quinta-feira, 30 de junho de 2011

Poesia e Política

por Juan Pablo Vitali

É inevitável que a política atual careça de uma dimensão poética, porque é parte do materialismo que domina-a. Não há espiritualidade quando o que busca-se é ocupar posições para benefício próprio. Posições manejadas por outros, que são os que exercem o domínio real sobre as condutas, e sobre as coisas. Em lugar do antigo sentido de pertencimento, de luta espiritual, rege a ficção numérica, o indiferenciado, o discurso igual, sob o olhar do poder material cru.

As condutas desenvolvem-se longe dos valores, dos princípios, do elevado, do que encontra-se mais além do meramente material. Por isso, hoje, poucos movimentos políticos atrevem-se a reivindicar para si uma verdadeira dimensão poética. Isso seria ir contra o tempo, contra tudo que a política atualmente pressupõe: o superficial, a submissão ao que os meios de comunicação e os políticos chamam consenso.

Porém ainda que fosse aceite formalmente a poesia, não seria fácil dar com poetas que entendam e sintam a dimensão poética da política. Possivelmente a realidade tenha-os destruído, porque eles resultam duas vezes malditos, uma vez por serem poetas, e outra por responderem a uma cosmovisão elevada, unívoca, suprior. Somente serão promovidos publicamente como poetas aqueles que isolam a poesia do importante, os que respondem ao sistema, disfarçados de diferentes, de sensíveis, de artistas, porém que em última instância representam sempre um papel escrito sob medida por seus mandantes.

Apesar de tudo, não existe outra poesia que aquela que expressa o superior. O demais é um exercício menor, decorativo, que descreve-nos os problemas psicológicos, de patéticos mercenários a serviço da decadência. Porém o elevado, o que é profundo e verdadeiro, ainda isolado sob camadas e camaras de uma realidade adversa, continua sendo verdadeiro.

Sabemos que na antiguidade a linguagem poética tinha outro valor. Não é um segredo que o homem tenha mudado, que tenha apequenado-se, limitando-se a sua dimensão mais grosseira, menos espiritual. Com argumentos falaciosos, derrubaram-se os limites que impediam a descida ao abismo, cortaram-se um a um os laços com o que é elevado, superior, espiritual, com tudo o que faz-nos ser homens, e não sub-homens, meras feras sem espírito, sem cultura, sem identidade, carentes de uma ordem que enfrente a destruição do valioso.

O idioma poética tornou-se incompreensível e desnecessário para o homem atual, do mesmo modo, para os movimentos políticos que buscam consenso, em um meio que valoriza somente o superficial, o material, o prescindível, o capricho, o submetido ao poder econômico, tecnológico e financeiro do supercapitalismo.

O que atualmente denomina-se poesia, é em geral uma forma a mais de degradação. É-o pelo fundo e pela forma, ambos necessários para que exista a criação poética. E ao referir-me à forma, não penso nas rígidas estruturas estéticas de um determinado tempo e lugar, mas sim ao modo apropriado em que deve expressar-se o elevado, que deve ser também elevado, ainda que como é natural, não faça-se sempre do mesmo modo. Porém nada disso é possível sem um espírito de acordo.

A poesia é maldita, quando responde a uma cosmovisão contrária ao atual sentido do mundo, quando seus símbolos expressam uma militância superior, uma grande luta, não do homem abstrato, ou do mero animal numérico, que não pode levá-la a cabo por estar fora de suas possibilidades, mas sim do homem superior, com um espírito elevado, com uma personalidade, orgânico à ordem política justa que garanta sua identidade, seu pertencimento, através do qual sua alma imortal relaciona-se com o universo desde sua morada terrena.

Nesse sentido, nossos poetas responderão sempre ao arquétipo do poeta-guerreiro, porque são parte de uma luta que é em si mesma poética. Não existe entre o simbolismo transcendental do poema e a ação combatente da espada, mais que uma distinção de forma. Animadas ambas por um espírito elevado, orgânico, próximo ao núcleo mais denso da luz, da compreensão e da ação.

O poeta somente pode compartilhar seu destino com os de sua classe, que podem não ser outros poetas, porém devem levar em sua consciência a dimensão poética das coisas. Quando um movimento político representa algo transcendental, busca naturalmente integrar-se, encontrar-se com essa dimensão. Ela dar-lhe-á palavras ao espírito, um verdadeiro nome, uma verdadeira voz. Então, por mais que o sistema cubra-os com camadas e camadas de anonimato, os símbolos poéticos transmitir-se-ão, de espírito a espírito, enquanto sobrem homens habitando uma mesma pátria espiritual, com uma identidade e uma alma, com uma essência primordial que identifique-os, e remeta-os a um território mais além do quotidiano, do que propõe o vazio, a nivelação, o percurso à angústia mediante uma lógica falsa.

A poesia não é para o sub-homem, mas sim para o super-homem, é para o habitante de uma nação mítica, primordial, mas além do vazio quotidiano. A poesia expressa mediante símbolos os caminhos do outro lado das coisas. É um mapa traçado por homens que assumem a militância outorgada pelos deuses, e que em ocasiões, torna-se insuportavelmente solitária. Acaso a imagem mais clara do supracitado seria Ezra Pound, encerrado em sua jaula de ferro rumo ao manicômio, sendo possivelmente o mais são de todos nós. Possivelmente o único são.

Não é a quantidade de leitores nem a publicidade que faz um poeta, mas sim a capacidade de expressar uma realidade superior, que perdura enquanto existe o continente mítico a que pertence sua estética. A alma exerce assim seu domínio e aspira a permanecer, a justificar sua passagem pelo mundo, seu pertencimento ao supra-mundo. Essa consciência é o que diferencia os homens superiores, e às vezes converte-os em líderes, em heróis, em santos, em poetas. Essa direção vertical coloca-nos em um eixo ascendente de consciência, e leva-nos a viver o autêntico, o elevado, o transcendental, o sagrado.

Para esses homens escreve um poeta; para esses, e para nenhum outro.


A Arte de John Everett Millais














Agora é Oficial: Fast Food Controla sua Mente


É oficial. Aquele balde de sorvete realmente pode controlar seu cérebro e dizer "me coma".
Um estudo americano pelo Centro Médico UT do Sudoeste em Dallas descobriu que a gordura de alguns alimentos tais como sorvete e hamburgueres vão direto para o cérebro.
Uma vez lá, as moléculas de gordura acionam o cérebro para enviar mensagens para as células do corpo, alertando-as para ignorar os sinais que suprimem o apetite da leptina e insulina, hormônios envolvidos na regulação do peso - o que pode durar até três dias!
"Normalmente, o nosso corpo é preparado para dizer que quando nós comemos o suficiente, mas isto nem sempre acontece quando estamos comendo algo saboroso", afirmou em um comunicado a pesquisadora Deborah Clegg.

"O que nós mostramos neste estudo é que toda a química do cérebro de uma pessoa pode mudar em um período muito curto de tempo. Nossos resultados sugerem que quando você come algo com elevado teor de gordura, seu cérebro leva uma "pancada" de ácidos graxos, e você se torna resistente à insulina e leptina. E já que você não recebe a ordem para parar de comer, você acaba comendo demais". Os pesquisadores também descobriram que um tipo específico de gordura - o ácido palmítico, que é encontrada na carne, manteiga, queijo e leite, - é particularmente eficaz em instigar esse mecanismo.

O estudo foi realizado em ratos e camundongos, mas os cientistas dizem que seu estudo, publicado no Jornal de Investigação Clínica, reforçaram recomendações comuns de dietas para limitar o consumo de gordura saturada pois elas "fazem com que você comer mais." O estudo foi conduzido expondo ratos e camundongos a gordura de diversas formas - através da injeção de vários tipos de gordura diretamente no cérebro, através da infusão de gordura na artéria carótida ou alimentar os animais através de um tubo no estômago três vezes por dia. Os animais receberam a mesma quantidade de calorias e gorduras e somente o tipo de gordura foi variada. Os tipos incluíram ácido palmítico, ácidos graxos monoinsaturados e insaturados, o ácido oléico que é encontrado em óleos de oliva e uva.
"Este tipo de ação foi muito específica para o ácido palmítico, que é muito rica em alimentos que são ricos em gordura saturada", disse Clegg.

(Por NOM)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Maio de 68

por Alain de Benoist

A comemoração de Maio de 1968 vem-se repetindo a cada dez anos, com a mesma maré de livros e artigos. Estamos no quarto episódio, e os combatentes das barricadas do "bonito mês de maio" tem já a idade suficiente para serem abós. Quarenta anos depois, volta-se a discutir o que ocorreu exatamente nesses dias - e inclusive se ocorreu alguma coisa. Foi maio de 1968 um catalisador, uma causa ou uma consequência? Inaugurou ou acelerou simplesmente a evolução que teria ocorrido de todo modo na sociedade? Psicodrama ou "mutação"?

A França tem a fórmula das revoluções curtas. Maio de 68 não escapou à regra. A primeira "noite das barricadas" teve lugar em 10 de maio. A greve geral teve início em 13 de maio. Em 30 de maio o General De Gaulle pronunciou a dissolução da Assembléia Nacional, enquanto 1 milhão de seus partidários desfilava pelos Campos Elísios. A partir de 5 de junho, o trabalho voltou a começar nas empresas, e umas semanas mais tarde, nas eleições legislativas, os partidos de direita conseguiram um alívio em forma de vitória.

Em relação a outros fatos desenrolados em outras partes da Europa na mesma época, veem-se duas diferenças. A primeira foi que na França em Maio de 68 não foi somente uma revolta estudantil. Também foi um movimento social, porque a França foi paralisada por 10 milhões de grevistas. Dirigida no 13 de maio pelos sindicados, também assistiu-se à maior greve geral registrada na Europa.

A outra diferença, é a ausência de uma prolongação terrorista do movimento. Na França não conheceu-se fenômenos comparáveis aos que conheceram a Alemanha com a Fração do Exército Vermelho (RAF) ou na Itália com as Brigadas Vermelhas. As causas dessa "moderação" tem sido objeto de inúmeros debates. Lucidez ou covardia? Realismo ou Humanismo? O espírito pequeno-burguês que dominou a sociedade provavelmente seja uam das razões pelas quais a extrema-esquerda francesa não inclinou-se para o "comunismo combatente".

