sábado, 31 de dezembro de 2011

O Fim da Globalização

por Greg Johnson



O mercado é inerentemente uma instituição global. O mercado é não-racista, não-nacionalista, e não-religioso, pois enquanto as decisões forem tomadas apenas em termos monetários, a raça, nacionalidade, e religião dos compradores e vendedores simplesmente não importa. Normalmente, elas são totalmente desconhecidas.

Eu conheço a identidade étnica dos donos da loja de tapetes armênios e do restaurante chinês na esquina. Mas qual é a raça, etnia, ou nacionalidade da Coca-Cola Corporation? Seus investidores, empregados, e clientes possuem cada identidade do mundo. Mas a corporação não possui nenhuma. Ela é global, cosmopolita. Como seu famoso jingle nos diz, ela quer ensinar o mundo a cantar em perfeita harmonia, o que quer dizer que ela quer um planeta pacificado no qual as pessoas abandonaram todas as fronteiras e identidades que possam impedir a venda de coca-cola.

Globalização é o processo de fazer com que o potencial inerentemente global e cosmopolita do mercado torne-se atual pela destruição das barreiras raciais, nacionais, religiosas, e culturais ao mercado, tais como leis protecionistas, proibições religiosas à usura, antigas inimizades entre povos, ligações sentimentais à própria comunidade, tribo, terra natal, etc.

Para consumidores no Primeiro Mundo, a globalização começa como uma coisa boa. Eles podem pegar seus salários de Primeiro Mundo e comprar montes de bens baratos manufaturados no Terceiro Mundo. Para capitalistas baseados no Primeiro Mundo, é ainda melhor, pois eles podem ter enormes lucros vendendo bens do Terceiro Mundo a preços apenas ligeiramente menores do que bens manufaturados no Primeiro Mundo - e embolsar a diferença.

Por exemplo, para usar números arbitrários, quando sapatos eram feitos na América, um par de sapatos sendo vendido a $100 poderia ser manufaturado por um trabalhador recebendo $10/hora, 40 horas/semana + horas extras, benefícios, férias, em uma fábrica regulada para saúde, segurança, e impacto ambiental. Claro, parece coisa demais para se incomodar. Mas isso nunca impediu fabricantes de sapatos americanos de virarem milionários.

E quando esse fabricante deixava sua fábrica ao final do dia, seu carro de luxo dividiria a estrada com os carros modestos de seus próprios empregados. Ele passaria por um centro agitado no qual as esposas de seus empregados faziam compras; ele passaria pela escola frequentada pelos filhos de seus empregados; ele poderia até ir ao jogo de futebol escolar local e torcer pelos filhos de seus trabalhadores; ele poderia dirigir através de vizinhanças com casas bem pintadas e jardins cuidados, onde seus empregados viviam. E quando ele chegava a sua mansão com colunas, ele simplesmente sairia da estrada e entraria em sua garagem. Não havia portões de segurança e guardas para protegê-lo.

Com a globalização, porém, um par de sapatos similar vendido a $95 poderia ser manufaturado na Indonésia por um coitado esfomeado recebendo uma fração do salário, sem hora extra, férias, ou benefícios, em uma fábrica sem regulações de saúde, segurança, ou impacto ambiental. E o fabricante de sapatos embolsa a diferença.

Mesmo que o empresário americano de uma fábrica de sapatos fundada na América, sediada na América, empregando americanos, tivesse uma ligação sentimental com sua nação e seus empregados, ele não poderia competir com rivais que não possuem essas ligações. No fim, ele teria que fechar sua fábrica: ou para transferir empregos para o Terceiro Mundo, ou simplesmente por falência. Assim o processo de globalização seleciona e recompensa o cosmopolitanismo e os sentimentos anti-nacionais, anti-patrióticos, anti-comunitários.

A longo prazo, globalização significa uma coisa: a equalização de salários e padrões de vida por todo o globo. Isso significa que os níveis de vida no Primeiro Mundo despencarão, e os níveis de vida no Terceiro Mundo se elevarão um pouquinho, até que a paridade seja alcançada. Em outras palavras, globalização significa a destruição do proletariado e classe-média americanas, uma redução de seu nível de vida até aquele do Terceiro Mundo. Globalização significa uma reversão do progresso nos níveis de vida desde a revolução industrial.

Especificamente, globalização significa a reversão do progresso genuíno conseguido pela esquerda: salários melhores, jornada de trabalho menor, e benefícios conseguidos pelo movimento sindicalista; programas de saúde, segurança, bem-estar e aposentadoria criados por liberais e social-democratas (que não existe no Terceiro Mundo); e as proteções ambientais conseguidas por ecologistas (que são impostas sobre o Terceiro Mundo pelo Primeiro Mundo, que não mais terá esse luxo).

A globalização também afeta os ricos. Primeiros de todos, aqueles que se tornaram ricos vendendo coisas para o proletariado e classe-média do Primeiro Mundo desaparecerão junto com seus consumidores. Não haverá mais um mercado para cortadores de grama e trailers de camping. Os ricos que sobrarem produzirão ou para os super-ricos globais ou para o proletariado global. E as vidas dos ricos também serão dramaticamente transformadas. Algumas pessoas ficarão muito ricas de fato desmontando o Primeiro Mundo. Mas eles acabarão vivendo como os ricos do Terceiro Mundo.

Eles vão se deslocar de fábricas ou escritórios fortificados para mansões fortificadas em limousines blindadas com seguranças armados através de favelas. Eles se socializarão em clubes exclusivos e passarão as férias em resorts exclusivos sob os olhos vigilantes de seguranças. Como Maria Antonieta que gostava de brincar de leiteira nos jardins de Versalhes, eles podem até fingir ser boêmios em flats milionários em Haight Ashbury, ou caubóis em ranchos de vinte milhões de dólares em Wyoming, ou camponeses de Nova Inglaterra em casas de campo milionários em Martha's Vineyard - tendo chegado ao topo de um sistema que exterminou as pessoas que criaram esses estilos de vida.

As consequências não são secretas. Elas não são aleatórias e imprevisíveis. Elas não são nem ao menos arcanas ou controversas. Elas estão previstas em cada livro introdutório de economia. Elas são aparentes na estagnação dos níveis de vida do proletariado e da classe-média na década de 70 e no declínio da última década, em que 50.000 fábricas americanas fecharam as portas, muitas para transferir seus postos de trabalho para o exterior - enquanto milhões de imigrantes, legais e ilegais, chegaram para competir com americanos pelos trabalhos que sobram, reduzir salários, e consumir serviços públicos pelos quais eles não podem pagar.

Porém as classes média e trabalhadora americana jamais tiveram uma escolha a respeito da globalização, pela razão óbvia de que eles jamais teriam aprovado a própria pauperização. O movimento sindical, os partidos políticos, as igrejas, e todas as outras forças que teriam sido capazes de resistir à globalização foram cooptadas.

Progressistas sinceros reconhecem os efeitos destrutivos da globalização, mas a maioria deles acham que a única alternativa ao capitalismo global é o socialismo global, que não é solução alguma, mesmo que possa ser alcançado.

Mas se nós rejeitarmos a globalização, qual é a unidade econômica natural? É aqui que os nacionalistas brancos são capazes de responder às preocupações genuínas do movimento Occupy e outras críticas progressistas da globalização. Pois a fronteira na qual a globalização termina é a nação. Os EUA e cada outra nação europeia entrou na modernidade e conseguiram a maior parte de seu progresso econômico e social praticando políticas econômicas nacionalistas, incluindo o protecionismo. Prosperidade e justiça social retornarão quando a globalização for substituída por nacionalismo econômico.

Libertários abominam o protecionismo como beneficiando um grupo às custas de outro (como se a globalização não fizesse exatamente o mesmo). Mas esse é o jeito errado de olhar para a questão. Cada indivíduo usa chapéus diferentes e desempenha papéis diferentes: produtor, consumidor, membro de família, cidadão, etc. Livre comércio faz de nós bons consumidores, mas também faz de nós maus cidadãos solapando a justiça social e a soberania nacional. O protecionismo limita nossa capacidade de aquisição como consumidores, mas nos fortalece como cidadãos. O livre comércio fortalece alguns empresários às custas do bem comum, fazendo deles maus cidadãos. O protecionismo e outras regulamentações fazem de todos os empresários bons cidadãos fazendo com que seja impossível lucrar às custas do bem comum - não deixando faltar oportunidades de gerar riqueza de modo socialmente aceitável.

Mas a realização da globalização, seja socialista ou capitalista, não valeria a pena, se ela realmente pudesse levar a um mundo sem nações, fronteiras, e guerras? É a esperança utópica que sustenta a lealdade de muitos globalistas apesar da difusão da desolação pela face da Terra. É a mesma esperança que sustentava comunistas apesar dos oceanos de sangue derramados.

Há duas respostas básicas a isso. Uma é afirmar que não vale a pena, o que o utopista fanático jamais aceitaria. A outra é afirmar que um mundo sem nações nunca será alcançado, e que as pessoas que pressionam por isso, ademais, não são nem sérias em relação a isso. Globalização não é a superação do nacionalismo, mas meramente o modo pelo qual o as nações dominadas pelo mercado rompem barreiras expandindo seu próprio poder econômico. As insurreições coloridas de hoje na Europa Oriental e no mundo islâmico são meramente a versão moderna da diplomacia imperialista de séculos passados. George Soros é apenas o Cecil Rhodes de hoje.

Judeus como Soros, é claro, são os pregadores primários de esquemas universalistas como comércio global, fronteiras abertas, miscigenação racial, multiculturalismo, e outras formas de destruição de identidade. Mas eles não dão sinais de praticar essas mesmas políticas entre si. O que é deles eles preservam; o que é nosso é negociável. A implicação é óbvia: seu objetivo é destruir todas as fronteiras nacionais e identidades raciais e culturais que servem como impedimentos à expansão do poder judaico. A globalização não é um caminho para a liberdade universal. É a criação de um só pescoço para levar um grilhão judaico por toda a eternidade.

É fácil ver porque os judeus pensam que a devastação causada pela globalização é boa para eles, mas é difícil compreender porque qualquer outra pessoa queria seguir junto, exceto pelos produtos alienados e desenraizados do declínio cultural. E mesmo essas pessoas devem estar se perguntando se esse é o mundo que eles realmente querem.

