo usou o comunismo como espantalho para legitimar a si mesmo. Hoje, porém, com a falência do comunismo, esse modo de “legitimação negativa” não é mais convincente. Finalmente, o liberalismo, no sentido da ênfase no indivíduo acima e até mesmo contra a nação, na verdade ameaça o indivíduo ao subverter a estabilidade da sociedade que lhe dá identidade, valores, propósito e sentido, o nexo social, cultural e biológico ao qual ele deve seu próprio ser.

Fundamentalmente, o liberalismo clássico foi uma doutrina que, a partir de um indivíduo abstrato, criou o pivô de sua sobrevivência. Em sua forma mais suave, ele meramente enfatizou a liberdade individual de ação, e condenou o envolvimento burocrático excessivo pelo governo. Mas apesar do quanto seja digna de elogias sua defesa da liberdade individual, sua reivindicação de que o sistema ideal é aquele em que há a menor ênfase possível na nacionalidade leva à situações que de fato ameaçam a liberdade do indivíduo. Em sua forma extrema, o liberalismo clássico se desenvolveu em um libertarianismo universal, e nesse ponto chega perto de defender a anarquia.

Sob um ponto de vista sociológico, em sua forma extrema, o liberalismo internacionalista moderno define a si mesmo totalmente em termos da sociedade Gesellschaft de Tönnies. Ele nega o conceito histórico do Estado-Nação ao rejeitar a noção de qualquer interesse comum entre indivíduos que tradicionalmente compartilhavam de uma herança comum. No lugar da nacionalidade ele propõe gerar um novo padrão social internacional centrado na busca do indivíduo por seu interesse econômico e pessoal óptimo.

Dentro do contexto do liberalismo extremo, apenas a interação dos interesses individuais cria uma sociedade funcional – uma sociedade na qual o todo é visto apenas como um agregado casual de partículas anônimas. A essência do pensamento liberal moderno é de que crê-se que a ordem é capaz de consolidar a si mesma simplesmente por meio da competição econômica total, ou seja, através da batalha de todos contra todos, requisitando do governo não mais do que a definição de algumas regras fundamentais e certos serviços que o indivíduo não possa providenciar adequadamente. De fato, o liberalismo moderno foi tão longe nesse caminho que hoje ele se opões diretamente aos objetivos do liberalismo clássico e do libertarianismo na medida em que nega ao indivíduo qualquer direito inalienável à propriedade, mas ainda compartilha com o liberalismo e com o libertarianismo um antagonismo em relação à idéia de nacionalidade. Despido da proteção de uma sociedade que se identifica com seus membros por causa de um destino e história nacionais compartilhados, o indivíduo é abandonado a travar conflitos por sua própria sobrevivência, sem o senso protetor de comunidade que seus ancestrais experimentaram desde os primevos da história humana.

A decadência nas sociedades multiculturais modernas de massa começa em um momento no qual não há mais qualquer significado discernível dentro da sociedade. Significado é destruído pela elevação do individualismo acima de todos os outros valores porque o individualismo encoraja a proliferação anárquica do egoísmo às custas dos valores que outrora foram parte da herança nacional, valores que dão forma ao conceito de nacionalidade e ao Estado-Nação, a um Estado que é mais do que uma mera entidade política, e que corresponde a um povo particular que é consciente de partilhar de uma herança comum por cuja sobrevivência eles estão preparados a fazer sacrifícios pessoais.

O homem evoluiu em grupos de cooperação unidos por laços genéticos e culturais comuns, e é apenas em tal contexto que o indivíduo pode realmente se sentir livre, e verdadeiramente protegido. O homem não pode viver alegremente sozinho e sem valores ou qualquer senso de identidade: tal situação leva ao niilismo, uso de drogas, criminalidade e pior. Com a difusão de objetivos puramente egoístas às custas de preocupação altruísta pela família e nação, o indivíduo começa a falar de seus direitos ao invés de seus deveres, pois ele não tem mais qualquer senso de destino, de pertencimento e de ser parte de uma entidade maior e mais duradoura. Ele não mais regozija na crença segura de que ele partilha de uma herança que é parte de seu dever comum de proteção – ele não mais sente que tem qualquer coisa em comum com aqueles ao seu redor. Em suma, ele se sente solitário e oprimido. Já que todos os valores se tornaram estritamente pessoais, tudo ,agora, é igual a tudo: ou seja, nada é nada.

