sexta-feira, 6 de abril de 2012

Benito Mussolini - A Doutrina do Fascismo

por Benito Mussolini


Como todas as concepções políticas saudáveis, o Fascismo é ação e pensamento; ação em que a doutrina é imanente, e a doutrina surge de um dado sistema de forças históricas em que está inserida, e trabalhando dela desde dentro[1]. Ele tem, então, uma forma correlacionada às contingências do tempo e espaço; mas tem também um conteúdo ideal, que faz dele uma expressão da verdade na mais alta região da história do pensamento[2]. Não existe nenhum modo de exercer uma influência espiritual no mundo, como uma vontade humana dominando a vontade de outros, a menos que tenha-se a concepção tanto da realidade transitória quanto da específica, em que a transitória habita e possui seu ser. Para conhecer os homens, deve-se conhecer o homem; e para conhecer o homem, deve-se estar familiarizado com a realidade e as suas leis. Não pode haver uma concepção de Estado que não seja fundamentalmente uma concepção de vida: filosofia ou intuição, sistema de idéias evoluindo dentro de um molde lógico, ou concentrado em uma visão ou crença, mas sempre, ao menos potencialmente, uma concepção orgânica do mundo.

Então, muitas das expresses práticas do Fascismo, como organização partidária, sistema de educação e disciplina, podem ser entendidas apenas quando consideradas em relação a uma atitude geral diante da vida. Uma atitude espiritual[3]. O Fascismo vê no mundo não somente aqueles aspectos materiais, superficiais, nos quais o homem aparece como um indivíduo, constante por si mesmo, auto-centrado, sujeito às leis naturais, que instintivamente o impulsionam em direção a uma vida de prazeres momentâneos egoístas; ele vê não somente o indivíduo, mas a nação e o país; indivíduos e gerações ligados por uma lei moral, com tradições em comum e uma missão de suprimir a vida instintiva em uma breve círculo de prazer, construindo uma vida superior, fundamentada no dever, uma vida livre das limitações do tempo e do espaço, em que o indivíduo, por sacrifício próprio, pela renúncia do próprio interesse, pela própria morte, possa conquistar a existência puramente espiritual em que consistem o seus valores como homem.

A concepção é então espiritual, surgindo da reação geral [deste] século, contra o positivismo materialista do Século XIX. Anti-positivista, mas positiva, nem cética e nem agnóstica; nem pessimista, nem supinamente otimista como são, falando de modo geral, as doutrinas (todas negativas) que colocam o centro da vida fora do homem; enquanto que, pelo exercício do seu livre arbítrio, o homem pode e deve criar o seu próprio mundo.

O Fascismo quer que o homem seja ativo e que se engaje nas ações com todas as suas energias; quer que ele esteja virilmente consciente das dificuldades que o afligem e pronto para enfrenta-las. Ele concebe a vida como uma luta em que se coloca o homem para ganhar, para si mesmo, um lugar realmente digno, primeiramente se adaptando (fisicamente, moralmente, intelectualmente) para se tornar o instrumento requerido para ganhá-lo. Tanto para o indivíduo, quanto a para a nação e também para a humanidade[4]. Também para o valor superior da cultura em todas as suas formas (artística, religiosa, científica)[5] e a saliente importância da educação. Disso também para o valor essencial do trabalho, pelo qual o homem subjuga a natureza e cria o mundo humano (econômico, político, ético e intelectual).

Essa concepção positiva da vida é obviamente ética. Ela investe a totalidade dos campos da realidade, assim como as atividades humanas, e as domina. Nenhuma ação está isenta de julgamento moral; nenhuma atividade pode ser despojada do valor que os princípios morais conferem à todas as coisas. Deste modo, a vida, como concebida pelo Fascista, é séria, austera e religiosa; todas as manifestações pairam sobre um mundo sustentado por forças morais e sujeitas a responsabilidades espirituais. O Fascista desdenha uma vida “fácil”[6].

A concepção Fascista da vida é religiosa[7], em que o homem é visto na sua relação imanente com uma lei superior, dotada de uma vontade objetiva que transcende o individual e o eleva a uma filiação consciente de uma sociedade espiritual. Aqueles que não percebem nada além de considerações oportunistas na política religiosa do regime Fascista, falham em entender que o Fascismo não é apenas um sistema de governo, mas também e, acima de tudo, um sistema de pensamento”.

Na concepção Fascista da história, o homem é homem apenas em virtude do processo espiritual em que ele contribui como membro da família, do grupo social, da nação e em função da história em que todas as nações trazem a sua contribuição. Por isso, o grande valor da tradição nas memórias, na linguá, nos costumes e nas regras da vida social[8]. Fora da história o homem é uma não-entidade. O Fascismo é, pois, contrário à toda abstração materialista baseada no materialismo do Século XVIII; e é contrário à todas utopias e inovações Jacobinas. Ele não acredita na possibilidade de “felicidade” terrena concebida pela literatura economicista do Século XVIII, e, deste modo, ele rejeita noção teológica de que em algum ponto no futuro, a família humana assegurará um ajuste definitivo para todas as suas dificuldades. Esta noção corre contra a experiência que ensina que a vida é um fluxo contínuo e em processo de evolução. Na política, o Fascismo visa o realismo; na prática, ele deseja lidar apenas com aqueles problemas que são produtos espontâneos das condições históricas e que acham ou sugerem suas próprias soluções[9]. Somente entrando no processo da realidade e tomando posse das forças que trabalham dentro dela, pode um homem agir no homem e na natureza[10].

Anti-individualista, a concepção Fascista da vida sublinha a importância do Estado e aceita o indivíduo somente enquanto os seus interesses coincidam com aqueles do Estado, que luta pela consciência e pelo universal, a vontade do homem como ente histórico[11]. É contrário ao liberalismo clássico, que surgiu como reação ao absolutismo e exauriu sua função histórica no momento em que o Estado se tornou a expressão da consciência e da vontade do povo. O liberalismo negou o Estado em nome do indivíduo, o Fascismo o reassegura.

Os direitos do Estado expressam a verdadeira essência do indivíduo[12]. E se a liberdade para ele é uma característica de homens vivos e não de bonecos abstratos inventados pelo liberalismo individualista, então o Fascismo luta pela liberdade, e pela única liberdade digna de se possuir, a liberdade do Estado e do indivíduo dentro do Estado[13]. A concepção Fascista do Estado engloba tudo; fora dele nenhum valor espiritual ou humano pode existir, muito menos ter valor. Assim entendido, o Fascismo é totalitário, e o Estado Fascista, uma síntese e uma unidade que inclui todos os valores, interpreta, desenvolve e potencializa a totalidade da vida de um povo[14].

Nenhum indivíduo e nenhum grupo (partidos políticos, associações culturais, sindicatos, classes sociais) fora do Estado[15]. Portanto, o Fascismo é contrário ao Socialismo, ao qual a unidade dentro do Estado (que solidifica as classes dentro de uma única realidade ética e social) é desconhecida, e que vê na história nada além da luta de classes. Deste modo, o Fascismo é contrário ao sindicalismo como arma de classe. Mas quando trazido para dentro da órbita do Estado, o Fascismo reconhece as verdadeiras necessidades que deram origem ao socialismo e sindicalismo, dando a elas o peso correto dentro das associações ou sistema cooperativo, nos quais interesses divergentes são coordenados e harmonizados na unidade do Estado[16].

