sábado, 30 de junho de 2012

O Estado futuro que nos ocupamos de construir


Por Jose Antonio Primo de Rivera

Nada de um parágrafo de agradecimentos. Brevemente, obrigado, como corresponde à concisão militar do nosso estilo.

Quando, em março de 1762, um homem nefasto, que se chamava Jean Jacques Rousseau, publicou “O Contrato Social”, a verdade política deixou de ser uma entidade permanente. Antes, em outras épocas mais profundas, os Estados eram executores de missões históricas, tinham escritos sobre suas frentes, e até mesmo sobre os astros, a justiça e a verdade. Jean Jacques Rousseau veio dizer-nos que a justiça e a verdade não eram categorias permanentes da razão, mas que ao invés disso, eram, em cada instante, decisões da vontade.

Jean Jacques Rousseau supunha que o conjunto de todos nós que vivemos em um povo, tem uma alma superior, de uma hierarquia diferente de cada uma de nossas almas, e que esta, por ser superior, estava dotada de uma vontade infalível, capaz de definir a cada instante o justo e o injusto, o bem e o mal. E como essa vontade coletiva, essa vontade soberana, só se expressa por meio do sufrágio, pressupõe-se que o “mais” triunfa sobre o “menos” [vontade coletiva de mais pessoas triunfa sobre a vontade coletiva de menos pessoas – NT], na advinhação desse vontade superior, vinha a resultar que o sufrágio - essa farsa de cédulazinhas que entram em uma urna de cristal – tinha a virtude de nos dizer, a cada instante, se Deus existia ou não existia, se a verdade era a verdade ou não era a verdade, se a Pátria deveria permanecer, ou se era melhor, que em um momento, se suicidasse.

Como o Estado Liberal foi um servidor dessa doutrina, veio a constituir-se, não em executor resolvido dos destinos pátrios, mas em espectador das lutas eleitorais. Para o Estado Liberal, somento era importante que nas mesas de votação se sentassem um determinado número de senhores; que as eleições começassem às as oito e acabassem às quatro; que as urnas não fossem quebradas – quando, serem quebradas é o destino mais nobre de todas as urnas -. Depois, respeitar tranquilamente o que saisse das urnas, como se a ele, nada mais importasse. É dizer que os os governantes liberais não acreditavam nem mesmo na sua própria missão; não acreditavam que eles mesmos estavam ali cumprindo um respeitável dever, mas que todo aquele que pensasse o contrário e se propusesse a tomar o Estado de assalto, por vias boas ou ruins, tivesse o mesmo direito de dizer ou tentar, que os guardiões do Estado tinham de defendê-lo.

Daí veio o sistema democrático, que é, em primeiro lugar, o mais ruinoso sistema de desperdício de energias. Um homem dotado para a altíssima função de governar – que é talvez a mais nobre das funções humanas – teria que dedicar oitenta, noventa ou até noventa e cinco por cento da sua energia para lidar com reclamações formulárias, para fazer propaganda eleitoral, cochilar nas cadeiras do Congresso, bajular os eleitores e aguentar suas impertinências – porque dos eleitores iria receber o poder -, suportar humilhações e vexames, dos que, pela função quase divina de governar, estava convocado a obedecer; e se depois de tudo isso, ainda restavam algumas míseras horas na madrugada, ou alguns minutos roubados de um descanso intranquilo, nesta mínima sobra seria quando o homem dotado para governar, poderia pensar seriamente nas funções substantivas do Governo.

Depois veio a perda da unidade espiritual dos povos, porque como o sistema funcionava sobre a realização das maiorias, todo aquele que aspirava ganhar o sistema, tería que procurar a maioria nos sufrágios. E teria que procurá-los, roubando, se fosse preciso, de outros partidos, e para ele, não deveria vacilar em caluniá-los, em despejar sobre eles as piores injúrias, em faltar deliberadamente com a verdade, em não desperdiçar uma chance sequer para mentir e degradar. E, sendo assim, a fraternidade – um dos postulados que o Estado Liberal nos mostrava em seu frontispício -, nunca houve uma situação da vida coletiva onde os homens injuriados, inimigos uns dos outros, se sentiram menos irmãos do que na vida turbulenta e desagradável do Estado Liberal. 

E por último, o Estado Liberal nos fez depararmo-nos com a escravidão econômica, porque aos trabalhadores, com trágico sarcasmo, era dito: “São livre para trabalhar no que quiserem, nada os pode forçar a aceitar umas ou outras condições, agora bem: como nós somos os ricos, oferecemos as condições que nos convêm, vocês, cidadãos livres, não estão obrigados a aceitá-las, mas vocês, cidadãos pobres, se não aceitarem as condições que nós impomos, morrerão de fome, rodeados da máxima dignidade liberal”. E assim, podem ver, nos países onde se têm os parlamentos mais brilhantes e instituições democráticas mais finas, não temos que nos distanciar mais de uns cem metros dos bairros luxuosos para encontrarmos favelas sujas e superlotadas onde moram os trabalhadores e suas famílias, no limite das condições quase subhumanas. E encontramos trabalhadores rurais que de sol a sol se sacrificam na terra, com as costas queimadas, e que ganham, no ano todo, graças ao livre jogo da economia liberal, setenta ou oitenta salários de três pesetas.

Por isso teve de nascer, e foi justo o seu nascimento (nós não escondemos nenhuma verdade), o Socialismo. Os trabalhadores tiveram que se defender contra aquele sistema, que só dava promessas de direitos, mas não cuidava de proporcionar-lhes uma vida justa.

Agora, o Socialismo –que foi uma reação legítima contra a escravidão liberal- veio a se desviar, primeiro, por sua interpretação materialista da vida e da História; segundo, por um sentimento de retaliação; terceiro, pela proclamação do dogma da luta de classes.

O socialismo, sobretudo o socialismo que construíram, impassíveis na frieza dos seus gabinetes, os apóstolos socialistas, em quem acreditam os trabalhadores pobres, e como nós já descobrimos - como era Alfonso Garcia Valdecasas-, o socialismo, assim entendido, não vê na história, mais do que um jogo de primaveras econômicas, o espiritual é excluído, a religião é o ópio do povo, o país é um mito para explorar os desgraçados. Tudo isso, quem disse foi o Socialismo. Não há nada além de produção, de organização econômica. Assim, os trabalhadores têm de torcer suas almas de modo que não haja dentro delas a menor gota de espiritualidade.

