segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Corneliu Codreanu: O Herói da Romênia

por Juan de Áluta




Quando, nas suas reflexões sobre a História Universal, Jacob Burckardt se enfrenta com o problema da grandeza histórica, quer dizer, com os homens excepcionais e a sua missão no Mundo, verifica, como, aliás, em poucas ocasiões, que as interpretações racionalistas e positivistas são incapazes de dar uma explicação suficiente deste fenómeno capital. E, nas páginas do grande professor de Basileia, encontramos, possivelmente pela primeira vez, frases como esta: "A verdadeira grandeza é um mistério. A escala de valores, que aplicamos, é incerta, irregular. Sem o homem superior, o Universo aparecer-nos-ia incompleto, porque determinadas acções grandes não podem ser realizadas, senão por ele, na sua época, no seu meio e, ainda, porque seriam imperceptíveis de qualquer outro modo."

Os povos só vivem momentos excepcionais através de homens excepcionais. Os próprios povos, cuja história se não encontra em condições de lograr projecção sobre o mundo, num sentido de História objectiva, só manifestam a sua existência por intermédio dos seus símbolos humanos de excepção.

A história do povo romeno foi, acima de tudo, um problema de destino. Toda a historiografia, de tipo objectivo, lhe regista poucas acções com projecção universal. Mas, apesar disto, a sua História foi uma História de missão e de integração total no destino europeu. E tudo isto foi possível através das suas grandes figuras nacionais.

E só foram grandes figuras as que souberam dar ao seu destino um sentido universal!

Nesta linha situam-se os seus maiores Príncipes — um Mircea, o Velho, um Estêvão, o Grande, e um Miguel, o Valente, primeiro unificador das terras romenas, defensoras do Continente, nos seus limites e nas suas entranhas.

Os momentos que, uns e outros, representam e marcam, são, incontestavelmente, momentos autênticos, quer dizer, momentos de exaltação ou, numa palavra, instantes históricos excepcionais.

É já um lugar comum, sobretudo para os que julgam o fenómeno histórico com critérios positivistas e com medidas próprias de uma paralisia espiritual, mais ou menos acentuada, afirmar que, para se julgarem, devidamente, uma figura e um momento histórico e cultural, é necessária uma apreciável perspectiva, ou seja uma grande distância de tempo.

Como se, para um apaixonado do momento napoleónico — espiritualmente integrado no destino do grande chefe — fossem indispensáveis cem anos, para conseguir verificar que se viveu, naquela época, um momento histórico de excepção!

As perspectivas históricas constituem um problema de existência e de sensibilidade, e não, como, se pretende, uma questão de distância material.

Por tal motivo, na mais imediata análise da história romena, pouca importância tem a brevidade do tempo decorrido para se verificar que o momento vivido através da presença do Movimento Legionário e do seu Fundador, é um momento de projecção universal, no mais rigoroso sentido dos termos, isto é, de autêntica projecção dos valores do Espírito.

Corneliu Codreanu faz a sua aparição na cena histórica, no momento em que, segundo as interpretações tradicionais acerca das crises e das revoluções, o povo romeno se encontrava, menos do que nunca, preparado e necessitado de uma transformação fundamental nas suas instituições básicas e nas suas perspectivas espirituais.

Efectivamente, como consequência da primeira guerra mundial, o povo romeno tinha logrado realizar a sua unidade nacional, pela integração, dentro da mesma forma estadual, de todos os grupos étnicos, disseminados, anteriormente, sob a influência de outros domínios.

Por consequência, um movimento revolucionário não podia invocar, como razão das suas actividades, quaisquer reivindicações de tipo territorial.

Além disso, durante os anos que se seguiram à Grande Guerra, os problemas, de tipo económico e social, suscitados na Roménia, foram em tão reduzido número que qualquer movimento revolucionário não podia fixar raízes num terreno, que ficava, por íntimas razões, afastado das convulsões de natureza marxista.

O movimento nacionalista, de tipo anti-comunista e anti-semita, conhecido na Roménia pela designação de Geração de 1922, nascido sob a autoridade espiritual do Professor Gusa e no qual Codreanu, muito novo ainda, tomou parte, desapareceu, não obstante a sua consequência, da grande luta dos partidos.

A Codreanu, visionário das grandes possibilidades espirituais do seu povo apresentou-se o momento próprio para aproveitar o espírito daquele momento de juventude.

Deve ter verificado, desde o primeiro momento, que o povo romeno apresenta grandes reservas de natureza moral e espiritual e que só pondo-as em equação, se poderia realizar um grande momento histórico romeno.

O regresso às grandes linhas da tradição romena: a exaltação dos antigos valores da estirpe; a Fé profunda em Deus e a crença de que a História é um problema de destino e, por consequência, submetida a Deus e aos Seus desígnios; a recuperação dos valores fundamentais do homem, através da criação do Homem Novo, completamente oposto ao Homem Massa símbolo crepuscular da nossa época — eis os problemas capitais, que dominavam o espírito de Codreanu, ao fundar, em Junho de 1927, a Legião de S. Miguel Arcanjo.

Nos primeiros momentos, teve, à sua volta, sete fidelíssimos elementos, jovens como ele e, como ele, terrivelmente pobres, que tinham experimentado já os sofrimentos físicos e morais e que estariam dispostos, alguns anos mais tarde, a suportar o martírio, com uma resignação verdadeiramente cristã.

