quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Esse Inquebrável Núcleo Noturno: ou, do Erotismo

Por Alain de Benoist


Não existe nenhuma definição verdadeiramente satisfatória do erotismo, essa qualidade propriamente humana que leva ao desejo sexual pela via da mútua invenção. O erotismo não é o contrário do pudor, o qual possui sentido somente na medida em que promove o desejo. Tampouco é o contrário da pornografia, que é sugestiva (sua grande vantagem) quando, mostrando absolutamente tudo revela, por isso mesmo, que não havia nada de essencial ali para se ver. D.H, Lawrance, por certo, já havia dito tudo quando denunciava a hipocrisia de uma sociedade que condena a pornografia ao mesmo tempo em que se mantém cega ante sua própria obscenidade. Qualquer discurso publicitário, qualquer discurso pertencente à lógica do mercado é, hoje, sem dúvidas, infinitamente mais obsceno do que uma vagina aberta e exposta em primeiro plano fotográfico.

Durante séculos, o erotismo foi denunciado como sendo o contrário dos “bons costumes” porque, ao excitar as paixões sensuais, contradizia a uma moral baseada na desvalorização da carne. Contrariamente a outras religiões, o cristianismo sempre foi incapaz de elaborar uma teoria do erotismo: não por haver ignorado ao sexo, mas, ao contrário, por tê-lo convertido em uma obsessão negativa. Passado o tempo dos mártires, a abstinência converteu-se em marca da vida devora e a sexualidade no campo privilegiado do pecado. A atividade sexual, considerada como um mal menor, somente foi admitida no campo da conjugalidade. A igreja condenava uma sexualidade desvinculada de finalidade procriadora, ao mesmo tempo em que cultivava o ideal virginal de uma procriação sem sexualidade. Por este motivo, sem duvidas, o discurso sobre o sexo se manteve circunscrito durante tanto tempo no âmbito literário, médico ou simplesmente vulgar, embora seja revelador que, em todos os tempos, o nu serviu como base para o ensino das belas artes, ao ser considerado como a mais idônea exemplificação da categoria de belo.

A modernidade nascente empreendeu seguidamente um vasto trabalho de dessimbolização cuja vítima foi o erotismo. Ao basear-se na idéia do ser humano como individuo auto-suficiente, era impossível pensar em uma diferença sexual que, por definição, implica no incompleto e no complementário. O caráter pejorativo atribuído às paixões e às emoções – supostas geradoras de “preconceitos” – correu casais, por outro lado, com o auge da força do individuo a favor do racionalismo cientificista. Viu-se então desvalorizada a inteligência sensível – do corpo –, seja como portadora de pulsões “arcaicas” ou, como proveniente de uma “natureza” da qual o homem, por fazer-se propriamente humano, estava chamado a emancipar-se. A modernidade, por último, converteu sistematicamente o interesse em necessidade e a necessidade em desejo. Sem ver que o desejo não se reduz precisamente ao interesse.

Autor de uma bela Antologia histórica das leituras eróticas, Jean-Jacques Pauvert considera que, “no ano 2000, apesar das aparências, o erotismo quase já desapareceu, se é que não desapareceu completamente”. Pode parecer surpreendente esta declaração de um especialista. Na realidade, não faz senão constatar que o erotismo, ontem amarrado por uma censura que o condenava à clandestinidade e à proibição, encontra-se, hoje em dia, ameaçado exatamente pelo contrário. Assim como a onipresença da imagem impede a vista, de forma que a grande cidade constitui, na realidade, um deserto; assim também, o sexo ensurdecedor converte-se em inaudível. A onipresença das representações sexuais priva a sexualidade de toda sua carga. Contrariamente ao que imaginam os reacionários pornofóbicos, herdeiros da nova ordem moral reagana-papista, a pornografia mata o erotismo por excesso, em lugar de ameaçá-la por sua falta. Trata-se também de um efeito da modernidade. O processo moderno de individualização conduziu, em primeiro lugar, de fato, à constituição da intimidade e, logo, em nome de um ideal de transparência, à transformação dialética da intimidade em exibição. Este passo da intimidade ao exibicionismo (tomado como “testemunho” e, por tanto, como critério de verdade) fica perfeitamente ilustrado pela emissão Loft Store, concentrada especular (e crepuscular) da sociedade atual, que é somente caricaturesca para melhor ilustrar seus traços distintos: mísero voyeurismo e estupidez consentida; espaço fechado, programado pela lei do dinheiro; exclusão interativa sobre a base de uma insignificância absoluta. Não é de se surpreender que as massas estejam fascinadas por este espelho que lhes tende: vêm em pequeno o que, cada dia, vivem no grande.

O sexo é hoje incitado a ser como o diapasão do espírito dos tempos: humanitário, higienista e técnico. A normalização sexual encontra novas formas que já não tentam reprimir o sexo, mas converter-lo em uma mercadoria como as demais. A sedução, muito complicada, converte-se em uma perda de tempo. O consumo sexual tem de ser prático e imediato. Objeto maquinal, corpo-máquina, mecânica sexual: a sexualidade já não é mais um assunto de receitas ao serviço de uma pulsão escópica da quantidade. No mundo da comunicação, o sexo tem deixar de ser o que sempre foi: um esboço de comunicação tão mais deleitoso conforme se localiza sobre um fundo de incomunicabilidade. Em um mundo alérgico às diferenças, que desde muitos pontos de vista reconstruiu social e culturalmente a relação entre os sexos desde o horizonte de um dimorfismo sexual atenuado, e que teima em ver nas mulheres “homens como os demais” quando, na realidade, elas são o outro do homem; pretende-se que o sexo deixe de “alienar” quando, na realidade, é um jogo de alienações voluntárias. O erotismo é morto pelo desejo politicamente correto de suprimir a correlação de forças que se estabelece ora a favor de um sexo e ora a favor de outro, em uma mutua conversão. O mata porque nenhuma relação amorosa pode ser implantada em plena igualdade, mas tão somente em um conflito, em uma instável desigualdade que permita dar a volta em todas as situações. O sexo não é, senão, descriminação e paixão, atração ou repudio igualmente excessivos, igualmente arbitrários, igualmente injustos. Em tal sentido, não é exagerado dizer que o verdadeiro erotismo – selvagem ou refinado, bárbaro ou lúdico – segue sendo, mais do que nunca, um tabu.

A vontade de suprimir a transgressão mata, por sua vez, ao erotismo. Porque há muitas normas em matéria sexual, assim como as há em tudo. O erro consiste em crer que são normas morais. O outro erro é o de imaginar-se que qualquer comportamento pode erigir-se em norma, ou que a existência de uma deslegitima, por sua mera existência, tudo o que está fora das normas. O erotismo implica na transgressão, com a condição de que tal transgressão, contudo, seja possível sem deixar de ser transgressão; isto é, sem ser instituída como norma.

Entre os “jovens dos subúrbios” (para os quais as mulheres não são mais do que uns buracos rodeados de carne), as idiotas profissionais de formas siliconadas e as revistas femininas convertidas em manuais de sexologia pubo-pélvica, o erotismo se apresenta hermeticamente bloqueado em toda a parte. Os jovens, em particular, têm de fazer frente a uma sociedade que é, por sua vez, muito mais permissiva e muito menos tolerante que no passado. Assim como a dominação conduz à desapropriação, a também pretensa libertação sexual conduziu somente, no fim, a novas formas de alienação. Mas o sexo, por ser algo que pertence, antes de tudo, ao reino do incerto e do turvo, sempre se esgueira ante a transparência. O exibicionismo é algo ainda mais opaco do que a censura, pois a este desejo de transparência responde sempre com a metáfora. Quando se tenta iluminá-lo com projetores, o mundo do sexo opõe-se afortunadamente a tal iluminação, fato que André Breton denominava seu “inquebrantável núcleo noturno”.
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[Revista Eléments nº 102, setembro de 2001, Robert de Herte (pseudônimo de Alain de Benoist)]

Assim não é, porém parece

por Adriano Scianca



Em um bom artigo de uns anos atrás, Charles Champetier identificava o novo rosto do inimigo em um triplo sistema de domínio composto por técnica, mercado e espetáculo. As figuras tradicionais do enfrentamento político, explicava Champetier, ficaram já obsoletas; ao dia de hoje o poder exerce-se mediante mecanismos impessoais que não executam-se em momentos e lugares simbólicos, senão em todo instante e em todas as partes.



Mais que por uma estrutura de poder, o sistema está hoje constituído por uma dimensão existencial, na qual todos estamos imersos. Assim é, porque a nova forma do domínio não prevê uma imposição externa, senão mais exatamente uma absorção em seu interior. Nós vivemos na técnica, no mercado, no espetáculo.



Todo aspecto de nossas existências que não possa-se redirigir a tal esquema é "normalizado" ou suprimido: o que não é eficaz é superado, o que não é rentável é absurdo, o que não é visível é inexistente. O resultado é o mundo sem sentido: a economia produz por produzir, a técnica progride por progredir, o espetáculo mostra por mostrar. O que em seu momento era um meio submetido a oturos fins, agora é fim em si mesmo. Volta à nossa mente a frase de Nietzsche sobre o niilismo como ausência de resposta ao porquê. Pois bem, a profecia cumpriu-se. Vivemos em um mundo que, como diria Alain de Benoist, não sabe para onde ir, porém não deixa de afirmar que somente há um modo para dirigir-se.



Espetáculo e Realidade



O espetáculo está formado por aspectos individuais do mercado e da técnica que constituem um conjunto autônomo que engloba o âmbito da informação e das representações coletivas. Observaram-no já Adorno e Horkheimer em tempos insuspeitos: "os filmes, a rádio e os semanários constituem, em seu conjunto, um sistema. Todo setor é harmonizado em seu interior e todos são entre si". E tudo isso apesar do tão ostentado pluralismo: "as distinções enfáticamente afirmadas" entre os diferentes produtos culturais, continuavam os dois filósofos judeus, "mais que estar fundadas sobre a realidade e derivar desta, servem para classificar e organizar aos consumidores, e para tê-los em um punho mais sólidamente. Para todo o mundo está previsto algo para que ninguém possa escapar; as diferenças são inculcadas e difundidas artificialmente".



O que vemos muda continuamente, porém segue sendo constante o domínio da visão da imagem espetacularizada. Em nossa sociedade, de fato, a visão substituiu tanto a ação como a reflexão. Não crê-se mais do que naquilo que vê-se. O que é visto suplanta o que é vivido. O espetáculo, diz Guy Debord, não é outra coisa que "o empobrecimento, a submissão e a negação da vida real". A visão espetacularizada converte-se na única possibilidade de existência dos entes.



Daí deduz-se que a sociedade do espetáculo não é somente o reino da mentira (ainda que mentiras puras e simples há aos montes), senão mais exatamente a autêntica dimensão da não-verdade absoluta, a dimensão em que é impossível ter uma experiência da verdade, o mundo em que existe somente o que situa-se sob a luz dos refletores, enquanto que o que demora-se em sua existência autêntica é como se ficasse em uma escuridão originária. Como moscas diante de um cristal, damo-nos cabeçadas para alcançar uma realidade que não captamos sem entender quem e o quê interpõe-se entre nós e ela.



Deste modo, não obstante, nossa capacidade de compreensão e de comunicação fica irremediavelmente comprometida. A sociedade do espetáculo entra em nós e transforma-nos desde o interior. Em particular, nossa personalidade é desarticulada em três níveis distintos: nível informativo, nível social e nível psíquico.



Ver e Não Entender



O nível informativo é aquele no qual o espetáculo atua deformando nossa percepção do mundo. "Tudo o que sabes é falso", escreveu recentemente alguém, e resulta difícil discordar.



Hoje nós já não estamos em condições de compreender o que sucede ao nosso redor sem recorrer às respostas pré-fabricadas ou a paradigmas simplestas que são-nos administrados deliberadamente. O esquema moral dos "bons" e dos "maus" já foi inserido à força entre nossas estruturas mentais implícitas, e nossa "liberdade de pensamento" consiste simplesmente em assignar a cada figurante a posição à qual está destinado a pertencer. As peças do quebra-cabeças é-nos dada pela televisão e o encaixe é necessariamente o estabelecido, porém a final de contas, quando juntamos as peças ninguém põe-nos uma pistola na nuca: para a maioria isso basta-lhe para autoproclamar-se "livre". A multiplicação dos canais informativos acabou por coincidir com a total ausência de informação real.



Um símbolo eloquente a respeito é o ataque às torres gêmeas, ao mesmo tempo o acontecimento e o anti-acontecimento por excelência. O 11 de Setembro é o momento da transparência absoluta, da informação global realizada, o espetáculo que reúne ao mesmo tempo toda a humanidade diante do aparelho de televisão para assistir em tempo real ao mesmo acontecimento registrado por milhares de câmeras. Porém ao mesmo tempo, estamos diante de um anti-acontecimento, diante da mistificação mais absoluta da realidade, da ficção completa. É certo, todos nós vimos. E não obstante, ignoramos todos os seus aspectos. Sabemos com absoluta certeza que algo aconteceu, porém este algo estã tão próxima da essência mesma do mecanismo espetacular que é um concentrado de falsidade em estado puro. Não há nenhuma imagem que tenhamos visto tantas vezes como a dos aviões chocando-se; porém ao mesmo tempo, não há nenhum fato histórico do qual saibamos menos. Ver e não entender é já nosso destino. A compreensão ou a análise resultam-nos inacessíveis; fica-nos somente o estupor e a indiferença, o medo e a diversão, a histeria e a apatia, administrados em doses alternadas, segundo as exigências do sistema.



