sábado, 7 de abril de 2012

Luta de Classes no Interior do Socialismo (1830 - 1914)

por Alain Soral



Todo mundo conhece a luta de classes que opõe o proletariado à burguesia. Menos conhecida é, e por bons motivos, a luta que opõe dentro do movimento socialista, o socialismo internacional ao socialismo libertário. E dentro do movimento nacional: o socialismo parlamentar, de inspiração maçônica, ao anarcossindicalismo considerado como pré-fascista.

Uma luta que vista a partir de suas origens classistas, estava opondo duas seções da burguesia. A alta e média burguesias cosmopolitas, com um "socialismo científico" (Marx, Lassalle, etc.) se esforçando para desacreditar, em prol do conceito de messianismo proletário, uma pequena burguesia nacional e empirista (Proudhon, Sorel, etc.) que estava profundamente enraizada na realidade e no mundo dos trabalhadores.

Uma luta silenciosa, porém mortal que resultará na vitória dos internacionalistas sobre os nacionalistas e, acima de tudo, na vitória de um socialismo reduzido a questão da conquista do poder - e portanto do mercado - sobre um socialismo que queria mudar radicalmente a vida.

Classes sociais sempre existiram

Determinadas pela evolução das forças produtivas - ou pela história do progresso técnico - e pelas relações de produção que seguem essa evolução (burguesia sem relações/proletariado sem invenção, como o motor a vapor necessário para a revolução industrial), as classas sociais sempre existiram.

Sempre existiram ou, mais exatamente, existiram desde que o homo faber, emergindo de um mítico "comunismo primitivo", deu início ao necessário e desastroso caminho da especialização das tarefas, para gerar a divisão do trabalho, a primeira divisão social.

Uma divisão social em classes que data aos primórdios dos tempos históricos.

Classe pela prática e mentalidade de classe

Classes sociais determinadas por sua práxis: os laboratores através da agricultura, da manufatura e do comércio, os bellatores pela profissão das armas, os oratores pelo estudo e pela transmissão de conhecimento, nesse antigo mundo tripartite.

Práxis que também geram cultura e mentalidade de classe: uma mentalidade comercial dominante atualmente, uma mentalidade popular majoritária ainda que sempre desprezada e uma mentalidade aristocrática logicamente ameaçada.

Uma cultura e mentalidade de classe que ademais, nem exaurem a questão do grupo etnocultural levando a outra ordem de consciência e solidariedade; ou a persistência do animal na humanidade e os comportamentos reflexos que o acompanham: instinto de sobrevivência individual, preocupação com a própria prole...

Antagonismo de classe, colaboração de classe e "conflito de classe"

Mas durante os tempos do poder monárquico, notavelmente sob a monarquia teocrática que vigorou antes da democracia mercantil e maçônica, o antagonismo de classe era ou suprimido ou transcendido - dependendo de ser visto ou não como algo positivo ou negativo - por meio de uma submissão geral à ordem divina.
A solidariedade etnocultural de todos os súditos da realeza, por exemplo, no reino da França, ultrapassando em última instância, e apesar das tensões, os antagonismos e solidariedades de classe.

Uma aceitação da lei divina - e do destino - que impedia esse "conflito de classe", denunciado por Charles Peguy como o mal moderno, e que inevitavelmente caracterizará o mundo da imanência que veio depois.

Um "conflito de classe" que só pode ser bloqueado, em nossa sociedade burguesa de imanência e lucro, através da solidariedade nacional como substituição para a ordem divina; ou ao contrário, pela promoção de um individualismo exacerbado que destruirá toda forma de solidariedade...

O proletariado, encarnação da mentira e traição burguesa

No mundo da imanência que emergiu após a Revolução Francesa, a luta de classes tornou-se o novo motor da história. Uma luta primeiro resultante do fim da solidariedade transclasse, que existia previamente na monarquia do direito divino; mas uma luta resultanto principalmente da quebra das promessas do iluminismo.

A conquista do poder pelo terceiro estado, uma vez expulsa a nobreza e o clero, não levou à igualdade social de todos os cidadãos e à fraternidade nacional, mas à exploração dentro do terceiro estado de um proletariado industrial por uma nova burguesia empresarial e capitalista, ainda mais dura com seus empregados do que a nobreza era com seus camponeses.

O proletariado e sua miséria sendo, literalmente, a encarnação da falsidade dessa burguesia e de seu assim chamado iluminismo

Uma nova situação de violência e falsidade interna ao campo progressita, que a partir de 1840 pavimentará o caminho para a aventura socialista...

