quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Doutrina Legionária

por Christopher Thorpe



A Doutrina Legionária (também chamada Legionarismo) se refere à filosofia e crenças apresentadas pela Legião de São Miguel Arcanjo (também comumente conhecida como a Guarda de Ferro), a organização nacionalista romena cristã fundada por Corneliu Zelea Codreanu, que é a figura-chave na criação de sua doutrina. É necessário esclarecer o que os membros do Movimento Legionário ensinavam e acreditavam devido a muitos equívocos surgidos da ignorância ou de distorções diretas, bem como pela suposição errônea de que o Movimento Legionário era basicamente uma imitação do Fascismo ou do Nacional-Socialismo.

Precursores

Em 1878 e 1879, após a Romênia ter conquistado sua independência do Império Otomano, a nova nação queria ser reconhecida por outras potências europeias. Os romenos não conseguiram isso sem assinar o Tratado de Berlim, que os forçou a dar cidadania aos judeus, uma população hostil e alienígena em terra romena. Ainda que o tratado tenha sido assinado, certas figuras políticas e culturas relevantes na história romena se pronunciaram contra os judeus de modo a alertar a nação para o fato de que os judeus eram culturalmente e economicamente nocivos. As obras desses homens de 1879 foram fontes intelectuais significativas do nacionalismo cristão e da consciência acerca da Questão Judaica do Movimento Legionário. Os mais influentes deles eram os seguintes:

* Vasile Conta (1845-1882) - filósofo e político
* Vasile Alecsandri (1821-1890) - diplomata e político
* Mihail Kogălniceanu (1817-1890) - estadista e historiador
* Mihail Eminescu (1850-1889) - poeta e jornalista
* Bogdan Petriceicu Hasdeu (1838-1907) - historiador e filólogo
* Costache Negri (1812-1876) - político
*A.D. Xenopol (1847-1920) - historiador e economista

Outros intelectuais, que viveram no início do século XX e viram o nascimento e crescimento do Movimento Legionário, também educaram Codreanu e outros legionários acerca da Questão Judaica, do misticismo nacional, do misticismo ortodoxo, e de práticas econômicas. Estes homens eram:

* A.C. Cuza (1857-1947) - político e professor de direito e economista político
* Nicolae Iorga (1871-1940) - historiador, professor de história, e político
* Nicolae Paulescu (1869-1931) - fisiologista, professor de medicina, e filósofo
* Ion Gavanescul (1859-1949) - professor de pedagogia
* Nichifor Crainic (1889-1972) - professor de teologia, teólogo e filósofo

Para evitar equívocos, deve ser notado que não está implicado aqui que os precursores do Movimento Legionário concordavam com a Doutrina Legionária em todos os pontos. Por exemplo, alguns deles tinham atitudes políticas diferentes; a Legião rejeitava o republicanismo enquanto precursores como Eminescu apoiavam o sistema democrático.

Anti-Semitismo e a Questão Judaica

Algumas pessoas hoje que seguem a Doutrina Legionária ou admiram os legionários afirmam que a Legião não era anti-semita, mas apenas parecia assim por causa de um problema judaico na Romênia. Uma das principais razões pelas quais eles fazem objeção ao termo "anti-semita" é por causa de uma certa maneira pela qual este termo é definido por judeus e filo-semitas. Tais grupos o definem como um ódio irracional por todos os judeus, e neste caso os legionários realmente não eram anti-semitas, já que sua hostilidade aos judeus não era irracional, nem eram eles inimigos de todos os judeus (já foi apontado que a Legião tinha alguns apoiadores judeus, ainda que se deva lembrar que a maioria dos judeus eram inimigos da Legião).

Porém, no final do século XIX e início do século XX o termo anti-semita era simplesmente definido como alguém que tinha hostilidade pelos judeus e se opunha a sua presença em sua nação. É assim que Cuza e outros precursores, Corneliu Codreanu, e seu sucessor Horia Sima o definiam, e todos eles não viam problema algum em se dizer anti-semitas. Codreanu afirmou abertamente em seu principal livro Por Meus Legionários acerca de sua visita à Alemanha que "eu tive muitas discussões com os estudantes de Berlim em 1922, que são certamente hitleristas hoje, e eu tenho orgulho de ter sido seu professor no anti-semitismo, exportando para eles as verdades que eu aprendi em Iasi".

Deveria ser notado, porém, que enquanto Codreanu não tinha problemas em se associar com o movimento Nacional-Socialista alemão (ainda que ele corretamente insistisse que sua Legião era inteiramente independente do Nacional-Socialismo), Horia Sima fazia objeção a qualquer conexão entre os dois após a Segunda Guerra Mundial. Em seu livro de 1967 Istoria Miscarii Legionare (História do Movimento Legionário) Sima escreveu:

"O Movimento Legionário, desde sua primeira manifestação, foi o objeto de todos os tipos de difamações. Uma das alegações mais comuns por seus incontáveis inimigos internos e externos era que a Legião era um 'braço do Nazismo'. Tais afirmações podem ser vistas como resultado de ignorância ou má-fé. O anti-semitismo do Movimento Legionário não tinha nada em comum com o anti-semitismo alemão. Ao montar uma resistência contra a ameaça judaica, um perigo extremamente ativo e ameaçador na Romênia, Corneliu Codreanu estava simplesmente continuando uma tradição romena de quase um século".

Deveria ser enfatizado também que a hostilidade legionária pelos judeus como grupo étnico era efetivamente racional, baseada não apenas nos estudos científicos da Questão Judaica por intelectuais como Cuza, Paulescu, Iorga, Xenopol, et al. mas também em experiências e observações reais feitas por muitos romenos comuns. O problema judaico era uma realidade viva. Tanto observação intelectual como observação comum mostrava às pessoas para além de qualquer dúvida que a maioria dos judeus não apenas vivia parasitariamente sobre o trabalho dos trabalhadores romenos através de sua propriedade de muitas companhias ou pela atividade financeira, mas que também representavam uma ameaça à cultura e tradição romenas, que eles estavam afetando através de sua influência sobre a mídia de massa e certas políticas governamentais.

Também vale a pena notar que enquanto Codreanu estava primariamente preocupado com a condição romena, ele acreditava que uma aliança entre nações era necessária para resolver o problema judaico internacionalmente. Isso é tornado claro por uma afirmação em Por Meus Legionários:

"Lá, eu compartilhei com meus camaradas um velho pensamento meu, o que ir à Alemanha continuar meus estudos em economia política enquanto ao mesmo tempo tentava realizar minha intenção de levar nossas idéias e crenças ao exterior. Nós percebemos bem, com base em nossos estudos, que o problema judaico tinha um caráter internacional e a reação, portanto, devia ter um escopo internacional; que uma solução total desse problema não poderia ser alcançado a não ser pela ação de todas as nações cristãs despertas para a consciência da ameaça judaica".

A solução para o problema judaico não era matar os judeus, como muitas pessoas desonestas acusam Codreanu de querer, mas expulsar os judeus da Romênia. Esse plano de deportação é claramente afirmado no Manual do Líder de Ninho, em que ele escreveu "Romênia para os romenos e Palestina para os judeus".



