domingo, 31 de julho de 2011

León Degrelle discursa: "Viva a Europa!"



“Há neste momento para o mundo europeu um perigo enorme: perigo exterior e perigo interior de desagregação. Todas estas forças democráticas arruinaram à família, à idéia de pátria, à idéia da religião... acabaram com todo tipo de ideal! Já não há mais vida espiritual... e a vida espiritual é o principal no mundo! Sem a vida da alma, não há nada.

E todas as grandes coisas realizadas no mundo, foram feitas sempre em poucos.

Não é preciso ter milhões de pessoas vagas. É necessário que tenhamos corações fortes, dispostos ao sacrifício, até a morte se for preciso. Corações que sabem o que querem, que sabem onde está o porvir. Assim se poderá salvar à Europa.

Se houverem por todos os lados da Europa rapazes e moças como vocês; se cada um fizer o esforço necessário para convencer aos outros, que este torne-se o dia do grande julgamento: quando se apresentaram, por toda a Europa, estes milhares de jovens que podem salvar o que restar.

Estes jovens existem. Existem aqui e existem em todos os países da Europa. São eles os que um dia, no dia de Deus, quando ele nos ajudará e nos inspirará, que se poderá chegar à salvação. Perigos enormes, possibilidades enormes... dependem de vocês. Viva a Europa!”

Debate Olavo de Carvalho x Aleksandr Dugin: Conclusão de Aleksandr Dugin

por Aleksandr Dugin

Notas finais: Contra o mundo pós-moderno

Para concluir esse debate com o Sr. Carvalho, eu gostaria de resumir aqui os pontos mais importantes:

Eu vejo agora que ele estava um tanto correto no  começo ao enfatizar que a assimetria das nossas respectivas posições iria, por fim, prejudicar toda a tarefa. E assim ocorreu. Eu não vejo utilidade em continuar essas críticas mútuas porque isso não ajuda a entender nada (tanto em nosso caso como no caso dos leitores). Posso confessar sinceramente que eu acho a posição do Sr. Carvalho muito pessoal, idiossincrática e irrelevante. De maneira que gostaria de me concentrar nos pontos teóricos que a mim parecem ter importância real pela causa da Tradição, do anti-imperialismo e da luta anti-moderna, que e minha preocupação primária e única.

Em primeiro lugar, eu insisto que o mundo atual é unipolar tendo como seu centro o Ocidente Global e tendo os Estados Unidos como seu coração. Os argumentos contraries do Sr. Carvalho não  me convenceram de maneira alguma.

Esse tipo de unipolaridade tem aspectos geopolíticos e ideológicos. Geopoliticamente significa o domínio estratégico do planeta pelo “hiper-poder norte-americano” e o esforço de Washington para organizar o equilíbrio das forces no planeta de tal forma que os permita dominar  o mundo de acordo com seus interesses nacionais e imperialistas. Isso é mau porque priva outros estados e nações de sua real soberania.  

Quando há somente um estância que decide quem é certo e quem é errado e quem deveria ser punido, temos um tipo de ditadura global. Estou convencido de que isso não é aceitável. Portanto, deveríamos lutar contra isso. Se alguém nos priva de nossa liberdade, temos que reagir. E fa-lo-emos.  O Império Americano deveria ser destruído. E será, em algum momento.

Ideologicamente a unipolaridade é baseada em valores doo Modernismo e do Pós-Modernismo, valores esses que são  anti-tradicionais.  Compartilho da visão de René Guénon e Julius Evola que consideravam a Modernidade e sua base ideologica (o individualismo, a democracia liberal, o capitalismo, o “confortismo” e assim por diante) como sendo a causa da future catástrofe da humanidade e o domínio das atitudes ocidentais como a razão da degradação final do planeta. O Ocidente está se aproximando de seu fim e não deveríamos permitir que ele levasse consigo ao abismo todo o resto.

Espiritualmente a globalização é a criação da Grande Paródia, o reino do Anticristo. E os Estados Unidos são o centro de sua expansão. Os valores americanos pretendem ser universais. Essa é a nova forma de agressão ideological contra a multiplicidade de culturas e de tradições ainda existents em outras partes do mundo. Eu sou resolutamente contra os valores ocidentais, essencialmente modernistas e pós-modernistas e que são promulgados pelos Estados Unidos à força ou por invasão (Afeganistão, Iraque, hoje a Líbia, amanhã a Síria e o Irã).

Assim, todos os tradicionalistaas deveriam estar contra o Ocidente e a globalização e também contra as políticas imperialistas dos Estados Unidos. È a única posição conseqüente e lógica. Os tradicionalistas e partidários dos princípios e valores deveria se opor ao Ocidente de defender o  Resto, se esse “Resto” manifesta sinais de conservação da Tradição – em parte ou em sua integridade. 

Pode haver, e há de fato, homens no Ocidente e nos Estados Unidos da América que não concordam com a situação presente das coisas e que não aprovam a Modernidade e a Pós-Modernidade, sendo defensores da tradição spiritual do Ocidente pré-moderno. Eles deveriam estar conosco na nossa luta comum. Eles deveriam participar de nossa revolta contra o mundo moderno e pós-moderno e assim nós lutaríamos juntos contra um inimigo comum. Infelizmente, não é o caso do Sr. Carvalho. Ele se coloca como parcialmente crítico da civilização occidental moderna, mas concorda parcialmente com ele e ataca seu inimigos. É uma espécie de “semi-conformismo”, por assim dizer. Isso é francamente irrelevante e não tem interesse para mim. Há amigos e há inimigos. Somente isso importa. Tudo o mais não tem nenhuma importãncia. O Sr. Carvalho não é nem um dos dois. É a escolha dele. Os seus mitos pejoratives anti-soviéticos e anti-russos, suas teorias da conspiração estúpidas, seu racismo cultural ocidental implícito, o ressentimento para como seu país de nascimento não merecem críticas. Sem comentários.  

Outra qestão é a estrutura de uma possível fronte anti-globalista e anti-imperialista e seus participantes. Eu creio que deveríamos aí todas as forces que luta contra o Ocidente, contra os Estados Unidos, contra a democracia liberal, contra a modernidade e a pós-modernidade.. O inimigo comum é a instância necessária para todo tipo de aliança política. Muçulmanos, cristãos, russo, chineses, esquerdistas ou direitistas, hindus ou judeus que contestam a estado atual das coisas – a globalização e o imperialismo Americano – são virtalmente amigos e aliados.  Que nossos ideais sejam diferentes mas que tenhamos em comum algo muito forte: o ódio que temos  pela presente realidade.  Nossos ideais diferem potencialmente (in potentia). Mas o desafio com o qual estamos lidando é atual (in actu). Então essa é a base para a nova aliança. Todos aqueles que possuem uma análise negativa da globalização, da ocidentalização da pós-modernização deveria coordenar esforços na criação de uma estratégia de resistência ao mal onipresente.  E há dos nossos também nos Estados Unidos, entre aqueles que escolhem a Tradição ao invés da decadência atual.

Uma importante questão poderia ser levantada nesse ponto: que tipo de ideologia deveríamos usar em nossa oposição à globalização e seus princípios liberais, democráticos, capitalistas e pós-modernistas? Eu penso que todas as ideologias anti-liberais como o comunismo, o socialismo e o fascismo não tem mais relevância.  Eles tentaram derrotar o capitalismo-liberal mas falharam. Em parte porque no fim dos tempos o mal prevalece e em parte por conta das suas contradições e limitações internas. Portanto, é tempo de levar a cabo uma profunda revisão das ideologies anti-liberais do passado. Quais são seus aspectos positivos? – O próprio fato de que eles eram anti-capitalistas e anti-liberais, anti-cosmopolitas e anti-individualistas. Portanto, essas características deveriam ser aceitas e integradas na future ideologia. Mas a doutrina comunista é moderna, atéia, materialista e cosmopolita. Isso deveria ser descartado. Entretanto, a solidariedade social, a justiça social, o socialismo e a atitude  holística geral para com a sociedade são boas em si mesmas. Portanto, precisamos destacar o aspecto materialista e modernista e rejeitá-los.

Por outro lado, nas teorias da Terceira Via, estimadas até certo ponto por alguns tradicionalistas como Julius Evola, há alguns elementos inaceitáveis entre os quais, primeiramente,  está o racismo, a xenophobia  e o chauvinismo. Essas não são somente falhas morais mas também attitudes inconsistentes teoricamente e antropologicamente. A diferença entre “ethnos” não implica superioridade ou inferioridade.  A diferença deveria ser aceita e afirmada sem quaisquer apreciações racistas. Não há uma medida comum  a lidar com grupos étnicos diversos. Quando uma sociedade tenta julgar outra ela  aplica seu próprio critério, cometendo assim uma violência intelectual.  Essa mesma atitude é precisamente o crime da globalização e da ocidentalização, assim como do imperialismo americano.

Se livrarmos o socialismo de suas características materialistas, atéias e modernistas, e se rejeitarmos o racismo e os estreitos aspectos do nacionalismo presentes  nas doutrinas da Terceira Via chegaremos a uma ideologia política completamente nova. Chamamo-la “Quarta Teoria Política”, uma vez que a primeira foi o liberalismo, que confrontamos essencialmente, a segunda foi a forma clássica de comunismo e a terceira o nacional-socialismo ou fascismo. A elaboração dessa teoria começa no ponto de intersecção entre as diferentes teorias políticas anti-liberais do passado (O comunismo e as teorias da terceira via). E assim desembocamos no Nacional-Bolshevismo que representa o socialismo sem materialismo, ateísmo, progressismo e Modernismo, assim como uma Terceira Via sem racismo ou nacionalismo. Mas esse é somente o primeiro passo. O acréscimo mecânico de versões profundamente revisadas das ideologies anti-liberais do passado não nos dá o resultado final. É somente uma primeira aproximação, uma abordagem preliminar. Deveríamos seguir adiante e fazer um apelo à Tradição e às fontes pré-modernas de inspiração. Temos aí o estado ideal de Platão, a sociedade hierárquica e teológica da Idade Média (cristã, islâmica, budista, judia ou hindu) e a visão de um sistema político e social normativo. Essa fonte pré-moderna é um desenvolvimento muito importante da síntese Nacional-Bolshevista.  Portanto, temos de encontrar um novo nome para esse tipo de ideologia e “Quarta Teoria Política” é bem apropriado para o caso. Isso não nos diz o que é essa Teoria, mas sim o que ela não é. Portanto, é uma espécie de convite e apelo ao invés de um dogma.

