terça-feira, 3 de abril de 2012

Ezra Pound - Qual é a função do Dinheiro?

por Ezra Pound


Nós nunca veremos um fim para as algazarras, nós nunca teremos uma administração sã e estável até que nós conquistemos uma concepção absolutamente clara a respeito do dinheiro. Eu quero dizer uma concepção absolutamente, e não aproximadamente clara.

Eu posso, se vocês quiserem, retroceder até o papel-moeda impresso na China por volta de 840 d.C., mas nós estamos preocupados com os caprichos do mundo ocidental. PRIMEIRO, Paterson, o fundador do Banco da Inglaterra, disse a seus acionistas que eles lucrariam porque "o banco teve lucro sobre os juros de todo o dinheiro que ele criou a partir do nada". O quê, então, é esse "dinheiro" que o banqueiro pode criar a partir do nada?

Sejamos claros. Dinheiro é um título ou reivindicação mensurada.

MEIOS DE TROCA

O dinheiro é válido quando as pessoas o reconhecem como um título e transferem bens ou trabalham com base no valor impresso na face da moeda, seja ela feita de metal ou papel. O dinheiro é um tipo de bilhete genérico, o que é sua única diferença de um bilhete de trem ou de teatro. Se essa afirmação parece infantil que o leitor pense por um momento sobre diferentes tipos de bilhetes.

Um bilhete de trem é um bilhete mensurado. Um bilhete de Londres a Brighton difere de um de Londres para Edinburgh. Ambos são mensurados, mas em milhas que sempre permanecem as mesmas. Um bilhete de dinheiro, sob um sistema corrupto, oscila. Por muito tempo o público tem confiado em pessoas cujas medidas eram impudentes.

Outro ângulo. Bilhetes de teatro possuem tempo. Você provavelmente não aceitaria um bilhete para a Fila H, Assento 27, se ele não fosse datado. Quando seis pessoas tem direito ao mesmo assento ao mesmo tempo os bilhetes não são particularmente bons. (Orage perguntou; Chamaríamos inflação o imprimir bilhetes para cada assento da casa?) Você ouvirá o dinheiro ser chamado de "um meio de troca", o que significa que ele pode circular livremente, como uma medida de bens e serviços, de mão para mão.

GARANTIA DE TROCA FUTURA

Nós teremos definido o dinheiro adequadamente quando tivermos afirmado o que ele é em palavras que não possam ser aplicadas para qualquer outra coisa e quando não haja nada sobre a natureza essencial do dinheiro que esteja omitida de nossa definição.

Quando Aristóteles chama o dinheiro de "uma garantia de troca futura" isso meramente significa que ele é um bilhete sem data, que será válido quando nós quisermos fazer uso dele. Bilhetes às vezes tem sido válidos por mais de um século. Quando nós não entregamos dinheiro imediatamente em troca de bens ou serviços recebidos diz-se que nós temos "crédito". O "crédito" é a crença do outro homem de que nós podemos e eventualmente entregaremos o dinheiro ou algo medido pelo dinheiro.

A maioria dos homens tem estado tão atenta ao ente individual do dinheiro, como medida, que esqueceu seu propósito, e então caiu em bagunças e confusões inextricáveis relativas à quantia total de dinheiro em um país. Um martelo perfeitamente bom é inútil para limpar seus dentes. Se você não sabe para que serve o dinheiro, você se confundirá ao usá-lo, e um governo se confundirá mais ainda em sua "política monetária".

Em termos estatais, isto é do ponto de vista de um homem ou partido que quer governar com justiça, um pedaço de dinheiro é um bilhete, o dinheiro do país é uma massa de bilhetes para conseguir a comida e bens justamente distribuídos. O trabalho par um homem hoje que está tentando escrever um panfleto por dinheiro não é dizer algo novo, não é pensar algo ou provar uma teoria, é simplesmente fazer uma afirmação clara sobre coisas que são sabidas há 200, e às vezes há 2.000 anos. Você tem que saber qual é a função do dinheiro.

