domingo, 24 de julho de 2011

A Relação entre as Culturas Celta e Hindu

por Druuis Belenios Ategnatos

Os povos celtas são definidos para o propósito desse artigo como referindo-se àqueles povos que no passado falaram uma língua do ramo celta da família linguística indo-européia e que também viveram segundo à cultura antiga considerada como sendo aquela dos falantes de línguas celtas como baseada nas tradições e históricas celtas e na arqueologia. Evidências arqueológicas e linguísticas traçam-nos ao vale do rio Danúbio nos arredores 6.000 a.C., e anteriormente à região do Mar Aral na Eurásia Central. No Oeste da China em particular, há muita evidência para uma cultura de um povo que parecia-se fisicamente muito com os celtas europeus até que o povo túrquicos uigúres e outros chegassem à região por volta do século VIII. Múmias com traços europeus tem sido encontradas naquela região desde 1.500 a.C. O cabelo vermelho ou olhos verdes ocasionais encontrados naquela e em regiões vizinhas é tomado como evidência de que esse povo próximo aos celtas foi absorvido em vários povos que ainda vivem nas áreas em questão, incluindo Xinjiang, Afeganistão, Paquistão, Cazaquistão, Tibet e Nepal. Interessantemente, eu conheço uma pessoa de ascendência irlandesa que converteu à religião Sikh, e em seu turbante, ele às vezes é confundido por um indiano do norte pelos indianos. Também é dito que Genghis Khan tinha cabelos vermelhos e olhos cinza; eu até mesmo li relatos de tribos e cabelos ruivos nas estepes e desertos das regiões próximas, do século XIX.

Em histórias tradicionais da Índia, como os Puranas e Brahmanas, é indicado que em adição aos reinos do norte da Índia, houve reinos ao norte dos Himalaias com a mesma cultura que havia na Índia, o que seria nas regiões que nós estamos considerando para os povos celtas. Mais importante é a famosa terra de Uttara Kurus, descrita como um paraíso espiritual ao norte dos Himalaias. Comparações entre a cultura celta européia e a cultura hindu mostram um grande número de similaridades entre elas. Algumas dessas foram demonstradas em um artigo de duas partes que apareceu em maio e junho na revista Hinduísmo Hoje. Portanto, nós temos uma evidência cultural que apoia as tradições e a arqueologia.


Religiosamente, sabe-se que esse povo védico ruivo do norte converteu-se em algum ponto ao budismo. Certas fontes tradicionais indicam que eles aprenderam o budismo do Buda anterior a Siddhartha Gautama, que era chamado Kashyapa. Um rishi Kashyapa também aparece como um dos rishis védicos mais antigos e como associado com regiões nórdicas como Kashmir, que era originalmente chamada Kashyapa Mira ou Lago Kashyapa. A literatura tibetana, me foi dito, indica que eles aprenderam seu budismo, não da Índia, mas de "Shamballa" que é localizada exatamente onde esses povos viviam.

Porém, os celtas europeus claramente praticaram, e alguns ainda fazem-no, tipos religiosos védicos mais ortodoxos, com tradições similares de cânticos, rituais, adoração, mantras e meditação, com paralelos diretos com a maioria das seitas hindus ortodoxas antigas e modernas encontrada na Índia. Assim, é teorizado por alguns estudiosos que os dois ramos separaram-se porque os celtas mantiveram o dharma antigo, enquanto o povo que ficou nas regiões ao norte dos Himalaias aceitaram o budismo, talvez do Buda Kashyapa.

