domingo, 15 de maio de 2011

Hierarquia, Elite e Chefe

por Henri Valuisse

Para os fascistas, a noção de sociedade implica uma hierarquia. Porém, a sociedade fascista, por oposição às sociedades marxistas e capitalistas onde dominam as empresas financeiras cosmopolitas, está inteiramente fundamentada na Honra e na Fidelidade. As posições mais elevadas no seio desta hierarquia fazem surgir, sobretudo obrigações, e muito poucos direitos. 

Obrigação de generosidade para com os compatriotas, obrigação de dignidade na conduta e de grandeza na moral. É mais do que evidente que, nestas condições, esta hierarquia não se pode assentar em recomendações, nem tão pouco sobre a riqueza ou o nascimento. Pelo contrário, ela está baseada nos valores superiores mais puros: coragem, energia, civismo, e não autoriza a ascensão destas elites mais do que em função destas qualidades.

«Eu sonho com uma raça de sacerdotes, cavaleiros de uma nova Ordem Teutónica, milícia da ordem e da fé, formada por jovens Saint Just, duros para com eles mesmos, aspirando ao sacrifício, e que montariam guarda junto às fronteiras da pureza… E esta imagem de Esparta é necessário que subsista. Não somente porque é necessária para a nossa vitória, mas também porque é imprescindível à nossa civilização. (…) Esparta não é a cidade onde só se escuta o ruído das botas, e onde nenhum peão sorri. O preceito do valor está claro, aqui… O valor dava acesso à aristocracia, e dela se era excluído se faltasse o valor. (…) Os jovens espartanos tinham todos irmãos de leite escolhidos entre os filhos dos seus hilotas, e estes recebiam idêntica educação que os primei¬ros, tomando parte nas actividades colectivas, levando as suas armas ao combate, e compartilhando os seus privilégios… Que democracia deu semelhante igualdade aos filhos dos pobres?… Reduzimos Esparta a uma experiência de laboratório, arbitrariamente. Fazemos dela um Estado onde só reina a energia, e não existe, em nenhuma parte, um Estado onde a energia reine só. O que carac¬teriza Esparta não é, como vulgarmente se julga, os quartéis, mas sim a rejeição dos falsos valores.»

- Maurice Bardèche, Esparta e os Sudistas

Esta é, precisamente, a análise elitista, que o fascismo extrai em grande medida das teorias de Vilfredo Pareto, no que se refere à oposição entre a Elite e as Massas. Para Pareto não há causa nem efeitos distintos, porém uma interacção permanente de todos os factores da vida social. A luta pelo poder não é concebida como resultado de uma oposição de classe, mas como fruto de um combate entre a elite firmada no poder e a contra elite. Esta avança, favorecida objectivamente pela incapacidade, as más acções e as taras da elite no poder, dispõem de um importante apoio popular, apoiando as suas posições, permitindo elevar as suas propostas em nome do povo, no seu conjunto.


A elite fascista, em todos os casos, pode ser considerada como esta contra elite, a dos tempos de crise, que é projectada ao poder pelas massas numa época de conjuntura histórica crítica.

Igualmente, no Estado fascista, a elite encontra a sua origem no povo. Surge a partir dele de uma forma contínua, uma espécie de casta aberta, uma casta dirigente. Contrariamente às elites tradicionais das democracias burguesas a elite fascista não se renova de maneira quase hereditária, mas sim aplicando os seus próprios princípios revolucionários, o que significa renovar se mediante uma constante troca com a base da comunidade popular.

Nesta concepção do mundo e da sociedade, a elite, como afirmava Louis Ferdinand Céline, deve ser ascencional.

Se o fascismo afirma a predominância das elites naturais, nascidas das massas apenas pelo seu valor pessoal, é porque rejeita a concepção russoniana, liberal e marxista, segundo a qual todo o homem é igual aos outros.

«Não é a massa que cria, nem a maioria que organiza ou planeia, porém sempre, e em todas as partes, o indivíduo superior.»

– Michels Schneider

«A inteligência política das massas não está suficientemente desenvolvida para se poder esperar dela concepções, tanto em política geral como em política concreta, nem para encontrar ela mesma os homens necessários que sejam ca¬pazes de realizar tais concepções. Aquilo a que se dá o nome de opinião pú¬blica não repousa mais do que numa parte mínima na experiência pessoal ou nos conhecimentos dos indivíduos. Pelo contrário, é fabricada na sua maior parte pelo que se dá o nome de a informação…»

– Adolf Hitler

O fascismo tende a favorecer, na sociedade, o aparecimento e o desenvolvimento de elementos superiores. Chama os a ocupar os postos de comando. E no vértice desta hierarquia em forma de pirâmide, encontra se o Chefe. A autoridade, o comando, o poder, não estão aqui fundamentadas na noção de maioria, mas sim na dupla e inter relacionada concepção de Personalidade e Eficácia.