Economia e Trabalho: Anti-Comunismo e Anti-Capitalismo

Quando Codreanu primeiro foi à Universidade de Iasi em 1919, anos antes dele criar a Legião, ele descobriu que a maior parte da cidade e da unviersidade eram fortemente influenciados por campanhas políticas comunistas. Os trabalhadores romenos estavam sujeitos a terríveis condições de trabalho e tinham salários baixíssimos, então eles forem levados ao comunismo por propagandistas marxistas. Professores e estudantes na Universidade também haviam em sua maior parte se convertido ao comunismo, e encontros de estudantes comunistas atacavam o exército romeno, a Igreja Ortodoxa, a monarquia e outros aspectos da vida tradicional romena. Foi essa situação que levou Codreanu a uma luta heróica contra o comunismo, finalmente levando um grupo conservador a esmagar completamente o movimento comunista. Codreanu, sendo um tradicionalista, insistia em defender a fé em Deus, o nacionalismo, a Coroa e a propriedade privada.

Por outro lado, Codreanu também acreditava em lutar contra o sistema capitalista, o qual ele percebeu ser um sistema inerentemente explorador, que permitia que corporações explorassem milhões de trabalhadores. Em 1919, enquanto formava o programa do "socialismo nacional cristão", ele afirmou que "não é o bastante derrotar o comunismo. Nós devemos lutar também pelos direitos dos trabalhadores. Eles tem um direito ao pão e uma luta a honrar. Nós devemos lutar contra os partidos oligárquicos, criando organizações nacionais de trabalhadores que possam conquistar seus direitos dentro da estrutura do Estado e não contra o Estado".

Depois, em 1935 ele anunciou a criação de um novo sistema que ele esperava ser adotado pela nação como um todo uma vez que o Movimento Legionário tomasse o poder: "O comércio legionário significa uma nova fase na história do comércio, o qual foi manchado pelo espírito judaico. É chamado: comércio cristão - baseado no amor pelo povo e não em seu roubo; comércio baseado na honra". Essencialmente, Codreanu era um socialista de terceira via, apoiando a propriedade privada mas ao mesmo tempo se opondo ao sistema materialista e monetarista do capitalismo. Outro ponto importante das idéias de Codreanu para a Romênia é que o trabalho é algo em que todos devem estar envolvidos. A preguiça era um traço que devia ser tratado como um vício extremamente negativo. Todos os legionários faziam alguma forma de trabalho físico, muitas vezes para ajudar romenos pobres em seu próprio trabalho e problemas. Codreanu escreveu: "A lei do trabalho: Trabalhar! Trabalhar todo dia. Colocar seu coração nisso. Que sua recompensa seja, não o lucro, mas a satisfação de ter colocado outro tijolo na construção da Legião e no florescimento da Romênia".

Uma questão que tem sido muitas vezes levantada contra Codreanu é o fato de que ele associa tanto capitalismo como comunismo com os judeus, na medida em que ambos eram dominados por judeus na Romênia. Ele escreveu, conectando os judeus capitalistas e os judeus comunistas, "mas os trabalhadores industriais estavam se inclinando vertiginosamente em direção ao comunismo, sendo sistematicamente alimentados com o culto por essas idéias pela imprensa judaica, e geralmente por toda a judiaria das cidades. Cada judeu, comerciante, intelectual, ou banqueiro, em seu âmbito de atividade, era um agente dessas idéias revolucionárias anti-romenas". Alguns de seus inimigos fizeram objeção em relação a essa conexão dizendo que era ridículo dizer que empresários e banqueiros judeus apoiariam comunistas, que supostamente os destruiriam após uma revolução, já que eles iam querer eliminar os capitalistas. Mas deve ser lembrado que nem toda a burguesia era exterminada nas revoluções comunistas na Europa. Algumas vezes, membros da burguesia que apoiavam o comunismo antes de uma revolução, que muitas vezes eram judeus, receberiam um lugar no sistema comunista uma vez que a revolução fosse alcançada.

Nação e Terra

Os legionários acreditavam que as nações não eram meramente produtos da história e da geografia, mas eram criadas pelo próprio Deus e possuíam um componente espiritual consigo. Codreanu escreveu em Para Meus Legionários, adotando os ensinamentos de Nichifor Crainic:

"Se o misticismo cristão e seu objetivo, o êxtase, é o contato do homem com deus através de um 'salto da natureza humana à natureza divina', o misticismo nacional não é nada senão o contato do homem e das multidões com a alma do povo através de um salto que essas forças realizam do mundo dos interesses pessoais e materiais ao mundo externo da nação. Não através da mente, já que isso qualquer historiador pode fazer, mas vivendo pela alma".

Uma nação também era inseparável da terra na qual ela se desenvolvia, com a qual o povo desenvolveu uma conexão espiritual ao longo do tempo. Codreanu escreveu sobre o povo romeno:

"Nós nascemos nas névoas do tempo nessa terra junto aos carvalhos e às figueiras. Nós estamos presos a ela não apenas pelo pão e pela existência que ela nos fornece conforme trabalhamos nela, mas também pelos ossos de nossos ancestrais que dormem sob seu chão. Todos os nossos pais estão aqui. Todas as nossas memórias, toda a nossa glória bélica, toda nossa história aqui, nessa terra esta enterrada. Aqui dormem os romenos caídos em batalhas, nobres e camponeses, tão numerosos quanto as folhas e como a grama... em todo lugar o sangue romeno correu como rio. No meio da noite, em tempos difíceis para nosso povo, nós ouvimos o chamado da alma romena nos convocando para a batalha. Nós estamos ligados a essa terra por milhões de tumbas e milhões de fios invisíveis que só nossa alma sente".

Finalmente, deve ser notado que Codreanu também acreditava que cada nação possui uma missão a realizar no mundo e que, portanto, apenas as nações que traem essa missão, dada a elas por Deus, desaparecerão da terra. "Para nós romenos, para nosso povo, como para qualquer outro povo no mundo, Deus deu uma missão, um destino histórico", escreveu Codreanu. "A primeira lei que uma pessoa deve seguir é a de seguir o caminho desse destino, cumprindo a missão que lhe foi confiada. Nosso povo jamais abandonou as armas ou desertou de sua missão, independentemente do quão difícil ou longo foi nosso Golgota". O objetivo de uma nação, ou seu destino no mundo do espírito, é que ela não meramente exista no mundo mas que ela busque pela ressurreição através dos ensinamentos de Cristo. "Virá um tempo em que todos os povos da terra serão ressuscitados, com todos os seus mortos e todos os seus reis e imperadores, cada povo tendo seu lugar diante do trono de Deus. Esse momento final...é o mais nobre e mais sublime ao qual um povo pode ascender". Foi por esse ideal que a Legião lutou incansavelmente contra todos os obstáculos, políticos corruptos, e povos alienígenas como os judeus que insistiam em parasitar o povo romeno e sua terra.


Religião e Cultura
Um objetivo do Movimento Legionário era a preservação e regeneração da cultura e costumes romenos. Eles sabiam que a cultura era a expressão do gênio nacional, seus produtos as criações únicas dos membros de uma nação específica. A cultura podia ter influência internacional, mas ela sempre foi nacional em origem. Portanto, a posição capitalista liberal de que diferentes grupos étnicos deviam ter permissão de se mover livremente à nação de um outro grupo, interferindo com a cultura e desenvolvimento dessa nação por sua presença e influência, estava incrivelmente errada. Cada grupo étnico possui sua própria alma e produz e cristaliza sua própria forma e estilo de cultura. Por exempo, uma imagem cultural romena não poderia ser criada a partir de uma essência alemã mais do que uma imagem cultural alemã poderia ser criada a partir de uma essência romena.

Ademais, a religião era um aspecto importante na cultura de um povo, muitas vezes a origem de muitos costumes e tradições. Os legionários acreditavam que o cristianismo não era apenas uma parte significativa de sua cultura, mas também a religião que representava a verdade divina. É por isso que para se unir à Legião de São Miguel Arcanjo era necessário ser cristão e não pertencer a qualquer outra religião ou ser ateu. Com esses princípios claros, a Legião portanto objetivava uma nação romena formada apenas por romenos étnicos e cristãos.