Agrupados de acordo com diversos interesses, indivíduos formam classes; eles formam sindicatos quando organizados de acordo com suas várias atividades econômicas; mas primeiro e mais importante, eles formam o Estado, que não é uma mera questão de números, de soma de indivíduos formando a maioria. Então, o Fascismo é contra essa forma de democracia, que equaciona uma nação em relação à maioria, rebaixando-a ao nível do maior número[17]; mas é a mais pura forma de democracia se a nação for considerada como ela deveria ser, do ponto de vista da qualidade ao invés da quantidade, como uma idéia, a mais poderosa por ser a mais ética, a mais coerente, a mais verdadeira, se expressando num povo como a vontade de poucos, senão, de fato, na de um, para no final se expressar na consciência e na vontade da massa, do grupo todo, etnicamente moldado por condições históricas e naturais, se tornando uma nação, avançando como uma consciência e uma vontade, junto de si mesmo, na mesma linha do desenvolvimento e da formação espiritual[18]. Não uma raça e nem uma região geográfica, mas um povo, perpetuando-se historicamente; uma multidão unificada por uma idéia e imbuída da vontade de viver, da vontade de poder, auto-consciência, personalidade[19].

Na medida em que estiver corporificada no Estado, essa personalidade superior se torna uma nação. Não é a nação que gera o Estado; este é um conceito naturalista antiquado que baseou a publicidade em favor dos governos nacionais do Século XIX. Na verdade, é o Estado que cria a Nação, conferindo-a vontade e, portanto, verdadeira vida para um povo informado da sua unidade moral.

O direito à independência nacional não surge da forma meramente literária e idealista de auto-consciência; menos ainda de uma situação inconsciente e menos passiva de facto, mas de uma vontade política ativa, consciente, que se expressa na ação e se faz pronta para provar os seus direitos. Ou seja, ela surge da existência, ao menos in fieri, de um Estado. De fato, é o Estado que, como a expressão da uma vontade ética universal, cria o direito à independência nacional[20].

Uma nação, como expressada no Estado, é uma entidade ética viva, apenas na medida em que é continua. Inatividade é morte. Portanto, o Estado não é apenas a Autoridade que governa e confere forma legal e espiritual aos valores da vontade individual, mas é também o Poder que faz com que sua vontade seja sentida e respeitada além das suas próprias fronteiras, proporcionando então a prova prática do caráter universal das decisões necessárias para garantir o seu desenvolvimento. Isso implica organização e expansão, potencial, senão efetiva. Assim, o Estado se equaciona para a vontade do homem, de quem o desenvolvimento não pode ser parado por obstáculos e pelo qual, atingindo a auto—expressão, demonstra sua infinidade[21].

O Estado Fascista, como a mais superior e mais ponderosa expressão de personalidade, é uma força, mas espiritual. Ele soma todas as manifestações da vida moral e intelectual do homem. Suas funções não podem então ser limitadas às de aplicar a lei e manter a paz, como acontece na doutrina liberal. Ele não é um mero aparato mecânico para definir a esfera em que o indivíduo possa exercer devidamente seus supostos direitos. O Estado Fascista é um padrão internamente aceito e uma regra de conduta, uma disciplina integral para a pessoa; ele permeia a vontade e também o intelecto. Ele significa um princípio que se torna o fundamento principal do homem membro da sociedade civilizada, indo ao fundo da sua personalidade; ele habita o coração do homem de ação e do pensador, do artista e do cientista: alma da alma[22].

Em resumo, o Fascismo não é apenas um provedor de leis e um fundador de instituições, mas um educador e um promotor da vida espiritual. Ele visa remodelar não apenas as formas de vida, mas também seu conteudo, o homem, seu caráter e sua fé. Para chegar a este propósito, ele aplica a disciplina e usa a autoridade, entrando na alma e governando com incontestável domínio. Portanto, ele escolheu como emblema as varas do Lictor, um símbolo de unidade, força e justiça.

Doutrina Política e Social

Quando, no agora distante Março de 1919, falando através das colunas do Popolo d’Italia, eu convoquei à Milão os os intervencionistas sobreviventes, que haviam intervido, e me seguido desde a fundação da ação revolucionário do Fascismo em janeiro de 1915, eu não tinha em mente nenhum programa doutrinário específico. A única doutrina que eu tinha experiência prática era aquela do socialismo, até o inverno de 1914, aproximadamente uma década. Minha experiência era tanto de um seguidor quanto de um líder, mas não era uma experiência doutrinária. Minha doutrina durante este período, era a doutrina da ação. Um doutrina uniforme, universalmente aceita do socialismo não havia existido até 1905, quando o movimento revisionista, encabeçaddo por Bernstein, surgiu na Alemanha, combatida pela formação, na gangorra das tendências, de um movimento revolucionário que, na Itália, nunca saiu das frases, enquanto que, no caso do socialismo russo, ele se tornou o prelúdio para o Bolchevismo.

Reformismo, revolucionismo, centrismo, o próprio eco desta terminologia está morto, enquanto que no grande rio do Fascismo, pode-se traçar correntes que tiveram a sua fonte em Sorel, Peguy, Lagardelle dos movimentos socialistas, e no grupo de sindicalistas italiano que, de 1904 até 1914, trouxeram novos tons no ambiente socialista italiano, previamente emasculado e intoxicado pela fornicação com o partido de Giolitti, um tom auscultado na Pagine Libere de Olivetti, Lupa de Orano, Divenirs Socials de Enrico Leone.

Quando a Guerra acabou em 1919, o Socialismo como doutrina já havia morrido; ele continuo existir apenas como um grunhido, especialmente na Italia, onde sua única chance residia na incitação de represálias contra os homens que haviam querido a guerra e que estavam para ser obrigados a pagar por ela.

O Popoli d’Italia se descrevia, na sua legenda, como o orgão diário dos combatentes e produtores. A palavra produtor já era a expressão de uma tendência mental. O Fascismo não era alimentado por uma doutrina previamente escrita em uma mesa; mas nasceu da necessidade de ação, era a ação, não era um partido, mas nos primeiros dois anos, um anti-partido e um movimento. O nome que eu dei à organização fixou o seu caráter.

Ainda, se alguem ainda se importar em ler as agora amassadas folhas de papel daqueles dias, que descrevem os encontro em que o Fasci di Combattimento italiano foi fundado, ele achará não uma doutrina, mas uma série de apontações, previsões, dicas que, quando libertadas da inevitavel matriz de contingências, eram pra se desenvolver, dentro de alguns anos, numa serie de posições doutrinárias que autorizariam o Fascismo a se tornar uma doutrina política diferente de todas as outras, passadas ou presentes.

“Se a burguesia – eu então disse – pensa que achou em nós a sua luz, seus condutores, ela está errada. Nós devemos ir em direção ao povo. Nós queremos que a classe trabalhadora se acostume com as responsabilidades da administração para que eles possam entender que não é fácil tocar um negócio. Nós lutaremos, prontos para ataques pelas costas, tanto tecnicamente quanto espiritualmente. Agora que a sucessão do regime está aberta, nós não podemos ser fracos de coração. Nós devemos avançar; se é para o regime atual ser substituído, nós devemos tomar o seu lugar. O direito de sucessão é nosso, porque nós incitamos o país a entrar em guerra e nós o levamos à vitória. As formas existentes de representação política não nos satisfazem; nós queremos representações diretas dos diversos interesses. Pode ser que se oponham a este programa, dizendo que eles implica a um retorno às corporações (corporazioni). Não importa! Eu então espero que esse assembléia aceite as reinvindicações econômicas trazidas pelo nacional-sindicalismo.”

Não é estranho que desde o primeiro dia, na Piazza San Sepolcro, a palavra “corporação” (corporazione) foi pronunciada, uma palavra que, enquanto a revolução progredia, era para expressar uma das criações legislativas e sociais básicas do regime?