Desestruturação do Social



O nível social é aquele no qual a personalidade dos indivíduos e seu vínculo com os outros são desestruturados e remodelados com base em uma lógica mercantil. "O espetáculo não é um conjunto de imagens senão uma relação social entre indivíduos, intermediada pelas imagens", observava já Debord.



Não vivemos mais que relacionando-nos com os outros, porém hoje não existe vínculo social que não esteja submerso no espetáculo. Aqui, mais que os telejornais, o que vale são as séries de ficção, os reality shows e o "star system" em geral. Ao propôr determinados modelos, a sociedade do espetáculo penetra nas relações interindividuais e reproduz-se. A competição darwinista, o moralismo hipócrita, o individualismo decadente, o etnomasoquismo, a vaidade narcisista, a pequena mesquinhez, o conformismo mais vazio, a superficialidade mais desconcertante e a ignorância mais abismal elevados a norma: é em tudo isso que estamos imersos quotidianamente graças ao bombardeio midiático. Predomina a banalidade como linguagem, o que significa não tanto que diz-se coisas banais como que não é-se capaz de comunicar mais do que através da banalidade. Quer dizer: fala-se e não diz-se nada.



É a culminação da alienação: "a consciência espetacular, prisioneira em um universo degradado, reduzido pela tela do espetáculo por trás da qual foi deportada sua própria vida, não conhece mais que os interlocutores fictícios que falam-lhe unilateralmente de sua mercadoria e da política de sua mercadoria".



A Grande Família



Tal mecanismo alienante, para fazer-se sedutor, não pode mais que travestir-se de fingida autenticidade. A tendência ao "realismo" da televisão atual na realidade trata de criar uma espécie de "familiaridade" com a ficção da tela, tentando apaixonar o público com pequenos casos insignificantes com os que possa identificar-se. "Dizem que com uma segunda tela mural tens à Família ao teu redor constantemente" diz Julie Christie em Fahrenheit 451 de Truffaut.



É assim precisamente: a "Grande Família" envolve-te e engloba-te. Descobres-te chamando pelo nome uns desconhecidos que viu na tela como se fossem teus amigos íntimos. Sente-os próximos, parecem-se a ti. Porém em realidade és tu o que estás começando a ser como eles. Estes shows, de fato, não representam a realidade. Constroem-na. Não são descritivos senão normativos. Não mostram o que é senão o que deve ser. O mesmo pode-se dizer do culto dos famosos e dos aspectos mais privados de suas existências: o indivíduo "normal" vê-se empurrado às fofocas sobre a vida sentimental dos milionários ignorantes e viciados divinizados pelos meios e fantasia dessa maneira sobre uma vida que nunca poderá ter porém que servir-lhe-á como modelo para orientar a sua. Vivemos em um mundo de famosos truncados, que ao sonhar somente com o estilo de vida dos tediosos astros de aparência que estão podres de dinheiro, mostram que já interiorizaram um certo desprezo por si mesmos, por suas próprias origens sociais e culturais.



Graças à sociedade do espetáculo começamos a odiar a parte de nós que segue sendo autêntica, verdadeira, enraizada, a parte que se não fosse desintegrada impedir-nos-ia de ter acesso ao Olimpo midiático, tal e como prevê o classismo pós-moderno que separa quem aparece de quem não aparece.



A Devastação dos Cérebros



O nível psíquico, ademais, é o da autêntica desarticulação da personalidade a um nível inclusive fisiológico. Somente há que pensar na ação desestruturante que pode exercer no cérebro.



Como sabe-se, o cérebro funciona graças à sinergia do hemisfério esquerdo e do hemisfério direito. Os dois hemisférios elaboram as informações de modos distintos destinados depois a entrelaçar-se harmonicamente: o hemisfério esquerdo raciocina de um modo que poderíamos definir analítico, linear, consequente, científico, digital, o direito, de modo intuitivo, simbólico, imaginativo, sintético, analógico.



Agora, revelou-se como o uso das novas tecnologias midiáticas está em condições de criar estruturas mentais prioritárias, favorecendo determinadas faculdades (as "digitais") em detrimento das centrais para o pensamento simbólico e relacional. Outros identificaram em tal separação a origem da barbarização de nossa sociedade e da extensão da violência niilista como fim em si mesma.



Aqui não falamos de atitudes ou de mentalidades, senão de organização cognitiva e inclusive neuronal. Somente há que pensar que a televisão modificou já o modo em que usamos nossos olhos e está contribuindo inclusive para desequilibrar nossoas valores hormonais.



E isso não é tudo: a autorizada revista especialista Pediatrics, por exemplo, levou a cabo estudos que demonstraram como nos Estados Unidos o cérebro das crianças forma-se de acordo com os tempos televisivos - nos quais tudo sucede rápidamente, como relâmpagos breves e repentinos - tanto que já não logram concentrar-se quando não recebem o mesmo tipo de estímulo veloz. Um número cada vez maior de crianças já não é capaz de concentrar-se nunca, nem sequer durante algum minuto. Estamos dando vida ao zumbi global, único cidadão possível do mundo pós-humano que estamos preparando.



A Rebelião Espetacular



Assim as coisas, como enfrentar-se à tirania do espetáculo? O caminho empreendido pela maioria é o do extremismo. O extremismo é a excessividade efêmera do gesto, a disposição a conferir aos próprios discursos uma visibilidade que supere durante um momento em intensidade a monotonia do já-visto, sem sair, não obstante, do paradigma da visão espetacularizada. Este encontra-se, como pode-se intuir, totalmente dentro da sociedade do espetáculo.



A nível macro-histórico e macropolítico, o extremismo converte-se em terrorismo: a final de contas, o mito do "choque de civilizações" (Ocidente vs. Terrorismo Islâmico) não é mais que a versão global e atualizada do mito dos "extremismos opostos" (anticomunismo reacionário vs. antifascismo reacionário). Muda a intensidade (e o caráter trágico) porém não os resultados. O potencial revolucionário do extremismo é, de fato, igual a zero.



É mais: jogando um papel no interior da sociedade do espetáculo, o extremista e o terrorista não somente não põem em questão nada, senão que convertem-se inclusive em elementos funcionais do sistema que de palavra queriam combater, adotam o semblante de figurantes em uma representação maior que eles. E muitas vezes nem ao menos são necessários os elencos dirigidos por outros: estes encontram por si mesmos seu próprio lugar na comédia, espontâneamente assumem a parte que foi-lhes assignada.



O Pensamento Radical



Fora da comédia, e, ao contrário, disposto a incendiar todo o teatro, encontra-se, por sua vez, quem saiba assumir posições radicais.



O radicalismo é a antítese do extremismo. O primeiro é silencioso, vivido, de longo alcance, operativo; o segundo é ruidoso, encenado, míope, inútil. Não centrado nos gestos senão nas ações, o radicalismo é, etimilógicamente, a capacidade de ir à raiz. À raiz de si mesmo acima de tudo: o pensamento radical está sempre enraizado. Ou melhor, deve está-lo: quem aventura-se no reino do nada deve ter uma identidade forte para não assumir ele mesmo as aparências do inimigo. Porém o pensamento radical significa também ir à raiz dos problemas, compreender os acontecimentos em profundidade, sabendo colocá-los em perspectiva.



Escola de autenticidade e de realismo, o pensamento radical é hoje a única via transitável que com razão pode-se definir revolucionária. Assim é, porque a primeira obrigação de toda vontade revolucionária é o de descer concretamente à realidade, mais além da histeria e da utopia, as duas únicas alternativas que a sociedade do espetáculo oferece-nos. Portanto, atuar para voltar ao real. Gerar novas consciências. Redespertar consciências adormecidas. Sair da capa sufocante da novidade para voltar, finalmente, a ver as estrelas.



O mundo no qual vives não existe.



Tudo o que sabes é falso.



Abra os olhos.



Agora.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Dando nomes aos nomes: Seu verdadeiro governo

por Tony Cartalucci

Esse é seu verdadeiro governo; eles transcendem administrações eleitas, eles permeiam cada partido político, e eles são responsáveis por praticamente cada aspecto do modo de vida do americano ou europeu médio. Quando a "esquerda" está carregando a tocha de duas guerras "neoconservadoras", começando mais uma baseada nas mesmas mentiras, propagandeada pela mesma mídia que falou das armas de destruição em massa iraquianas, o mundo não tem escolha, além de uma profunda dissonância cognitiva, a não ser perceber que há algo errado.

O que há de errado é um sistema completamente controlado por uma oligarquia corporativo-financeira com impérios financeiros, midiáticos e industriais que abarcam o globo. Se nós não mudarmos o fato de que estamos impotentemente dependentes dessas corporações que regulam cada aspecto de nossa nação politicamente, e cada aspecto de nossas vidas pessoalmente, nada mais mudará.

A lista seguinte, ainda que extensa, de longo não é completa. Porém após esses exemplos, um padrão deve ficar autoevidente com os mesmos nomes e corporações sendo listados de novo e de novo. Deve ser autoevidente para os leitores o quão perigosamente pervasivas essas corporações tornaram-se em nossas vidas diárias. Finalmente, deve ser autoevidente o quão necessário é expurgá-las de nossas vidas, nossas comunidades, e finalmente nossas nações, com o máximo de celeridade.

International Crisis Group

Background: Enquanto o International Crisis Group (ICG) afirma estar "comprometido com a prevenção e resolução de conflitos fatais", a realidade é que eles estão comprometidos com a oferta de soluções muito bem construídas por antecipação para problemas que eles mesmos criaram de modo a perpetuar a própria agenda corporativa.

Em nenhum outro lugar isso poderia ser melhor ilustrado do que na Tailândia e mais recentemente no Egito. O membro da ICG Kenneth Adelman tem apoiado o ex-primeiro ministro da Tailândia Thaksin Shinawatra, um ex-conselheiro do Grupo Carlyle que estava literalmente em pé diante do Council of Foreign Relations em Nova Iorque quando de sua derrubada do poder em 2006 por um golpe militar. Desde 2006, as intervenções de Thaksin na Tailândia tem sido escoradas por outro membro do Carlyle James Baker e seu escritório de advocacia Baker Botts, pelo conselheiro da Belfer Center Robert Blackwill da Barbour Griffith & Rogers, e agora o escritório de advocacia Amsterdam & Peroff, um importante membro corporativo da Chatham House globalista.

Com a Tailândia agora envolta em caos político liderado por Thaksin Shinawatra e a revolução colorida de seus "camisas vermelhas", a ICG está pronta com "soluções" nas mãos. Essas soluções geralmente envolvam amarrar as mãos do governo tailandês com argumentos de que deter as atividades subversivas de Thaksin equivale a abusos contra os direitos humanos, na esperança de permitir que a revolução financiada pelos globalistas cresça para além de qualquer controle.

Os tumultos no Egito, obviamente, foram comandados completamente pelo membro da ICG Mohamed ElBaradei e seu Movimento da Juventude de 6 de Abril recrutado, financiado e apoiado pelo Departamento Americano de Estado e coordenado por Wael Ghonim da Google. Enquanto os tumultos foram retratados como sendo espontâneos, incitados pelos tumultos tunisianos anteriores, ElBaradei, Ghonim e seu movimento de juventude estavam no Egito desde 2010 reunindo sua "Frente Nacional pela Mudança" e dispondo os fundamentos para o levante de 25 de janeiro de 2011.
George Soros da ICG, então, financiaria ONGs egípcias trabalhando para reescrever a constituição egípcias após ElBaradei ter sido bem-sucedido em remover Hosni Mubarak. Essa constituição financiada por Soros e o governo servil de fachada resultante que ela criaria representa a ICG "resolvendo" a crise que seu próprio ElBaradei ajudou a criar.

Notáveis membros do Conselho da ICG:

George Soros
Kenneth Adelman
Samuel Berger
Wesley Clark
Mohamed ElBaradei
Carla Hills

Notáveis conselheiros da ICG:

Richard Armitage
Zbigniew Brzezinski
Stanley Fischer
Shimon Peres
Surin Pitsuwan
Fidel V. Ramos

Notáveis Apoiadores Financeiros e Corporativos da ICG:

Carnegie Corporation of New York
Hunt Alternatives Fund
Open Society Institute
Rockfeller Brothers Fund
Morgan Stanley
Deutsche Bank Group
Soros Fund Management LLC
McKinsey & Company
Chevron
Shell


Brookings Institute

Background: Dentro da biblioteca do Instituto Brookings você encontrará plantas para praticamente cada conflito no qual o Ocidente esteve envolvido dentro da memória recente. Mais do que isso é que enquanto o público parece pensar que essas crises brotam como incêndios naturais, aquelesq ue seguem os estudos e publicações corporativas financiadas por Brookings veem essas crises vindo com anos de antecedência. Esses são conflitos premeditados e meticulosamente planejados que são acionados para conduzir a soluções premeditadas e meticulosamente planejadas para fazerem prosperar os apoiadores corporativos da Brookings, que são numerosos.
As atuais operações contra o Irã, incluindo as revoluções coloridas apoiadas pelos EUA, terroristas treinados e financiados pelos EUA dentro do Irã, e sanções danosas estão todas dispostas em detalhes excruciantes no relatório do Instituto Brookings "Que Caminho para a Pérsia?". A mais recente resolução 173 do Conselho de Segurança da ONU referente a Líbia misteriosamente assemelha-se ao relatório Brookings de 9 de Março de 2011 escrito por Kenneth Pollack, e entitulado "As Reais Operações Militares na Líbia".