O universalismo, afinal, não é realmente universal. Apenas brancos parecem suscetíveis a ele em grandes números para fazer diferença. Mas se o universalismo é apenas uma crença racialmente e culturalmente europeia, então a globalização dará certo apenas pelo extermínio de judeus e outros antigos povos etnocentristas como os chineses, coreanos, japoneses, armênios, etc, que se recusam a pular no caldeirão global. Isso quer dizer que a globalização não é o caminho para a utopia liberal, mas meramente uma extensão genocida do imperialismo europeu. Mas considerando o investimento massivo em propaganda do Holocausto, mesmo os globalistas mais fanáticos não teriam coragem para essa solução, então no final, eles teriam que permitir que povos etnocentristas ficassem de fora.

E se judeus e outros podem rejeitar a globalização, porque o resto de nós não? Especialmente considerando que livre comércio não recíproco é regressivo, dissolvendo a soberania nacional, solapando a justiça social, e entregando os destinos de povos europeus nas mãos de estrangeiros.

A conclusão é clara: defensores progressistas da globalização ou são ignorantes ou são vermes desonestos a favor de um processo que irá pauperizar e escravizar o povo que eles pretendem defender. Existe um vasto eleitorado na América para um partido político progressivo, protecionista, anti-globalista, nacionalista e racialmente consciente. Ele está apenas esperando uma liderança.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O que o Socialismo é

por Jack London



"A revolução é uma revolução do proletariado" - Jack London

Socialismo e Natal. Quão incongruente este espectro, vagando quando tudo é alegria e festividades! Como deve ele despertar um calafrio sobre as festividades - esta coisa temível - que está lá fora em nossas terras! Mas fechai vossas portas, pessoas de bem, e baixai as persianas, para que vós não possais ver, e possais dar as rédeas de vossa imaginação a vossa curiosidade; então contemplai esse monstro temível com todo o terrorismo que vosso medo possa sugerir.

Ai de mim! Sempre tem sido vossa política fechar as portas e baixar as persianas quando o pobre passa por perto. Vós nunca o haveis visto; vós sois ignorantes dele; e ainda assim vossa própria ignorância pinta, com cores vívidas, sua hórrida imagem.

Interroguemos o socialismo, e tentemos obter um conhecimento mais legítimo dele.

O socialismo é comumente o sinônimo para qualquer esquema caótico ou revolucionário, projetado e executado por rufiões, com fogo e espada, e carnificina, destruição e caos no meio. Isso é uma injustiça. Anarquia e niilismo podem ter dado causa para tal impressão, mas eles estão tão distantes do socialismo como os pólos entre si. Outro equívoco é que anarquia e niilismo são formas extremas de socialismo. Eles são os extremos, mas não as formas extremas. Não pode haver aliança de tais contradições, ainda que devamos confessar que eles são filhos de uma mesma mãe; mas um é o dia, os outros dois são a noite.

Um socialista é necessariamente social - daí seu nome. Ele deseja ser social - isto é, viver em uma sociedade formada por seres sociais como ele. E como consequência ele deve se conformar às leis, talvez não escritas, de tal sociedade, seja ela a família, a comunidade ou Estado. Tudo que ele deseja é melhorar essas leis. Um anarquista, ao contrário, não reconhece nenhuma dessas leis, defende a abolição de todas as leis, de toda restrição. O seu esquema é um de puro individualismo, que é impossível sem o homem perfeito, e mesmo com o homem perfeito todo poder de cooperação e organização seria perdido. A sua era seria uma idade de ouro, tal como a mitologia grega expressa, mas não seria uma era iluminada de civilização, tal como a que queremos. Seu irmão gêmeo, o niilista, não quer nada. Mas com o homem, imperfeito como é, seus esquemas levariam ao caos.

Ainda, socialismo é um termo abrangente. Comunistas, nacionalistas, coletivistas, idealistas, utopistas, são todos socialistas; mas não pode ser dito que o socialismo é qualquer uma dessas coisas, pois ele é todas. Qualquer homem que luta por uma forma de governo melhor do que aquela sob a qual ele vive é um socialista.

Socialismo significa uma reconstrução da sociedade com uma aplicação mais justa do trabalho e uma distribuição mais justa dos retornos. Ele clama, "Cada um segundo seus feitos!". Sua fundação lógica é econômica; sua fundação moral, "Todos os homens nascem livres e iguais", e seu objetivo final é a democracia pura.

Por "todos os homens nascem livres e iguais" se quer dizer nascer livre e com oportunidades iguais de se sustentar com um trabalho honesto - mental ou físico.

Por uma democracia pura se quer dizer uma forma de governo na qual o poder supremo esteja com e seja exercido diretamente pelo povo ao invés da forma atual, que é uma forma republicana de democracia, na qual o poder supremo está com o povo, mas ele é exercido indiretamente por ele, através de representantes.

Representantes podem ser corrompidos, mas como poderia o povo inteiro ser subornado? Isso seria uma tarefa hercúlea, e como Lincoln disse: "Você pode enganar todo o povo parte do tempo; parte do povo todo o tempo; mas não todo o povo por todo o tempo".

O socialismo é um fenômeno desse século. É uma visão do futuro, enquanto seus agentes estão trabalhando ativamente no presente. É um produto da evolução social. Nós tivemos escravidão, feudalismo, capitalismo e socialismo. É o passo óbvio. Se essa geração verá isso é incerto, mas "eventos futuros deixam antes sua sombra", e a sombra do socialismo já escurece o mundo. É uma nuvem ascendendo sobre nós com crescente magnitude.  O ruído surdo de seu trovão pode ser ouvido; seu relâmpago brilha mais e mais; ele está sobre nós. Trará ele uma chuva refrescante sobre a terra seca, ou trará ele a devastação do furacão? Pensem, amigos, se vocês ainda não o fizeram. Se já o fizeram, pensem novamente.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Inexorável Crise Econômica Global: Uma Visão Apocalíptica de 2012

por James Petras


Introdução

A perspectiva econômica, política e social para 2012 é profundamente negativa. O consenso quase universal, mesmo entre economistas ortofoxos é pessimista em relação a economia mundial. Apesar de, mesmo aqui, suas previsões subestimarem o escopo e profundidade da crise, há razões poderosas para crer que começando em 2012, nós estamos caminhando em direção a um declínio mais íngreme do que foi experimentado durante a Grande Recessão de 2008-2009. Com menos recursos, dívidas maiores e uma resistência popular cada vez maior a carregar o fardo de salvar o sistema capitalista, os governos não podem pagar a fiança do sistema.

Muitas das principais instituições e relações econômicas que foram causa e consequência da expansão mundial e regional capitalista ao longo das últimas três décadas estão em processo de desintegração e desorganização. Os motores prévios de expansão global, EUA e União Europeia, já exauriram seus potenciais e estão em declínio aberto. Os novos centros de crescimento, China, Índia, Brasil, Rússia, que por uma "pequena década" garantiram novo ímpeto para o crescimento global já terminaram seu curso e estão desacelerando rapidamente e continuarão a fazê-lo ao longo do próximo ano.

O Colapso da União Europeia

Especificamente, a União Europeia devastada pela crise vai se desintegrar e a estrutura de camadas múltiplas vai se transformar em uma série de acordos comerciais e financeiros bilaterais ou multilaterais. Alemanha, França, Países Baixos e os países nórdicos vão tentar evitar a retração. Inglaterra - nomeadamente a Cidade de Londres, em esplêndida isolação, afundará em crescimento negativo, seus financistas tentando encontrar novas oportunidades especulativas entre os estados petrolíferos do Golfo e outros "nichos". A Europa Oriental e Central, particularmente Polônia e República Tcheca, aprofundarão seus laços com a Alemanha, mas sofrerão as consequências do declínio geral dos mercados globais. A Europa Mediterrânea (Grécia, Espanha, Portugal e Itália) entrarão em profunda depressão conforme os pagamentos massivos de dívida alimentados por ataques selvagens aos salários e aos benefícios sociais reduzirão severamente a demanda do consumidor.

Desemprego e subemprego alcançando um terço da força de trabalho detonarão conflitos sociais ao longo de todo o ano, intensificando-se em levantes populares. Eventualmente uma desintegração da União Europeia é quase inevitável. O euro será substituído ou retornar-se-á às moedas nacionais acompanhadas por desvalorização e protecionismo. O nacionalismo estará na ordem do dia. Bancos na Alemanha, França e Suíça sofrerão enormes perdas em seus empréstimos ao Sul. Grandes planos de resgate financeiro serão necessários, polarizando as sociedades alemã e francesa, entre maiorias contribuintes e banqueiros. A militância sindical e a populista de direita (neofascismo) intensificarão as lutas de classe e nacionais.

Uma Europa em depressão, fragmentada e polarizada será menos provável de se unir a qualquer aventura militar sionista contra o Irã (ou mesmo Síria). A Europa afetada pela crise irá se opor à abordagem confrontacionista de Washington em relação a Rússia e China.

EUA: A Recessão Retorna com uma Vingança

A economia americana sofrerá as consequências de seu déficit fiscal inchado e não será capaz de encontrar um caminho para fora da recessão de 2012 por meio de gastos públicos. Nem pode contar com "exportar" seu caminho para fora do crescimento negativa voltando-se para outrora dinâmica Ásia, na medida em que China, Índia e o resto da Ásia estão perdendo vapor econômico. A China crescerá bem abaixo de sua média de 9%. A Índia vai cair de 8% para 5%, ou menos. Ademais, a política militar de "cercamento" do regime Obama, sua política econômica de exclusão e protecionismo, dificultarão qualquer estímulo da China.


O Militarismo Exacerba a Recessão Econômica

Os EUA e Inglaterra serão os maiores perdedores com a reconstrução econômica pós-guerra do Iraque. Dos $186 bilhões de dólares em projetos de infraestrutura, as corporações americanas e britânicas ganharão menos de 5% (Financial Times, 12/16/11). Um resultado similar é provável na Líbia e outros locais. O imperialismo militar americano destrói um adversário, mergulhando em dívidas para fazê-lo, e os não-beligerantes colhem os lucrativos contratos de reconstrução econômica pós-guerra.

A economia americana cairá em recessão em 2012 e "recuperação sem criação de empregos de 2011" será substituída por um grande aumento do desemprego em 2012. Em verdade, toda a força de trabalho encolherá na medida em que pessoas perdendo seus seguros-desemprego deixem de se registrar.