Os anos que precederam a Marcha Sobre Roma cobrem um período em que a necessidade de ação impediu elebaroções doutrinárias cuidadosas. A luta estava acontecendo nas cidades e vilas.Haviam discussões mas... havia algo mais sagrado e mais importante…a morte…os Fascistas sabiam como morrer. Talvez faltasse uma doutrina completamente elaborada, dividida em capítulos e parágrafos anotados, mas ela foi substituída por algo muito mais decisivo, uma fé. Toodavia, se com a ajuda de livros, artigos, resoluções passadas no congresso, discursos de maior ou menor importância, qualquer uma devesse se preocupar em reviver a memória daqueles dias, ele acharia, partindo-se do princípio que ele saiba procurar e selecionar, que as fundações doutrinárias eram dadas enquanto a batalha ainda acontecia. De fato, foi durante esses anos que o pensamento Fascista se armou e se refinou e avançou com a sua organização. Foram discutidos os problemas do indivíduo e do Estado; os problemas da autoridade e da liberdade; políticos, sociais e mais especificamente, os problemas da nação; o conflito com as doutrinas liberais, democráticas, socialistas e Maçônicas e com aquelas do Partito Popolare, acontecia ao mesmo tempo que as expedições punitivas. Contudo, a ausência de um sistema formal foi usada por adversários dissimulados como um argumento para taxar o Fascismo como incapaz de elaborar uma doutrina, ao mesmo tempo em que essa doutrina estava sendo elaborada – não importa o quão tumultuosamente – primeiro, como no caso de com todas idéias novas, sob a aparência de violentas negações dogmáticas; então sob uma aparência mais positiva de teorias construtivas, subsequentemente incorporadas em 1926,1927 e 1928, nas leis e instituições do regime.

Agora o Fascismo é claramente definido não somente como um regime, mas como uma doutrina. Isso significa que o Fascismo, exercitando suas faculdades críticas em si mesmo e nos outros, estou, do seu próprio ponto-de-vista especial e julgou pelos seus próprios padrões, todos os problemas que afetam os interesses materiais e intelectuais que agora causam uma ansiedade tão grave nas nações do mundo, e está pronto para lidar com eles com suas próprias políticas.

Primeiro de tudo, no que diz respeito ao desenvolvimento futoro da humanidade, e bem distante de todas as considerações políticas atuais. Falando de modo geral, o Fascismo não acredita na possibilidade ou na utilidade da paz perpétua. Ele então descarta o pacifismo como uma máscara para uma renúncia insolente e covarde em contradição com o auto-sacrifício. Apenas a guerra canaliza todas as energias humanas para a sua máxima tensão e perpetua o selo da nobreza naqueles povos que têm a coragem de enfrenta-la. Todos os outros testes são substitutos que nunca colocam o homem face-a-face com si mesmo, diante da alternativa de vida ou morte.
Portanto, todas as doutrinas que postulam a paz a qualquer custo são incompatíveis com o Fascismo. Igualmente estrangeira ao Espírito do Fascismo, mesmo que aceita como útil em alcançar algumas situações políticas especiais, são as superestruturas internacionalistas ou de Liga que, como mostra a história, desabam pelo chão quando a coração das nações é profundamente mexido por considerações sentimentais, idealistas ou práticas. O Fascismo carrega essa atitude anti-pacifista para dentro da vida do indivíduo. “Eu não dou a mínima (me ne frego)”, o orgulhoso lema dos esquadrões de combate, escrito por um homem ferido nos seus curativos, não é apenas um ato de estoicismo filosófico, ele resume uma doutrina que não é meramente política: ela é a evidência de um espírito combativo que aceita todos os riscos. Ela significa um novo estilo de vida italiano. O Fascista aceita e ama a vida; ele rejeita e despreza o suicidio como covardia. A vida, como ele entende, significa dever, elevação, conquista; a vida deve ser sublime e completa, ela deve ser vivida para si, mas acima de tudo, para os outros, tanto de perto quanto de muito longe, presente e futuro.

A política demográfica do regime é consequência dessas premissas. O Fascista ama o seu vizinho, mas a palavra vizinho “não possui um conceito vago e inalcançável”. O amor que se tem pelo vizinho não exclui a necessidade da severidade educacional; ainda menos ele exclui a necessidade de diferenciação e hierarquia. O Fascismo não tem nada a ver com aceitações universair; como um membro da comunidade das nações, ele olha outros povos direto nos olhos; ele é vigilante e em guarda; ele observa os outros em todas as suas manifestações e nota qualquer mudança nos seus interesses; e ele não se deixa ser enganado por aparência mutáveis e falaciosas.

Tal concepção da vida faz do Fascismo a firme negação das doutrinas basilares do tais Marxismos científicos e socialistas, a doutrina do materialismo histórico que explicaria a história da humanidade em termos da luta de classe e por mudanças nos processos e instrumentos de produção, para excluir todo o resto.

Que a mudança da vida econômica – descoberta de materiais brutos, novos processos tecnicos, e invenções científicas – têm a sua importância, ninguém nega; mas que elas são suficientes para explicar a história humana, a ponto de excluir outros fatores, é absurdo. O Fascismo acredita, agora e sempre, na santidade e no heroísmo, isso é, em atos que nenhuma motivação econômica – remota ou imediata – existe. Tendo negado o materialismo histórico, que vê os homens como meros fantoches na superfície da história, aparecendo e desaparecendo na crista das ondas, enquanto que nas profundezas as verdadeiras forças diretivas se movem e trabalham, o Fascismo também nega o caráter imutavel e irreparável da luta de classes, que é o produto natural desta concepção econômica da história; acima de tudo, ele nega que a luta de classes seja o agente preponderante das transformações sociais.

Tendo então desferido um golpe nos dois pontos principais da sua doutrina, tudo o que resta é uma aspiração sentimental – velha como a própria humanidade – em direção às relações sociais, em que os sofrimentos e aflições dos populares mais humildes, serão aliviados. Mas aqui de novo o Fascismo rejeita a interpretação econômica da felicidade como algo a ser assegurado socialisticamente, quase automaticamente, num dado estágio da evolução econômica, onde a todos será assegurado o máximo conforto material. O Fascismo rejeita a concepção materialista de felicidade como uma possibilidade e a abandona para aqueles economistas de meados do Século XVIII. Isso significa que o Fascismo nega a equação: bem-estar = felicidade, que vê os homens como meros animais, contentes em serem alimentados e engordados, então os reduzindo a uma pura e simples existência vegetativa.

Depois do socialismo, o Fascismo testa as suas armas em todo o bloco das ideologias democráticas, e rejeito tanto as suas premissas, quanto suas aplicações práticas e implementos. O Fascismo nega que números, como tais, possam ser um fator determinante na sociedade humana; ele nega o direito dos números governarem por meios de consultas periódicas; ele afirma a irremediável, fértil e beneficiente diferença entre os homens, que não pode ser nivelada por nenhum aparato mecânico e extrínseco como o sufrágio universal. Regimes democráticos podem ser descritos como aqueles que, de tempo em tempo, o povo é iludido a crer que eles exercem a soberania, enquanto que o tempo todo a verdadeira soberanía reside em e é exercida por outros e, algumas vezes, por forças secretas e irresponsáveis. A democracia é um regime sem-Reis infestado por muitos reis que algumas vezes são mais exclusivos, tiranos e destrutivos que im, mesmo se ele for um tirano. Isso explica porque o Fascismo – apesar de, por razões de contingências, ter tido uma tendência republicana antes de 1922 – abandonou este pensamento antes de Marcha Sobre Roma, convencido de que a forma de governo não era mais uma matéria de grande importância, e porque o estudo de monarquias passadas e atuais e repúblicas passadas e atuais, mostram que nem a monarquia e nem a república podem ser julgadas sup especie aeternitatis, mas que cada uma significa uma forma de governo que expressa a evolução política, a história, as tradições e a psicología de um dado país.

