quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Nacional-Bolchevismo Russo

“A causa do povo é a causa da nação, e a causa da nação deve ser a causa do povo” - Lenin

por Christian Bouchet

Se há disponível agora na França um número de trabalhos satisfatórios de referência que nos permite compreender bem o nacional-bolchevismo alemão, isso é não é o caso para um nacional-bolchevismo russo, a existência da qual nós estamos simplesmente descobrindo. Assim o trabalho de Mikhail Agusrky, embora hostil, é uma importante fonte de informação e de razões para meditar, ainda de ter esperanças.

A tese do autor, inspirada por reflexões de Ortega y Gasset em A Revolta das Massas, é que os componentes marxistas e socialistas do bolchevismo russo são somente “camuflagens históricas” para um processo realmente mais profundo geopolítica e historicamente. Para Agusrky, Lenin praticou uma linguagem dupla, ortodoxa marxista em suas escrituras, que deveriam somente ser consideradas como trabalhos de “relações públicas”, ele se colocou a si mesmo de fato na linha de Aleksandr Herzen, quem rejeitou o Ocidente e quem promoveu uma invasão da Europa Ocidental pelos eslavos. Desde o começo do século, Lenin e os bolcheviques teriam atribuído o objetivo para eles mesmos de dar a liderança da revolução mundial para a Rússia e para os russos. Nesse ponto de vista, o nacional-bolchevismo seria a ideologia nacionalista russa que faria o sistema da política soviética legitimar do ponto de vista nacionalista e não do ponto de vista marxista. O nacional-bolchevismo faria assim uma tentativa para a dominação mundial de um Império Russo cimentado pela ideologia comunista.

Examinando um período que estende de 1870 à Novembro de 1927 (data do triunfo de Stálin no 15º congresso do partido comunista), o livro de Agursky cobre sucessivamente diferentes faces do nacional-bolchevismo russo: a contribuição para ele por partidos revolucionários não-marxistas, suas relações com os proto-fascistas da União do Povo Russo, a facção ultra-bolchevique “Frente 1”, a influência futurista, a importância dos intelectuais judeus no nacional-bolchevismo, e o Smenovexismo.

A Herança Não-Marxista dos Nacional-Bolcheviques

Agursky vê no nacional-bolchevismo russo o resultado de um número certo de influências não-marxistas.

Isso do Aleksandr Herzen que figura que o socialismo russo beneficiaria do pan-eslavismo e que a Rússia foi uma nação jovem, em melhor saúde que o Ocidente, do qual o futuro foi criar um Império “que conteria o Reno, iria para a Bosphore e para o outro lado extenderia ao Pacífico”. Isso de Mikhail-Bakunin, anarquista com uma base nacionalista que fez de si mesmo o apoiador de Nikolai Muraviev-Amursky,governador da Sibéria que conquistou uma parte dos territórios do Extremo Leste com o consentimento do governo, e quem descobriu que os eslavos deveriam ter um interesse nacional na revolução. Isso do prussiano Ferdinand Lassalle, do qual o socialismo misturou com um nacionalismo muito forte e um estatismo não menos poderoso. Dos populistas, principalmente depois da revolução quando membros numerosos do Partido Socialista Revolucionário uniram-se aos bolcheviques, como o SR foi tradicionalmente oposto ao Ocidente capitalista, messianistas, acreditou que o povo russo criaria sua própria forma de socialismo que seria a vanguarda de toda a humanidade.

Bandeiras Vermelhas e Centenas Negras


A União do Povo Russo, conhecida também sob nomes de Centenas Negras, representa uma forma do proto-fascismo russo. Um movimento pró-Alemanha, anti-Inglês, e anti-Yankee, temendo a expansão dos povos amarelos, condenou com força o capitalismo, o parlamentarismo, e o liberalismo, e previu uma violenta revolução anti-Romanov. Sua base militante foi formada pela maior parte de trabalhadores industriários. Contrariamente à opinião decorrente, esse grupo não estava em oposição violenta aos comunistas russos, mas em concorrência e uma certa admiração existiu em parte deles, dirigindo-os para alianças temporárias e criando passagens de militantes de um campo para o outro.