Politicamente temos aqui uma base interessante para a cooperação  consciente dos esquerdistas de direitistas assim como dos religiosos e outros movimentos anti-modernos (os ecologistas, por exemplo). A única coisa na qual insistimos para crier tal cooperação é colocar de lado os preconceitos anti-comunistas e também os anti-fascistas. Estes preconceitos são os instrumentos nas mãos de liberais e globalistas através dos quais eles mantém seus inimigos divididos. Devemos, portanto, rejeitar firmemente o anticomunismo e o antifascismo. Ambos são ferramenta contra-revolucionárias nas mãos do elite global. Ao mesmo tempo deveríamos nos opor a qualquer tipo de confronto entre as religiões – muçulmanos contra cristãos, judeus contra muçulmanos, muçulmanos contra hindus e assim por diante. As guerras entre diferentes confissões é um trabalho de ódio pela causa do reino do Anti-Cristo que tenta divider todas as religiões tradicionais para poder impor sua própria pseudo-religião, a paródia escatológica. O Sr. Carvalho trabalha aqui como um propositor de tal divisão de religiões. Isso é muito lógico pela sua posição.

Precisamos, portanto, unir a diretia, a esquerda e as religiões numa luta comum contra o inimigo. A justiça social, a soberania nacional e os valores tradicionais são três princípios de tal ideologia. Não é fácil reunir tudo isso. Mas devemos tentar se quisermos nos vermos livres do adversário.  

Em francês há o slogan: “la droite des valeurs et la gauche du travail” (Alain Soral). Em italiano temos o: “La Destra sociale e la Sinistra identitaria”. Como isso soaria em ingles exatamente, veremos depois.[1]

Poderíamos avançar ainda mais e tentar definer o sujeito, o ator da Quarta Teoria Política. No caso do comunismo, no centro estava a Classe. No caso dos movimentos da Terceira Posição o centro era a raça ou a nação. No caso das religiões é comunidade dos fiéis. Como é que a Quarta Teoria Política poderia lidar com essa diversidade e divergência de sujeitos? Temos uma sugestão: o sujeito da Quarta Teoria Política pode ser encontrado no conceito Heideggeriano de Dasein (Ser-aí/aqui). Essa é uma instância  concreta mas extremamente profunda que poderia ser o denominador comum para ulterior desenvolvimento ontológico. O que é crucial aqui é a autenticidade o a não-autenticidade da existência do Dasein. A Quarta Teoria Política  insiste na autenticidade de sua existência. Ela é, assim, a antíttese de todo tipo de alienação – social, econômica, nacional, religiosa ou metafísica.

Mas o Dasein é uma instância concreta. Qualquer homem e qualquer cultura possui o seu Dasein. Difere entre si, mas está sempre presente. E aqui eu só posos mencionar um assunto que precisaria de mais explicações, que são dadas em meus livros e artigos.

O ultimo ponto é o lugar do Brasil e da América Latina como um todo na estrutura global real do mundo. Eu vejo o papel do Brasil como algo comparável ao papel da Rússia/Eurásia. É um país muito particular com uma cultura muito específica e na qual elementos ocidentais estão mesclados como componentes indígenas.É baseado na mistura de diferentes blocos de valores.  Exatamente como ocorre com  a cultura russa. Em nosso país, chamamos essa característica “Eurasissmo” enfatizando que estamos lidando com uma síntese original de padrões e atitudes européias e asiáticas.  O Brazil, de certa maneira metafórica é também «eurasiano»; Há uma mistura de ocidental e não-ocidental nas próprias raízes da sociedade. O Brasil assim como outros países da América Latina tem sua própria identidade particular. Mas entre outros países, o Brasil é o que está se desenvolvendo com maior velocidade e está conseguindo afirmar mais e mais sua independência política e econômica. Essa independência Essa independência é considerada primeiramente em comparação com os EUA. Portanto, aqui a afirmação de identidade cultural vai de mão dadas com o crescimento econômico e geopolítico. Precisamos interpretar as simpatias esquerdistas da maior parted a sociedade brasileira como um signo de uma busca de uma identidade social particular que não cabe nos padrões individualistas e liberais da sociedade Norte-Americana.  O socialismo brasileiro e da América Latina como um todo tem muitas características nacionalistas e étnicas em si mesmo. O fator religioso católico e a síntese das crenças religiosas populares são elementos muito importantes no presente despertar da nova identidade soberana no Brasil.  É, em alguns aspectos, comparável com o renascimento geopolítico, cultural e espiritual da Rússia moderna.

Assim, a afinidade nos níveis geopolíticos, culturais e sociais faz com que nossa situação seja similar e nos dê base para mútua cooperação e aliança geopolítica. A Rússia, assim como a América Latina, os países islâmicos ou a China vêem o mundo futuro essencialmente como um mundo multipolar no qual os Estados Unidos e o Ocidente em geral deveriam ser não mais que um dos pólos entre todos os outros. Qualquer clamor de imperialismo, colonialismo ou universalismo de valores deveria ser severamente rejeitado. Estamos, portanto, no mesmo campo. E devemos nos concentrar nisso.  

Aceitar que deveríamos progredir na elaboração de uma estratégia comum no processo de criação do futuro que se adeque as nossas demandas e às nossas visões. Portanto, tais valores, como a justice social, a soberania nacional e a espiritualidade tradicional poe server-nos como indicação.

Acredito sinceramente que a Quarta Teoria Política, o Nacional-Bolshevismo e o Eurasianismo podem ser de grande utilidade para nossos povos, nossos países e nossas civilizações. A palavra chave é “multipolaridade” em todos o sentidos – geopolítico, cultural, axiológico, econômico e assim por diante.

A importante visão do Nous (Intelecto) do filósofo grego Plotino corresponde ao nosso idea. O intelecto é um e múltiplo ao mesmo tempo, porque tem em si todos os tipos de diferença – não uniforme, e misturado, mas tomado como tal em todas as suas particularidades. O mundo futuro deveria ser um mundo noético de alguma forma – a multiplicidade, a diversidade deve ser entendida como riqueza e um tesouro e não uma razão de inevitáveis conflitos: muitas civilizações, muitos pólos, muitos centros, muitos conjuntos de valores e um planeta e em uma humanidade.

Mas há alguns que pensam diferente. Quem estão contra tal projeto? Aqueles que querem impor a uniformidade, o pensamento único, um único modo de vida (o americano), um único mundo. E eles estão fazendo isso por força ou por persuasão. Eles são contra a multipolaridade. Portanto, estão contra nós. O Sr. Carvalho é um desses. De agora em diante o sabemos. O debate está encerrado. Mas nossa luta está só no começo.

Espero  sinceramente que haja no Brasil outros tipos de tradicionalistas, intelectuais e filósofos que estão mais próximos do ponto de vista eurasianista e que sejam mais consistentes e coerentes na sua rejeição da modernidade e da pós-modernidade, bem como na rejeição da globalização, do liberalismo e do imperialismo norte-americano. E que sejam também mais brasileiro…

sábado, 30 de julho de 2011

Wall Street fundiu o Motor Financeiro Global

por Adrian Salbuchi, no final de 2008

Os eventos dos últimos dias deixam em descoberto a inviabilidade, imoralidade, e criminalidade do sistema financeiro, bancário e monetário imposto ao mundo já há décadas por aqueles que promovem a "globalização", o que permitiu que um pequeno conjunto de pessoas acumulem imenso poder sobre mercados, empresas, indústrias, forças armadas e nações inteiras, de uma maneira irresponsável e criminosa.

Trata-se de um sistema de poder global iníquo, desenhado nos centros de planejamento geopolítico e geoeconômico privados a serviço das estruturas de poder da Nova Ordem Mundial - notavelmente, seus think tanks (bancos de cérebros) privados como o Council of Foreign Relations (CFR fundado em 1919), a Trilateral Commission (fundada em 1973), a Conferência Bilderberg (formada em 1954), e outros como o Cato Institute, American Enterprise Institute (AEI) e o Proyect for a New American Century (PNAC).

Devido à enorme complexidade do processo que está desenvolvendo-se nestes momentos, a enorme quantidade de informação que sucede-se dia a dia, e a dificuldade aparente de prever deselaces tanto globais como em nosso país, é que sintetizamos à continuação alguns aspectos e dados-chave que ajudam a solucionar este quebra-cabeças, a fim de entrever o verdadeiro rosto desse drama.

Em verdade, como argentinos temos uma enorme vantagem sobre outros povos inclusive o norteamericano, pela simples razão de que nós sofremos na própria pele nos últimos anos o flagelo catastrófico de sucessivas crises hiper-inflacionárias, colapsos bancários sistêmicos, mudanças de moeda, permutas e mega-permutas, blindagens financeiras, etc...

Um Modelo Falacioso

Finanças versus Economia - O sistema financeiro (que é o mundo eminentemente virtual, irreal e parasitário), foi desenhado para funcionar de forma crescentemente contrária aos interesses da economia (que é o mundo real do trabalho, da produção e dos serviços concretos). Ao longo das últimas décadas, as Finanças e a Economia foram-se distanciado uma da outra, deixando de manter uma complementariedade sadia e eqiulibrada, e passando a serem crescentemente antagônicas. Isso reflete-se no sistema atual que baseia-se sobre o conceito de DÍVIDA, o que faz com que a Economia Real sempre fique aprisionada e subordinada aos interesses e vai-véns  das Finanças Virtuais.

Sistema de Dívida - Em matéria de financiamento da economia com recursos genuínos, a doutrina liberal prevalescente deslocou crescentemente o Estado em sua função inalienável de utilizar a Moeda Nacional como instrumento de financiamento da economia, segundo os eixos de um Projeto Nacional centrado em promover o Bem Comum dentro de suas fronteiras e defender o Interesse Nacional ante forças adversárias. Daí entende-se que hoje tenha-se transformado em dogma das finanças, o conceito aberrante de considerar que os bancos centrais devem manter-se "independentes" do Estado, o que é uma maneira de lograr que os mesmos subordinem-se aos interesses da superestrutura bancária privada em lugar dos do povo e da economia em sua totalidade. Isso é assim na Argentina, e em outros países, porém no caso dos Estados Unidos resulta particularmente nefasto porque seu banco central - o Banco da Reserva Federal (FED) - é pura e simplesmente privado em 97% de sua estrutura acionária (ainda admitindo que trata-se de uma estrutura acionária sui generis). Ao lograr a superestrutura bancária privada controlar o banco central, podem então impor uma aguda inframonetarização da economia que faz com que nunca haja capital suficiente para satisfazer as necessidades da economia real. Dessa maneira, são os próprios bancos privados os que logram transformar-se em fonte primária de crédito para toda a economia, ativando assim o mui rentável negócio de emprestar dinheiro a juros, geralmente sob taxas usurárias. No plano geoeconômico, isso também serviu para gerar as enormes dívidas públicas em países como Argentina que também caíram na falácia de não saber utilizar sua Moeda Nacional, e de adotar torpemente todas as receitas neoliberais em matéria de banco central, dívida e outros mecanismos monetários, bancários e financeiros estruturados de forma contrária ao interesse nacional.