O sonho de um messianismo proletário

Uma vez apagada, através da derrota histórica, a reivindicação do marxismo à cientificidade, a grande idéia do socialismo pode ser resumida assim:
O proletariado criado, como o golem, pela própria burguesia - e esse é o fruto de sua contradição - será, graças a sua lucidez gerada por sua miséria e pelas qualidades morais que resultam do respeito e da solidariedade para com o trabalhador, a classe encarregada de punir o explorador burguês capitalista, através de uma conquista do poder que desapossará essa mesma classe burguesa de seu poder sobre essa falsa democracia chamada democracia liberal.

Uma conquista do poder pelo proletariado que colocará um fim ao mesmo tempo à obra política progressista realizada pela Revolução Francesa - e traída pela burguesia - para finalmente produzir efetivamente, e não apenas formalmente, essa sociedade fraternal sem classes, promessa de cidadania igualitária do iluminismo...

Uma visão-de-mundo e esperança que faz dos marxistas, independentemente do que digam, moralistas e idealistas.

Uma visão que busca renovar a escatologia cristã da fraternidade e do amor no mundo materialista gerado pelo imanentismo mercantil, através de uma messianismo profético inspirado pelo judaísmo.

Visão socialista que finge se apoiar no logos para realizar a visão messiânica judaica e missionária cristã reconciliadas e resultante sem dúvida da cultura tríplice de Karl Marx (judaica, grega e cristã), principal teórico do socialismo científico...



O messianismo proletário, visão de intelectuais

Uma visão da revolução socialista, feita para o proletariado, mas não pensada ou desejada por ele - o proletariado raramente tendo tido, graças a sua práxis, a bagagem conceitual necessária - mas por intelectuais vindos de duas seções da burguesia:

- A pequena burguesia nacional, no caso dos socialistas libertários e sindicalistas revolucionários, como Pierre-Joseph Proudhon e Georges Sorel. Pensadores normalmente autodidatas e profundamente enraizados no mundo proletário.

- A alta e média burguesia ashkenazi, no caso de socialistas internacionalistas como Karl Marx e Ferdinand Lassalle. Teóricos pouco familiares com o proletariado e opostos ao empirismo da pequena burguesia, com uma arrogância de uma abstração conceitual inspirada da filosofia heleno-europeia; uma filosofia alegremente abraçada desde sua recente emancipação do pensamento talmúdico e do gueto.

O melhor exemplo dessa absoluta diferença entre o sujeito pensante e o objeto de pensamento é sem dúvida o livro História e Consciência de Classe de Georg Lukacs. Um enrome livro historico-filosofico no qual esse filho de banqueiro da alta burguesia judaica húngara tenta demonstrar com um fantasismo virtuoso o destino messiânico e antiburguês de um proletariado idealizado com o qual ele nunca teve qualquer contato. Um envolvimento teórico que fará com que esse culto homem letrado faça parte do sanguinário governo de Bela Kun e então apoie a obra de Stalin até o último suspiro!

Um proletariado ideal saído da mente de um intelectual, usado contra sua própria classe pelo cadete da burguesia cheio de culpa pela traição do iluminismo perpretada por seus pares.

Proletariado presumido revolucionário, e também usado como arma de vingança e conquista pelos sem classe e cosmopolitas contra as elites: essa burguesia nacional e cristã, cujo lugar quer ser tomado em nome do proletariado...

Não há autonomia de classe sem cultura de classe

Teatro antigo, gesto cavalheiresco, romance burguês...a consciência e autonomia de um grupo social são demonstrados primeiro por suas produções culturais. Uma cultura específica na qual esse grupo expressa diante da história o que eles sabem e o que eles querem.

Mas, como Edith Piaf, excelente intérprete, mas cantando canções escritas por outros, o proletariado revolucionário somente seguiu líderes que não se originaram em sua própria classe, e desempenhou diante da história uma música que não havia saído das próprias mãos.

Lúcito em relação a isso, Louis Ferdinand Céline, culto pequeno burguês que melhor expressou o sofrimento e alma populares, derivou um orgulho irônico do cumprimento de Stalin - outro cínico sem classe - que considerou "Viagem ao Fim da Noite" (traduzido ao russo por Elsa Triolet que também era completamente estranha ao proletariado) como o único romance proletário já escrito.