Com isso emmente, fica claro o motivo pelo qual Codreanu e muitos outros romenos sentiram que a presença judaica em sua nação era tão ameaçadora. Os judeus se tornaram influentes na economia, nas finanças, nos jornais, no cinema, e até na política. Por meio disso eles se tornaram poderosos no campo cultural, lentamente modificando os costumes e o pensamento romenos, tornando-os mais próximos aos dos judeus. Codreanu, tão preocupado com esse problema quanto homens como Cuza e Gavanescul, comentou:

"Não é assustador, que nós, o povo romeno, não mais produzimos frutos? Que nós não temos uma cultura romena só nossa, de nosso povo, de nosso sangue, para brilhar no mundo lado a lado com a de outros povos? Que nós sejamos condenados hoje a nos apresentarmos perante o mundo com produtos de essência judaica?" e "Não apenas os judeus são incapazes de criar cultura romena, como eles também falsificarão aquela que nós temos para que eles nos sirvam ela envenenada".

Raça
A realidade da raça era aceita pela maioria dos legionários, e Codreanu escreveu sobre a importância de manter uma nação racialmente coesa. Em Para Meus Legionários, Codreanu citava os argumentos separatistas raciais de Conta, que formaram a base de sua própria atitude em relação à raça, e até mesmo às comparou à perspectiva nacional-socialista alemã. Ele escreveu: "Considerem a atitude que nosso grande Vasile Conta teve na Câmara em 1879. Cinquenta anos atrás o filósofo romeno demonstrou com argumentos científicos inabaláveis, enquadrados em um sistema de lógica impecável, a razoabilidade das verdades raciais que devem estar na base do Estado nacional; uma teoria adotada cinquenta anos depois pela mesma Berelim que nos impôs a concessão de direitos civis aos judeus em 1879".

Porém, deve ser notado que pelo menos alguns legionários não concordavam que a raça fosse importante. Ion Mota, em 1935 quando ele se encontrou com o NSDAP na Alemanha, criticou os nacional-socialistas dizendo a eles que "o racismo é a forma mais vulgar de materialismo. Os povos não são diferentes pela carne, pelo sangue ou pela cor da pele. Eles são diferentes por seu espírito, ou seja, por suas criações, cultura e religião". Obviamente, a atitude de Mota provavelmente não era dominante entre os legionários, já que Codreanu era o fundador das idéias que a maioria de seus membros compartilhava. Também é notável que Horia Sima, em suas obras sobre as crenças legionárias, concordava com Codreanu que a raça é real e importante. Porém, Sima discordava de conectar as idéias raciais romenas com o racialismo alemão, censurando os seguidores de Hitler com a afirmação de que sua visão-de-mundo fez mal uso do racialismo, tornando-o muito absoluto e materialista.

O Novo Homem

O Movimento Legionário queria criar um Novo Homem, para transformar toda a nação pela educação legionária através da transformação de cada indivíduo em uma pessoa de qualidade. O Novo Homem seria mais honesto e moral, mais inteligente, industrioso, corajoso, apto ao sacrifício, e completamente livre do materialismo. Sua visão do mundo seria centrada na espiritualidade, no serviço a sua nação, e no amor pelo seu compatriota. Essa forma nova e melhorada de ser humano transformaria a história, estabelecendo as fundações de uma nova era jamais antes vista na história romena.

Codreanu escreveu:

"Nós criaremos uma atmosfera, um meio moral no qual o homem heróico possa nascer e crescer. Esse meio deve ser isolado do resto do mundo pelas mais altas fortificações espirituais possíveis. Ele deve ser defendido de todos os ventos perigosos de covardia, corrupção, licenciosidade, e de todas as paixões que enterram as nações e matam os indivíduos. Uma vez que o legionário tenha sido desenvolvido nesse meio...ele será enviado ao mundo... Ele será um exemplo; ele transformará outros em legionários. E as pessoas, em busca de dias melhores, os seguirão...e irão compor uma força que lutará e triunfará".

Portanto, uma revolução espiritual criaria a base para uma revolução política, já que sem o Novo Homem nenhum programa político poderia alcançar qualquer conquista duradoura.


Política

O governo da Romênia era uma monarquia constitucional, e assim o governo nacional era considerado uma democracia. Corneliu Codreanu foi membro do Parlamento romeno por duas vezes, e suas experiências com a política democrática o levaram a concluir firmemente que o sistema democrático, ainda que afirmando representar a vontade popular, raramente chegou a alcançar seu objetivo de representação. Na verdade, ele sentia que ocorria exatamente o contrário. Em Para Meus Legionários, ele listou algumas das principais objeções que ele tinha em relação ao sistema e ao modo como ele funcionava (o seguinte é uma paráfrase de seus pontos):

* A democracia destrói a unidade do povo já que ela gera faccionalismo;
* A democracia torna milhões de judeus (e outros grupos alienígenas) em cidadãos romenos, assim destruindo descuidadamente a antiga estrutura étnica de uma nação;
* A democracia é incapaz de esforço duradouro e responsabilidade porque necessariamente ela leva a mudanças intermináveis na liderança em um curto período de tempo. Um líder ou partido trabalha para melhorar a nação com um plano específico, mas apenas governa por uns poucos anos antes de ser substituído por um novo com um novo plano, que na maior parte, senão completamente, desconsidera o antigo. Assim pouco é alcançado é a nação é ferida;
* A democracia carece de autoridade já que ela não dá a um líder o poder que ele necessita para realizar seus deveres para com a nação e o transforma em um escravo de seus apoiadores políticos egoístas;
* A democracia é manipulada por financistas e banqueiros, já que a maioria dos partidos é dependente de seu financiamento e, assim, é financiada por eles.
* A democracia não garante a eleição de líderes virtuosos, já que a maioria dos políticos é ou demagoga ou corrupta, e as massas de pessoas comuns normalmente não são capazes ou sábias o bastante para eleger bons homens. Codreanu retoricamente disse sobre a idéia das massas ecolherem sua elite, "Por que então os soldados não escolhem o melhor general?"

Assim, Codreanu buscava uma nova forma de governo, rejeitando tanto o republicanismo e a ditadura. Nesse novo sistema os líderes não herdariam o poder pela hereditariedade, nem seriam eles eleitos como em uma república, mas ao invés eles seriam selecionados. Assim, seleção e não eleição é o método de escolher uma nova elite. Líderes naturais, demonstrando bravura e perícia, surgiriam a partir das fileiras legionárias, e a velha elite seria responsável pela escolha da nova elite. O conceito de Novo Homem é importante para o sistema de liderança de Codreanu, porque apenas pelo estabelecimento do Novo Homem os líderes corretos emergiriam e se tornariam líderes da nação. A elite seria fundada sobre os princípios que Codreanu determinou: "a) Pureza de alma; b) Capacidade de trabalho e criatividade; c) Bravura; d) Vida dura e luta permanente contra as dificuldades nacionais; e) Pobreza, nomeadamente a renúncia voluntária a acumular uma fortuna; f) Fé em Deus; g) Amor".

Esse novo sistema de governo que Codreanu queria estabelecer seria autoritário, mas não seria totalitário. Ele descreveu dessa maneira: "Ele (o líder) não faz o que quer, ele faz o que deve. E ele é guiado, não pelos interesses individuais, nem pelos coletivos, mas pelos interesses da nação eterna, à consciência alcançada pelo povo. No esquema desses interesses e apenas nele, os interesses pessoais e coletivos encontram o maior grau de satisfação normal".

