sábado, 23 de julho de 2011

Juízo

por Craig Smith

A idéia de separação racial, em público ou entre amigos, desperta uma resposta previsível: "Eu prefiro julgar as pessoas individualmente" e a chocada "Como você pode julgá-los como grupo?" A resposta é simples, para aqueles que possuem uma mentalidade voltada para a complexidade: separação racial é efetivamente menos pré-conceituoso, no mínimo porque você não está julgando nem grupo nem indivíduo.

Juízo, no sentido usado aqui, aplica-se a um juízo religioso, por meio do qual grupos e pessoas são diferenciados em uma escala absoluta de "bom" a "mau". A garota que você vê como uma puta pode ter sofrido abuso quando criança; o cara que cheira cola e rouba carros pode estar magoado por causa de uma garota; aquele cara velho e amargo pode ter tido seu carro roubado. Ao invés de julgar, o vir Indo-Europeu tradicional faz uma afirmação forte, aquela da escolha: "Eu prefiro estar com essas pessoas que são minhas amigas", o que pela natureza do mundo como um todo, quer dizer que aqueles que não estão selecionados como preferidos são excluídos.

Cada grupo etno-cultural está por milhares de gerações de procriação separado em inclinação em relação a outros grupos; tanto quanto gêmeos idênticos em cada lado de um continente comportam-se similarmente, e nós temos maneirismos e tendências inatas herdadas dos nossos pais, também tribos e raças possuem inclinações. Elas gostam de certas coisas e não de outras, e precisam de uma sociedade compatível. Quando você mistura todas elas e cria um padrão, ou média, que deve ser aplicado a todas, isto é injustiça com cada indivíduo. Eles estão sendo julgados por um construto humano artificial, abstrato e quantitativo.

Colocar a todos nós sob a mesma média e portanto na mesma escala linear é a mais cruel forma de juízo, na medida em que força-nos a avaliar os outros em termos de absolutos. Existe sob este sistema uma única amplitude de comportamentos aceitáveis, um único modo de aprovar e desaprovar pessoas, e uma única cultura mundial por meio da qual nós avaliamos tudo. Sob essa visão do mundo, você não pode olhar para alguém e pensar, "Eles são o que são", mas você deve vê-los em termos de se você os aprova ou não. Superior, inferior. Bom, melhor. Existe uma única escala linear do nada ao infinito, assim como nossos números.

Como aqueles que leem esta coluna sabem, eu não gosto de preconceito; ele fere o espírito do preconceituoso mais do que tudo, porque é uma visão depressiva e violenta do mundo. Ser preconceituoso significa que você assume que existe um mal absoluta, e enquanto ele existir, você não tem vitória. Você vê apenas uma única linha de aprovação, e você em algum ponto dessa linha, o que quer dizer que você deve medir a si mesmo por um número do mesmo jeito que você faz com todo mundo. Isso é perfeito para máquinas e burocratas, mas esmaga a alma humana.

Porém, o "multiculturalisom" é tão preconceituosos quanto, porque assume que se existe uma área, digamos, com apenas suecos étnicos, essa área não é "diversa" e portanto precisa ser consertada. Tikkun Olam: reparar o mundo, mesmo ele não precisando ser reparado; isso é preconceito contra a Natureza e contra a Realidade. Similarmente, ver o mundo em termos de Bem e Mal é dispor tudo sob uma única forma valorativa, e nega a diversidade de valor na própria vida. Você não pode deixar que punks sejam punks, e frequentadores de igreja sejam frequentadores de igreja; você tem que aplicar algum tipo de "grau" a cada um, e aqueles que estão abaixo da linha de provação são maus.

Então quando eu vejo essas respostas à separação racial, eu percebo que elas vem de pessoas que não são capazes de pensar fora de medidas lineares, e sendo incapazes de estabelecer uma linha de aprovação em algum lugar, optaram por aprovar tudo na idéia de que é "melhor" fazer isso. Eu digo, dispensemos inteiramente com o Bem e o Mal, e percebamos que misturar raças é um fenômeno recente que tem ocorrido apenas por causa de ímpetos comerciais, e pressões sociais e religiosos. Não tem nada a ver com a Natureza, e pressupõe que a Natureza é "má", e portanto o multiculturalismo - a Anti-Natureza - é "bom".

A mesma atitude ocorre em relação à natureza. As pessoas veem apenas submissão, ou dominação, porque elas estão fixadas em um estado mental linear, com uma realidade e um padrão para tudo. Diversidade na minha cabeça significa aceitar que a natureza pode ser diferente, e que nossa ordem e sua ordem podem não se misturar, então nós devemos deixar a floresta seguindo suas próprias regras e manter nossas casas ordenadas segundo necessidades humanas. A floresta possui predadores, e doenças, e horrores em adição a grande beleza, e nós podemos ter medo disso, mas isso não quer necessariamente dizer que nós temos que banir a floresta para estabelecer espaços onde esses horrores não existam.

Similarmente, eu não vejo necessidade de denegrir ou exaltar uma raça por sobre a outra; eu penso que essa interpretação da separação racial é recente e data da introdução dos juízos morais na Europa. Os antigos não julgavam; eles agiam heroicamente, como deve-se agir. Os modernos julgam, e excluem o que temem, e portanto não são capazes de fazer afirmações simples como "Eu prefiro viver entre os meus semelhantes", mas tem que denegrir africanos ou judeus e daí em diante. O outro lado odeia qualquer população étnica pura, e deseja obliterá-las tanto quanto nós derrubamos as florestas e aramos os campos: ele quer criar uma ordem da mediocridade a partir de um mundo anteriormente diverso.

Por essa razão, o racismo é menos preconceituoso que o anti-racismo, porque ele permite que nós preservemos nossa cultura sem que tenhamos que julgar outros como "maus" ou "bons". Em verdade, um modo de ver isso é que de modo a compreender o racismo, é necessário abandonar a moralidade. A moralidade é fundada no medo da morte, e por causa disso, as pessoas tornam a morte o conceito central de suas vidas: a partir do medo da morte, eles fazem o mundo tudo aquilo que veem; "o mundo é minha representação" torna-se verdadeiro de um modo doentio, na medida em que tudo o que eles veem é preservar a própria mortalidade, e assim estão cegos para a vida como um todo. Isso é Anti-Natureza e é a razi tanto do preconceito como do anti-racismo.

Quando nós olhamos para os efeitos disso, tanto em termos raciais como para além deles, torna-se claro que o que deve ser abordado é mais básico do que política; nós temos que olhar de perto para o julgamento ,e o mundo solipsista que ele implica, de modo a transcender os erros da política e perceber que o mundo não precisa se encaixar em um caminho burocrático, numérico e quantitativo. É muito mais complexo que uma linha numérica ou uma resposta sim/não. Essa idéia aplica-se a muito mais coisas do que o racismo, e eu a recomendo a todos como um modo não apenas de escapar de má filosofia, mas de aprender como apreciar e amar seu mundo.

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