Plexanov estimou que a fileira do URP foi 80% feito por proletários e que eles “se tornariam participantes ardentes do movimento revolucionário”, Peter Struve afirmou que o URP foi um partido socialista revolucionário, no congresso do Partido Social Democrata de 1907, Pokrovsky, que se encontrará na fração extremista bolchevique “Frente 1”, insistiu nos lados positivos da URP. Lenin foi primeiramente reticente nessas posições, e que foi convencido da boa base por Maksim Gorky, quem teve correspondência com os Centenas Negras desde 1905.

No lado da URP, isso levou á numerosas mudanças na estratégia para os futuros comunistas para trazer a destruição dos liberais. Para um dos líderes dos Centenas Negras, Apollon Maikov, eles “perseguiram os mesmos objetivos como os revolucionários, que é dizer do melhoramento das condições de vida, um objetivo que coincide de certa forma com o ensinamento dos anarquistas sociais...Os constitucionalistas chamam os revolucionários armados de ‘revolucionários de esquerda’, e os Centenas Negras de ‘revolucionários de direita’. Do ponto de vista deles essa definição tem uma certa legitimação...porque nós todos pensamos que a forma constitucional de governo traz a dominação total do capital, e nessas condições quando o poder estiver excessivamente na mão dos capitalistas, quem apenas manterá por sua própria vantagem para oprimir e explorar a população”. Outro líder do URP, Viktor Sokolov, acusou a burocracia reinante de desejar incitar os membros “à lutar contra os elementos revolucionários, e assim enfraquecer os dois partidos nessa luta”.

Começando na marcha de 1917, mais de 3000 membros do URP (ao mesmo tempo os bolcheviques foram somente 10000), começaram a unir-se ao Partido Bolchevique ou a trabalhar por ele depois da revolução. Assim se vê os jornais dos Centenas Negras chamando pela ditadura do proletariado, a cabeça dos estudantes da URP em Kiev, Yuri Piatakov, se tornando responsável pelos soviets ou trabalhando em Cheka (antiga KGB), enquanto numerosos outros se tornaram membros da Igreja Ortodoxa leal ao regime (a cabeça do URP de Tiflis se tornou também o metropolitano Varfolomei e morreu de causas naturais, aos 90 anos de idade, em 1956).

A Facção “Frente!”

Uma facção interna e externa do Partido Bolchevique, finalmente reintegrado adentro, “Frente” agruparam juntos quase totalmente os intelectuais bolcheviques (Makism Gorky foi um dos maiores partidários) e tiveram uma influência assombrosa na sociedade soviética sob Lenin e depois de sua morte.


A maioria dos líderes do “Frente” prosperaram sob Stálin e ninguém deles teve de sofrer punições. Se considera eles como teóricos do bolchevismo nacional e totalitário. Se muitas de suas idéias são interessantes neles mereceriam desenvolvimentos (a concepção faustiana da vida, acredita na criação de uma super-humanidade, democracia totalitária valorando o grupo e negando o individualismo) elas nos interessam principalmente porque têm contribuído muito para o desenvolvimento do nacional-bolchevismo da Rússia, primeiramente pela deificação do povo russo que nasceu de um movimento semi-religioso “Os Construtores de Deus”, seguidos por uma rejeição absoluta do Ocidente. Nesse ponto eles afirmam que a Rússia foi, depois da revolução, uma colônia do Ocidente, que suas tradições revolucionárias foram puramente russas e que a revolução de 1917 teve um elemento tradicional. Finalmente foram os membros do “Frente” quem foram à origem do Prolecult (cultura proletária) afirmando que o povo é somente criador de cultura e que a individualidade depravada deve ser eliminada.