PROPÓSITO DO DINHEIRO

Se você acha que ele é uma armadilha para homens ou um meio de parasitar o público, você vai admirar o sistema bancário do jeito que ele é administrado pelos Rothschilds e pelos banqueiros internacionais. Se você pensa que ele é um meio de espremer lucros do público, você vai admirar a bolsa de valores. Daí finalmente em prol de manter suas idéias em ordem você precisará de alguns princípios.

O objetivo de um sistema econômico sadio e decente é consertar as coisas para que pessoas decentes possam comer, ter roupas e casas até o limite de bens disponíveis.

O VALOR DO DINHEIRO

Pegue o dinheiro em tal sistema como meio de troca, e então perceba que para que ele seja um meio de troca justo ele tem que ser mensurado.

O que você usará para medir o valor de qualquer coisa? Um ovo é um ovo. Você pode comê-lo (até que ele estrague). Ovos não tem todos o mesmo tamanho, mas eles podem servir entre povos primitiso como uma medida aproximada.

Unterguggenberger, o reformador monetário austríaco, usava o TRABALHO como medida, "Arbeitswert", 10 schillings de trabalho. Isso era funcional em um vale de montanha no qual todo mundo podia fazer praticamente o mesmo tipo de trabalho nos campos. Carlos Magno usava uma medida de cereais, tantos punhados de cevada, trigo ou centeio valendo um denário. O preço justo da cevada tanto para o punhado.

Em 796 d.C., eram dois denários. E em 808 d.C., eram três denários. Isso quer dizer que o fazendeiro ganhava mais denários pela mesma quantidade de cevada. E esperemos que ele podia comprar mais de outras coisas com estes denários. Infelizmente o valor de todas as coisas depende de se há uma escassez real, o bastante  ou mais do que pode ser usado em um dado momento. Um punhado de ovos valem muito para um homem faminto em uma balsa. O trigo vale mais em algumas estações do que em outras. O mesmo ocorre com o ouro, bem como com a platina. Uma única commodity (mesmo o ouro) como base para o dinheiro não é satisfatório.

A autoridade estatal por trás da cédula impressa é o melhor meio de estabelecer uma moeda justa e honesta. Os chineses compreenderam isso há mil anos atrás, como podemos ver a partir da nota do Estado Tang (e não do banco). É inerente à soberania o direito de emitir moeda e determinar o seu valor.

Os interesses americanos ocultam a cláusula mais vital de nossa constituição. O governo americano não tem, eles dizem, o direito de fixar preços. Mas ele tem o direito de determinar o valor do dinheiro e esse direito pertence ao Congresso.

Essa é uma mera diferença em formalidades legais e arranjos verbais. O governo americano tem o direito de dizer "um dólar equivale a um celemim de trigo, a dez galões de petróleo". Então o governo americano poderia estabelecer o preço justo, e um sistema de preço justo.

O PREÇO JUSTO

A partir do escambo se desenvolveu a doutrina canônica do preço justo, e mil anos de pensamento desde São Ambrósio a São Antonino de Florença, quanto a como determinar o preço justo. Tanto os creditistas sociais douglasianos como os católicos modernos postulam o preço justo como uma parte necessária de seus Sistemas. A reclamação válida contra Douglas é que ele não inventou e desenvolveu instrumentos para impôr o preço justo. Um padre recentemente me contou que os distributistas ingleses perceberam há pouco tempo que eles não tinham mecanismos para instituir e impor o preço justo.

Apenas o Estado pode efetivamente fixar o preço justo de qualquer commodity por meio de reservas estatais de matérias-prima e pela restauração da organização corporativa na indústria.

A QUANTIDADE DE DINHEIRO

Tendo determinado o tamanho de seu dólar, ou meia coroa ou shilling, o próximo trabalho do seu Governo é garantir que os bilhetes sejam devidamente impressos e que eles cheguem às pessoas certas.

As pessoas certas são todas aquelas que não estão engajadas na criminalidade, e crime pela duração desse panfleto significa entre outras coisas enganar o resto dos cidadãos através de esquemas monetários. Nos EUA e na Inglaterra não há dinheiro suficiente. Não há nem ao menos cédulas suficientes circulando entre toda a população para comprar o que elas necessitam - mesmo quando os bens estão ali no balcão ou apodrecendo em armazéns.