Sistema de Reserva Fracional - Este conceito vigente em quase todo o mundo, permite que os bancos privados em seu conjunto gerem do nada dinheiro "virtual" (ou seja, anotações registradas em conta-corrente, caderneta de poupança e linhas de crédito) em uma relação de 8, 10, 30 ou 50 vezes maior à quantidade de efetivo que tem em seus cofres. Em cima, cobram juros e exigem garantias reais e realizáveis por esse dinheiro "inventado". A relação entre a quantidade de dólares ou pesos em seus cofres, e a quantidade de crédito que podem gerar fica determinado pelo banco central (lembremos: controlados pelos próprios bancos), denomina-se encaixe bancário, e reflete uma previsão estatística da porção de poupadores que normalmente retiram seu dinheiro em efetivo. O que ocorre é que o conceito "normal" é um fator de psicologia coletiva, intimamente ligado à percepção que tem os poupadores do sistema financeiro em geral, e de cada banco em particular. Quando surgem "tempos anromais", ou seja, as consabidas e periódicas crises que "explodem" repentinamente como ocorreu na Argentina em 2001, ou hoje ocorre nos Estados Unidos, então TODOS os poupadores correm para retirar seu dinheiro. É então quando descobrem que o mesmo apenas alcança para pagar a uns poucos (e usualmente arbitrariamente beneficiados) poupadores: para o resto não sobre mais dinheiro, com o que deve-se recorrer ao seguro sobre os depósitos bancários (nos Estados Unidos cobre $100.000 por poupador, que são assegurados pela estatal Federal Deposit Insurance Corporation  [...]). Tudo graças ao fraudulento sistema de reserva fracional bancária.

Banco de investimentos - Nos Estados Unidos, os assim-chamados "bancos comerciais" são aqueles que tem grandes carteiras de contas-corrente, cadernetas de poupança e parcelas fixas de pessoas e empresas (bancos como o CitiGroup, Bank of America, etc, e em nosso país o Standard Bank, BBVA e outros), conseguem ter um encaixe que permite-lhes em geral 6, 8 ou 10 dólares "virtuais" por cada dólar real que tem em seus cofres. Estes bancos ficam fortemente fiscalizados pelas autoridades monetárias do país. Não obstante entre os assim-chamados "bancos de investimentos" estadounidenses e globais (aqueles que fazem mega-empréstimos a corporações e Estados e tem grandes clientes), há muito menor fiscalização e os encaixes são muito, muito inferiores. Isso permite-lhes que para cada dólar real em seus cofres, possam emitir 26 dólares "virtuais" (Goldman Sachs), 30 dólares "virtuais" (Morgan Stanley), mais de 60 dólares "virtuais" (Merrill Lynch antes de seu colapso no último 15 de setembro), ou mais de 100 dólares "virtuais" nos casos dos falidos bancos Bear Stearns e Lehman Brothers.

Sistema de canalização e transferência - Outro conceito fundamental encontramo-no na maneira em que canalizam-se os lucros e transferem-se as perdas por todo o sistema, o que faz com que em tempos de bonança e de gigantescos depósitos (quando o sistema cresce, é estável, e permite gerarar muitíssimo dinheiro do nada), todos os lucros são privatizados em favor de acionistas, especuladores, diretores, gerentes, "investidores", etc. dentro das próprias instituições financeiras. Porém quando o sistema contrai-se, desestabiliza-se e entra em colapso, como ocorre hoje, então todas as perdas socializam-se, sendo absorvidas pelo Estado nacional através dos mais variados mecanismos de transferência para o povo (na forma de inflações, hiperinflações, colapsos bancários, bail-outs, aumentos de impostos, moratórias, nacionalizações, etc.)

Os 4 Eixos do Modelo Neoliberal - Em síntese, tudo isto conforma quatro eixos fundamentais que operam e modo coordenado, consistente e complementário cujos números não obstante, a médio e longo prazo, nuncam "fecham". Suas crises periódicas sistêmicas são inevitáveis e absolutamente previsíveis, seja na Argentina ou nos Estados Unidos:

1 - Astringência Monetária - gerada através do banco central "independente" que fica controlado pela superestrutura bancária privada, local e internacional;
2 - Banco privado baseado no sistema de reservas fracionais - que em seu conjunto gera dinheiro virtual do nada, cobrando juros - geralmente usurários - pelo mesmo, gerando enormes lucros para "investidores" e credores;
3 - Dívida - conceito fundamental que "move" as economias privada e pública e que substitui o muito mais saudável conceito do reinvestimento empresarial e da poupança individual. Necessita promover entre os povos um afã de consumismo desarvorado, e uma falta de sentido de previsão e poupança; 
4 - Privatização dos lucros/socialização das perdas - como mecanismo de canalização e transferência quando os recorrentes ciclos chegam a seu final inexorável e alguém tem que pagar pelos pratos quebrados.

Alguns Dados e Conceitos

Resulta muito instrutivo recapitular sobre alguns dos fatos mais importantes dos últimos tempos que conduziram à atual crise terminal do sistema financeiro global e que refletem, com nomes concretos, o que descrevemos acima:

Março de 2008: Colapso do banco de investimentos Bear Stearns, adquirido por JP Morgan Chase através de uma linha de crédito por $30 bilhões outorgada pelo Banco da Reserva Federal (FED).

Abril de 2008: Colapso do Banco IndyMac- Geração de um fundo de resgate de mais de $100 bilhões pelo FED para estabilizar o sistema;

Agosto de 2008: Nacionalização das duas maiores agências tomadoras de carteiras hipotecárias dos Estados Unidos - Freddie Mac e Fannie Mae - pela FED a um custo direto de $200 bilhões, fazendo que o Estado assuma uma carteira de dívida por $5,4 trilhões;

15 de Setembro de 2008 - Colapso do quarto maior banco de investimentos dos EUA, Lehman Brothers que não obstante não foi salvo pelo FED por considerar que seus efeitos estavam suficientemente pautados. Colapso do banco de investimentos Merrill Lynch que foi resgatado pelo Bank of America a um custo de $50 bilhões (extraoficialmente aportados pelo FED já que o Bank of America não dispinha de semelhante quantidade para salvar a Merrill);

17 de Setembro de 2008 - Colapso da maior seguradora estadounidense e mundial, American International Group (AIG), nacionalizada pelo FED em 80% a um custo de $85 bilhões;
19 de Setembro de 2008 - Henry Paulson (secretário do Tesouro e ex-CEO da Goldman Sachs), Bernard Shalom Bernanke (governador do FED) e Christopher Cox (presidente da Securities & Exchange Commission - a comissão de valores dos Estados Unidos) apresentam ao Congresso um plano de resgate ao melhor estilo de "blindagem financeira" por uns $700 bilhões para evitar quedas bancárias adicionais a partir da semana que vem, as que poderiam fazer com que todo o sistema bancário e financeiro dos Estados Unidos e, por extensão, global, entrasse em colapso. A urgência dos funcionários e congressistas nota-se em seus rostos e o debate é enorme porque essa "blindagem" não é mais que um cheque em branco que dar-se-ia a Paulson e Bernanke para que com seus "superpoderes" façam uma ampla salvação dos banqueiros de Wall Street e dos especuladores parasitários. O próprio presidente George W. Busch em sua mensagem ao mundo de 24 de Setembro enfatizou de maneira dramática a gravidade da crise. Ante uma pergunta a Bernanke de um congressista de como chegou-se a esta gigantesca cifra de $700 bilhões, o governador do FED respondeu dizendo que a mesma representa 5% (!!!) de hipotecas que segundo ele são impossíveis de cobrar. Não obstante, analistas independentes estimam que esta cifra resultará absolutamente insuficiente, porque a porção de hipotecas que prevê-se que são ou serão incobráveis - e que devem portanto ser consideradas perdidas pelos bancos -e muito maior: da ordem de 10, 15 ou 20%, o que elevaria o montante do salvamento a cifras inimagináveis. Não por nada, em sua edição de domingo de 21 de Setembro, o usualmente conservador diário "The Daily Telegraph" de Londres disse que existem possibilidades concretas de que o próprio Estado norteamericano termine declarando-se em moratória sobre a totalidade de sua dívida pública, hoje da ordem dos $13,5 trilhões.

Os últimos dos bancos de investimentos que considera-se sendo ainda "sadios" - os muito respeitáveis Goldman Sachs e Morgan Stanley - acabam de decidir que transformam-se em bancos comerciais, aceitando assim a muito maior fiscalização de suas operações pelas autoridades bancárias. Isso significa que deverão diminuir rápida e ordenadamente suas carteiras de dívida geradas através do sistema de reserva fracional descrita acima.

Como medida transitória de emergência, o financista Warren Buffet assumiu uma participação de $5 bilhões na Goldman Sachs para ajudar a saneá-lo, o que é um indício da situação crítica ainda dessa entidade bancária.

Notavelmente, há um grande "silêncio de rádio" em relação à situação do maior banco comercial dos Estados Unidos, sobre o qual vem-se rumoreando grandes problemas desde antes de que desatasse-se a crise atual: o CitiGroup. Um notável sinal de interrogação...??

Os grandes meios de imprensa e opinólogos internacionais insistem em que estes resgates serão pagos pelo "contribuinte estadounidense" através de maiores impostos, hoje e no futuro. Isso é apenas uma parte da verdade. A realidade é que estes resgates somente poderão pagar-se com uma ainda maior emissão monetária descontrolada por parte do Banco da Reserva Federal, o que acelerará a erosão do valor do dólar. Ou seja, o custo desse desastre será pago por todo mundo que tenha posse de dólares, e não somente o "contribuinte estadounidense".

Desenlaces Previsíveis

A crise que estamos vendo do sistema global financeiro baseado no parasitismo e na usura, é terminal. Não tem solução através de mecanismos e medida estritamente monetárias e econômicas. Se as autoridades norteamericanas circunscrevem-se unicamente a este plano, então um grave colapso parece ser iminente.

Uma visão mais pragmática das estruturas de poder globais e estadounidenses, não obstante, permite asseverar que os Estados Unidos não vai permitir que isso ocorra. Para isso, cremos entrever a existência do que poderíamos chamar três planos alternativos para fazer frente à crise, segundo cenários de crescente gravidade e instabilidade.