Ironia, compartilhada por aquelas duas mentes de um realismo amargo, o constatar que o proletário individual, que o século XIX havia tornado o herói da história, era na verdade um herói silencioso; a famosa classe messiânica, uma classe que jamais produziu qualquer cultura específica nem expressou sua consciência e projeto - o "realismo socialista" imposto pelo partido estando aqui para provar isso - a não ser que confundamos cultura proletária e cultura popular...

Povo ou proletariado?

De François Villon a Dieudonné passando por Louis Ferdinand Céline, Michel Audiard e Coluche, a cultura popular se perpetua ao longo dos séculos, um gênio afável que esta nas antípodas do "realismo socialista" que formula através de decretos a arte proletária.

Uma cultura popular para o povo, que nos obriga a definir o grupo humano do qual ela é a expressão, especificando primeiro o que o povo não é. O povo não é nem a nobreza ou o clero, mas esse "terço excluído" constituído pelos não-privilegiados sob o antigo regime, e que teoricamente chega - como terceiro estado - ao poder após a Revolução Francesa.

Um povo que nós ainda devemos definir, sob a exploração e parasitismo das classes superiores - nobreza e então burguesia dentro do terceiro estado - como o mundo do trabalho e da produção; ou, essa classe de trabalhadores assumindo e realizando - segundo a terminologia freudiana o "princípio da realidade": agricultores, artesãos, comerciantes, operários e pequenos comerciantes...aos quais devem ser agregados os funcionários públicos úteis e os artistas que expressam essa sensibilidade.

Um povo que pode ser definido em termo de classes como a soma entre o proletariado e a classe média

Um povo constituído pela pequena burguesia e pelo proletariado, que ademais se esbarram uns com os outros na vida real, como os donos de bar que controlam seus meios de produção e seus clientes, os trabalhadores assalariados.

Dois grupos sociais conectados e misturados que o socialismo científico, em prol de abstrações intelectuais contrariadas pela realidade - começando pela realidade social e urbana do bar da vizinhança - sempre tentou dividir e opor.

A farsa do internacionalismo proletário: o povo é sempre patriota

Proletários assombrados e manipulares por meio de abstrações de agitadores cosmopolitas, apresentados como internacionalistas, enquanto está historicamente demonstrado que o povo é sempre patriota.

Patriota como o povo da "comuna de Paris" recusando, em nome da dignidade francesa, a derrota em Sedan e a submissão ao ocupador prussiano, aceita pela burguesia de Versalhes.

Um povo patriota sempre celebrando suas equipes desportivas nacionais, face o desafia ou manipulação - quando o esporte se torna um comércio - da elite econômica que se aproveita das paixões simples e coletivas (e.g. Bernard-Henry Levy)

Um povo fiel a sua nação, face a traição de suas elites cosmopolitas; seja a traição de Louis XIV, sacrificando os interesses da França pelos de seu primo o rei da Prússia, ou a traição de Sarkozy "o americano", aniquilador da independência francesa atual...



Apenas o capital é internacional

Das famílias monárquicas colocando o parentesco europeu acima de interesses nacionais (explicando a fuga de Louis XVI para Varennes) à burguesia submissa aos interesses do capital apátrida, a mentalidade internacionalsita - em verdade cosmopolita - é totalmente estranha ao povo.

Um internacionalismo que é, ao contrário, a principal característica das elites viajantes e dos manipuladores nomádicos, realizando seus negócios por cima das cabeças do povo, que, graças a sua práxis, é pouco móvel e enraizado.

Portanto, o anti-nacionalismo pregado por Georges Sorel, no amanhecer de 1914, não deve ser compreendido como um desdém elitista pela solidariedade nacional, mas ao invés como a recusa frente a manipulação burguesa que empurravam os povos francês e alemão a um banho de sangue pelos interesses do capital...

O internacionalismo trabalhista bem entendido, em oposição ao anti-nacionalismo trotskista

Recusa de um nacionalismo agressivo manipulado - desde Napoleão I - pelas forças monetárias e sempre levando a mais sofrimento para o povo, e que não nos deve fazer entender o internacionalismo trabalhista como sendo expressão de um anti-patriotismo instintivo, mas sim como sendo a solidariedade das classes trabalhadoras, em nome da eficácia política, face as manipulações do capital apátrida.

Um internacionalismo que deixa o nacional para voltar a ele, como o partido comunista francês anti-imigração de Georges Marchais, formulado durante seu famoso discurso em Montigny-les-Corneilles.

Discurso popular e patriótico diametralmente oposto ao internacionalismo trotskista que expressa um ódio quase religioso da nação. Um desdém pelas fronteiras e pelo povo estabelecido professado por agitadores profissionais, raramente originados no proletariado, e compartilhado pela alta burguesia.