Quando a totalidade da nação não tem ou não pode obter comida suficiente para seu povo, essa nação é pobre. Quando comida suficiente existe e o povo não consegue obtê-la através de trabalho honesto, o Estado é podre, e nenhum esforço linguístico será capaz de expressar isso completamente. Mas um banqueiro ou professor dizer que o país não pode fazer isso, aquilo ou aquilo outro porque carece de dinheiro é uma mentira tão negra e fétida, quanto baixa e imbecil, como seria dizer que o país não pode construir estradas porque não tem quilômetros. (Eu não inventei essa frase, mas ela é boa demais para que eu não a use). Roosevelt e seus professores estavam no caminho certo com seu dolár commodity, mas eles desconsideraram e ocultaram e se esquivaram do problema de ter cédulas suficientes para servir toda a população, e de manter essas cédulas circulando.

É uma questão de Estado garantir que haja dinheiro suficiente nas mãos de TODO o povo, e em uma troca adequadamente rápida, para efetivar a distribuição de toda a riqueza produzida e produtível. Até que cada membro da nação coma três vezes por dia e tenha abrigo e roupa, uma nação ou é preguiçosa ou doente. Se isso ocorre em um Estado rico então as riquezas do Estado não estão sendo empregadas corretamente.

Todo valor vem do trabalho. O trigo vem do plantio, a castanha vem da coleta. Mas muito trabalho foi feito por homens (em sua maioria inventores, construtores de fábricas, etc.) que agora estão MORTOS, e que portanto não podem comer e vestir roupas.

CRÉDITO SOCIAL

Em respeito a esse legado de eficiência mecânica e progresso científico nós temos a nossa disposição um grande volume de crédito social, que pode ser distribuído para o povo como bônus acima de seu salário. Douglas propôs elevar o poder de compra total de todo o povo através de uma emissão per capita de cédulas proporcional aos bens disponíveis. Na Inglaterra e nos EUA hoje, os bens disponíveis e desejados permanecem não comprados porque o poder de compra total (ou seja, a soma total de cédulas) é inadequado. Mussolini e Hitler perderam pouco tempo propondo. Eles começaram a agir e distribuem tanto cédulas como bens em várias escalas graduadas segundo as virtudes e atividades de italianos e alemães. Douglas objetaria que isso não é "democrático" (ou seja, igualitário) mas para o cientista monetário ou economista o resultado é o mesmo. Os bens estão sendo distribuídos.

Há um ângulo levemente diferente no modo como esses diferentes homens percebem a justiça. Todos eles concordam que a decidiência no poder de compra total de uma nação deve ser compensado. Dez anos atrás ou mais eu disse que Mussolini havia alcançado mais do que Douglas, porque Douglas havia apresentado suas idéias como um sistema de ganância, e não como um sistema de vontade.

Ambos Sistemas, fascista e douglasiano, diferem como o dia difere da noite em relação à degradação do assistencialismo, da infâmia do sistema britânico no qual homens que estão desempregados recebem dinheiro de homens que trabalham, e no qual os desempregados se tornam progressivamente ineptos para o trabalho ou para aproveitar as sensações da vida. Não apenas eles são um fardo sobre os trabalhadores, mas eles são um fardo para todas as pessoas que estão tentando manter um padrão decente de vida. Toda a escala de valores resta profanada. A cada ano vemos menos senso de valor social; menos sendo de viver a vida sem prejudicar o próximo; de vidas nas quais alguma medida e prudência são observadas.

Não há nada novo em criar dinheiro para distribuir riqueza. Se você não acredita que o imperador Tching Tang emitiu o primeiro dividendo nacional em 1766 a.C. você pode chamar de outra coisa. Pode ter sido um benefício emergencial, mas a história pelo menos esclarecerá uma confusão. O imperador abriu uma mina de cobre e emitiu moedas redondas com buracos quadrados e as deu aos pobres "e esse dinheiro os permitiu comprar cereais dos ricos", mas ele não teve efeito sobre a escassez geral de cereais.