Plano A (crise de relativamente baixa intensidade; opera-se no plano financeiro) - Segue-se negociando no Congresso um pacote de $700 bilhões de blindagem financeira, logrando finalmente sua aprovação nos próximos dias, o que permitirá que a partir de 29 de setembro, esse dinheiro aplique-se como linhas de crédito de emergência para assistir/salvar àquelas instituições bancárias entrem em crise. Isso incluirá de bancos medianos, a financeiras como Washingont Savings & Loans, a bancos estrangeiros com operações nos EUA (HSBC, Barclays, Deutsche Bank e outros), e muito especialmetne aos megabancos estadounidenses ainda de pé como Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup (que espera muito ansiosamente enormes fundos frescos para que não entre em colapso). Efeito imediato: a crise poder-se-á administrar nas semanas por vir através de medidas e mecanismos principalmente financeiros, ao tempo que redefinem-se as regras de jogo em Wall Street.

Plano B (crise de intensidade média; opera-se nos planos monetário e financeiro) - O Congresso não aprova ou reduz drásticamente este pacote de blindagem financeira de emergência e, a partir de 29 de setembro, produz-se uma nova sequência de colapsos bancários e de seguradores. Então, os EUA (Tesouro e FED) declaram manu militari uma emergência econômica nacional e introduz uma mudança de moeda - um "New Dollar" - que diferentemente do atual dólar terá respaldo no ouro metálico homologado (ou seja, com a introdução de algum chip ou holograma inviolável transformando-o em um tipo de "ouro de reserva global" de alto valor). Declara-se um feriado bancário estendido para instrumentalizar a mudança de moeda, e para sua transição determinar-se-ão termos benéficos para aqueles bancos, empresas, cidadãos e aliados preferidos (ou seja, reconhecer-lhes-á um "New Dollar" por cada dólar atual). Logo, com determinados poderosos possuidores de dólares e títulos do tesouro, negociar-lhes-á segundo claros interesses geopolíticos e geoeconômicos: p.ex., China, Japão, União Européia, determinadas instituições e empresas, poderão transformar suas posses em dólares atuais por New Dollars segundo outras paridades (p.ex., 2, 3, ou 4 velhos dólares por cada New Dollar). Por último, ao resto dos possuidores de dólares - poupadores privados em todas as partes do mundo, argentinos com dólares no colchão, etc. - dir-se-lhes-á que os EUA não tem nada que dizer oficialmente e deixar-se-á que "o mercado local e internacional determina a paridade entre o New Dollar e o velho dólar." Então, veremos os cambistas locais oferecendo 8, 10 ou 20 velhos dólares por cada New Dollar... Efeito imediato: minimizar as pedas socialzadas próprias dos EUA e de seus aliados preferidos, ao tempo que regionaliza-se boa parte das mesmas (ou seja, exporta-se as perdas para o resto do mundo).

Plano C (crise de alta intensidade; opera-se também nos planos geopolítico e militar) - As autoridades norteamericanas não logram superar a crise com medidas financeiras, monetárias e econômicas, o que resulta em crescente violência social e inseguridade política para os EUA e seus aliados. Isso obrigará a apresentar o tema no plano geopolítico, provavelmente "chutando o balde" nos âmbitos político, diplomático e militar, promovendo uma situação de guerra global mais generalizada que permita derivar recursos, liquefazer os efeitos da crise, impor limitações estritas às liberdades internas nos EUA sob pretexto da "grave crise nacional", intervir militarmente em diversas partes do mundo, e mobilizar o país (e aliados) em seus recursos materiais e em suas motivações psicológicas para uma "defesa" contra o "inimigo". Um dos efeitos buscados seria o de voltar a equilibrar a economia e as finanças assim motorizadas, através de uma reitensificada indústria de guerra. Efeito imediato: o provável estopim consistiria em algum ataque unilateral contra o Irã sob pretexto de seu plano nuclear ou, pior ainda, algum bem orquestrado mega-atentado de "falsa bandeira" (auto-atentado de planejamento complexo) em território estadounidense ou contra interesses norteamericanos ou de seus aliados em outras partes do mundo), que fará empalidecer o do 11 de setembro de 2001. O mesmo será então atribuído falsamente nos poderosíssimos meios de difusão ao Irã em particular, e ao mundo muçulmano em geral o que justificará uma série de ataques e invasões. Outra possibilidade é que este ataque unilateral contra o Irã seja levado a cabo pelo Estado de Israel após receber a luz verde para iniciá-lo, o que logo arrastará os EUA na conseguinte guerra. Também a Rússia seguramente ver-se-á involucrada, o que terá o efeito de dividr e debilitar a União Européia, especialmente na volátil região centroeuropéia. Semelhante incêndio bélico iniciado no Oriente Médio será excusa suficiente para liberar totalmente as reservas petrolíferas em Alaska, justificar uma invasão dos campos petrolíferos da Venezuela, e militarizar o Atlântico Sul nas zonas de reservas petrolíferas brasileiras e argentinas. Seguramente, tudo isso também involucrará a China e a Índia e conformaria uma situação de guerra mundial, hoje de difícil dimensionamento e previsão.

Esta resenha apenas conforma um esboço da situação de inusitada gravidade a que enfrenta-se  toda a humanidade. Seu desenlace afetará profundamente todo o mundo. Oferecemo-la como uma sorte de exercício em Risk Management (administração de riscos) que possa servir como ponto de partida para um melhor planejamento estratégico entre organizações privadas e públicas.

Por mais que a medíocre classe política argentina não compreenda, não obstante o povo argentino deve compreender que nessa terrível Nova Ordem Mundial, a Argentina ver-se-á profundamente afetada. Não somente por seu desenlace ameaçador, senão também porque não podemos deixar passar importantes oportunidades que apresentar-se-nos-ão nesse perigoso e volátil processo que implica voltar a embaralhar as cartas do poder global. Por exemplo, a Argentina e outros países poderiam aproveitar um colapso do dólar e do sistema financeiro global para liquefazer boa parte de suas dívidas externas, em lugar de seguir pagando-as com recursos genuínos da economia do trabalho, segundo o vem fazendo sistemática e subordinadamente os Kirchner.

(...)

Lírios Brancos Para as Tumbas dos Heróis

por: Miguel Serrano


Desde há anos, todos os dias 5 de setembro se efetua no cemitério de nossa cidade uma homenagem aos rapazes que foram massacrados na torre do Seguro Obrero. Também eram de nossa geração. Seus antigos camaradas lhes recordam nessa data.

Faz alguns anos que fomos com um amigo neste dia ao cemitério. Na entrada deram-nos alguns lírios brancos. Caminhamos pelos tranqüilos caminhos. O ruído de nossos passos se perdia por entre os mausoléus e os verdes prados. Os lírios pareciam tochas de chamas brancas. Neste dia visitamos muitas tumbas. Recorda-o, amigo, Juan Dérpich? Fomos até seu camarada, Jaime Rayo, e ali deixamos um lírio. Estava muito alto, em uma tumba solitária. E depositamos também outro, junto ao rosto de pedra de Barreto. Depois, chegamos até o campo aberto, onde estão as tumbas pobres e aonde repousam os mortos do 5 de setembro de 1938. Ali, em frente ao monólito recordativo, estava Jorge González, o mesmo que traiu aos ideais dos mortos. Pertencia a outra geração e estava, assim, separado da nossa por um abismo insuperável. Se, por um momento subiu muito alto, foi unicamente porque o fogo lhe incendiou; mas logo lhe abandonou, deixando-o com uma forma vazia e fantasmal. Agora, levantava o rosto com sua face angustiada e buscava as palavras. Mas os mortos já não estavam, a magia e o milagre haviam sido negados. Nem sobre as grandes árvores, nem no claro céu flutuavam as sombras dos heróis. Eles se foram para sempre.

Retornamos meditando se aquela peregrinação ao cemitério havia sido um símbolo. Mortos e mais mortos; o passageiro do sonho, os mártires, o poeta solitário, débil frente a um mundo hostil. Todos eles, por diversos caminhos, saltaram à outra margem, cumprindo o destino de uma geração. Os melhores de nossa geração. E relembrei outro ano em que, ao presenciar o desfile das bandeiras, como um bosque de ondas silenciosas avançando pelas ruas, me uni a eles e os acompanhei. Oscar Jiménez, que ali ia, perguntou-me: “Gostaria de morrer conosco?”, “Sim”, lhe disse... Contudo, ainda vivo. Ainda não morri. E, às vezes, penso que isso foi um erro. Porque, como eles, tampouco sei viver. Não posso retirar o sentimento das lembranças. Por isso caminho voltando-me. Quero chegar aonde eles aspiraram. Levanto-me cada dia de minhas ruínas e devo conservar a fé em mim mesmo. Seguir, chegar, para que em mim possam salvar-se os mártires e os suicidas. Porque um que chegue, basta para o destino de uma geração.

Miguel Serrano in Ni por mar Ni por tierra – La busqueda en una generación.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Arthur de Magalhães Vieira - O Último Mussolini


por Arthur de Magalhães Vieira


O golpe de Estado de 25 de Julho de 1943, que pôs termo ao chamado vinténio fascista foi, como afirmou o Duce, uma “obra-prima” conspiratória. Se o régio Estado-Maior tivesse preparado com a mesma perfeição as suas batalhas» decerto teria obtido vitórias estrondosas. Até Mussolini, de começo, se deixou iludir. Ao sair do palácio do rei, depois da entrevista em que este comunica o intento de o demitir, embora afirmando-lhe a sua amizade, o Duce foi conduzido a um quartel de carabineiros, apenas para o proteger de eventuais atentados, garantiram-lhe. Aí soube que Badoglio, na sua primeira proclamação, declarara «a guerra continua, e à uma hora da manhã, recebeu uma atenciosíssima carta do novo chefe do governo, assegurando-lhe que as medidas tomadas se destinavam a garantir-lhe a segurança pessoal e perguntando-lhe para onde desejava fazer-se transportar. Perante tudo isto, Mussolini chegou a acreditar que se estava a processar tão só uma «crise no âmbito do regime» em que a sua pessoa fora sacrificada mas não o Fascismo; e imaginou que a seu respeito haviam sido tomadas, na verdade, unicamente disposições destinadas à sua protecção pessoal.

Por isso, em resposta à missiva de Badoglio ditou o seguinte:

26 de Julho de 1943 uma da manhã.

1.º Dou os meus agradecimentos ao marechal de Itália Badoglio pelas atenções que me foram dispensadas.

2.º A única residência de que posso dispor é a da Rocca della Caminate, para que estou disposto a deslocar-me em qualquer momento.

3.º Desejo assegurar ao Marechal Badoglio, como recordação do trabalho comum realizado noutras alturas, que pela minha parte não só lhe não serão criadas dificuldades de nenhuma ordem antes lhe será dada toda a colaboração possível.