“Uma sociedade sem fortes crenças,” declarou Regis Debray em sua entrevista com J.P. Enthoven em Lê Nouvel Observateur, (Outubro 10, 1981), “é uma sociedade prestes à morrer.” O liberalismo moderno é particularmente crítico do nacionalismo. Por isso, é preciso fazer uma pergunta: Pode a sociedade liberal moderna prover crenças comunais fortes e unificadoras em vista do fato de que por um lado ela vê a vida comunal como não essencial, enquanto por outro, ela permanece impotente para visualizar qualquer crença – a não ser que essa crença seja redutível à conduta econômica?

Ademais, parece haver um relacionamento óbvio entre e negação e eclipse do significado e a destruição da dimensão histórica do corpus social. Os liberais modernos encorajam o “narcisismo;” eles vivem em um perpétuo agora. Na sociedade libera, o indivíduo é incapaz de colocar a si mesmo em perspectiva, porque colocar a si mesmo em perspectiva requer uma consciência clara e coletivamente percebida de herança comum e aderência comum.

Como Regis Debray afirma, “Na capacidade de sujeitos isolados homens jamais podem se tornar sujeitos de ação e adquirir a capacidade de fazer história.” (Critique de la raison politique, op. Cit. p. 207). Nas sociedades liberais, a supressão do senso de significado e identidade presentes em valores nacionais leva à dissolução da coesão social assim como à dissolução da consciência grupal. Essa dissolução, por sua vez, culmina com o fim da história.

Sendo o representante mais típico da ideologia do igualitarismo, o liberalismo moderno, tanto em sua variante libertária como na socialista, parece ser o principal fator na dissolução do ideal de nacionalidade. Quando o conceito de sociedade, sob o ponto de vista sociológico, sugere um sistema de “interações horizontais” simples, então essa noção obviamente exclui forma social. Como uma manifestação de solidariedade, a sociedade só pode ser concebida em termos de identidade compartilhada – ou seja, em termos de valores históricos e tradições culturais (cf., Edgar Morin: “O mito comunal dá a sociedade sua coesão nacional.”) Por contraste, o liberalismo desfaz nações e sistematicamente destrói seu senso de história, tradição, lealdade e valor. Ao invés de ajudar o homem a se elevar à esfera do sobre-humano, ele divorcia o homem de todos os “grandes projetos” ao declarar esses projetos “perigosos” sob o ponto de vista da igualdade.

Não é surpreendente, portanto, que a administração do bem-estar individual do homem se torne sua única preocupação. Na tentativa de livrar o homem de todas as suas limitações, o liberalismo coloca o homem sob o jugo de outras limitações

“que agora o diminuem ao mais baixo nível. O liberalismo não defende a liberdade; ele destrói a independência do indivíduo. Ao erodir memórias históricas, o liberalismo arranca o homem da história. Ele propõe garantir seus meios de existência, mas lhe rouba sua razão de viver e lhe tira a possibilidade de ter um destino”

Há duas maneiras de conceber o homem e a sociedade. O valor fundamental pode ser colocado no indivíduo, e quando isso é feito o todo da humanidade é concebido como a soma total de todos os indivíduos – um vasto proletariado sem rosto – ao invés de ser concebido como um tecido rico de nações, culturas e raças diversas. É essa concepção que é inerente no pensamento liberal e socialista. A outra concepção, que parece ser mais compatível com o caráter evolucionário e sócio-biológico do homem, é a que vê o indivíduo como participando em um legado cultural e biológico específico – uma noção que reconhece a importância do laço sanguíneo e da nacionalidade. Na primeira instância, a humanidade, como uma soma total de indivíduos, parece estar “contida” em cada ser humano individual; ou seja, alguém se torna primeiro um “ser humano,” e apenas então, como por acidente, um membro de uma cultura específica ou um povo. Na segunda instância, a humanidade comporta um complexo filogenético e uma rede histórica, por meio das quais a liberdade do indivíduo é garantida pela proteção da família por sua nação, que lhe imbui uma noção de identidade e uma orientação significativa para toda a população mundial. É por virtude de sua aderência orgânica à sociedade da qual eles são uma parte que homens constroem sua humanidade.