O Fascismo ultrapassou o dilema: Monarquia x República, com o qual os regimes democráticos flertaram por muito tempo, atribuindo todas as insuficiências ao primeiro e colocando o último como um regime de perfeição, enquanto que a experiência mostra que algumas repúblicas são inerentemente reacionárias e absolutistas e algumas monarquias aceitam os mais desafiadores experimentos políticos e sociais.

Em uma de suas meditações filosóficas, Renan – que tinha instuições prefascistas observa, “A razão e a ciência são os produtos da humanidade, mas é quimérico procurar razão diretamente para o povo e pelo povo. Não é essêncial para a existência da razão que todas estejam familiarizados com ela; e mesmo que todos tivessem que ser iniciados, isso não poderia ser conseguido através da democracia, que parece destinada a levar à extinção de todas as formas árduas de cultura e todas as formar superiores de aprendizado. A máxima que [diz] que a sociedade existe apenas para o bem estar e liberdade dos indivíduos que a compõe, não parece estar em conformidade com os planos da natureza, que se preocupa apenas com a espécie e parece pronta para sacrificar o indivíduo. É muito preocupante que a última palavra da democracia então entendida (e deixa-me antecipar e adcionar que ela é suscetível de diferentes interpretações) seria uma forma de sociedade em que uma massa degenerada não teria nenhum pensamento além de desfrutar os ignóbeis prazeres do vulgar.”

Em rejeitar a democracia, o Fascismo rejeita a absurda mentira convencional do igualitarismo político, o hábito da irresponsabilidade coletiva, o mito de felicidade e do progresso indefinidos. Mas se a democracia for entendida como um regime em que as massas não são empurradas de volta para as margens do Estado, então o autor dessas páginas já definiu o Fascismo como uma democracia organizada, centralizada e autoritária.

O Fascismo é difinitiva e absolutamente contrário às doutrinas do liberalismo, tanto na esfera política quanto na econômica. A importância do liberalismo do Século XIX não deveria ser exagerada por propósitos polemicos hodiernos, nem devemos fazer de alguma das muitas doutrinas que floresceram naquele século, uma religião para a humanidade no presente e por todo o tempo por vir. O liberalismo verdadeiramente floresceu por apenas quinze anos. Ele cresceu em 1830 como reação à Sagrada Aliança, que tentou forçar a Europa a retroceder para antes de 1789; ele atingiu o seu ápice em 1848 quando até mesmo Pio IX era um liberal. O seu declínio começou imediatamente após aquele ano. Se 1848 foi um ano de luz e poesia, 1849 foi um ano de escuridão e tragédia. A República Romana foi morta por uma república irmão, a da França. Neste mesmo ano Marx, no seu famoso Manifesto Comunista, lançou o gospel do socialismo.

Em 1851 Napoleão III fez o sei coup d’etat iliberal e governou a frança até 1870, quando ele foi derrubado por um levante popular precedido por uma das piores derrotas militares conhecidas na história. O vencedor foi Bismarck que nunca soube do paradeiro do liberalismo e dos seus profetas. É sintomático que durante o Século XIX a religião do liberalismo tenha sido completamente desconhecida para um povo tão altamente civilizado quando os alemães, a não ser por um parêntese conhecido como “parlamento ridiculo de Frankfurt”, que durou apenas uma temporada. A alemanha obteve a sua unidade naciional sem o liberalismo e contra o liberalismo, uma doutrina que parece estrangeira ao temperamento alemão, essencialmente monárquico, enquanto que o liberalismo é o antecessor histórico e lógico da anarquia. Os três estágios na unificação alemã foram as três guerras de, 1864, 1866 e 1870, lideradas por tais “liberais” como Moltke e Bismarck. E na construção da unificação italiana, o liberalismo desempenhou um papel muito pequeno quando comparado à contribuição feita por Mazzini e Garibaldi, que não eram liberais. Mas para a intervenção do iliberal Napoleão III, nós não teríamos a Lombardia e sem aquela do iliberal Bismarck, em Sadowa e Sedan, nós, muito provavelmente, não teríamos Veneza em 1866 e em 1870 nós não teríamos entrado em Roma. Os anos que vão de 1870 a 1915 cobrem um período que é marcado, até mesmo na opinião dos alto-sacerdotes do novo credo, como o crepúsculo da sua religião, atacada pelo decadentismo na literatura e pelo ativismo na prática. Ativismo: ou seja, nacionalismo, futurismo, Fascismo.

O século liberal, depois de acumular inúmeros “Nós de Górdio”, tentou cortá-los com a espada da guerra mundial. Nenhuma religião nunca demandou um sacrifício tão cruel. Estavam os Deuses do liberalismo sedentos de sangue?

Agora o liberalismo está se preparando para fechar as portas dos seus templos, desertado pelos povos que sentem que o agnosticismo que ele professou na esfera econômica e o indiferentismo que ele provou ter nas esferas da política e das morais, levariam o mundo as ruínas no futuro, como ele já o fez no passado.

Isso explica o porque dos experimentos políticos dos nossos dias serem anti-liberais, e é extremamente ridículo se empenhar neste motivo para colocá-los fora dos limites da história, como se a história fosse especialmente para conservar o liberalismo e seus adeptos; como se o liberalismo fosse a última palavra da civilização, para além da qual ninguém poderia ir.

A negação Fascista do socialismo, democracia e liberalismo nãao deveria, no entantom, ser interpretada como se implicasse um desejo retroceder o mundo para as posições ocupadas antes de 1789, um ano comumente referido como o que abriu o Século demo-liberal. A história não anda para trás. A doutrina Fascista não tomou De Maistre como seu profeta. O absolutismo monárquico está no passado, assim como a eclesiolatria. Mortos e enterrados estão os privilégios feudais e a divisão da sociedade em castas fechadas e incomunicáveis. Também nada tem a ver com a concepção Fascista de autoridade, aquela de um Estado policial eminente.

Um partido governando uma nação “totalitariamente” é uma nova partida na história. Não há pontos de referência nem de comparação. Do fundo das ruínas das doutrinas liberais, socialistas e democráticas, o Fascismo extrai aqueles elementos que ainda são vitais. Ele preserva o que deve ser chamado de “fatos adquiridos” da história; ele rejeita todos os outros. Ou seja, ele rejeita a idéia de uma doutrina cabível a todos os tempos e a todos os povos. Sabendo que o Século XIX foi o século do socialismo, liberalismo e democracia, isso não quer dizer que o Século XX também tenha que ser o século do socialismo, liberalismo e democracia. Doutrinas políticas passam, nações se mantêm. Nós estamos livres para acreditar que este é o século da autoridade, um século que tende para a “direita”, um século Fascista. Se o Século XIX foi o século do indivíduo (liberalismo significa individualismo), nós estamos livres para acreditar que este é o século do “coletivo”, e portanto, o século do Estado. É bastante lógico para uma nova doutrina, usar aqueles elementos que ainda são vitais de outras doutrinas. Nenhum doutrina nunca nasceu totalmente nova, brilhante e inédita. Nenhuma doutrina pode vangloriar-se de uma originalidade absoluta. Ela está sempre conectada, mesmo que apenas historicamente, com aquelas que a precederam e com aquelas que virão depois. Então o socialismo científico de Marx se liga com os socialistas utópicos dos Fouriers, dos Owens, dos Saint-Simons; então o liberalismo do Século XIX pode traçar a sua origem até o movimento iluminista do Século XVIII, e as doutrinas da democracia para os enciclopedistas. Todas as doutrinas visam direcionar as atividades humanas em direção a um certo objetivo; mass essas atividades, por sua vez, reagem à doutrina, modificando-se e ajustando-se para as novas necessidades, ou ultrapassando-se. Uma doutrina então deve ser um ato vivo e não uma mostra verbal. Daí o esforço pragmático do Fascismo, sua vontade de poder, sua vontade de viver, sua atitude para a violência, e o seu valor.

