quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Meio Ambiente, Imigração, e Redução Populacional

por Thomas Dalton



Com 308 milhões de pessoas, os EUA são atualmente a terceira nação mais populosa na Terra, atrás apenas da China (1.3 bilhões) e Índia (1.2 bilhões). Por volta de 2050, a Índia chegará ao primeiro lugar, com 1.6 bilhões - um crescimento de 37%. A política de controle de natalidade da China limitará seu crescimento a aproximadamente 8% (1.4 bilhões). A taxa de crescimento nos EUA, porém, ultrapassa ambos: Nós estamos projetados para alcançar 440 milhões, ou um crescimento de incríveis 43%. Essa, de longe, é a maior taxa de crescimento de qualquer nação ocidental industrializada.

Tamanho crescimento populacional, sob qualquer circunstância, causa uma variedade de problemas sociais e econômicos. Nos EUA, como sabemos, a situação é exacerbada pelo fato de que a maior parte de nosso crescimento se dará entre grupos não-brancos minoritários, primariamente hispânicos. Os números são notáveis: O crescimento de 43% equivale a 132 milhões de pessoas; dessas, 130 milhões serão minorias. A população branca crescerá apenas em 2 milhões, reduzindo-a a 46% do total em 2050. Assim nós podemos esperar que problemas com minorias crescerão em uma variedade de áreas: habitação, escolas, benefícios sociais, saúde, criminalidade, segurança, desigualdade econômica, e conflitos étnicos e raciais.

Mas uma área negligenciada de importância é verdadeiramente daltônica, e está é a do meio ambiente. Uso de recursos e energia, desenvolvimento, construção de estradas, áreas de cultivo e pastoreio ampliadas, deflorestamento, poluição e produção de lixo - nada disso leva em consideração a raça ou etnia que está consumindo. Apenas duas coisas importam: quantidade de pessoas, e o nível de consumo. E apenas levando em consideração esses critérios, nós já estamos encarando uma crise ecológica nesse país.

Medir o impacto ambientla é um prospecto a, mas consenso parece estar se formando ao redor do conceito de pegada ecológica como critério relevante. A idéia básica por trás disso é razoável: que os seres humanos, como consumidores e produtores, demandam o uso contínuo de certa porção da superfície do planeta, da qual retirar recursos e na qual depositar seus restos. Alguns recursos são renováveis, outros não. Alguns tipos de lixo deixam de existir rápido, outros levam milênios. Muitos de nossos recursos demandam uma área quantificável de terra: terra para plantar, pavimentar, pastorear, ou desenvolver de outros modos. E também nossos restos: nosso lixo demanda um espaço cada vez maior, emissões de gases estufa de todas as fontes podem demandar compensações em termos de vegetação (árvores ou outros tipos de cobertura vegetal). E a vegetação geralmente tem uma habilidade vital de destruir os vários poluentes e toxinas que nossa sociedade gera diariamente.

Em uma tentativa de formular uma medida padronizada, cientistas ambientais somaram a área terrestre de todo o nosso uso de recursos, mais a área terrestre necessária para todo nosso lixo e compensações para carbono. O resultado é, para cada nação, uma única medida de área - a pegada ecológica - que representa a quantidade de área necessária, por pessoa, para sustentar um certo padrão de vida.

Na parte mais baixa da escala, nações como Haiti e Bangladesh sobrevivem basicamente com aproximadamente 1 acre por pessoa. O grosso do Terceiro Mundo cnosome entre 2.5 e 8 acres, incluindo Índia (2.3) e China (5.3). A maior parte da Europa Ocidental vai de 10 a 15. E no topo da lista está os EUA, a quase 24 acres por pessoa. (Dois feudos petrolíferos, Emirados Árabes Unidos e Qatar, pontuam acima dos EUA, mas apenas por pouco.)

Naturalmente, há bastante de suposições e estimativas nesses números, e certamente eles estão sujeitos a debate. Mas eu não tenho dúvidas de que eles estejam direcionalmente corretos, e que a margem de erro esteja em um nível aceitável. Mas mesmo que eles estejam equivocados por 50% - isto é, se eles indicarem o dobro do nível de consumo real - eles apontam para algumas conclusões problemáticas para nosso país.



Considere, por exemplo, a pegada total dos EUA. Com mais de 300 milhões de pessoas consumindo em média 24 acres por pessoa, isso resulta em uma pegada total de 7.4 bilhões de acres. Por comparação, os EUA continentais (ou seja, excluindo o Alaska) possuem uma área territorial total de apenas 1.9 bilhões de acres - somente 1/4 de nosso uso total. Colocando de outro modo: Nossa pegada é 400% de nossa área continental, e ocupa mais do que 20% de todo o planeta.