Membros notáveis do Conselho da Brookings:

Dominic Barton - McKinsey & Company, Inc
Alan R. Ratkin - Eton Park Capital Management
Richard C. Blum - Blum Capital Partners, LP
Abby Joseph Cohen - Goldman Sachs & Co.
Suzanne Nora Johnson: Goldman Sachs Group, Inc
Richard A. Kimball Jr. - Goldman Sachs & Co.
Tracy R. Wolstencroft - Goldman Sachs & Co.
Paul Desmarais Jr. - Power Corporation of Canada
Kenneth M. Duberstein - The Duberstein Group, Inc.
Benjamin R. Jacobs - The JBG Companies
Nemir Kirdar - Investcorp
Klaus Kleinfeld - Alcoa, Inc
Philip H. Knight - Nike, Inc.
David M. Rubenstein - Co-Fundador do Grupo Carlyle
Sheryl K. Sandberg - Facebook
Larry D. Thompson - PepsiCo, Inc.
Michael L. Tipsord - State Farm Insurance Companies
Andrew H. Tisch - Loews Corporation

Alguns Especialistas do Instituto Brookings:

Kenneth Pollack
Daniel L. Byman
Martin Indyk
Suzanne Maloney
Michael E. O'Hanlon
Bruce Riedel
Shadi Hamid

Notáveis apoiadores Financeiros e Corporativos da Brookings

Fundações & Governos:

Ford Foundation
Bill & Melinda Gates Foundation
The Rockefeller Foundation
Governo dos Emirados Árabes Unidos
Carnegie Corporation de Nova Iorque
Rockefeller Brothers Fund

Bancos & Finanças

Bank of America
Citigroup, Inc.
Goldman Sachs
H&R Block
Kohlberg Kravis Roberts & Co.
Jacob Rothschild
Nathaniel Rothschild
Standard Chartered Bank
Temasek Holdings Limited
Visa Inc.

Petróleo:

Exxon Mobil Corporation
Chevron
Shell Oil Company

Complexo Militar Industrial & Indústrias:

Daimler
General Dynamics Corporation
Lockheed Martin Corporation
Northrop Grumman Corporation
Siemens Corporation
The Boeing Company
General Electric Company
Westinghouse Electric Corporation
Raytheon Co.
Hitachi, Ltd.
Toyota

Telecomunicações & Tecnologia:

AT&T
Google Corporation
Hewlett-Packard
Microsoft Corporation
Panasonic Corporation
Verizon Communications
Xerox Corporation
Skype

Mídia & Administração de Percepção:

McKinsey & Company, Inc.
News Corporation (Fox News)

Bens de Consumo & Indústria Farmacêutica

GlaxoSmithKline
Target
PepsiCo, Inc.
The Coca-Cola Company


Council on Foreign Relations

Background e Membros Notáveis: Uma melhor pergunta seria, quem não está no Conselho de Relações Estrangeiras? Praticamente cada político carreirista, seus conselheiros, e aqueles povoando os conselhos das 500 empresas mais ricas do mundo são membros do CFR. Muitos dos livros, artigos de revistas, e colunas de jornal que lemos são escritas por membros do CFR, junto com relatórios, similares ao do Instituto Brookings que ditam, verbatim, a legislação que acaba aparecendo diante dos legisladores ocidentais.

Um bom exemplo das alas mais ativas da CFR pode ser melhor ilustrada na farsa do ano passado da "Mesquita do Marco Zero", onde membros da CFR tanto da direita política americana como da esquerda fingiram um acalorado debate sobre a chamada Cordoba House da cidade de Nova Iorque próxima aos três prédios destruídos do World Trade Center. Na realidade, a Cordoba House foi estabelecida por outro membro da CFR Feisal Abdul Rauf, que por sua vez foi financiado por braços financeiros da CFR incluindo a Carnegie Corporation of New York, pelo chefe da Comissão do 11 de Setembro Thomans Kean, e por várias fundações Rockefeller.

Notável apoio corporativo do CFR

Banco & Finanças

Bank of America Merrill Lynch
Goldman Sachs Group, Inc.
JP Morgan Chase & Co
American Express
Barclays Capital
Citigroup, Inc.
Morgan Stanley
Blackstone Group L.P.
Deutsche Bank AG
New York Life International, Inc.
Prudential Financial
Standard & Poor's
Rothschild North America, Inc.
Visa, Inc.
Soros Fund Management
Standard Chartered Bank
Bank of New York Mellon Corporation
Veritas Capital LLC
Kohlberg Kravis Roberts & Co.
Moody's Investors Service

Petróleo

Chevron Corporation
Exxon Mobil Corporation
BP p.l.c.
Shell Oil Company
Hess Corporation
ConocoPhillips Company
TOTAL S.A.
Marathon Oil Company
Aramco Services Company

Complexo Militar Industrial & Indústrias

Lockheed Martin Corporation
Airbus Americas, Inc.
Boeing Company
DynCorp International
General Electric Company
Northrop Grumman
Raytheon Company
Hitachi, Ltd.
Caterpillar
BASF Corporation
Alcoa, Inc.

Relações Públicas, Lobbyistas & Escritórios de Advocacia

McKinsey & Company, Inc.
Omnicom Group Inc.
BGR Group

Mídia Corporativa & Editoriais

Bloomberg
Economist Intelligence Unit
News Corporation (Fox News)
Thomson Reuters
Time Warner Inc.
McGraw-Hill Companies

Bens de Consumo

Walmart
Nike, Inc.
Coca-Cola Company
PepsiCo, Inc.
HP
Toyota Motor North American, Inc.
Volkswagen Group of American, Inc.
De Beers

Telecomunicações & Tecnologia

AT&T
Google, Inc.
IBM Corporation
Microsoft Corporation
Sony Corporation of America
Xerox Corporation
Verizon Communications

Indústria Farmacêutica

GlaxoSmithKline
Merck & Co., Inc.
Pfizer Inc.


The Chatham House

Background & Membros: A Chatham House britânica, como o CFR e o Instituto Brookings nos EUA, possui um longa lista de membros e está envolvida no planejamento coordenado, na administração de percepção, e na execução da agenda coletiva de seus membros corporativos.

Membros individuais populando seu comitê sênior de conselheiros consistem de fundadores, CEOs, e presidentes dos membros corporativos da Chatham House. Os "especialistas" da Chatham são geralmente selecionados no mundo acadêmico e suas "publicações recentes" são geralmente usadas internamente bem como publicadas através da extensa lista de corporações midiáticas que são membros do grupo, bem como através de publicações industriais e médicas. Que os "especialistas" da Chatham House estão contribuindo com artigos para publicações médicas é particularmente alarmante considerando que a GlaxoSmithKline e a Merck são ambas membros corporativos da Chatham House.

Nenhum exemplo melhor desse incrível conflito de interesses pode ser dado do que na atual "revolução colorida" na Tailândia sendo liderada pela firma Amsterdam & Peroff da Chatham House com apoio consistente de outros membros corporativos incluindo o The Economist, o The Telegraph e a BBC.

Em um caso, o The Telegraph publicou, "Protestos tailandeses - análise por Dr. Gareth Price e Rosheen Kabraji", dentro do qual Price e Kabraji fazem uma tentativa desavergonhada de defender os violentos protestos de orientação maoísta financiados pelo Ocidente. Enquanto o The Telegraph menciona que Price e Kabraji são ambos analistas para a Chatham House, eles foram incapazes de dizer aos leitores que o próprio The Telegraph permanece sendo membro corporativo dentro da Chatham House bem como também o é principal lobbyista dos protestos tailandeses, Robert Amsterdam e sua firma lobbyista Amsterdam & Peroff.

Notáveis membros corporativos principais da Chatham House

Amsterdam & Peroff
BBC
Bloomberg
Coca-Cola Great Britain
Economist
GlaxoSmithKline
Goldman Sachs International
HSBC Holdings p.l.c.
Lockheed Martin UK
Merck & Co Inc.
Mitsubishi Corporation
Morgan Stanley
Royal Bank of Scotland
Saudi Petroleum Overseas Ltd
Standard Bank London Limited
Standard Chartered Bank
Tesco
Thomson Reuter
United States of America Embassy
Vodafone Group

Outros membros corporativos da Chatham House

Amnesty International
BASF
Boeing UK
CBS News
Daily Mail and General Trust p.l.c.
De Beers Group Services UK Ltd
G3 Good Governance Group
Google
Guardian
Hess Ltd
Lloyd's of London
McGraw-Hill Companies
Prudential p.l.c.
Telegraph Media Group
Times Newspapers Ltd
World Bank Group

Notáveis parceiros corporativos da Chatham House

British Petroleum
Chevron Ltd
Deutsche Bank
Exxon Mobil Corporation
Royal Dutch Shell
Statoil
Toshiba Corporation
Total Holdings UK Ltd
Unilever p.l.c.

Conclusão

Essas organizações representam os interesses coletivos das maiores corporações do planeta. Elas não apenas possuem exércitos de especialistas e pesquisadores para articular sua agenda e formar consenso internamento, como também usam seu acúmulo maciço de influência indevida na mídia, na indústria, e nas finanças para manufaturar um consenso internacional que sirva aos próprios interesses.

Crer que essa oligarquia corporativo-financeira sujeitaria sua agenda e destino aos desejos ds massas votantes é ingênuo na melhor das hipóteses. Eles tem garantido cuidadosamente que não importa quem chegue ao poder, em qualquer país, as armas, o petróleo, a riqueza e o poder continuam fluindo perpetuamente para suas mãos. Nada indica essa realidade parcamente oculta melhor do que um "liberal" portador do Prêmio Nobel da Paz, devidamente impulsionando para frente uma miríade de guerras "neoconservadoras", e começando mais uma guerra na Líbia.

Do mesmo modo, não importa quão sangrenta sua revolução seja, se a equação acima permanecer imutável, e as bases corporativas intocáveis, nada a não ser as mudanças mais superficiais terão sido feitas, e como no caso do Egito com o títere da ICG Mohamed ElBaradei trilhando seu caminho até o poder, as coisas podem ficar substancialmente piores.

A verdadeira revolução começara quando nós identificarmos a equação acima como os verdadeiros detentores do poder e quando nós começarmos sistematicamente a remover nossa dependência sobre eles, e sua influência sobre nós de nossas vidas diárias. A oligarquia global corporativo-financeira precisa de nós, nós não precisamos deles, independência deles é a chave para nossa liberdade.

Qaddafi: A Farsa Parlamentar

Por Mu'ummar Qaddafi


As assembléias parlamentares são a espinha dorsal da democracia, tal como ela existe atualmente.

A assembléia parlamentar é uma representação enganadora do povo e os regimes parlamentares constituem uma solução enganadora do problema da democracia; a assembléia parlamentar apresenta-se fundamentalmente como representante do povo, mas esse fundamento, em si, não é democrático, porque a democracia significa o poder do povo e não o poder de um substituto... O próprio fato da existência de uma assembléia parlamentar significa a ausência do povo. Ora, a verdadeira democracia só se pode estabelecer pela participação do próprio povo e não através da atividade desses substitutos. As assembléias parlamentares excluem as massas do exercício do poder e, ao usurparem a soberania popular em seu proveito, tornam-se numa barreira legal entre o povo e o poder. Tudo quanto resta ao povo é aquela aparência de democracia ilustrada pelas longas filas de eleitores vindos para depositar na urna o seu boletim de voto.

Para pôr a nu a realidade da assembléia parlamentar, é necessário procurar de onde ela vem: ou é eleita nas circunscrições eleitorais, ou é constituída por designação, num partido ou numa coligação de partidos. Mas nenhum desses meios é democrático, porque a repartição dos habitantes em círculos eleitorais significa que um só deputado representa, segundo a importância da população, milhares, centenas de milhares ou milhões de cidadãos. Isso significa, também, que o deputado não está unido por um laço orgânico popular aos seus eleitores, pois que, segundo a tese da democracia clássica, é considerado como sendo o representante de todo o povo, do mesmo modo que os outros deputados. A partir daí, as massas separam-se definitivamente do deputado e o deputado separa-se por sua vez das massas. Porque foi eleito, ele usurpa a soberania do povo e age no seu lugar... A democracia clássica, atualmente dominante no mundo, concede aos membros das assembléias parlamentares uma respeitabilidade e uma imunidade que nega aos simples cidadãos. Isso significa que as assembléias parlamentares se tornaram num meio de usurpar e monopolizar o poder do povo, pelo que hoje é do direito dos povos lutar através da revolução popular, com vista a eliminar esses instrumentos da monopolização da democracia e da soberania – as assembléias populares, que usurpam a vontade das massas. É do direito dos povos proclamar um novo princípio: “Não há substituto para o poder do povo”.