A pedra fundamental da doutrina Fascista é a sua concepção do Estado, sua essência, suas funções e seus objetivos. Para o Fascismo, o Estado é absoluto, indivíduo e grupos, relativos. Indivíduos e grupos são admitidos somente enquanto eles estejam dentro do Estado. Ao invés de dirigir o jogo e guiar o progresso material e moral da comunidade, o Estado liberal restringe suas atividades à memorizar os resultados. O Estado Fascista é amplamente desperto e tem vontade própria. Por esse razão ele pode ser descrito como “ético”.

Na primeira assembléia quinquenal no regime, em 1929, eu falei “O Estado Fascista não é um guarda noturno, preocupado apenas com a segurança pessoal dos cidadãos; nem é organizado exclusivamente com o propósito de garantir um certo grau de prosperidade material e condições de vida relativamente pacíficas, [para isso] um conselho administrativo seria o suficiente. Mas também não é exclusivamente político, divorciado das realidades práticas e distante das diversas atividades dos cidadãos e da nação. O Estado, como concebido e concretizado pelo Fascismo, é uma entidade ética e espiritual que assegura a organização política, jurídica e econômica da nação, uma organização que da sua origem e do seu crescimento, é uma manifestação do espírito. O Estado garante a segurança interna e externa do país, mas também assegura e transmite o espírito do povo, elaborado através das eras, na sua língua, nos seus costumes, na sua fé. O Estado não é apenas o presente; ele é também o passado e, acima de tudo, o futuro. Transcendendo o breve conjuro de vida do indivíduo, o Estado se mantem como a consciência imanente da nação. As formas em que ele acha expressão mudam, mas a necessidade dele continuam. O Estado educa os cidadãos para o civismo, deixa-os cientes da sua missão, impulssiona-os para a união; a sua justiça harmoniza os seus [dos cidadãos] interesses divergentes; ele transmite para as futuras gerações a conquista da mente nos campos da ciência, arte, lei, solidariedade humana; ele leva o homem das formas primitivas de vida tribal para as manifestações superiores do poder humano, governo imperial. O Estado entrega para as futuras gerações, a lembrança daqueles que deram sua vida para assegurar a sua segurança e para obedecer as suas leis; ele mostra exemplos e memórias para as eras futuras, de nomes dos capitães que aumentaram o seu território e dos homens-de-gênio que o fizeram famoso. Em qualquer momento que o respeito pelo Estado declina e as tendências desintegradoras e centrifugas de indivíduos e grupos prevalecem, as nações rumam ao declínio.”

Desde 1929, o desenvolvimento economic e político têm enfatizado, em todo lugar, essas verdade. A importância do Estado está crescendo rapidamente. A tão dita crise pode ser resolvida apenas pela ação do Estado e dentro da órbita do Estado. Onde estão as sombras de Jules Simons que, nos primeiros dias do liberalismo proclamou que “O Estado deveria se esforçar para tornar-se inútil e preparar a entrega da sua desistência”? Ou de MacCullochs que, no segunda metade do último século, insistiu que o Estado deveria desistir de governar muito? E do inglês Bentham que considerava que toda a indústria que pedisso por governo deveria ser deixada sozinha, ou do alemão Humbolt que expressou a opinião de que o melhor governo era o “preguiçoso”? O que eles diriam agora sobre as incessantes, inevitáveis e urgentemente requisitadas intervenções do Estado nos negócios? É verdade que a segunda geração de economistas era menos intransigente a este respeito do que a primeira, e que até mesmo Adam Smith deixou a porta entreaberta – porém cautelosamente – para a intervenção governamental nos negócios.

Se liberalismo significa individualismo, Fascismo significa governo. O Estado Fascista é, portanto, uma criação única e original. Não é reacionário, mas revolucionário, porque ele antecipa a solução de certos problemas universais que surgiram em outros lugares, no campo político pela separação partidária, a usurpação do poder pelo parlamento, a irresponsabilidade das assembleias; no campo econômico pelas funções cada vez mais numerosas e mais importantes descartas pelo sindicatos e associações de comércio, com suas disputas e tratados, que afetam tanto o capital quanto o trabalho; no campo da ética pela sentida necessidade de ordem, disciplina, obediência aos ditados morais do patriotismo.

O Fascismo deseja que o Estado seja forte e orgânico, baseado nas amplas fundações do apoio popular. O Fascismo toma pra si o governo do campo econômico não menos que em outros; ele faz com que suas ações sejam sentidas por toda a extensão e largura do país, por meio das suas insituições corporativas, sociais e educacionais, e todas as forças políticas, econômicas e espirituais da nação organizadas nas suas respectivas associações, circulam dentro do Estado. Um Estado baseado em milhões de indivíduos que reconhecem a sua autoridade, sentem a sua ação e estão prontos para servir os seus fins, não é o estado tirânico da nobreza medieval. Ele não tem nada em comum com os estados despóticos que existiam antes ou subsequentemente a 1789. Longe de desintegrar o indivíduo, o Estado Fascista multiplica a sua energia, da mesma forma que um regimento de soldado não é reduzido, mas multiplicado pelos números dos seus camaradas soldados.

O Estado Fascista organiza a nação, mas deixa espaço suficiente para o indivíduo. Ele limitou liberdades inúteis ou nocivas enquanto preservou as essenciais. Nestas questões, o indivíduo não pode ser o juiz, apenas o Estado.

O Estado Fascista não é indiferente aos fenômenos religiosos em geral e nem mantem uma atitude de indiferença perante ao Catolicismo Romano, a religião especial, positiva dos Italianos. O Estado não tem uma teologia, mas tem um código moral. O Estado Fascista vê na religião uma das mais profundas manifestações espirituais e, por essa razão, não somente respeita a religião, mas a defende e a protege. O Estado Fascista não tenta, como fez Robespierre no ápice do seu delírio revolucionário da Convenção, determinar um Deus próprio; nem busca, em vão, como faz o Bolchevismo, apagar Deus da alma do homem. O Fascismo respeita o Deus dos ascetas, santos e heróis, e também respeita o Deus concebido pelo coração ingênuo e primitivo do povo, o Deus a quem eles oferecem suas orações.

O Estado Fascista expressa a sua vontade de exercer o poder e comandar. Aqui a tradição Romana é encorporada por um conceito de força. Poder imperial, como entendido pela doutrina Fascista, não é apenas territorial, militar ou comercial; é também espiritual é ético. Uma nação imperial, ou seja, uma nação que é direta ou indiretamente uma líder para outras, pode existir sem a necessidade de conquistar uma única milha quadrada de território. O Fascismo vê no espírito imperialista – i.e. na tendência das nações expandirem – uma manifestação da sua virilidade. Na tendência oposa, que limitaria os seus interesses ao país natal, ele vê um sintoma de decadência. Os povos que se elevam ou reelevam são imperialistas; a renúncia é uma característica de povos que estão morrendo. A Doutrina Fascista é melhor aplicada às tendências e sentimentos de um povo que, como o italiano, depois de estar em pousio por séculos de servidão estrangeira, está agora se reafirmando no mundo.

Mas imperialism implica disciplina, coordenação de esforços, um profundo senso de dever e um espírito de sacrifício próprio. Isso explica muitos aspectos das atividades práticas do regime, e a direção tomada por muitas das forças do Estado, assim como a severidade que deve ser exercida com aquele que se opõe a esse movimentoo espontâneo e inevitável do Século XX na Itália, perturbando com ideologias ultrapassadas o Século XIX, ideologias rejeitadas em qualquer lugar onde grandes e desafiadores experimentos de transformação política e social estejam sendo usados.