O Socialismo não aspira a reestabelecer uma justiça social destruída pelo mal funcionamento dos Estados Liberais, mas aspira apenas à represália; aspira a chegar à injustiça em graus muito maiores do que chegaram as injustiças dos sistemais liberais. 

Finalmente, o Socialismo proclama o dogma monstruoso da luta de classes; proclama o dogma de que as lutas entre classes são indispensáveis e se produzem naturalmente na vida, porque não pode haver nunca, nada que os aplaque. E o Socialismo, que veio a ser uma crítica justa ao liberalismo econômico, nos traslou por outro caminho, o mesmo que o liberalismo econômico: a desagregação, o ódio, a separação, o esquecimento de todo o vínculo de irmandade e de solidariedade entre os homens. 

Assim resulta que quando nós, os homens da nossa geração, abrimos os olhos, nos encontramos em um mundo em ruína moral, um mundo afudado em toda sorte de diferenças; e pelo que está perto de nós, nos encontramos em uma Espanha em ruína moral, uma Espanha dividida por todos os ódios, todas as lutas. E assim, nós temos tido de chorar do fundo da nossa alma quando recordávamos dos povos dessa Espanha maravilhosa, esses povos, que apesar da aparência tão humilde, se descobrem pessoas dotadas de uma elegância rústica, que não possuem um gesto excessivo ou uma palavra ociosa, gentes que vivem sobre uma terra seca em aparência, com secura exterior, mas que nos assombra como a fecundida estala no triunfo dos ramos de trigo. Quando lembrávamos dessas terras e víamos essas gentes, e sabíamos que são torturadas por pequenos caciques, esquecidas por todos os grupos, divididas, envenenadas por pregações tortuosas, tínhamos que pensar em todo esse povo, que é o mesmo que cantava a El Cid ao vê-lo vagando pelos campos de Castilla, banido de Burgos:
“¡Dios, qué buen vasallo si ovierá buen señor!” 

Isso veio a encontrar-nos no movimento que se inicia nesse dia: esse legítimo sonhar da Espanha; mas um homem como San Francisco de Borja, um homem que não morreu em nós. E para que não morramos, temos de ser um senhor que não seja, ao mesmo tempo, o escravo do interesse de grupos ou de um interesse de classes.

O movimento de hoje, não é de partidos, mas é um movimento, podemos dizer quase um anti-partido, deixe-o ser conhecido desde agora, não é de direita nem de esquerda. Porque no fundo, a direita é o desejo de manter uma organização econômica, mesmo que injusta, e a esquerda é, no fundo, o desejo de subverter uma organização económica, ainda que no processo, leve muitas coisas boas. Então é decorado por uns e por outros como uma série de considerações espirituais. Saibam, todos aqueles que nos escutam de boa-fé, que estas considerações espirituais cabem todas em nosso movimento; mas que nosso movimento nunca irá vincular seus destinos ao interesse de grupos ou ao interesse de classes, independente de estarem sob a divisão superficial de direita ou esquerda.

A Pátria é uma unidade total, que integra todos os indivíduos e todas as classes, a Pátria não pode estar nas mãos das classes mais fortes e nem do partido melhor organizado. A Patria é uma síntese transcendente, uma síntese indivisível, com seus próprios fins a cumprir, e o que nós queremos é que o movimento de hoje, e o Estado em que acreditamos, sejam um instrumento eficaz, autoritário, servindo uma unidade indiscutível, uma unidade permanente, uma unidade irrevogável que se chama Pátria. 

E com isso já temos todo motor de nossas ações futuras e da nossa conduta em mente, porque nós seríamos mais um partido que anunciaría um programa de soluções concretas. Tais programas têm a vantagem de que nunca se cumprem. Em vez disso, quando você tem uma sensação permanente ante a história e sobre a vida, esse próprio sentido nos dá as soluções diante do concreto, como o amor nos diz em que caso devemos lutar e em que caso devemos abraçar, sem que um verdadeiro amor tenha feito um mínimo programa de abraços e brigas.

É aqui que exige-se nosso sentido total da Pátria e do Estado que há de servir-la. 

Que todos os povos da Espanha, por diversos que sejam, se sintam harmonizados em uma irrevogável unidade de destino.

Que desapareçam os partidos políticos. Um membro de um partido político nunca fez nada; ao invés disso, nascemos todos membros de uma família; somos todos vizinhos de um Município; todos nos empenhamos no exercício de um trabalho. Porque, se estas são as nossas unidades naturais, se a família e os municípios e as corporaçãos é do que realmente vivemos, por que precisamos do instrumento intermediário e pernicioso dos partidos políticos, que para nos unir em grupos artificiais, começam por desunir-nos em nossas realidade verdadeiras?

Queremos menos verborragia liberal e mais respeito à liberdade profunda do homem. Porque só se respeita a liberdade do homem quando o estima, como nós o estimamos, portador de valores eternos; quando se estima a envoltura corporal de uma alma que é capaz de condenar-se ou de salvar-se. Somente quando se considera o homem desta maneira, é que pode-se dizer que realmente respeita a sua liberdade, e ainda mais, que essa liberdade é acoplada, como pretendemos, em um sistema de hierarquia, autoridade e ordem. 

Queremos que todos se sintam membros de uma comunidade séria e completa; isto é, dizer que as tarefas a realizar são muitas: alguns com o trabalho manual, outros com o trabalho do espírito, alguns com ensino de costumes e refinaentos. Mas em uma comunidade como a que pertencemos, deixa-se claro desde agora, não devem haver convidados e nem devem haver zangões. 

Não queremos que se proclamem direitos individuais que nunca poderão ser cumpridos na casa dos famintos, mas que se deem a todos os homens, a todos os membros da comunidade política, por um feito sério, uma meneira de se ganhar com o trabalho, uma vida humana, justa e digna. 

Queremos que o espírito religioso, chave dos melhores arcos da nossa história, seja respeitado e amparado como merece, sem que por isso o Estado interfira em funções que não são suas próprias e nem em parte, como fazia, talvez por outros interesses que não são os da verdadeira religião – que possui funções que pode realizar por si mesma-. 

Queremos que a Espanha recupere fortemente o sentido universal de sua cultura e de sua história.