A exploração do trabalho se intensificará conforme os capitalistas forcem os trabalhadores a produzir mais, por salários menores, assim ampliando a diferença entre salários e lucros.

A recessão econômica e o crescimento do desemprego serão acompanhados por grandes cortes em programas sociais para subsidiar bancos e indústrias com problemas financeiros. Os debates entre os partidos serão sobre quão grandes os cortes para trabalhadores e aposentados serão para garantir a "confiança" de investidores. Encarados por escolhas políticas igualmente limitadas, o eleitorado reagirá votando contra os políticos eleitos, abstendo-se de votar, e por meio de movimentos de massa organizados ou espontâneos, tais como o "occupy Wall Street". A insatisfação, a hostilidade e a frustração impregnarão a cultura. Demagogos democratas culparão a China; demagogos republicanos culparão os imigrates. Ambos fulminarão contra os "islamo-fascistas" e principalmente contra o Irã.

Novas Guerras em meio a Crises: Sionistas Apertam o Gatilho

Os 52 Presidentes das principais organizações judaico-americanas e seus seguidores "Israel First" no Congresso, Departamento de Estado, Tesouro e no Pentágono, pressionarão por uma guerra com o Irã. Se eles forem bem sucedidos isso resultará em uma conflagração regional e depressão global. Considerando o sucesso do regime extremista de Israel em garantir a obediência cega a suas políticas de guerra por parte do Congresso Americano e da Casa Branca, quaisquer dúvidas sobre a real possibilidade de um resultado catastrófico podem ser deixadas de lado.

China: Mecanismos Compensatórios em 2012

A China irá encarar a recessão global de 2012 com diversas possibilidades de amenizar seu impacto. Pequim pode passar a produzir bens e serviços para os 700 milhões de consumidores domésticos atualmente excluídos dos ciclos econômicos. Aumentando salários, serviços sociais, e segurança ambiental, a China pode compensar pela perda de mercados estrangeiros. O crescimento econômico da China, que é majoritariamente dependente de especulação imobiliária, será afetado negativamente quando a bolha estourar. O resultado será uma recessão, levando a desemprego, falências municipais e conflitos sociais e de classe mais intensos. Isso pode resultar ou em maior repressão ou em gradual redemocratização. O resultado afetará profundamente as relações mercado-estado da China. A crise econômica provavelmente fortalecerá o controle estatal sobre o mercado.

A Rússia Encara a Crise

A eleição do Presidente Putin levará a menos colaboração com revoltas promovidas pelos EUA e sanções contra aliados e parceiros comerciais russos. Putin fortalecerá seus laços com a China e se beneficiará da desintegração da União Europeia e do enfraquecimento da OTAN.

A oposição financiada pela mídia ocidental usará sua influência econômica para erodir a imagem de Putin e para encorajar boicotes de investimentos, apesar de que perderão as eleições presidenciais por uma grande margem. A recessão global enfraquecerá a economia russa e a forçará a escolher entre uma maior propriedade pública ou maior dependência em fundos estatais para resgatar oligarcas proeminentes.

A Transição 2011-2012: De Estagnação e Recessão Regional a Crise Global

O ano de 2011 preparou o terreno para a desintegração da União Europeia. As crises começaram com a derrocada do Euro, com a estagnação nos EUA e o início de protestos em massa contra as desigualdades obscenas em escala global. Os eventos de 2011 foram um ensaio para um novo ano de guerras comerciais totais entre potências, recrudescimento de conflitos interimperialistas e a probabilidade de rebeliões populares se transformarem em revoluções. Ademais, a escalada da febre de guerra sionista contra o Irã em 2011 promete a maior guerra regional desde o conflito indochinês. As campanhas eleitorais e resultados das eleições presidenciais nos EUA, Rússia e França aprofundarão os conflitos globais e crises econômicas.

Durante 2011 o regime Obama anunciou uma política de enfrentamento militar com Rússia e China e políticas designadas para enfraquecer e degradar a ascensão da China como potência econômica global. Diante de uma recessão econômica crescente e com o declínio dos mercados ultramarinos, especialmente na Europa, uma grande guerra comercial se desenvolverá. Washington promoverá agressivamente políticas limitando as exportações e investimentos chineses. A Casa Branca vai intensificar seus esforços em atrapalhar o comércio e investimento da China na Ásia, África e outras regiões.  Nós podemos esperar maiores esforços americanos para explorar conflitos populares e étnicos internos na China e a aumentar sua presença nos arredores da costa chinesa. Uma grande provocação ou incidente fabricado nesse contexto não pode ser excluído. O resultado em 2012 pode levar a chamados chauvinistas furiosos por uma custosa nova "Guerra Fria". Obama preparou o terreno e justificativa para um confronto em larga escala a longo prazo com a China. Isso será visto como um esforço desesperado para fortalecer a influência e posições estratégicas americanas na Ásia. O "quadrângulo do poder" militar americano - EUA-Japão-Austrália-Coréia do Sul - com apoio satélite nas Filipinas, colocará os laços mercantis chineses contra o fortalecimento militar de Washington.



Europa: Maior Austeridade e Luta de Classes Intensificada

Os programas de austeridade impostos sobre a Europa, da Inglaterra à Letônia e à Europa Mediterrânea realmente chegaram para ficar em 2012. Demissões massivas no setor público e salários e oportunidades reduzidas no setor privado levarão a um ano de luta de classes permanente e desafios aos regimes. As "políticas de austeridade" no Sul, serão acompanhadas por inadimplências resultando em falências de bancos na França e na Alemanha. A classe governante financeira da Inglaterra, isolada da Europa, mas dominante na Inglaterra, insistirá que os Conservadores devem "reprimir" os trabalhadores e os levantes populares. Um novo estilo duro neo-Thatcherita de governo emergerá; a oposição sindical-Trabalhista emitirá protestos vazios e apertará as rédeas da população rebelde. Em uma palavra, as políticas sócio-econômicas repressivas postas em lugar em 2011 prepararam o palco para novos regimes de estado de política e para confrontos mais agudos e possivelmente sangrentos com jovens trabalhadores e desempregados sem futuro.

As Guerras Vindouras que Acabarão com a América "como a Conhecemos"

Dentro dos EUA, Obama preparou o terreno para uma nova e maior guerra no Oriente Médio deslocando tropas do Iraque e do Afeganistão e concentrando-as contra o Irã. Para enfraquecer o Irã, Washington está expandindo operações militares e civis clandestinas contra aliados iranianos na Síria, Paquistão, Venezuela, e China. A chave para a estratégia belicosa americana e israelense frente ao Irã é uma série de guerras em Estados vizinhos, sanções econômicas em escala global, ciber-ataques dirigidos contra indústrias vitais e assassinatos terroristas de cientistas e oficiais militares. Todo o impulso, planejamento e execução das políticas americanas que levam a uma guerra com o Irã podem ser empiricamente e sem dúvida atribuídas à configuração de poder sionista ocupando posições estratégias na administração americana, mídia de massa e "sociedade civil".

Uma análise sistemática dos estrategistas políticos americanos desenvolvendo e implementando sanções econômicas no Congresso encontra papéis proeminentes para mega-sionistas como Ileana Ros-Lehtinen e Howard Berman; na Casa Branca, Dennis Ross, Jeffrey Feltman no Departamento de Estado, e Stuart Levy, e seu substituto David Cohen, no Tesouro. A Casa Branca está totalmente a mercê de financiadores sionistas e recebe suas diretrizes dos 52 Presidentes da principal organização judaico-americana. A estratégia sionista é cercar o Irã, enfraquecê-lo economicamente e atacá-lo militarmente. A invasão do Iraque foi a primeira guerra americana por Israel; a guerra líbia foi a segunda; a atual guerra contra a Síria é a terceira. Essas guerras destruíram os adversários de Israel ou estão em processo de fazê-lo.

Durante 2011, sanções econômicas, que foram planejadas para criar insatisfação doméstica no Irã, foram a principal arma de escolha. A campanha de sanções globais mobilizou todas as energias dos principais lobbies judaico-sionistas. Eles não enfrentaram oposição da mídia de massa, do Congresso ou da Casa Branca. A configuração de poder sionista tem estado virtualmente isenta de críticas por qualquer dos jornais, movimentos ou grupos progressistas, esquerdistas e socialistas - com algumas poucas exceções notáveis. O reposicionamento de tropas americanas do Iraque para as fronteiras do Irã no ano passado, as sanções e as crescentes pressões da quinta coluna israelense nos EUA significam mais guerra no Oriente Médio. Isso provavelmente significa um ataque aéreo "surpresa" e ataques com mísseis marítimos por forças americanas. Isso será baseado em um falso pretexto de um "ataque nuclear iminente" inventado pelo Mossad e fielmente transmitido pelos sionistas a seus lacaios no Congresso americano e na Casa Branca para consumo e transmissão ao mundo. Será uma longa, destrutiva, e sangrenta guerra por Israel; os EUA arcarão com o custo militar direto e o resto do mundo pagará o preço econômico. A guerra americana sionista converterá a recessão do início de 2012 em uma grande depressão até o final do ano e provavelmente provocará levantes em massa.

Conclusão

Todas as indicações apontam para 2012 como sendo um ano de crise econômica inexorável se espalhando da Europa e dos EUA para a Ásia e suas dependências na África e na América Latina. A crise será verdadeiramente global. Confrontos intertemporais e guerras coloniais solaparão quaisquer esforços para amenizar essa crise. Em resposta, movimentos de massa emergerão passando ao longo do tempo de protestos e rebeliões, a revoluções e poder político.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

As Profecias Nietzscheanas - 200 Anos de Niilismo

por Keith Preston


Entre os muitos grandes e extremamente influentes pensadores do século XIX, é Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900) facilmente o mais distinto em termos de possuir tanto as críticas mais profundas e penetrantes da civilização ocidental como ela era em seu tempo, e os insights e previsões mais prescientes quanto a o que o curso futuro da evolução do Ocidente envolveria. Em nossos próprios dias, Nietzsche tem sido um tópico popular do discurso acadêmico por algum tempo, e a leitura de suas obras há muito tem sido um passatempo popular entre estudantes modistas. Porém, na época de Nietzsche, ele permaneceu obscuro e suas obras não foram amplamente lidas ou aceitas até após sua morte. Mesmo com a abundância de estudos de Nietzsche que foram produzidos no mais de um século desde seu falecimento, suas idéias centrais permanecem amplamente incompreendidas ou mal interpretadas. De fato, Nietzsche ten sido majoritariamente apropriado pela Esquerda acadêmica - uma grande ironia considerando seu próprio desprezo considerável pela política da Esquerda - e a filosofia acadêmica dominante do pós-modernismo inclui a filosofia de Nietzsche como uma ancestral direta em sua linha genealógica.