Porém efetivamente, não pode-se compreender nada do ocorrido no Maio de 1968 sem que dê-se conta por ocasião desta data da existência de dois tipos de aspirações totalmente diferentes em sua expressão. No momento original da revolta contra o autoritarismo político, maio de 68 foi inegavelmente, um protesto contra a política-espetáculo e o reino do comércio, um retorno ao espírito da Comuna, uma tomada de posições em forma de acusação radical contra os valores burgueses. Este aspecto não foi antipático, ainda que misturassem-se muitas referências antiquadas à ingenuidade juvenil.

O grande erro foi acreditar-se que atacando aos valores tradicionais poder-se-ia lutar melhor contra a lógica do capital. Isto era não visualizar que estes valores, como tudo o que todavia sobrava das estruturas sociais orgânicas, constituíam os últimos obstáculos ao expansionismo planetário desta lógica. O sociólogo Jacques Julliard fez a este propósito uma observação muito justa quando escreveu que os militantes de maior de 1968, quando denunciavam os valores tradicionais, não apercebiam-se que estes valores (honra, solidariedade, heroísmo) eram praticamente os mesmos que os do socialismo, e que suprimindo-os, abriam caminho para o triunfo dos valores burgueses: individualismo, cálculo racional, eficácia.

Houve outro maio de 1968, de inspiração estritamente hedonista e individualista. Longe de exaltar uma disciplina revolucionária, seus partidários queriam acima de tudo "proibir o proibir" e "desfrutar sem impedimentos". Logo deram-se conta de que não era fazendo a revolução, nem pondo-se ao "serviço do povo" como poderiam satisfazer esses desejos. Ao contrário, compreenderam rapidamente que estes seriam satisfeitos mais seguramente dentro de uma sociedade liberal permissiva. Aliaram-se pois ao capitalismo liberal, o que não deixou de garantir a muitos deles vantagens materiais e financeiras.

Instalados hoje nos estados-maiores políticos, nas grandes empresas e nos grandes grupos editoriais e midiáticos, (os sessenteoitistas) praticamente renegaram tudo, não mantendo de seu compromisso juvenil mais que um sectarismo imutável. Aqueles que queriam empreender uma "longa marcha" "contra as instituições" acabaram por instalar-se nelas comodamente. Aderidos à ideologia dos direitos humanos e à sociedade de mercado, são estes renegados que hoje declaram-se "anti-racistas" para fazer esquecer melhor que já não tem nada para falar contra o capitalismo. Também graças a eles o espírito "bo-bo" ("burguês-boêmio", quer dizer, liberal-libertário) triunfa já em todas as partes, enquanto que o pensamento crítica está mais marginalizado do que nucna. Neste sentido, não resulta exagerado dizer que ao final é a direita liberal a que vulgarizou o espírito "hedonista" e "anti-autoritário" do Maio de 69. No mais, Nicolas Sarkozy, graças a seu estilo de vida, aparece como um perfeito sessenteoitista.

Simultaneamente, o mundo mudou. Nos anos 60, a economia florescia e o proletariado descobriu o consumo em massa. Os estudantes não conheciam nem a AIDS nem o medo do desemprego e a questão da imigração não apresentava-se. Tudo parecia possível. Hoje, é o futuro o que parece fechado, os jovens não sonham com revoluções. Querem um emprego, uma casa e uma família, como todos. Porém ao mesmo tempo, vivem na precariedade e perguntam-se sobre se encontrarão trabalho depois dos estudos.

Em 1969 nenhum estudante levava jeans e os slogans "revolucionários" que floresciam sobre os muros não tinham nenhum erro ortográfico! Sobre as barricadas, onde reivindicavam-se modelos envelhecidos, (a Comuna de 1871, os conselhos operários de 1917, a revolução espanhola de 36), ou exóticos (a "revolução cultural" maoísta) ao menos militava-se por algo além da comodidade pessoal. Hoje, as reivindicações sociais tem um caráter puramente setorial: cada categoria limita-se a solicitar os melhores salários e as melhores condições de trabalho. "Dois, Três, Mais Vietnã", "Incendiar a Planície", "Até a liberdade, sempre": tudo isso evidentemente já não sacode os corações. Ninguém luta tampouco pela classe operária em seu conjunto.

O sociólogo Albert O. Hirschman disse que a história vê alternar os períodos em que dominam as paixões e períodos em que dominam os interesses. A história de Maio de 68 foi a de uma paixão que derreteu-se em um jogo de interesses.

Humanismo

"O humanismo nos seus desenvolvimentos tornou-se mais materialista e permitiu com uma inacreditável eficácia que os seus conceitos fossem utilizados primeiro pelo socialismo, depois pelo comunismo, de tal forma que Karl Marx pôde dizer, em 1844, que "o comunismo é um humanismo naturalizado". Está provado que esta classificação está longe de ser falsa. Vêem-se as mesmas pedras nas fundações de um humanismo alterado e de todo o tipo de socialismo: um materialismo sem freio, uma liberação no que diz respeito à religião e à responsabilidade religiosa, uma concentração dos espíritos sobre as estruturas sociais com uma abordagem supostamente científica. Não é por acaso que todas as promessas rectóricas do comunismo estão centradas no Homem, com um H maiúsculo, e na sua felicidade terrestre. À primeira vista, baseia-se numa aproximação vergonhosa: como haveria pontos de comuns entre o pensamento do Ocidente e do Leste hoje em dia? Essa é a lógica do desenvolvimento materialista."
(Aleksandr Solzhenitsyn)


Apoio à democracia cai em ex-repúblicas comunistas integrantes da União Europeia, mostra pesquisa

Fernanda Calgaro
Especial para o UOL Notícias
Em Londres
A recente crise econômica mundial fez uma grande parte dos moradores das ex-repúblicas da União Soviética e da Iugoslávia, desmembradas há cerca de 20 anos, ficar mais descrente em relação à economia de mercado e à democracia. Pesquisa realizada pelo Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, a ser divulgada nesta quarta-feira (29) em Londres, aponta que, embora poucos queiram voltar ao passado –marcado por regimes autoritários e economias planificadas–, o apoio à democracia e à economia de mercado caiu, respectivamente, em 18 e 11 países, incluindo nove dos dez países dos antigos blocos que entraram na União Europeia. A exceção em ambos os casos foi a Bulgária.
No estudo, realizado em parceria com o Banco Mundial, foram ouvidas 39 mil pessoas de 34 países da Europa Central à Ásia Central, incluindo cinco da Europa Ocidental para efeito de comparação. O objetivo era traçar um panorama acerca do grau de satisfação das pessoas e sobre o que elas pensam do futuro. Os dados, coletados em 2010, fazem parte da segunda pesquisa sobre o tema. A primeira havia sido feita em 2006, quando a maioria das economias locais estava em alta, com média de crescimento na região de 7,3%.
A lista dos países em transição pesquisados é composta por: Croácia, República Tcheca, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, Eslováquia, Eslovênia, Albânia, Bósnia-Hezergóvina, Bulgária, Macedônia, Montenegro, Romênia, Sérvia, Armênia, Azerbaijão, Belarus, Geórgia, Moldávia, Ucrânia, Cazaquistão, Quirguistão, Mongólia, Tajiquistão, Uzbequistão, Rússia e Turquia. Os cinco países da Europa Ocidental incluídos na pesquisa atual são: França, Reino Unido, Itália, Alemanha e Suécia.
No geral, o apoio à democracia na região é de 45%, maior do que o suporte à economia de mercado, com 40%. O apoio menor é sentido na Sérvia, Letônia e Rússia, onde menos de 40% das pessoas dão preferência a regimes democráticos. No entanto, quase um quarto dos entrevistados sente que o tipo de modelo econômico pouco interfere no seu estilo de vida e mais de um quinto acha o mesmo em relação ao sistema político. Nos cinco países incluídos para comparação, os habitantes tendem a ser mais felizes e mais favoráveis à democracia e liberdades políticas.

Tolerância

Os entrevistados também responderam a perguntas sobre tolerância religiosa e étnica. De maneira geral, as pessoas não se importam com diferenças religiosas. No entanto, em seis países esse índice passa de 20% e chega a 30% na Moldávia.
No tocante à raça, 30% da população da Armênia, Moldávia e Turquia não gostaria de ter pessoas de outras raças como seus vizinhos. A aversão a imigrantes também é alta na Turquia, com mais de 30% que se disseram contrários, seguidos de perto pela Mongólia e a Rússia.

Economia

Em mais da metade dos países pesquisados, a maioria disse ter sido bastante afetada pela crise –o mesmo foi sentido em um único país ocidental usado para comparação, a Itália. Nos países de transição, 70% dos lares atingidos tiveram de cortar custos com alimentos de primeira necessidade. Apesar das privações econômicas, o nível de satisfação com a vida acabou ficando em 43%, pouco abaixo dos 44% registrados em 2006. O otimismo acerca do futuro caiu de 55% para 49% dos países, mas continua alto.

Corrupção

A pesquisa também avaliou o que as pessoas pensam em relação à corrupção, incluindo o pagamento de subornos, e apontou que a percepção geral é que tenha aumentado. Os servidores vistos como mais corruptos são os policiais de trânsito, seguidos de funcionários do sistema de saúde.
O Azerbaijão é o país onde o percentual é mais alto: 65% dos entrevistados indicaram que o pagamento não-oficial ou a entrega de presentes são frequentes ou quase sempre necessários quando se lida com autoridades.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Hans F. K. Günther - As Raças Européias na Pré-História

por Hans Friedrich Karl Günther

Foi afirmado acima que através da ação da hereditariedade características raciais européias pré-históricas podem ter sido ocasionalmente preservadas em casos isolados até o tempo presente.

As raças que agora vivem, e tem vivido desde tempos neolíticos, na Europa foram precedidas por diversas raças nos tempos paleolíticos, que ocuparam amplas extensões da Europa por longos períodos de tempo. Aque nós não podemos aprofundar-nos nessas raças paleolíticas. O aparecimento na pré-história das raças européias de hoje, do mesmo modo, pode ser abordada apenas brevemente.

Elas são encontradas desde o momento do início da Idade Neolítica, isto é, há mais de 10.000 anos.