O Nacionalismo dos Futuristas


Os futuristas russos vagueiam em sua totalidade no campo dos intelectuais soviéticos para os quais eles trouxeram um sólido nacionalismo desenvolvido de sua aparência bem antes da guerra. Insistindo na pureza de linguagem, eles popuseram a exclusão de termos de origem estrangeira do vocabulário russo. Intelectuais favorecidos, eles viajaram portanto “para o Ocidente” do qual eles muito deixaram reações citando sua decadência e sua fraqueza, oposta à jovialidade e força do Leste Russo, afirmando que “A luz do Leste não é somente a liberação dos trabalhadores. A luz do Leste é uma nova atitude para o homem, mulher, e coisas”, ou escrevendo “Eu mujo como um touro, sendo sortudo de que minha terra maternal – minha mãe – é a terra russa, a terra russa, a terra russa. Eu não conheço um êxtase mais profundo que ser russo. Eu não conheço sensações mais profundas do que ser russo, um verdadeiro russo”.

Um Nacional-Bolchevismo Judeu

Um dos muitos pontos surpreendentes do nacional-bolchevismo russo dos anos 20 é a importância nas suas fileiras de intelectuais de origem judaica tendo por grande parte cruzado uma fase mística. Para esses, a revolução significou um messianismo e os permitiu afirmar o amor da pátria russa sem serem rejeitados pelo anti-semitismo na sociedade russa.

Esses intelectuais judeus organizaram tanto na emigração na qual eles participaram em Smenovexista decorrente, ou na própria Rússia, onde, apesar de sua heterodoxia, alguns em especial ocuparam posições importantes. Se Ilya Ehrenburg, conhecido por seus artigos e difusões radialistas ultranacionalistas depois de 1941, não teve extraordinariamente originalidade conceitual, não se pode dizer o mesmo para dois dos principais teóricos judeus do nacional-bolchevismo: Isai Lezhnev e Vladimir Tan-Bogoraz.

O primeiro, ainda que oposto aos comunistas durante a revolução de 1917, foi um dos favoritos de Stalin, responsável por suas páginas literárias de Pravda e um dos principais críticos literários da União Soviética. Influenciado por Nietzsche, Shestov, e Hegel, ele rejeitou valores tradicionais, lei, ideologia, e somente reconheceu como critério o “Espírito do povo russo”, acreditando que isso carregou uma dimensão imperial: “O imperialismo russo (de oceano à oceano), o messianismo russo, o bolchevismo russo (em um nível global) estão todos marchando para uma mesma direção”.

Vladimir Tan-Bogoraz, vindo de uma via mais radical do movimento populista, se tornou o diretor do Instituto de Religiões. Violentamente anti-cristão, ele mostrou uma certa preferência ao islamismo, vendo no Deus do Antigo Testamente um populista-terrorista e suas escrituras ressentem uma influência cabalística. Se auto-afirmando orgulhoso de ser acusado de nacional-bolchevique, ele viu no reino de Pedro o Grande um exemplo para um novo regime e demonstrou um anti-Ocidentalismo muito forte.

Smenovexismo, Um Nacional-Bolchevismo em Emigração

Mas o mais puro e mais interessante nacional-bolchevismo nasceu nas fileiras da emigração branca. Em Outubro de 1920, Nikolai Ustrialov, fez referência ao nacional-bolchevismo alemão e confidenciou em seus amigos suas decisões em proclamar uma versão russa de tal.