Nenhum pensador é mais importante ou relevante para as idéias da Revolução Conservadora do que Nietzsche. Enquanto Marx continua a reter seu status como o mais influente pensador radical do século XIX, foi Nietzsche que foi o mais revolucionário dos dois nas implicações efetivas de seu pensamento. Nietzsche também permanece como um oposto polar dos contrarrevolucionários conservadores que surgiram em oposição à difusão da influência do Iluminismo. Nietzsche não é mero tradicionalista ao estilo de Edmund Burke, Joseph De Maistre, ou Louis De Bonald. Sua perspectiva envolve um afastamento damático não apenas do pensamento tradicional ocidental como ele se desenvolveu desde o tempo dos socráticos, mas também da cutura intelectual de mesmo os mais avançados ou revolucionários pensadores de seu tempo.

O Contexto Histórico do Pensamento de Nietzsche

Uma compreensão adequada de Nietzsche é impossível sem reconhecimento do contexto histórico no qual ele escreveu. As obras centrais de Nietzsche foram produzidas entre 1872 e 1888. Por aquela época, a revolução intelectual do Iluminismo estava bem estabelecida entre elites intelectuais ocidentais e entre as classes médias letradas ascendentes. A revolução intelectual iluminista e seus derivados foram existenciais em natureza. O aspecto mais importante do impacto da revolução foi o que Nietzsche caracterizou como a "morte de Deus". Avanços no conhecimento humano em uma grande variedade de áreas tiveram o efeito de minar a credibilidade das perspectivas teológicas tradicionais sobre cosmologia, filosofia moral, o sentido da existência humana, e daí em diante.

A derrubada da visão-de-mundo cristão que havia dominado a civilização ocidental por 1500 anos deixou pensadores subsequentes com um grande números de questões profundas. Se o propósito da vida de um indivíduo não é alcançar a salvação em um pós-vida, enquanto qual é o propósito da vida? Se o rei ou autoridades políticas estabelecidas não governam por direito divino, então qual é a base da legitimidade política? Como a sociedade deve ser organizada? Se a moralidade não é entendida segundo os ensinamentos da Igreja, da Bíblia, ou da autoridade religiosa tradicional, então qual é a base da justiça, da moralidade, da verdade, ou do "certo e errado"? Esses conceitos possuem qualquer sentido intrínseco ou objetivo? Se o universo observável não foi o produto de criação especial por um poder divino, e se a humanidade não foi "criada à imagem de Deus", então qual é o sentido da existência? Teria ela sentido para além de si própria? Se a história não é guiada pela providência divina, então como deve o processo de devir histórico ser entendido? Essas são as questões com as quais os pensadores ocidentais tem lutado desde que a velha visão teológica do universo e da existência foram demolidas pelas inovações intelectuais do Iluminismo.

A Nova Religião da Razão e do Progresso

A civilização ocidental existiu por milênios antes da ascensão da Cristandade Romana, então não é de surpreender que intelectuais iluministas anti-cristãos encontrassem inspiração nas obras clássicas da Antiguidade. Os pensadores iluministas desenvolveram uma visão-de-mundo e perspectiva filosófica relativamente similar àquela que prevaleceu entre os grandes pensadores da cultura intelectual greco-romana. A ênfase cristã tradicional em fé, revelação, mistério, e autoridade divina foi rejeitada em favor de uma nova ênfase na eficácia da razão humana e na habilidade de engajar em criticismo racional.

A visão iluminista do universo espelhava a perspectiva antropocêntrica dos gregos, com as idéias dos philosophes refletindo o adágio grego de que "o homem é a medida de todas as coisas" a um grau muito mais alto do que o pensamento cristão jamais fez. Foi a visão dos philosophes de que apenas a razão humana e o pensamento racional possuíam a capacidade para o discernimento das operações do universo através do uso da ciência. Essa confirança havia sido gerada pela revolução científica do século XVII. A razão humana era similarmente capaz de discernir as operações da sociedade e de descobrir modos pelos quais a sociedade e a humanidade poderiam ser melhoradas.

A partir dessa convicção emergiu um otimismo intelectual que expressou grande confiança na possibilidade e inevitabilidade do progresso. Essa moldura intelectual que foi transmitida às gerações subsequentes de europeus pelos grandes pensadores do Iluminismo formaram a fundação para a maior parte do pensamento moderno.

O conceito de progresso foi uma característica dominante de cada aspecto do pensamento no século XIX, seja nas áreas da filosofia, política, ou ciência. Pensadores da escola Idealista alemã, como Immanuel Kant e G.W.F. Hegel, tentaram reter a noção de justiça, moralidade, e virtude como conceitos possuindo características transcendentes em uma maneira similar àquela encontrada nas abordagens prévias cristãs à filosofia moral. Hegel desenvolvou uma doutrina filosofica conhecida como "historicismo" que caracterizava o provesso do desenvolvimento humano histórico como um pelo qual a razão desdobra-se em direção a um estado superior de unidade racional que contem dentro de si a coleção das expressões prévias, e contradições resolvidas dentro, do pensamento humano.

Hegel deu um brilho metafísico e quase-teológico a seu sistema filosófico de um modo que ainda é debatido e sujeito a interpretações variáveis. Porém, essa visão linear, progressiva da história postulada por Hegel estabeleceu o molde para a interpretação história que dominaria o pensamento ocidental pelo próximo século.

Karl Marx e Friedrich Engels desenvolveram uma concepção materialista da interpretação hegeliana da história como um processo dialético. O componente nuclear da interpretação marxista da história é um tipo de determinismo econômico. Segundo o marxismo, a história é a manifestação da luta entre classes sócio-econômicas em competição. Outros aspectos da vida humana tais como política, religião, cultura, família, e filosofia são meramente expressões ou consequências das fundações materiais de uma dada sociedade. O marxismo considera a história como um processo evolutivo no qual o conflito de classe serve como o processo dialético cujo impacto é o progresso da humanidade na direção de um estágio superior do desenvolvimento social.

A idéia oitocentista de progresso foi ainda mais fortalecida pelas inovações científicas do tempo. O pensamento evolucionário tornou-se odminante nas ciências naturais conforme as visões religiosas mais antigas sobre as origens da humanidade e do universo caíram na ignomínia intelectual. O modelo dominante da teoria evolucionária da era foi o modelo "desenvolvimentista". Esse modelo sugeria que o processo evolucionário era uma manifestação de um impulso linear em direção a um fim particular. A analogia normalmente usada era a do crescimento de um indivíduo. A visão convencional era que a evolução transpira de um modo que demonstra direção e propósito. Essa representação particular da evolução, mais famosamente expressa por Jean Baptiste Lamarck, foi destruída por Charles Darwin. Darwin afirmou que a evolução ocorre através de um processo de adaptação por meio da seleção natural.

A teoria de Darwin indicava que o processo de evolução biológica natural exibe um grande grau de aleatoriedade, e desenvolve-se de modo caótico sem qualquer resultado específico sendo inevitável em relação aos fins do processo evolutivo. As implicações atuais da teoria evolucionária darwiniana autêntica depreciam enormemente o modelo "desenvolvimentista" estabelecido de não apenas evolução biológica mas também evolução social humana. Porém, a publicação da obra de Darwin teve o efeito de popularizar o pensamento evolucionário, mesmo se suas idéias fossem mal compreendidas e mal interpretadas.
Pensadores subsequentes tentariam encontrar justificativa para suas opiniões sociais ou políticas favoritas na biologia evolucionária darwiniana. Marx considerava que Darwin havia encontrado uma justificativa científica para suas próprias opiniões sobre evolução sócio-econômica, e Darwin também foi apropriado por racistas e defensores do nacionalismo chauvinista.

De fato, esforços para interpretar a evolução social humana dentro do contexto de um molde biológico pseudo-darwiniano tornaram-se bastante abertas em natureza. Defensores do reformismo social, humanitários, advogados do capitalismo predatório, utópicos, teóricos da supremacia racial, e defensores da luta de classes todos apelavam a Darwin como justificativa para suas crenças, todas as quais estavam enraizadas em uma incompreensão fundamental das idéias de Darwin.

Foi a filosofia de Nietzsche que deu o molde interpretativo da história humana que era mais compatível com as implicações do darwinismo genuíno.

A Revolta Contra a Razão e o Progresso: A Filosofia de Nietzsche

Se a biologia evolutiva darwiniana explodiu a idéia oitocentista de progresso no reino das ciências naturais, foi o pensamento de Nietzsche que representou o mais profundo ataque às pré-concepções da época no mundo da filosofia. Nietzsche é talvez mais conhecido por suas afirmações relativas à "morte de Deus", mas o significado da "morte de Deus" na filosofia nietzscheana envolve muito mais do que mero ateísmo convencional. Outros intelectuais ateístas proeminentes haviam vindo antes de Nietzsche, como Diderot, d'Holbach e (por implicação) Hume, e ele de modo algum foi o inventor do ateísmo moderno. Apesar de Nietzsche ter sido certamente um pensador "anti-teológico" no sentido de rejeitar uma visão-de-mundo teísta em um sentido religioso convencional, sua noção de "morte de Deus" também foi pretendida como uma crítica dos preconceitos intelectuais de sua própria era, incluindo aqueles das elites intelectuais que haviam rejeitado a fé religiosa convencional. Enquanto Nietzsche era ateísta, materialista, e racionalista de um tipo comparável aos pensadores mais radicais do Iluminismo, sua perspectiva diverge radicalmente da tradição iluminista em relação ao papel da razão na vida e no pensamento humanos.