4.º Agrada-me a decisão adoptada de continuar a guerra junto aos nossos aliados, conforme é exigido pela honra e os interesses da Pátria e faço votos no sentido de que o êxito coroe a grave tarefa que o marechal Badoglio se dispõe a assumir, por ordem e em nome de S. M. o Rei, do qual fui, durante vinte anos, leal servidor e continuo a ser. Viva a Itália.

Este documento, que só prova a isenção e a nobreza de alma de Mussolini, pretenderam alguns pretensos historiadores apresentá-lo como uma adesão do Duce aos propósitos anti-nazis e anti-fascistas do período badogliano. A desmenti-los encontra-se, desde logo, a clara asserção de que era preciso continuar a luta ao lado da Alemanha nacional-socialista e, também, a referência explícita ao trabalho em comum levado a cabo com Badoglio, recordando assim qualidade de fascista filiado deste último.

E permita-se-me, desde já, uma anotação marginal, chamando a atenção para o facto de o Sr. George Blond, ex-jornalista de «Je Suis Partout», que encontra, ainda, acolhimento entre alguns dos nossos camaradas não se sabe bem porquê, em livro ignóbil, intitulado «L’Agonie de l’Allemagne» (escrito, decerto, para fazer esquecer o tempo em que o autor saudava, de braço estendido, no Congresso de Nuremberga, e elaborava a antologia de textos de Hitler, intitulada «Ma Doctrine»), dá divulgação à lenda que Mussolini, depois de libertado por Skorzeny, manifestara vontade de regressar à Rocca delle Caminate. Supomos que a confusão nasceu do facto de que semelhante desejo ter sido, na realidade, expresso na epístola que transcrevemos, datada de 26 de Julho e imediatamente posterior ao encontro com Vítor Manuel III. Além de não haver nenhuma prova séria de que houvesse sido feito a Skorzeny o pedido que mencionamos, é totalmente inverosímil que o Duce, a 12 de Setembro, quatro dias após a capitulação incondicional, com uma situação caótica e fluida em Itália, pensasse ainda em voltar para a Rocca delle Caminate, e especialmente que os seus intentos fossem descansar e afastar-se da política.

Fechemos, porém, este parêntesis. O que, de qualquer modo, nos interessa acentuar em particular, é que se o golpe de Estado do rei e de Badoglio conseguiu iludir Mussolini não admira que, também, desorientasse muitos outros fascistas. A asserção taxativa «a guerra continua», e a proclamação real com a garantia «não serão consentidas recriminações», ambas da tarde de 25, fizeram crer a muitos que não se tratava de derrubar o regime, mas, unicamente, graças a uma resoluta intervenção da coroa, de intensificar o esforço bélico. É certo que surgiram, na rua, manifestações anti-fascistas não reprimidas. Era lícito, contudo, nas primeiras horas, esperar que, sem violências excessivas, as autoridades acabassem por impedi-las, dentro do espírito do “mot d’ordre” real com a garantia «não serão consentidas recriminações». E a espíritos de boa fé repugnava vir aumentar a confusão e provocar, mesmo, começos de guerra civil, quando imaginavam que se ia lançar o país num esforço desesperado.


Assim, graças a essa hábil camuflagem, foram desorientados uns, acalmados os escrúpulos de outros, lançados terceiros numa expectativa ansiosa, enquanto os traidores trabalhavam (os Federzoni, Grandi, Bottai, etc.), os cobardes abstinham-se e os trânsfugas se passavam para o adversário. Numa palavra, com habilidade a que se presta homenagem “técnica” (habilidade para a ignomínia), foram aniquiladas as possibilidades de reacção do Partido Nacional Fascista. No dia 26, já o descalabro se mostrava geral entre os fiéis, privados de direcção, a milícia entregue já pelo último chefe Galbiati a um general nomeado por Badoglio, enquanto subia, progressivamente, o tom dos ataques nas praças públicas e na imprensa. Se não era mais possível ter ilusões sobre a hostilidade do Governo às instituições vigentes e sobre o seu absoluto desinteresse pelo esforço de guerra, também não era mais possível tentar qualquer contra-ataque. Tudo se esboroava. Em 28 e 29 vieram as grandes medidas que consagraram a derrocada do vinténio. A 28, a dissolução do Partido, do Grande Conselho, do Tribunal Especial para defesa do Estado. A 29 extinção da Câmara dos Fáscios e das Corporações.

Essas disposições ultra-inconstitucionais foram o coroamento legal, ou melhor ilegal, do golpe de Estado que tirava os seu últimos véus e punha a nu, irrefragavelmente, a sua natureza hedionda (que, aliás, começou a evidenciar-se com a prisão, hipocritamente disfarçada do chefe do Governo ainda em exercício). Com o território pátrio invadido o “coup d’état badogliano” visava, exclusivamente, abater o regime fascista. Era acto de facciosismo partidário com a nação em plena batalha. Modificar, por meios irregulares, o poder licitamente constituído, em tempo de guerra costuma ser considerado traição. E por isso foi traição, nesse sentido, a atitude de Badoglio e do rei. E, ainda, traição porque os seus autores e apaniguados eram fascistas filiados e, durante anos e anos, tinham recebido benesses do regime. Simplesmente o pior está por narrar.

Mussolini, que permaneceu enganado por mais tempo graças ao isolamento em que o mantiveram e à triste comédia da partida iminente para a sua residência particular, no dia 28, ao ver que não o conduziam para a Rocca e o internavam na ilha de Ponza, deu-se perfeita conta nas suas próprias palavras «de ter sido vítima de uma miserável conjuração… Teve a convicção que tudo aquilo conduziria à capitulação e à sua entrega ao inimigo». E não se enganava em nada. Enquanto multiplicavam os seus protestos de fidelidade à aliança com o Reich, os dirigentes italianos negociavam secretamente com os anglo-americanos. E, a 8 de Setembro, consumou-se nova traição e acaso a mais vil de todas. Foi anunciado o armistício de Cassibile, que consagrava a rendição incondicional, e incitava o exército italiano a fazer uso das armas contra os aliados da véspera. A reacção alemã mostrou-se fulminante e mal se aproximaram os blindados germânicos dos arredores de Roma, Vítor Manuel, a família, Badoglio, os ministros, tomados de pânico, fugiram, precipitadamente, deixando a população da cidade inerme e abandonada, indo refugiar-se em Brindisi entre as tropas inimigas a quem tinham entregue a Itália.

Não é inútil, já que alguns tontos compararam Badoglio a Pétain, traçar um paralelo entre os dois armistícios. Ao passo que o governo legítimo do marechal de Verdun, depois de avisar lealmente os ingleses (que não podiam fornecer o mínimo auxílio), celebrava um acordo em que se conservava o Estado francês e a sua soberania, salvava a esquadra e o império, e preservava uma parte do território da ocupação, a rendição incondicional de Cassibile em 1943 era a entrega total aos vencedores do Estado italiano, cuja soberania desaparecia integralmente. Todo o território que estes conseguissem ocupar, podiam licitamente fazê-lo. A esquadra, quase intacta, foi-lhes abandonada. E, por sobre tudo isto, vergonhosamente rasgados os pactos com a Alemanha cujas tropas lutavam na península, iludidos sem pudor os chefes do III Reich, por um governo ilegítimo, fruto de um golpe de Estado, o qual, pela sua incrível conduta, justificava, à face do direito internacional, que a Wehrmatch tomasse conta das parcelas do solo italiano ainda livres de elementos anglo-americanos. Em 1940, em França, foi salvo o que podia ser salvo e sem desonra para ninguém. Em 1943, em Cassibile, a desonra foi acompanhada do mais espantoso acto de abandono voluntário que a história tem presenciado.

Conhecem-se os acontecimentos subsequentes à rendição. As divisões italianas, surpreendidas com o volte-face, sem comando supremo, deixam-se desarmar. Na audiência do poder central, o caos ganha várias das principais cidades. A 12, um golpe de teatro. Pára-quedistas sob o comando de Otto Skorzeny libertam o Duce, prisioneiro no Gran Sasso (após ter estado em Ponza e na Madalena), e que, segundo as cláusulas do armistício, devia ser entregue, como criminoso de guerra, às potências democráticas. A noite de 12 passou-a, Mussolini, já em Viena. Ao meio-dia de 13, novo voo para Munique. Em 14, acolheu-o o Führer no seu Quartel-General. Em 15, o Duce redige as suas primeiras folhas de ordens, publicadas a 16, em que anuncia retomar a suprema direcção do Fascismo em Itália, nomeia Pavolini secretário provisório do Partido Fascista Republicano e dita as primeiras providências para que a luta seja retomada, ao lado das divisões alemãs, contra o inimigo comum.

Também a propósito disto se inventou a lenda de que Mussolini só regressou ao seu posto de combate depois de enérgicas pressões de Hitler. É, por exemplo, a tese do Sr. Georges-Roux, na sua biografia do estadista italiano. Opõe-se a ela, evidentemente, em primeiro lugar a celeridade com que as novas disposições do Duce foram tomadas: encontros com o Führer a 14, redacção de folhas de ordem a 15. Em segundo lugar, o próprio Sr. Deakins no seu livro insuspeitamente parcial contra os vencidos a brutal friendshis reconhece que as entrevistas entre os dois chefes decorreram em atmosfera de grande cordialidade. Em terceiro lugar, no volume assinado e avalizado pela viúva de Mussolini, está escrito que o Duce lhe declarara, antes de falar com Hitler, que tencionava recomeçar desde o princípio. Claro que o Sr. Georges Roux não se embaraça nada com este derradeiro argumento porque, com naturalidade, coloca as afirmações de Mussolini à esposa em momento posterior à troca de impressões com Hitler. E como o criador do Fascismo, além da fidelidade aos pactos, invocara, para justificar a sua decisão de recomeçar, que conseguiria também, desse modo, evitar as justas represálias alemãs devidas à traição da Itália, invertendo calmamente a ordem cronológica dos eventos o sr. Georges Roux deixa vincada no espírito do leitor a impressão que foi após ter estado com Hitler que o Duce temeu a vingança contra o seu povo. É com processos destes que os anti-nazis escrevem a história.

A verdade, no entanto, é que Mussolini jamais hesitou em retomar o seu lugar de comando e de luta mal se encontrou em liberdade. E em 16 de Setembro de 1943, teve início um dos períodos mais caluniados do Fascismo, mas que foi, indiscutivelmente, um dos seus mais altos e belos momentos.