Um ponto importante no sistema político legionário é que a Legião reconhecia três entidades: "1) O indivíduo; 2) A coletividade nacional presente, isto é, a totalidade dos indivíduos da mesma nação, vivendo em um Estado em um dado momento; 3) A nação, aquela entidade histórica cuja vida se estende por sobre os séculos, suas raízes penetrando fundo nas névoas do tempo, e com um futuro infinito".

Cada uma dessas entidades tinha seus próprios direitos em um sentido hierárquico. O republicanismo reconhecia apenas os direitos do indivíduo, mas o Movimento Legionário reconhecia os direitos de todos os três. A nação era a entidade mais importante, e assim os direitos da coletividade nacional estavam subordinados a ela, e finalmente os direitos do indivíduo estava subordinados aos direitos da coletividade nacional. O individualismo destrutivo da "democracia" infringia os direitos da coletividade nacional e os direitos da nação, já que ignorava os direitos dessas duas entidades e colocava os do indivíduo acima de tudo.

Com esses fatos em mente, fica claro que acusar o Movimento Legionário de querer estabelecer uma ditadura tirânica ou de ser "fascista" não é nada mais do que propaganda acéfala ou mentirosa contra o movimento.

Martírio

"O legionário abraça a morte", escreveu Codreanu, "pois seu sangue serve como molde para cimentar a Romênia Legionária". Através das lutas e perseguições intensas que ele encarou, o Movimento Legionário produziu muitos mártires, dois dos mais citados sendo Ion Mota e Vasile Marin, que morreram em 1937 ajudando Franco na luta contra os marxistas republicanos na Guerra Civil Espanhola. Outros mártires da Legião incluem Sterie Ciumetti, Nicoleta Nicolescu, Lucia Grecu, e Victor Dragomirescu entre centenas de outros. Finalmente, em 1938, o próprio Corneliu Codreanu se tornou um mártir depois que Armand Calinescu, agindo por fora da lei, ordenou seu assassinato. Mártires eram normalmente honrados em canções que todos os legionários cantavam e em rituais legionários, quando seus nomes eram anunciados na chamada, com todos os legionários falando "presente!". Eles acreditavam que as almas dos mortos romenos ainda estariam presentes com eles em suas batalhas.

Violência

Junto com o martírio, no qual a morte era recebida, havia a violência ocasional cometida pelos legionários contra seus inimigos. Codreanu originalmente intencionava que o Movimento Legionário fosse não violento, mas a maneira cruel e incomumente impiedosa na qual seus inimigos os tratavam gerou condições nas quais a violência se tornou inevitável. Quando seus oponentes políticos os atacavam fisicamente, os legionários normalmente reagiam. Em certos casos específicos, certos inimigos importantes da Legião foram assassinados. Há três exemplos mais importantes:

* Em 1933, o governo de I.G. Duca proibiu a Legião de participar nas eleições, prendeu 18.000 legionários e torturou e matou vários outros. Em 29-30 de dezembro daquele ano, os legionários Nicolae Constantinescu, Doro Belimace, e Ion Caranica (que são normalmente chamados de os Nicadori) assassinaram Duca como vingança;
* Em 1934, Mihail Stelescu, um membro da Legião, foi investigado pelos líderes legionários e se descobriu que ele planejava trair a Legião e criar seu próprio grupo e foi então expulso. Stelescu então criou o grupo em 1935, chamando-o Cruciada Romanismuliu ("A Cruzada do Romanismo"), e difamou Codreanu em seu jornal. Há também evidência de que Stelescu estava planejando assassinar Codreanu e que, após contatar figuras políticas importantes, ele recebeu apoio do governo para esse plano. Nessa situação, dez legionários posteriormente chamados os Decemviri ("Os Dez Homens") o mataram.
* Em novembro de 1938, Armand Calinescu ordenou que a polícia militar assassinasse ilegalmente Codreanu (que antes havia sido preso por dez anos por acusações não comprovadas em julgamentos injustos), os Nicadori e os Decemviri. Em 21 de setembro de 1939, nove legionários conhecidos como os Rasbunatorii ("Os Vingadores") mataram Calinescu. Depois eles se entregaram, foram torturados e executados sem julgamento. Esses nove homens eram Miti Dumitrescu, Cezar Popescu, Traian Popescu, Nelu Moldoveanu, Ion Ionescu, Ion Vasiliu, Marin Stanciulescu, Isaia Ovidiu, e Gheorghe Paraschivescu.

Pode-se fazer objeção a essas ações por parte dos legionários, afirmando que eles estavam assim participando de atitudes não-cristãs. Porém, para compreender corretamente isso, deve-se lembrar que ao longo da história do cristianismo houve muitas pessoas que cometeram atos de violência ou mataram em nome de sua religião. Certos cavaleiros cruzados que mataram grandes números de pessoas foram até mesmo canonizados. Claramente não é nada novo para zelotes cristãos travarem combate contra seus inimigos. Alguns poderiam até dizer que porque Cristo ensinou a "amar o inimigo" que, portanto, Codreanu estava violando abertamente os ensinamentos cristãos. Mas isso não é muito claro.

Deve ser lembrado que nos originais em grego e latim a frase "amai teu inimigo" (Mateus 5:44; Lucas 6:27) fazia referência especificamente ao inimigo privado, não ao inimigo público ou nacional (que podia, assim, ser odiado). É por isso que Codreanu disse aos legionários:

"Perdoai aqueles que os atacam por razões pessoais. Aqueles que os torturaram por sua fé no povo romeno, esses vós não perdoareis. Não confundamos o direito e dever cristão de perdoar aqueles que nos fizeram o mal, com o direito e dever de nosso povo de punir aqueles que o traíram e assumiram para si a responsabilidade de se opor a seu destino. Não esquecei que as espadas que levais pertence à nação. Vós a carregais em seu nome. Em seu nome vós as utilizareis para unir - sem perdão e sem misericórdia. Assim, e apenas assim, estareis preparando um futuro sadio para essa nação".

Esses são os fatos que precisam ser lembrados de modo a compreender adequadamente o motivo pelo qual Codreanu e os legionários fizeram o que fizeram. De outro modo, um estudo histórico adequado não poderá ser feito.

domingo, 27 de maio de 2012

O Pensamento de Julius Evola no Brasil

por César Ranquetat Jr.



Procuraremos demonstrar neste artigo, a presença do pensamento de Julius Evola em terras brasileiras. Para este fim, mencionaremos artigos, livros, revistas e sites onde é feita algum tipo de referência ao pensador italiano. Em um segundo momento exporemos de forma sucinta a visão que alguns grupos “alternativos” têm sobre a figura e a obra de J. Evola.

Um rápido panorama da vida intelectual no Brasil atual.

Não muito diferente do que ocorre em outros países latino-americanos, se constata atualmente no Brasil uma hegemonia intelectual da esquerda progressista. Grande parte das universidades (nas áreas das Ciências Sociais, História, Filosofia, Letras), dos centros de pesquisa, revistas, jornais, redes de televisão e rádio e casas editoriais estão sob o controle direto de “intelectuais” vinculados as diversos correntes do pensamento esquerdista. São poucas as vozes que se erguem, neste país, contra o monopólio cultural progressista. Para piorar ainda mais a situação o país é governo por um partido de esquerda o PT (Partido dos Trabalhadores). Não há no país um partido político de “direita” com expressão nacional e uma única revista cultural que defenda princípios intelectuais que se oponham ao discurso esquerdista gramsciano. Diante deste quadro, correntes de pensamento e intelectuais anti-progressistas, não têm vez e são praticamente desconhecidos. Os estudantes universitários (que mais parece um universo de otários) no campo das chamadas Humanidades, conhecem Bourdieu, Foucault, Derrida, Gramci, Marx, Habermas et caterva, mas pergunte a eles e aos seus mestres quem foi Eric Voegelin, Carl Schimitt, Joseph de Maistre, Marcel de Corte, Oswald Spengler,Ernst Jünger, René Guénon, Fritjof Schuon e outros. Se estes pensadores “conservadores” são praticamente desconhecidos nas universidades brasileiras o que dizer de Julius Evola, que foi o mais radical crítico da modernidade, do progressismo e do racionalismo ilustrado.

