domingo, 8 de maio de 2011

Samuel Francis - Cristianismo Ariano x Cristianismo Semita


por Samuel Francis

"A teologia cristã é a raiz do bolchevismo", escreveu Oswald Spengler há muitos anos. O que ele queria dizer era que a defesa na Cristandade de ideias como universalismo, igualitarismo, paz, irmandade mundial e altruísmo universal ajudaram a estabelecer e a legitimar a ética e política invocadas pelos socialistas e comunistas .Socialistas e comunistas, contudo, não concordam sempre, e é por isso que outro pensador germânico, Karl Marx, afirmou que a religião é na realidade uma força conservadora, o ópio das massas, a droga que impede que os trabalhadores do mundo se rebelem contra as suas classes inimigas.

Ambos estes ‘pesos-pesados’ teutónicos poderiam ter beneficiado da leitura de “The Germanization of Early Medieval Christianity” de James C. Russel, já que fala, pelo menos indiretamente, da tensão entre as suas diferentes visões do Cristianismo, diferenças que continuam a ser refletidas nas disputas politicas e ideológicas na direita europeia e americana atualmente. A principal questão na controvérsia é esta: É a Cristandade uma força que ajuda ou dificulta os esforços da direita para defender o modo de vida ocidental? Cristãos à direita argumentam que o seu empenho religioso é fundamental para a civilização ocidental, enquanto pagãos e secularistas à direita (especialmente na Europa) argumentam, com Spengler, que a Cristandade desmorona o Ocidente forçando um universalismo que rejeita raça, classe, família e até nação.

Russel, que detém um doutoramento em teologia histórica pela Universidade de Fordham e ensina na faculdade de Saint Peter, não responde propriamente à questão, mas o seu muito estudado livro sugere uma resposta. A sua tese é a de que a Cristandade inicial floresceu no decadente, desenraizado e alienado mundo do final da antiguidade precisamente porque foi capaz de apelar a vários sectores oprimidos e insatisfeitos da população - escravos, proletários urbanos, mulheres, intelectuais, aristocratas frustrados e os estranhos idealistas repelidos pelo patológico materialismo, brutalidade e banalidade da época.

Mas quando os missionários cristãos tentaram apelar aos invasores germânicos invocando o universalismo, pacifismo e igualitarismo que havia atraído os excluídos habitantes do império, falharam. Isso sucedeu porque os germânicos praticavam uma religião ‘folk’, que reflectia homogeneidade étnica, hierarquia social, gloria militar e heroísmo, com ‘parâmetros de conduta ética…derivados de um estímulo sócio-biológico para a sobrevivência de grupo através do altruísmo no seio do grupo’. A religião e sociedade germânica aceitavam o mundo como ele era de facto enquanto a Cristandade helénica rejeitava o mundo, reflectindo a influência das religiões e éticas orientais. Por germânicos, deve notar-se, Russel não se refere aos modernos habitantes da Alemanha mas antes aos ‘Godos, Francos, Saxões, Alanos, Borgonheses, Suevos e Vândalos, mas também os povos viking da Escandinávia e os povos anglo-saxónicos da Grã-Bretanha’, com a excepção dos celtas e eslavos, germânicos significa então quase a mesma coisa que ‘europeus’ propriamente ditos.

Dadas as contradições entre a ética e visão do mundo cristãs e as da cultura indo-europeia dos povos germânicos, a única táctica que os cristãos poderiam usar seria a de parecer adoptar valores germânicos e afirmar que os valores cristãos seriam realmente compatíveis com os primeiros. O grosso do estudo de Russel mostra como este processo de acomodação teve lugar no curso de cerca de quatro séculos. Os santos e o próprio Cristo foram representados como heróicos germânicos, tanto os festivais como os locais sagrados na antiga cultura germânica foram discretamente tomados pelos cristãos como seus, palavras e conceitos com significados e conotações religiosas foram subtilmente redefinidos em termos da nova religião. Ainda assim o resultado final não foi a conversão dos germânicos à Cristandade que tinham inicialmente encontrado, mas antes que a aquela forma de Cristandade foi germanizada, adoptando muitos dos valores indo-europeus que a antiga religião pagã havia celebrado.

Russel sugere, como notado acima, uma resolução do debate sobre o universalismo cristão. A Cristandade original que os germânicos encontraram continha muitas tendências universalistas, adaptadas e reforçadas pelos povos desenraizados e pelo tecido social em desintegração do final do império, mas graças à germanização esses elementos foram depressa suprimidos ou silenciados e aquilo que conhecemos como a Cristandade histórica da era medieval ofereceu-nos uma religião, ética e mundividência que consolidou aquilo que hoje conhecemos como valores conservadores - hierarquia social, lealdade à tribo e território (sangue e terra), aceitação do mundo como é em vez da sua rejeição e uma ética que valoriza o heroísmo e o sacrifício militar. Ao ser germanizada a Cristandade foi essencialmente reinventada na fé dinâmica que animou a civilização europeia por mais de mil anos.

A resposta de Russel à questão sobre a cristandade é que a Cristandade é tanto a raiz do bolchevismo (na sua primeira fase universalista e não-ocidental) e um pilar de estabilização social e ordem (através dos valores e mundividência que assimilou pelo contacto com os antigos indo-europeus). Através da maior parte da sua história prevaleceu a última concepção de Cristandade, mas hoje, como defende Russel nas últimas páginas do seu trabalho, os inimigos da herança europeia - o que ele chama ‘a fusão religiosa-cultural euro-cristã’ - começaram a triunfar dentro das fileiras cristãs. ‘A oposição a esta fusão, especialmente porque pode interferir com noções de universalismo e ecumenismo, foi expressa em vários dos documentos do Concílio Vaticano II’, e ele vê o mesmo tipo de oposição à influência medieval germânica nos vários movimentos de reforma na história da Igreja, incluindo a reforma protestante, que sempre exigiu um regresso à Igreja primitiva, isto é, à Cristandade pré-germânica. É precisamente esta rejeição da herança indo-europeia que pode ter levado muitos cristãos de ascendência europeia a rejeitar o Cristianismo e a abraçar formas alternativas de paganismo que positivamente afirmam as suas raízes raciais e culturais.

No que quer que seja que a Cristandade primitiva ou verdadeira Cristandade ou Cristandade histórica tenha acreditado ou ensinado, o que está indiscutivelmente a acontecer hoje em dia é a extirpação deliberada do legado europeu da Cristandade pelos seus inimigos no seio das igrejas. A Cristandade institucional que floresce atualmente já não é a mesma religião que foi praticada por Charlemagne e seus sucessores e já não pode apoiar a civilização que construíram. De facto, a Cristandade organizada de hoje é o inimigo da Europa e da raça que a criou."

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