Dez anos decorridos, surgiria uma geração disciplinada, fanática na sua fé em Deus e nos destinos da sua Pátria, organizada em comunidade verdadeiramente ecuménica, capaz de grandes sacrifícios e, sobretudo, com uma visão da grandeza nacional nunca, até então, registada na História do povo romeno.

Quis o Capitão que a Legião fosse, acima de tudo, uma escola, uma grande escola espiritual, afastada das preocupações políticas e destinada a formar homens — homens autênticos, capazes de encontrar a solução para todos os problemas da vida e da Nação, ultrapassando qualquer critério programático, qualquer sistema ou qualquer orientação existente, de sentido político.

O eco desta chamada de retorno aos postulados fundamentais da vida, a luta permanente contra as alterações do espírito, esta filosofia revolucionária, única no século em que, tanto as revoluções, como as contra-revoluções levavam a marca inconfundível do materialismo e das preocupações sociais da vida — este eco foi imenso, como se anunciasse o regresso de uma nova Idade Média, no sentido mais positivo do termo.

O exemplo oferecido pelo Movimento Legionário romeno, que, durante vinte anos, depois de ter suportado, ininterruptamente, no mais vivo da sua carne, os mais duros golpes, que atingiram os chefes e os respectivos quadros do Movimento, mantém íntegra a sua essência espiritual, a sua posição e os seus núcleos de combate — constitui uma prova bem clara de que a nossa época é capaz de exaltações espirituais.

Esta exaltação foi possível na Roménia pela presença polarizadora e integradora de Corneliu Codreanu, profundo visionário dos valores da sua Nação.

"O mundo legionário — dizia, uma vez, a voz inspirada de Victor Puin Garcineau, doutrinador do movimento — surge das virtualidades do povo romeno pela presença polarizadora do Capitão.

A personalidade deste Homem é essencialmente romena, porque é o único homem que crê em Deus. E não crê, apenas, vai mais longe; porque crê, igualmente, que a política se deve subordinar também à vontade de Deus.

Este Homem é, ao mesmo tempo, um cerebral e um sentimental, racional e místico, bom e severo, voluntário e calmo, orgulhoso e modesto, tenaz sem rigidez, idealista sem resvalar em utopias, visionário das grandes possibilidades romenas, dotado de uma forte energia espiritual acompanhada por igual energia física, pedagogo e comandante, paciente, prudente, senhor dos seus sentimentos, apesar de tumultuoso na estrutura dos seu temperamento, valente e, sobretudo, moral, na mais rigorosa expressão da palavra, ou seja completamente livre de imperativos pessoais; numa palavra: Homem predestinado para os altos domínios colectivos".

Nos livros que Corneliu Codreanu escreveu e legou, tanto para os seus discípulos, como para o mundo extra-romeno, sentem-se, em todas as suas dramáticas dimensões, a trajectória histórica e espiritual da sua vida e as linhas essenciais da sua filosofia revolucionária.

Livros como "Para os Legionários" (interrompido a meio pelo martírio do autor); "A Cartilha do Chefe de Nido" (contendo as directrizes da organização do Movimento; "Circulares e Manifestos" (documento importante sobre a vida e o espírito da organização) e "Memórias" (documento confessional de grande profundidade cristã, escrito por Codreanu no cárcere, poucos meses antes de ser assassinado pelo rei Carol) — livros, como estes, bastam para demonstrar-nos que o Movimento Legionário não foi uma organização política, com critérios políticos, mas, sim, e acima de tudo isso, uma Escola de grandes possibilidades e que o seu Chefe e Criador se integra no pequeno e reduzido número de homens, que lograram, alguma vez, na História dos povos, auscultar o pulso do Destino que só a eles se revela.

A presença de Codreanu, na História do seu povo, foi como presságio de futuras convulsões, que viriam destruir, por completo, as instituições existentes.

Nem o anti-comunista, nem o anti-semita, nem, tão pouco, o anti-democrático da sua doutrina, representam verdadeiramente, a essência do seu pensamento revolucionário. Não se tratava, apenas, de um sistema político ou de um paradigma de soluções para os grandes problemas sociais e económicos do seu povo.

Procurava-se, antes e acima de tudo, realizar a tarefa contínua de humanizar, outra vez, o homem, situando-o na sua condição de ser criado à imagem e semelhança de Deus; de restaurar o Homem, depurado de escombros, com a garantia de que, uma vez conseguido este objectivo, não haveria sistema, nem técnica, no mundo, que pudesse realizar melhor os grandes postulados de justiça e de liberdade, pelos quais, afinal, tanto tem trabalhado a humanidade!

A luta, os ideais e o sacrifício do Fundador do Movimento Legionário romeno não foram estéreis — e o que, para os cépticos, acostumados a medir tudo com critérios positivistas, parecia utópico, os factos demonstraram que não se tratava de uma utopia.

Uma geração inteira se educou e manteve dentro desse mesmo espírito.

Em frente dos mais terríveis e contraditórios golpes, que possam atingir uma comunidade revolucionária — esta, criada e vitalizada por Codreanu, manteve-se firme, inabalável, e é, ainda hoje, a única garantia de luta efectiva, constituindo o mais decisivo instrumento da resistência nacional romena, ao meio da confusão e da tragédia nacional.

E tudo isto foi possível, graças à intuição e visão de grandeza, que teve, inspirado no espírito de Cristo, um Homem, que passou pelo mundo e que se chamou: Corneliu Codreanu.

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