A presença de J. Evola em livros, revistas, jornais e na Internet.

Até o presente momento um único livro de Evola foi editado no Brasil, se trata de - O mistério do Graal - que foi publicado pela editora pensamento em 1986. Esta mesma editora publicou dois livros de René Guénon - A grande tríade - e - Os símbolos da ciência sagrada e de Fritjof Schuon - O esoterismo como princípio e como caminho - A editora em questão é especializada em publicações de livros de esoterismo, ocultismo e religião. Cabe aqui ressaltar que - O Mistério do Graal - já havia sido editado em língua portuguesa pelo editorial vega de Portugal em 1978. Esta mesma editora portuguesa publicou em 1993 - A Metafísica do Sexo -. Outros dois livros de Evola foram editados em Portugal - Revolta contra o mundo moderno - em 1989, pela editora Dom Quixote, em uma coleção intitulada Tradição-Biblioteca de Esoterismo e Estudos Tradicionais e - A Tradição hermética - pelas edições 70, em 1979. A edição portuguesa de - Revolta contra o mundo moderno - é seguida por uma breve nota sobre a vida de Julius Evola e a obra deste autor em Portugal, realizada por Rafael Gomes Filipe que afirma “Uma obra de Antônio Marques Bessa, Ensaio sobre o fim da nossa idade (Edições do Templo, 1978) acusa uma certa assimilação do pensamento evoliano, sendo inclusivamente este autor citado em epígrafe. Também Antônio Quadros se tem referido com freqüência a trabalhos de Julius Evola, nomeadamente em Portugal - Razão e Mistério - e em - Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista - volume 2º[...].”

No ano de 2000 a editora portuguesa Hugin publicou uma pequena biografia de Evola, escrita pelo francês Jean - Paul Lippi que é o autor de um estudo intitulado-Julius Evola, métaphysicien et penseur politique- . Faço esta rápida exposição a respeito dos livros de Evola em Portugal, pois muitos brasileiros tiveram contato com este autor através das traduções portuguesas.

É bastante provável que a primeira referência a Julius Evola em um livro no Brasil tenha sido feita por Fernando Guedes Galvão que foi o tradutor e introdutor de René Guénon neste País e manteve com Guénon longa correspondência. Guedes Galvão traduziu em 1948 pela editora Martins Fontes - A crise do mundo moderno -. A edição traduzida por Guedes Galvão possui um interessante apêndice onde é feita uma exposição sintética das principais obras de René Guénon. Em um determinado momento, o tradutor do metafísico francês trata sobre a campanha de silêncio em torno da obra de Guénon e declara citando Evola: “J. Evola exprime-se assim, - Guénon é combatido em França por todos os meios e modos; tentam até fazer desaparecer os seus livros de circulação.”

Não há dúvida que René Guénon é mais conhecido do que Julius Evola em terras brasileiras. A razão está ligada ao fato da consideração aparentemente mais positiva que o metafísico francês tinha para com o catolicismo.

O IRGET (Instituto René Guénon de Estudos Tradicionais) fundado em 1984, na cidade de São Paulo, pelo jornalista Luiz Pontual se dedica ao estudo e ensino da obra de René Guénon, conforme declara a Homepage [1] deste instituto. É interessante notar que Luiz Pontual é também um admirador da obra evoliana, reconhecendo sua radical oposição ao mundo moderno. Porém no site do IRGET, Pontual afirma: “Partidários de Evola, por outro lado, nos censuram por não nivelá-lo ou colocá-lo acima de Guénon. A estes, remetemos ao próprio Evola, que registrou em seus livros, mais de uma vez, o orgulho em ser um Kshatrya (poder temporal) e o reconhecimento em Guénon de um Brâmane (autoridade espiritual). Isto nos dispensa de maiores explicações.” O jornalista Luiz Pontual demonstra não conhecer a obra de Evola em profundidade, pois o pensador italiano assevera que em tempos primordiais, na Idade de Ouro, não havia uma separação entre a autoridade espiritual e o poder temporal. A figura da realeza sagrada, do rei-sacerdote, do pontifex, do imperador divino nas civilizações tradicionais, atesta a presença de uma autoridade superior à casta sacerdotal e a casta guerreira.

O jornalista e filósofo Olavo de Carvalho, em sua home-page menciona o livro de Evola - A Tradição Hermética - como um dos grandes livros que formarão sua visão de mundo. Olavo de Carvalho é um intelectual que vem escrevendo diversos artigos em jornais e revistas, onde expressa sua revolta diante da hegemonia intelectual esquerdista. Seu pensamento tem certa influência em alguns grupos conservadores brasileiros. O livro - Jardim das Aflições - escrito por O. de Carvalho em 2000, faz uma interessante referência J. Evola, que aqui apresentamos: “Não deixa de ser interessante que a disputa de prioridade espiritual entre as castas sacerdotal e real se reproduza, na escala discreta que convém ao caso, entre os dois maiores escritores esotéricos do século XX: René Guénon e Julius Evola.” O. de Carvalho é um estudioso de Guénon e de outros autores tradicionalistas.” Neste livro trata, entre outras diversas questões, sobre a relação entre a autoridade espiritual e o poder temporal.

A editora revisão, dedicada à publicação de livros revisionistas simpáticos ao nazismo, publicou no ano de 1996 um curioso livro intitulado - O elo secreto - por Hélio Oliveira. O livro em questão procura demonstrar quais são as forças ocultas que conduzem a História. A tese central do autor é que por detrás de tudo está a ação do judaísmo e da maçonaria. Visão reducionista é claro, incapaz de perceber que o próprio judaísmo e a maçonaria moderna são instrumentos de forças superiores. Mas o que nos interessa é a citação que Hélio Oliveira faz de Evola, ao tratar sobre - Os protocolos dos Sábios de Sião -, afirma o autor: “Alguns escritores judeus se manifestaram acerca da fidedignidade do livro. Para Julius Evola, - Nenhum livro do mundo foi objeto de tamanho boicote, como Os Protocolos dos Sábios de Sião. Pode-se dizer sem esforço, que ainda que sejam falsos e seus autores agentes provocadores, neles se refletem idéias típicas da lei e do espírito de Israel.” A citação de Evola é autêntica, porém Hélio Oliveira afirma que o autor italiano é judeu... o que não é verdadeiro.

É preciso destacar aqui o livro do historiador norte-americano Nicolas Clarke - O Sol Negro - publicado pela editora madras no ano de 2004.O livro deste historiador, trata das relações entre o nazismo e o ocultismo, bem como da influência de determinados pensadores “malditos” na formação de alguns grupos neo-nazistas e neo-fascistas. O autor dedica um capítulo inteiro a Julius Evola. Neste capítulo, Clarke procura sintetizar os aspectos principais do pensamento evoliano. Além de Evola, há outros capítulos dedicados, a Savitri Devi, Miguel Serrano e Francis Parker Yockey. A sintetiza feita por Clarke é razoável, entretanto o autor insiste em ressaltar o caráter pagão e anti-cristão de J. Evola. O livro teve algum sucesso entre alguns grupos neo-pagãos brasileiros.