Um dos traços característicos da cultura celta é o uso do alfabeto sagrado Ogham (pronunciado Oh-wum) pelos Druidas, que são Brâmanes celtas. Muitos estudiosos acreditam que o Ogham foi usado apenas pelos irlandeses, e não por outros celtas. Porém, isso é claramente refutado pelas muitas inscrições em ogham aparecendo em diferentes lugares, incluindo França, Ibéria (Espanha e Portugal), o vale do Danúbio, e as regiões Tocharianas. Ademais, inscrições do ogham tem sido encontradas em antigos locais no Japão, alguns deles megalíticos. Um estudioso japonês que estudou essas inscrições e os locais nas quals elas são encontradas acredita que as inscrições indicam que alguns dos monges budistas que trouxeram o budismo ao Japão eram tocharianos, ou mantinham o uso do sistema sagrado de escrita dos tocharianos.


Também há muitas evidências de varios tipos de que celtas cruzaram o Atlântico da Europa para a América do Norte há muitos milênios, muito antes das incursões vikings na América do Norte, que talvez seguiram rotas celtas. A evidência é arqueológica, epigráfica, linguística, folclórica, entre outras. Índios americanos com traços mais europeus foram reportados pelos primeiros colonos europeus na região.

Origens Védicas dos Europeus: Os Danavas, Filhos de Danú

Muitos antigos povos europeus, particularmente os celtas e germanos, consideravam a si mesmos como filhos de Danú, com Danú significando a Deusa-Mãe, que também era, como Sarasvati no Rig Veda, uma Deusa-rio. Os celtas chamavam a si mesmos "Tuatha Dé Danann", enquanto os germanos tinham um nome similar. Nomes de antigos rios europeus como o Danúbio e vários rios chamados Don na Rússia, Escócia, Inglaterra e França refletem isso, como nomes de locais como Dina-marca (Danava-Marga), para mencionar apenas alguns. O Danúbio que flui na direção do Mar Negro é seu rio mais importante e pode refletir suas origens orientais.

Em verdade, o termo Danu ou Danava (plural de Danu) parece formar o substrato da identidade indo-europeia à base de elementos helênicos, iliro-vênetos, ítalo-celticos, germânicos e balto-eslávicos. Os gregos do norte também eram chamados Danuni. Assim, os arianos europeus poderiam provavelmente todos ser chamados Danavas.

Segundo fontes romanas, Tácito em seus Anais e Histórias, os germanos afirmavam ser os descendentes de Mannus, o filho de Tuisto. Tuisto está relacionado ao védico Tvashtar, o Deus-Céu védico, que também é o nome para o pai de Manu (RV X.17.1-2). Isso faz o povo do Rig Veda também descendente de Manu, o filho de Tvashtar.

No Rig Veda, Tvashtar aparece como o pai de Indra, e confecciona o Raio (Vajra) para ele (RV X.48.3). Porém Indra às vezes entra em conflitos com Tvashtar porque está compelido a superá-lo (RV III.48.3-4). Em outro ponto o filho de Tvashtar é Vishvarupa ou Vritra, que Indra mata, cortando suas três cabeças (RV X.8.8-9), (TS II.4.12, II 5.1). Indra mata o dragão, Vritra, que jaz aos pés da montanha que segura as águas, e emana os sete rios que fluem para o mar. Em várias instâncias, Vritra é chamado Danava, o filho da Deusa Danú que é ligada ao mar (RV I.32.9; II.11.10; III.30.8; V.30.4; V.32).

Nos Brahmanas Vishvarupa/Vritra é o filho de Danu e Danayu, os nomes de sua mãe e pai (SB I.6.3.1, 8, 9). Claramente Vritura é Vishvarupa, o filho do Deus Tvashtar e da Deusa Danu. Danava também quer dizer uma serpente ou dragão (RV V.32.1-2), o que não é apenas um símbolo de sabedoria mas de poder e tanto a sabedoria védica como européia antiga tem suas serpentas ou dragões bons e maus.