E queremos, finalmente, que se em algum caso, isso precise se dar pela violência, que não nos detenhamos ante a violência. Porque – quem falou que “tudo menos a violência”, que a suprema hierarquia dos valores morais residem na amabilidade? -, quem disse que quando insultam nossos sentimentos, ao invés de reagirmos como homens, estamos obrigados a ser amáveis? Sim, o diálogo está como primeiro instrumento de comunicação. Mas não existe nenhum diálogo mais admissível que o diálogo dos punhos e das pistolas, quando se ofende a justiça ou a pátria. 

Isto é o que pensamos do Estado futuro que nós nos ocupamos de construir.

Mas nosso movimento não seria compreendido inteiramente se acreditar-se ser apenas uma maneira de pensar; não é uma maneira de pensar: é uma maneira de ser. Não devemos nos propor somente à construção, à arquitetura política. Temos que adotar, diante da vida inteira, em cada uma de nossas ações, uma atitude humana, profunda e completa. Esta atitude é o o Espírito de serviço e sacrifício, o sentido ascético e militar da vida. Assim, não imagine nunca que recrutamos aqui para oferecer privilégios. Quisera eu que este microfone que tenho aqui diante de mim, levasse minha voz até os últimos rincões onde se encontram os trabalhadores da nação, para dizer-lhes: Sim, nós usamos gravatas, sim, pode-se dizer que somos cavalheiros. Mas trazemos o espírito de luta, precisamente por aquilo que não nos interessa como cavalheiros.; viemos lutar porque a muitos de nossa classe, foram impostos sacrifícios duros e justos, e viemos lutar para que um Estado Totalitário alcance com os seus bens, da mesma maneira, tanto os poderosos, quanto os humildes. E somos assim, porque assim foram, durante toda a história da Espanha, os cavalheiros. Assim conseguiram alcançar a verdadeira hierarquia dos senhores, porque em terras distantes, e em nossa própria Pátria, souberam encarar a morte e assumir as missões mais difíceis, precisamente por eles, como cavalheiros, não importar mais nada.

Eu acredito que a bandeira está levantada. Agora vamos defendê-la alegremente, poéticamente. Porque há alguns frente à marcha da revolução, acreditam que para unir vontades, convem oferecer as soluções mais intensas, acreditam que deve-se cultar na propaganda o que podería despertar uma emoção ou assinalar uma atitude enérgica e extrema. Que equívoco! Nada há movido mais os povos do que os poetas, e ai daquele que não sabe se levantar diante da poesia que destrói, da poesia que promete!

Em um movimento poético, nos levataremos esse ardente desejo da Espanha; nós nos sacrificaremos; nós renunciaremos, e nosso será o triunfo – triunfo que, para que lhes dizer? Não vamos conquistar nas próximas eleições -. Nestas eleições, votem em quem lhes pareça menos mal. Mas nossa Espanha não sairá disso, e ali não nos enquadramos. Aquela é uma atmosfera escura, já cansada, como uma taverna ao fim de uma noite devassa. Lá não é o nosso lugar. Eu acredito sim que sou candidato; mas o sou sem fé e sem respeito. E digo isso agora, quando esses dizeres podem fazer com que me tirem todos os votos. Não me importo com nada disso. Nós vamos disputar os habituais restos moles de um banquete sujo. Nosso lugar está fora, mas talvez transitemos por dentro do outro. Nosso lugar está ao ar livre, debaixo da noite clara, arma em punhos, e ao alto, as estrelas. Que sigam os outros com as suas festivdades. Nós estamos de fora, em vigilância severa, fervorosa e segura, já pressentimos o amanhecer na alegria de nossas entranhas.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Eduard Alcántara - Evola e a Questão Racial

por Eduard Alcántara


Muito se escreveu, a partir do desconhecimento, sobre a postura que o grande intérprete da Tradição, Julius Evola, manteve ao longo de sua vida a propósito do tema racial. Dessa ignorância para com sua obra se chegou a afirmar que pensando na hipotética constituição de comunidade ou organizações de natureza tradicional ao nosso autor não lhe importaria absolutamente a origem/classe racial de seus membros, desde que todos eles defendessem uma visão Superior e Transcendente da vida e da existência. Não lhe importaria, se afirmou, que fossem diferentes grupos raciais e inclusive elementos mestiços os quais integrassem um mesmo "Regnum" ou "Imperium".

Estas errôneas interpretações da mensagem do mestre transalpino partem da ideia de que ao priorizar hierarquicamente seu conceito de "raça do espírito" acima do da "raça do corpo", Evola levaria em consideração, como primeiro e principal critério aglutinador de comunidades o da afinidade de interesses, e de vivências, espirituais de seus integrantes; deixando como anedota irrelevante e secundário a origem étnica dos mesmos.

Estes errados "analistas" ignoram que a natureza e os atributos desta "raça do espírito" que Evola nos descreveu como os que foram próprios do homem indo-europeu que, em suas origens (e ao longo de diversos ciclos heroicos que protagonizou), viveu em harmonia com os parâmetros da Tradição Primordial, ignoram, dizíamos, que são uma natureza e uns atributos que, para nosso autor, somente se poderão despertar no seio de um tipo racial concreto: o do indo-ariano. Mais ainda, defendia Evola a ideia de que entre os subgrupos nos quais se dividem os atuais povos indo-europeus (nórdicos, fálicos ou dálicos, dináricos, alpinos, mediterrâneos ou atlânticos [de parentesco muito direto com o mundo celta], báltico-orientais,...) há um mais apto, inatamente, para reconquistar a essência primigênia do que ele define como "raça do espírito": se trata do tipo nórdico, pois este foi o próprio do homem indo-europeu das origens. Do homem indo-europeu cuja espiritualidade é definida por Evola com os adjetivos de "apolínea", "urânica" ou "solar" e que conhece do sóbrio, da medida, do impassível, do impávido, da "gravitas" e do majestático como padrões internos a seguir no processo de autorrealização e como atributos externos de conduta.

Este ser nórdico teria, para Evola, mais disponibilidade e acessibilidade na hora de tentar recuperar a essência da "raça do espírito" e, uma vez reconquistado este tipo de espiritualidade, consecutivamente poderia se constituir em modelo a seguir pelos outros subgrupos étnicos indo-europeus por tal de que dita reconquista se tornasse também extensível à eles.