Quando a assembléia parlamentar é formada, na seqüência do sucesso de um partido nas eleições, ela é a assembléia do partido e não a assembléia do povo – ela representa um partido e não o povo –, e o poder executivo detido pela assembléia parlamentar é o poder do partido vencedor e não o poder do povo. O mesmo acontece com a assembléia parlamentar em que cada partido dispõe de um certo número de lugares; os titulares desses lugares são os representantes do seu partido e não os do povo, e o poder que emana de uma tal coligação é o dos partidos coligados e não o poder do povo. Nesses regimes, o povo é a presta pela qual se luta. Dele abusam sempre e exploram-no essas “máquinas políticas” que se combatem para alcançar o poder, para arrancar votos ao povo enquanto este se alinha em filas silenciosas, que se desfiam como as contas de um rosário, a fim de depor boletins nas urnas como se deitasse papéis num fogareiro... Esta é a democracia clássica que governa o mundo inteiro, quer se trate de regimes de partido único, de regimes bipartidos ou multipartidos, ou mesmo sem partido; torna-se assim bem claro que a “representação é uma impostura”.

Quanto às assembléias que se formam por designação ou por sucessão, não têm qualquer aspecto democrático.

Uma vez que o sistema das eleições para as assembléias parlamentares assenta sobre a propaganda para atrair os votos, torna-se um sistema demagógico no verdadeiro sentido da palavra. É possível comprar e manipular os votos quando os mais pobres não podem estar no coração das lutas eleitorais; são sempre (e só) os ricos que ganham as eleições!

Foram os filósofos, os pensadores e os escritores que se tornaram em advogados da teoria da representação parlamentar, no tempo em que os povos eram ignorantes e tratados como rebanhos pelos reis, sultões e conquistadores... A máxima aspiração dos povos era, então, ter um mandato para os representar junto dos governantes. Mas até essa aspiração era rejeitada. Foi para realizar essa ambição que combateram longa e duramente. Portanto, não é racional que agora, depois da vitória da era das republicas e do começo da era das massas, a democracia seja apenas apanágio de um pequeno grupo de deputados que agem em nome das massas. É uma teoria envelhecida e um método ultrapassado. O poder deve ser inteiramente o do povo.

As ditaduras mais tirânicas que o mundo tem conhecido foram estabelecidas à sombra de assembléias parlamentares.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A horrenda face da OTAN










por Stephen Lendman

Imagens não mentem, exceto as falsas imagens que a OTAN produz em Doha, Qatar e, provavelmente, por todo o mundo, e nos estúdios de Hollywood. Durante meses, os assaltantes saqueadores da OTAN e a gangue dos ‘rebeldes’ assassinos violentaram e violaram a Líbia – mataram, destruíram, saquearam, sob o pretexto de que estariam protegendo alguém.

Dia 22 de agosto, Obama, que já fez por merecer dois indiciamentos por crimes de guerra, descreveu aquelas falsas imagens como “manifestação do anseio básico e feliz por plena liberdade humana”.[1]

Dia 25 de agosto, a secretária de estado Clinton, mais uma que também já fez por merecer indiciamento por crimes de guerra, disse “os eventos na Líbia essa semana comoveram o mundo”.[2]

Por que não vão, eles e seus aliados na mesma conspiração, a Trípoli, Brega, Misrata e outras cidades líbias reduzidas a ruínas, e veem eles mesmos, com os próprios olhos?

Se fossem, veriam os cadáveres insepultos pelas ruas, o sangue, a agonia no rosto dos sobreviventes, destruição por todos os lados para onde se olhe, miséria humana em escala jamais vista.

Por que não vão a Trípoli, para colher, em primeira mão, os frutos de sua vitória? Ver o que há para ver, sentir o fedor dos mortos, ver, ao vivo, a tragédia cada dia maior que se abateu sobre Trípoli? O que se vê em Trípoli é um devastador desastre humano.

Dia 27 de agosto, o jornal Russia Today noticiava

“falta tudo, em Trípoli, combustível, água, eletricidade, e todo o tipo de produtos hospitalares e de primeiros socorros. A situação em campo aproxima-se perigosamente de vasta catástrofe humana. Trípoli enfrenta grave escassez de água potável, eletricidade, gasolina e remédios (...) Todos os serviços públicos estão paralisados”. [3]

Destruição, lixo, cadáveres em decomposição enchem as ruas. Doenças contagiosas e outras logo chegarão como epidemias, não só por causa dos cadáveres mas também por causa de água, terra e ar contaminados.

Que Obama e Clinton comecem a imaginar a fúria e o desejo popular de resistir àqueles horrores e a outros horrores que fatalmente virão.

Eles que comecem a preocupar-se com o que pode vir adiante – resistência crescente, luta, compromisso real e profundo com liberdade humana real, não conformismo ante a servidão que aguarda os líbios sob o jugo dos saqueadores da OTAN.

Contra a ocupação por bancos e banqueiros. Contra o saque dos seus recursos pelo “Big Oil”. Contra Washington, Londres e Paris a decidir o que seria “melhor” para a Líbia.

Contra encolher-se em servidão contra esses ocupantes bandidos que contam com destruir a força da vida, do espírito, do desejo dos líbios. Nada, na Líbia ficará impune.

Os líbios não se renderão. Não escolherão a morte. Escolherão lutar contra a ocupação. Escolherão pagar o preço que custe a resistência, porque não resistir é o pior que lhes pode acontecer. Não podem aceitar e não aceitarão.

Durante o dia 27 de agosto, jornalistas independentes permaneceram como prisioneiros virtuais, sem poder sair do Hotel Corinthia em Trípoli, sem poder expedir suas matérias e comentários sobre o que realmente se passava em Trípoli e em outras áreas.

Fizeram muita falta aquelas matérias e comentários. Esperemos que consigam sair de lá e cheguem em segurança às suas casas.

Dia 26 de agosto, o International Action Center publicou em manchete: “Líbia – Continua a resistência contra o avanço de EUA/OTAN”. A matéria dizia:
“Apesar da OTAN atacar com força máxima, ataques que dão cobertura a todo o tipo de ação de violência dos bandidos ‘rebeldes’ em terra, continua “a heroica resistência ao avanço dos imperialistas (...) Toda a imprensa-empresa insiste em repetir que há rendições em massa, que Gaddafi fugiu, que seus filhos estão presos e outras desinformações e mentiras. Na Líbia, com certeza, ninguém duvida que são mentiras, guerra de propaganda e artifícios de guerra psicológica”.

Como já se viu acontecer no Iraque e no Afeganistão, declarações de arrogância (“vencemos”, “missão cumprida”) não porão fim à resistência popular. A luta continuará “de várias formas”.

Os líbios já resistiram heroicamente não só a meses de bombardeio, mas, também, à propaganda racista da imprensa-empresa (que apresenta os EUA e a máquina de morte da OTAN como “grandes libertadores brancos”[4]).

Nesse momento, os líbios enfrentam pilhagem em grande escala. A “responsabilidade de proteger” está convertida em razão para pilhar, enquanto a matança, a destruição, prosseguem.

O que está planejado para a Líbia é “o capitalismo de desastre”, como Naomi Klein explicou em “A doutrina do Choque”. A democracia do ‘livre mercado’ é mito. Os neoliberais saqueadores exploram a seu favor as ameaças à segurança, os ataques terroristas, as quebradeiras e falências, todos os desastres naturais e, sobretudo, exploram a seu favor todas as guerras.

O que se deve temer para a Líbia é o fim dos serviços públicos, privatizações gerais, a liberdade com a cabeça sobre o cepo, à espera da lâmina do carrasco. O ocidente espera impor uma versão neoliberal da Líbia, que substituirá a Líbia socialmente responsável da era Gaddafi.

Essa foi a principal razão pela qual Gaddafi foi ‘condenado’ pelo ocidente. Foi preciso derrubá-lo do governo da Líbia, para que os predadores corporativos pudessem alimentar-se do cadáver da Líbia.

Resultado disso, o ocidente já disputa os despojos. Até que definam o alvo seguinte, e o outro, e o outro, até que toda a África, todo o Oriente Médio, toda a Ásia Central sejam, afinal colonizadas, seja como for, ocupadas de um modo ou de outros, e, claro, saqueadas.

Para Washington, a pilhagem parasitária é definição triunfalista do livre mercado, incluindo sempre a privatização ensandecida de empresas públicas, nenhuma regulação, cortes de impostos para os ricos e de salários para os pobres, exploração desenfreada, geração incansável de miséria, cada vez maior; e controle militarizado sobre os explorados.

É o que Bilderberg quis dizer ao falar de “sociedade global sem classes” – uma nova ordem mundial onde só haveria senhores armados e servos. Nada de classe média, nada de sindicatos, nada de democracia, nenhuma igualdade e nenhuma justiça, só oligarcas armados, autorizados a fazer o que bem entendam, protegidos por leis que os beneficiam e acobertam.

Está bem claro no livro de Milton Friedman, de 1962, Capitalismo e liberdade. Lá se lê:
“só uma crise – real ou pressuposta – produz mudança verdadeira. Quando ocorre uma crise, as ações a tomar dependem das ideias que haja à volta. Nossa função básica é desenvolver alternativas às políticas existentes (e nos preparar para suspendê-las) quando o impossível passar a ser politicamente inevitável.”
Para Friedman, as únicas funções do governo seriam “proteger nossa liberdade do assalto de inimigos externos e de outros cidadãos; preservar a lei e a ordem, para garantir que contratos privados sejam cumpridos; preservar a propriedade privada; e promover a competição nos mercados.”

Tudo em mãos públicas é socialismo, ideologia, para Friedman, blasfema. Dizia que os mercados funcionam melhor quando funcionam sem regras, regulações, impostos, barreiras protecionistas, “interesses entrincheirados”, interferência humana. De tal modo que o melhor governo seria, na prática, o nenhum governo.

Em outras palavras, o business faria melhor, tudo o que qualquer governo faça. Ideias sobre democracia, justiça social e sociedade cuidada ou protegida, dizia Friedman, seria tabu, porque interfeririam no capitalismo solto ladeira abaixo, na banguela.

Disse que a saúde pública deveria ser posta em mãos privadas, a acumulação de lucros, ilimitada, abolidos todos os impostos cobrados de todas as empresas, e os serviços sociais reduzidos, ou completamente abolidos. Acreditava que “a liberdade econômica é um fim em si mesma e meio indispensável para que se chegue a liberdade política”.

Em relação à Líbia, nem a liberdade econômica nem a liberdade política são sequer pensáveis, a menos que a resistência popular impeça que prossiga o saque e retome, dos saqueadores ocidentais e seus aliados, o que já saquearam e venham a saquear. Sem resistência, nada restará aos líbios além da servidão.

Essa dura realidade tem de ser mudada, é preciso resistir, não importa o que custe ou quanto tempo dure a resistência. Temos de esperar que os líbios estejam à altura do sacrifício e da luta que se exige deles. Que se alimentem da fúria contra a planejada ocupação pela OTAN e o saque em andamento. Desistir é via que não poderão sequer considerar.

A resistência bem pode ser o coringa contra o qual Washington espera não ser obrigado a disputar. Em outro artigo, escrevi “Líbia: Manter viva a chama da liberdade” [5]. Em outro, “Nada acaba antes de terminar”.[6]

Lembremos os versos de John Lennon, “Imagine nada por que matar ou morrer. Viver a vida em paz. Esperar que um dia o mundo viva como um só mundo.”[7] É preciso tentar.

É preciso tempo para alcançar coisas importantes. O impossível demora um pouco mais.

O primeiro passo é detonar a visão de Friedman do que seria o melhor dos mundos, a OTAN, Washington ocupada pelas grandes corporações.

Conseguindo isso, teremos dado um primeiro passo para ajudar a libertar os líbios e, talvez, mais gente, em outros pontos do mundo, lutando pelo mundo em que todos merecem viver. Não é difícil. Está aí fora, à espera de que nos decidamos a ir buscá-lo.

por Stephen Lendman, OpEdNews. Tradução Vila Vudu
http://www.opednews.com/articles/1/NATO-s-Ugly-Face-by-Stephen-Lendman-110829-87.html
________________________________________
[1] 22/8/2011, “Discurso do presidente sobre a Líbia”, em http://m.whitehouse.gov/the-press-office/2011/08/22/statement-president-libya (em inglês).
[2] 25/8/2011, “Declaração da secretária de Estado sobre a Líbia”, em http://bangkok.usembassy.gov/082511_secstate_statement.html (em inglês).
[3] 27/8/2011, “Libya: on brink of humanitarian disaster”, em http://rt.com/news/libya-humanitarian-disaster-un-311/ (em inglês)
[4] 29/8/2011, em Global Research, em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=26231 (em inglês).
[5] Em português, em http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/08/stephen-lendman-libia-manter-viva-chama.html
[6] “It Ain't Over Till It's Over”; é título de uma canção de Leni Kravitz (vídeo e letra em http://letras.terra.com.br/lenny-kravitz/21863/). O artigo (24/8/2011) está em http://sjlendman.blogspot.com/2011/08/libya-war-it-aint-over-till-its-over.html (em inglês).
[7] Pode ser ouvido em http://www.youtube.com/watch?v=M1NIXgjNXDk

Fonte: http://www.amarchaverde.blogspot.com/

O Perigo Wagneriano

por Julius Evola

Acontece quase sempre que não possa-se professar um antiwagnerismo, sem que pense-se em seguida em uma aversão pela música de Wagner em nome de tradições artísticas anteriores, ou de música italiana, ou de música sinfônica clássica. Por nossa conta, não consentiremos nunca entrar em tal domínio, posto que, a nosso parecer, tudo reduz-se a preferências em grande medida pessoais e sentimentais. Existe em efeito um "caso Wagner" que hoje em dia encontra-se muito longe de ter perdido sua atualidade: porém em um plano diferente e portanto não em relação com o significado que tem a arte de Wagner em si mesma, senão com respeito a grande parte do material e das tradições das quals ele reuniu, tal como deve-se dizer, sua inspiração.