Nunca antes o povo havia clamado por autoridade, direção e ordem, como eles fazem agora. Se cada era tem a sua doutrina, os inúmeros sintomas indivam que a doutrina da nossa era é o Fascismo. A sua vitalidade é mostrada pelo fato que ele criou uma fé; que essa fé conquistou as almas, é mostrado pelo fato de que o Fascismo pode apontar para os seus heróis caídos e mártires.

O Fascismo adquiriu agora pelo mundo, o que universalmente pertence a todas as doutrinas, que conquistando expressão-própria, representam um momento na história do pensamento humano.

APPENDIX

1 - Conceito filosófico

(1) Se o Fascismo não deseja morrer, ou ainda pior, cometer suicídio, ele agora deve se prover de uma doutrina. Porém, ela não deve ser uma Camisa de Nessus, nos apertando por toda a eternidade, porque o amanhã é algo misterioso e imprevisível. Essa doutrina deve ser uma norma para guiar a nossa ação política e individual nas nossas vidas diárias.

Eu, que me dediquei a essa doutrina, sou o primeiro a entender que estas modestas tábuas da nossas leis e programas, os guias práticos e teóricos do Fascismo, devem ser revisados, corrigidos, aumentados, desenvolvidos, porque já, em algumas partes, eles sofreram danos pelas mãos do tempo. Eu acredito que a essência e os fundamentos da doutrina ainda podem ser achadas nos postulados, que durante dois anos, funcionaram como um chamado ao combate para os recrutas do Fascismo Italiano. Contudo, tomando essas primeiras presunções fundamentais como ponto de partida, nós devemos proceder para o desenvlvimento do nosso programa num campo mais vasto.
Todos os Fascistas italianos deveriam cooperar nessa tarefa de vital importância para o Fascismo, e mais especificamente aqueles que pertencem a regiões que com ou sem consentimento, uma coexistência pacífica tenha sido conquistada por dois movimentos antagônicos.

A palavra que estou prestes a usar é grandiosa, mas de fato eu espero que durante esses dois meses que ainda nos separam da nossa Assembléia Nacional, a filosofia do Fascismo possa ser criada. Milão já está contribuindo com a primeira escola de propaganda Fascista.

Não é meramente uma questão de juntar elementos para um programa, para serem usados como fundação sólida para a constituição de um partido que deve, inevitavelmente, surgir do movimento Fascista; é também uma questão de negar a historinha boba de que o Fascismo é constituído de homens violentos. A verdade é que dentre os Fascistas, existem muitos homens que pertencem à classe inquieta, porém meditativa.
O novo rumo tomado pela atividade Fascista não vai, de maneira alguma, diminuir o espirito combativo típico do Fascismo. Prover a mente com doutrinas e crenças não significa desarmar, ao invés disso, significa fortalecer nosso poder de ação e nos fazer ainda mais conscientes do nosso trabalho. Soldados que lutam conscientes da causa, são os melhores guerreiros. O Fascismo toma para si o dispostivo duplo de Mazzini: Pensamento e Ação (Carta para Michele Bianchi, escrita aos 27 de agosto de 1921, para a abertura da Escola Fascista de Cultura e Propaganda em Milão, in Messaggi e Proclami, Milano, Libreria d’Italia, 1929, P.39).

Fascists must be placed in contact with one another; their activity must be an activity of doctrine, an activity of the spirit and of thought
Fascistas devem se colocar em contato uns com os outros; a sua atividade deve ser uma atividade doutrinária, uma atividade do espírito e do pensamento.
Se nossos adversários estivessem presentes na nossa reunião, ele se convenceriam de que o Fascismo não é apenas ação, mas também é pensamento. (Discurso diante do Conselho Nacional do Partido Fascista, 8 de agosto de 1924, in La Nuova Politica dell’Italia, Milano, Alpes, 1928, p.267)

(2) Hoje eu defendo que o Fascismo como uma idéia, como uma doutrina, como uma realização, é universal; ele é Italiano nas suas instituições particulares, mas é universal no espírito, e não poderia ser diferente. O espírito é universal por razão da sua natureza. Portanto, qualquer um pode prever uma Europa Fascista. Tomando inspiração para as suas instituições da doutrina e prática do Fascismo; a Europa, em outras palavras, dará um aspecto Fascista para a solução dos problemas que envolvem o Estado Moderno, o Estado do Século XX, que é muito diferente dos Estados existentes antes de 1789 e dos Estados formados imediatamente após. Hoje o Fascismo preenche os requerimentos universais, o Fascismo resolver o problema triplo das relações entre o Estadoo e o indivíduo, entre o Estado e as organizações e entre as associações e as associações organizadas. (Mensagem para o ano 1, 27 de outubro de 1930, in Discorsi del 1930, Milano, Alpes, 1931, p.211)

2. Conceito espiritualizado

(3) Este processo político se desenrola paralelamente a um processo filosófico. É verdade que a matéria esteve no altar durante um século, hoje o espírito toma o seu lugar. Todas as manifestações peculiares ao espírito democrático são, consequentemente, repudiadas: indolência, improviso, a falta de um sentimento pessoal de responsabilidade, a exaltação dos números e daquela misteriosa divindade chamada “O Povo”. Todas as criações do espírito estão vindo adiante, e ninguém [deve] ousar continuar a atitude anticlerical que, por muitas decadas, foi uma das favoritas da Democracia no mundo Ocidental. Quando falamos que Deus está voltando, queremos dizer que os valores espirituais estão voltando. (Da the parte va it mondo, in Tempi della Rivoluzione Fascista, Milano, Alpes, 1930, p.34)
Há um campo mais para a meditação sobre o sentido da vida do que uma pesquisa desse sentido. Consequentemente, a ciência começa da experiência, mas desemboca fatalmente na filosofia e, na minha opinião, apenas a filosofia pode iluminar a ciência e levar à idéia universal. (Para o Congresso da Ciência em Bologna, 31 de outubro de 1926, in Discorsi del 1926. Milano, Alpes, 1927, p.268)
Para entender o movimento Fascista, deve-se avaliar o fenômeno espiritual fundamental em toda sua amplitude e profundidade. As manifestações do movimento têm sido de uma natureza poderosa e decisiva, mass deve-se ir além disso. Na verdade, o Fascismo Italiano não tem sido apenas uma revolta política contra aqueles governos fracos e incapazes que permitiram a decadência da autoridade do Estado e ameaçavam parar o progresso do país, mas também um revolta espiritual contra velhas idéias que corromperam os princípios sagrados da religião, da fé, do país. Assim, o Fascismo tem sido uma revolta do povo. (Mensagem ao povo britânico, 5 de janeiro de 1924, in Messaggi e Proclami, Milano, Libreria d’Italia, 1929, p.107)

(3) Conceito positive da vida como uma luta

(4) A luta está na origem de todas as coisas, porque a vida é cheia de contrastes: existe amor e ódio, branco e preto, dia e noite, bem e mal; e até que esses contrastes atinjam um equilibrio, a luta continuará fatalmente nas raízes da natureza humana. De qualquer modo, é bom que seja assim. Hoje nós nos satisfazemos com guerras, batalhas econômicas, conflitos de idéias, mas se houvesse um dia em que a luta cessasse de existir, este dia seria pintado com melancolia; seria um dia de ruína, o dia do final. Mas este dia não chegará, porque a história descobre novos horizontes. Na tentativa de restaurar a calma, a paz e a tranquilidade, ou se estaria lutando contra o presente período de dinamismo, ou deve-se preparar para outras lutas e outras surpresas. A paz só virá quando os povos se renderem ao sonho Cristão da fraternidade universal, quando eles puderem dar as mãos sobre o oceano e sobre as montanhas. Pessoalmente, eu não acredito muito em tais idealismos, mas eu não os excluo, como eu não excluo nada. Na Politeama Rossetti, Triste, 20 de setembro de 1920; in Discorsi Politici, Milano, Stab. Tipografico del “Popolo d’Italia”, 1921, p.107)

(5) Para mim, a honra das nações consiste nas contribuições que elas tenham solidariamente feito para a civilização humana. (E. Ludwig fala com Mussolini, Londres, Allen und Unwin, 1932, p.299)

4. Conceito ético

Eu chamei a organização de Fasci Italiani Di combattimento. Esse nome duro e metalico ajustou todo o programa do Fascismo a como eu havia sonhado. Camaradas, este ainda é nosso programa: lutar.