No seio da própria Itália, nosso mestre da Tradição propunha a seleção de indivíduos de clara origem nórdica (o ário-romano, segundo denominação sua) que apresentariam uma maior predisponibilidade e predisposição para converter, neles, em ato as potencialidades próprias deste tipo de espiritualidade apolínea. Indivíduos que adotariam a função de arquétipos e exemplos a seguir por tal de aspirar a que o resto dos subgrupos étnicos que habitavam (na época de Evola) a Península Itálica (todos os indo-europeus) empreendessem também o caminho da autêntica reconstrução espiritual.

A postura que estamos tentando determinar se vê refletida nitidamente em uma máxima evoliana que afirma que "a raça é necessária, mas não suficiente". Isto é, que se necessita ser de uma determinada origem racial (neste caso a indo-europeia) para possuir as potencialidades que possam permitir a alguém, se faz uso da liberdade de que goza, empreender o urânico-solar, e heroico, caminho do desapego e da transfiguração iluminadora interiores. Passar de potência a ato no plano da Transcendência é um privilégio da qual dispõem aqueles indivíduos indo-arianos que não se conformem exclusivamente com percorrer pelo mundo perecedouro do devir, mas que se ponham como meta o superar sua condição material finita para chegar ao Conhecimento da Realidade Suprassensível e para aspirar a própria identificação (de dito indivíduo) com o Supremo, imutável e incondicionado.

"A raça é necessária, mas não suficiente", pois de pouco nos serve um indivíduo cujas características físicas possamos classificar como indo-europeias, se esse indivíduo não interioriza certos valores e uma cosmovisão conformes com os quais sempre definiram a maneira de ser e de agir da raça à qual pertence.

O principal tema central de Evola na hora de abordar a questão racial, encontrava-se em superar muitas das doutrinas basicamente biologicistas que circulavam, sobretudo, pela Europa anterior ao fim da segunda grande guerra mundial. Pugnava por não reduzir o homem a sua mera condição corporal e animal, por não deixá-lo convertido no ser mutilado e privado de sua dimensão Absoluta ao qual o começou a reduzir o racionalismo e ao qual o acabou por terminar no materialismo próprio das etapas crepusculares pelas quais está transitando neste dissolvente mundo moderno. Pugnava por preencher a raça do corpo com o componente espiritual que desde suas mais ignotas origens lhe foi consubstancial.

Consubstancial é ao mundo negro um tipo de "espiritualidade" (se é que se pode utilizar este termo) animista e que em nenhum caso vai além do que são os cultos totêmicos. Consubstancial é aos diferentes povos semitas outro tipo de "espiritualidade" que oscila entre a denominada como sacerdotal, demétrica ou matriarcal e a qualificada como ctônica ou telúrica. Consubstancial sempre foi aos indo-europeus a espiritualidade apolínea, urânica, hiperbórea, solar ou olímpica.

"Espiritualidades" como, por exemplo, a matriarcal, lunar ou pelásgica prevaleceram entre o "homo europaeus" somente como consequência de um processo de queda; como o resultado de uma involução que lhe impossibilitou a vivência e a visão direta da Realidade Metafísica conduziu ao plano inferior da crença, da fé e da devoção para com essa Realidade. Por outro lado, para povos como os de origem racial semita um tipo de "espiritualidade" já seja de tipo sacerdotal ou demétrico ou já seja de índole telúrica é no máximo ao qual podem aspirar devido às limitadas predisposições e potencialidades inatas que lhes "oferece" sua origem étnica.

Se tudo o mencionado até este momento, a alguma mente ofuscada em seus errôneos preconceitos não lhe houvessem bastado para deixar de recear sobre a postura que Evola sempre manteve a respeito do tema sobre o qual estamos escrevendo e se ainda houvesse quem acreditasse que nosso autor pudesse admitir algum tipo de mestiçagem não tão somente de caráter cultural mas até racial, deixaremos que seja o próprio grande mestre da Tradição quem fale diretamente e dissipe, assim, qualquer vestígio de dúvida de uma maneira categórica, incontestável e contundente.

Em um artigo intitulado "Teologia do estado nacional", e citando Wilhem Stapel, Evola se posiciona contra "qualquer suposta 'moralidade' de validez universal, isto é, indiferente com respeito à raça e à nação. Cada raça tem sua ética, seu direito, seus costumes, sua religiosidade de formas bem diferentes. Um povo degenera e perece quando assume uma ética estrangeira, ideias e princípios que não são conformes a sua própria natureza. Um povo é eticamente são quando sua ética e seus costumes se encontram em harmonia com seu sangue e com seu espírito inato - se poderia dizer com seus 'deuses'.".

Em outro escrito ("Sobre as diferenças entre a ideia do estado fascista e nacional-socialista") equipara sua postura com a própria que defende o Führer ao afirmar que "Hitler, em um discurso pronunciado em 1.933, em Nüremberg, corretamente reconheceu que a forma física nórdica nem sempre pode se acompanhar de elementos espirituais correspondentes, de modo tal que, a respeito, o extremo critério deve estar dado pelo exame da atitude da alma e do espírito, pelo caráter, pelas obras"; a respeito recordemos de novo, com nosso autor, que "a raça é necessária, mas não suficiente".

Em dito escrito também podemos ler que "quando o fascismo italiano tenha tornado sua a ideia racista" se perceberá claramente "um benefício para nossa Revolução, obstaculizada ainda, em tantos setores, por escórias 'positivistas' e 'oficiosas' ou intelectualistas, e por um estilo que, à parte da raça do corpo, nem sempre poderemos denominar de 'ariano'.".

Em "A Idade Média e Nós" estabelece que "os adversários de nosso tempo são mais que nacionais: bolchevismo, comunismo, judaísmo, plutocracia, maçonaria...".

O caráter que o judaísmo tem de catalisador e acelerador dos processos de decadência que aconteceram ao longo dos últimos séculos, é uma questão que Evola analisou profunda e extensamente ao longo de um bom número de artigos; alguns dos quais foram recompilados em um volume intitulado "Escritos sobre Judaísmo".

Em "O Equívoco Universalista" menciona que "na romanidade crepuscular a cidadania romana foi concedida irresponsavelmente a qualquer espécie de elementos espúrios ou de raças inferiores e a cidade acolheu sem dificuldade cultos e costumes estrangeiros. Assim exatamente este 'universalismo' foi uma das principais causas da ruína da romanidade".

Lemos em "Por um Verdadeiro Direito Europeu" a seguinte queixa: "Dita admissão (a anexação da Turquia à comunidade jurídica das nações europeias que aconteceu no congresso de Berlim) foi concordada por Bismarck com o judeu britânico Disraeli".