Essa história tem 3.000 anos de idade, mas ela ajuda a entender o que é o dinheiro e o que ele pode fazer. Para o propósito do bom governo ele é um bilhete para a distribuição organizada do que está disponível. Ele pode ser até um incentivo para plantar ou fabricar mais cereais ou bens, isso é para alcançar abundância. Mas ele em si NÃO é abundância.

INFLAÇÃO

O termo inflação é usado como um bicho-papão para amedrontar as pessoas em relação a qualquer expansão monetária. Inflação REAL só começa quando você emite dinheiro (títulos mensurados) contra bens ou serviços que permanecem não distribuídos (como os assignats da Revolução Francesa emitidos contra terras estatais) ou quando você os emite em excesso do que é necessário. Isso quer dizer: dois ou mais bilhetes para o mesmo assento ao mesmo tempo, ou bilhetes em Londres para uma performance teatral hoje em Bombaim.

O dinheiro pode ser expandido desde que cada título mensurado possa ser honrado pelos produtores e distribuidores da nação através dos bens e serviços desejados pelo público, quando e onde eles os quiserem. Inflação é um perigo, estagnação é outro.

A LETRA DE CÂMBIO DE GESELL

Silvio Gesell, o reformador monetário sulamericano, viu o perigo do dinheiro ser acumulado e propos lidar com isso pela emissão de "letras de câmbio seladas". Isso deveria ser uma nota do governo demandando que seu portador afixasse um selo com valor de até 1% de seu valor facial no primeiro dia de cada mês. A não ser que a nota tenha consigo seu complemento devido ou estampas mensais ela não é válida.

Isso é uma forma de imposto sobre o dinheiro e no caso da moeda britânica poderia assumir a forma de 1/2d ou 1d por mês ou uma nota de dez shilling e 1d ou 2d sobre uma libra. Há qualquer número possível de impostos, mas o tipo de imposto de Gesell só pode recair sobre um homem que tenha, em seu bolso, no momento em que o imposto se torna devido, cem vezes mais, pelo menos, do que a quantidade do imposto.

O tipo de dinheiro de Gesell garante um meio e medida de troca que não pode ser acumulado impunemente. Ele sempre permanece em movimento. Os banqueiros não poderiam trancá-lo em seus porões e cobrar ao público por deixá-lo sair. Ele também tem o benefício adicional de colocar os comerciantes de bens perecíveis em uma desvantagem menor ao negociar com os donos de dinheiro teoricamente imperecível. Eu gosto particularmente de Gesell, porque uma vez que as pessoas tenham feito uso de letras de câmbio seladas elas TEM uma noção clara de dinheiro, elas entendem o dinheiro melhor do que homens que nunca fizeram uso delas. Eu não estou mais ansioso do que quem seja para usar um tipo novo de selo, mas eu mantenho que o público não é estúpido demais para usar selos e que não há ganho em fingir que eles são estúpidos demais para entender o dinheiro.

Eu não digo que temos que usar o método do Gesell. Mas uma vez que você compreenda o motivo pelo qual ele o aplicou você não será depenado por banqueiros e "autoridades financeiras" sem saber como você está sendo depenado. É por isso que Gesell é tão útil como professor. Ele propos um jeito bastante simples de manter suas cédulas circulando.

DINHEIRO ESTATAL

Em 1816 Thomas Jefferson fez uma afirmação básica que não foi adequadamente diferida, muito menos colocada em perspectiva com várias "propostas modernas" para melhores especiais sobre o maldito e destrutivo sistema atual. É melhor que o leitor enquadre a afirmação de Jefferson:

"E se as cédulas nacionais emitidas forem lastreadas (como é indispensável) sobre promessas de impostos específicos para seu resgate dentro de um tempo certo e moderado, e forem de denominações adequadas para a circulação, nenhum juro sobre elas seria necessário ou justo, porque elas corresponderiam a cada um dos propósitos do dinheiro metálico retirado e substituído por elas". Jefferson a Crawford, 1816.