É esta uma das principais censuras dirigidas ao fascismo: o culto do Chefe, levado até ao extremo. De facto, e segundo a visão fascista, o Chefe recolhe naturalmente o poder, posto que se encontra no topo desta hierarquia dos méritos, pelas suas qualidades pessoais. Léon Degrelle descreve com lirismo a maneira como ele concebe o Homem de Génio votado a cumprir os maiores destinos e seus primeiros contactos com a Nação.


«A humanidade normal ascende a um estádio superior pela acção dos especialistas, quer o seu tema seja a administração, ou o exército, a construção automóvel ou de computadores. Por debaixo destes espíritos, normais mas que se distinguiram, pasta o imenso rebanho dos espíritos normais que não se distinguiram. Isso é a humanidade: alguns milhões de seres humanos, com um cérebro medíocre, um coração medíocre, um modo de vida medíocre. (…) E é aqui que, um dia, bruscamente, o céu de um país é atravessado por um grande raio, anunciando ao Ser que não é como os demais, e que sabe que é excepcional, ainda que não exactamente porquê. Este raio o recebem, em imensa maioria, homens da mesma origem que a sua, mas atrofiados, e que, recebendo o choque, em pequena escala, sentem também a sua vida transformada. São encorajados, elevados, por causa do uns fluídos de que jamais se deram contam anteriormente, na sua vida normal, e que nem suspeitavam sequer que a possuíam. O homem de Génio é um formidável posto emissor e receptor.»

Este homem superior, que tem claramente consciência do destino da nação, mais além da situação conjuntural, concilia o nível maioritário da acção e da reflexão. Deve motivar um impulso colectivo e dar lhe toda a sua medida, mas não, deve, seja qual for a importância dos problemas, perder o seu valor pessoal, fugir do seu posto, do seu dever. Nada é mais difícil do que ser um chefe eficaz, e não deve tentar ser amado por todos, à custa de adquirir demasiados compromissos. Igualmente não deve duvidar de sacrificar, ao cumprimento da sua missão, a sua vida privada, não devendo deixar se influenciar pelos impulsos temporários que atravessam o seu país, como estados de espírito e emoções, causados por acontecimentos exteriores. Sendo o exercício do poder o cargo supremo, deve exercer se naturalmente por um só, assistido pela Elite.

José António Primo de Rivera foi um dos que mais teorizaram acerca do problema do Chefe. Suas reflexões sobre o tema estão cheias de ensinamentos:

«Ser o Chefe, triunfar, e dizer no dia seguinte às massas: são vocês quem mandam, eu estou aqui para obedecer — é iludir cobardemente o peso glorioso do poder. O chefe não deve obedecer ao povo, deve antes servi-lo, o que é muito diferente. Servi-lo é exercer o mandato para bem do povo que se governa, inclusive para o povo que não sabe qual é o seu dever. É sentir se de acordo com o destino histórico de um povo, inclusive se isto difere do que as massas desejam… Sabemos que a massa sozinha não se pode salvar, e que os seus condutores não têm desculpa se desertam. A revolução, é a tarefa de uma minoria resoluta, inacessível ao desânimo. De uma massa da qual a massa não compreenderá os primeiros passos, porque, vítima de um período de decadência, perdeu o que tem de mais precioso: a Luz Interior. Um só decide, e é responsável, pela continuação da sua decisão, com seus bens e a sua vida.»

Estes extractos do discurso de José António Primo de Rivera mostram às claras que o fascismo repudia totalmente o anonimato do parlamentarismo, regime do qual não se pode esperar nenhuma decisão sábia ou heróica. De acordo neste ponto com autores que não são fascistas, os autores fascistas insistem no facto de que o poder não deve estar diluído entre a quantidade de 500 ou 600 pretensos representantes da Nação no Parlamento.

São assim colocados, paralelamente, as qualidades privilegiadas no Homem (coragem, fidelidade, sentido de honra) e os princípios de responsabilidade e personalidade no poder.

Finalmente, existe uma relação de tipo carismático entre o povo em marcha e o chefe que o guia. Nem as democracias nem as monarquias, souberam jamais descobrir este simples facto, e este diferencia ainda mais o regime fascista dos regimes plutocráticos que conhecemos. Certos detalhes são muito importantes e se encontram em todos os regimes que tenham algum rasgo de fascismo; fidelidade elevada ao sacrifício do Chefe em meio às suas tropas, enquanto que como um eco ressoa a formidável vontade de vencer juntos por um fim, superior.


A noi. Foi o grito dos legionários de D’Annunzio em Fiúme, grito retomado pela Guarda Republicana Fascista, no ano de 1944. Grito dos soldados políticos da Nova Europa quando lançarem em todos os estados do nosso continente, hasteando as suas bandeiras e símbolos milenários diante de cada fachada de cada templo da Alta finança em forma de Parlamento.

«O povo significa a ideia que se encarna no Povo, como vontade de uma minoria, ou inclusive de um só.»

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