A antropóloga Denise Maldi, já falecida, escreveu um artigo para a Revista de Antropologia em 1997, neste artigo cita Evola em dois momentos. O artigo se intitula - De confederados a bárbaros: a representação da territorialidade e da fronteira indígenas nos séculos XVIII e XIX – é aborda a questão da territorialidade e da fronteira enquanto categorias culturais. Ao tratar o conceito de nacionalidade se remete a Evola citando uma passagem de Revolta do Mundo Moderno que aqui transcrevemos diretamente de seu artigo: “A idade média conheceu nacionalidades, não nacionalismos. A nacionalidade é um dado natural, que circunscreve um certo número de qualidades elementares comuns, de qualidades que mantém tanto na diferenciação quanto na participação hierárquica, a que eles não se opõem de maneira alguma.” No final do artigo a antropóloga se refere novamente a Evola: “ Nesse sentido, o projeto de construção do Estado(a autora trata sobre o Estado - nação moderno) implicou também numa antinomia com relação à diversidade, em moldes completamente distintos do projeto colonizador, em que a naturalidade cedeu lugar à nacionalidade e o ethnos cedeu lugar ao demos, conforme apontou Julius Evola(1989). Isso significa a superação da diversidade no interior da ideologia do Estado e a homgeneização das diferenças étnicas em favor da unidade jurídica e da cidadania.” A antropóloga quer mostrar que o Estado nacional moderno é uma construção artificial, anti-natural , e que o nacionalismo é um produto da modernidade apoiando-se na distinção que Evola traça na - Revolta contra o mundo moderno - entre o princípio das nacionalidades, de origem medieval, e o nacionalismo moderno.

Em 14 de maio de 1995, o Jornal Folha de São Paulo, um dos maiores jornais do país, publicou um artigo do escritor italiano Umberto Eco. O artigo recebia o título de - A nebulosa fascista -. O famoso escritor italiano procurou elaborar um conjunto de traços, características daquilo que ele chamou de “protofascismos ou Fascismo Eterno”. Entre os traços elencados por Eco está o culto á tradição, o tradicionalismo. Acerca disso declara: “Basta dar uma olhada aos patronos de qualquer movimento fascista para encontrar os grandes pensadores tradicionalistas. A gnose nazista nutria-se de elementos tradicionalistas, sincréticos e ocultos. A fonte teórica mais importante da nova direita italiana, Julius Evola, fundiu o Santo Graal e os Protocolos dos Sábios de Sião, alquimia e Sacro Império Romano-Germânico.” É evidente a oposição de Eco ao pensamento de Evola. O escritor italiano não conhece as críticas de Julius Evola ao Fascismo [2] em livros como - O fascismo visto desde a direita e - Notas sobre o terceiro reich. Nestes dois livros, J. Evola demonstra os aspectos anti-tradicionais do fascismo italiano e do nacional-socialismo alemão, como o culto ao chefe, o populismo, o nacionalismo, o racismo biológico etc. Em relação à Nova Direita italiana, esta se nutre de apenas alguns aspectos da obra de Evola. Em todo o caso o artigo de Eco, muito lido pela intelligentsia brasileira, serve apenas para denegrir a imagem de Evola e deformar seu pensamento.

Mais recentemente, em 26 de dezembro de 2003, o historiador da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Francisco Carlos Teixeira da Silva, muito conhecido no meio acadêmico, publicou um pequeno artigo no Jornal do Brasil, um dos mais importantes do país, com o nome - Estadista ou pastor de almas -. O artigo em questão tem a finalidade de manchar a figura de do Papa Pio XII. O historiador argumenta que Pio XII silenciou-se diante do holocausto e era no fundo um filo-nazista. No final do artigo declara: “Do ponto de vista puramente teológico e filosófico, os fascismos (alemão ou italiano, pouco importa) são absolutamente incompatíveis com o cristianismo. A base racial e o culto da violência chocam-se inevitavelmente com a solidariedade cristã, fato constantemente lembrado por ideólogos do fascismo, como Julius Evola ou Alfred Rosemberg, que consideravam o cristianismo uma religião montada por mendigos, prostitutas e escravos.” Julius Evola, jamais foi ideólogo do fascismo, em nenhum momento fez parte do partido fascista e mais, escreveu diversos textos onde se opõe claramente a alguns aspectos do fascismo. Em 1930, Evola criou a Revista La Torre, de nítida orientação tradicionalista. A revista teve apenas cinco meses de vida e foi interditada por ordem de alguns elementos do governo fascista que não concordavam com as críticas da Revista La Torre ao fascismo. Em segundo lugar, Evola jamais se referiu ao cristianismo da forma como quer ver o historiador Francisco Teixeira. Se é verdade que Alfred Rosemberg, em seu - Mito do Século XX -, opunha-se radicallmente a tradição católica-cristã associando esta ao universalismo e ao judaísmo, e defendendo uma nova religião do sangue e da raça, Evola não pensava desta forma. O barão J. Evola, estabelecia uma distinção entre o mero cristianismo das origens, que conformava uma espiritualidade lunar, sacerdotal e o catolicismo. Neste reconhecia alguns aspectos positivos e superiores. De acordo com J. Evola a tradição católica romana teria sofrido o influxo da tradição céltica, nórdica-germânica, romana e grega.

A visão dos tradicionalistas católicos brasileiros, dos “perenialistas” e a influência de Evola em círculos ocultistas e neo-pagãos.

Evola é pouco conhecido nos meios tradicionalistas católicos no Brasil, que se agrupam em organizações como a associação cultural monfort, dirigida pelo professor Orlando Fidelli, a TFP (Tradição, Família e Propriedade), criado por Plínio Corrêa de Oliveira, a fraternidade São Pio X e o grupo permanência no Rio de Janeiro que é dirigido por Dom Lourenço Fleichman. Em uma conversa pessoal que mantive com o príncipe Dom Bertrand de Orléans e Bragança, herdeiro da família imperial brasileira, ligado a TFP, e dirigente do grupo pró-monarquia que defende o retorno do sistema monárquico no Brasil, afirmou: “O problema de Evola e que ele é ocultista, esoterista.” Esta é também a opinião de Orlando Fedelli, da associação monfort, que vai ainda mais longe afirmando ser o pensador italiano um gnóstico. A realidade é que os membros destas organizações não conhecem o pensamento evoliano, jamais leram um livro ou artigo de Evola. Por sua vez, todo aquele pensador que destacar a relevância de outras tradições metafísicas, é logo tachado por estes grupos como gnóstico, o que revele o sectarismo e o exclusivismo dessas organizações, incapazes de compreender a “unidade transcendente das religiões”.

Em relação aos “perenialistas” brasileiros, estudiosos e seguidores da “philosophia perennis”,que Evola denominou de Tradicionalismo Integral. Formada por pensadores como Guénon, Schuon, Ananda Coomarawamy, Martin Lings, Titus Burckhardt expressam uma maior simpatia por Evola. Para o professor de Filosofia Murilo Cardoso de Castro, que é um pesquisador e difusor da escola “perenialista” no Brasil por meio de uma excelente site na Internet [3], Julius Evola pode ser definido como um autor “perenialista”. Murilo Castro considera o pensador italiano, um estudioso da “Tradição primordial” um “buscador da verdade”. Em seu site disponibiliza diversos texto de Evola em italiano, espanhol, francês e inglês, indicando também outros sites que tratam sobre Julius Evola. Entretanto, o principal difusor e pesquisador dos autores perenialistas no Brasil, o jornalista e mestre em História da Religião, Mateus Soares de Azevedo com dissertação sobre Frijof Schuon, e autor de alguns livros sobre o tema e tradutor de algumas obras de Schuon, bem como de um livro de Martins Lings e outro de Rama Coomaraswamy, não faz qualquer referência a Evola. O referido jornalista jamais fez menção a Evola em seus escritos, o que é bastane estranho. Considera Guénon o “pai” da escola “perenialista”mas revela sua simpatia maior por Schuon , considerando este superior ao metafísico francês.