Daí, o interesse para o grande capital em discretamente promover esses agitadores anti-nacionais às custas de representantes legítimos do povo, unido e patriota...

Uma colusão entre globalismo de direita e internacionalismo de esquerda - em verdade, todos eles cosmopolitas - tornada mais fácil desde que eles normalmente vem, como a história demonstra, da mesma comunidade...

Filosofia da miséria contra a miséria através da filosofia

Para voltar à luta teórica anti-capitalista ocorrida durante a segunda metade do século XIX dentro do movimento socialista, dois campos se enfrentarão, ambos pretendendo dar uma boa resposta a essa mesma questão central:

"No mundo da imanência no qual tudo vem da práxis, quais são as condições materiais, sociais e políticas para libertar a humanidade?"

Uma questão mas duas respostas e dois grupos principais para levar a luta antiburguesa à fruição:
- Por um lado, o socialismo libertário de Mikhail Aleksandrovitch Bakhunin e Pierre-Joseph Proudhon.

- Por outro lado, o socialismo científico de Karl Marx e Friedrich Engels.

- Os primeiros buscando respondar essa pergunta através da razão e do empirismo.
- Os segundos opondo à tentativa e erro dos primeiros, um sistema filosófico abrangente invocando o "sentido da história" tomado de Hegel e que irá tratar a tentativa de pensar remédios práticos para a miséria dos primeiros, como uma miséria da filosofia.

Um virtuosismo conceitual chamado de "materialismo histórico e dialético" que infelizmente para eles e para o proletariado se provará retrospectivamente um conjunto de elucubrações, supostamente científicas, de burgueses arrogantes, que como novos ricos brincando de deuses com uma filosofia distante de sua cultura profético-messiânica herdada, zombam de pensadores autodidatas vindos do mundo proletário, cujas suspeitas anti-marxistas-leninistas foram provadas justificadas.

Desconfiança do Progresso

O Progresso, promovido em prol do "sentido da história" por Marx, contra as intuições de Proudhon e Sorel - que humildemente reconheciam a rejeição da mecanização expressada pelos luditas na Inglaterra e pelos canutos na França, e mais geralmente pelos corpos representativos da aristocracia do trabalho - levando ao estado imbecil da fragmentação do trabalho, suprema insanidade do taylorismo e do fordismo.

Pelo Emprego Generalizado

Esse progresso mecânico alienante - extremamente exigente em relação ao capital - que passa necessariamente pela concentração e por grandes unidades de produção. É a geração de um assalariado gerador de submissão, passividade e infantilismo, como Proudhon e Sorel haviam previsto contra Marx e Engels...

A ditadura do proletariado é a ditadura do partido 

A ditadura do proletariado, teorizada por Marx e depois realizada pelos bolcheviques - Lênin observando a informidade das massas proletárias deixadas a si mesmas e a sua consciência, preferindo confiar, para tomar o poder, em uma "vanguarda revolucionária" ou em profissionais que não são proletários mas que são treinados para ações revolucionárias, ao invés de em uma "espontaneidade" das massas realizando um "sentido da história" que levará a brilhante acadêmica mas politicamente ingênua Rosa de Luxemburgo à derrota e à morte.
 
Em suma, a chamada "ditadura do proletariado" que nunca pediu ou planejou nada, na verdade, levando à inevitável ditadura do Partido-Estado. Ou, a partir de Lenin, levando à burocracia e nomenklatura estalinista... 


Socialismo e populismo: as condições de consciência e de liberdade 

Confrontados com este regime baseado na divisão do trabalho e do emprego generalizado sob a autoridade exclusiva do Partido-Estado - ou, a ditadura policial e mecânica de um "socialismo real" justificado e disfarçado pela arrogância de uma ciência filosófica banal e acreditada como uma religião - os pensadores populistas: Bakunin, Proudhon e Sorel, mais realistas do que materialistas, mais intuitivos do que conceituais, opuseram desde o início outro caminho de salvação para o proletariado. 

Advogando uma sociedade de pequenos proprietários, a partir da aristocracia do trabalho e trabalhando de mãos dadas em respeito às escalas humanas, de modo a produzir um mundo de consciência e liberdade. 

Assim a consciência é aliviada, não pelo catecismo do partido dos trabalhadores infantilizados mas sim pela responsabilidade econômica e social resultante da propriedade dos próprios meios de produção. 