Nietzsche considerava que a ênfase iluminista na razão tinha o efeito de negar o papel das paixões na formação do caráter humano, da ação humana e das sociedades humanas. Ele contrastava a orientação iluminista na direção da razão com as manifestações e ênfase anteriores nas paixões que ele consideravam terem se tornado manifestas pela Renascença. Ele comparou essas duas eras dentro do molde de sua famosa dicotomia apolíneo/dionisíaco. O aspecto apolíneo da essência humana é o racional, lógico, prudente, e contido. O dionisíaco é o instintivo, impulsivo, e emotivo. Nietzsche não era um cético das paixões como Hobbes ou Burke, que consideravam as paixões e sentimentos humanos como tendentes a excessos perigosos e necessitando de contenção. Ao invés, ele aconselhou os seres humanos a viverem perigosamente. Nietzsche considerava o apaixonado e irracional (ou pré-racional) como a fundação de todas as culturas superiores, que ele por sua vez considerou como sendo o ápice da existência humana. Os gregos haviam enfatizado e explorado as paixões, ao invés de temê-las ou evitá-las, e por essa razão os gregos haviam produzido a mais elevadas das civilizações humanas existentes até então. Nietzsche veementemente se opôs aos sentimentos e tendências igualitárias crescentes em direção a uma sociedade de massa e democracia de massa de sua era. Apenas uma elite motivada pelas paixões pode produzir uma cultura superior. Uma sociedade igualitária seria uma sociedade de mediocridades fracas e temerosas preocupadas apenas com conforto e segurança.

A "morte de Deus" foi formulada como um ataque ao idealismo filosófico do tipo mantido por Kant e Hegel tanto quanto um ataque à fé cristã. A filosofia de Nietzsche insistia que não há fundação transcendente ou metafísica para a ética, moralidade ou justiça. Valores desse tipo eram meras construções humanas. Eles não possuem sentido fora do que os seres humanos, individualmente ou coletivamente, atribuem a eles. Nietzsche similarmente rejeitou a visão da história representada pelo historicismo de Hegel. Uma das primeiras obras de Nietzsche, Dos Usos e Abusos da História, é um ataque contra Hegel. A visão linear da história contida no sistema filosófico de Hegel teve muitos precedentes no pensamento ocidental, com raízes alcançando tão longe quanto Aristóteles.

Segundo Nietzsche, a história não tem propósito. É uma mera série de eventos que não possuem sentido próprio, além dos significados subjetivos adotados por indivíduos e grupos humanos relativos a seu próprio tempo, lugar, e experiências. A filosofia de Nietzsche era um ataque a virtualmente todo o legado da metafísica ocidental desde o tempo de Platão.

Nietzsche considerava a idéia oitocentista de progresso, e a miríade de ideologias, movimentos, e causas do tempo que eram uma manifestação dessa idéia como superstições na mesma medida das superstições teológicas que dominavam a era cristão. Sua parábola do louco encontrada em A Gaia Ciência deve ser interpretada desse jeito. Nietzsche está ridicularizando os intelectuais de seu tempo que acreditavam ter alcançado um estado superior de iluminação, e que se consideravam como os progenitores de uma civilização superior. Ele ao invés está defendendo que os pensadores de seu tempo ainda não reconheceram completamente as consequências da "morte de Deus" para a civilização ocidental.

Ao invés, eles estão simplesmente tentando encontrar substitutos trocando velhos dogmas e piedades por novos. Entre esses novos deuses estão o socialismo, o liberalismo, o utopianismo, o humanismo, o nacionalismo, a democracia, o racismo pseudo-científico do tipo representado por pensadores como H.S. Chamberlain e o antissemitismo de seu ex-amigo Richard Wagner. Tais esforços são descartados por Nietzsche como métodos de evitar ou adiar a crise existencial que a civilização ocidental eventualmente teria que encarar. Nietzsche atacou até mesmo os conservadores de sua era por fazerem concessões demais aos movimentos igualitários ascendentes como a democracia e o socialismo, e por manterem sua lealdade à carcaça do Cristianismo. Ele descartava as aristocracias europeias tradicionais como fracas e decadentes, e ele também se opunha aos movimentos nacionalistas de seu tempo como sintomáticos das sociedades igualitárias de massa compostas por indivíduos medíocres que ele via no horizonte. Nietzsche profeticamente sugeriu que o século XX seria um tempo de grandes guerras entre movimentos ideológicos de massa de seu tempo, e que somente no século XXI a crise existencial da civilização seria completamente reconhecida.

A profecia de Nietzsche de que o século XX seria um tempo de guerra em uma escala sem precedentes entre forças ideológicas polarizadas encontrou sua realização na Grande Guerra e então na Segunda guerra Mundial, e a destrutividade dessa última ultrapassou até mesmo a brutalidade chocante da primeira. O sofrimento e morte geradas pelas duas guerras mundiais, e a invenção de tecnologia de armas com a capacidade de destruir toda a humanidde demoliu a fé oitocentista no progresso e empurrou os intelectuais do pós-guerra em direção a um confronto com as implicações niilistas da ciência e filosofia modernas do tipo sobre o qual Nietzsche escreveu. O existencialismo, com suas raízes implícita ou explícitamente nietzscheanas, tornou-se a perspectiva filosófica dominante para intelectuais em meados do século XX. O existencialismo representa um esforço para confrontar a crise do niilismo sugerida por Nietzsche e o problema sério que essa crise representa para a ética humana e a questão do sentido. Se a existência não tem sentido, então qual é a base do comportamento humano adequado? Se Deus está morto, tudo é permitido, como Dostoevsky sugeriu? As lutas dos pensadores existencialistas com essas questões são famosamente ilustradas, por exemplo, pelos esforços da existencialista-feminista Simone De Beauvoir para estabelecer um modelo de ética em face da insignificância da existência apontando para a comunalidade da experiência humana, e a possibilidade de criar virtudes compartilhadas e valores que avancem os interesses humanos no reino da experiência vivida, mesmo que esses valores no fim das constas não possuam fundação ou sentido objetivo ou cósmico. Seu companheiro Jean Paul Sartre afirmava que poder-se-ia criar o seu próprio sentido participando nas atividades sociais ou políticas do próprio tempo ou mesmo abraçando o irracional, por exemplo, tornando-se cristão devoto ou comunista militante. O próprio Sartre escolheu a segunda opção.

O Futuro

Nietzsche previu que seria bem dentro no século XXI antes do pensamento ocidental confrontar completamente a crise do niilismo. Então logo pareceria que ele estava correto. O pensamento ocidental desde o Iluminismo havia tentando compensar pela perda da velha fé substituindo a visão-de-mundo cristã desacreditada com novas fés e novas piedades. Conforme essas foram se tornando cada vez mais difíceis de justificar dentro de uma moldura de racionalidade e crença em um "progresso" inevitável, os intelectuais ocidentais cada vez mais recuaram no irracional. Isso é ilustradi pelo curioso fenômeno dos presentes esforços pelas elites intelectuais ocidentais para abraçar o pós-modernismo, com seu relativismo cultural e moral acompanhando, e ao mesmo tempo abraçando o fanatismo moralista igualitário-universalista-humanista popularmente rotulado "politicamente correto" e defendendo com grande piedade cruzadas liberais como "direitos humanos", "anti-racismo", "liberação gay", feminismo, ambientalismo e similares. Tal perspectiva, que combina o extremo moralismo no reino cultural e político, completo relativismo moral no reino filosófico ou metafísico, e às vezes até cai no subjetivismo no reino epistemológico, é fundamentalmente irracional, é claro. Que tal perspectiva tenha se tornado tão profundamente enraizada indica que os intelectuais ocidentais estão desesperadamente trabalhando para evitar uma confrontação total com a crise do niilismo.

Pareto afirmava que as civilizações morrem quando suas elites perdem fé em suas próprias civilizações em tal medida que a vontade de sobreviver não mais existe. As elites políticas e culturais ocidentais exibem um claro desprezo pelo legado de sua civilização, como demonstrado por sua filiação a ideologias anti-ocidentais como "multiculturalismo" e seu apoio por políticas públicas tais como permitir a imigração em massa para o Ocidente vinda do Terceiro Mundo, que ultimamente significa a conquista demográfica e morte da civilização ocidental. A presunção das elites atuais é que uma alteração demográfica dramática pode ocorrer sem consequências notáveis, ou que a destruição da própria civilização ocidental pode ser desejável. A prevalência de tais atitudes novamente indica que o niilismo cultural tornou-se profundamente entrincheirado. Porém esse niilismo até agora tem estado mascarado por platitudes liberal-humanistas de crescente burrice.

Ainda está pra ser visto o que lançará os holofotes sobre essa crise. Ameaças genuínas à própria sobreivência da civilização ocidental podem bem forçar esse confronto. Estas podem incluir a ameaça de terrorismo nuclear, colapso econômico ou catástrofe ecológica, a escassez de recursos dos quais a civilização depende, ou o encrentamento com um rival ideológico que representa uma ameaça existencial.  Conforme mudanças demográficas de magnitude a ameaçar a despossessão cultural tornam-se cada vez mais iminentes, e conforme as consequências tornam-se cada vez mais inegáveis, talvez um despertar e renovação culturais começarão. De outro modo, pode até ser o caso que a modernidade e pós-modernidade ocidentais eventualmente sofrerão o mesmo destino que a civilização grecorromana da antiguidade.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Socialismo Alemão como Alternativa ao Marxismo

por Alexander Jacob



Hoje, quando o marxismo tornou-se aceito como um sistema política respeitável, seria saultar reviver a reação conservadora a essa doutrina messiânica que é evidenciada nos escritos de intelectuais alemães da virada do século. Enquanto o marxismo fazia incursões na estrutura social da população alemã através de sua sonora dialétia hegeliana e slogans estimulantes endereçados ao proletariado, mentes genuinamente alemães ficaram efetivamente horrorizadas pela dissecação da vida social que o marxismo implicava, e alguns dos economistas e filósofos sociais alemães propuseram reformas sociais próprias que eram mais naturalmente adequadas à constituição ética e social do povo alemão. Dessas alternativas alemães ao marxismo, eu apresentarei aqui duas versões, aquelas de Werner Sombart, e de Oswald Spengler. Desses, o primeiro chamou seu sistema de Socialismo Alemão e o segundo de Socialismo Prussiano. O que é comum a ambas essas alternativas ao marxismo é que elas consideram o marxismo como coincidente com a questão do envolvimento judaico na sociedade europeia. Portanto meu artigo necessariamente lidará com a sociologia dos judeus tanto quanto com a dos alemães.