Nessa curiosa história tanto indra como Vritura aparecem ultimamente como irmãos porque ambos são filhos de Tvashtar. Nós devemos também notar que Tvashtar confecciona o raio para Indra para que ele mate Vritura (RV I.88.5). Indra e Vritra repressentam as forças de expansão e contração ou as dualidades inerentes em cada um de nós. Eles são ambos inerentes em Tvashtar e representam os dois lados do Criador ou da criação como conhecimento e ignorância. Como Vritra também é o filho de Tvashtar e Danu, Indra deve ultimamente também ser um filho de Danu. Tanto os arianos védicos como os arianos proto-europeus são filhos de Tvashtar, que era às vezes não o Deus supremo mas um demiurgo que deve ser superado.

Os Danavas nos Puranas (VaP II.7) são os filhos do Rishi Kashyapa, que ali assume o papel de Tvashtar como o principal pai criador. Kashyapa é um grande rishi conectado com os Himalaias. Ele é o oitavo ou principal Aditya (Deus Sol) que não deixa o Monte Meru (Taittiriya Aranyaka I.7.20), a montanha mundial das fáblas. Kashyapa é associado com Kashmir (Kashyapa Mira ou Lago Kashyapa) e outras regiões dos Himalaias (as terras védicas de Sharyanavat e Arjika, RV IX. 113.1-2), que conecta os Danavas ao noroeste. O Mar Cáspio também pode ser nomeado relativo a ele. Os proto-europeus, portanto, são os filhos de Tvashtar ou Kashyapa e Danu, através de seu filho Manu. Eles são tanto Manavas e Danavas, como também Aryas.


No Rig Veda, Danu como Dasyu refere-se a um povo inimigo e é geralmente um termo vexatório (RV I.32.9; III.30.8; V.30.4; V.32.1, 4, 7; X.120.6). Os Danavas ou descendentes de Danu são geralmente inimigos do povo védico e seus Deuses. Portanto, assim como o rompimento Deva-Asura ou Arya-Dasyu é refletido no rompimento entre os hindus védicos e os persas, pode-se propor que o rompimento Deva-Danava reflete outra divisão nos povos védicos, incluindo aquela entre os arianos proto-indianos e os arianos proto-europeus. Nesse processo o termo Danu foi adotado pelos proto-europeus e tornou-se denegrido pelos povos védicos seguintes.

Nós deveríamos também lembrar que nos Puranas (VaP II.7), como nos Vedas o termo Danavas refere-se a um grande grupo de povos, muitos inimigos, mas outros amistosos, bem como a vários demônios míticos. No Rig Veda, os Danavas são chamados amanusha ou inumanos (RV II.11.10) como opostos aos humanos, Manusha. Os europeus possuíam entidades negativas similares como os Titãs gregos ou os Fomorii celtas que correspondem mais ao lado mítico dos Danavas como poderes de trevas, ou do submundo como os Asuras e Rakshasas védicos. Estes Danavas míticos dificulmente poderiam ser reduzidos aos Arianos proto-europeus ou a qualquer outro grupo de pessoas.

O acadêmico celta Peter Ellis nota, "os épicos irlandeses contém muitos episódios da luta entre os Filhos de Domnu, representanto as trevas e o mal, e os Filhos de Danu, representando a luz e o bem. Ademais, os Filhos de Domnu nunca são completamente superados ou erradicados do mundo. Simbolicamente, eles são o mundo. O conflito é entre as 'águas do Céu' e o 'mundo'". O mesmo pode ser dito das guerras védicas de Devas e Danavas ou das guerras Puranicas/Brahmanicas de Devas e Asuras.

Os Bons Danavas (Sudanavas)

Os Maruts nos Puranas (VaP II.6.90-135) são chamados os filhos de Diti, uma esposa de Kashyapa, que é às vezes equacionado com Danu. Seus filhos são chamados os Daityas, termos que nós encontramos também conectado com os persas, como o nome do rio em sua pátria original (Vendidad Fargard I.3). Ainda que representados como inimigos de Indra, os Maruts vieram a ser seus companheiros e eram grandes Deuses eles mesmos. Como Deuses dos ventos eles tinham controle do Prana e de outros siddhis (poderes ocultos). Eles também são os filhos de Rudra-Shiva e chamados Rudras, como os iogues shivaístas de tempos posteriores. Eles eram grandes sábios (RV VI.49.11), homens (manava) com línguas de fogo e olhos do Sol (RV I.89.7). Eles eram livres para viajar por todo o mundo e não eram obstruídos por montanhas, rios ou mares (RV V.54.9; V.55.9).