No noroeste da Europa é a raça nórdica que aparece, cujo lar original deve ser buscado lá. Nas Ilhas Britânicas, França, Espanha, e Itália, é a raça mediterrânea. A raça alpina parece ter expandido-se dos Alpes na direção oeste e noroeste. Hoje nós pouco podemos afirmar a respeito do primeiro aparecimento da raça dinárica; provavelmente ela deve originalmente ter feito parte de um único grupo com a raça asiática próxima (armenóide), um grupo cujo primeiro lar, pode-se supor, foi na região do Cáucaso. Posteriormente, após uma parte deste grupo ter vagado, uma mudança no processo de seleção sob diferentes condições deve ter formado dois grupos a partir do grupo original; estes dois grupos diferem em muitas características, mas não a ponto de que seu parentesco não seja reconhecível. Devido às características comuns às raças nórdica e mediterrânea, somos levados a postular uma origem comum para estas raças em um grupo paleolítico. Nós somos levados, também, a colocar as raças alpina e báltica oriental em uma relação próxima com raça asiática do interior (urálica), pequena, de cabeça redonda, e rosto largo; e nós podemos supor uma migração a partir da Ásia na direção da Europa para ambas estas raças. Mas dificilmente algo é sabido sobre o primeiro aparecimento da raça báltica oriental. Seu lar original - isto é, o ambimento no qual ela sofreu o processo de sua formação em separado através da seleção em isolamento - deve ser buscado entre Moscou e Kazan, ou entre Moscou e os Urais. Filólogos tem colocado o lar original dos povos falantes de línguas finno-úgricas no sudeste da Rússia ou na região vizinha dos Urais centrais, principalmente no lado europeu, ao longo do rio Karna e seus tributários. Aqui em um grupo aparentado à raça asiática do interior (urálica) deve ter havido um clareamento das cores através da seleção, que pode ser comparada ao clareamento que teve lugar no grupo que veio a formar a raça nórdica, e que tinha seu lar original no noroeste da Europa.

A raça báltica oriental espalhou-se principalmente para o norte e noroeste de seu lar original, carregando consigo uma cultura muito simples, provavelmente matrilineal - uma cultura possuindo um artesanato simples, e o cão e a ovelha como animais domésticos, e tendo a caça e a pesca como suas principais atividades. É geralmente assumido que a assim chamada Cultura da Cerâmica do Pente da Idade da Pedra representa a cultura dos povo finno-úgrico original (raça báltica oriental). Sobre a área da cerâmica do pente são principalmente povos de idioma finno-úgrico que vivem hoje. Nos tempos de Heródoto (século V a.C.) todo o centro e norte da Rússia estavam ainda sob ocupação de povos finno-úgricos. De grande importância para os bálticos orientals, houve então o contato com as tribos e povos nórdicos - acima de tudo, com os proto-eslavos nórdicos, que levaram consigo os báltico orientais para todos os lugares nos quais assentaram-se. Conforme a casta superior nórdica desapareceu, a aparência dos povos eslavos (com a exceção dos eslavos do sul) tornou-se cada vez mais determinada pelas características bálticas orientais. Pode-se assumir que entre os eslavos do norte e do oeste, ao redor do século XII, a raça báltica oriental era predominante por conta do peso numérico dos nascidos. Enquanto isso nestes povos os bálticos orientais abriram mão de seu idioma finno-úgrico em favor das línguas eslavas (ou seja, indo-européias), de modo que hoje, apenas os finlandeses, os estonianos e os povos aparentados a eles no nordeste da Europa ainda falam suas línguas originais, assim como os magiares, um povo originalmente báltico oriental, com seu lar provavelmente no Volga central. Os magiares ainda demonstram claramente o sangue báltico oriental, mas desde seu ingresso na Hungria (no século IX d.C.) receberam muito sangue alpino, dinárico e nórdico, e algum mediterrâneo. De modo geral, os povos predominantemente báltico orientais não tem demonstrado ser muito criativos. Os finlandeses, também, que possuem uma cultura ricamente desenvolvida, devem, como os eslavos, suas realizações criativas à casta superior nórdica em seus povos.

Com o avanço das tribos finno-úgricas da raça báltica oriental na direção das terras bálticas, também as tribos (os lituanos, os letões, os curônios, e os livônios) de língua báltica (ou seja, indo-européia), que originalmente eram nórdicas, receberam uma linhagem báltica oriental. Os antigos livônios são vistos em suas tumbas como todos eles possuindo faces estreitas e cabeças longas.

Para o desenvolvimento da cultura européia, a raça alpina, também, dificulmente contribuiu com qualquer coisa própria. Sua expansão a partir dos Alpes não foi uma conquista, mas um lento gotejar. Que a raça alpina seja hoje encontrada mais densamente espalhada nos distritos menos hospitaleiros é um reflexo de condições pré-históricas. Um antropólogo francês, após examinar o mapa racial da França, escreveu as palavras que aplicam-se ao todo da Europa: "Para os conquistadores, as planícies e vales; para os conquistados, as montanhas." A raça alpina parece ter sempre sido entulhada nos distritos indesejáveis e inóspitos pelo impulso das outras raças, especialmente a nórdica. Os modos pelos quais a raça alpina espalhou-se seria mais fácil de determinar se ela tivesse levado consigo seu próprio estilo de implementos e objetos. Mas sua emergência pré-histórica passa a imagem de uma raça pouco criativa, assumindo em um momento formas de uma cultura predominantemente mediterrânea, em outro momento de uma civilização predominantemente nórdica, e provavelmente pegando emprestado de qualquer casta superior de outra raça que eventualmente estivesse dominando-os. A classe governante pode ter mudado bastante, e desaparecido na luta com outros conquistadores, ou através da mistura de raça gradualmente afundado na mais numerosa classe inferior. A parte predominantemente alpina da população sempre manteve-se em existência através do curso do tempo.

As línguas que originalmente pertenciam à raça alpina foram abandonadas pelas populações alpinas em favor daquelas faladas pelos povos conquistadores. Estas línguas abandonadas devem ser reconstruídas seguindo-se o padrão das línguas finno-úgricas (originalmente peculiares à raça báltico oriental) ou das altaicas (peculiar à raça asiática do interior). As línguas faladas nos Alpes possuem um número de palavras que não são indo-européias como uma peculiaridade comum. Possivelmente estas palavras derivam das línguas desaparecidas das tribos pré-históricas pertencentes à raça alpina ou à dinárica.

Os primeiros traços da raça dinárica são menos claros do que os caminhos pelos quais os alpinos espalharam-se nos tempos neolíticos. Mas alguns distritos na Europa mostram os  traços de imigrações dináricas, indicando um enérgico avanço pela conquista. Do norte da França houve ao fim da Idade da Pedra um avanço na direção da Alemanha central por um povo de cabeça baixa, em cuja composição racial eu suspeito ter havido uma linhagem dinárica. Ele trouxe consigo o uso do cobre para lanças e adagas, e aquela forma de pote chamado de campaniforme, uma forma que deve ter sido assimilada por estes povos de cabeça baixa de uma cultura euro-ocidental da raça mediterrânea. Possivelmente com este movimento está conectado um avanço dinárico do continente para as Ilhas Britânicas. Aqui, por volta de 2.000 a.C., chegaram tribos dináricas, cujos ossos, implementos, e potes aparecem ao longo de toda a costa leste da Inglaterra e da Escócia: altos e com cabeças baixas, e com narizes altos, trazendo os potes campaniformes consigo (e chamados os fazedores-de-copos ou povo-do-copo), criando gado, e plantando trigo, mas aparentemente ainda sem conhecimento do bronze. Mas na Inglaterra de hoje há pouca herança de sangue dinárico; ela parece ter sido preservada mais claramente aqui e ali em certas famílias nas profissões liberais.

As tribos celtas da raça nórdica que assentaram-se em tempos posteriores nas Ilhas Britânicas parecem então ter suplantado as tribos dináricas dos copos campaniformes. 

A predominância, ou a linhagem forte da raça dinárica, deve ser vista claramente em uma população da Idade do Bronze que, como uma tribo beligerante de arqueiros, e aparentemente vindo, também, do oeste, tomou posse das alturas do distrito renano sobre Worms. Seus restos foram encontrados no Adlesberg, próximo a Worms, e com eles também os povos euro-ocidentais dos copos campaniformes. No início da Idade do Bronze, os Alpes suábios e parte da Bavária parecem ter sido ocupadas por um povo alpino-dinárico; as tumbas em montículos da Idade do Bronze neste distrito carregam seus restos. Uma linhagem dinárica razoavelmente forte (além de uma linhagem alpina, e com uma predominância nórdica) parece ter caracterizado ap opulação na área da chamada Cultura Aunjetitz, uma cultura do início da Idade do Bronze com seu centro no norte da Boêmia, e estendendo-se para a Silésia, Turíngia oriental, Morávia, Hungria, e Baixa Áustria.

No início do período Hallstatt, populações com um elemento dinárico parecem ter vindo dos Alpes para a Boêmia (e Silésia?). O período Hallstatt posterior pode ter sido trazido por um movimento mais intenso de povos dináricos da região alpina oriental. Algumas das características da cultura Hallstatt foram derivadas dos Balcãs, de onde provavelmente a migração dinárica para a região alpina começou. Do tempo do fim da Idade do Bronze crânios dináricos aparecem na Suíça. De lá, o sudoeste da Alemanha pode ter sido alcançada (como também o Hotzenwald do sul de Baden).  Esses povos majoritariamente dináricos na região alpina e no sul da Alemanha devem ter pertencido no fim do período Hallstatt à população celta, pois os celtas, majoritariamente nórdicas, haviam até então penetrado nos Alpes, e então formaaram junto com os habitantes primitivos tribos nordo-dinárico-alpinas. Devido à predominância celta na Europa (entre os séculos IX e II a.C.), o sangue dinárico, bem como o alpino, espalhou-se por amplas regiões da Europa junto com as conquistas da raça nórdica governante dos povos celtas.

Todos estes vestígios de assentamentos dináricos mostram, porém, que a raça dinárica, como a alpina, fez seu caminho para a Europa Central sem uma cultura independente própria. Os povos da raça dinárica, também, abriram mão de sua linguagem original em favor das línguas trazidas para elas pelas tribos nórdicas.