Em outras palavras, a liberdade, não distribuída por um estado policial centralizador, mas especificamente permitida pela independência econômica e social - e, portanto, política - conferida pela propriedade, para muitos, o seu meio de vida e produção. 

Uma sociedade mutualista de pequenos produtores, que não expressam o desejo por poder e dominação de um pequeno grupo manipulando um proletariado explorado e sem propósito por meio do aparato estatal, mas uma sociedade de liberdade, igualdade e fraternidade concretas, referindo-se mais à democracia grega do que ao socialismo soviético, mas desta vez sem escravos! 

Uma sociedade que é o exato oposto do socialismo marxista-leninista bem como do capitalismo burguês, ambos baseados progresso tecnicista, em uma extrema divisão do trabalho e do trabalho assalariado a serviço de um estado-patrão (estado como empregador) para o socialismo, ou, de um patrão-estado (empregador como estado) para o capitalismo, que é o mesmo. 

Proximidade desses dois sistemas, ambos baseados somente no progresso material, o que explica perfeitamente a transição suave e sem contestação, da União Soviética de Mikhail Gorbachev para a Federação Russa de Boris Yeltsin; a velocidade com que o chamado "homem novo", cunhado por setenta anos de socialismo, se converte em estupor consumista ocidental, já que tudo o que tinha que ser feito era substituir no cume de um edifício perfeitamente vertical a Estrela Vermelha pela Coca- Cola! 

Um "socialismo científico" arrogante, ultra-conceitual, em realidade salmódico e muito vulgar (cujo obscuro trabalho de Louis Althusser é a caricatura final) mascarando a irresponsabilidade fordista, guiado pelo parasitismo da nomenklatura, atrás de uma ditadura burocrática.

Socialismo real que não vai aparecer, em última instância, como oo desejo de emancipação da classe trabalhadora, mas como a vontade de dominação da burguesia e dos sem classe manipulando um legítimo sofrimento proletário contra a burguesia cristã culpada...


Nem capital nem ditadura do proletariado: a solidão de George Orwell 

Uma grande mentira política unindo o outro no mesmo totalitarismo, que o inglês George Orwell havia observado desde os anos 40, após as suas viagens na França e Espanha.

Baile de máscaras do "socialismo real" denunciado pelo russo Alexander Solzhenitsyn na década de 50, mas desta vez a partir do ponto de vista da reação.Reabilitação de um populismo que se recusa a se manifestar em favor do capitalismo ou do socialismo, defendido hoje em dia pelo sutil Jean-Claude Michea, em referência à obra de Christopher Lasch...

A luta pela luta de classes correta 

Não uma busca por salvação para Orwell e Michea, através do proletariado e da oposição abstrata proletariado/burguesia, mas a união do proletariado e da classe média rumo a uma classe média generalizada. Nesta união de pessoas: trabalhadores, artesãos resistindo durante a comuna de Paris contra o capital "versalhense" cujos interesses permaneciam estranhos a eles. 

O populismo acusado por seus inimigos burgueses - bem como pelos revolucionários cosmopolitas - de ser "pequeno burguês" e que está longe o bastante da verborragia democrática parlamentar francesa que surgiu a partir da revolução. 

Um populismo libertário e anti-autoritário igualmente distante do socialismo soviético, continuador em muitos aspectos - sem ofensa para Solzhenitsyn - do despotismo czarista. 

Um populismo em última análise, retornando mais ao ideal pioneiro americano, lutando tanto contra o banco como contra o Estado - incorporados pela Cidade e pela monarquia inglesa - por uma democracia mutualista de pequenos produtores, ainda encarnada na América provinciana por um certo espírito republicano... 

A estratégia discreta do Império, ou do banco impedindo, em nome do socialismo, a junção populista do proletariado e da classe média (Marx contra Proudhon) 

A partir de então, a luta socialista - começando com a oposição Bakunin-Proudhon contra Marx-Engels - não deve ser entendida como uma oposição binária entre socialismo e burguesia capitalista, mas, mais perversa e triangular, como a luta do grande capital mundialista manipulando e financiamendo revolucionários profissionais, geralmente oriundos da burguesia cosmopolita: agitadores venais, obscuros dialéticos, apresentando uma suposta unidade de luta do trabalhador contra a burguesia, na qual o grande burguês (especulador apátrida) e o pequeno burguês (empresário enraizado) são sistematicamente confundidos - como no catecismo da Arlette Laguiller - para evitar a junção popular, verdadeiramente revolucionária em relação ao poder do capital, da pequena burguesia e do proletariado nacional. 