A fórmula de Jefferson é sólida. Se o Estado emite dinheiro suficiente para gastos válidos e justificáveis e o mantem se movendo, circulando, saindo pela porta da frente e voltando pela janela dos impostos, a nação não sofrerá estagnação. A questão do dinheiro honesto é um serviço e quando o Estado realiza o serviço o Estado tem o direito a uma justa recompensa, o que difere de quase todas as formas conhecidas de impostos.

Eu digo "quando o Estado emite", porque quando Estados são fracos ou incompetentes ou sua emissão inadequada, então indivíduos e aglomerados de homens ou localidades tem assumido essa atividade (ou a mantiveram desde eras pré-estatais), e é melhor, na verdade é necessário, que a função da medida de troca continue a ser realizada do que deixe de operar.

Por outro lado uma nação cuja medida de troca esteja à mercê de forças externas à nação, é uma nação em perigo, é uma nação sem soberania nacional. É uma nação se idiotas incompetentes vagando em direção à ruína. Vamos repetir. É inerente à soberania o direito de emitir títulos mensurados de riqueza, isto é, dinheiro.

GARANTIAS NECESSÁRIAS

Nenhuma parte ou função do governo deve estar sob supervisão mais rígida, e em nenhuma outra parte do governo deve um critério moral superior ser tão garantido. O dinheiro estatal baseado na riqueza nacional deve substituir o ouro manipulado pelos usurários internacionais. A ordam sadia na fundação de uma dinastia ou na reorganização de um governo é:

PRIMEIRO conseguir os resultados, ou seja garantir que o povo seja alimentado e abrigado. ENTÃO regular o mecanismo de distribuição (sistema monetário ou o que seja) que não cairá em decadência.

Por exemplo, J.Q. Adams, um dos pais fundadores americanos, tinha ótimas idéias socialistas ou estatais sobre reservar a riqueza nacional para propósitos educacionais ou speriores. Suas propostas foram extemporâneas. Jackson abriu a terra; colonos puderam ir e pegar um punhado cada um, livremente. Isso foi feito na hora certa e foi útil. Mas nenhuma medida foi tomada para impedir colonos de transferir essa terra quando eles não tinham mais uso para ela e não queria trabalhar nela. Daí as terras americanos degeneraram em latifúndios. O mesmo perigo se aplica a sistemas monetários. Estabeleça um sistema monetário justo e perfeito e em três dias rufiões e bastardos de mentalidade mercantilista e monopolista, começaram a pensar em algum esquema para ludibriar o povo. Os caçadores de concessões vão brotar em novas formas enquanto a merda feder e a humanidade continuar produzindo abortos mentais. John Adams viu desde cedo que logo os especuladores substituiriam os pequenos tiranos dos latifúndios.

Por volta de 1860 um dos Rothschilds foi gentil o bastante para admitir que o sistema bancário era contrário ao interesse público, e isso foi antes que a sombra dos cárceres de Hitler caíssem sobre as fortunas de sua família. É o papel dessa geração fazer o que não foi terminado pelos primeiros democratas. O sistema de guildas, imbuindo o povo por ocupação e vocação com poderes corporativos, dá a ele os meios de se proteger por todo o tempo contra o poder monetário.

Se você não gosta do sistema de guildas, tente conseguir os mesmos resultados com algum outro, mas não perca a cabeça esquecendo quais são os objetivos dos homens limpos. E não minta para si mesmo e confunda um arado com uma hipoteca e vice-versa. É inútil falar de economia ou ouvir outrem falando de economia ou ler livros sobre o tema até que tanto leitor como escritor saibam o que querem dizer através da meia-dúzia de termos mais simples e necessários frequentemente usados.

UM SISTEMA ECONÔMICO

A primeira coisa na qual um homem deve pensar quando ele propõe um sistema econômico é; QUAL É SUA FUNÇÃO? E a resposta é: garantir que toda a população seja capaz de comer (de maneira sadia), de se abrigar (decentemente) e se vestir (de modo adequado ao clima). Outra forma dessa afirmação é a de Mussolini:

"Disciplinar as forças econômicas e igualá-las às necessidades da nação".