Na verdade existe uma dupla explicação para nossa situação. Primeiro, nós estamos sobrecarregando a própria terra. O cálculo supracitado da pegada ecológica para os EUA indica que é possível usar mais do que 100% da terra. Isso ocorre, essencialmente, esgotando-se o "capital natural" da biosfera, o que ocorre através de ações como deflorestamento, perda de solo arável, e uso excessivo de água da superfície. Segundo a maior parte das indicações, a humanidade como um todo está sobrecarregando o planeta em 30-40% - uma condição que, se verdadeira, claramente não pode continuar indefinidamente. Mas o segundo e mais importante fator para os EUA é uma situação por meio da qual nós somos capazes, através da globalização e do comércio internacional, de consumir o equivalente à área terrestre de recursos de outras nações - sob a forma de produtos agrícolas importados, bens manufaturados, produtos químicos, roupas, maquinaria, veículos, e combustíveis fósseis.

Tanto por razões de justiça social e sustentabilidade ecológica, o mundo do futuro terá que viver dentro de suas possibilidades. Em um sentido prático isso significa três coisas: reduzir o consumo total (global) a níveis sustentáveis, reduzir o consumo per capita (considerando a suposição da ONU de que a população crescerá), e, mais criticamente, viver dentro das capacidades da área terrestre de cada nação.

Então para os EUA, o cálculo é bastante direto. Com 1.9 bilhões de acres de terra, nós podemos suportar no máximo (1.9 bilhões/24 acres) 80 milhões de pessoas sustentavelmente. Compare isso à população atual de 308 milhões que está rapidamente se dirigindo a maias de 400 milhões. Assim, nós devemos contemplar uma redução de 75% ao invés seguir na direção de um crescimento de 40%. (Isso, é claro, assume um nível fixo de consumo; se nós estivéssemos dispostos a cortar nossa pegada pela metade, nós poderíamos nos limitar a um corte de apenas 50% da população, para algo como 150 milhões de pessoas.)

Mas a situação é pior do que isso. Autêntica sustentabilidade a longo prazo demanda que uma grande porção de terra seja separada para natureza selvagem, não utilizada e inexplorada, de modo a manter a viabilidade geral do ecossistema. Quanto separar é uma questão difícil, especialmente considerando a ampla variabilidade e sensibilidade de diferentes ecossistemas, e a falta de consenso sobre a medição apropriada. Estimativas mínimas parecem girar em torno de 20-25%, e na pior das hipóteses, alguns defendem 50% ou mais, especialmente nas regiões mais biodiversas. Se, no pior dos cenários, nos for permitido usar apenas ao redor de 1 bilhão de acres de terra, os níveis de consumo atuais sustentarão apenas 40 milhões de pessoas - uma redução de 87%.

Francamente, estes são números assustadores. E como eu mencionei acima, mesmo que os valores das pegadas estejam significativamente equivocados - se, por exemplo, nós estivermos consumindo a uma taxa de apenas 10 ou 12 acres por pessoa - então a população sustentável a longo prazo volta a ser de 80-100 milhões. Assim não há como sair pela tangente sofísticamente no que concerne a esse problema simplesmente afirmando exageros por parte de ambientalistas malucos. Claramente atitudes mais drásticas são necessárias.

Considerando a não-sustentabilidade radical de nossa presenta situação, nós precisamos abordar imediatamente tanto o nível de consumo e a questão populacional simultaneamente. Do lado do consumo, nós precisamos claramente nos tornar mais eficientes, menos esbanjadores, e consumir menos. Os americanos como um todo desperdiçam uma quantidade tremenda de energia e recursos, e isso ajuda pouco ou nada em nosso padrão de vida. A Alemanha, por exemplo, possui uma qualidade de vida igual ou superior, e a consegue com uma pegada de apenas 11 acres por pessoa - menos da metade da nossa. Um nível comparável para os EUA é claramente alcançavel, especialmente ao longo de algumas décadas. Mas isso não vai ocorrer sem a superação da oposição feroz de certos interesses.

A outra metade da equação é ainda mais difícil e contenciosa. Abordar a questão espinhosa do controle populacional, quanto mais de redução populacional, só é um pouco menos controverso do que negar o Holocausto. E na verdade qualquer tentativa de discutir redução populacional em larga escala invariavelmente leva a piadas sobre câmaras de gás e crematórios. Mas a situação demanda uma discussão racional, e aqui estão alguns primeiros passos.



Um: Um fim imediato a toda imigração. O mito da América como a "terra dos livres e lar dos bravos", para a maioria dos imigrantes, não faz sentido algum. Os imigrantes não vem para cá porque eles "amam nossas liberdades". Eles vem primariamente por uma razão: para ganhar dinheiro, e melhorar seu padrão de vida. Mas cada novo imigrante - seja um mexicano empobrecido ou um asiático educado - contribui diretamente para um ecossistema já sobrecarregado. Nem nossa nação ou o planeta podem aguentar mais americanos.
Dois: Deportação de todos os imigrantes ilegais, e fim do privilégio do "green card". Dada a urgência, cada pessoa ilegal aqui deveria ser presa e deportada. O sistema do green card deve ser terminado, e aqueles que atualmente o possuem devem se sujeitar a uma expiração acelerada sem renovação.