A história desta manipulação e deste conluio, em que um socialismo cosmopolita manipula um proletariado assombrado contra uma classe média enraizada sistematicamente difamada, sendo a história oculta do movimento operário. 

Uma mentira e uma manipulação historicamente provadas, a partir de 1970, pela unificação final desses ditos revolucionários cosmopolitas com o liberalismo globalizado.

Unificação conduzida sob o rígido controle trotskista, conhecido como "liberalismo libertário" na Europa e como "neoconservadora" nos EUA. 

Uma série de traidores sociais cujos nomes evocam imediatamente a Lista de Schindler... 

A estratégia discreta do império, ou do banco promovendo a esquerda parlamentar contra o Sindicalismo Revolucionário (Jaurès contra Sorel) 

Uma vez assegurada a vitória dos socialistas científicos sobre os socialistas libertários, depois de uma luta desigual (considerando os patrocinadores), que irá durar até a segunda metade do século XIX, um segundo ataque de liquidação do povo revolucionário será realizada dentro do proletariado. 

Essa será, até a virada do século, até a primeira guerra mundial, a luta do sindicalismo revolucionário, entusiasta de greves gerais e ações diretas, contra um socialismo parlamentar de influência maçônica; ou, a segunda derrota populista de Georges Sorel contra Jean Jaures...
 
Uma luta reduzida à luta pela conquista do poder, ou a luta perdida dos representantes do povo contra os manipuladores do proletariado

Assim,  de 1840 a 1970, a luta travada dentro da esquerda deve ser entendida como a lenta derrota das forças populares contra os profissionais do socialismo. 


A transformação sutil e progressiva, pelas forças esquerdistas corrompidas pelo capital e influencidas por lojas maçônicas, de uma luta antiburguesa para mudar a vida em uma luta pela conquista do poder.

Ou, em última análise, a democracia - liberal ou socialista - limitada ao mercado...Conclusão: liquidar a classe média

Um mundo governado pela deriva do capital, cuja constante, independentemente das manipulações do mundo do trabalho e suas colaborações, terá sido o tempo todo - além de maximização do lucro -  liquidar a classe média, em essência independente e recalcitrante frente ao poder.
 
Primeiro, isolar a classe média, através da propaganda do socialismo cosmopolita consistindo em amalgama-los ideologicamente com a alta burguesia de modo a expo-los à condenação proletária; proletariado este com o qual desde a "comuna de Paris" eles constituem o povo.

 
Então substituir a classe média, usando a absorção-aquisição imposta pelas economias de escala, através das dóceis camadas médias assalariadas; ou, os pequenos empregados independentes pelos executivos dóceis.Finalmente, liquidar a classe média, pura e simplesmente, fazendo uso crises financeiras coordenadas pelos bancos, para cortar os créditos necessários para seu funcionamento, frente a uma taxação excessiva imposta pelo estado conivente. 


A destruição final da classe média - produtiva, lúcido e enraizada - correspondendo ao projeto imperial de liquidação de toda desobediência ao capital, essencialmente apátrida, de modo que nenhuma liberdade, consciência e independência restam entre o poder imperial do banco e as massas assalariadas...
 
E eu vou concluir com esta citação eloqüente, e pouco conhecida do anarquista Bakunin, oponente contemporâneo de Marx:


"O Estado não é a pátria. É a abstração, a ficção metafísica, mística, política, jurídica da nação. As massas populares de cada país amam profundamente sua pátria, mas esse é um amor verdadeiro e natural. Não uma idéia: um fato...e é por isso que eu francamente me sinto como o patriota de todas as nações oprimidas." - Mikhail Bakunin

Um comentário:

  1. interessante eu pensei muito sobre isso no começo do mês e agora acho um texto sobre isso. o sistema capitalista automaticamente segue rumo ao socialismo, a classe media tende a ser destruída pelo próprio sistema mesmo, da pra ver a situação atual no mundo e todas crises. a impressão que tenho é que pelo menos aqui no brasil e na china o capitalismo e o socialismo andam de mãos dadas, altos impostos pra classe media, cartéis, o sistema não quer o enriquecimento do homem médio, pelo contrario apenas sufoca o mesmo e aumenta o elitismo. agora deu pra entender o porque o dugin disse que a classe media não existe. eu sou apolico na verdade, vejo as coisas nesse mundo pelo todo e é como se não valesse a pena se importar com o que acontece no mundo, pois é como se não vai a lugar nenhum na minha visão.

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