Tudo ruíra em redor. As esperanças de vitória pareciam já poucas. A indiferença, o duplo jogo campeavam. A máquina burocrática decompusera-se e não havia mais um poder soberano, nem de facto nem de direito, depois da rendição incondicional. Reinavam, quais senhores absolutos, o desânimo e o desespero.

No entanto, à voz do Duce, ergueram-se, aqui e além, grupos de homens dispostos a travar a batalha final, homens para quem a fidelidade à palavra dada e à ideia não eram vãs imagens retóricas e que procuravam, com o seu esforço e o seu sangue, resgatar a miséria a que tinha sido arrastada a Pátria. Não se ergueram grandes massas ao lado do Duce, porque as grandes massas preferem os triunfos fáceis ao risco, à aventura e ao sacrifício. Mas, de toda a parte, punhados de valentes acudiram para a reconquista e o contra-ataque. Intelectuais, soldados, velhos militantes do Fáscio e jovens de menos de 16 anos, sacerdotes até, escutaram o chamamento de Mussolini que lhes parecia o chamamento mesmo da dignidade e da coragem. E, pouco a pouco, por entre inúmeras dificuldades, depois da ausência de um Estado italiano, o Estado italiano ressurgiu, com uma soberania reconhecida por outras nações, em especial a Alemanha, com uma moeda própria, com uma legislação independente, com Forças Armadas autónomas, cujo chefe, Graziani, chegou a estar à frente da Armata Liguria tendo às suas ordens divisões da Wehrmatch.

Entretanto, no Sul, onde se encontravam Badoglio e Vítor Manuel, as leis não só tinham de obter a concordância dos ocupantes e que seria mais ou menos uma situação de protectorado mas até recebiam a promulgação de um qualquer general inglês ou americano, sinal certo da desaparição do mais ligeiro vislumbre de soberania; havia uma moeda especial, imposta pelos invasores; e depois da badogliana declaração de guerra à Alemanha (quando o argumento para a rendição incondicional fora que a Itália não podia mais lutar) os governos dos Srs. Churchill e Roosevelt comunicaram, imediatamente, que isso em nada implicava alteração das cláusulas do armistício de Cassibile. Não podia ser mais declarada a situação de vassalagem e submissão ao estrangeiro.

Por isso, a primeira grande razão de ser da República de Saló foi, exactamente, terem desaparecido, em abjecta obediência ao inimigo, os derradeiros vestígios de soberania política da Nação. Tratava-se do único Poder legítimo na Itália, porque era o único Poder italiano que aí existia. Para além disso, contudo, perfilava-se, igualmente, o grande imperativo moral da Fidelidade fidelidade aos tratados solenemente jurados, fidelidade aos princípios de sempre. Aqueles que, animosamente, se juntaram, em querendo, em torno de Mussolini, eram os que se recusavam a aceitar a felonia de um marechal de Itália que, na altura em que repetia por sua honra que continuava ao lado do Eixo, pactuava com o adversário a entrega do país; eram os que sentiam como vexame na própria carne os vitupérios, as calúnias, os insultos que os jerarcas, cobertos de honrarias e benefícios durante o vinténio, lançavam sobre um glorioso período da história e sobre o homem a quem deviam quase tudo; eram os que se envergonhavam com a cobardia, a hipocrisia, a indiferença, o egoísmo dos seus compatriotas e, para redimirem o nome do povo, corriam, voluntariamente, para as posições arriscadas, oferecendo-se e imolando-se.

A República Social Italiana, manteve sempre, com dignidade exemplar, a sua continuidade ideal em relação ao passado do Fascismo, embora não deixasse de apontar os erros do período anterior e de atacar, com veemência, e condenar os grandes barões do regime que dele se serviam em vez de o servir.

República Social Italiana era porque a monarquia não existia mais, se auto-dissolvera. Por esse motivo, monárquicos continuaram a ser, como o catedrático Carlos Alberto Biggini; não tiveram um minuto de hesitação e colocaram-se resolutamente ao lado do Duce. Mas, para a República Social Italiana, o ser república não constituía o essencial. Disse, magnificamente, Mussolini, no discurso do Lírico de Milão (16 de Dezembro de 1944): «Não faltaram… os elementos com a doença do oportunismo ou, talvez, em estado de confusão mental, que perguntaram se não seria mais hábil eliminar a palavra “fascismo” para pôr o acento, exclusivamente, na palavra “república”. Repeli, nessa altura, como repeliria hoje, essa sugestão inútil e vil. Teria sido um erro amainar a nossa bandeira consagrada por tanto sangue e fazer circular quase por contrabando as ideias que constituem a palavra de ordem na batalha dos continentes… Denominando-nos de fascistas, hoje e sempre, e consagrando-nos à causa do Fascismo, conforme, desde 1918, até hoje temos feito, depois dos últimos acontecimentos imprimimos novas directrizes à nossa acção quer no campo político quer social… Do ponto de vista social, o Fascismo republicano não é senão o prolongamento lógico dos anos esplêndidos da Carta del Lavoro à conquista do Império.»

E se, nos pontos programáticos de Verona, redigidos pelo Duce e aprovados pelo Congresso do Partido, nessa cidade celebrado, há disposições de carácter efémero e circunstancial, não há nenhuma mudança importante no que é substancial, nem até nenhuma transigência com as correntes, acaso bem intencionadas, que preconizavam um pouco de democratização. A esse respeito, o ponto 5 é explícito: «A organização a quem pertence a educação política do povo italiano é única. No Partido, ordem de combatentes e crentes, deve encontrar-se um organismo de absoluta pureza política, digno de ser o guarda da ideia revolucionária.»

Também as leis de socialização não pertencem à natureza universal do Fascismo, devendo medidas análogas ser deixadas ao sentido das conveniências nacionais dos governantes legítimos. Simplesmente, porque não somos pára-raios da burguesia nem do capitalismo, em nada tais disposições nos escandalizam ou chocam. Em todo o caso, o que mais importa na República Social Italiana é o «ethos» que a animou e que galvanizou os melhores italianos. «Ethos» de sacrifício do particular à causa universal do Estado, de absoluto desdém das contingências e circunstâncias quando se tratava de cumprir o dever, em prol do comum. No meio de dezenas de milhões de cépticos, representantes do célebre estado de espírito que levava um diplomata a considerar que era um axioma dizer “L’Italie volera au secours du vainqueur”, rodeados da mais cega das incompreensões, tombando em cobardes emboscadas, os militantes da República de Saló seguiam impávidos e firmes. Intelectuais da craveira de um Gentile, um dos maiores filósofos do nosso século, assassinado pelos partigiani, de um Coppola, de um Ercole, de um Soffici e tantos outros, soldados que se recusavam a aceitar a derrota e alguns dos quais, desde o dia 8 de Setembro, se tinham colocado ao lado dos aliados para prosseguir o combate, consoante sucedeu com a célebre Decima Flotiglia Mas (Decima, Flotiglia nostra che beffasti l’Inghilterra… Vitoriosa ad Alessandria Malta, Suda e Gibilterra), velhos políticos como o senador Rolando Ricci e ex-secretário do partido comunista Bobacci, rapazes completamente desconhecidos, a todos os ligava uma mesma vontade e uma mesma fé vontade de resgatar o opróbrio da Itália, fé na nova ideia e nos destinos da Europa.

Chegaram ao número de 780.000 os exércitos da República Social, desde a Décima já referida, até ao grupo blindado Leonesa, ao Contro Guerriglia (Cogu), à Guardia Nazionale Republicana, às divisões treinadas nos läger San Marco, Littoria, Italia, Monterossa. Lembro-me de ter lido, já há alguns anos, versos que eram cantados pelos homens dessas divisões, de uma poesia profundamente trágica pelo seu estoicismo. Diziam que eles que bem se sabiam solitários e que, até, as mulheres preferiram guardar os seus sorrisos para os emboscados e velhacos mas que, mesmo assim (as maiorias, em todos os países, nas horas de confusão e desalento, são cobardes e oportunistas) também houve as que, braço estendido, se iam alistar nos centros das auxiliaris do exército. Muitas delas foram, depois, massacrados e os seus cadáveres contam-se entre os dos trezentos mil fascistas que juncaram as ruas e praças, assinalando que a era da liberdade tinha principiado.

Durou dois anos, ou quase, a República de Saló e ainda as suas tropas se batiam, na altura em que Vietinghoff, pela Wehrmacht, e Wolff, pelos SS, desobedecendo às ordens de Hitler e traindo a sua pátria, pactuaram na Suíça a rendição das forças alemãs na península itálica, que começaram a retirar sem combater. O próprio Duce seguia para o último reduto de Valtelina, no momento em que foi aprisionado e ignobilmente assassinado.

Quem tiver o culto da dignidade, do aprumo, da coragem, não pode deixar de sentir veneração profunda pela arrancada sem esperança dos fiéis do último Mussolini, o Mussolini que, deliberadamente, enveredou pelo rumo do perigo, da amargura, da impopularidade, preferindo quebrar a torcer e mostrando-se, na adversidade do seu dramático e respeito do que nas horas triunfantes das vitórias e dos êxitos estrondosos.

Conforme escreveu Julius Evola (que também esteve com a República Social): «O valor do segundo fascismo está no seu aspecto combatentístico e legionário; como já muito justamente se disse, talvez pela primeira vez na… história, número importante de italianos escolheu, resolutamente, a vida do sacrifício, da derrota, em nome do princípio da fidelidade a um chefe e à honra militar. O seu valor esteve, de uma forma geral, na disposição heróica a lutar ainda que por posições perdidas já.

Neste plano… deve reconhecer-se a continuidade revolucionária entre o primeiro e o segundo Fascismo e tomar-se, deste último, a palavra de ordem ideal. De facto, dado o ambiente e as forças predominantes na Itália e no mundo, ter a audácia das “afirmações soberanas”, ser capaz de pronunciar-se em favor… do conteúdo… tradicional do Fascismo, não pode significar, hoje, senão um testemunho de vocação idêntica à dos combatentes do Norte: defender uma ideia e manter posições mesmo que sejam posições de antemão perdidas ou, melhor dizendo, mesmo que seja em extremo problemático que quantos estão, agora, de sentinela, pela noite fora, possam vir a encontrar-se com os que surgirão no novo amanhecer.»

Alex Kurtagic - Bestas da Noruega: Breivik & Vikernes

por Alex Kurtagic


Desde a década de 90, o produto de exportação mais conhecido da Noruega tem sido seu Black Metal. Quando ele originalmente surgiu como um fenômeno durante a primeira parte da década, particularmente após uma série de assassinatos e incêndios de igreja perpretados por membros da cena Black Metal naquele país, muitos em latitudes menos setentrionais voltaram seus olhos para a Noruega pela primeira vez. Alguns imaginavam o que naquele país aparentemente pacífico, belo, e esparsamente populado nas fronteiras da Europa havia feito com que jovens lá desenvolvessem atitudes tão extremistas. Em Lordes do Caos, Michael Moynihan e Didrik Soderlind interpretam eventos a partir de uma perspectiva junguiana.