Dizer algo a tal respeito é útil desde um ponto de vista que não é simplesmente abstrato e doutrinário. Richard Wagner, com a poderosa influência exercida em seus contemporâneos e ainda não apagada hoje em dia, encontra-se entre os maiores responsáeis por equívocos muitas vezes graves, os quais determinaram mais de uma antítese superficial. Se por exemplo, entre nós Macanorda, com muitos outros, formulou no referente ao antigo mundo nórdico, a brincadeira de mal gosto da "floresta" em contraposição com o "templo", isso não teria sido possível sem a deformação e a romantização daquele mundo, devida em grande medida justamente a Wagner. Sem dúvida, nisto Wagner não foi um caso isolado: já existia na Alemanha um ambiente em grande medida preparado para acolher seu ponto de vista e, a tal respeito, sua influência, por assim dizer "avançou por conta própria". Se também hoje em dia examinamos as concepções dos "neopagãos" mais fascínoras, daqueles que gostariam de lançar tudo no mar, não só a Roma católica, senão o próprio mundo imperial guibelino e voltar às origens puras, ao mito nórdico puro e à lenda heróica germânica pura, seria fácil reconhecer, em tais construções, não algo verdadeiramente originário, senão um romantismo fantasioso, que não conduz muito mais além das idéias e das interpretações difundidas por Wagner, revelando-se assim como um produto totalmente recente e "moderno", que tem como princípio não uma realidade, senão um "mito".

Aqui não pode tratar-se de uma análise ainda sumária do mundo wagneriano, senão somente do que refere-se às relações que estabelecem-se entre arte e Tradição. Em um mundo marcado pela Tradição - quer dizer, segundo o sentido que nós sempre damos a este termo, por um sentido de conhecimentos, de princípios e de símbolos de origem e validade não simplesmente "humanos" - em um tal mundo a arte não pode ter senão uma função subordinada, e as pretensões de uma "arte pura", com o fim em si mesma, não podem não parecer senão heréticas e absurdas: aqui, a arte está destinada a conferir, com os meios específicos próprios, vida e evidência a um conteúdo tradicional, sem alterá-lo de modo algum, dando-lhe tão somente uma expressão e sensibilização especiais, de modo tal a convertê-lo em acessível também àqueles que são incapazes de uma expressão intelectual direta. Por isso, nos tempos mais antigos o artista teve sempre algo de "oráculo": solicitava-se a ele não tanto a função de "criar" ou de "inventar" sobre a base de uma originalidade, senão a de elevar-se até um determinado conhecimento suprarracional, ao qual sua genialidade e humanidade de artista devia logo permanecer estritamente fiel.

Justamente o contrário é o que aconteceu no mundo moderno, o qual portanto pode ser chamado de forma indiferenciada como "antitradicional" como "humanista". Acima de tudo, tal como é sabido, a arte, do mesmo modo que o resto, emancipa-se e humaniza-se. Até aqui pouco é ruim: é pouco ruim ainda que a arte reduza-se a criar fantasmas subjetivos, a suscitar "estados de ânimo", mais ou menos elevados e líricos, a ser o mediador complacente da sentimentalidade humana. O verdadeiro mal começa ali onde a arte modern, logo de haver-se emancipado e humanizado dessa forma, lança mão das formas tradicionais, utilizando-as como novos "temas" e novas fontes de inspiração. Em uma tal conjuntura toda relação normal resulta invertida, e como resultado tem-se uma profanação, no sentido mais rigoroso do termo: aquilo que não é "humano" - a Tradição - converte-se em instrumento e meio para o que é humano, quer dizer, para a criação artística; no centro encontra-se a "personalidade do artista", o demais encontra-se-lhe subordinado, não adquire vida senão em função da mesma, quer dizer, em função de algo puramente subjetivo. Ali onde a arte tradicional ou "sagrada" ("sagrada" não obstante não em sentido simplesmente religiosos e eclesiástico: epopeias, mitologias, símbolos, etc, entra em tal idéia mais vasta do "sagrado") espiritualizava ao humano, a arte, da qual falamos aqui, vem ao contrário a humanizar e a deformar inclusive o espiritual.

E tal é de modo característico, também o caso de Wagner. Diz-se que ele revelou a seus contemporâneos o antigo e esquecido mundo nórdico do Edda, dos Nibelungos, do Graal. O contrário é a verdade: ele prejudicou toda a compreensão efetiva de um tal mundo com sua interpretação romântica, nebulosamente "heróica", místico-erotiante e ininterruptamente "humanista", em suma, com um espírito, longe como o céu da terra, do que é próprio do tema, e portanto levado a assumir, nas diferentes tradições, somente os aspectos mais condicionados, e tradicionalmente insignificantes. E naturalmente, a música, entre as diferentes artes, é a que mais poderia prestar-se para propiciar um tal desvio.

Para mostrar as divergências que os mesmos temas possuem na ópera wagneriana por um lado, nas tradições originárias por outro, ou bem o que na primeira encontra-se como arbitrariamente agregado ou inventado, não terminar-se-ia mais, e nós já dissemos que não é este o lugar para entrar em detalhes. Faremos tão somente menção a que acima de tudo no relativo ao antigo mundo nórdico (Ciclo dos Nibelungos, Parsifal, Lohengrin) a ópera de Wagner tem, desde o ponto de vista no qual nós situamo-nos, as características de uma verdadeira e própria adulteração. Tudo é levado exatamente ao nível de um cenário operístico, o elemento humano e passional suplanta violentamente todo elemento simbólico e metafísico, tudo converte-se em escuro, inestável, fatalista, turvamente "heróico" por um lado, levemente "místico" por outro, não somente nas circunstâncias dos seres mortais, senão inclusive na dos celestes; fala-se romanticamente de "Crepúsculo dos Deuses", ali onde por sua vez trata-se simplesmente do "cumprimento de um ciclo" em conformidade com leis cíclicas, que qualquer Tradição conheceu: escurecimento temporal do dividno que retomará a vida olímpica em outra era. Leva-se a história do Graal desde o plano do mistério "solar" e imperial da "pedra de luz" ao de uma historieta místico-cristã moralizada pelo complexo obrigado culpa-amor-redenção. A verdadeira missão de Lohengrin desaparece em puras divagações infectadas de erotismo. O qual naturalmente submerge tudo em outra lenda, o conteúdo mais profundo da qual subtrai-se grandemente ao olho inexperiente, a de Tristão e Isolda, e projeta-se no místico epílogo de estilo happy end americano, privado de qualquer vínculo com a lenda do Bosque Fantasma. E assim poder-se-ia facilmente continuar.

Porém aqui objetar-se-á que uma coisa é fazer arte, e outra dar-se a especulações metafísias e a exegeses tradicionais; e que não pretender-se-á que um teatro ou uma sala de concertos transformem-se em uma escola superior. Isso é certo. Não obstante há que saber então o que é que verdadeiramente quer-se. Enquanto existisse com a devida autoridade uma elite em posse do justo conhecimento, desenvolvimentos arbitrários de tal tipo não seriam tão perigosos, todos saberiam que trata-se tão somente de "arte" e com o gozo estético qual hoje concebe-se, tudo concluiria. Não é o mesmo em um mundo que efetivamente parece ter perdido totalmente suas erdadeiras tradições e que demonstra-o, crendo aproximar-se através de interpretações, como por exemplo as wagnerianas. E não viu-se por acaso a Shucré e a Steinar chegarem até ao limite de declarar Wagner como um "iniciado"? Em tal circunstância a arte mostra-se tanto mais um instrumento de perversão, enquanto mais alta, supraestética, é a missão reveladora que a mesma supõe desenvolver. Não repetiremos o que revelamos ao começo, quer dizer que justamente a influências de tal tipo deve-se boa parte do desvio ideológico de certos ambientes alemães contemporâneos, tal como o de Chamberlain e de sua interpretação do germanismo. Insistiremos mais bem em dizer que de tudo isto está formando-se um "mito" (identificado com uma suposta tradição nórdica) o qua, de acordo ao que costuma acontecer em cada procedimento hipnótico, termina convertendo-se em verdadeiro. A um mito então contrapõe-se outro, à história da "floresta" a do "templo", ao mundo nibelúngico, outro mundo igualmente fantástico, "construído", inexistente e, em seu caráter puramente polêmico, igualmente distante daquela atmosfera de clareza, de visão controlada e de universalidade, da qual, em cada povo, antes de adaptar-se às condições específicas próprias do mesmo, reúne sua origem toda forma verdadeiramente tradicional.

Sobre a Imigração

(...) Os partidos políticos especializados na denúncia anti-imigração não são mais que partidos ideológicos pequeno-burgueses, que tentam capitalizar sobre os medos e as misérias do mundo actual praticando a política do bode expiatório. A experiência histórica mostrou-nos ao que conduzem tais tocadores de flauta! É necessário distinguir aqui a imigração dos imigrantes. A imigração é um fenómeno negativo, pois é ela própria fruto da miséria e da necessidade e os problemas sérios que coloca são bem conhecidos. É assim preciso tentar, se não suprimi-la, que o carácter demasiado rápido e maciço que a caracteriza hoje em dia seja o menor possível. É bem evidente que não resolveremos os problemas do Terceiro Mundo convidando as suas populações a vir em massa instalar-se nos países ocidentais! Ao mesmo tempo, temos que ter uma visão mais global dos problemas. Crer que é a imigração que atenta principalmente contra a identidade colectiva dos países de acolhimento é um erro. O que atenta contra as identidades colectivas é, em primeiro lugar, a forma de existência que prevalece hoje em dia nos países ocidentais e que ameaça estender-se progressivamente ao mundo inteiro. Os imigrantes não têm culpa que os europeus já não sejam capazes de dar ao mundo o exemplo de um modo de vida que lhes seja próprio! A imigração, deste ponto de vista, é uma consequência antes de ser uma causa: ela constitui um problema porque, face aos imigrantes que normalmente conservam as suas tradições, os ocidentais já decidiram renunciar às suas. A americanização do mundo, homogeneidade dos modos de produção e de consumo, o reino da mercadoria, a extensão do mercado planetário, a erosão sistemática das culturas pelo efeito da mundialização corroem a identidade dos povos muito mais que a imigração. (...)

Alain de Benoist in "C'est-à-dire".

Repôr as hierarquias


O inimigo é o dinheiro. O reino do dinheiro é o reino do estrangeiro; é também o reino do ventre. A primeira coisa que temos a dizer é que o valor de um homem não se conta em dólares, nem a grandeza de uma nação em cifras de exportações. Acima do dinheiro colocamos o homem, acima dos valores das vendas colocamos a disciplina e a energia. Na sociedade que pretendemos o negociante deverá ser como na Índia: de uma casta abastada mas pouco respeitada. Acima há o soldado, o militante, o trabalhador. Acima dele estão todas as pessoas que fazem algo por coisa nenhuma. Porque a grandeza de uma nação está nos homens dispostos a dar tudo sem nada pedirem em troca, o seu sangue, a sua vida, a sua acção…simplesmente pela honra. Quando uma nação já não tem homens desses, deixa de ser uma nação, não é mais que um aglomerado de interesses, uma sociedade por acções, com prisões e polícias.

(Maurice Bardèche)

sábado, 27 de agosto de 2011

Lawrence Auster - Minhas Opiniões Sobre Raça e Inteligência

por Lawrence Auster


ÍNDICE

I. Introdução: Minhas Opiniões sobre Raça e Inteligência

II. A evolução das opiniões de um indivíduo sobre as diferenças raciais na inteligência

III. QI e Inteligência

IV. Diferenças no Estilo de Pensamento

V. A “Ilusão de Ótica”

VI. Resumindo

VII. Apêndice: Carta de Lawrence Auster a Charles Murray, co-autor de The Bell Curve.

I. Introdução: Minhas opiniões sobre raça e inteligência

A questão da raça e inteligência tem surgido de tempos em tempos na VFR, então achei que nossos leitores poderiam se interessar por este rascunho até aqui inédito, escrito em 1995, no qual eu recapitulo o desenvolvimento, até aquela época, de minhas próprias idéias sobre este assunto de vital importância. Espero que o documento seja lido com o mesmo espírito experimental com que eu o escrevi. A pior coisa da atual situação racial é o silenciamento de uma discussão necessária e, mesmo se minhas idéias estiverem erradas ou exageradas em alguns pontos, deve-se começar por algum lugar.