Ensinando na Universidade de Moscou, Ustrialov se tornou conhecido em 1916 por colaborar com o jornal <> (“Problemas da Grande Rússia) e por defender no expansionismo russo um Estado forte. No mesmo ano ele deu conferências aos eslavófilos, em que ele afirmou que a Rússia teve uma missão global. Um membro ativo do Partido Kadet, ele testemunhou com satisfação a caída do Czarismo, e colaborou no diário <> (“Amanhecer da Rússia”) em que ele afirmou que a Revolução Bolchevique foi realmente autenticamente russa, assim como ele criticou a orientação da política exterior dos Bolcheviques. No verão de 1928, ele teve de fugir de Moscou e se uniu à zona mantida pelos brancos armados. Um refúgio as vezes em Omsk, ele terminou emigrando para a China em Harbin, de onde criticou as forças contra-revolucionárias muito unidas por ele para interesses estrangeiros...Em Novembro de 1920, Ustrialov, com três poetas exilados, quem mais trade se torna celebrado como escritor soviético, fundou a revista <> (“Janela”). Sua influência foi imediatamente muito grande em emigração, algumas conferências nacional-bolcheviques foeam mantidas em Paris, um boletim Smena Vex apareceu em Praga, um diário “Nakanun” (“Na Véspera De”) foi publicado em Berlim e um grupo militante muito importante apareceu na Bulgária (seu cabeça foi mais tarde assassinado pelos brancos). Na Rússia ainda, o smenovexismo não passou desapercebido, Lenin imaginou um retorno triunfal de Ustrialov para Moscou (de fato que não aconteceu, mas muitos de seus partidários retornaram à Rússia), tiveram artigos de Smena Vex publicados em Pravda, financiado Nakanun secretamente, e evocado favoravelmente a existência desta decorrente no 11º Congresso do Partido Comunista em Março de 1922. Depois da morte de Lenin, os Smenovexistas, que sustentaram os ataques de Kamenev, Buxarin, e Trotsky, foram defendidos por Stalin pessoalmente, como se diz que ele apreciava-os bastante. É dito que durante sua expulsão da URSS, Trotsky chorou, “É a vitória de Ustrialov!”. De um ponto de vista teórico, Ustrialov, quem pensou em termos de medidas do poder afirmou que “somente um Estado fisicamente poderoso pode possuir uma grande cultura. O pequeno pode, por natureza, prover sua elegância, honra, ainda heroísmo, mas eles são organicamente incapazes de grandiosidade; isso requere um grande estilo, uma proteção em grande unidade de pensamento e ação”. Ele considerava também que:

O governo soviético forçará por seus próprios significados a reunificação dos territórios periféricos com o Centro, em nome da Revolução Global. Os patriotas russos lutarão para conseguir o mesmo objetivo em nome da indivisível e Grande Rússia. Apesar das diferenças ideológicas, eles todos seguiram praticamente o mesmo caminho.

Enquanto um de seus discípulos, o poeta Vladimir Xolodkovsky, chorou, “A URSS não é somente um Estado do desenvolvimento da Rússia como uma entidade etno-geográfica, é um ponto desviado na evolução da nacionalidade na humanidade. Se Moscou de Kalita foi capaz de trazer a terra russa para o grande império pela glória e opressão, Moscou Soviética começou a trazer junto a terra para um Império de trabalhadores e de liberdade”.

O Nacional-Bolchevismo Russo Desde 1927

Apesar das 500 páginas, o trabalho de Agursky deixa-nos em um certo senso deficiente. Ele falha em providenciar-nos com uma análise do estalinismo triunfante, da “Grande Patriota Guerra”, ainda da evolução da opinião da emigração.

Ao mesmo tempo, a situação decorrente ou contemporânea permanece explorada.

Qual genealogia ideológica pode traçar os dissidentes nacional-bolcheviques do início dos anos 1970? Se estes são os membros do grupo Fetisov (em nome de AA Fetisov que sair do CP, a fim de protestar contra a desestalinização) afirmam que "o leninismo tem incomparavelmente mais em comum com a ortodoxia russa e eslavofilia do que com o marxismo e catolicismo" e que "apenas uma união da Rússia ortodoxa com o leninismo pode produzir essa visão do mundo ideal para o povo russo que irá criar uma síntese de toda a experiência das pessoas através dos séculos ". Ou é uma questão dos “ultras” de Gennadiy Shimanov, partidários da Terceira Roma que descobriram que o regime soviético foi somente uma organização política que foi capaz de se opor à “raiz democrática Ocidental”, e mobilizar o povo para um novo objetivo histórico: o Império. Ou é também, finalmente, a afiliação nacional-bolchevique dos líderes do decorrente Partido dos Bolcheviques da União Comunista, o Partido Comunista Russo, ou o Partido Comunista dos Trabalhadores Russos e alguns grupos políticos e jornais classificados no círculo “vermelho-marrom”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.