As línguas dináricas originais provavelmente eram parecidas com as línguas caucásicas (alaródicas) dos povos da raça asiática próxima (armenóide). Na pré-história da Europa apenas duas raças mostraram ser realmente criativas, e estas devem ser vistas como as verdadeiras raças europeias: a nórdica e a mediterrânea, a nórdica primeira e principal como a verdadeira raça fazedora-de-história dos tempos pré-históricos e históricos.

As conquistas pré-históricas da raça mediterrânea foram minuciosamente descritas por Schuchhardt em sua impressionante obra, Alteuropa in seiner Kultur- und Stilentwicklung (1919). Lá é mostrado como as formas culturais européias ocidentais expandem-se do povo mediterrâneo das Ilhas Britânicas, França e Espanha ao longo das costas do Mediterrâneo, e então desenvolvem-se através de longos períodos de tempo nas formas históricas primitivas de arte caracterizando uma parte das culturas egípcia e norte africana, e as culturas do período pré-helênico primevo e da Grécia helênica primeva, e também da dos etruscos. "Não foi do oriente, como é geralmente sustentado, mas do ocidente, das velhas culturas da Idade Paleolítica na França e na Espanha, que o Mediterrâneo recebeu suas influências mais fortes. Isso pode ser visto na estrutura das casas e túmulos, na escultura, e nos implementos e cerâmicas. As primeiras fases são geralmente encontradas no oeste mediterrâneo e o desenvolvimento final foi usualmente realizado através da área micênica."

figura 2: mulher etrusca de raça nórdica


Schuchhardt descreve estas formas mediterrâneas de cultura na Velha Europa por meio de descobertas arqueológicas, e mostra como casas redondas, tumbas redondas com os corpos agachados, adoração de pilastras, os elementos da crença em uma "vida abençoada no Além", e todo um conjunto de características podem ser seguidas da Inglaterra até Tróia, e como estas características são claramente distintas daquelas das culturas nórdicas. Ele mostra como a casa redonda na Itália tornou-se a casa romana, expressando uma concepção de estrutura diferente daquela da casa nórdica retangular, que tornouse a casa Megaron na Grécia.

figura 3: mulher etrusca de raça mediterrânea
Nos etruscos Schuchhardt vê "os mais fiéis guardiões da velha cultura mediterrânea ocidental", e rejeita a teoria de sua origem na Ásia Menor, uma teoria sustentada por Heródoto e que sempre surge novamente desde seu tempo. Parece-me, porém, que uma consideração etnográfica das pinturas etruscas fortalece a perspectiva de uma origem na Ásia Menor (não para todos os etruscos, mas para parte de sua população), e também a teoria de uma classe governante transitória etrusca de raça nórdica, ainda que os etruscos fossem predominantemente mediterrâneos, e de fato para Schuchhardt é um povo cujo lar original era na Itália. Sangue alpino pode ter originalmente ter tido apenas uma pequena presença nos etruscos, mas ele pode ser claramente reconhecido nas pinturas etruscas: um povo robusto com faces redondas e narizes pequenos são encontrados entre os representados. Há alguns sinais de que os alpinos entre o povo etrusco cresceram muito em número até o seu fim. Sobre isso, mais será dito adiante. Crânios etruscos que foram encontrados (segundo as pesquisas de Sergi) são geralmente mesocéfalos a dolicocéfalos.

figura 5: homem etrusco de raça armenóide
O Mar Mediterrâneo, após a expansão neolítica da cultura européia ocidental da raça mediterrânea, parece ter sido o teatro de uma erupção no início da Idade de Bronze que chegou tão longe à Espanha, por parte da raça asiática próxima (armenóide), por meio da Ásia Menor, Grécia, e Itália. Durante a Idade de Bronze o índice cefálico na Sicília aumentou. Os recém-chegados de cabeças baixas parecem ter sido armenóides. As pinturas etruscas mostram uma predominância de características mediterrâneas (fig.3), mas também características armenóides (fig.5), e ocasionalmente nórdicas, como na garota loira aqui mostrada (fig.2). Cabelo loiro, de fato, é comum de ser visto nessas pinturas.

figura 4: basco de raça predominantemente armenoide
Eu estou inclinado a acreditar que um avanço armenóide trouxe a língua basca, também, da Ásia Menor para a Espanha.O basco mostra parentesco com as línguas caucásicas, que eram originalmente peculiares à raça armenóide, e ainda são faladas por muitos povos e tribos predominantemente dessa raça. Sangue armenóide também pareceria mostrar-se ainda entre os bascos predominantemente mediterrâneos (fig.4).

Mas a migração armenóide para o Mediterrâneo não parece ter causado qualquer perturbação real na vida da raça mediterrânea aqui. Isso primeiro ocorreu quando conquistadores nórdicos entraram em cena, que agora trouxeram mudanças ao sistema cultural do Mediterrâneo, e dos etruscos por último. A descrição dos últimos tempos de história independente do Mediterrâneo também será um relato das primeiras irrupções de tribos nórdicas no Mediterrâneo. A vida feliz desses povos da raça mediterrânea foi subitamente perturbada por conquistadores que nada sabiam de uma crença em uma vida abençoada além da tumba, que possuíam formas nórdicas de arte ao invés das alegres formas decorativas da arte mediterrânea, que trouxeram construções de madeira e casas retangulares, que queimavam seus mortos, ou os enterravam esticados, e que trouxeram consigo novos implementos, novas armas. Os povos não-nórdicos do Mediterrâneo haviam possuído o escudo longo cobrindo o corpo inteiro; os conquistadores nórdicos trouxeram o escudo redondo, e finalmente a panóplia de bronze descrita por Homero. Tróia e Tirinto em suas mudanças arquitetônicas demonstram as sempre renovadas e crescentes intrusões de bandos nórdicos. Estes eventos foram muito vividamente descritos por Schuchhardt. Compromissos notáveis são feitos entre duas culturas em colisão. "Assim o plano da fortaleza na civilização micênica é quase certamente trazido do norte, mas a maneira de dispôr muralhas feitas com grandes blocos de pedra é mediterrâneo. Isso os recém-chegados nórdicos aprenderam primeiro no sul. Em seu caminho descendo pelo Danúbio eles construíam com madeira e argila, e mesmo na Tessália usaram apenas pequenas pedras." Os templos helênicos mais antigos tinham muros com base de tijolos de pedra secados pelo Sol, vigas de madeira, e pilares de madeira. A transição para a pedra ocorreu no século VII a.C. No início da história helênica a forma do túmulo é ocasionalmente mediterrânea autóctone, a forma do funeral é nórdica, a fortaliza do governante nórdica com pilares mediterrâneos. Um compromisso feliz do nórdico e do mediterrâneo é visto particularmente na cultura micênica. Em Tirinto veio à luz dois metros abaixo das construções nórdicas uma enorme construção em estilo redondo, contendo túmulos com corpos agachados - dando clara evidência da queda das culturas mediterrâneas independentes antes da conquista nórdica.

Com os conquistadores nórdicos o direito patrilinear difundiu-se pelas regiões mediterrâneas. O povo da raça mediterrânea havia vivido sob instituições matriarcais, isto é, parentesco e herança com eles era determinado não através do pai, mas através da mão, como é no caso ainda hoje entre vários povos. Sob o matriarcado geralmente não há qualquer casamento duradouro, de modo que a concepção de fidelidade conjugal não é desenvolvida, mas geralmente há um intercurso sexual extremamente livre entre garotas e mulheres casadas. Os antigos etruscos, predominantemente mediterrâneos, viviam sob a matrilinearidade, bem como os também mediterrâneos pictos na Escócia; os bascos em seus métodos de herança ainda mostram hoje traços de matrilinearidade. Da Espanha à Grécia traços de matrilinearidade podem ser achados nos tempos antes da incursão de tribos nórdicas. Entre os povos de origem nórdica a patrilinearidade é encontrada em todo lugar; entre eles a concepção de fidelidade conjugal, e com ela a de adultério, é desenvolvida; e ao longo de sua trilha de conquista as suas idéias e suas línguas (indo-européias) igualmente difundiram-se.

Os contrastes raciais entre nórdico e mediterrâneo, surgindo como um resultado da intrusão das tribos nórdicas, podem ainda ser reunidas pelo juízo passado pelos primeiros romanos sobre os ligúrios (de raça mediterrânea), que são descritos como esbeltos, escuros, e de cabelos enrolados: eles eram considerados maliciosos e dados às mentiras (fallaces mendacesque), como escreveu Diodorus Siculus. 

Sobre toda a área ao redor do Mediterrâneo as línguas que as raças mediterrâneas desenvolveram devem ter desaparecido na época da qual falamos. As línguas de origem nórdica, as línguas indo-européias, foram vitoriosas como sendo aquelas das classes nórdicas governantes. O picto desapareceu diante da língua dos celtas nórdicos; o ibérico - a língua dos iberos, descritos por Lívio como pequenos e rápidos, por Tácito como escuros e de cabelos cacheados - o ligúrio, e o etrusco desapareceram diante das línguas dos conquistadores celtas e itálicos de origem nórdica. As línguas faladas na Idade do Bronze desapareceram diante do grego, trazido com eles pelos helenos nórdicos de um lar original no Danúbio. Foi apenas após a exaustão do sangue nórdico nos helênicos e no povo romano que os elementos mediterrâneos ergueram suas cabeças novamente. Talvez isso transpareça na estrutura das línguas romances que nasceram do latim da da classe governante romana de raça nórdica, ou talvez isso transpareça no Catolicismo sulista, ou mesmo no estilo redondo do Panteão Romano.

O Quinto Império

por Fernando Pessoa



Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz -
Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem,
Que as forças cegas se dormem
Pela visão que a alma tem!

E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.

Grécia, Roma, Cristandade,
Europa - os quatros se vão
Para onde vai toda idade.
Quem vai viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?


Campanha Anti-Homofobia (e Lucrativa)

Até hoje pensávamos que havia sido gasto 3 milhões de reais na campanha anti-homofobia, o que seria já um absurdo, considerando o nível e a intenção do material. Já havíamos detalhado todos os pormenores da fatídica campanha, incluindo os vídeos e as cartilhas.