II. A evolução das opiniões de um indivíduo sobre as diferenças raciais na inteligência - Lawrence Auster Fevereiro de 1995

Com a publicação de The Bell Curve [A Curva do Sino], vemos o fenômeno fascinante de jornalistas da imprensa mainstream e intelectuais lutando, a maioria deles pela primeira vez, com os fatos desagradáveis sobre as diferenças racias na inteligência. Embora este seja um evento histórico, também pode parecer bastante desanimador. Exceto pelos autores que demonizam os co-autores do livro, Charles Murray e Richard Herrnstein, o que era de se esperar, mesmo aqueles esquerdistas e conservadores mais ponderados que admitem (de má-vontade) o assunto da raça e inteligência no debate o cercam com tantas ressalvas que o tornam quase que insignificante. Assim, William Buckley reconheceu a realidade da diferença racial de QI, mas então citou Murray e Herrnstein dizendo que ela não era importante. Scott McConnell, do New York Post, disse que o QI pode ser mudado. Jacob Weisberg, da revista New York, um esquerdista realmente osso-duro de roer, colocou ainda mais cercas, evasivas e saídas de emergência em torno do assunto. Infelizmente, Murray e Herrnstein já haviam preparado o palco para este tratamento intelectualmente não-sério de seu trabalho, ao minimizarem a idéia de diferenças raciais ao mesmo tempo em que a promoviam. Murray, em suas várias aparições na televisão, tem sido estarrecedoramente evasivo a respeito do verdadeiro conteúdo e significado de suas idéias. (Eis aqui uma carta que escrevi a Murray sobre isto [anexo]).

Por mais desanimador que isto seja, precisamos reconhecer que esta é uma etapa natural e previsível no desenrolar das reflexões, que vai levar algum tempo para chegar à clareza. Isto não acontece de uma vez, mas atravessa necessariamente vários estágios. Isto porque a questão da raça e inteligência não consiste, como muitas pessoas parecem imaginar, em uma só idéia, ela consiste em uma constelação de idéias, que devem ser apreendidas uma de cada vez, até que o panorama mais amplo surja à vista. Para ilustrar isto, eu gostaria de contar a história do envolvimento de um não-especialista – a saber, eu mesmo – com estas idéias. A experiência por que passei pode ser comparada a olhar o mundo através de lentes levemente desfocadas, e aí ir ajustando lentamente o foco, até que o que estava embaçado ficasse claro. Ou é como algo no fundo do campo visual de alguém lentamente se movendo para o primeiro plano.

Neste processo, as racionalizações e evasivas se esvaem, às vezes gradualmente, às vezes através de insights surpreendentes que revolucionam todo o modo de pensar do indivíduo. Ao falar de minhas próprias experiências com estas idéias, à medida em que elas me vieram uma a uma, eu posso talvez oferecer ao leitor uma abordagem mais abrangente, mesmo que não-sistemática, para a compreensão deste assunto.

III. QI e Inteligência

Em meados dos anos 80, a revista New York exibiu uma matéria de capa sobre as tensões crescentes entre os negros e os judeus. O artigo apresentava números sobre as notas dos negros no SAT que eram absolutamente chocantes, por exemplo, que nos Estados Unidos inteiros, só cerca de 100 negros em qualquer ano escolar dado faziam mais de 700 pontos nos testes verbais do SAT. O que isto significava para mim era que o número de negros no topo das capacidades acadêmicas era praticamente inexistente. Então, não era mais de se surpreender que houvesse tão poucos negros nas profissões intelectuais.

Entretanto, neste momento, não tirei quaisquer conclusões mais profundas disto com relação à inteligência negra. Os dados para mim não sugeriam que as notas no SAT se relacionassem com algo que eu chamasse de "inteligência" ou que tais diferenças fossem permanentes, mas só que, como os negros estavam naquele nível, era irrealista esperar igualdade proporcional em todas as profissões, e em particular havia esta ausência chocante de negros nos níveis mais altos da capacidade lógica e verbal.

Em 1990, conheci Michael Levin quando ele era anfitrião de um encontro da National Association of Scholars em seu apartamento em Manhattan, por volta da época em que ele estava recebendo os primeiros ataques por suas declarações sobre a inteligência negra. Adquiri uma cópia do polêmico artigo do professor Levin no periódico trimestral australiano Proceedings, que continha a frase “O negro médio é significativamente menos inteligente do que o branco médio”. Após lê-lo e também ouvi-lo sendo entrevistado em um programa de rádio, escrevi uma carta para ele, na qual, talvez contraditoriamente, expressei tanto admiração por sua coragem quanto receio de que ele estivesse sendo seco demais; mais especificamente, sugeri que, ao invés de dizer que “os negros são na média menos inteligentes”, ele poderia dizer que “os negros são, na média, menos capazes nas habilidades intelectuais medidas nos testes de QI” – uma terminologia que, sustentei eu, seria mais precisa e menos rebaixante para os negros.

Ao mesmo tempo, entretanto, admiti a Levin que uma linguagem seca poderia ser o único meio de se chegar a estas idéias proibidas. A experiência em anos posteriores provou que o correto era isto. Comecei a achar que Levin, ao afirmar a verdade proibida num inglês simples, ao invés de em termos técnicos ou eufemismos, fora um pioneiro. A razão para isto é que sem aquela aterrorizante palavra, “inteligência”, como em “os negros são na média menos inteligentes do que os brancos”, a difícil verdade desta matéria não entra em nossas mentes. Nós sempre podemos fugir da verdade, imaginando que o que está em questão é algo secundário, como “a capacidade de se fazer testes”.

Aí havia a questão sobre se os testes de QI medem algo de real. Embora isto seja amplamente demonstrado na literatura e eu não queira entrar muito nisto aqui, uma descoberta fundamental que provou de forma satisfatória para mim a validade do QI é sua previsibilidade – um ponto bem estabelecido por Murray e Herrnstein em A Curva do Sino. Podem-se apresentar todos os tipos de argumentos metafísicos sobre o QI ser apenas a "capacidade de se fazer testes de QI," ou sobre ele "não medir a criatividade" e assim por diante. Mas como Murray e Herrnstein demonstram com detalhes exaustivos, baseados nos dados do National Longitudinal Study of Youth [Estudo Longitudinal Nacional da Juventude], se se aplica um teste de QI, a grande amostragem de jovens de 14 anos, fazendo o controle para o contexto socioeconômico, dez ou vinte anos depois, o que eles alcançaram na vida terá uma forte correlação com os resultados destes testes. Este, eu acho, é o argumento definitivo para a validade do QI. [2]

Em 1991, quando o New York Post condenou Levin como racista, eu escrevi uma carta ao jornal defendendo suas idéias. Esta foi a primeira vez que eu abordava o assunto em forma impressa.

Naquela carta, eu via a diferença do QI, no sentido de que ela significava que não se poderia esperar que os negros fossem capazes das mesmas realizações intelectuais que os brancos e que uma menor representação dos negros nas profissões não se devia ao racismo. Entretanto, eu ainda achava que as realizações inferiores dos negros poderiam se dever a fatores “culturais” e, portanto poderiam, potencialmente, ser elevadas, de modo a igualarem as dos brancos. O ponto mais importante para mim era que, do jeito que os negros estão agora, não se poderia esperar que eles fossem capazes das mesmas realizações que os brancos e que a ação afirmativa estava, portanto baseada em premissas erradas. Eu não estava particularmente interessado no grande debate sobre “ambiente versus genética”, já que o tópico me parecia metafísico. Eu me sentia e ainda me sinto ofendido pelas constantes referências aos “genes” como sendo causais na vida humana, o qual eu penso ser um conceito materialista e reducionista. Eu sentia que deveríamos ficar com as coisas que conhecemos, tais como o fato concreto de que os negros realmente apresentam um desempenho diferente, sem morrermos de nos preocupar com causas últimas e ocultas que não podemos conhecer.

Entretanto, o problema com a opinião acima é que ela deixa aberta uma enorme saída de emergência para os que apóiam a ação afirmativa. Eles admitem que os negros são menos inteligentes agora, mas ainda insistem em que se empurrarmos os negros artificialmente para níveis socioeconômicos mais altos através de uma imensa ação afirmativa, então a inteligência negra será igualada à dos brancos. Ou, se for tarde demais para esta geração de negros melhorarem, então seus filhos crescerão em um ambiente melhor (criado através da ação afirmativa) e serão mais inteligentes. Os esquerdistas estão constantemente tentando manter vivos seus projetos de engenharia social igualitária; e enquanto este projeto continuar vivo, qualquer fracasso da sociedade em alcançar a completa igualdade racial de resultados continuará a ser falsamente atribuído ao "racismo branco", com todos os efeitos divisores, desmoralizantes e destrutivos que esta acusação tem sobre a sociedade. Por estas razões, não basta que se saiba sobre a existência de diferenças raciais na inteligência sem também se apreender o fato de que estas diferenças não são passíveis de eliminação por quaisquer meios conhecidos. É claro que a performance intelectual negra poderia ser melhorada, talvez significativamente, em alguns casos, se a sociedade trouxesse de volta alguns padrões reais de disciplina e se a ilegitimidade negra fosse reduzida. Mas isto não é o mesmo que eliminar a disparidade racial, que é a meta e a exigência de nossa ideologia dominante.

Os artigos de Richard Lynn e Michael Levin a respeito do estudo de Scarr-Weinberg sobre a adoção racialmente mista na American Renaissance de março de 1994 assentou estas questões para mim. O estudo sobre adoções, que acompanhou até a idade adulta crianças negras adotadas quando bebês por brancos com educação universitária, mostrou que mesmo com um ambiente totalmente de classe média alta e "branco", a grande disparidade entre os QIs branco e negro se mantinha; no máximo, era levemente reduzida. Como apontou Levin, esta era uma demonstração definitiva de uma hereditariedade racial do QI.

Aí havia a alegação de enviesamento cultural em testes mentais, significando que os negros se saiam pior em testes de QI porque os testes enfatizavam o conhecimento cultural "branco". A entrevista de Arthur Jensen a Jared Taylor, publicada na American Renaissance de agosto e setembro de 1992 (e mais ainda a transcrição não-resumida desta entrevista, com 36 páginas), cortou as asas a esta idéia. Jensen demonstrou que em perguntas de testes que não envolviam nenhum contexto cultural, tais como a capacidade de se ver semelhanças em forma geométricas, os negros na verdade se saíam pior do que em questões que usavam referências culturais "brancas".

IV. Diferenças no estilo de pensamento


Até agora tenho falado de inteligência como algo que possa ser mensurado cientificamente por um número. Mas em anos recentes, também passei a acreditar que há diferenças nos estilos de raciocínio de negros e brancos. As diferenças raciais não se limitam a diferenças numéricas em uma escala única de QI (que é, ela mesma, um agregado de várias habilidades diferentes). As diferenças raciais também envolvem diferentes tipos de mentalidade, que podem ser mais prontamente vistas pela observação do senso comum do que por testes científicos.


A observação pessoal é, claro, subjetiva e pode ser errônea e injusta. Entretanto, ela é uma parte necessária da compreensão do mundo em que vivemos. Além do mais, estou tentando descrever a jornada inteira de minha mudança de atitude em relação à raça, uma jornada que incluiu generalizações (possivelmente injustas) a partir de minha experiência pessoal, bem como a cognição de fatos mais objetivos. Nos próximos parágrafos, portanto, exporei minhas conclusões e impressões subjetivas como tais, sem reivindicar uma validade objetiva para elas e sem tentar documentá-las ou prová-las além de contar as experiências que levaram a elas.

Acompanhar as discussões e ações dos líderes negros, ouvir as chamadas dos ouvintes negros no talk radio me levou, ao longo de vários anos, a uma opinião cada vez mais sombria a respeito dos estilos de raciocínio negros. Em primeiro lugar, me pareceu que muitos negros têm uma acentuada tendência a pegar algum slogan e então usá-lo sem muita conexão lógica com o assunto em questão. Eu também me tornei cada vez mais consciente do “conto-do-vigário”, o modo como muitos negros, em todos os níveis – de gente da rua e políticos a "intelectuais" celebrados como Cornel West – não usavam idéias como idéias, mas como um conto-do-vigário, como um modo de manipular os sentimentos das pessoas. A sugestionabilidade e a substituição da razão pela retórica são fraquezas gerais humanas, mas me pareceu que estes defeitos eram visivelmente mais pronunciados entre os negros. É claro que há muitos negros que são lógicos, racionais e intelectualmente competentes. Mas a predominância da irracionalidade entre a população negra é difícil de ser ignorarada.

Eu fiquei impressionado com o manuscrito fascinante de Gedalia Braun, Racismo, Culpa e Auto-Engano, baseado nos muitos anos de sua observação pessoal bem de perto dos negros na África, sobre o qual apareceu uma excelente resenha na American Renaissance em 1993.

De acordo com Braun, os negros africanos têm um tipo de mentalidade completamente diferente dos brancos. Ele aponta para a incapacidade dos africanos em compreender as relações de causa e efeito, como se vê no modo mágico de raciocínio dos ilhéus do pacífico e é conhecido como a síndrome do “culto às cargas” e que Braun também viu como evidente nos negros africanos. Por exemplo: como Braun descreveu, eles vêem o desenvolvimento ocidental como um processo mágico que vai fazer aparecer todos os diferentes componentes de uma sociedade moderna. Este modo de pensar leva os negros africanos a verem os brancos como seres mágicos que poderiam, se quisessem, fazer tudo pelos negros. Na proporção em que este modo de raciocinar também se estenda aos negros fora da África, isto explicaria sua crença no governo (branco) como a resposta para todas as suas necessidades e sua raiva dos brancos por não darem aos negros a vasta gama de benesses que eles acreditam que está no poder (mágico) dos brancos lhes dar.