Em "Revolta Contra o Mundo Moderno" descreve em um capítulo intitulado "O ciclo se completa" (no parágrafo dedicado aos EE.UU.) e referindo-se ao jazz que: "Nos grandes auditórios das cidades ianques aonde centenas de casais se sacodem como fantoches epilépticos e automáticos diante dos sincopados pretos, é verdadeiramente um 'estado de multidões', é a vida de um ser coletivo que volta a se despertar."

Em sua obra "Orientações para uma Educação Racial" realiza uma síntese de muitos dos assuntos tratados em "Síntese da Doutrina da Raça". Se revisamos, no primeiro destes dois trabalhos, o capítulo "Significação Interior da Raça" nos encontraremos com afirmações como as quais seguem:

"As reações dos indivíduos com repeito às ideias racistas constituem uma espécie de barômetro que revela a 'quantidade' de raça presente neles. Dizer sim ou não ao racismo não é uma simples alternativa intelectual, não é uma escolha subjetiva e arbitrária. Diz sim ao racismo aquele no qual a raça vive ainda; e, pelo contrário, se opõe aquele que buscando desculpas e pretextos em todos os âmbitos a fim de justificar sua aversão e desacreditar o racismo, demonstra que foi vencido interiormente pela anti-raça (aquele no qual as forças originais foram reprimidas, já seja pelo peso dos desvalores étnicos, herdeiros de cruzamentos e de processos de degeneração, já seja por um estilo de vida burguês, afeminado e intelectualizante)".

No capítulo "Consequências do Sentimento de Raça" escreve que "na visão racista da vida toda diferença (inclusive física) é simbólica: o interior se manifesta no exterior, o que é exterior é simbólico, sinal ou sintoma de algo interior; tais são os princípios fundamentais de um racismo completo."

No intitulado "Herança Racial e Tradição" afirma que "Do que um ancestral tanto espiritual como biológico lhe transmitiu, o indivíduo pode, pois, se permanece fiel a sua raça, extrair as forças necessárias para alcançar uma perfeição pessoal e representar a encarnação de um ideal íntegro da raça. Igualmente que pode contaminar essa herança, dissipá-la, pô-la à serviço de determinismo aos quais dão lugar à misturas de sangue e mestiçagens de tal tipo que esta, tarde ou cedo, será extinguida por influências paralisantes ou dissolventes."

Em outro capítulo, "Significação da Profilaxia Racial", pensando nas posses que a Itália tinha na África, nos diz que "Uma das circunstâncias que favoreceram as tomadas de posição 'racistas' da Itália foram exatamente a necessidade de prevenir a mestiçagem de nosso império colonial."

Em "Importância da Teoria das 'Raças Interiores'" lemos:

"Naturalmente, a fisionomia ou ciência da fisionomia, possui aqui um grande papel: dizer que 'o rosto é a expressão da alma', é enunciar um lugar comum, pois o corpo (formas do crânio, proporções dos membros, etc.) têm, para o qual sabe compreendê-lo, uma linguagem cheia de ensinamentos. Daí, a significação exata de ciências cais como a craniologia, o estudo do esqueleto, etc., que, à primeira vista, podem parecer técnicas."

"Uma alma que vive o mundo como algo diante do qual há que tomar posição, como o objeto de um combate e de uma conquista, deveria normalmente possui um rosto no qual as características enérgicas e ardentes refletissem esta experiência interior, junto com um corpo esbelto, grande, enérgico e disciplinado, um corpo 'ariano' ou 'nórdico-ariano'."

"Os cruzamentos e mestiçagens têm por efeito que as almas de uma raça se encontrem no corpo de outras raças, o que provoca a alteração tanto de uma como da outra. Criam verdadeiros inadaptados no amplo sentido da palavra."

No capítulo "A Raça e as Origens" escreve que "Diante do esplendor da pré-história nórdico-ocidental e ariana, as civilizações asiático-orientais aparecem como crepusculares e híbridas, tanto espiritual como etnicamente. O que ocultam, verdadeiramente grande e luminoso, procede, na realidade, da ação inicial civilizadora do núcleo pertencente às raças dominadoras nórdico-ocidentais."

Nas "Migrações Nórdico-Ocidentais" afirma que "a raça das origens está tão presente hoje no povo italiano como pode está-lo no povo alemão, ainda que sufocadas em ambos os casos sob o peso dos desvalores étnicos, de outros componentes raciais e como defeito de processos anteriores de degeneração biológica e cultural."

Nos encontramos em "Raça, Romanidade e História Italiana" com que "quanto mais se estende o antigo império mais se debilita a 'raça de Roma': eleva à dignidade de cidadãos romanos elementos etnicamente discutíveis,..."

Em "O Arquétipo de Nossa 'Raça Ideal'" lemos:

"Quais são as características de nosso arquétipo? Exteriormente é de elevada estatura e com largas costas nos homens. Seus membros estão bem proporcionados. É delgado, enérgico, dolicocéfalo (embora menos que o ser propriamente nórdico). Seus cabelos são morenos; diferentemente de alguns tipos menos puros mediterrâneos, seus cabelos não são cacheados mas ondulados. Os lábios são finos e as sobrancelhas não são grossas. O nariz é fino e longo, reto ou ligeiramente delgado. O maxilar inferior é bastante desenvolvido, embora menos perceptível que no ser nórdico; expressa um ser ativo e pronto para o ataque."

O último capítulo tem por título "Campo Histórico do Racismo Fascista" e nele pondera que "A comunidade de sangue ou de raça será a premissa de base. Mas no interior de tal comunidade, um processo de seleção adequada determinará ulteriores hierarquias em função das quais poderá nascer algo semelhante a uma nova aristocracia: um grupo que (não somente sobre o plano físico, mas em termo de raça heroica, de estilo feito de honra e fidelidade) testemunhará a raça 'pura', isto é, a verdadeira raça ou raça ideal."

No capítulo "Tabus de Nossos Tempos" pertencente aos "Homens e As Ruínas" nos diz: "a raça branca, ao levantar o princípio da autodeterminação dos povos e ao usar tropas de cor em insensatas guerras fratricidas, havia criado uma arma que se voltou contra si própria; arma que não haveria sido muito perigosa se depois os brancos não houvessem sido tomados imprevistamente pela psicose anticolonialista, desconhecendo tudo o que de realmente teve de positivo a colonização, a contrabalancear com o negativo, para os povos africanos, conduzindo-os à um nível ao qual eles jamais haveriam podido chegar por suas próprias forças e capacidade."