Este dias chegou ao meu conhecimento que no ano passado (2010) foram aprovados 302 MILHÕES REAIS para uso em 2011 em 10 emendas no "apoio à prevenção e ao combate à homofobia". E isto em detrimento aos projetos do "centro de referência para idosos" e do projeto de "combate à violência sexual contra crianças e adolescentes", que deixaram de ser aprovados na mesma reunião em que se aprovou esta bolada. Este fato fica ainda mais "interessante" dentro do contexto de que a educação sofreu um corte de 500 milhões de reais no orçamento de 2011. E o que mais me revolta é que ao aprovar estas 10 emendas para o combate a homofobia, foram deixados de lado os idosos e as crianças, justamente os mais vulneráveis!


Podemos apenas imaginar quanto desta bolada será embolsada por esta elite homossexual que manipula o congresso e também estes políticos inescrupulosos, que acreditam que os idosos e as crianças não são tão importantes quanto uma pequeníssima minoria deste país, que se julga especial ao ponto de merecer privilégios (veja os principais pontos do Plano Nacional LGBT ao fim do artigo).

Vejam bem que estes 302 milhões de reais foram entregues à "Secretaria Especial de Direitos Humanos, Apoio e Serviço de Combate à Homofobia". Eu tentei e não consegui encontrar nem uma página na internet sobre esta secretaria, onde poderíamos averiguar quem faz parte e quais são os projetos específicos que estão recebendo esta grande bolada. Se alguém encontrar, por favor deixe um comentário abaixo.

Veja abaixo a notícia na Agência Senado e em seguida o texto completo da reunião onde foi votado o orçamento da secretaria de Direitos Humanos:

CDH aprova R$ 1,15 bilhão em emendas ao Orçamento de 2011

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou, nesta terça-feira (23), três emendas ao Orçamento da União para 2011. As propostas totalizam R$ 1,15 bilhão e devem financiar ações de custeio e investimento na Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Sepir); na Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH); e na Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SEPM), todas vinculadas à Presidência da República.

Ao apresentar seu parecer, o senador Paulo Paim (PT-RS) explicou que o critério usado para selecionar três entre 38 emendas apresentadas na CDH foi priorizar as áreas que concentraram a preferência dos parlamentares. Assim, venceram as iniciativas de apoio à promoção da igualdade racial (R$ 388 milhões); de apoio à prevenção e ao combate à homofobia (R$ 302,8 milhões); e de apoio às ações do plano nacional de políticas para as mulheres (R$ 460 milhões).

- Infelizmente, não tivermos como inserir as emendas sobre o centro de referência para idosos e de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes. Mas procuramos acatar parcialmente a vontade de todos os senadores e entendemos que essas três emendas contemplaram os objetivos maiores da comissão - justificou Paim.
Abaixo você pode ler os principais trechos das nota da "23ª reunião ordinária da comissão de direitos humanos e legislação participativa, da 4ª sessão legislativa ordinária, da 53ª legislatura", realizada no dia 23 de novembro de 2010:

SR. PRESIDENTE SENADOR CRISTOVAM BUARQUE (PDT-DF):
Bom dia a cada um e a cada uma. Declaro aberta a 23ª Reunião Ordinária da Comissão Permanente de Direitos Humanos e Legislação Participativa, da 4ª Sessão Legislativa Ordinária, da 53ª Legislatura.

Item único desta sessão: emendas da comissão, Orçamento 2011, discussão e votação das emendas da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa ao PL nº. 59/2010, CN, do Congresso Nacional, da PLOA 2011, que estima a receita e fixa a despesa da União para o exercício financeiro de 2011. Na Secretaria da comissão, foram apresentadas 38 emendas, que o Senador Paim ficou responsável, por gentileza própria, de dar um parecer. Com a palavra, portanto, o Senador Paulo Paim. SENADOR PAULO PAIM (PT-RS): Senador Cristovam, como V. Exa. disse, foram apresentadas em torno de 40 emendas, nós só podemos acatar três e, dessas três, eu usei como critério o critério mais abrangente, o critério onde o maior número de parlamentares apresentaram emendas sobre o tema, e a maioria dos senadores apresentaram emendas correspondentes ao combate da desigualdade racial, buscando a promoção da igualdade racial. Aí foram três, seis, nove, onze... A segunda que eu acatei foi destinada à Secretaria Especial de Direitos Humanos, Apoio e Serviço de Combate à Homofobia; também aqui foram três, seis, mais quatro, dez, dez emendas. E a terceira, pelo mesmo critério, foi para a Secretaria Especial de Política para as Mulheres, apoio à iniciativa de referência [ininteligível] temáticos do Plano Nacional de Política para as Mulheres. Aí vai a violência às mulheres, vai a questão da profissionalização, vai a questão de conferências. Aí foram três, seis, doze... Foram 20 emendas nessa área, destinadas ao atendimento da Secretaria Especial de Política para as Mulheres. A Emenda nº. 1, somei todas as propostas, no que combate à igualdade racial, deu 388 milhões; a homofobia deu 302 milhões; a das mulheres deu 460 milhões. Nós sabemos que isso tudo vai ter um corte, depois, grande, na respectiva comissão, mas, como eu não pude acatar todas as emendas, eu acatei parcialmente, digamos, a vontade de praticamente todos os senadores, e eu entendo que essas três acabaram contemplando coletivamente o objetivo maior. Claro que eu gostaria de ter, também, inserido combate à exploração sexual de crianças, mas não tinha como, como também o Centro de Referência para os Idosos. Mediante a isso, Sr. Presidente, eu sou pela aprovação dessas três emendas. Propomos, por fim, que a deliberação final conste na Ata da reunião, cuja cópia deverá ser entregue à CMO, juntamente com as emendas aprovadas.... É esse o relatório, Sr. Presidente. SR. PRESIDENTE SENADOR CRISTOVAM BUARQUE (PDT-DF): Está em discussão. Não havendo quem queira se pronunciar, ponho em votação. Está aprovada a emenda do Senador Paulo Paim, a quem eu agradeço o trabalho. A sessão está encerrada.
Sem dúvida estas 10 emendas devem fazer parte do Plano Nacional LGBT, que entre outros absurdos, contem as seguintes pérolas:

- INSERIR NOS LIVROS DIDÁTICOS A TEMÁTICA DAS FAMÍLIAS COMPOSTAS POR GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS.

- INCLUSÃO DA POPULAÇÃO LGBT EM PROGRAMAS DE ALFABETIZAÇÃO NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO PAÍS. (PROFESSOR GAY)

- DISTRIBUIÇÃO DE LIVROS PARA BIBLIOTECAS ESCOLARES DE ALFABETIZAÇÃO COM A TEMÁTICA DIVERSIDADE SEXUAL PARA O PÚBLICO INFANTO (ATÉ 10 ANOS) JUVENIL (10 AOS 15 ANOS).

- CRIA BOLSA DE ESTUDO QUE INCENTIVE A QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS. (BOLSA-GAY).

- ESTIMULAR O ACESSO DE JOVENS LGBT NAS OFERTAS DE ESTÁGIO REMUNERADO. (ESTÁGIO PARA GAY).

- RECONHECER TODAS AS CONFIGURAÇÕES FAMILIARES PROTAGONIZADAS POR LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS COM BASE NA DESCONSTRUÇÃO DA HETERONORMATIVIDADE.

- LEGALIZAR O DIREITO DO CASAL HOMOSSEXUAL DE ADOTAR FILHOS.

- POLÍTICAS AFIRMATIVAS PARA O ENFRENTAMENTO DA LESBOFOBIA. (???).

- GARANTIR APOIO PSICOSSOCIAL À POPULAÇÃO LGBT IDOSA.

- CRIAR O CONSELHO NACIONAL DE LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS.

- INCLUIR A POPULAÇÃO LGBT EM PROGRAMAS DE COMBATE À FOME E À POBREZA.

- CRIAÇÃO DO SELO NACIONAL PARA EMPRESAS QUE APOIAM OU ESTIMULAM OS LGBT.

- CRIAÇÃO DO ESTATUTO DOS DIREITOS LGBT.

- GARANTIR A SEGURANÇA EM ÁREAS FREQUENTADAS PELA POPULAÇÃO LGBT COM GRUPOS DE POLICIAIS ESPECIALIZADOS (BATALHÃO GAY).

(Fonte NOM)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Ventre – A Mulher Atual

Por E. W.


Presenciamos uma grande decadência das mulheres e a tendencia é decair cada vez mais. A vulgaridade e a desvalorização própria é tão grande que chega a ser ridícula. É bem verdade que uma grande parte atingiu a independência econômica, altos cargos, postos ocupados comummente por homens, e o que obviamente não é negativo por que assim ficou claro que elas tem potencial e nesta parte ganharam mais direitos e valores, já que a algum tempo estas em maioria possuíam o rótulo de menos favorecidas intelectualmente. Mas será que agora as mulheres estão realmente favorecidas intelectualmente? Apenas uma minoria está. É certo dizer que evoluíram em uma parte, que diz respeito ao trabalho, influência e participação em sociedade, mas e quanto aquela parte que sempre as pertenceram? Aquilo que sempre foi digno, de responsabilidade feminina, que deveria ser desempenhado em supremacia: a criação. As mulheres possuem por natureza o importante e de grande valor: o ventre. E nesta parte a decadência é assustadora, quando se trata de ser mãe, de criar o próprio filho, cuidar da família, de preservar-se e valorizar-se elas estão indo de mal a pior.

A mídia investe fortemente nesta decadência, a imagem de mulheres geralmente semi-nuas vulgarmente usadas em propagandas é uma alavanca para venda de produtos; a imagem da mulher atual transmitida pela mídia tem grande influencia sobre a grande massa, e a imagem transmitida é a da mulher fútil, promíscua, vulgar, a mulher considerada moderna que se rebela contra os bons costumes. Consideram-se independentes mas estão atrás de homens como cadelas no cio, e começam a agir dessa forma cada vez mais cedo, encurtando a infância. Em novelas em canal aberto, é notável a grande presença de telespectadoras, e nestas novelas vê-se jovens de 15 anos e até mais novas iniciando a vida sexual com outros jovens que nem conhecem, e tem o apoio de suas mães. Vê-se traições e todo um comportamento totalmente reprovável para qualquer mulher de bom senso. A mídia é manipuladora e encaminha mulheres para a decadência, a mídia é um inimigo para qualquer pessoa que não tem sua mente educada para pensar por conta própria.