Uma outra das provocantes observações de Braun é que os negros africanos (pelo menos aqueles que não sofreram a influência do esquerdismo ocidental) não se sentem obcecados pela idéia de que os brancos são mais inteligentes. Na verdade, eles vêem isto como uma obviedade e, aponta ele, se sentiam ávidos por falarem com ele sobre o assunto, porque era muito raro eles encontrarem um branco que falasse honestamente sobre raça. Eles preferiam tal honestidade à culpa racial, às mentiras piedosas sobre a igualdade e à hipocrisia que normalmente recebem dos brancos. Estas observações sugerem que as atitudes esquerdistas brancas fizeram mais mal para as relações raciais do que qualquer outro fator.

Eu também comecei a pensar sobre as diferenças de visão de mundo e atitude em relação a ele entre negros e brancos, particularmente em relação à capacidade para a objetividade. Através de numerosas experiências e observações, comecei a ter a sensação de que os negros são mais “não-objetivos”; eles compreendem as coisas de um modo muito mais pessoal, subjetivo, do que os brancos. Eles parecem ter muito menos interesse no conhecimento ou na beleza como fins em si mesmos. Por exemplo: eu repetidas vezes tive a seguinte experiência. Toda vez que eu sintonizava na C-SPAN e a conferência sendo transmitida se constituía de negros, literalmente cinco segundos não se passavam sem que o palestrante dissesse a palavra “negro”. Em outras palavras, a negritude em si era o assunto da conferência. Quando os brancos se reúnem em um encontro acadêmico ou de outro tipo, é para falar sobre alguma área objetiva de interesse comum, seja ciência, literatura ou política. Mas ao menos pelo que se pode julgar pela C-SPAN, quando os negros se reúnem para falar em um encontro formal público é quase sempre para falarem sobre si mesmos.

Muitos negros acreditam que há tal diferença de orientação intelectual entre negros e brancos. Os multiculturalistas negros dizem que os brancos estão mais interessados em “coisas” (ou, como os multiculturalistas colocam encantadoramente o assunto, os brancos estão mais interessados em “manipular” as coisas), enquanto os negros estão mais interessados em “relacionamentos”. É claro que os multiculturalistas colocam o assunto deste modo a fim de fazerem os brancos parecerem frios e mesquinhos e os negros calorosos e simpáticos. De todo modo, os multiculturalistas parecem não perceber que na medida em que tal diferença de orientação em relação à realidade externa realmente existe, ela significa que os negros são de fato menos dotados das qualidades que tornam possível a civilização, e particularmente a civilização ocidental. O que distingue o Ocidente das culturas não-ocidentais é a capacidade para a objetividade, a capacidade de reconhecer uma verdade para além dos próprios impulsos imediato ou de lealdades familiares e tribais.

O corolário desta falta de orientação em relação a fatos e idéias objetivas é a relativa passividade intelectual e moral dos negros. Embora haja muitos negros decentes e corretos, há um notável fracasso, da parte dos negros, em resistir de fato aos maus em suas comunidades. O resultado é que os maus – os oradores, os vigaristas, os corruptos, os déspotas – sempre parecem ascender ao topo. É por isto que os países negros e as cidades administradas por negros nos Estados Unidos são o que são. Há boas pessoas vivendo nestes lugares, mas em sua maior parte elas só são boas em sua esfera privada, familiar. Elas não são ativamente boas no sentido social e político e assim raramente assumem a liderança política ou têm sucesso em criar uma ordem política civilizada. O número de negros moralmente corajosos e com princípios que resistem ativamente à corrupção e ao conformismo racialista ao seu redor é muito limitado; na verdade, tais negros corretos e inteligentes muitas vezes se separam da comunidade negra quando reconhecem o quanto eles não são bem-vindos nela.

A única época em que houve uma liderança negra de qualidade relativamente alta foi quando os Estados Unidos estavam sob a influência de uma elite burguesa branca e cristã, que estabelecia padrões decentes para a toda a sociedade, incluindo brancos e negros. As comunidades e igrejas negras (assim como as comunidades étnicas brancas minoritárias) tendiam a reproduzir os padrões da autoridade moral da sociedade mais ampla. Assim, os líderes negros decentes de meados do século XX eram eles mesmos produtos de uma cultura branca e virtuosa majoritária. Mas como os negros foram atirados fora da influência e dos padrões culturais brancos (e como os brancos atiraram fora seus próprios padrões), a sociedade pública negra, como todos estão dolorosamente cientes, se tornou radicalmente mais bruta e menos ética.

Entretanto, o que realmente me convenceu de uma perigosa e intrínseca fraqueza no modo de pensamento negro foi sua crença generalizada no afro-centrismo e a idéia de que os brancos estavam cometendo um “genocídio” contra os negros. Em setembro de 1989, a ABC News apresentou um programa sobre a situação dos negros nos Estados Unidos, seguido de uma edição especial do “Nightline”, com um painel consistindo de vários correspondentes negros da ABC e outros negros bem-conhecidos. Com exceção do professor Shelby Steele, todos estes negros bem-sucedidos endossaram a idéia de uma conspiração branca para cometer um “genocídio” contra os negros. A descoberta de que não era só a gente ignorante da rua mas que profissionais negros articulados e bem-sucedidos acreditavam nestas teorias conspiratórias insanas e perversas causou em mim uma impressão devastadora. Na verdade, com exceção dos distúrbios de 1992 em Los Angeles, eu fiquei mais traumatizado com este programa do que com qualquer outro acontecimento na história recente. Ele abalou minha crença anterior de que negros e brancos pudessem se dar mais ou menos bem na mesma sociedade. (Eu escrevi um artigo sobre este programa, dizendo as mesmas coisas que disse no presente parágrafo, que o New York Newsday rejeitou porque, como explicou o editor, ele mostrava uma “incomum falta de compaixão.”)

A ampla aceitação do afrocentrismo teve um efeito semelhante sobre minhas opiniões a respeito dos negros. Eu fiquei estarrecido quando ouvi o analista Tony Brown, um negro razoável e inteligente (que, além do mais tinha acabado de se juntar ao Partido Republicano), dizer em um discurso à Heritage Foundation que dado que a humanidade surgiu na África, “todas as civilizações são Africanas”. Mais do que qualquer outra coisa, o afrocentrismo, com suas alegações de que a civilização européia foi “roubada” da África e que pessoas como Aníbal e Cleópatra eram negras porque viveram no continente africano, confirmaram minha crescente convicção de que os negros eram muitas vezes incapazes de distinguirem seus desejos, sentimentos e ressentimentos da realidade objetiva. Há também um crescente movimento da “Bíblia negra”, que ensina que as principais figuras da Bíblia, inclusive Moisés, Maria, Jesus e Paulo, eram negros – uma verdade que (naturalmente) os brancos trapaceiros esconderam sistematicamente dos negros para manter seu domínio sobre eles. Até onde eu consigo ver, a negritude das pessoas na Bíblia constitui o único ensinamento desta seita. Seu interesse na Bíblia é exclusivamente racialista. (Mais uma vez, o fato de que um grande número de negros não acredita no afrocentrismo não muda o fato de que um grande número deles acredita e estão agindo de acordo com ele e o institucionalizando por toda a sociedade.)

A forma mais extrema de pensamento conspiratório negro é afirmação da Nação do Islam de que os brancos são demônios que foram criados por um cientista louco há 5000 anos atrás e que desde então têm roubado os negros de seus direitos de nascença. Acreditem os negros neste mito ou apenas apresentem uma fixação em um sentimento de condição histórica de vítima, a idéia de sua condição de vítima tende a justificar, em suas mentes, todos os crimes e injustiças que eles possam cometer hoje contra os brancos. Repetidas vezes, pesquisas e declarações revelam que os negros sentem que não devem ser julgados de acordo com padrões morais por seus crimes contra os brancos, porque os negros foram vítimas de um vasto e ainda não-reconhecido mal por parte dos brancos durante milhares de anos. Assim, os negros tendem a ver todos os assuntos em termos puramente racialistas – como podemos ver quando júris negros perdoam negros assassinos de brancos, quando uma grande maioria dos negros diz que O.J. Simpson era inocente ou quando uma alta porcentagem de negros concorda que o assassinato em massa cometido por Colin Ferguson na estrada de ferro de Long Island foi um ato justificado de raiva contra o racismo branco. Todas as atitudes acima sugerem cada vez mais que os negros e os brancos realmente não podem viver como concidadãos iguais na mesma sociedade.

É difícil esquecer as arrepiadoras premonições de Jefferson a este respeito:

Por que não manter e incorporar os negros ao Estado e assim economizar a despesa de preencher, pela importação de colonos brancos, as vagas que eles deixarão? Preconceitos profundos que os brancos possuem; dez mil lembranças, por parte dos negros, das feridas que sofreram; novas provocações; as diferenças reais que a natureza criou; e muitas outras circunstâncias nos dividirão em partidos e provocarão distúrbios, que provavelmente nunca terminarão, exceto no extermínio de uma ou da outra raça”. [Notas sobre a Virgínia, Questão XIV, 1782].

É claro que os negros sofreram crimes históricos reais nas mãos dos brancos. Mas isto não explica a sensação atual e cada vez mais intensa de ressentimento por parte dos negros, que possui sua expressão mais flagrante em fantasias sobre demônios brancos e 5000 anos de conspirações. E o mais importante é que o fato de que o sentimento negro de ressentimento aumentar ao invés de diminuir, à medida em que a escravidão e a discriminação legal se afastam no passado distante, sugere que este ressentimento tem muito pouco a ver com quaisquer crimes históricos reais cometidos pelos negros. Como eu sugeri em minha palestra na American Renaissance, mesmo na completa ausência de qualquer opressão racial, os negros, com suas capacidades inferiores, ainda tenderão a terminar na base de qualquer sociedade bi-racial, uma situação que os negros e os brancos esquerdistas só podem explicar dizendo que os brancos estão segurando os negros embaixo. Em outras palavras, enquanto a verdade das diferenças raciais não for reconhecida, os brancos sempre terminarão sendo culpados – tanto por negros quanto por brancos – pelas capacidades inferiores dos negros [black inferiority], que não é culpa dos brancos.

V. A "Ilusão de Ótica"

Mas, havia em minha mente uma importante objeção à idéia de uma diferença racial intratável na inteligência ou nas capacidades civilizacionais. Era o pensamento que, afinal de contas, a maioria dos negros parece ter uma inteligência normal; então, como poderia haver uma diferença racial tão grande nas capacidades intelectuais como um todo? Isto não fazia sentido. Aí eu percebi que esta confusão surge da suposição equivocada de que a inteligência é uma só capacidade medida ao longo de um só continuum. Na verdade, a inteligência consiste em várias capacidades diferentes em diferentes níveis. Quando eu estava lendo o livro muito útil de Daniel Seligman A Question of Intelligence [Uma Questão de Inteligência], publicado em 1992, ocorreu-me o seguinte, baseado em uma experiência que muitas pessoas provavelmente já tiveram:

Você está lá conversando com um trabalhador habilidoso e inteligente, digamos, um carpinteiro que está fazendo uma reformas em sua casa. Ele consegue falar sobre o trabalho com grande inteligibilidade e inteligência. Mas no momento em que a conversa se desvia para um assunto abstrato ou conceitual, ele é incapaz de compreensão. Em um nível de inteligência, duas pessoas podem ser mais ou menos iguais, mas em um nível mais alto de inteligência pode haver uma diferença significativa entre elas”.

A ídéia do carpinteiro me ajudou a conceitualizar as diferenças grupais entre negros e brancos. Por exemplo: os negros se saem praticamente tão bem quanto os brancos na recitação de memória de uma lista de números, mas se saem muito pior do que os brancos se o teste lhes pede para recitar a lista de trás para frente. Em outras palavras, no nível das capacidades usuais, a diferença racial é pequena, mas em uma ordem mais alta das capacidades, a diferença é grande.

Este insight explicou para mim a “ilusão de ótica” da igualdade racial. Eu percebi que a razão pela qual os brancos não se tornam automaticamente conscientes das grandes diferenças na capacidade intelectual média entre brancos e negros é que os brancos muitas vezes lidam com os negros em um nível superficial, onde apenas os níveis usuais de inteligência são colocados em ação.

No outono de 1993, eu tive uma espécie de epifania, na qual todos estes pensamentos se cristalizaram em um novo paradigma concernente às diferenças raciais. Aconteceu do seguinte modo. Eu me lembrei de um tio meu, um dos irmãos de meu pai, que morreu há cerca de 10 anos atrás. Ele era um homem alto, bonito, vestido com apuro, jogador de golfe, popular socialmente, um cara durão, com um ar autoritário, um pouco irascível por vezes, mas não rude. Nunca me ocorreu, em minha juventude, que houvesse algo de errado com ele. Foi só quando eu fiquei mais velho que percebi que sua conversa inteira se limitava a dizer coisas como “Nada mal” ou “Que tal” ou “Não diga”. Este é um exagero, mas não é grande. Meu tio, um ano mais velho que meu pai, trabalhava com ele no negócio dos dois, no qual eram sócios, mas eu aos poucos fui percebendo que meu tio fazia muito pouco além de atender ao telefone e receber recibos. Era meu pai quem de fato geria o negócio e que basicamente havia sustentado meu tio durante toda sua vida, mantendo durante todo este tempo a fachada amigável de que meu tio era seu sócio de fato, tanto quanto nominalmente. Minha mãe me disse que, antes de ela se casar com meu pai, ele disse a ela que sempre teria de tomar conta de seu irmão. Na verdade, meu tio era de uma inteligência muito limitada, talvez até um retardado limítrofe, mas isto não era algo que se percebesse automaticamente, por causa do modo como ele se portava, de seus modos quase majestáticos e sua aparência leonina.