A Esquerda afirma que a propriedade privada destruiu esse propósito autêntico de um sistema econômico. Vejamos como a propriedade era definida, no início da era capitalista durante a Revolução Francesa.

"A propriedade é o direito que cada cidadão tem de desfrutar e dispor da porção de bens que lhe é garantida pela lei. O direito de propriedade é limitado, bem como o são todos os outros direitos pela obrigação de respeitar os direitos alheios. Ela não pode ser prejudicial à segurança, nem à liberdade ou à existência, nem à propriedade de outros homens. Cada posse, cada tráfico, que viole este princípio é ilícito e imoral" - Robespierre.

USURA

A perspectiva do maldito século XIX mostra pouco mais do que a violação desses princípios pela usurocracia demoliberal. A doutrina do Capital, em resumo, demonstrou ser pouco mais do que a idéia de que ladrões desprovidos de princípios e grupos antissociais deveriam ter a permissão de mastigar os direitos de propriedade. Essa tendência a "mastigar" tem sido reconhecida e estigmatizada desde o tempo das leis de Moisés e ele a chamou de neschek. E nada difere mais disso do que o direito de compartilhar os frutos de um trabalho comum cooperativo.

De fato, a usura tornou-se a força dominante no mundo moderno. "Ademais, o imperialismo é uma imensa acumulação de capital em uns poucos países, o que, como nós vimos, chega a 4 ou 5 mil milhões de libras esterlinas em garantias. Daí o crescimento estraordinário de uma classe, ou melhor um estrato, de rentistas, ou seja, pessoas que vivem de 'cortar cupões', que não tomar parte de qualquer iniciativa, e cuja profissão é o ócio. A exportação de capital, uma das bases econômicas mais essenciais do imperialismo, isola ainda mais essa camada rentista em relação a produção, e imprime o selo do parasitismo em todo o país vivendo da exploração do trabalho de diversos países e colônias ultramarinas". V.I. Lênin, citando Hobson, em "Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo".

Muito bem! Isso vem de Lênin. Mas você poderia citar a mesmas substância a partir de Hitler, que é um nazista (observe o parágrafo do "Minha Luta" magnificamente isolado por Wyndham Lewis em seu "Hitler" - "A luta contra as finanças internacionais e o capital prestamista tornou-se o ponto mais importante do programa nacional-socialista; a luta da nação alemã por sua independência e liberdade".

Você poderia citar a partir de Mussolini, um fascista, ou de C.H. Douglas, que se diz democrata e seus seguidores os únicos democratas autênticos. Você poderia citar a partir de McNair Wilson que é um monarquista cristão. Você poderia citar de uma dúzia de outras fontes que não fazem idéia de que estão parafraseando Lênin. As únicas pessoas que não parecem ter lido e digerido esse seu ensaio é o Partido Trabalhista Britânico e vários grupos de supostos comunistas ao redor do Ocidente.

Alguns fatos são agora conhecidos para além de partidos, algumas percepções são a herança comum de todos os homens de boa vontade e apenas os jornais judaicos e o que há de pior do que eles tentam agora obscurecê-los. Entre o que há de pior do que os jornais judaicos devemos litar os professores contratados que ensinam mentiras às novas gerações, que mentem por recompensa e que continuam a mentir por pura preguiça e inércia e por um desprezo canino pelo bem-estar da humanidade. Nesse ponto, e para prevenir a profusão ignoratio elenchi, eu gostaria de distinguir entre o preconceito contra o judeu enquanto tal e a sugestão de que o judeu deve encarar seu próprio problema.

Ele em seu caso individual deseja observar a lei de Moisés? Ele propõe continuar a roubar outros homens através da usura ao mesmo tempo em que deseja ser considerado um "semelhante"? Esse é o tipo de duplicidade que uma corrupta delegação inglesa tentou impor através da Liga das Nações (fachada para a pior corrupção internacional em Basel).