Muitas mulheres não se preocupam nem com a própria saúde, pesquisas mostram que o número de mulheres que contraem doenças sexualmente transmissíveis aumentou bastante, e as mulheres são geralmente mais afetadas por estas doenças do que homens, além de que podem transmitir as doenças para os filhos em quanto são gestantes. Mas este número não teria aumentado se elas não estivessem tão promíscuas, se ao menos tivessem parceiros de confiança e não agissem igual cadelas deixando que qualquer cão imundo suba em suas costas... e o desespero é tanto que não conseguem lembrar-se de usar preservativo, ou realmente não querem utiliza-lo. As mulheres que queriam fazer todos os papéis dos homens, ter todos os direitos e méritos, devem estar felizes, até o número de mulheres infectadas por DST já é igual o dos homens... tais doenças que sempre foram conhecidas por se alojarem em homossexuais, prostitutas e homens que tinham relações com estas.

E ainda vemos mães solteiras por que além destas não serem capazes de cuidar-se para prevenção de doenças, não lembram de evitar a gravidez não planejada... e muitos homens só querem saber da parte que lhes dá prazer, sobre a conseqüência agem como se a culpa fosse inteiramente da mulher, algumas vezes dão uma pequena ajuda financeira, levam o filho para um passeio, mas quanto ao resto a mulher que se vire... E desta forma a criação de um filho dificilmente é bem sucedida. O pai está afastado, não dá muita importância ao filho, e a mãe geralmente ocupada pois precisa trabalhar para sustentar a casa, e ir atrás de seus parceiros. A criança cresce sem um acompanhamento pois a maioria das instituições educacionais não servem para educar, são apenas um lugar cercado onde a criança está segura, ou ao menos deveria estar já que muitos casos de violência são relatados nestes lugares. Não há família nem criação, uma criança dificilmente progredirá desta forma.

A mulher tem um importantíssimo papel na sociedade, homens não geram filhos sozinhos, homens não formam famílias sozinhos, lamentável que a tempos atrás muitos homens não foram capazes de reconhecer a importância das mulheres, incentivando assim que elas se rebelassem e ignorassem suas tarefas na sociedade. Homens tem culpa sim, da decadência das mulheres atuais. Mas agora não é hora de lamentar, mas também não se pode esquecer para que os mesmos erros não sejam cometidos. Agora é hora de ambos tomarem seus lugares com responsabilidade, inteligência e união.

Assim como as mulheres andam errantes e decadentes é difícil encontrar um homem que seja diferente. O ventre pertence a mulher, mas um filho assim como não se faz sozinho, não se cria sozinho, é necessário a presença da família. Para uma verdadeira evolução são necessárias mudanças de ambos os lados, é necessária a família e é de extrema importância a união.

Mulheres precisam reconhecer os seus próprios valores e deveres, e homens precisam ser Homens.

Myrian Rios faz comentários sobre homossexualidade e causa polêmica na internet

Eu tenho direito de não querer um homossexual como meu empregado”, afirmou.

QUEM Online/Foto: Daryan Dornelles/Revista QUEM

A ex-atriz e deputada estadual Myrian Rios está causando polêmica na Internet com a divulgação de um vídeo em que ela se manifesta no plenário da Alerj (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro) a respeito da homossexualidade e a relaciona a uma eventual prática de pedofilia.
"Não sou preconceituosa e não discrimino. Só que eu tenho que ter o direito de não querer um homossexual como meu empregado, eventualmente", afirmou."Por exemplo, digamos que eu tenha duas meninas em casa e a minha babá é lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser lésbica, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. São os mesmos direitos. Eu vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas, e eu não vou poder fazer nada", disse.

"Se eu contrato um motorista homossexual, e ele tentar, de uma maneira ou outra, bolinar meu filho, eu não posso demiti-lo. Eu quero a lei para demitir sim, para mostrar que minha orientação sexual é outra", completou."Eu queria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie", comentou Myrian, manifestando-se contra a PEC 23/2007, que visava acrescentar a orientação sexual no rol das vedações a discriminação da Constituição do Estado do Rio de Janeiro.

domingo, 26 de junho de 2011

Anthony M. Ludovici - Sobre Feminismo & Emasculação

por Anthony M. Ludovici


Cada sexo tem os instintos, emoções e poderes mentais relacionados ao tipo de vida que terá que levar, e a limitação correspondente no selecionar e rejeitar. Por exemplo, o macho como o participador ativo no coito é o sedutor e iniciador; ele tem que despertar o desejo por si na fêmea, e encontra seu prazer nesses papéis. A fêmea encontra prazer em ser cativada, em render-se, em ceder à iniciação, desde que ela aprove o macho.

Em seu papel de iniciador, o homem desenvolve ousadia, liderança, o hábito da dominação, da responsabilidade, da originalidade, da independência. Em seu papel de participante passiva, a mulher desenvolve timidez, pudor e recato, submissão, irresponsabilidade, imitatividade, dependência. (Estas são as consequências psíquicas mais antigas do dismorfismo sexual e provavelmente antecedem em milhões de anos as qualidades mentais que são associadas à paternidade.)

O papel ativo na procriação leva à rivalidade com outros machos, e desenvolve a coragem, os poderes combativos e uma tendência marcada ao ciúme violento no macho, particularmente quando ele é velho. Mas a fêmea, encontrando suas adaptações sexuais normalmente arranjadas para ela, não precisará lutar, nem desenvolverá coragem e ciúme na mesma medida que o macho nessa fase.

A felicidade será buscada por cada sexo em tentar preencher as funções especializadas que derivam de seu próprio papel. E se o objetivo for tornar qualquer dos sexos miserável, isso será melhor conseguido obrigando-o a romper laços. O desejo sexual é, então, a necessidade de realizar uma função especializada, e o amor pelo sexo oposto é a conexão ao objeto sexual que torna essa performance possível. A felicidade vem com a performance.

Cada sexo encontrará prazer nas adaptações peculiares ao seu próprio papel, e buscará felicidade procurar estas adaptações. A fêmea encontrará prazer no exibicionismo, enquanto o macho encontrará prazer no voyeurismo ou, para tornar mais claro, em banquetear os olhos. Se a sedução foi bem-sucedida - quer dizer, se a fêmea foi cativada - cada sexo demonstrará seus instintos plenamente. Haverá um crescente exibicionismo preliminar por parte da fêmea, e uma correspondente elevação do prazer. Do mesmo jeito haverá um crescente voyeurismo masculino, e também uma elevação do prazer para ele. Haverá um curto período de crescente familiaridade, o jogo dos sexos, o qual pode ficar confinado meramente às características sexuais secundárias. Isso tudo será natural e limpo. Isso possui sua base primordial nos ancestrais dos mamíferos, e nós não podemos agora erradicar os instintos que nos impelem. E durante este tempo, enquanto entusiasmo e prazer elevam-se para ambos, as barreiras romper-se-ão. Cada um encontrará então cada vez mais e maior alegria em sua parte particular na consumação. O papel passivo, se for aptamente dirigido pelo macho, será apreciado pela fêmea, enquanto o papel ativo violento, se ele for versado nas artes da vida, será apreciado pelo macho, e cada qual será grato e orgulhoso...

História, ciência, ficção, as vidas de todos os grandes povos, a experiência de cada um de nós - evidência de cada tipo e de cada canto do compasso conta-nos convincentemente como fundamental e maravilhosa essa relação é. Alguns dos maiores e mais nobres atos de heroísmo foram realizados precisamente em nome desse amor que une duas pessoas de sexos diferentes, e exemplos poderiam ser multiplicados ad infinitum para mostrar os extremos de devoção, fidelidade e felicidade que inspira.

A história da maioria das culturas parece ensinar a seguinte moral: que a relação dos sexos é sempre um equilíbrio flutuante de elementos masculinos e femininos, e que em cada fase do desenvolvimento social os componentes bissexuais de cada homem e cada mulher tendem a afirmar-se no máximo de sua capacidade, dentro dos limites permitidos pelos valores e costumes do povo. O impedimento sobre a expressão pelo macho de sua feminilidade latente consistirão então de: (a) valores viris, (b) atividades masculinas, (c) a preocupação unilateral com problemas masculinos, e (d) o processo de seleção, o qual, operando através do gosto imposto pelos valores, tende a manter baixa a proporção de machos com características femininas proeminentes. Assim, a feminilidade do macho, quando há tais impedimentos, torna-se o que psicólogos diriam ser recessiva e pode permanecer latente por séculos.

O impedimento sobre a expressão pela fêmea de sua masculinidade latente consiste de: (a) seu ambiente masculino, (b) atividades femininas, (c) a preocupação unilateral com problemas femininos e (d), o processo de seleção, o qual, operando através do gosto imposto pelos valores, tende a manter baixa a proporção de fêmeas com características masculinas pronunciadas. Assim a masculinidade da fêmea, onde há tais impedimentos, também torna-se recessiva e pode permanecer latente por séculos.

Cercada por machos que mantém padrões masculinos, e que são capazes de dar a mais elevada expressão de habilidade e gosto masculinos, os elementos masculinos na mulher tendem a tornar-se furtivos, tímdos e avessos à expressão. Uma mulher então sabe que apenas consegue fazer de si mesma ridículo ao tentar medir sua masculinidade rudimentar contra a masculinidade do tipo autêntico. Em um ambiente de homens másculos, portanto, sua feminilidade tende a ser expressada com ousadia, e a seleção opera em favor de mulheres com masculinidade exclusivamente latente.

O momento, porém, no qual ela encontra, e ela o faz em períodos de degeneração masculina, que a expressão de sua masculinidade latenta não faz com que ela pareça ridícula - quer dizer, que a quantia de sua masculinidade pode, sem parecer absurda em comparação, ser medida contra a masculinidade dos homens de seu meio - não há mais nada que faça com que seus elementos masculinos sejam recessivos, e sua masculinidade provavelmente será desenvolvida às custas de sua feminilidade, enquanto o processo de seleção operará em favor de uma multiplicação das fêmeas com masculinidade excessiva, e vice-versa.

