domingo, 10 de julho de 2011

Metrossexualidade - Sintoma de Decadência Moral

por Antonio Marco Mora Hervás

"Em outro tempo, o camponês romano cortava a barba uma vez por semana; agora o escravo rural não encontrar-se bastante apurado." - Varro

"É significativo do insulso das decadentes raças citadinas render homenagem a estas necessidades banais sob a forma de higiene, vegetarismo ou sport como concepções do mundo." - Oswald Spengler

O homem produto da civilização perdeu toda sua vivência interior. É um ser que plasma todas suas experiências no mundo exterior, "no que pode-se ver e tocar". Quê significado tem para os vocábulos como "alma" ou "Espírito"?

O trivium da cultura é a religião, a moral e a arte; o da civilização, a política (votos), a economia (dinheiro) e a técnica (possibilidades práticas). Como vê-se, reduz tudo o que para o homem culto é qualitativo a meras quantidades mensuráveis. Sumida no esquecimento, a vivência íntima cede o posto ao externo, ao puramente superficial.

A sofisticada vida na rube devém em um refinamento que, sem solução de continuidade, desemboca na obsessão pela aparência. Surge a moda entre a plebe para acudir aos balneários com o fim de ostentar publicamente o cumprimento do estrito regime higiênico. Como assinala o historiador Fernando Garcés:

"O conceito de banho não limitava-se a uma imersão, ducha ou libação, senão que, a partir de então (século II a.C. em Roma) começou a implicar também uma sudação controlada, e sua presença não dependia da proximidade de um rio ou uma fonte termal. Igualmente novo foi o fato de que estiveram localizados em espaços urbanos, e não em lugares distantes."

Certamente, os paralelismos com nossa própria época são surpreendentes, conforme as seguintes palavras escritas por Garcés:

"Enquanto as mulheres atenientes deviam resignar-se a viver dentro de casa, as romanas acompanhavam seus maridos neste relaxado estilo de vida. Algumas chegaram a utilizar trajes que mais tarde recordarão os biquinis, e durante um templo inclusive permitiu-se que houvesse banhos mixtos."

Outro dos costumes sociais que tomam auge nestas épocas civilizadas é o da "metrossexualidade", quer dizer, a preocupação pela estética nos varões. Assim, o historiador antigo Procópio, ao narrar os fatos que comoveram Bizâncio durante o reinado do imperador Justiniano, conta que:

"Para começar, os azuis, extremistas, revolucionaram a moda do penteado. Não tocavam a barba e o bigode, senão que adorava deixá-los crescer o máximo possível; cortavam-se os cabelos na frente até as têmporas e atrás deixavam cair compridos e descuidados como os hunos."

Não menos característica é a atenção desmedida pela indumentária, que converte-se em emblema de distinção social:

"Todos tinham muito em conta a elegância e punham-se vestidos muito mais vistosos de quanto correspondesse-lhes por sua condição: está claro que o conseguiam por meios ilícitos."

Neste aspecto os romanos não ficavam atrás. De fato, o costume atribuído às mulheres da depilação corporal foi uma prática muito estendida entre os homens. Os apipalarius ou escravos especializados nesta missão foram muito valorizados na Roma imperial.

Em um artigo sobre a história da estética, publicado na página http://www.ausironature.com/, reconhece-se que:

"No Império romano a estética constituiu uma autêntica obsessão. Homens e mulheres entesouravam fórmulas cosméticas, maquiavam-se, penteavam-se e depilavam-se por igual."

Resulta enigmático observar que as modas destinadas a ressaltar a superficialidade costumam aflorar em épocas consideradas como "imorais" ou "decadentes". Não é precisamente a nossa uma destas? O que importa mais a um varão jovem de hoje, sua incipiente calvície ou os massacres de seres humanos que realizam-se nas clínicas abortivas de nosso país?

Certo é que Spengler advertiu-nos que cada cultura tem sua própria moral. Mas isso não deveria incitar-nos, e menos em nossos tempos, a não responder a esta pergunta. Principalmente, porque renegar nossa moral significa, em um sentido profundo, renegar a nós mesmos.


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