Eu posso brevemente lembrar que Karl Marx (1818-1883) nasceu em uma família judia ortodoxa no Reno e estudou Direito, Filosofia, e História nas Universidades de Bonn e Berlim. Marx começou sua carreira como economista política em Paris através de sua associação com o alemão Friedrich Engels. Sua primeira obra econômica foram os Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844 que refletiam sua absorção do hegelianismo, do socialismo francês, e do economismo inglês. Expulso da França em 1845, Marx mudou-se para Bruxelas, onde ele colocou-se em contato com o movimento dos trabalhadores, para o qual ele rascunhou em 1848 o influente Manifesto Comunista que continua uma crítica do capitalismo e uma convocação ao socialismo revolucionário. Durante as Revoluções de 1848, Marx foi extraditado de Bruxelas e o restante de seus anos ele passou em Londres onde ele era sustentado por Engels, que agora havia se tornado um industrialista afluente. Sua principal obra produzida na Inglaterra foi Das Kapital (1867) que permanece a Bíblia do Comunismo entre pensadores esquerdistas.

A completa rejeição da discussão filósofica em Das Kapital cristaliza o defeito inato da mente judaica tanto quanto o foco exclusivo de Marx em questões econômicas em seus projetos para a futura sociedade humana. Acreditando que o capitalismo era uma fase transitória na evolução da sociedade já que este era baseado na exploração do trabalho pela minoria capitalista que deveria mais cedo ou mais tarde ser varrida pelas massas, Marx visualizou uma utopia anárquica vindoura que seria inteiramente livre do dinheiro, de classes sociais, e até de um governo estatal. Pode-se notar que o próprio Marx era um antissemita já que ele considerava os judeus como predominantemente capitalistas em espírito, mas o sistema social que ele propunha não era menos significativo da mentalidade judaica do que o do capitalismo que ele atacava. As limitações culturais da visão materialista de Marx condicionada pelo que ele chamava de "o modo de produção dos meios materiais de vida" foram, portanto, mais claramente expostos pelos sociólogos alemães mais genuinamente filosóficos tais como Sombart e Spengler.

Werner Sombart (1863-1914), o economista e filósofo social é notado hoje por suas diversas obras pioneiras sobre o ethos capitalista. Apesar de Sombart ter iniciado sua carreira sociológica como um socialista marxista, ele gradualmente dissociou-se da orientação economicista da teoria social de Marx em favor de um entendimento mais voluntarista das fontes de evolução social que sustentavam o próprio modelo patriarcal e aristocrático de sociedade que Marx havia buscado destruir. Em seu Die deutsche Volkswirtschaft im neunzehnten Jahrhundert (1903), Sombart deu as costas à glorificação socialista do progresso que ele viu como destrutiva ao espírito humano e reviveu o ideal medieval da comunidade de guildas que envolvia, como Mitzmann sumarizou, "a total absorção e desenolvimento da personalidade do produtor em seu trabalho; objetivos limitados; e a conformação das unidades produtivas sobre o modelo da comunidade familiar". A substituição dessa sociedade orgânica original pela "Gesellschaft" artificial, para usar a terminologia de Tönnies, foi consolidada pela interferência do judeu na sociedade alemã já que o judeu é destacado pelo pensamento abstrato que é "sinômino de indiferença por todos os valores qualitativos, com a inabilidade de apreciar o concreto, o individual, o pessoal, o vivente". A expressão simbólica da capacidade judaica para abstração é o dinheiro que "dissolve todos os valores de uso em seus equivalentes quantitativos". O proletariado, que é o típido produto social do capitalismo, é o elemento que sofre mais na substituição do ethos social patriarcal pelo comercial, pois "cada comunidade de interesse é dissolvida, bem como cada comunidade de trabalho" e o "mero pagamento é o único elo que luga as partes contratantes". O conforto tradicional da religião também foi destruído pelo capitalismo que tipicamente reforçou o movimento intelectual liberal do Iluminismo. Uma outra diferença crucial entre o Socialismo Alemão desenvolvido por Sombart e o marxismo é sua distinção do capitalista entre o empresário e o comerciante de tal modo que, Marx tentou superar o empresário como uma figura historicamente obsoleta, Sombart defendeu a virtude criativa e organizacional do espírito empresarial contra as características meramente racionalizantes e abstratas do comerciante. O empresário então torna-se na visão de Sombart o representante econômico do típico espírito faustiano do herói alemão enquanto o comerciante calculista é crescentemente identificado com o estrangeiro, particularmente com judeus e ingleses.

Em seu livro Händler und Helden (Munique, 1915), Sombart discute a significância sociológica da guerra entre ingleses e alemães em termos da diferença radical entre o "espírito comercial" que objetiva alcançar mera "felicidade" através das virtudes negativas da "temperança, contentamento, indústria, sinceridade, moderação, humildade, paciência e similares" que facilitarão um "concurso pacífico de comerciantes", e o "espírito heróico" que objetiva realizar a missão da vida como uma tarefa de auto-realização superior da humanidade através das virtudes positivas da "vontade de sacrifício, lealdade, reverência, valor, piedade, obediência, e bondade" e os "valores militares", já que "todo heroísmo foi primeiro completamente desenvolvido na guerra e através da guerra". A guerra para o inglês era basicamente uma aventura comercial enquanto para o alemão era uma defesa de sua alma contra a influência mortificante do mesmo espírito comercial.

Porém, já em suas principais obras de 1911-1913, em Die Jüden und das Wirtschaftsleben (1911) e sobre o espírito burguês, Der Bourgeois, 1913, Sombart havia demonstrado que o sistema moderno do capitalismo comercial devia-se principalmente não ao protestantismo inglês, como Max Weber havia proclamado em seu Protestantische Ethik und der Geist des Kapitalismus (1904-5), mas ao Judaísmo. Em verdade, o próprio Weber foi forçado, sob o estímulo da obra de Sombart, a distinguir entre o capitalismo protestante e o "capitalismo pária" dos judeus, uma distinção que corresponde com a própria divisão histórica de Sombart do desenvolvimento do capitalismo em capitalismo primitivo e capitalismo superior. Enquanto o catolicismo, e particularmente o tomismo, havia sido parcialmente influente no desenvolvimento do espírito comercial em sua filosofia racionalista, legalista e essencialmente mundana, Sombart negava que o protestantismo era sinônimo de capitalismo já que, ao contrário, o luteranismo havia ao menos encorajado um aprofundamento do sentimento religioso. Mesmo outras formas de protestantismo eram marcadas por um espírito geralmente anti-capitalista de mesquinhez e no máximo assumiu formas capitalistas da vida econômica existente dos católicos. A verdadeira fonte do desenvolvimento da fase do capitalismo superior da sociedade é porém, segundo Sombart, a mente judaica, que primeiro introduziu as principais características do capitalismo moderno, nomeadamente o jogo irrestrito do lucro através do livre-comércio, negócios usurários, e práticas comerciais cruéis, especialmente com não-judeus.

A identificação da trapaça em transações comerciais e a exploração de outras pessoas como as causas principais do poder financeiro da judiaria é mais plenamente discutida por Sombart em Die Juden und das Wirtschaftsleben. A raiz da economia judaica é localizada por Sombart na própria religião hereditária que:

"em todos os seus raciocínios apela a nós como uma criação do intelecto, uma coisa de pensamento e propósito projetada no mundo dos organismos, mecanicamente e artificiosamente desenhada, destinada a destruir e a conquistar o reino da natureza e a reinar em seu lugar. Exatamente assim o capitalismo aparece em cena; como a religião judaica, um elemento estrangeiro em meio ao mundo natural; como ele também algo esquematizado e planejado em meio à vida fervilhante".

O capitalismo efetivamente deriva diretamente das tradições econômicas usurárias orientadas ao lucro dos judeus:
"o capitalismo moderno é filho da agiotagem. Na agiotagem toda concepção de qualidade desaparece e apenas o aspecto quantitativo importa. Na agiotagem a atividade econômica como tal não possui sentido; não é mais uma questão de exercitar corpo ou mente; é tudo uma questão de sucesso. Sucesso, portanto, é a única coisa que possui sentido. Na agiotagem a possibilidade é pela primeira vez ilustrada de que você pode ganhar sem suar; que você pode colocar outros para trabalharem para você seu fazer uso da força".

Sombart aqui aponta para a forma sutil da violência comercial que constitui o sistema explorador judaico. Os judeus em geral tem desconsiderado as limitações ao lucro interentes nos padrões tradicionais da vida econômica europeia:
"Os judues não davam atenção às delimitações estritas da própria vocação ou de um ofício ou outro, tão universalmente enfatizadas pelo direito e costumes. De novo e de novo nós ouvimos o clamro de que os judeus não se contentavam com um tipo de atividade; eles faziam tudo que podiam, e perturbavam de tal modo a ordem das coisas que o sistema de guildas queria manter".

O status alienígena dos judeus vis-à-vis os povos hospedeiros entre os quais eles viviam serviu como fator de contribuição para o sucesso de suas iniciativas capitalistas, pois seu status social secundário apenas os impeliam em seu ódio e ressentimentos naturais contra os povos hospedeiros, pelos quais eles tiravam vantagem dos não-judeus sob a sanção de suas leis religiosas:
"o intercurso com estrangeiros era desprovido de todas as considerações, e a moralidade comercial tornou-se elástica".

O resultado final da prevalência do espírito judaico no Ocidente foi a corrupção da própria natureza do homem ocidental e sua sociedade, pois,
"Antes do capitalismo poder se desenvolver, o homem natural tinha que ser modificado para além de todo reconhecimento, e um mecanismo racionalisticamente pensado introduzido em seu lugar. Tinha que havar uma transvaloração de todos os valores econômicos".

Essa transformação ruinosa é realizada basicamente através da adaptação resiliente do judeu à sociedade na qual ele é residente. Mas esse processo de adaptação é determinado intelectualmente e carece da qualidade orgânica da verdadeira simpatia:
"Que o Lorde Beaconsfield (Benjamim Disraeli) fosse um conservador era graças a um acidente ou outro, ou a alguma conjectura política; mas Stein e Bismarck e Carlyle era conservadores porque não poderiam ser outra coisa; estava em seu sangue".