O Rig Veda contém muitas instâncias onde Danu tem um significado positivo indicando abundâncias ou mesmo representando o próprio divino em geral. Danucitra, significando riqueza da luz, ocorre algumas vezes (RV I.174.7; V.59.8). Os Maruts são chamados Jira-danu ou no plural Jira-danava ou Danus velozes, talvez Deuses velozes (RV V.54.9). Esse termo Jiradanu ocorre em outros lugares como o dom dos Maruts na última linha da maioria dos hinos de Agastya (RV I.165-169, 171-178,180-186,189,190). Mitra e Varuna são ditos Sripra-danu ou generosos e seus muitos dons, danuni, são elogiados (RV VIII. 25.5-6). Os Ashvins são chamados lordes de Danuna, Danunaspati (RV VIII 8.16). O Soma também é chamado Danuda e Danupinva, Danu generoso ou abundante com Danu (RV IX.97.23), conectando Danu com água ou outros rios.

Os Maruts são tipicamente chamados Sudanavas, bons em dar ou bons (Su) Danus (RV I.85.10; I.172.1-3;II.34.8; V.41.16; V.52.5; V.53.6; VI.66.5; VI.66.5; VIII.20.18, 23). Similarmente, os Vishvedevas ou deuses universais são chamados Sudanavas (RV VIII.83.6,8,9), assim como os Adityas (RV VIII.67.16), os Ashvins (RV I.117.10,24) e Vishnu (RV VIII 24.12). O termo também ocorre em um hino a Sarasvati (RV VII.96.4), onde Sarasvati é chamada a amiga ou compaheira dos Maruts (Marutsakha; RV 96.2). Mais importante, há uma Deusa chamada Sudanu Devi (RV V.41.18), que é provavelmente outro nome para a mãe dos Maruts. Os Maruts em particular ou os Deuses em geral seriam, então, os filhos de Sudanu ou Sudanavas. Isso sugere que talvez Danu, como Asura, tivesse sido antes uma palavra positiva e significasse divino. Havia não apenas um Danu maligno mas um bom ou Sudanu. No Rig Veda as referências aos Sudanavas são em maiores números que aquelas aos Danava como termo inimigo.

Os Maruts são chamados Sumaya (RV I.88.1), tando um poder bom (Su) ou divino de Maya, que representa um poder mágico, ou Mayina (RV V.58.2), possuídos pelo poder de Maya. Danu é provavelmente, em alguns sentidos, um sinônimo de Maya, um poder de abundância mas também de ilusão. Como a raiz Ma, a raiz Da significa "dividir" ou "medir". Maya é o poder dos Danavas (RV II.11.10). Os Danavas, particularmente Ahi-Vritra, são representados como serpentes (RV V.32.8), particularmente a serpente que habita aos pés da montanha que represa as águas celestiais, a qual Indra mata de modo a soltar as águas. Maya ela mesma é o poder da serpente.

Os Maruts como Deuses dos ventos são poderes dos raios, o qual no pensamento védico ou antigo era considerado como sendo uma serpente ou um dragão. Os Maruts são as boas serpentes, brilhantes como serpentes (RV I.171.2). Os Maruts ajudam Indra em matar Vritra e são seus principais amigos e companheiros. Indra é chamado Marutvan, ou possuído pelos Maruts. Seu líder é Vishnu (RV. V.87), que é chamado Evaya-Marut. Com Rudra (Shiva) como seu pai e Prishni (Shakti) como sua mãe, eles refletem todos os Deuses do Hinduísmo posterior. Como os filhos de Shiva eles estão conectados com Skanda, Ganesha e Hanuman.