Agora, uns dezoito anos depois, a Noruega está de volta na consciência pública, uma vez mais por causa de atos violentos e homicidas cometidos por um de seus cidadãos. Isso, uns dois anos depois de Varg Vikernes, um músico ligado à cena Black Metal, um conhecido proponente do nacionalismo racial dentro da mesma, e por muito tempo o inimigo público número um da Noruega, ter sido solto da prisão, onde ele passou quinze anos. Anders Breivik veio agora para sucedê-lo no trono da infâmia. Alguns podem querer associar ambos porque ambos desejavam, em suas épocas, provocar reações extremas através de atos extremos. Porque ambos parecem ser nacionalistas raciais europeus. E porque ambos rejeitam o status quo de uma maneira que é mais ou menos análoga, na medida em que há um antagonismo em relação a dois movimentos que são universalistas e igualitários, e que, de uma perspectiva pagã, estão ligados, um sendo a versão secular do outro. Vikernes rejeita o Cristianismo; Breivik rejeita o multiculturalismo, particularmente por causa do Islã. Previsivelmente, seus nomes tem aparecido em justaposição por toda a internet.

Porém Vikernes é um pagão, enquanto Breivik é um cristão. Assim, ideologicamente, para Vikernes que vê tanto o Cristianismo como o multiculturalismo como possuindo origens judaicas e servindo a interesses judaicos, Breivik permanece preso dentro de um universo fechado, cujas leis foram formuladas por movimentos que originaram-se na mente oriental.

Não surpreendentemente, a crítica de Vikernes a Breivik está em paralelo a observações chave feitas por Kevin MacDonald. Este último descreveu Breivik como um "conservador cultural do tipo de Geert Wilders, muito oposto ao etnocentrismo como estratégia, muito positivo em relação à Escolha de Viena, fanaticamente pró-Israel (que ele vê como ameaçada pelo islamismo militante), e muito hostil em relação ao Islã - o que nos EUA é chamado de um neoconservador". MacDonald notou ademais que Breivik "ignora o papel das elites intelectuais judaicas na patologização de expressões de etnocentrismo por europeus desde a Segunda Guerra Mundial (particularmente pela Escola de Frankfurt) e em combater a base científica da legitimidade dos interesses etnorraciais (antropologia Boasiana)."

Vikernes acha a cegueira de Breivik em relação ao papel judaico nos desenvolvimentos políticos, culturais e demográficos europeus ao longo do século passado mais que curiosos. Considerando as ações de Breivik desprezíveis e completamente contra-produtivas, e notando seu status como maçom (que tanto ele como Greg Johnson veem como um tentáculo globalista judaico), Vikernes especula se Breivik não é mais do que um agente inconsciente. Eu não favoreço uma interpretação conspiratológica.

Ainda que ambas as "Bestas" reconheçam que o homem europeu e sua civilização estão ameaçados por forças externas, que a ameaça é significativa, e que ação é necessária, o inimigo é mutuamente exclusivo. Para Vikernes, o inimigo é o Judeu, o Cristianismo sendo uma força subversiva cirada por eles, e o Islã um idiota útil imperialista no conflito de civilizações. Para Breivik o inimigo é o Islã, os judeus e o Cristianismo sendo aliados - e no segundo caso, no núcleo - da Europa. Breivik não concebe os Cavaleiros Templários como uma ordem ariosófica gnóstica de guerreiros sagrados, como Miguel Serrano, fundada em princípios alquímicos, mas como guerreiros religiosos em um conflito geopolítico entre Europa Cristã e Oriente Muçulmano. Também, enquanto ambos reconhecem a natureza biológica da crise, para Vikernes o problema é fundamentalmente espiritual, enquanto para Breivik parece ser geopolítico. Assim, para o músico o conflito é interior, enquanto para o maçom ele é exterior, e é refletido nos aspectos megalomaníacos na narrativa deste último.

Assim, a violência de Vikernes, no que ela foi além de suas descordâncias com Oystein Aarseth, foi o que Jean Baudrillard chamou uma "violência simbólica", que assumiu a forma de ataques incendiários contra emblemas, ou bases, do Cristianismo da Europa Nórdica. Porém, as igrejas incendiadas estavam vazias, e o Cristianismo há muito moribundo; sua única vítima foi um outro músico, pessoalmente conhecido dele, e o assassinato nada teve que ver com religião, mas com questões pessoais e comerciais. A violência de Breivik, por sua vez, foi dirigida a uma massa de indivíduos, pessoalmente desconhecidos a ele, que compunham uma classe política de compatriotas que ele considerava agentes de destruição. Vikernes atacou o símbolo de uma religião, mas não seus aderentes; enquanto Breivik atacou os aderentes de uma religião (marxistas culturais/ multiculturalistas/humanistas suicidas), ao invés do símbolo. Pode ser que a religião secular não tenha símbolos reconhecíveis, não-ambíguos, iconicos; mas do mesmo modo que para Osama bin Laden as torres gêmeas no World Trade Center em Nova Iorque representavam um símbolo do poder americano, e ele atacou-as correspondentemente, Breivik poderia ter atacado o símbolo do Islã, por exemplo, fazendo um desenho zombando de Maomé. Eu não estou falando inteiramente sério, é claro, mas, ao mesmo tempo, nós vimos há alguns anos como o ato pacífico de um artista na Dinamarca que fez apenas isso veio a representar um poderoso desafio simbólico, ainda que naquele caso tenha carecido de direção e tenha sido, portanto, mal-sucedido. Mas um desafio simbólico ao Islã poderia ter despertado uma reação exagerada entre muçulmanos na Europa que poderia ter criado algumas dificuldades para os marxistas culturais, multiculturalistas, e humanistas suicidas. Mas por outro lado, a violência islâmica pretérita na Europa teve nenhum efeito fundamental sobre a política governamental no que concerne a imigração e muçulmanos já assentados no continente; marxistas culturais e multiculturalistas, ainda que nervosos pelos efeitos instáveis e imprevisíveis de seu experimento social, permanecem no poder.

Na minha cabeça, o desafio simbólico de Breivik foi em muitos sentidos ilógico, mas em outros bem menos. Evolucionismo, centificismo, economismo, e seu pai, materialismo, já haviam dado um golpe decisivo contra o Cristianismo muito antes de que Vikernes tivesse chegado. Assim o ato acabou sendo um delito juvenil, quixotescamente filosofado após o fato. Porém, a longo prazo, porque ele criou curiosidade e fascinação pelo Black Metal entre fãs de música, e porque o Black Metal foi capaz de incitar poderoas emoções sombrias enquanto ao mesmo tempo garantindo uma narrativa alternativa tradicionalista, elitista e mística que era atraente entre as falhas da modernidade secular, serviu como uma plataforma para uma subcultura vibrante, que, ainda que girando ao redor de música, teceu junto cultura tradicional folclórica e uma ideologia völkisch pré-existente, ligada por um cordão dourado à múltiplas expressões contemporâneas da corrente anti-liberal. E o que é mais, Vikernes ele mesmo criou algo de valor duradouro, com oito álbuns lançados até agora, e sua música permanece popular. Através dela, e por virtude do interesse natural, identificação e empatia que ela desperta entre fãs de música em relação ao seu criador, Vikernes permanece influente, diretamente ou indiretamente, e os valores e ideais codificados em sua música e expressos em seus escritos, ainda que estes sejam lidos com algum grau de distanciamento irônico real ou fingido, serão parcialmente ou completamente absorvidos e internalizados por muitos, já tornados receptivos pelos estados psicológicos induzidos pela música. A transformação é difusa, gradual, irracional, majoritariamente inconsciente, e não atribuível a um único fator ou agente. O campo inimigo sabe bem disso, e usa o sistema educacional, a legislação, e a mídia de massa de informação e entretenimento para empurrar na direção oposta, para realizar uma transformação inversa.

Em contraste, eu acredito que o legado de Breivik será inteiramente negativo. Simpatia pelas vítimas e um desejo por políticos do sistema de demonstrar pureza ideológica, combinado com a natureza culturalmente antitética da maior parte da visão-de-mundo de Breivik, servirão como justificativa para a) um fortalecimento dos grilhões do Stalinismo Politicamente Correto, b) mais demonstrações de "virtude" antirracista, c) mais gestos de apaziguamento e acomodação em relação ao Islã, e d) hesitação entre aqueles preocupados com o futuro da Europa em identificar publicamente com idéias nacionalistas raciais. Ademais, eu duvido que Breivik influenciará qualquer um com seu gigantesco manifesto de 1518 páginas (que apenas um pequeno punhado lerão), particularmente devido a profundas e irreconciliáveis contradições em sua ideologia, a burrice subjacente, e o fato de que sua ideologia é definida por uma concepção negativa. Como é evidente por seu vídeo, é tudo sobre o inimigo, a Europa (biologicamente e geopoliticamente concebida) sendo importante apenas na medida em que encontra-se ameaçada. Isso contrasta com a ideologia de Vikernes, que, ainda que inicialmente elaborada com base em um desprezo pelo Cristianismo e o que ele percebeu como seus valores universalistas-igualitários-antimarciais, cresceu para ser sobre a Europa (biologicamente e espiritualmente concebida), os judeus, o Islã,e os marxistas culturais sendo importantes apenas na medida em que eles ameaçam a Europa. Assim, Breivik é - como ele descreveu-se - conservador (a negação do novo), e seu discurso sobre renascimento envolve restauração; Vikernes é tradicinal (afirmação do antigo), e qualquer discurso sobre renascimento envolve regeneração ou renovação. Afirmação é sempre mais apelativo que negação.

Em qualquer evento, nenhum começará uma revolução. Em meu livro, Mister, eu menciono a antiga ligação de Vikernes com a Frente Pagã Norueguesa, que em meu futuro distópico tornou-se ativa como um partido político. Porém, no livro Vikernes tornou-se um recluso, e, ainda que eu não diga-o, imaginei-o vivendo uma vida tranquila, em uma fazenda, perdido na paisagem. Breivik, um reciclador regressivo, enganado e enganador em mais de um nível, não tendo criado nada de valor, e tendo semeado morte inutilmente e dado a face para o descrédito da sua causa, terminará seus dias em uma cela de prisão, rotulado um "extremista de direita", mas em realidade um agente e catalisador da involução, um escravo do Demiurgo, se você preferir, e metafisicamente um lacaio, ou instrumento, das forças das trevas na guerra oculta. Sua história pessoal sugere que ele pode ter acabado um agente das forças de decadência porque ele é seu produto, e portanto um insider, em oposição a um outsider - emblemático do problema e não, como ele parecia acreditar, a solução.