De fato, os judeus não nutrem simpatia por 
"qualquer status no qual o nexo seja de natureza pessoa. Todo o ser do judeu é oposto a tudo aquilo que é usualmente entendido como cavalheirismo, a toda e qualquer sentimentalidade,  feudalismo, patriarcalismo. Nem compreende ele uma ordem social baseada em relacionamentos como estes. 'Estamentos do reino' e organizações de ofício são uma abominação para eles. Politicamente ele é um individualista. Ele é o representante nato da visão 'liberal' da vida na qual não há homens e mulheres de carne e sangue com personalidades distintas, mas apenas cidadãos com direitos e deveres".

O resultado é que os próprios judeus não parecem capazes de compreender o significado real da questão judaica e parecem pensar que a questão judaica é apenas de natureza política ou religiosa, acreditando que:
"o que possa ser claramente colocado no papel e organizado corretamente com a ajuda do intelecto deve nevessariamente ser capaz de uma solução adequada na vida efetiva".

Com o entendimento de Sombart da diferença radical entre o espírito heróico alemão e o espírito comercial judaico não é de surpreender que ele tenha se identificado com o movimento Nacional-Socialista durante os primeiros anos do regime, mesmo que depois ele tenha deixado de participar ativamente de seus programas. Em seu Deutscher Sozialismus, escrito em 1934, Sombart reforça essa diferença entre os dois ethos, apontando novamente ao desejo do socialismo proletário marxista pelo "maios bem para o maior número". Esse traço utópico dos marxistas é evidenciado especialmente em sua defesa do industrialismo moderno, mesmo que ele deseje uma substituição da organização econômica privada por uma organização econômica comunitária construída sobre a popriedade social dos meios de produção. O objetivo da felicidade social é dirigida à noção de "liberdade e igualdade e fraternidade" emprestada da Revolução Francesa e trai os mesmos ressentimentos que impeliram a primeira revolução europeia. Os métodos usados para sua realização são a redução da quantidade de trabalho físico ao qual o proletariado está sujeito através do uso de máquinas e de organização adequada envolvendo a abolição da divisão do trabalho. A abolição da centralização do capital e da noção de propriedade privada promoverá ainda mais a prosperidade das massas. Esse sonho do proletariado comunista é reforçado pela idéia de progresso histórico infinito não em direção a uma humanidade superior, mas de uma humanidade mais "feliz". Simultaneamente todo sentimento religioso de reverência perante uma divindade outromundista deve ser suprimido para que as pessoas alcancem mais rapidamente o sonho de um paraído nesse mundo o qual é, em verdade, o objetivo real da religião judaica também.

Infelizmente, essa "crença fatal no progresso que governou o mundo ideal do socialismo proletário ainda mais que o mundo do liberalismo" é a causa principal da decadência inexorável da cultura humana genuína, pois, como ele diz, "renovar perpetuamente, atrapalha qualquer cultura. Apenas quando no curso da história as tradições de crenças, morais, de educação, e de organização são dominantes é possível para uma cultura desabrochar. Pois, em concordância com sua própria natureza, a cultura é antiga, enraizada, indígena". A base de toda cultura só pode ser a nação e não o Estado enquanto tal, pois a nação é "a associação política em sua busca por alcançar um fim. A nação existe não porque ela vive na consciência dos indivíduos, mas ela existe como uma idéia no reino do espírito; ela é 'individualista espiritual'". O povo que constitui uma nação é efetivamente um organismo como o indivíduo e possui a mesma origem, o mesmo destino histórico, e a mesma cultura espiritual. É sobre esta base cultural que deve-se distinguir os judeus como uma nação alienígena. Aos judeus deve ser negado direitos iguais na posse de posições de liderança e responsabilidade, independentemente de seu espírito e caráter. Ele aponta com aprovação ao período pré-Guilhermino quando:

"as forças armadas e quase toda a administração interna e jurídica, com exceções aprovadas, estavam fechadas para os judeus. Tivesse essa prática sido mantida, e os judeus sido assignados a outros campos importantes, como as universidades, o direito e outras atividades, a pátria alemã e, não menos, os próprios judeus, teriam sido poupados de grandes aflições".

A solução que Sombart sugere à questão judaica é a transformação da cultura institucional de tal modo que ela "não mais sirva como apoio ao espírito judaico", que é, o "espírito dessa era econômica" ou da sociedade burguesa, de modo que os alemães não mais participem no ethos alienígena alimentado neles pelos judeus.
A política econômica dos estados modernos deve também ser uma dirigida de modo corporativo baseado em um sistema de estamentos, que será livre do potencial para exploração no sistema judaico,

"interesses pessoais devem ser superados e articulados no estado como um todo; nem, de tal maneira, o indivíduo encontra seu lugar segundo sua própria estimativa, mas recebe o lugar atribuído a ele. Isso significa o reconhecimento da primazia da política. Em outras palavras, uma ordem segundo estamentos não é reconciliável com o princípio da livre iniciativa e da livre competição. Em uma comunidade na qual a economia capitalista ainda comanda, um sistema de estamentos é uma contradição. Não até que o Estado estabeleça-se fundamentalmente sobre instituições, isto é, sobre uma ordem legal que imponha deveres, pode um sistema de estamentos realizar suas tarefas".

A nova ordem legal será ao mesmo tempo hierárquica e incorporará uma "razão supraindividual" dirigida ao bem-estar do todo; essa ordem será completamente representada pelo Estado. Daí em diante o domínio da economia será governando pelo da política, focado essencialmente em sua virtude militar, enquanto no reino da própria economia, a agricultura ocupará o primeiro nível e o comércio o último. A liderança de um estado socialista forte ou autoritário deve estar com alguém "que recebe suas direções, não como um inferior de um líder superior, mas apenas de Deus...não é necessário que ele ouça a 'voz do povo', na medida em que ele não reconheça nela a voz de Deus, que jamais pode falar a partir da totalidade acidental ou mutante de todos os cidadãos ou mesmo da maioria dos cidadãos. A volonté générale que deve ser realizada em uma realidade metafísica, e não empírica...O estadista não serve a interesse popular, mas apenas à idéia nacional". Naturalmente o líder será apoiado em suas tarefas nacionais por uma elite de oficiais capazes e corpos públicos autônomos.
O Socialismo Alemão de Sombart é de fato bastante indistinto daquele dos neoconservadores da República de Weimar, Oswald Spengler, Moeller van den Bruck, ou Edgar Julius Jung. Isso deve apenas confirmar o fato muito negligenciado de que aquilo pelo que o que os alemães anti-democraticos e anti-liberais estavam luando na República de Weimar era o ethos europeus em oposição ao judaico, e que o Socialismo Alemão (distinto de e irreconciliável com o Socialismo Marxista) está tão orientado para o desenvolvimento de uma autêntica cultural moral e tão hierarquicamente e neo-medievalmente organizado quanto o Conservadorismo Alemão. Como representante da posição neoconservadora na República de Weimar nós podemos considerar aqui as perspectivas políticas de Oswald Spengler (1880-1936) cujo ideal social é efetivamente chamdo "Socialismo Prussiano" em seu ensaio Preussentum und Sozialismus (1919), que foi um rascunho dos principais temas da segunda parte de seu magnum opus em dois volumes Der Untergang des Abendlandes (1918 e 1922). O peso do argumento de Spengler nesse ensaio é a diferença entre o Socialismo Marxista que é baseado em um entendimento alienígena, inglês e judaico, da sociedade e o socialismo genuíno do Estado Prussiano. O socialismo dos ingleses é demonstrado como sendo um individualismo ao estilo viking que encorajou a rapinagem do Império Britânico e a crueldade mercantil de seus líderes. A conquista normanda da Inglaterra pôs um fim ao modo de vida anglo-saxão e introduziu o "princípio de pirataria" pelo qual "os barões exploravam a terra atribuída a eles, e eram por sua vez explorados pelo duque". As companhias comerciais modernas inglesas e americanas estão encadeadas aos mesmos motivos de lucro:

"Seu objetivo não é trabalhar diligentemente para erguer o nível de vida nacional, mas sim produzir fortunas privadas para o uso do capital privado, para subjugar a competição privada, e explorar o público através do uso da propaganda, guerras de preço, controle da oferta e demanda".

As noções democráticas francesas, por outro lado, são governadas por um amor anárquico do prazer já que cada indivíduo no Estado francês quer é "uma igualdade de prazer, oportunidade igual para a vida como pensionista".
A doutrina marxista, sendo um produto da mente judaica, que é caracterizada pelo "ressentimento", é baseada em uma inveja daqueles que possuem riqueza e privilégios sem trabalhar, e assim advoga a revolta contra aqueles que possuem essas vantagens. É então essencialmente uma variante negativa do ethos inglês. Não é surpreendente, portanto, que o trabalhador na doutrina marxista é encorajador a acumular seus próprios lucros através da iniciativa privada, de modo que, como Spengler diz, "o marxismo é", de fato, "o capitalismo do proletariado". O sistema marxista é efetivamente o "capítulo final de uma filosofia com raízes na revolução inglesa, cujos humores bíblicos permaneceram dominantes no pensamento inglês". Em verdade, como ele continua a dizer, "uma interpretação bíblica de acordos comerciais questionáveis pode acalmar a consciêcia e elevar a ambição e a iniciativa". Enquanto os industrialistas participam no comércio com o "dinheiro" como uma commodity, os trabalhadores fazem o mesmo com o "trabalho". No Estado prussiano, por outro lado, o trabalho não é uma mercadoria mas um "dever dirigido ao interesse comum, e não há gradação - isso é democratização ao estilo prussiano - de valores éticos entre os vários tipos de trabalho".