A usura é o câncer do mundo, que apenas a faca cirúrgica do fascismo pode extirpar da vida das nações.

APÊNDICE

1. "O negócio bancário é declarado um monopólio estatal", Lênin, Kryienko, Podvoisky, Gorbunov. O que, é claro, significa "todo o poder" para o Estado.

2. "Disciplinar as forças econômicas e igualá-las às necessidades da nação", Mussolini, Consgina para o Ano XII.

3. "Problema da produção resolvido, economistas convocados pelo Estado devem agora resolver o problema da distribuição". Ibid.

4. Rossoni, ministro italiano, indica a política de ofammassi, ou agrupamento de cereais com possibilidades de um sistema de impostos totalmente diferente.

Observe que extorsão tem normalmente consistido em forçar pessoas a pagar em uma substância ou através de um meio que elas não possuem e que elas são então forçadas a obter a um preço injusto.

5. Bankhead propos o uso da letra de câmbio selada no Senado americano, possivelmente a única proposta monetária 100% honesta feita na legislatura americana desde que a civilização americana oi destruída pela Guerra Civil.

6. Daladier, independentemente de seus erros, propos o uso da letra de câmbio selada em uma assembléia do Partido Radical Francês, possivelmente a única proposta monetária 100% honesta feita naquele país podre e miserável desde que Necker lá introduziu seu verme, e desde que o Banco da França foi cravado nas costas do povo. 

Essas afirmações devem ser encaradas e ou verificadas ou refutadas. Uma gigantesca e escorregadia ignorância persiste. Preocupações americanas contratam o mais baixo grau de jornalistas para obscurecer a mente americana. Nós deveríamos supor que nem empregador nem escritor sabem que salários são pagos em dinheiro; que dividendos são pagos em dinheiro; que matérias-primas e produtos acabados são comprados com dinheiro?

Quanto a melhores mentiras não há limite discernível entre as mentiras do Saturday Evening Post e os pronunciamentos diários dos "estadistas" e da imprensa britânicas.

SOBRE A INGLATERRA

Até onde eu saiba nenhuma política monetária 100% honesta foi oficialmente proposta no Parlamento Britânico desde que o Banco da Inglaterra foi fundado. Nem qualquer dos maiores corpos religiosos na Inglaterra falou em favor da honestidade monetária comum. O seu sistema de impostos é uma infâmia. O camponês não come mais porque as pinturas de Raeburn ou Constable são tomadas da casa senhorial e colocadas no porão do comerciante de arte judeu sob uma sombria e iníqua taxa sobre heranças.

O obscurecimento do senso da natureza do dinheiro destruiu todas essas belas coisas inutilmente. A casa senhorial desmantelada que podia e devia mostrar um modelo de como viver, foi transformada em um esqueleto sem propósito algum. Se algum aparador de sebe ou cavador de canal recebeu meia onça a mais de carne PORQUE a biblioteca da casa senhorial foi vendida e seus quadros colocados a leilão, poderia haver alguma justificativa nesses impostos. Mas não há justificativa para os impostos como eles são agora na Grã-Bretanha.

PARA O ARKANSAS

"No Mississippi o plantador de algodão médio produz quatro fardos de algodão por ano, no mercado atual, 42.00 dólares o fardo. Isso equivale a 170 dólares por um ano de trabalho. Uma filha dessa família ganhando em média 12 dólares por semana em uma fábrica próxima ganha 624 dólares por ano, mais de três vezes a renda da fazenda" - Commonwealth College Fortnightly de Mensa, Arkansas em 1 de março de 1938. Daí as afirmações de que "dinheiro não é tudo" e que "esse não é exclusivamente um problema monetário".

Vocês poderiam ter uma cunhagem justa e estável; medida por ovos, pelo trabalho ou por um índice logarítmico de preços, e este fazendeiro poderia ainda ganhar apenas 42.00 dólares por fardo e ser incapaz de plantar mais algodão por acre. Essa afirmação vai satisfazer meus amigos bolcheviques no Arkansas e aqueles que acham que eu estou preocupado apenas com dinheiro?

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