domingo, 6 de novembro de 2011

O Caráter Conservador do Culto Skinhead

por Davi DeLarge

Quando falo “conservador” quero dar a entender o oposto de “liberal”. São termos que ninguém é obrigado a atentar de primeira, principalmente fora dos meios estudantis e acadêmicos, já que nenhum Skinhead estuda ciências políticas (pretexto pra fumar ganja e freqüentar vadias bêbadas). Bom, assim espero.

Sabemos que a origem do Skinhead é incerta. Mas nos subúrbios cockney (leste londrino) sempre existiram jovens ganguistas usando botas de trabalho e suspensórios. Isso muito antes da imigração jamaicana, apesar da nova geração de “plastic skins” pensar que a música é fator predominante. Nunca foi! E pasmem: nem a cabeça raspada!

O que podemos precisar é que o Skinhead mais ou menos como entendemos hoje data do final dos anos 60 com um racha nos mods, já que alguns foram pras universidades e outros pros estádios. Particularmente não creio na influência dos rude boys para além da música e do “pork pie hat”. O Skinhead é uma evolução dos mods trabalhadores (hard mods). Alguns Skins escutavam ska e reggae, outros glam rock, depois começa a identificação com o punk de rua através de bandas remanescentes do pub rock. O que a nova geração precisa entender é que Skinhead é atitude e essa não tem nada a ver com a do tal filme. Só se sabe a real ganhando algumas cicatrizes e não passando a noite lombrado dançando reggae. Isso é viadagem!

As subculturas se cruzam gerando uma nova. Exemplo perfeito e mais moderno é o psychobilly, um rockabilly horror com a agressividade do punk. Sacação freak do Paul Fenech que pega influências vindas desde o Screamin’ Jay Hawkins. O que aconteceu com o Skinhead é que além do blues, do teddy boy, do hell angel, do mod, do hippie, ele já nasceu patriota e conservador com consciência de classe. Essa é sua essência. A verdadeira “atitude Skinhead”. Essa mentalidade de nossos congêneres os levaria a tirar sangue dos estudantes que protestavam contra o Vietnam em outubro de 68 ou transformar o paki-bashing em sua principal diversão.

No começo o Skinhead não era “homofóbico” simplesmente porque ainda não existia essa taxação. Mas por ser viril que bicha se enquadraria? Se existem “gay skins” é por puro fetiche. A tatuagem, o coturno, a bomber, o cão bull etc… um estereótipo que atrai algumas bichas (como atrai as mulheres). Mas a convivência é inviável. Se nossa postura os afasta chamaríamos isso de “heterofobia”? Afastam-se e guetizam-se por si, apesar de que nunca foi do nosso interesse sua inclusão. Uma observação interessante é que por se sentirem excluídos precisam dos mimos de seus simpatizantes e do Estado, enquanto nós (segundo os psicólogos e sociólogos) fracassados, acéfalos, amantes da violência para auto-afirmação, não temos amparo nem mimos de ninguém. Vivemos odiados por todos numa guerra declarada, embora orgulhosos sob a “estética do mal”, mesmo os auto-proclamados “Skins vermelhos”. Quem seria tão fraco a ponto de precisar de alguém fazendo sempre um cafuné? Esses coitados que seus problemas e “defeitos” tornam-se um fardo demasiado grande pra carregar e em maior número em prontidão outros pra amparar.

Vivemos uma ditadura do pensamento único. Nos anos 60 o liberalismo já tinha separado a igreja do estado, derrubado regimes com revoluções subvertendo costumes, influenciando nas relações diplomáticas e na criação dum governo mundial. Também já existiam todos esses órgãos de imprensa atuais, as mesmas famílias de banqueiros, as mesmas corporações. Só que não me cabe tentar analisar a sociedade (inglesa) daquela época ou dar qualquer resposta a um comportamento juvenil que nada mais é senão espontâneo e nunca foi entendido detrás de uma mesa ou vagando pátios universitários. Quando o Skinhead surgiu não existiam tão marcadamente os rótulos do marxismo cultural, aquele dedo na tua cara que te taxa de racista, fascista, anti-semita, homofóbico, antidemocrático, antigualitário, careta e outros rótulos se você por acaso não é o maconheiro descoladão, o amante de negros, o magro com cara de doente e o viado fraco da sua turma. Na verdade, o Skinhead foi feito pra esses odiados e orgulhosos que recebem diariamente esse dedo na cara dos “amigos” ou da sociedade em geral, algo que com o pensamento liberal do mundo moderno (ou pós-moderno) tem se intensificado.

Eu não sou escritor, sou Skinhead e faço tal texto pra destacar o caráter conservador do estilo de vida do qual pertenço a mais de uma década entre altos e baixos e pertencerei para o resto da vida. Com todas as minhas cicatrizes físicas e de alma, foi o que escolhi, que a sociedade tem ajudado a me transformar. Quero lembrar aos novatos que assim como fizeram com a história de muitos países (ocidentais principalmente) com a visão histórica linear, os liberais estão mudando a história de nosso culto a seu bel-prazer, e existem muitos parasitas a espreita “suavizando” o Skinhead para encher os bolsos. Livros, filmes, seriados, canecas, brinquedos, cuecas e bandas com paquistaneses.

Quero dizer que o Skinhead autêntico da pós-modernidade precisa ser mais forte do que sempre foi e assumir uma postura marcadamente nacionalista. E acima de tudo não se preocupar em receber rótulos do pensamento dominante. Embora não se queira reconhecer – principalmente por interesses comerciais, fator imperativo na nossa sociedade – o Skinhead sempre foi e sempre será uma expressão espontânea juvenil da classe operária branca conservadora que teria emergido sem a existência da Jamaica ou da Etiópia. Surgiu em solo europeu por jovens violentos e bem alinhados em suas fred perrys inglesas, calçando adidas alemãs e andando em scooters ao velho estilo italiano.

Remember your roots!

In memoriam of Ian Stuart & Dieter (RIP)

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