Quando eu pensei sobre meu tio sob este prisma, comecei a ver com nitidez a “ilusão de ótica” da igualdade racial. Percebi como, nas interações e no comportamento usual, os negros se parecem, de modo geral, conosco, aliás, muitas vezes com mais vitalidade que nós mesmos, com personalidades vívidas e calorosas, então supomos que quaisquer diferenças intelectuais devem ser insignificantes. É só quando vamos além deste contato superficial e chegamos a conhecê-los melhor ou quando os observamos em uma situação que requer inteligência que vemos que, muito mais freqüentemente do que os brancos ou os asiáticos, eles são incapazes de lidar com tarefas mais rigorosas. Em assuntos rotineiros e que exigem pouco, eles são mais ou menos intelectualmente iguais aos brancos. Em cenários mais exigentes, não são.

Foi este novo insight que, ao revelar e remover a “ilusão de ótica”, trouxe todas as minhas idéias a um novo padrão e me deu a convicção de que há uma diferença real e substancial na inteligência entre negros e brancos e que esta diferença não é só quantitativa, mas qualitativa.

A ilusão de ótica se aplica à moralidade política tanto quanto à inteligência. Eu discuti anteriormente a questão da bondade passiva e privada em contraposição à bondade ativa e social. Agora, como temos os negros como boas pessoas, nós naturalmente supomos que eles são iguais aos brancos no sentido mais amplo de serem capazes de manter uma sociedade decente, humana e ordeira. Mas esta é uma ilusão. A decência, bondade e humanidade pessoal dos negros como indivíduos não se traduz na capacidade de resistir ao mal público, à aspiração de fazer valer a ordem social. Estas coisas requerem um grau de vontade moral, de inteligência e de energia organizacional que os negros, coletivamente, não parecem possuir. Em qualquer sociedade gerida por negros em que possamos pensar; de Washington, D.C., passando pelo Haiti, até o Congo, os bons terminam sofrendo sob o governo de déspotas, patifes e incompetentes.

Foram todos os pensamentos acima que me levaram a concluir, em meu discurso à conferência da American Renaissance em 1994, que “as vastas e persistentes diferenças na inteligência média de negros e brancos significa... que” não se pode esperar que “os negros por sua própria conta sejam capazes de manter uma sociedade moderna, civilizada e democrática.” Isto pode parecer desnecessariamente duro, mas eu acho que todas as evidências apontam tragicamente para a sua verdade. Aqui, mais uma vez, surgirá a idéia de que muitos negros nos Estados Unidos se saem bastante bem nas instituições civilizadas modernas, que há muitos negros que individualmente são mais inteligentes, mais competentes e têm melhor caráter do que muitos brancos, e que alguns negros deram contribuições notáveis em um nível muito alto, tudo o que parece refutar o que acabo de dizer sobre uma deficiência negra como um todo. Mas este é mais um exemplo da ilusão de ótica. Tais negros competentes ou mesmo altamente talentosos estão operando dentro de uma sociedade de maioria branca, na qual há expectativas, padrões e um nível geral de habilidades e riqueza criadas e mantidas por brancos. Em uma sociedade sem brancos, o pequeno número de negros inteligentes, combinado com o vastíssimo número de negros inteligentes tornaria impossível um nível elevado ou mesmo mediano de civilização. A questão, mais uma vez, não são os negros individualmente, muitos dos quais são tão capazes quanto os brancos; a questão é o caráter civilizacional da comunidade negra como um todo.

O que foi dito acima também significa que à medida que os negros ganham poder em uma instituição ou comunidade, esta instituição começa a sofrer um declínio, e alguns casos um declínio catastrófico. Este é o argumento tácito contra a ação afirmativa. O argumento explícito contra a ação afirmativa é o de que é ela é injusta, o que, obviamente, é verdade. A preocupação tácita – e de longe mais grave – é a de que, ao trazer, em uma base racialmente proporcional, os negros para ocupações para as quais muitos deles não estão qualificados, estamos rebaixando todas as instituições e profissões com professores incompetentes, médicos e enfermeiras incompetentes, pilotos aéreos incompetentes, policiais incompetentes e corruptos, políticos incompetentes e tudo mais.

E ainda mais alarmante é que quanto mais os negros progridem, maise não menos – eles se ressentem dos brancos. Quanto mais os Estados Unidos fazem para superar seu “racismo”, mais racista os Estados Unidos parecem. A razão para isto se encontra na dinâmica da natureza humana. Muito simplesmente, quanto mais iguais os negros se tornam aos brancos, mais insuportáveis e injustas parecem as diferenças restantes. Assim, o que começou como uma exigência por direitos civis básicos se metamorfoseou em uma exigência para que se vire de ponta-cabeça toda a sociedade, juntamente com suas tradições e normas, seus padrões e leis, sua história e heróis, já que em todas estas coisas os negros ainda não são “iguais”.

Um exemplo do que acontece quando os negros ganham poder pode ser visto na atual confusão na Universidade de Rutgers, onde o presidente Francis Lawrence, por meio de suas próprias políticas de ação afirmativa, criou o mesmo órgão estudantil que agora está tentando destruí-lo. Quando os negros crescem em número e poder, eles inevitavelmente sujeitam os brancos à intimidação e tirania, exatamente como fazem com seu próprio povo.

VI. Resumindo

Os insights que me vieram nesta jornada pessoal de descobertas se acumularam através de vários estágios distintos.

Primeiro, eu soube que os negros, na média, tiram notas muito menores em testes de capacidades, o que explicava por que havia tão poucos negros nas profissões intelectuais, mas eu não associei estes fatos com um déficit negro em "inteligência" como tal.

Então, apareceu aquele pioneiro do Michael Levin e usou sem nenhuma cerimônia a palavra “inteligência” para descrever a qualidade na qual os negros diferem dos brancos. Eu fiquei perturbado com isto, desejando que ele falasse de “capacidades em realizar testes” ao invés de uma diferença em inteligência. No entanto, ao mesmo tempo, eu parecia perceber que a inteligência era, de fato, o assunto em questão.

Então, eu vim a entender que a qualidade medida pelos testes de inteligência é algo de real, como se prova pelo fato de que os resultados dos testes de QI realizados na infância têm forte correlação com o que se consegue realizar na vida mais tarde.

A esta altura, entretanto, eu ainda aceitava a opinião convencional de que os déficits grupais na inteligência, mesmo que reais, eram em grande medida determinados por circunstâncias culturais inferiores e, portanto poderiam ser eliminados por melhorias nos padrões comportamentais, no status sócio-econômico, ambiente familiar e assim por diante. Minha crença rudimentar no ambientalismo foi decisivamente refutada pelo estudo de Scarr-Weinberg, mostrando que crianças negras criadas desde a primeira infância por pais brancos de classe média ainda estavam cerca de 15 pontos de QI atrás dos brancos. Isto provava que o QI era determinado pela hereditariedade, não pela cultura.

Mas mesmo que o QI em si não fosse cultural, mas genético, havia a objeção de que os próprios testes de QI eram culturalmente enviesados. Isto foi atirado fora pela descoberta de que os negros se saiam pior em questões envolvendo a pura capacidade cognitiva do que em questões usando referências culturais brancas.

Então, houve a crescente consciência dos estilos marcadamente diferentes de pensamento entre as raças, incluindo uma muito maior sugestibilidade e utilização por parte dos negros da retórica e da manipulação emocional; sua relativa falta de capacidade em pensar em termos objetivos de causa e efeito, sua inclinação notavelmente menor por coisas objetivas e idéias fora do ego; e sua inclinação demonstravelmente menor ao bem político comum e a uma ordem social moral e estável. Havia, por fim, a pronunciada inclinação de muitos negros a teorias conspiratórias, sua tendência a ver todas as questões em termos de raça e a culpar os brancos por todos os seus problemas.

E finalmente, reunindo todas estas idéias em um novo paradigma, houve a descoberta da “ilusão de ótica” da igualdade racial. Esta experiência me convenceu de que as diferenças entre os negros e os brancos eram tanto substantivas quanto qualitativas – em resumo, de que há diferenças raciais intrínsecas nas capacidades civilizacionais.

Apêndice: Carta de 21 de fevereiro de 1995 de Lawrence Auster a Charles Murray, co-autor de The Bell Curve

Caro Sr. Murray:

Primeiramente, gostaria de dizer que The Bell Curve, o qual eu finalmente tive a oportunidade de ler inteiramente no mês passado vale muito mais a pena do que a quase centena de artigos que lí sobre o assunto. É um livro que nos absorve, é iluminador e historicamente importante. Há muito mais nele do que eu fui levado a crer. Achei a II Parte particularmente fascinante e surpreendente. Foi um golpe de gênio ter aquela longa parte sobre a correlação entre QI e comportamentos sociais antes mesmo de chegar àquela sobre a raça. Qualquer um que dê opiniões sobre o livro sem ter cuidadosamente lido-o (o que é verdadeiro para a maior parte da crítica) deveria estar envergonhado de si mesmo.

Em segundo lugar, gostaria de expressar minha tristeza pelo falecimento de Richard Herrnstein. Eu conheci o Prof. Herrnstein em um a pequena conferência organizada por Jared Taylor em Hempstead, New York, em 1993, e ele pareceu-me um fino cavalheiro. É especialmente triste que ele morreu pouco antes da publicação do livro que o faria famoso, e que ele não pode estar por perto para ajudá-lo a defender sua tese.

Em terceiro lugar (e esta é a causa imediata da escrita desta carta), tenho de dizer-lhe que me sinto perturbado pela contínua aparência de ingenuidade que o apreende tanto na escrita quanto em suas aparições públicas. De um lado, você está falando verdades que desafiam inteiramente o edifício do liberalismo moderno; e, por outro, você continua se afastando daquelas verdades e dizendo à audiência que sua mensagem realmente “não é grande coisa”, absolutamente.

É isso que você fez, pela décima vez, no último Domingo de manhã, no “Meet the Press”. Primeiro, você recuou de seu ponto de vista sobre os limites do aperfeiçoamento. “Nós não sabemos como elevar a inteligência”, você disse, “Mas isto não significa que deveríamos parar de tentar”. Dizendo isso, você mina o seu próprio argumento básico sobre a imutabilidade do QI e reabre as portas para variações sem fim, cada vez mais ambiciosas, sobre a Vantagem.

Mas piorou. Charles Rangel disse a você (e foi a única coisa sensível e não-viciosa que ele disse no programa inteiro): “Tudo bem, Sr. Murray, você continua dizendo que não nos interessar sobre a raça. Então, diga-nos no que acredita sobre as diferenças raciais”. E, tendo recebido esta abertura de Rangel (que parecia pronto para escutar uma resposta honesta), o que você disse? Primeiramente, que há uma diferença de um desvio padrão, um termo ao qual você disse que “as pessoas não entendem”, e nem mesmo se preocupou em explicá-lo. Em segundo lugar, que a diferença não é na realidade grande coisa, já que “há muita sobreposição”. Em terceiro lugar, que a diferença não é tão maior quanto aquela entre irmãos. E, finalmente, que essas diferenças não são “assustadoras”.

Assim, recebendo a chance ante uma audiência nacional, você não disse absolutamente – de forma que seu público pudesse entender –, o que são as diferenças raciais e o que elas significam. Por exemplo, você não mencionou que a porcentagem de negros que fazem parte da gama com mais de 115 pontos é uma pequena fração daquela dos brancos, o que mostra que a ausência de igualdade entre os grupos na América não é devida à discriminação, ou à falta de oportunidade, ou de “incentivos”, mas a estas profundas diferenças entre os grupos. De acordo com todos os outros participantes no programa, incluindo o inefável Jeck Kemp, estas diferenças estão para ser superadas através de uma engenharia social sem fim, que produzirá a “oportunidade”. Assim, você falhou em refutar tanto a ficção igualitária e a filosofia de engenharia social do grande estado, que se baseia nisso.

A verdade é que suas idéias são assustadoras para qualquer um comprometido com o liberalismo moderno e a ficção igualitária. Então, porque fingir que elas não o são?

Você está sempre dizendo à sua crítica “Oh, não, Dick Herrnstein e eu não queríamos dizer isso, nós não queríamos dizer aquilo...”. Mas você nunca saiu e expos claramente o que queria dizer, mantendo sua audiência em um estado de confusão, tensão e desconfiança. Tendo mexido com o assunto mais inflamatório e dolorido que há e, então tentando agir como se não tivesse mexido em nada, você termina com o pior de dois mundos: acaba parecendo mal e dissimulado.

Desculpe-me parecer tão descontente. Sou um admirador e agradecido leitor seu. Mas, simplesmente não consigo entender como um homem poderia escrever um livro tão ousado, inteligente e efetivo como The Bell Curve, e então retratar-se de suas idéias a cada oportunidade.

Direi novamente: Não consigo entender.

Poderia me explicar?

Sinceramente,

Lawrance Auster
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[1] www.overdextra.blogspot.com

[2] Poucos anos depois disto ser escrito, Murray demonstrou que irmãos com diferentes QIs – que, é claro, compartilham do mesmo status socioeconômico e ambiente domestico - diferem marcadamente em seu sucesso e renda posteriores. Esta era uma prova absoluta da realidade e importância do QI.