Como expoentes do primeiro conceito nós encontramos Descartes, os Enciclopedistas e a ênfase nos “direitos”; nacionalidade e sociedade emanam do indivíduo, por escolha eletiva, e são revogáveis a qualquer momento. Como proponentes do segundo conceito nós encontramos J.G.Herder e G.W.Leibniz, que enfatizam a realidade das culturas e etnias. Nacionalidade e sociedade estão enraizadas em heranças biológicas, culturais e históricas. A diferença entre esses dois conceitos se torna particularmente óbvia quando se compara como ambos visualizam a história e a estrutura do real. Nacionalistas defendem holismo. Nacionalistas vêem o indivíduo como um semelhante, apoiado pelo povo e pela comunidade que o nutre e protege, e com a qual ele se orgulha em se identificar. As ações do indivíduo representam um ato de participação na vida de seu povo, e a liberdade de ação é muito real porque, partilhando nos valores de seus associados, a vontade individual raramente busca ameaçar os valores básicos da comunidade com a qual ele se identifica. Sociedades que carecem desse senso básico de unidade nacional são inerentemente predispostas a sofrem de situações repetidas nas quais os valores opostos de seus membros egoístas entram em conflito uns com os outros.

Ademais, proponentes da nacionalidade afirmam que uma sociedade ou um povo só pode sobreviver quando: a) eles permanecem cônscios de suas origens culturais e históricas; b) quando eles podem se reunir ao redor de um mediador, seja individual, ou simbólico, que seja capaz de reunir suas energias e catalisar sua vontade de ter um destino; c) quando eles mantêm a coragem de designar seu inimigo. Nenhuma dessas condições têm sido realizadas em sociedades que colocam ganho econômico acima de todos os outros valores, e que conseqüentemente: a) dissolvem memórias históricas; b) extinguem o sublime e eliminam ideais subliminais; c) assumem que é possível não ter inimigos.

Os resultados dessa rápida mudança de sociedades nacionais ou tribais para o individualismo anti-nacional moderno dominante nas sociedades contemporâneas e “avançadas” têm sido bem descritos por Cornelius Castoriadis: “As sociedades ocidentais estão em absoluta decomposição. Não há mais uma visão do todo que poderia lhes poderia permitir determinar e aplicar qualquer ação política...as sociedades ocidentais praticamente deixaram de ser Estados-Nação... Simplificando, elas se tornaram aglomerações de lobbies que, de maneira míope, rasgam a sociedade em pedaços; onde ninguém pode propor uma política coerente, e onde todo mundo é capaz de bloquear uma ação considerada hostil a seus próprios interesses.” (Liberation, 16 and 21 December, 1981).

O liberalismo moderno tem suprimido a nacionalidade patriótica até uma situação na qual política foi reduzida a um processo de tomada de decisões em estilo de “delivery service”, estadistas foram reduzidos à servir como instrumentos de grupos de interesses especiais, e nações se tornaram pouco mais do que mercados. As cabeças dos estados liberais modernos não tem opção a não ser vigiar seus cidadãos sendo dopados por patologias civilizacionais como violência, delinqüência, e drogas.

Ernst Jünger uma vez disse que o ato de violência velada era mais terrível que violência aberta (Journal IV, September 6, 1945). E ele também afirmou: “A escravidão pode ser substancialmente agravada quando ela assume a aparência de liberdade.” A tirania do liberalismo moderno cria a ilusão inerente a seus próprios princípios. Ela se proclama defensora da liberdade e grita para defender os “direitos humanos” no momento que mais os oprime. A ditadura da mídia e a “espiral do silêncio” parecem ser tão efetivas em arrancar dos cidadãos de sua liberdade quanto o aprisionamento. No Ocidente, não há necessidade de matar: basta cortar o microfone de alguém.