A Psicologia da Negação de Conspiração


por David Rothscum

Eu vi este vídeo hilário no youtube, intitulado “Por que os teóricos da conspiração são loucos??“. De tempos em tempos haveria comentários sarcásticos, chamando as pessoas que acreditam em teorias da conspiração de anti-semitas e afirmando que David Icke se recusou a fazer um tratamento psicológico de graça por estes pseudo-intelectuais, que provavelmente teriam tido posições elevadas na União Soviética para tratar dissidentes, se tivessem nascido lá.

Então o que é que faz com que algumas pessoas acreditem em teorias da conspiração, e que outras enfiem a cabeça na areia? Não são evidências. É principalmente o que outras pessoas acreditam. E é por isso que a maioria do público acredita em conspirações que são comumente aceitas de terem acontecido, mas mesmo assim são conspirações.

Afinal, se tomamos uma amostra de teóricos da conspiração, e uma amostra de pessoas que não se identificam como teóricos da conspiração e propor-lhes as teorias de conspiração a seguir:

- O governo da Alemanha nazista conspiraram para exterminar o povo judeu
- Saddam Hussein usou gás venenoso contra os curdos em Halabja
- Os sérvios cometeram genocídio contra os albaneses no Kosovo

Aqueles que se identificam como teóricos da conspiração provavelmente dúvidariam das duas últimas teorias, se é que eles fizeram a lição de casa. Alguns duvidariam da primeira teoria também. Aqueles que não se identificam como os teóricos da conspiração, por outro lado, são propensos a acreditar em todas as três teorias de conspiração.

A partir disso, diria que os que se identificam como teóricos da conspiração são realmente céticos sóbrios, enquanto que aqueles que não acreditam em teorias da conspiração, parecem ser os reais teóricos da conspiração!

Então, o que está acontecendo aqui? A resposta é a seguinte: As pessoas que não acreditam em teorias da conspiração acreditam que o “nosso lado” (os bons!) não se envolvem em conspirações. Eles de bom grado aceitarão qualquer teoria que seja contada sobre o outro lado (os maus!), no entanto, sem examiná-la pessoalmente. Pessoas que acreditam em teorias de conspiração são mais propensas a colocar sob exame minucioso o que o seu lado apresenta como propaganda .

Assim, a partir disto pode-se supor que a maioria dos teóricos da conspiração simplesmente identificam-se com o outro lado, não é? Não necessariamente. A maioria dos teóricos da conspiração odeiam o marxismo e o socialismo e identificam-se como libertários que defendem o livre mercado.

O que está acontecendo, então? A resposta é muito simples na realidade:

- Teóricos da Conspiração são radicais em seu pensamento, mas conservadores em suas ações

- Negadores de Conspiração são conservadores em seu pensamento, mas radical em suas ações

Exemplos abundam, teóricos da conspiração têm um interesse enorme em praticamente qualquer tópico científico “estranho”, que os cientistas “mainstream” não querem tocar. Eles também têm um grande interesse em qualquer teoria não-científica dominante que os cientistas mainstream não querem tocar. Mesmo quando o assunto não tem nada a ver com teorias da conspiração!

Por exemplo, alguns teóricos da conspiração acham que a Terra está de fato crescendo. Procure você mesmo no Google. Alguns teóricos da conspiração acreditam que o fumo não causa câncer de pulmão, ou só causa câncer de pulmão, pois contém isótopos radioativos. Alguns teóricos da conspiração| acreditam que formas de vida alienígena intervieram na Terra para ajudar a criar a espécie humana. Alguns teóricos da conspiração acreditam na fusão a frio. Alguns teóricos da conspiração pensam que o mundo vai acabar em 2012, porque os maias previram isso. Há uma certa sobreposição entre ciência alternativa, da Nova Era e conspiração.

Nota do autor do blog: eu particularmente não acredito em nenhuma desas teorias acima.

Como David Icke menciona, os teóricos da conspiração em geral, não têm a pretensão de ter um monopólio sobre a verdade. Eles estão simplesmente trabalhando para colocar as ideias lá fora, e ponderaram se eles estão certos ou não. Em muitos casos, os teóricos da conspiração não colocam a sua própria teoria unificada para explicar um evento ou um fenômeno, mas simplesmente procuram apontar por que a teoria oficial dominante é impossível. Por exemplo a maioria dos teóricos da conspiração não têm a pretensão de saber o que aconteceu em 11 de setembro, mas simplesmente alegam que o governo está mentindo, e desejam uma nova investigação.

Essencialmente, os teóricos da conspiração só tem interesse naquilo que nós não entendemos. Teóricos da conspiração são investigadores. Negadores da conspiração são em sua maioria pessoas que têm interesse naquilo que eles entendem.

E isto faz todo o sentido. Ambos estão sendo perfeitamente racionais e seguem o seu próprio interesse. A ciência é extremamente conservadora em seu pensamento. Se você afirma ter observado qualquer coisa radical ou estranha que você não pode explicar ou que não se encaixa em teorias estabelecidas, os cientistas vão atacá-lo e cuspir veneno em você. Isto é o que aconteceu com Luc Montagnier, o homem que descobriu o HIV.

Mr. Montagnier afirmou para detectar sinais eletromagnéticos de DNA, embora tivesse diluído em um grau tal que não deveria ser possível detectar nada (Link). Isto é, naturalmente, extremamente interessante, e merece um exame mais aprofundado. Mas os cientistas apenas o atacaram, e basicamente ficaram furiosos, porque seu modo de pensar pré-estabelecido foi desafiado.

Esta é também uma grande diferença entre os teóricos da conspiração e negadores da conspiração. Se eu sou um cientista de destaque, e publico uma descoberta ou uma teoria que parece colocar em dúvida crenças estabelecidas dentro da comunidade científica, eu estou propenso a perder muito. Meus colegas na conferência anual vai me dar de ombros, eu poderia perder minha posição na minha universidade, ou o meu mais recente estudo não seria publicado em nenhum qualquer.

Teóricos da conspiração, por outro lado, não têm nada a perder. Por mais radical que meus pensamentos e teorias sejam, é provável que eles serão examinados. Eu posso dizer o que eu quiser. Se eu acho que vi o Pé Grande escondido no meu armário, posso dizê-lo, sem perder nada, por estar escrevendo anonimamente. Se eu escrever alguma coisa ridícula, nada acontece. As pessoas vão me dizer que eu sou um idiota, vão parar de ler o que eu tenho que dizer, e vão seguir em frente com suas vidas. Eu sou julgado por aquilo que eu escrevo em oposição a quem eu sou. Esta é uma grande diferença entre os teóricos da conspiração e os negadores de conspiração. Teóricos da conspiração simplesmente não se importam muito com o que as pessoas pensam sobre eles.

Como você pode ver, os teóricos da conspiração são pensadores radicais, ao contrário de atores radicais. Em nossa sociedade porém, negadores de conspiração não pensam de forma radical, mas agem radicalmente. Teóricos da conspiração como eu pensam que isto é muito estúpido, mas compreensível, porque em nossa sociedade, você é julgado na maior parte pelo que você pensa, e não pelo que você faz.

Eu poderia perfeitamente ser um cara legal, que ajuda o abrigo dos sem-teto, que não come carne de animais que sofreram e ajuda velhinhas a atravessar a rua. Mas se eu sair e dizer: “Ah, a propósito, o Holocausto não aconteceu, os judeus não pertencem em Israel, as pessoas transexuais e gays são doentes mentais” etcetera, as pessoas me odiariam pelo o que eu penso, enquanto que elas não se importariam tanto com o que eu faço nesse momento. Eu posso ser um bumda-mole que só se preocupa com seu bronzeado falso e seu jogo de esportes na TV, ou uma adolescente cuja vida gira em torno de bolsas de grife, mas ninguém realmente se importa.

Eu sou um teórico da conspiração e acho que os negam conspirações são pessoas muito radical em seu agir. É muito radical para preencher o nosso planeta com torres de telefonia celular que emitem radiação de microondas e nos leva a sermos expostos a níveis de radiação de microondas bilhões de vezes superior ao nível em que o ser humano desenvolveu. Eu acho que é muito radical colocar um dispositivo de body-scanner contra o corpo de milhares de pessoas. Eu acho que é muito radical coletar a energia gerada por reações em cadeia radioativas criadas pelo homem. Eu acho que é muito radical comer alimentos em plásticos que soltam hormônios. Eu acho que é muito para esconder o corpo do sol, sob o qual toda a vida evoluiu.

Eu acho que é muito radical confiar nas pessoas em redes de televisão de propriedade de empresas que produzem armas nos dizendo a verdade sobre as guerras em que estamos envolvidos, cujas armas são usadas para matar pessoas inocentes (o autor do texto é americano). Eu acho que é muito radical confiar que uma classe de pessoas que “ganham” dezenas de vezes mais do que eu tenham o meu interesse em mente quando eles estão votando em leis que afetam a minha vida.

Eu acho que é muito radical abolir a nossa forma de vida comunal em que temos vivido nos últimos poucos milhares de anos e substituí-la com uma rede de pessoas que realmente não se preocupam com você, mas que vão tolerá-lo enquanto você se vestir como deles, parecer com eles, e não disser nada muito estranho em voz alta. Eu acho que é muito radical remover todo o açúcar de sua bebida e substituí-lo com produtos químicos sintéticos cujo sabor se parece com o do açúcar.

Eu acho que é muito radical confiar que um governo e uma lucrativa indústria farmacêutica tenham o seu melhor interesse em mente quando admitem ter realizado milhares de experiências médicas antiéticas em seres humanos sem o seu consentimento. Eu acho que é muito radical confiar em seu governo, a principal instituição de assassinatos em massa e principal fonte de genocídio, para cuidar de sua segurança e ter um monopólio de violência.

Eu acho que é muito radical injetar seus filhos com vacinas criadas por empresas que foram fundadas por pessoas conduzindo programas de armas biológicas durante a Segunda Guerra Mundial, e pagos por bilionários cujos avós pagaram para a pesquisa que Mengele realizou no Instituto Kaiser Wilhelm na Alemanha antes que ele ir para Auschwitz. A CIA roubando seu DNA? HA! Isto não é a ponta do iceberg, é o cristal de gelo microscópicos preso em seu sapato enquanto você está andando sobre o iceberg.

Eu não sou o radical, você é!

Fonte: blog.antinovaordemmundial.com