A vida do Fascista é uma luta continua e incessante, que nós aceitamos com tranquilidade, com grande coragem, com a intrepidez necessária. (No VIIth aniversário da fundação do Fasci, 2 de Março, 1926, in Discorsi del 1926, Milano, Alpes, 1927, P. 98).

Você toca o núcleo da filosofia Fascista. Recentemente, quando um filósofo finlâdes me pediu para expor o significado do Fascismo em uma frase, eu escrevi em alemão: “Nós somos contra a ascenção fácil”. (E.Ludwig, Conversas com Mussolini, Londres, Allen und Unwin, 132, p.190)

5. Conceito religioso

(7) Se o Fascismo não era uma crença, como ele poderia ter dotado os seus seguidores de uma coragem e um estoicismo que apenas um credo, que houvesse se elevado ao nível de religião, poderia inspirar tais palavras, como as que passaram pelos lábios, agora infelizmente sem vida, de Federico Florio. (Legami di Sangue, in Diuturna, Mi¬lano, Alpes, 1930, p. 256).

6. Conceito histórico e realista

(8) A tradição é certamente uma das maiores forças espirituais de um povo, enquanto pe uma criação constante e sucessiva da sua alma. (Breve Preludio, in Tempi della Rivoluzione Fascista, Milano, Alpes, 1930, P- 13)

(9) Nosso temperament nos levar a avaliar o aspect concreto dos problemas, ao invés das suas sublimações ideológicas ou místicas. Por isso, nós facilmente recuperamos nosso equilibrio.

Nossa batalha é ingrata, mas ainda assim é uma bela batalha, já que ela nos compele a contar apenas com as nossas própriass forças. Verdades reveladas que nós despedaçamos, dogmas em que nós cuspimos, nós rejeitamos todas as teorias do paraíso, nós desconcertamos charlatães brancos, vermelhos, pretos, charlatães que colocaram drogas milagrosas no mercados para dar felicidade para a humanidade. Nós não acreditamos em programas, em planos, em santos ou apóstolos, acima de tudo, nós não acreditamos na felicidade, na salvação, na Terra Prometida. (Diuturna, Milano, Alpes, 1930, p. 223).

Nós não acreditamos em soluções únicas, sejam elas econômicas, políticas ou morais, em uma solução linear dos problemas da vida, por causa das ilustres coristas de todas as sacristias, a vida não é linear e não pode jamais ser reduzida a um segmento traçado por necessidades básicas. (Navigare necesse, in Diuturna, Milano, Alpes, 1930, p. 233).

(10) Nós não somos e não desejamos ser mumiazinhas sentimentais, com rostos perpetuamente voltados para o mesmo horizonte, nem desejamos nos calar entre as bordas estreitas da intolerância subversiva, em que fórmulas, como orações de uma religião professada, são murmuradas mecanicamente. Somos homens, homens viventes, que desejam dar sua contribuição, entretanto modesta, para a criação da história. (Audacia, in Diu turna, Milano, Alpes, 1930, p.’)

Nós apoiamos os valores morais e tradicionais que o Socialismo renega e despreza; mas, sobretudo, o Fascismo tem horror a tudo que implica um empenho arbitrário no futuro misterioso. (Dopo due anni, in Diuturna, Milano, Alpes, 1930, p. 242).

Apesar das teorias de conservação e renovação, de tradição e de progresso, exposto pela direita e pela esquerda, nós não perseguimos desesperadamente ao passado como último resquício de salvação: agora, nós não caímos de cabeça na névoa sedutiva do futuro. (Breve preludio, in Diuturna, Milano, Alpes, 1930, p. 14). Negação, imobilidade eterna, significa destruição. Eu estou todo para o movimento. Eu sou um que marcha (E. Ludwig, Talks with Mussolini, Lot Jon, Allen and Unwin, 1932, p. 203).

7. O indivíduo e a liberdade

(11) Nós fomos os primeiros a declarar, na cara do individualismo demo liberal, que o indivíduo existe somente enquanto que faça parte do Estado e esteja sujeito às exigências do Estado e que, na medida em que a civilização assume aspectos que se tornam mais e mais complicados, a liberdade individual também se torna mais e mais restrita. (To the General staff Conference of Fascism, in Discorsi del 1929, Milano, Alpes, 1930, p. 280).

O senso do Estado cresce dentro da consciência dos Italianos, para eles sentirem que o Estado sozinho é a salvaguarda insubstituível da sua unidade e independência; que o Estado sozinho representa a continuidade no futuro do seu suporte e de sua história. (Message on the VIIth all anniversary, October 25, 1929, Discorsi del 1929, Milano, Alpes, 1930, p. 3oo).

Se, no curso dos oito anos passados, nós alcançamos um progresso espantoso, você poderia muito bem pensar, supor e prever, que no curso dos próximos cinqüenta ou oitenta anos, a tendência da Itália, essa Itália que nós a sentimos muito poderosa, tão cheia de fluidos vitais, será realmente grandiosa. Será tão especial caso harmonizarmos o povo, caso o Estado continue sendo a base arbitrária nos conflitos sociais e políticos, caso tudo permanecer dentro do Estado e nada estiver fora dele, porque é impossível conceber qualquer existência individual fora do Estado, ao menos que sejamos selvagens dos quais as casas estão no meio do nada ou no deserto. (Speech before the Senate, May 12, 1928, in Discorsi del 1928, Milano, Alpes, 1929, p. 109).

O Fascismo restaurou ao Estado sua função régia, buscando seu significado ético absoluto, contra o egotismo de classes e categorias; para o Governo do Estado, que foi reduzido à mero instrumento de assembléias eleitorais, restauramos a dignidade, representando a personalidade do Estado e seu poder de Império. Resgatamos a administração da influência das facções e dos interesses partidários (To the council of state, December 22, 1928, in Discorsi Del 1928, Milano, Alpes, 1929 p.328).

(12) Deixar ninguém pensar em negar a característica moral do Fascismo. Eu deveria ficar envergonhado em falar sobre essa tribuna se eu não sentisse que eu represento o poder moral e espiritual do Estado. O quê o Estado seria se não possuísse um espírito só seu, e uma moral só sua, que fornece poder para as leis, em virtude de quê o Estado é obedecido por seus cidadãos?

O Fascismo clama seu caráter ético: é Católico, porém acima de tudo, Fascista, de fato, é exclusivamente e essencialmente Fascista. O Catolicismo completa o Fascismo, e isto declaramos abertamente, mas não deixa ninguém pensar que pode virar a mesa sobre nós, abaixo de metafísica e filosofia. (To the Chamber of Deputies, May 13, 1929, in Discorsi del 1929, Milano, Alpes, 1930, p. 182).

Um Estado que está completamente ciente de sua missão e que representa um povo que está marchando; um Estado que necessariamente transforma o povo, mesmo no aspecto físico. A fim de ser algo mais que mera administração, o Estado necessita proferir grandes palavras, expor grandes idéias, e resolver grandes problemas, de frente à este povo. (Di¬ scorsi del 1929, Milano, Alpes, 1930, p. 183).