Isso não quer dizer que a fêmea com fortes elementos masculinos deve ser necessariamente deplorada. Pois, desde que seu ambiente masculino esteja sempre suficientemente além dela em masculinidade para tornar seu lado masculino recessivo, nenhum problema provavelmente despertará, e a multiplicação de mulheres "másculas" então contribuirá sem resultados negativos para o cultivo de um povo viril. Isso aconteceu em Esparta e foi um sucesso dos séculos IX ao IV a.C., sem o aparecimento de um movimento de mulheres, porque até o século IV não havia nenhuma degeneração marcada do macho.

Isso também ocorreu na Inglaterra. E a presença de uma grande proporção de mulheres masculinas em nosso meio hoje não é por si uma prova da degeneração de nossos homens. Pois como uma cultura viril nós necessitamos de mulheres masculinas que não introduzam uma quantia excessiva do elemento feminino em nossa linhagem. É a presente inadaptatividade dessas mulheres, sua atual livre-expressão de sua masculinidade às custas de sua feminilidade, que é um sinal de degeneração masculina, porque quer dizer que seus machos não permaneceram suficientemente acima delas em características masculinas para tornar sua masculinidade recessiva.

A questão, portanto, é se há sempre sinais de degeneração masculina, acompanhada por virilidade feminina, em sociedades onde a mulher tende a dominar. O teste é se os elementos masculinos na mulher estão sendo expressados livremente. Que houve tais sinais nas antigas Atenas, Roma e na França do século XVIII, eu já demonstrei. O fato de que as hetairai de Atenas acompanhavam os filósofos, e instruíram um homem tão famoso quanto Sócrates, é um comentário tanto sobre a filosofia socrática e sobre as hetairai, enquanto as provas históricas que nós temos da crueldade desmedida das matronas romanas no período de declínio, e das viragos que Roma produziu durante o Império, não deixam-nos dúvidas de que os elementos masculinos nas mulheres romanas do primeiro século d.C. há muito haviam deixado de ser recessivos.

Crueldade na mulher, que é a expressão mórbida daquela parte de seus elementos masculinos que incluem o sadismo, sempre é um sinal de bissexualidade irrestrita, ainda que não seja de modo algum o único sinal que ocorra de novo e de novo nos períodos de decadência masculina. A crueldade diabólica das mulheres da Revolução Francesa revoltaram até mesmo os terroristas masculinos, e nós não devemos esquecer que, como o humanitarismo extravagante e choroso é apenas uma forma invertida e socialmente permitida de sadismo, a demonstração de humanitarismo excessivo na Inglaterra moderna é realmente tão suspeita quanto era a crueldade das últimas matronas romanas.

Sacrifícios

"Nenhum de nós vale mais do que valiam os homens e as mulheres que viveram no passado. Nenhum dos sacrifícios feitos então eram mais fáceis do que os que nós temos que fazer agora. Nenhum sacrifício que impõe-se a nós é mais penoso, do que os mesmos sacrifícios foram outrora para os que tinham que suportá-los."
(Richard Wagner, Rienzi)


sábado, 25 de junho de 2011

Aleksandr Dugin - Ou Quando a Metafísica e a Política se Unem

por Sergio Fritz Roa

Escassas personalidades nos últimos anos comoveram de maneira tão estrondosa os ambientes do radicalismo mundial, como fez Aleksandr Dugin. Polemista, homem dotado de uma memória prodigiosa, notável artesão na difícil ciência de gerar idéias, locutor radial de um programa transgressor como poucos, ensaísta, geopolítico, músico, estudioso da Metafísica guénoniana, crítico das ideologias políticas aceitas pela polícia do pensamento, editor clandestino das obras de Guénon e Evola quando ainda a União Soviética era uma realidade, diretor da associação e casa editorial Arctogaia, a qual literalmente inunda a Internet com suas páginas que tratam sobre Nacional-Bolchevismo, Otto Rahn, Eurasismo, e Julius Evola, entre um universo conceitual heterogêneo que poderá gerar aplausos ou odiosidades; pois frente a Dugin ou está-se com ele e segue-se o mesmo, ou repudia-se ele. Parece não haver outra opção. E, sem embargo, nós queremos fazer um juízo crítico que esteja mais além das posturas extremas antes mencionadas. Trataremos de expôr as idéias que sustenta Dugin, indicando, quando estimemo-lo procedente, nossa opinião.


1 - Tese Geopolítica

Um dos pontos centrais dos escritos desse pensador russo é a geopolítica. Nele converge uma tradição que vai desde Halford McKinder, passando pelo misterioso Karl Haushofer, até Parvulesco, seu amigo francês.

A importância dada por Dugin à política dos grandes espaços, o engrentamento entre dois postulados cosmovisionais como são o atlantismo e o eurasismo, o destino de Alemanha e Rússia, fundamenta-se na busca do sentido de uma luta que possui elos invisíveis e na qual não atuam somente os homens senão - se permite-se a nós a expressão - os próprios deuses. Quer dizer, o combate entende-se entre idéias-forças mais que entre personalidades. Os homens somente representam os corpos ou pontos espaciais em que manifesta-se a violência histórica.


2 - Política Hermética

Para Aleksandr Dugin como para Pauwels, Bergier, Serrano, Robin, Evola, Angebert, e tantos outros, existem conexões ocultas entre política moderna e espiritualidade. Muito já escreveu-se dos Iluminados da Baviera, da Ordem de Thule, da Maçonaria. Dugin assinala novos paradigmas. Fala-nos da geopolítica movida por seitas que enfrentam-se à morte; do cosmicismo russo. e de outras forças veiculadas por pequenos grupos, que trabalham nas sombras.

Tem sido matéria de fortes críticas a idéia de Dugin segundo a qual o comunismo seria uma espécie de "Via da Mão Esquerda", a qual encontra uma expressão no mundo tradicional em correntes como o Tantrismo. É este repetimos, um dos pontos mais controvertidos em Dugin, haja vista que em seus textos aprecia-se uma valoração deste caminho. Vimos na Internet na página de um sítio nacional-bolchevique, como se tratasse-se de uma reivindicação, uma fotografia do satanista Aleister Crowley, por quem o russo manifestou grande interesse. Não podemos omitir que dissentimos dessa nebulosa espiritual, a qual somente conduz a equívocos àqueles que não estejam inteirados da dicotomia "espiritualidade tradicional/pseudo-espiritualidade", expressa tão claramente por Guénon. Por outra parte, se Dugin pretende defender a Tradição, por quê não dedica-se exclusivamente à exposição séria e meditada do Cristianismo Ortodoxo - o qual sim possui até hoje a transmissão e os ritos próprios de um caminho tradicional - em vez de buscar a Luz em um dos terrenos mais instáveis da "espiritualidade", como é o ocultismo?


3 - Revolução Conservadora

O escritor russo resgata a mensagem daquele distinto grupo que Armin Mohler denominou em sua tese doutoral "Revolução Conservadora", e à qual teriam aderido pensadores da estatura de Thomas Mann, dos três Ernst (Niekisch, Jünger e von Salomon), Carl Schmitt, Oswald Spengler, os irmãos Strasser, entre outros.

A filosofia desse agrupamento caracterizar-se-ia por um evidente culto à guerra, o ter bebido em fontes nietzscheanas, sua oposição ao Nacional-Socialismo, um acento esquerdista - o qual, devemos dizer, não dá-se com o politólogo católico Schmitt - que sem embargo é capaz de resgatar a Nação como entidade e bandeira de luta.

Os membros desta corrente serão focos de atração para Dugin, como foram-no para o movimento cultural chamado Nova Direita.

4 - Espiritualidade Tradicional

Dugin editará duranto os anos do marxismo em formato de samizat, textos dos autores tradicionalistas René Guénon e Julius Evola. Assinalará que tanto na Igreja Ortodoxa como no Islã há duas forças vivas da Tradição na Rússia e nos países eslavos. Será portanto crítico do neo-espiritualismo e desse fenômeno extraordinariamente anti-tradicional e subversivo que é a New Age. Sem embargo, e como já indicamos, existem aspectos em seus postulados que parecem-nos rotundamente questionáveis; por exemplo sua valoração em relação a aspectos da magia ocultista e obscurantista de Crowley.


5 - Convergência dos Extremos

Aleksandr Dugin definir-se-á Nacional-Bolchevique. Portanto, sua pretensão é a união tática das hostes nacionalistas e comunistas. E assim unirá o radicalismo alemão com o bolchevismo russo. Digamos de nossa parte que esta doutrina, ainda que disparatada, não obstante não é nova, e, que ao contrário, já foi apresentada como um muro defendido por vários pensadores. É o que denominou-se "aliança marrom-vermelha", que seduziu a alguns autores da "Revolução Conservadora", e em anos mais recentes a Giorgio Freda, autor do texto "A Desintegração do Sistema" e criador de um curioso movimento chamado nazi-maoísta.

Tal postura, segundo os nacional-bolcheviques, justifica-se no fato de que os únicos adversários do sistema capitalista tem sido e são a extrema-direita e a extrema-esquerda.

Como anedota, digamos que Julius Evola criticou estas posturas, as quais apresentaram-se muito fortes e radicais na Itália, durante a década de 60 e 70, levando inclusive ao cárcere vários dos militantes desta corrente, os quais acreditavam que não havia outra via plausível além da violência. O resgate por este grupo de figuras como Che Guevara, Mussolini, Mao Tsé-Tung, ou do próprio Evola (o qual jamais em seus textos ou diálogos aprovaria um atuar semelhante), foi uma das características na Itália desta doutrina demasiado ambígua e perigosa.


6 - Novas Estratégias

Não somente a erudição do diretor de Arctogaia chamou a atenção dos europeus. Também fê-lo seu caráter de polemista. Para ele hão de utilizar-se novas estratégias e táticas. A guerra atual exige novos meios, e não devem ficar de lado a televisão, o rádio, o jornal, a revista, a Internet. Em todos eles, Dugin lançou seus dardos venenosos, semeando a comoção nos meios intelectuais.

Porém não somente basta utilizar novas ferramentas, extrai-se de seu atuar. Deve utilizar-se uma nova semântica. A revolução não é outra coisa que a imposição de novos parâmetros conceituais. Assim, uma linguagem que utilize palavras supostamente antagônicas despertará a atenção. Utilizar termos como revolução-conservadora, socialismo-nacional, união entre extrema-direita e extrema-esquerda, é fortemente polêmico. E é aqui que assinalamos um traço operacional de Dugin: ao querer abarcar muito - ao ser extensivo - caiu em contradições.