"Intelectuais e artistas franceses de esquerda junto ao clã de J. P. Sartre, inventaram e exaltaram a 'negritude' criando um mito no qual o preto jamais haveria podido pensar: a 'negritude', conceito absurdo que queria fazer valer para os pretos algo similar àquilo que para a Itália é a italianidade, para a Alemanha a germanidade, etc."

"Aqueles pretos que tiveram uma cultura, unicamente porque frequentaram os institutos de instrução/educação dos brancos, se apressaram a tornar próprio esse mito."

"Tivemos a ocasião de indicar a negrização cultural ressaltável nos EE.UU., bem visível no campo da música de baile, da arte, das danças, de certos comportamentos típicos, etc.: a infecção depois passou em parte aos povos europeus. Quanto ao demais, alguns expoentes da 'beat generation' protestária norte-americana (em seu período de auge) não haveriam talvez chegado a fazer do preto um modelo e um companheiro (havendo falado Norman Mailer, em um conhecido escrito, do tipo 'beat' como de um 'white Negro', isto é, de um 'preto branco'), enquanto que garotas brancas fizeram uma de suas manifestações protestárias o ir para a cama com pretos?"

"Quanto à promiscuidade social nos EE.UU. se sabe do empioramento do orgulho 'integracionista' e antissegregacionista que entre outras coisas mostra um dos absurdos aos quais conduzem a democracia e o igualitarismo fanático. Na realidade, querer impor a 'integração' é um aberto ultraje àquele princípio da liberdade, que sob outros aspectos se exalta tanto. Ninguém negará nunca a uma família o direito de não acolher e de manter distanciados aqueles estrangeiros que lhe resultassem antipáticos (independentemente das razões de tal antipatia), mas a promiscuidade com os pretos na vida pública se a quer impor por lei em nome ironicamente da liberdade, de uma liberdade compreendida em um só sentido."

"Se fala como de uma abominação do regime do 'apartheid' vigente na África do Sul, interpretando-o como uma 'inadmissível segregação', enquanto que na realidade se trata somente de 'separação': o significado do termo é o de 'estar à parte', estar cada um por si próprio, junto com os seus, não em um regime de opressão, mas de 'desenvolvimentos separados', com a só discrição de que, com base na violência democrática do puro número, uma maioria preta não desalojem os brancos e não se ponha no comando de um Estado que somente os brancos criaram e que somente aos brancos deve sua prosperidade e civilização."

"Os pretos da América do Norte (fanatizados socialmente por agitadores respaldados pelos comunistas) também se puseram a fazer 'racismo', um racismo contra o qual ninguém levanta sua voz, enquanto que todo racismo dos brancos é marcado a fogo como 'nazismo' ou pior."

"... Outra solução seria a de convidar os pretos racistas e os do 'Poder Preto' para irem-se para suas pátrias de origem, nos novos Estados africanos; mas nisso não se pode nem pensar: ninguém o aceitaria, pois os pretos possuem muitas vezes de seus companheiros de raça uma opinião muito pior que a dos brancos; à eles lhes resulta cômodo ficar, ao invés, entre os brancos e conseguir vantagem das estruturas e das instituições de uma sociedade que não foi criadas por eles, mas pelos brancos."

"O que pode acontecer quando o preto tem o poder já se o viu, quanto ao demais, na América do Norte com a experiência dos chamados 'carpet-baggers', quando a demagogia nortista em 1.868 deixou que os pretos fossem democraticamente ao poder na administração dos Estados do Sul derrotados: se teve um regime de corrupção, de incompetência tão grande que em seguida houve que 'dar marcha atrás' para evitar a ruína completa. E se este exemplo parecesse antiquado, se veja o que sucede nos Estados africanos convertidos em 'livres' como consequência da psicose anticolonialista: junto com ridículas imitações simiescas das instituições democráticas europeias se têm conjuração e golpes de Estado repetitivas vezes, rebeliões, lutas tribais, homicídios, desordem administrativa, despotismos primitivos apenas disfarçados."

"À parte da recepção de pretos que se encontram entre os estudantes e que se distinguem muitas vezes por uma arrogância provocativa, e como indivíduos de espantosas atividades em concordância com os 'protestários' de cabelo grande, há que mencionar o compromisso da televisão que somente sabe falar bem dos pretos e não perde ocasião alguma para tomar partido por eles com distorções de toda espécie, que projeta filmes ianques aonde se vê os pretos no papel de juízes, advogados, atores, policiais, e assim sucessivamente, que envolve cantores pretos e a mistura de bailarinas brancas com pretas, de modo tal de acostumar o público à uma comunidade bastarda não privada de perigos, dado o nível moral próprio, lamentavelmente, de nossa população. É um fator de desagregação que se agrega à outros."

Deixamos estes contuncdntes parágrafos dos "Homens e As Ruínas" e vejamos ao que Evola nos escreve, agora, no capítulo "Música Moderna e Jazz" de seu livro "Cavalgar o Tigre":

Em matéria musical "O Ocidente foi buscar os temas de inspiração no patrimônio das raças estrangeiras mais baixas, nos pretos e nos mestiços das regiões tropicais e subtropicais."

"Se pode observar que foi o primitivismo, ao qual regressou o homem do tipo mais recente, especificamente o da América do Norte, foi o qual lhe fez escolher, assimilar, e desenvolver por uma afinidade eletiva, uma música que tem um estilo de tal maneira primitiva, como a música preta, que, além disso, na origem, estava associada à formas escuras de êxtases."

"O fato de que tenhamos destacado tudo isto não implica de nenhum modo que nos associemos às reações moralizantes contra o modernismo neste domínio, apesar da indiscutível contaminação que proporciona, além disso, o elemento negro."

Os comentários que transcrevemos a seguir os podemos encontrar no capítulo "América do Norte Negrificada" que foi incluído no "O Arco e a Clava":

"Se assiste uma negrificação, uma mestiçagem e um retrocesso da raça branca diante de raças inferiores mais prolíficas".

"Os promovedores da denominada 'integração racial' nos EE.UU. não somente defendem a completa promiscuidade racial a nível social e querem que os negros tenham livre acesso a qualquer cargo público e político (pelo qual exatamente poderíamos esperar em um futuro também um presidente negro), mas que não formulam problema algum de que os negros misturem seu sangue com o do seu povo de raça branca."