Três: Pagar pessoas para ir embora. Se alguém quiser ir embora permanentemente dos EUA, o governo deve pagar todos os custos da mudança, e talvez jogar um pequeno incentivo financeiro também. Isso obviamente não faz nada pelo problema da população global, mas ajuda o problema de consumo total; o fato permanece de que qualquer pessoa vivendo fora dos EUA consumirá, em média, muito menos.

Quarto: Pressão total no planejamento familiar e nas opções contraceptivas. Acesso gratuito ou a baixo custo a camisinhas, pílulas do dia seguinte, programas educacionais, e até abortos, deveriam ser considerados.

Quinto: Um fim para todos os incentivos tributários à natalidade. As leis tributárias atuais permitem isenções para todas as crianças, independentemente do número. Elas devem ser revisadas para permitir isenção apenas para o primeiro filho, e aumentar os desincentivos a partir do segundo.

Se essas não forem suficientes, opções mais radicais estão à disposição:

Seis: Esterilização custeada pelo Governo. Certamente alguma percentagem da população americana vai querer ser esterilizada se isso for grátis. Mais radical ainda seria dar incentivos monetários para a esterilização. Imagine se o governo oferecesse $5.000 para cada adulto sem filhos que quisesse ser esterilizado - e imagine os protestos! Mas não pode haver qualquer reclamação, desde que não haja coerção e o programa seja completamente voluntário. Sim, as classes mais baixas são mais prováveis de participar; isso talvez seja infeliz, mas já que nós aceitamos desigualdades financeiras extremas em nosso país, nós temos que aceitar as consequências. (Na pior das hipóteses, isso compensaria as taxas de natalidade mais altas das populações de imigrantes pobres.)

Sete: Licenças de natalidade ou "créditos". Essa é uma versão capitalista da política chinesa. Kenneth Boulding e Herman Daly, entre outros, propuseram um sistema que dá a cada mulher um certo número de créditos, os quais permitem a ela ter apenas um filho legal. Se ela quiser dois ou mais, ela deve comprar os créditos de outras mulheres que queiram vender os seus. Um mercado nacional determinaria o preço, e mulheres sem filhos claramente lucrariam. Isso talvez seja um método insensível, mas o sistema atual é excessivamente cruel a seu modo - uma peste humana sem controle devorando o planeta.

Sem dúvida muitos leitores considerarão programas de esterilização ou créditos natais como absurdos e impossíveis. A isso oferece duas respostas: (1) nós obviamente começaríamos pelas abordagens menos radicais primeiro, e apenas contemplaríamos ações mais extremas caso necessário; e (2) temos opções melhores? Continuar tudo do mesmo jeito não é uma opção racional. Isso apenas convidaria à catástrofe como meio de reduzir nossa população - o que certamente ocorrerá se não fizermos nada. Os números humanos vão diminuir; nós podemos planejar racionalmente uma redução suave, ou simplesmente esperar uma Mãe Natureza impiedosa nos esmagar.

As ações acima, abordando população e consumo simultaneamente, sem dúvida terão impacto substancial. O efeito real obviamente dependerá da velocidade de implementação. A situação é cada vez pior, mas parece haver tempo suficiente para que essas ações funcionem. Consumo reduzido e eficiências cada vez maiores podem ocorrer de modo razoavelmente rápido, mas ninguém está propondo reduções populacionais de 50% ou 75% em uma década.

De modo mais realista, eu proporia algo na ordem de um plano de 50 anos para alcançar os objetivos acima. Se, ao longo das próximas cinco décadas, nós pudermos reduzir tanto nossa pegada como nossa população por apenas 2% ao ano, nós chegaremos a 2060 com 110 milhões de pessoas, consumindo a um nível de 8.7 acres por pessoa - uma pegada sustentável de 1 bilhão de acres no total. Reduções anuais de 2% são facilmente alcançáveis, e mal causariam qualquer impressão nas consciências públicas.
Há bastante flexibilidade nos números, é claro. Se nós fôssemos capazes de conseguir, digamos, apenas reduções de 1% por ano em média, o processo ainda funcionaria - mais isso levaria 100 anos para alcançar sustentabilidade. Compensações entre população e consumo também são possívels. Se nós pudéssemos, por exemplo, reduzir a população a 3% ao ano, então o consumo só precisaria cair 0,5% anualmente; ou vice-versa.

E finalmente, crítico a qualquer esquema de redução populacional é uma implementação equitativa e proporcional. Não seria válido, por exemplo, que uma classe ou etnia voluntariamente adotasse políticas de baixo crescimento ou de crescimento negativo enquanto outras as ignorassem com impunidade. Deve haver uma política mínima de monitoramento e, particularmente para sistemas de penalidades tributárias ou créditos natais, aplicação equitativa.

A cada ano que esperamos as coisas ficam piores: população crescente, consumo per capita crescente, e um ecossistema global próximo da exaustão. Com uma população sustentável na América, nós poderíamos nos alimentar, gerar toda a nossa própria energia (pense nisso - sem mais guerras por petróleo!), e manter vastas áreas de natureza selvagem. Isso é realmente alcançável. É apenas uma questão de vontade. Mas a discussão deve começar agora.


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