Matar alguém pelo silêncio é um jeito muito elegante de homicídio, que praticamente dá os mesmos dividendos que um assassinato real – um assassinato que, em adição, deixa o assassino com boa consciência. Ademais, não se deve esquecer a importância desse tipo de assassinato. Raros são aqueles que silenciam seus oponentes por diversão.

Nacionalidade patriótica não ataca a noção de “liberdades formais”, como alguns Marxistas rigorosos fazem. Ao invés, seu propósito é demonstrar que “liberdade coletiva”, ou seja, a liberdade dos povos serem eles mesmos e continuarem a desfrutar o privilégio de ter um destino, não resulta da simples adição de liberdades individuais. Propositores da nacionalidade ao invés afirmar que as “liberdades” garantidas a indivíduos pelas sociedades liberais são freqüentemente não existentes; elas representam simulacros do que liberdades verdadeiras deveriam ser. Não é suficiente ser livre para fazer algo. Ao invés, o que é necessário é sua habilidade de participar na determinação do curso dos eventos históricos. Sociedades dominadas pelas tradições liberais modernas são “permissivas” apenas na medida em que sua macro-estabilidade geral arranca da população qualquer participação real no processo de tomada de decisões verdadeiro. Conforme a esfera dentro da qual é permitido ao cidadão “fazer tudo” se torna maior, o senso de nacionalidade se torna paralisado e perde sua direção.

Liberdade não pode ser reduzida ao sentimento que se tem por ela. Por essa visão, tanto o escravo como o robô, poderiam igualmente se perceber livres. O significado de liberdade é inseparável da antropologia fundadora do homem, um indivíduo partilhando de uma história comum e cultura comum em uma comunidade comum. Decadência vaporiza povos, freqüentemente das maneiras mais gentis. Essa é a razão pela qual indivíduos agindo como indivíduos só podem torcer para fugir da tirania, mas cooperando ativamente como uma nação eles podem muitas vezes derrotar a tirania.


Tradução por Raphael Machado

Os Sexos

"Nas sociedades europeias antigas, a problemática dos sexos não era vivida como conflito porque essas sociedades reconheciam à mulher uma função social específica. Esta função, de caráter privado, não era considerada como menos preciosa nem menos fundamental que aquela, de caráter público, que era assumida pelo homem. Ora, hoje, esta função social já não existe porque ela foi tomada a cargo pela coletividade. O Estado, dotado de prerrogativas sócio-econômicas novas, encarrega-se a si mesmo cada vez mais da educação das crianças e da segurança das pessoas. A mulher encontra-se assim despojada das prerrogativas educativas e 'tranquilizantes' que, outrotra, eram colocadas sob a sua responsabilidade. Assim, ela é levada 'a libertar-se' de um lar que se tornou uma espécie de concha vazia — e onde ela já não tem papel a desempenhar. E como a função social masculina, apesar de se transformar, se manteve, a única possibilidade para a mulher de reassumir responsabilidades é procurar assumir, tanto quanto o possa, a função social do homem, esforçando-se por demonstrar que 'não existem diferenças' entre eles."
(Alain de Benoist, Em "Nova Direita Nova Cultura")

sábado, 20 de novembro de 2010

Robert Edwards - Compreendendo o Fascismo

por Robert Edwards


No século XX nenhum conjunto de idéias foi mais vilipendiado e mal-compreendido do que o do fascismo. O fascismo do pré-guerra foi representado, através das maquinações da mídia social-democrata e de inúmeras obras de comentário político, como um sistema político baseado na opressão reacionária... a antítese de tudo que é bom e necessário para o progresso humano. No presente momento parece que suas origens têm sido ignoradas e ele agora é empregado como um epíteto abusivo para o propósito de difamar oponentes políticos, a maioria dos quais não o merecem. Um grau de culpa reside na perpétua polarização da política em batalhões de "esquerda" e "direita", na qual todas as tonalidades de pensamento político são consideradas apenas nesses termos simplórios.