Talvez esses Sudanavas ou bons Danus são os Maruts, que em suas viagens guiaram e lideraram muitos povos incluindo os celtas e outrs europeus seguidores de Danu. Como os filhos de Rudra, nós observamos várias figuras similares como Cernunos entre os celtas, que como Rudra é o senhor dos animais e é representado em uma postura iogue, como no Caldeirão Gundestrop. Se os Maruts foram responsáveis por difundir a cultura védica, como eu propus, eles podem ter chamado seus filhos, os filhos de Danu, em um sentido positivo. Nós poderíamos também dizer que os Sudanavas eram os Maruts, Druidas e outras classes Rishis, enquanto os povos que eles governavam, particularmente os rebeldes Kshatriyas ou classes guerreiras poderiam tornar-se Danavas no sentido negativo quando eles recusavam-se a aceitar orientação espiritual.

Nós sabemos tanto de textos celtas e védicos que os primeiros arianos, como outros povos antigos, estavam sempre lutando uns com os outros em vários conflitos locais, particularmente pela supremacia em sua região particular. Isso levou a vários divisões e migrações através dos séculos, o que nós não podemos sempre tomar em um sentido exagerado, na medida em que os príncipes guerreiros da Índia e da Irlanda permaneceram parte da mesma cultura e continuavam a casar uns com os outros. Portanto, qualquer conflito possa ter ocorrido entre os arianos proto-europeus e aqueles do interior da Índia, eram apenas parte dos vários conflitos entre diferentes famílias principescas que ocorriam dentro desses grupos também. Isso foi esquecido com o tempo.

Os arianos europeus tinham Deuses como Zeus, Thor e Jupiter que servem como as contrapartes de Indra como o Deus do céu, o Deus das chuvas, do raio e do relâmpago. Portanto, nós não podemos ler a divisão entre os arianos do Rig Veda e os Danavas como uma rejeição do Deus Indra pelos proto-europeus. Em adição, os arianos proto-europeus continuam a usar o termo Deva como divino como no latim Deus e grego Theos, diferentemente dos persas que fizeram Asura significar divino e Deva significar demônio. Eles também conhecem Manu, que os persas parecem ter esquecido e apenas mencionam Yima (Yama). Diferentemente dos persas, que desenvolveram uma tradição anicônica (anti-imagem) e quase monoteísta, os arianos proto-europeus mantiveram uma tradição pluralista, usando imagens, e adorando muitos Deuses e Deusas, como os védicos. Isso sugere que sua divisão do povo védico ocorreu muito antes que aquela dos persas ou iranianos, e que eles levaram consigo uma forma maior e mais antiga da religião védica.

Migrações para fora da Índia ou da Ásia Central

Nós notamos que Danu ou Danava como um termo para um povo inimigo ou mesmo um anti-deus, como Deva e Asura, provavelmente reflete algum rompimento nos povos arianos. Isso poderia ser o conflito entre os Purus, o principal povo védico localizado no rio Sarasvati próximo a Delhi, e os Druhyus, que localizavam-se ao noroeste do Afeganistão, que lutaram bem no início do período Rig Védico.

Certamente, nós podemos apenas equacionar os proto-europeus com o noroeste da Índia ou da grande Índia que estende-se para dentro do Afeganistão e da Ásia Central. Se eles podem ser conectados com qualquer grupo entre os cinco povos védicos devem ser os Druhyus.

Porém, nós encontramos reinos Druhyu continuando por algum tempo na Índia e dando nomes às regiões como Gandhara (Afeganistão) e Aratta (Punjab) conectados mais com povos iranianos ou citas. Ainda assim, nós notamos uma conexão entre os citas e os celtas, cujos sacerdotes druidas conectam a si mesmos com os citas em um período anterior. Os citas também mantinham um comércio da Índia para a Europa que continuou por muitos séculos. Nesse sentido os proto-europeus poderiam ser uma derivação da Índia ariana por migração, difusão cultural, ou o que é mais provável, uma combinação de ambos.