(13) A concepção de liberdade não é absoluta porque nada é absoluto na vida. Liberdade não é um direito, é um dever. Não é um presente, é uma conquista; não é igualdade, é privilégio. A concepção de liberdade muda com o passar do tempo. Há uma liberdade em tempos de paz que não é a liberdade de tempos de guerra. Há uma liberdade em tempos de prosperidade que não é uma liberdade permitida em tempos de pobreza. (Fifth anniversary of the foundation of the Fasci di Contbattimento, March 24, 1924, in La nuova politica dell'Italia, vol. III, Milano, Alpes, 1925, p. 30).

No nosso Estado o individuo não é privado de liberdade. De fato, ele tem mais liberdade que homens isolados, porque o Estado o protege, e ele é parte do Estado. Homens isolados não possuem defesa. (E. Ludwig, Talks with Mussolini, London, Allen and Unwin, 1932, P. 129).

(14) Hoje, poderíamos contar ao mundo sobre a criação do poderoso e unido Estado da Itália, abrangendo os Alpes e a Sicília; esse Estado é expressado por uma democracia Unitária muito bem organizada e centralizada, onde pessoas circulam no caso. Em verdade, senhores, vocês admitem as pessoas na cidadela do Estado, e as pessoas a defenderão, e se vocês a fecharem, as pessoas irão assaltá-la. (speech before the Chamber of Deputies, May 26, 1927 , in Discorsi del 1927, Milano, Alpes, 1928, p. 159).

No regime Fascista, a união das classes, a união política e social do povo Italiano é realizada dentro do Estado, e somente dentro do Estado Fascista. (speech before the Chamber of Deputies, December 9, 1928 , in Discorsi del 1928, Milano, Alpes, 1929, p. 333).

8. Concepção de um Estado Corporativo

(15) Nós termos criado o Estado unido da Itália nos lembra que desde o Império, a Itália não foi um Estado unido. Aqui eu desejo reafirmar solenemente nossa doutrina do Estado. Aqui eu desejo reafirmar sem fracas energias, a fórmula que eu expus na escala em Milão, tudo dentro do Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado. (speech before the Chamber of Deputies, May 26, 1927 , Discorsi del 1927, Milano, Alpes, 1928, p. t57).

(16) Nós somos, em outras palavras, um Estado que controla todas as forças que atuam na natureza. Nós controlamos forças políticas, nós controlamos forças morais, controlamos forças econômicas, portanto somos um Estado Corporativo bem desenvolvido. Nós estamos aqui por um novo princípio no mundo, nós estamos aqui para guiar antíteses categóricas e definitivas ao mundo democrático, plutocrático, franco-maçônico, ao mundo que ainda permanece pelos princípios fundamentais de 1789. (Speech before the new Na¬tional Directory of the Party, April 7, 1926, in Discorsi del 1926, Milano, Alpes, 1927, p. 120).

O Ministério das Corporações não é um órgão burocrático, nem ele deseja exercer as funções de organizações sindicais, que são necessariamente independentes, desde que se começaram a se organizar, selecionar, e promover membros dos sindicatos. O Ministério das Corporações é uma instituição em virtude do qual, no centro e fora dele, corporação integral se torna um fato consumado, que o equilíbrio é alcançado entre interesses e forças do mundo econômico. Esse olhar somente é possível dentro da esfera do Estado, porque o Estado sozinho transcende os interesses contrastantes dos grupos individuais, em vista da co-coordenação deles para atingir objetivos. A realização desses objetivos é acelerada pelo fato de que todas as organizações econômicas, reconhecidas, salvaguardadas, e apoiadas, pelo Estado Corporativo, existem dentro da órbita do Fascismo; em outras palavras, eles aceitam a concepção do Fascismo em teoria e prática. (speech at the opening of the Ministry of Corporations, July 31, 1926, in Di¬scorsi del 1926, Milano, Alpes, 1927, p. 250).

Nós constituímos um Estado Corporativo e Fascista, o Estado da sociedade nacional, um Estado que concentra, controla, harmoniza, e tempera, os interesses de todas as classes sociais, que assim são todas protegidas da mesma forma. Enquanto que, durante os anos de regime demo-liberal, o trabalho parecia uma desconfiança sobre o Estado, foi, de fato, fora do Estado e contra o Estado, e o Estado foi considerado inimigo todo dia e toda hora, não há um trabalhando na Itália, hoje, que não solicita um lugar na Corporação ou na Federação, que não deseja ser um átomo vivente na gigante e imensa organização viva, que é o Estado nacional Corporativo do Fascismo. On the Fourth Anniversary of the March on Rome, October 28, 1926, in Discorsi del 1926, Milano, Alpes, 1927, p. 340).

9. Democracia

(17) A guerra foi revolucionária, no sentido de que com jorro de sangue mandou embora o século da Democracia, o século do número, o século das maiorias e das quantidades. (Da the pane va it Mondo, in Tempi della Rivoluzione Fascista, Milano, Alpes, 1930, p. 37)¬

(18) Cf. note 13.

(19) Raça: é um sentimento, e não uma realidade; 95%, um sentimento. (E. Ludwig, Talks with Mussolini, London, Allen and Unwin, 1932, p. 75).

10. Concepção de Estado

(20) Uma nação existe enquanto tenha um povo. Um povo surge na medida em que é numeroso, trabalhador, e bem regulado. Pode é o resultado desse princípio triplo. (To the General Assembly of the Party, March lo, 1929, in Discorsi del 1929, Milano, Alpes, 1930, p. 24).

O Fascismo não nega o Estado; o Fascismo mantém que uma sociedade civil, nacional ou imperial, não pode ser concebida sem a forma de um Estado. (Stab, anti-Slato, Fascismo, in Tempi della Rivoluzione Fa¬scista, Milano, Alpes, 1930, p. 94).

Para nós, a Nação é essencialmente espírito, e não território. Há estados que possuem imensos territórios e que não possuem quaisquer características deixadas para a história da humanidade. Nem é uma questão de número, porque houveram pequenos e microscópicos Estados que deixaram documentos imortais e imperecíveis, na arte e na filosofia.

A grandiosidade de uma nação é composta por essas virtudes e condições. Uma nação é maior quando o poder do espírito é traduzido para a realidade. (Speech at Naples, October 24, 1922, in Discorsi della Rivoluzione, Milano, Alpes, 1928, p. 103).

Nós desejamos unir a nação dentro da soberania Estatal, que está sobre o quê qualquer deserto pode fazer contra qualquer um, desde que representa a continuidade moral da história da nação. Sem o Estado não há nação. Há somente agregações humanas sujeitas à toda desintegração que a história infligir sobre elas. (Speech before the National Council of the Fascist Party, August 8, 1924, in La Nuova Politica dell'Italia, vol. III; Milano, Alpes, 1928, p. 269).

Realidade dinâmica

(21) Eu acredito que se um povo deseja viver, eles devem desenvolver uma vontade de poder, caso contrário eles vegetam, vivem miseravelmente, e se tornam uma presa para povos mais fortes, na qual a vontade de poder é desenvolvida em um grau maior. (Speech to the Senate, May 28, 1926)

(22) É o Fascismo que remodelou a característica dos Italianos, removendo a impureza de nossas almas, temperando-nos para todos os sacrifícios, restaurando o aspecto real da força e da beleza do nosso rosto Italiano. (Speech delivered at Pisa , May 25, 1926 , in Discorsi del 1926, Milano, Alpes, 1927, p. 193).

Não é inconveniente ilustrar a intrínseca característica e o profundo significado do Fascist Levy. Não é meramente uma cerimônia, mas um estágio muito importante no sistema de educação e preparação integral dos homens Italianos que a revolução Fascista considera como dever fundamental do Estado: de fato, fundamental, pois se o Estado não cumpre o dever, ou, de alguma maneira, aceita ser posto sob discussão, o Estado mera e simplesmente perde o direito de existir. (Speech before the Chamber of Deputies, May 28, 1928, in Discorsi del 1928, Milano, Alpes, 1929, p. 68).

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