O propósito desse artigo é explorar as razões pelas quais o fascismo não se encaixa convenientemente dentro do espectro da política "ortodoxa" e demolir os equívocos vigentes. Primeiramente, é um erro imbecil considerar o fascismo autêntico como reacionário ou "direitista". Em verdade, os principais protagonistas do credo fascista na década de 1930, Benito Mussolini e Sir Oswald Mosley na Grã-Bretanha, eram originalmente da esquerda socialista. Na Espanha, José Antonio Primo de Rivera, o líder falangista, após seu encarceramento pelos Republicanos antes da Guerra Civil, conclamou seus seguidores na Falange Española a NÃO se unirem aos conservadores tradicionais e ao Exército. Muito após a morte de Primo de Rivera, o movimento falangista foi diluído por Franco e quaisquer vestígios do velho espírito revolucionário foram erradicados de modo a agradar a Igreja Católica e as Forças Armadas. Na era pós-guerra, Juan Perón assumiu poder na Argentina quase inteiramente com o apoio dos trabalhadores que são geralmente considerados como o núcleo da Esquerda. Consequentemente, seu tipo de fascismo era muito similar ao nacional-socialismo puro de Gregor Strasser no sentido de que era baseado no proletariado. Em absoluto, o fascismo autêntico tinha muito pouco em comum com o conservadorismo tradicional e com tudo que é englobado pela "Direita", na medida em que seus expoentes eram homens comprimetidos com um novo mundo de reformas sociais e econômicas em larga escala.

Para ser apropriadamente compreendido, o fascismo tem que ser visto dentro do contexto daquele período após a Primeira Grande Guerra. O fascismo foi o produto do horror de 1914-1918. A erupção de 1914 foi a consequência de uma doença profundamente enraizada. A aparente tranquilidade do mundo civilizado era uma camada muito fina sobre forças ferventes, ocultas. A fé do Século XIX na idéia de "progresso" havia enfeitiçado o homem europeu com um falso senso de segurança. A Primeira Grande Guerra, veio como um grande choque e seus efeitos foram espiritualmente devastadores já que a grande era do "progresso sem fim" foi dramaticamente finalizada. Aquela guerra substituiu o otimismo com pessimismo e, consequentemente, liberou tudo aquilo que fervia sob uma velha ordem em seus últimos estertores. Após isso nada mais era garantido e o espírito da Europa foi lançado em confusão. O velho mundo falhou e o novo mundo da social-democracia não ofereceu quaisquer certezas reais. Aqueles mais traídos por estes eventos foram os soldados dos fronts que haviam testemunhado a insanidade da carnificina desnecessária e haviam, então, retornado a outro mundo de políticos prevaricadores que careciam da visão e da coragem de construir uma "terra digna de heróis". A partir das trincheiras nasceu o fascismo. O soldado conhecia a importância da união e da ação e trouxe isso com ele para o reino da política revolucionária.

O fascismo foi indubitavelmente revolucionário. Ao mesmo tempo diferia da "esquerda" e, particularmente, do marxismo em muitos aspectos vitais. Era anti-materialista e não envolvia um rompimento cataclísmico com o passado histórico do homem. As posições filosóficas do fascismo e do marxismo era as mais distintas. Como é sabido, o marxismo é intolerantemente e rigidamente dogmático. Comunistas muito austeros são inextricavelmente ligados ao evangelho de Karl Marx, aos comentários de Lênin e às máximas do "determinismo econômico", não deixando nada para o livre pensamento e observação empírica. Por outro lado, o fascismo estava liberado de dogmatismo e sua filosofia era uma de pragmatismo, ou seja, ele simplesmente perguntava se uma noção particular poderia ser usada e colocada para funcionar nos interesses da Nação. Fascistas, como soldados, não permitem que suas mentes se cristalizem ao redor de quaisquer fórmulas mais simplesmente as utilizam como hipóteses funcionais que, no evento de se tornarem prejudiciais, são facilmente descartadas. Esse pragmatismo dinâmico era a principal característica do fascismo e seu gênio. Com essa filosofia o fascismo liderou uma revolta contra todas as formas de idolatria frasal e sentimentalidade inútil que são todas inibidoras. As abstrações teóricas da social-democracia, "liberdade", "igualdade", e "direitos inalienáveis", foram atacadas pelo fascismo simplesmente porque eram abstrações. Elas eram palavras sem qualquer importância concreta e desprovidas de significado. Elas são usadas como objeto de adoração e, portanto, previnem a objetividade e o pensamento criativo. Dentro do contexto fascista o conceito de "direitos" possuía significado apenas quando conectado com serviço e dever, e assim o fascismo emergiu como uma revolta contra o culto das irrealidades para se tornar a força pelo realismo pragmático consistente com a nova era da ciência.