É em determinados grupos ocultistas, neo-pagãos e seguidores do hitlerismo mágico de Miguel Serrano que a figura e a obra de Evola têm despertado um maior interesse. A tradução da obra de Nicolas Clarke - o Sol Negro - teve um grande impacto entre tais grupos, que assim tomaram contato com pensamento de Evola. Por outro lado, alguns seguidores de Miguel Serrano no sul do Brasil, demonstram um certo interesse por Evola, devido as várias referências que este escritor chileno faz ao pensador italiano. Por meio da obra de Serrano, de Clarke, estes grupos identificam Julius Evola como um ocultista, um defensor do paganismo e um inimigo do cristianismo. Esta visão distorcida do pensamento evoliano, não tem colaborado para uma maior difusão de Evola no Brasil. Os artigos de Evola - L’equivoco del “nuovo paganesimo”(1936) Hitler e le società secrete (1971)- bem como o livro - Máscara y Rostro del espiritualismo contemporâneo, publicado no ano de 2003 pelas ediciones Heracles, demonstram o aspecto contra-tradicional dos grupos ocultistas, neo-pagãos e espiritualistas que pululam na sociedade moderna. Se estes textos fossem lidos e estudos por tais grupos a imagem de um Evola ocultista e pagão seria desfeita. A verdade é que poucos “neo-pagãos” conhecem as principais obras de Evola.

A guisa de conclusão podemos afirmar que o pensamento de Evola é pouquíssimo conhecido no Brasil. A única obra publicada no Brasil, deste pensador, - O Mistério do Graal - encontra-se fora de circulação. A intelligentsia brasileira desconhece a obra de Evola. O contato com pensamento de Evola é feito pelo esforço individual de alguns poucos que percebem no mestre italiano e em sua monumental obra um conjunto de orientações fundamentais para que um tipo humano diferenciado – o homem tradicional – possa manter-se em pé diante das ruínas desta civilização decadente.

Notas:

(1) http://www.reneguenon.net/oinstitutoindex.html

(2) Ver -Más allá del fascismo, ediciones heracles -, 2º edição, 2006, com introdução do Professor Marcos Ghio do Centro de Estudos Evolianos da Argentina

(3) www.sophia.bem-vindo.net

sábado, 26 de maio de 2012

Entendendo a Religião Igualitária


Por: Robert T. Burnham



No meu artigo anterior eu fiz referência à “...natureza religiosa do Humanismo Secular...”, que nutre o fervor emocional dos discrepantes elementos sociais que pode-se classificar amplamento como “a Esquerda”. Na verdade, o termo foi usado incorretamente e eu devo começar este artigo me corrigindo e reconhecendo que, na verdade, eu me refiro ao pastiche de elementos ideológicos, morais, culturais e políticos incongruentes que devem ser definidos mais corretamente como Igualitarismo. Eu coloco – e não sou o primeiro a fazê-lo – que o Igualitarismo é a religião reinante desta era. Para compreender melhor [o igualitarismo] e os seus seguidores, é importante compreender que ele é, de fato, uma religião; para compreender o perigo inerente a ele; para possivelmente identificar qualquer fraqueza que possa ser explorada; e para predizer sua progressão através da vida orgânica e finita de tal credo. Eu devo começar estabelecendo o fato de que o Igualitarismo é, de fato, a religião estatal do Ocidente.

O que é o Igualitarismo? Não há propósito em tentar definí-lo como um leque de crenças fortes e definíveis. Ele é mais como um tumor na mente do corpo coletivo do homem ocidental, difuso nas extremidades e interligado por um número infinito de elementos periféricos – alguns que, ironicamente, são compartilhados com vários elementos do pensamento Direitista. No entanto, o centro do tumor é grosso com as noções da igualdade ilimitada dos homens, da rejeição pura e simples de qualquer possibilidade de qualquer diferença entre as populações humanas, convicções do mal inerente aos Brancos e especificamente ao homem branco, sentimentos da superioridade moral das raças de cor e das mulheres, apoio ao uso do poder estatal para corrigir a desigualdade onde quer que ela esteja – já que a presença [da desigualdade] apenas pode ser resultado do abuso contra grupos de determinada cor ou orientação sexual, por parte do homem branco e heterossexual, a convicção do bem inquestionável da “liberdade” e da “democracia”, a importância da tolerância e do relativismo cultural, e, finalmente, a firme crença no Progresso e na perfeição do mundo temporal. As incongruências lógicas entre a maioria dessas noções, óbvias até mesmo para os leitores casuais – e.g. o ideal de que todas as raças podem ser completamente iguais algum dia, ao mesmo tempo que [acreditam], que os Brancos podem ser mais maus que todos os outros – não impedem que o verdadeiro crente acredite nesta última afirmação. Na verdade, a fé nesses princípios, independentemente da sua impossibilidade de coexistir em uma filosofia coerente, é um dos primeiros indicadores da natureza religiosa deste sistema de crenças.

Estas crenças, de forma significativa – mais particularmente as noções da inquestionável igualdade entre os homens e a do pecado original (do homem branco neste caso) – são ironicamente herdadas da religião Cristã, que [por sua vez] não é pouco deprezada pelos seculares Igualitários modernos. Pode-se com justiça ser dito que o Igualitarismo secular moderno é agora extremamente fiel aos seus princípios teóricos, mas agora, paradoxalmente, desprovido da sua deidade no sentido sobrenatural, a figura masculina de Deus foi assassinada. O que o substituiu no contexto da religião em questão não está completamente claro para mim. Mas certamente pode-se identificar figuras análogas a Cristo, como o Reverendo Dr. Martin Luther King Jr e elementos do tabu religioso.

A respeito do ultimo, nota-se que o querido reverendo é o único homem a quem [foi dedicado] um Feriado Nacional nos Estados Unidos. E isso [acontece] num tempo em que a Páscoa (a morte a ressureição de Jesus Cristo) e o Natal (O seu nascimento) estão se tornando completamente carentes de um aceitável signifcado religioso público. No que diz respeito à Páscoa – ostensivamente o Feriado Cristão mais importante – esse processo está essencialmente completo. No que diz respeito ao Natal, o processo chegou a um nível tão grande de maturação que em várias cidades dos Estados Unidos, referências ao Tannenbaum como “Árvore de Natal” são consideradas desastrosas. Qualquer um que ainda duvide de que o Cristianismo tenha sido substituído como a religião estatal do Ocidente, deve-se perguntar apenas uma coisa: É mais aceitável na sociedade educada de hoje ser um adorador de Satã ou um racista? Marilyin Manson faz um trabalho divertido ao fingir ser o primeiro. Seria interessante ver quantos albums o permitiriam vender se ele fingisse ser o último.