"A América do Norte se encontra negrificada nos termos não tão somente demográfico-raciais, mas sobretudo de civilização, de comportamento, de gostos".

"Os ingleses obrigaram seus compatriotas da Rodésia a separar-se da Commonwealth, aplicando sanções contra eles, por não se haver submetido à imposição de conceder o voto democrático indiscriminado à masa de população negra, coisa que os haveriam feito sair das terras civilizadas tão somente por eles."

"Por que os 'integracionistas não pedem que um entre os cinquenta Estados da União seja despovoado e cedido para pôr ali todos os negros estadunidenses a fim de que se administrem por si próprios e façam tudo o que queiram sem molestar e contaminar ninguém?'"

"Prescindindo do componente puritano-protestante (o qual, por sua vez, em razão de sua valorização idólatra do Antigo Testamento, expressa não poucas tendências judaizantes), parece que justamente o elemento negro, em seu primitivismo, tenha sido o que deu o tom aos aspectos relevantes da psique norte-americana."

"Aquela brutalidade que é um dos aspectos inegáveis do norte-americano podem bem se definir como de origem negra. Nos 'felizes' dias que aquilo que Einsenhower não se preocupou por denominar a 'Cruzada na Europa' e nos primeiros períodos da ocupação se puderam observar formas típicas de tal brutalidade."

"Não é exagerado dizer que o tonto orgulho dos norte-americanos por sua 'grandeza' de caráter espetacular, pelos 'achievements' de sua civilização se ressente pois também isso da psique negra (primitiva e infantil)."

"Assim é como temos que também o 'integracionismo' social e cultural preto se está difundindo na própria Europa (através de filmes importados e da televisão).... a fim de que o grande público se acostume pouco a pouco com a promiscuidade e perca qualquer remanscente de natural sensibilidade de raça e de sentido de distância."

"O fanatismo que suscitou aquela massa informe e gritante de carne que é a negra Ella Fitzgerald, em suas exibições na Itália, é um fenômeno tão triste como indicativo."

No mesmo capítulo nosso grande intérprete da Tradição ratifica as seguintes impressões expressadas por C. G. Jung:

"As expressões emotivas do norte-americano e, em primeiro lugar, sua maneira de rir, se podem estudar perfeitamente nos suplementos dos jornais ianques dedicados à 'society gossip'; Aquele modo inimitável de rir, de rir 'à la Roosevelt', é visível em sua forma original no negro desse país. Aquela maneira característica de caminhar com as articulações relaxadas, ou bem balançando o quadril, que se vê de forma habitual nos ianques, deriva dos negros... As danças ianques são danças de negros. O temperamento vivo que se manifesta, de maneira particular, na expressão verbal, no fluxo contínuo, ilimitado das conversas que caracteriza os jornais norte-americanos, é um exemplo notável disso; não deriva certamente dos progenitores de estirpe germânica, senão que se assemelha ao 'chattering' de aldeia preta. A quase completa falta de intimidade nos recorda, nos EE.UU., a vida primitiva nas cabanas abertas aonde reina uma completa promiscuidade de todos os membros da tribo."

Ficam, pois, incontestavelmente determinadas as certezas que defendia Evola a respeito do tema racial. Certezas que mantêm uma coerência total ao longo de toda sua vida, pois leve-se em consideração que os fragmentos que aqui reproduzimos correspondem a artigos e a obras escritas e/ou publicadas no transcorrer dos anos 30, 40, 50, e 60 do passado século e que alguns dos livros dos quais foram extraídos foram revisados e ampliados por nosso autor em reedições posteriores nas quais mantem ou acrescenta as reflexões que pudemos ler.

Damos por verdade o fato de que, à partir de agora, ninguém voltará a pensar que Evola dava um papel insignificante à raça do corpo. Mas ainda assim recordamos que o também considerado como "O Último Guibelino" defendia que as características físicas de uma raça representam o reflexo externo da cosmovisão e dos valores que são inatos à ela. Pelo qual a raça do corpo deveríamos de considerá-la e tratá-la como emanação e legado inviolável e inalterável do sacro e Superior.

                                                ********************************

Há algum tempo escrevemos um escrito sob este mesmo título. Naquela ocasião começamos por tentar realizar um esboço da "doutrina da raça" que o italiano Julius Evola sistematizou no seu tempo de acordo com os parâmetros que sempre definiram a Tradição e pelos quais se regeram os povos indo-europeus antes de precipitar-se no abismo do crepuscular e deletério mundo moderno. E após dito esboço reproduzimos uma boa relação de reflexões suas, aparecidas em uma representativa quantidade de suas obras, escritas ao longo de várias décadas, nas quais se desvanece totalmente certos equívocos [propalados pela ignorância (sobre o conteúdo da obra de Evola) de uns e a má intenção de outros] existentes sobre o verdadeiro caráter desta "doutrina da raça".

A respeito desta doutrina deveríamos resumir que o autor italiano estabeleceu uma hierarquia entre o que ele classificou como as três raças que formam esse composto que chamamos de "homem". No mais alto desta hierarquia situou o que denominou como "raça do espírito" (formada pelo ser de espiritualidade que no homem indo-europeu sempre foi de natureza solar, celeste, viril, olímpica, operativa, transformadora e ativa). Sob esta e como reflexo de seu caráter nos explicou que se encontra a "raça da alma" (alma como sinônimo de psique ou mente) (cujos atributos definitórios sempre foram tais como a honra, a coragem, a fidelidade, a "gravitas", a austeridade, o autodomínio, o espírito de sacrifício, a sensatez,...). E finalmente nos falou de uma "raça do corpo" que seria a raça física e que sempre refletiria nos rostos de seus integrantes esses atributos de nobreza que relacionamos como definitórios da "raça da alma".

Nos deixou bem claro que ditos atributos de nobreza inseridos na "raça da alma" somente se desenvolvem se o homem é fiel à tradição espiritual que sempre caracterizou a etnia à qual pertencem. Ou dito de outro modo, se é fiel à sua "raça do espírito". Se abandona esta, os atributos da "raça da alma" podem sobreviver, como por inércia, durante um certo tempo mas, finalmente, desaparecerão.