O Estado Corporativo foi uma tentativa de unir as muitas facções dentro da sociedade para o propósito de realizar o ideal da Nação Orgânica completamente abarcadora. Pôs um fim ao seccionalismo enfatizando o papel de indivíduos e organizações dentro do novo aparato estatal. O Estado Corporativo foi o catalisador para todos os elementos dentro da Nação, a reconciliação última das facções beligerantes, para a tarefa digna de construção e de alcançar ideais cada vez maiores. Longe de ser uma opressão, esse tema central da fé fascista considerava que apenas quando a Nação fosse livre de conflitos internos entre seus vários elementos, classe contra classe e capitalista contra trabalhador, poderia haver verdadeira liberdade para todos. Uma Nação que não é livre não pode dar liberdade ao povo.

O fascismo não era nem de "esquerda" nem de "direita", mas sim uma síntese de idéias acima daquelas que existiam. "Combina o impulso dinâmico para mudança e progresso com a autoridade, a disciplina e a ordem sem a qual nada grande pode ser alcançado", afirmou Mosley em "The Greater Britain". Naquela frase pode-se detectar dois sentimentos que, quando idéias separadas, são de pouca relevância. A idéia de progresso, como Mosley explicou, é considerada como pertencente à esquerda enquanto a tradição da ordem é considerada como pertencendo à direita. Progresso não pode existir sem ordem ou estabilidade... e estabilidade não pode existir sem progresso e a necessidade de se adaptar a um mundo mutante. Separados eles trazem caos em um mundo onde ação é necessária. A síntese fascista, com realismo característico, era a única alternativa.

A acusação de que o fascismo era coercitivo é um daqueles equívocos trágicos que apenas servem para ilustrar o ódio e amargura daqueles que desprezam o heróico e visionário. O falatório sobre "ditadura" emana de pessoas que preferem a inércia cataléptica da social-democracia em contraste com a vontade dinâmica de ação do temperamento fascista. O termo "ditadura" não é sempre sinônimo com coerção. Por seu uso da palavra "ditadura" Mosley interpretou isso como "liderança" e na década de 30 ele explicou, "o fascismo não é ditadura no velho sentido daquela palavra, que implica governo contra a vontade do povo. O fascismo é ditadura no sentido moderno da palavra, que implica governo armado pelo povo com poderes para resolver problemas que o povo está determinado a superar". De modo a funcionar e dar certo o fascismo dependia da vontade do povo; sem aquela vontade não haveria Nação Orgânica. Nesse contexto o fascismo desviava do socialismo esquerdista no sentido de que a essência da ação fascista era baseada na liderança e na iniciativa e, na prática, era vista como sendo a liderança do povo com seu consentimento popular. Não tinha nada a ver com os controles castradores do socialismo nesse sentido, ao invés, o fascismo tendia a liderar e apenas intervir quando alguma seção ameaçava os interesses do todo orgânico.

A tragédia do fascismo foi que não lhe foi dada a chance de florescer. Uma segunda guerra desastrosa com toda a histeria e propaganda nublou a maior parte da verdade. O fascismo deve ser lembrado por seu dinamismo, seu heroísmo e sua visão durante um tempo em que algo novo era desesperadamente necessário para salvar o homem da auto-destruição. O fascismo encarou os fatos do mundo pré-guerra; e agora nós encaramos os fatos de um mundo que tem mudado muito rapidamente. Que nova força para o futuro pode inspirar esperança da mesma maneira que fez o fascismo tantos anos atrás?