Tentamos mostrar em uma síntese - que sabemos ser demasiado apertada - as principais idéias que movem este intelectual do ativismo mais radical. Esperamos que seja de utilidade nosso trabalho para aqueles que busquem outros caminhos nos tristes mares da política atual. 

Digamos, para finalizar, que pode-se estar de acordo ou em oposição em relação às teorias do pensador russo. Não obstante, alguém poderia ser indiferente aos seus postulados? Acreditamos que não, e há aí um mérito não menos imputável a este geopolítico da metafísica.


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Eduard Alcántara - Pode-se Iniciar um não-Indo-Europeu?

por Eduard Alcántara


Gostaríamos que as reflexões que vertemos em continuação e que correspondem a vários intercâmbios de missivas que protagonizamos na Rede com outros tantos internautas não provoquem em nenhum leitor a errônea idéia (que poderia vir provocada, em parte, pelo próprio título do presente escrito) de que a Iniciação supõe uma experiência de fácil acesso e de seguimento vivencial por parte do comum dos mortais. Essa frivolidade suporia adquirir uma idéia espúria do que representa este processo de Palingênese ou renascimento interior à realidade sutil e, em última instância, ao Incondicionado e Imperecedouro.

Fique, de antemão, claro que quanto maior é o grau de materialização e/ou de subjugação ao ínfero, às forças irracionais, aos baixos impulsos e instintos e aos sentimentos desenfreados pelos quais atravessa o homem em um determinado período do devir da humanidade, menor é, em correspondência contrária, a possibilidade de encontrar indivíduos aptos, conscientes e dispostos a adentrar-se no que conhece-se como Iniciação. E não esqueça-se, em relação a isto, que o atual e dissoluto período do mundo moderno pelo qual transitamos representa a etapa mais dissolvente e deletérea - a crepuscular ou obscura - da decadente idade de ferro ou do Kali-Yuga a respeito da qual já punha-nos em alerta os textos sapienciais e sagrados da Antiguidade.

Como não é o tema central dessas linhas o falar sobre o conteúdo essencial do processo iniciático remetemo-nos a nossos "Debates Metafísicos (II): A Iniciação", caso alguém deseje ler algumas reflexões mais ao redor dessa questão.

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Segundo muitas posturas defendidas desde o campo da Tradição, as raças não boreais (não descendentes de Hiperbórea; isto é, não-indo-européias) poderiam ser o resultado da involução, motivada por decadência espiritual, de raças similares à nossa que emanaram a partir do Princípio Supremo em humanidades ou ciclos humanos anteriores ao atual; isto é, em Manvantaras anteriores ao nosso (um Manvantara, segundo a ciclologia sagrada indo-ariana estaria formado pelas Quatro Idades das quais falava Hesíodo, ou pelos Quatro Yugas aos quais fazem referência os textos védicos). Por isso (por esta decadência que remonta-se a períodos tão remotos) as outras raças teriam chegado a uma fase de bestialização mais grosseira do que a que inclusive nossa raça atravessa e, portanto, teriam vetado o Despertar ou Iluminação.

Somente poder-se-ia fazer alguma ressalva em relação à raça amarela. Determinados indivíduos de dita raça poderia chegar à Gnose do Absoluto e à identificação ontológica com o Princípio Supremo porque, apesar de seus traços basicamente mongoloides (fenotipicamente as outras raças são dominantes, quando se realizam cruzamentos, em relação à boreal), em seu interior subsistiria todavia uma grande quantidade de aporte genético indo-europeu devido ao sangue que povos boreais como, por exemplo, os tocharianos teriam aportado em povos como o chinês. Todavia entre os ainu do Japão pode-se observar muitos traços físicos tipicamente indo-europeus; ainda que este caso seja matizável desde o ponto de vista espiritual. A raça amarela teria degenerado a partir de seu "aparecimento" no Manvantara anterior ao atual, pelo que sua queda não teria chegado a tal nível como ao que chegaram outras raças (como a negra ou a semita) cuja "aparição" dataria de Manvantaras ainda mais distantes no tempo.

De toda maneira, apesar de tudo o dito a favor da raça amarela, hoje em dia os indivíduos mais aptos espiritualmente somente poderiam chegar a iniciar-se no que o mundo grecorromano considerou como pequenos mistérios e a tradição hermético-alquímica denominou como albedo ou obra ao branco, isto é, somente poderiam chegar a experimentar essa espécie de clarão espiritual difuso de que foram, por exemplo, sujeitos passivos os grandes místicos espanhóis do Século de Ouro (São João da Cruz, Santa Teresa de Jesus, etc), ou, no máximo, unicamente seriam capazes de Conhecer a realidade composta pelas forças ou númenos sutis cósmicos porém sem ter a possibilidade de atuar sobre as causas últimas que encontram-se por trás da manifestação de ditos numens e por trás de suas diferentes dinâmicas. Longe ficará aos extremo-orientais mais aptos a possibilidade de iniciar-se nos grandes mistérios ou de chegar ao rubedo ou obra ao vermelho, isto é, de chegar ao Conhecimento nítido do Princípio Supremo e a sua identificação ontológica com Ele.

Não esqueçamo-nos de que uma pessoa como Gautama Siddharta, o Buda, era de extração racial indo-européia, já que pertencia à família dos Shamkya, que era uma das famílias com mais aura de valentia e mais aguerridas dentre as que formavam parte da casta dos shatriyas ou guerreiros. Recordemos que tanto brâmanes, shatriyas como viayshas eram castas descendentes dos conquistadores indo-europeus da Índia.

Sobre a questão de que em qual grau de transformação interior podem chegar, metafisicamente falando, alguém pertencente ao âmbito do Islã transcrevemos, a continuação, algo que escrevemos em outra época em um artigo intitulado "O Islã e a Tradição":

Não está correto aquele que quereria fazer o Islã partícipe de um tipo de Espiritualidade ativa, argumentando que em seu seio desenvolveram-se correntes de caráter esotérico e, portanto, de genuína transubstanciação interna da pessoa. E não está correto porque sempre tratou-se de correntes que, por trás da cortina de uma aparente obediência muçulmana, eram portadoras de uma cosmovisão e de objetivos alheios aos da religiosidade oficial existente nos territórios nos quais tomaram corpo. E tomaram corpo precisamente em zonas de povoação de origem eminentemente, ou consideravelmente, indo-européia nas quais poucos séculos antes o Islã ainda não havia feito ato de presença sob a forma de invasão militar e nas quais a fé maometana não teria conseguida ainda varrer alguns dos restos de uma Espiritualidade Superior e Solar que teriam subsistido até o momento de dita irrupção militar.

E referimo-nos à zona ocupada da Península Ibérica - Al-Andalus - e à Pérsia. E como alguns de seus mais destacados representantes ressaltaríamos o mestre sufi murciano Ibn Arabí (séculos XII e XIII) e ao também sufi persa Al Hallaj (séculos IX e X); o qual como dado significativo, foi torturado e executado por sair da ortodoxia marcada pela religião muçulmana (isto é, por transitar pela via Olímpica do Despertar e do Conhecimento do Absoluto). Igualmente a Pérsia foi testemunha da aparição de outra ordem de natureza esotérica e iniciática: a dos ismaelitas.

É bem significativo que estas veias de Espiritualidade Superior não desenvolveram-se no seio de etnias de extração não-indo-européia, pois temos de ter bem presente que povos como os semitas- entre os quais se expandiu majoritariamente o Islã no início - sempre aderiram, e seguem aderindo, a um tipo de religiosidade passiva e lunar; e isto é devido a sua idiossincrasia particular e a suas nulas potencialidades para empreender vias iniciáticas de elevação em direção a uma Consciência Superior."

***

Para demonstrar a suposta concordância que mostraria o Islã com os parâmetros do que entendemos por Tradição há aqueles que, desde posições tradicionalsitas porém com óticas - a nosso entender - erradas, não duvidam em afirmar que o pertencimento a uma raça física determinada não teria importância à hora de calibar-se a possibilidade de que alguém possa, por exemplo, chegar a ser um Iniciado.

Quem assim pensa tenta demonstrar seus posicionamentos incidindo em que:

Não existem determinismos para o Homem Verdadeiro: para o Senhor de Si Mesmo (postura da qual compartilhamos).

Nem determinismos históricos: o determinismo histórico que postula que a história faz a si mesma: tese + antítese = síntese; ou igual a novas mudanças históricas - dialética hegeliana - (também nós repudiamos a suposta inevitabilidade do chamado determinismo histórico).

Nem determinismos religiosos concretizados em um deus onipotente que faz e desfaz a seu bel-prazer e sem que, fatalmente, o homem-animal possa fazer nada para traçar seu próprio rumo (também estamos de acordo com isso).

Nem determinismos ambiental-educativos que condicionem totalmente o caminho a escolher e seguir pelo homem - o "capaz de salvar-se ou condenar-se", como diria José Antonio Primo de Rivera (seguimos aderindo-nos a estas afirmações).

Nem determinismos cósmicos na forma de um Destino que, qual se de um fatalismo ineludível tratasse-se, tudo tem irremissivelmente programado de antemão (até aqui nada temos que objetar).

Nem determinismos raciais que condicionem a via a seguir pelo ser humano.

E é aqui (nesta última afirmação), ao contrário, onde estamos convencidos de que equivoca-se, pois uma coisa é o ser fiel e piedoso devoto de qualquer tipo de religião e outra coisa é poder seguir o árduo caminho da transubstanciação interna que supõe a via iniciática. E estamos convencidos disso porque defendemos a certeza de que não é que a raça signifique um falso determinisom na hora de recorrer à via que aspira a ascender ao Despertar do qual fala o budismo, mas sim que, o que, ao contrário, devemos postular neste âmbito é outra diferente certeza e esta é a que de que tão somente exista uma que pode sim (ainda que poucos de seus membros proponham-se a isso) estar por cima destes determinismos mutiladores da dimensão transcendente do homem e esta raça não é outra que a indo-européia. Esta sim tem a opção de escolher entre recorrer a via dos servos ou a via dos Senhores de Si Mesmos. Esta sim que pode demonstrar que, se assim o escolher, para ela não existem determinismos amputadores.