Um excelente exemplo de um tabu religioso Igualitário é o uso da palavra “nigger”*. Hoje, até mesmo escrever a palavra inteira é altamente inaceitável na vida social educada. Usar a palavra em qualquer contexto, na forma escrita ou verbal, é quase que totalmente circunscrito à qualquer um, exceto [para] negros. Ao invés disso, as convenções sociais demandam que não-negros refiram-se a ela apenas obliquamente, escrevendo “a palavra-com-n”, “n****r”, etc. Até mesmo nesses casos, ela não pode ser usada como referência a nada, senão para usar apenas como sujeito de uma sentença (que deve universalmente condenar o so da “palavra-com-n”) A busca por um exemplo comparável na história humana, de uma palavra que não pudesse ser escrita ou falada, produz apenas dois exemplos que eu conheça: A primeira sendo a noção Hebraica de que a referência direta a Deus (preferencialmente “G-D” ou “Y-W-H”) era uma blasfêmia. A segunda sendo a sensibilidade burguesa a linguagem considerada vulgar, chula, e excessivamente sexual (impregnada pela posterior repressão moral Cristã). A primeira se mantem atualmente apenas entre os Judeus realmente religiosos. A última saiu completamente de moda, com a possível exceção da programação televisiva infantil. Ao invés disso, nós vemos uma completa substituição da lista da palavras “inaceitáveis”, que é uma perfeita ilustração do colapso e da perda de poder da burguesia branca protestante, que dominou a ‘Angloesfera’ até os anos 50 e a subsequente ascensão da nova ‘super-classe’ detentora das morais, que agora parece certa para criar a sua própria lista de termos vulgares, repleta das suas próprias justificações morais pseudo-religiosas. Termos como “nigger” eram amplamente usados na sociedade até muito recentemente e, majoritariamente, sem más intenções ou efeitos ruins, o que é irrelevante para os arquitetos das construções morais do igualitarismo moderno.**

Neste ponto, é útil tratar da natureza do Igualitarismo como a religião estatal do Ocidente. Aqui, pode-se estar atribuindo muito poder ao Estado – ou melhor, sugerindo de maneira simplista que o Estado é: o poder público supremo de uma entidade política, de fato, o poder principal no Ocidente. Seria mais correto argumentar que o Estado, nas suas várias “democracias” do Ocidente, é, em realidade, um corpo executivo, realizando os desejos dos verdadeiros poderes particulares e corporativos, que usam a conveniente máscara do consentimento público oferecido pelo sufrágio universal, para se esconderem. Então deixe-nos modificar a conclusão e sugerir que o Igualitarismo é a religião imposta pelo Estado e por outras entidades formadoras-de-opinião e controladoras-populacionais, sobre o povo do Ocidente; sendo assim outro instrumento para aprofundar a dissolução do Ocidente “Europeu”. Independentemente disso, para os verdadeiros crentes dessa religião e para o resto do populacho que vive sob a sua força moral, essa diferença é irrelevante.

Isto leva a outro assunto interessante, que ilustra a natureza religiosa do Igualitarismo: a atitude da nova classe sacerdotal e dos verdadeiros fiéis, em relação aos hereges. Para uma crença que a tolerância é a mais sublime virtude, há notavelmente pouca tolerância para aqueles pontos-de-vista que estão fora da sua estreita, mas caótica e imprevisível, extensão. Pode-se reconhecer simplesmente que essa intolerância é de fato uma manifestação de religiosidade – especificamente da religiosidade do monoteísmo semítico como corporificada na Judaismo, no Cristianismo e no Islamismo – e esta interpretação dualista do mundo, dividido entre preto e branco, bom e mal, e nada entre eles. No entanto, é útil também examinar alguns aspectos específicos da intolerância particular ao Igualitarismo, porque diferentemente das já mencionadas religiões Semíticas, quer foram religiões que marcaram e acompanharam a elevação de civilizações, o Igualitarismo é uma religião de declínio. Não pelos arquitetos da religião, mas pelos sacerdotes e verdadeiros fiéis. Sem dúvida, eles não acreditam que ela seja a antiga religião da teoría Spengleriana. Ao invés disso, eles acreditam que ela seja a última religião no fim da história, levando ao surgimento da utopia terrestre. A religião que mostra o caminho para a apefeiçoada condição temporal humana: a inexistência da pobreza, do sofrimento, e da tristeza para todo o povo da Terra.

O ódio estridente e incipiente que infunde a atitude dos sacerdotes e verdadeiros crentes do Igualistarismo em relação aos não-crentes, é uma manifestação da absoluta incompatibilidade entre estas crenças e o estado do mundo como ele é. A crença Igualitária é de fato o credo em ideais inconsistentes que não apenas conflitam entre si, mas conflitam com toda a evidência empírica diante dos nossos olhos e de todo o instinto humano. O Igualitarismo é uma crosta de gelo que se move, é frágil e trincada, cobrindo um rio turbulento, com fortes correntezas de frios fatos, que fluem debaixo dela. É apenas através da paixão e da convicção frenética que essa dissonância cognitiva pode ser dominada. Qualquer um que ameace este frágil equilibrio, deve ser odiado. É como o adolescente que reage excessivamente bravo e de maneira passional à mínima crítica de seu pai. O sistema de crenças do adolescente, ainda na infância, é facilmente ameaçado pela sabedoria do pai. A criança então prefere evitar toda a discussão, com medo de que suas idéias, ainda não devidamente formadas, sejam humilhadas no debate.

A reação irracional do Igualitário pode ser melhor entendida quando considera-se o que está em jogo. O Igualitário empenhou a totalidade da sua cultura e civilização em um jogo de azar. Todos os exemplos anteriores a história humana mostram muito claramente qual será o resultado do jogo. O Igualitário acredita que dessa vez será diferente. Ele sente que dessa vez será diferente. Será diferente desta vez porque ele acredita e sente, porque ele sabe que se todos trabalharem juntos para fazer com que seja direferente, pode acontecer. Mas há algumas pessoas por aí que duvidam. Há algumas pessoas por aí que pensam que não será diferente desta vez... proprietários de armas, adversários da imigração, sobrevivencialistas, etc. Há alguns lá fora, cuja falta de convicção e falta de otimismo são em si as sementes do fracasso. É por isso que eles devem ser odiados. É por isso que eles devem ser silenciados. É por isso – como o exemplo do paraíso Igualitário claramente mostra – que eles devem ser frequentemente mortos.

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*Os gurus do politicamente-correto, que começaram a difundir o ódio racial no país, introduziram a mesma situação com diversas palavras, como “preto”, ou até mesmo “negro” nos dias atuais.

** O que também pode ser observado neste país, onde o politicamente-correto virou uma verdadeira censura, que demoniza e proíbe termos que eram usados corriqueiramente, sem nenhuma carga de “ódio racial”.

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Nota do Tradutor: Mais uma vez, fica claro que os gurus do Igualitarismo e sua convicção na “diversidade” não representam nada além da morte da própria diversidade. É óbvio então que a única maneira de assegurar esta diversidade, é através da diferença e não da igualdade, é através da existência de diferentes povos e diferentes culturas, diferentes maneiras de se viver e encarar o mundo e não através do nivelamento pelo rolo compressor do materialismo capitalista, que vê em todo ser humano, em todo povo, apenas um consumidor em potencial.
 
Portanto, é necessário abandonar a visão moderna de que a perfeição humana consiste na possibilidade de “viver confortavelmente”. Durante a história, todos os povos demonstraram possuir visões diferentes do sentido da vida, o nivelamento Igualitário significa criar uma massa amorfa de robôs programados todos da mesma forma. 

Nada tem a ver com “racismo”, “ódio” ou “supremacia”, mas com o verdadeiro compromisso com existência da diversidade, livre das prisões culturais criadas por uma pequena elite, interessada apenas em si mesma.