Ainda que os Druhyus e os proto-europeus possam estar conectados, é difícil confirmar particularmente na medida em que os europeus eram de um tipo étnico muito diferente (Nórdico e Alpino) do que a maioria dos indianos e iranianos, que eram do ramo mediterrâneo da raça caucasiana.

Porém, é possível que tipos étnicos europeus vivessem no antigo Afeganistão e na Ásia Central, mesmo em Kashmir, onde nós encontramos alguns desses tipos mesmo hoje. A evidência dos Tocharianos sugere isso. Os Tocharianos (Tusharas) foram um povo falante de uma língua indo-européia próximo às européias, e também demonstravam traços nórdicos ou alpinos, como cabelos loiros e ruivos. Eles viveram na Bacia do Tarim no oeste da China que dominava a região até a invasão muçulmana no século VIII d.C. quando eles já haviam virado budistas. Eles podem ter relação com as múmias de aparência europeia encontradas naquela área datando de 1.500 a.C. Eles também estavam presentes no oeste da China ao redor de Langchou nos primeiros séculos a.C. A língua tochariana possivelmente está relacionada aos ramos celta e itálico, assim como seus traços físicos assemelham-se aos europeus nórdicos. A região da Bacia do Tarim foi posteriormente considerada como a terra de Uttara Kurus e como uma terra dos deuses. Assim tais grupos não eram sempre censurados como bárbaros nas fronteiras, mas eram às vezes honrados como extremamente avançados e espirituais.


A evidência não mostra uma invasão/migração ariana na Índia em tempos antigos, certamente não após a era Harappa (3.000 a.C.) e provavelmente não antes. Nenhuma evidência genética ou antropológica ou outras evidências foram encontradas para provar isso. Similarmente, nós não encontramos evidência de migração de povos índicos interiores para o oeste, o povo escuro que era proeminente no subcontinente no noroeste. Mas se os mesmos tipos étnicos que os dos europeus estavam presentes no oeste da China, no Afeganistão ou no noroeste do Irã, como no vale Fergana (Sogdia), tal migração para o oeste seria possível, particularmente considerada sua familiaridade com cavalos. Nesse caso a comunalidade das línguas indo-européias não se sustentaria sobra uma etnia comum com os indo-arianos do interior mas sobre uma etnia comum com os arianos periféricos do noroeste da Índia.

Também é possível que os povos europeus derivaram sua cultura ariana da influência dos povos védicos, provavelmente principalmente dos Druhyus mas também dos Citas (que podem eles mesmos ter sido Druhyus), que migraram para a Ásia Central e trouxeram sua cultura a grupos maiores de europeus que já viviam na Europa e na Ásia Central. Os europeus podem ter pego uma influência ariana indiretamente do contato com vários rishis, príncipes ou mercadores, sem qualquer ligação genética ou familiar significativa com povos índicos. Ou alguma combinação pode ter existido. Tais povos com culturas mais védicas como os celtas podem ter derivado principalmente de migrações, enquanto outros como os germanos principalmente através de difusão cultural. Em todo caso, vários meios de arianização existiram que podem explicar a difusão da cultura védica dos Himalaias para a Europa, dentre as quais uma migração efetiva de povos do interior da Índia não precisa ser o único ou mesmo o principal fator.

Nós notamos de fato que os nomes de rios como o Don, Dnieper, Dneister, Donets e Danúbio ao norte do Mar Negro são cognatos com Danu. Isso poderia refletir tais movimentos de povos do Ásia Ocidental ou Central, incluindo migrantes originalmente de regiões da grande Índia e do Irã. Ao fim da Idade do Gelo, conforme a Europa tornou-se mais quente, ela tornou-se uma terra adequada para a agricultura. Isso a tornaria um lugar desejável para migração para povos do leste e do sul, que estavam tornando-se regiões mais secas.

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