A solução marxista para a propriedade privada ilimitada também é uma negativa: "expropriação dos expropriadores, roubo dos ladrões". Isso é baseado em uma visão "inglesa" do capital na qual "o bilionário demanda liberdade absoluta para determinar questões globais por suas decisões privadas, sem qualquer outro padrão ético em mente além do sucesso. Ele derrota seus oponentes com o crédito e a especulação como suas armas". Por outro lado, o prussiano vê a propriedade não como um saque privado mas como parte de uma riqueza comum, "não como um meio de expressão do poder pessoal mas como bens colocados sob a responsabilidade, para cuja administração ele, como proprietário, está responsável perante o Estado". O socialismo prussiano é então essencialmente:

"despreocupado com a propriedade nominal, mas sim com as técnicas de administração. O velho método prussiano era legislar a estrutura formal do potencial produtivo total ao mesmo tempo guardando cuidadosamente o direito à propriedade e a herança, e permitir tanta liberdade ao talento pessoal, energia, iniciativa, e intelecto quando se poderia permitir a um jogador de xadrez que dominou todas as regras do jogo. É principalmente assim que era feito nos velhos cartéis e sindicatos, e não há razão pela qual isso não poderia ser sistematicamente estendido a hábitos de trabalho, avaliação de trabalho, distribuição de lucro, e o relacionamento interno entre planejadores e funcionários executivos. A socialização significa a lenta transformação do trabalhador em um funcionário público econômico, do empregador em um burocrata administrativo responsável com extensos poderes de autoridade, e da propriedade em um tipo de feudo hereditário com um certo número de direitos e privilégios associados".

A significância da noção de Estado Nacional é completamente ignorada por Marx em seu foco sobre a "sociedade". Por outro lado, a forma prussiana de socialismo é baseada inteiramente na noção da primazia do Estado que é de fato o ideal do cavaleiro teutônico, diametralmente oposta à rapina errante do viking:
"Os cavaleiros teutônicos que se assentaram e colonizaram as fronteiras orientais da Alemanha na Idade Média tinham um genuíno sentimento pela autoridade do Estado em questões econômicas, e posteriormente os prussianos herdaram esse sentimento. O indivíduo é informado de suas obrigações econômicas pelo Destino, por Deus, pelo Estado, ou por seu talento pessoal. Direitos e privilégios de produzir e consumir bens são igualmente distribuídos. O objetivo não é uma riqueza cada vez maior do indivíduo ou para cada indivíduo, mas sim o florescimento da totalidade".

Enquanto a sociedade inglesa é devotada ao "sucesso" e à riqueza, a prussiana é devotada ao trabalho por um objetivo nacional comum:
"O estilo de vida prussiano produziu uma profunda consciência de nível, um sentimento de unidade baseado em um ethos de trabalho, e não de descanso. Ele une os membros de cada grupo profissional - forças armadas, funcionalismo público, e iniciativa privada - infundindo-as com um orgulho de vocação, e dedica-os a atividade que beneficia todos os outros, a totalidade, o Estado".

O indivíduo subsumido na totalidade é porém marcado de modo mais notável por "aquela gloriosa liberdade interior, a libertas oboedientiae que sempre distinguiu os melhores exemplares da linhagem prussiana". O ideal administrativo que Spengler propõe para o Estado prussiano é, como Sombart, corporativo e hierárquico em estrutura:
"Visualizemos uma nação unificada na qual a cada um é atribuído seu lugar segundo seu nível socialista, seu talento para auto-disciplina voluntária baseada em convicção interior, suas habilidades organizacionais, seu potencial de trabalho, consciência, e energia, sua prontidão inteligente em servir a causa comum. Planejemos uma conscrição geral de trabalho, resultando em guildas ocupacionais que administrarão e ao mesmo tempo serão guiadas por um conselho administrativo, e não por um parlamento".

O parlamentarismo não apenas é inapropriado em um Estado monárquico como a Prússia, mas é também um sistema cansado e ultrapassado que perdeu a glória que lhe foi dada pelos "cavalheiros" e aristocratas que outrora governaram a política alemã e britânica. Agora, 
"as instituições, o senso de tato e observância cuidadosa das amenidades, estão morrendo com as pessoas de boa linhagem. O relacionamento entre líderes partidários e partido, entre partido e massas, será mais duro, mais transparente, e mais descarado. Esse é o início do cesarismo".

Indivíduos egoístas empregam formas democráticas de parlamentarismo para fazer do "Estado" um órgão executivo de seus próprios interesses econômicos, "ou seja, pagando campanhas eleitorais e jornais e assim controlando a opinião de eleitores e leitores". Portanto, a democracia, em geral, é uma aliança profana de massas urbanas, intelectuais cosmopolistas, e capitalistas financeiros. As massas em si são manipuladas pelos dois últimos elementos através de suas agências específicas, a imprensa e os partidos. A classe intelectual representa uma "inteligência abstrata", e não uma iluminação espiritual, enquanto os capitalistas financeiros são apoiados por fortunas móveis distintas da propriedade fundiária da nobreza autêntica. Em verdade, a Liga das Nações, antecessora de nossas Nações Unidas, é ela mesma um instrumento do grande capital, e é "em realidade um sistema de províncias e protetorados cujas populações estão sendo exploradas por uma oligarquia financeira com a ajuda de parlamentos subornados e leis compradas". Quanto ao assim chamado "internacionalismo" do marxismo moderno, este é imediatamente reconhecido como uma farsa quando se nota a diversidade de raças e de suas respostas a movimentos políticos. Em verdade, segundo Spengler, a verdadeira "Internacional" é
"possível apenas como a vitória da idéia de uma única raça acima de todas as outras, e não como a mistura de todas as opiniões separadas em uma massa incolor".

A significância da crítica de Spengler à ética inglesa e judaica não pode ser exagerada, pois ela serve como um lembrete da importância de distinguir entre o princípio de pirataria inglesa e a idéia estatal germânica bem como entre o falso "socialismo" de Marx e o genuíno da Prússia. O verdadeiro sentido do socialismo, segundo Spengler é 
"que a vida é dominada não por um contraste entre ricos e pobres mas por uma hierarquia determinada por realização e habilidade. Este é nosso tipo de liberdade: liberdade em relação aos caprichos econômicos do indivíduo".

Spengler, assim como Sombart, acreditava no ideal prussiano de governo, não por métidos parlamentares populares, mas por uma elite que, como o oficial militar ou burocrata, seria caracterizada pela devoção ao dever e ao bem comum. Como ele declara, "o socialismo autoritário é por definição monarquista", pois "a posição mais responsável nesse organismo gigantesco não deve ser abandonada a corsários ambiciosos". Ainda que Spengler tenha saudado o movimento de Hitler como indicativo do renascimento da "vontade disciplinada" do Espírito prussiano, ele ignorou a questão judaica e criticava os Nacional-Socialistas por serem materialistas demais em suas discussões sobre raça. Ademais, ele acreditava que os Nacional-Socialistas haviam traído o elitismo prussiano que ele favorecia ao tornar a revolução em um movimento de massa,
("o demagogo vive com as massas como um deles; o líder nato pode usá-las, mas despreza-as")

Porém, Spengler parece ter ignorado o caráter elitista das SS de Hitler e de sua caracterização precisamente por aquela qualidade guerreira que Spengler buscava nos governantes do futuro ("exércitos, e não partidos, são a futura forma de poder"). De fato, a opinião de Spengler acerca do nacionalismo, "junto com a idéia monárquica latenta nele" como uma transição ao cesarismo que ele visualizava como o resultado final da degeneração da idade moderna também é confirmada pela história do movimento nacional-socialista, que, até hoje, crê que o esforço de Hitler foi apenas um início em uma batlha perpétua pelo estabelecimento da hegemonia da visão-de-mundo germânica sobre a judaica - seja capitalista ou comunista.

Nós teremos notado que o socialismo alemão dos dois penasdores que nós consideramos é essencialmente uma idéia moral baseada no caráter disciplinado da raça alemã. Ambos pensadores, ademais, estão juntos em seu desprezo pelo judeu cujo principal representante político moderno, Marx, é responsável pela perversão do sentimento germânico de justiça social baseado na cooperação mútia em uma guerra anti-natiral entre as diversas classes da mesma nação, para o benefício de uma organização internacional. O antissemitismo de Sombart é mais exclusivamente econômico e, por essa razão, considera a reorganização institucional como suficiente para a eliminação da influência econômica judaica sobre a sociedade. O reconhecimento de Spengler da irreconciliabilidade do ethos judaico com o alemão a um nível espiritual ao mesmo tempo em que ele rejeita o racialismo biológico é uma contradição que o leva a crer que uma vez que europeus e americanos tenham alcançado um certo domínio independente da nova civilização urbana da idade moderna o conhecimento financeiro judaico terá se tornado supérfluo e os judeus desaparecerão como força a ser reconhecida:

"Hoje essa nação magiana, com seu gueto e sua religião, está ela própria em perigo e desaparecendo - não porque a metafísica das duas culturas aproxima-se uma da outra (pois isto é impossível), mas porque o estrato superior intelectualizado de cada lado está deixando completamente de ser metafísico. A liderança que essa nação experimentou em seu longo hábito de pensar em termos econômicos diminui cada vez mais (vis-a-vis a americana, ela já quase desapareceu), e com a perda de sua vontade também se vai o último meio potente de manter um consenso que se fragmentou em partes".

Os fatos políticos e sociais do mundo pós-guerra provaram Spengler tragicamente errado em sua subestimação do poder pervasivo e tenaz da judiaria tanto entre as nações hospedeiras como agora em seu novo lar no Oriente Médio. Esse poder é devido precisamente ao sucesso que a mentalidade judaica teve em erodir a finesse metafísica da mente europeia ao nível materialista e racionalista da primeira. O perigo do marxismo é que, como a raça judaica da qual ele nasceu, ele é virulentamente oposto a culturas nacionais e ao ordenamento natural, hierárquico, e autárquico da sociedade europeia. Dificilmente é surpreendente que esses traços anti-nacionalistas persistam na sociedade europeia hoje, senão sob o disfarce do comunismo como na primeira parte desse século, ainda sob a democracia liberal, pois os judeus são capazes através deste segundo sistema, ainda mais livremente do que no comunismo, de continuar a promover corrupção intelectual e cultural, bem como a consequente insatisfação social, de tal modo a beneficiar e perpetuar a própria existência comercial estéril como potência internacional. O remédio para esse problema, deve-se perceber mais cedo ou mais tarde, está na reversão a versões mais autênticas do socialismo europeu do que aquelas apresentadas hoje e em combater a atomização e tendência fragmentadora do racionalismo materialista judaico que embebeu cada poro da sociedade europeia desde a emancipação do judaísmo, com a integridade moral, conservadorismo e criatividade espiritual orgânica as quais foram as únicas responsáveis pelas realizações culturais duradouras dos europeus e que, sozinhas, podem garantir sua sobrevivência no futuro.