Deste modo quando estes atributos da "raça da alma" tenham desaparecido e tenham sido substituídos por outros externos (externos, neste caso, aos próprios e originários do homem indo-europeu), tais como a pusilanimidade, a covardia, o amor à vida fácil, cômoda e extasiada pelo sensual e pelos mais baixos prazeres, o engano, a perfídia ou o humanitarismo ordinário, pacifista e cosmopolita, quando este aconteça o homem não conhecerá mais do diferenciado e do qualitativo e cairá no marasmo da massa, do quantitativo, do número do medíocre despersonalizado e, consequentemente, cairá em uma misturança niveladora, indiferenciadora e igualitarista não somente em nível cultural mas também racial ou étnico. Igualmente uma perda de força interior motivada por esta perturbação sofrida no seio da "raça da alma" acaba refletindo-se na "raça do corpo" sob a forma de lassidão externa, afeminamento, de expressão inobre, vil, ou astuto ou de rosto bobo e falto de expressão enérgica.

O exposto até agora descreve uma queda que acontece de cima para baixo: começando pela "raça do espírito", continuando pela "raça da alma" e acabando na "raça do corpo". Queda que segue a lógica de uma ideia hierárquica da vida. Mas também deveria de ficar claro que sem o nível inferior (a "raça do corpo") se torna impossível qualquer desejo e tentativa de restauração da integridade perdida do homem (neste caso) indo-europeu, pois é no interior deste homem indo-europeu aonde se encontram em estado larvário, adormecidos e em potencia os atributos célebres da "raça da alma" e a chama desse tipo de espiritualidade concreta própria de nossa "raça do espírito". Atributo da alma e tipo de espiritualidade que deveríamos de nos impor resgatar se queremos aspirar, algum dia, a considerar-nos Homem no sentido integral e atributos da alma e tipo de espiritualidade que em cada raça apresentem umas determinadas peculiaridades e intransferíveis características.

As citações que exporemos a seguir se acrescentam às quais, de nosso autor italiano, já oferecemos no anterior citado escrito que leva o mesmo título que este. Não serão tão numerosas, já que as consideramos como uma ampliação àquelas. Foram extraídas da 2ª edição ampliada da "Raça do Espírito", publicada em março de 2005, pela argentina Edições Herácles. Da 1ª edição já extraímos algumas citações que colocamos, no seu tempo, no artigo aludido. Apresentam estas novas citações um caráter muito evidente na hora de "destruir" mal-entendidos que vão na linha contrária ao que tivemos exposto no parágrafo anterior. Mal-entendidos que vão na linha de afirmar que para Evola a "raça do corpo" não teria nenhum valor enquanto que as essências da "raça do espírito" e os atributos da "raça da alma" estivessem em ação, em vigência. Acreditamos desacreditar e negar de argumentos tamanho abuso e consideramos que ainda mais o farão as seguintes palavras de Evola.

Por isso em um artigo intitulado "Raça e Cultura" e publicado em janeiro de 1934, na revista "La Rassegna Italiana" nosso grande intérprete transalpino da Tradição afirmava que:

"Racismo significa pois reconhecimento de uma determinada diferenciação dos homens como dado originário: relação de um determinado grupo de homens com um 'tipo'; purificação da estirpe que lhe corresponde a respeito dos elementos estrangeiros seja étnicos como culturais; íntima adesão do sujeito à tradição do próprio sangue e às 'verdades' que se encontram intimamente vinculadas com este sangue; eliminação de qualquer mistura espúria".

No mesmo artigo acrescentava:

"Certamente, a preservação da pureza étnica nos deve aparecer como a condição mais favorável para que também o 'espírito' de uma raça se mantenha em sua força e pureza originária."

Em outro escrito intitulado "Raça e Ascese" e publicado em Abril de 1942, na mesma revista sentenciava que:

"O homem ariano possui uma semente de luz, um elemento sobrenatural, um núcleo intangível e soberano, que em outras raças se encontra ausente, ou bem está ofuscado ou, finalmente é sentido tão somente como externo e alheio."

No mesmo artigo anterior escrevia que:

"As relações entre raça e ascese se esclarecem no mesmo momento em que se leve em consideração que, no curso dos milênios, não somente a superior consciência 'olímpica' das raças arianas se sumamente ofuscaram na grande maioria de seus exponentes, mas que cruzas múltiplas introduziram, através de um sangue estrangeiro, também, diferentes formas de sensibilidade e sobretudo de passionalidade e de desejo que hoje em dia se consideram como 'normais' e 'humanas' para qualquer um, mas que não obstante eram alheias à originária alma ariana, ariano-romana e nórdico-ariana. Porém, um dos significados principais de uma ascese bem compreendida é justamente este: reconquistar aquilo que se perdeu; reanimar o estado primordial; neutralizar a influência desmedida da parte instintiva, passional e irracional do ser humano, exasperada sobretudo em ração da mistura com o sangue de raças não-arianas; reforçar aquelas características típicas de natureza 'sidéria', soberana, impassível, que originalmente se encontravam no centro da já mencionada humanidade 'hiperbórea' e de todas as suas ramificações como raça dominadora."
Em outro escrito que possui por título "Valores Supremos da Raça Ariana", publicado em Fevereiro de 1940, na revista "La Difessa della Razza" esclarecia que:

"Para ser realmente 'ariano' os textos indicaram na realidade uma dupla condição: o nascimento e a iniciação. Ariano se nasce, não se torna; nascitur, no fit."

E, por último, no mesmo escrito nos explicava que:

"... é possível descobrir aquilo que, nas diferentes civilizações, testemunha a presença ou o ressurgimento de forças e de tradições pertencentes à arianidade e aquilo que, ao invés, deve se considerar como alteração ou deformação devida à influências e infiltrações de raças e castas inferiores."

Nos parece que, após estes dois artigos nossos escritos sob o mesmo título nos quais a voz de Evola foi a protagonista, é inútil mais comentários e sobra qualquer tipo de esclarecimento a mais.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Resistênca no Local de Trabalho: Um Campo de Batalha Fundamental para Nacional-Revolucionários

por Dan Canuckistan



"Eu vejo todo esse potencial, e eu vejo desperdício. Maldição, toda uma geração enchendo tanques de gasolina, servindo mesas - escravos de colarinho branco. A propaganda nos põe correndo atrás de carros e roupas, trabalhando em empregos que odiamos para comprar merdas que não precisamos. Nós somos os filhos do meio da história, cara. Sem propósito ou lugar. Nós não temos nenhuma Grande Guerra. Nenhuma Grande Depressão. Nossa Grande Guerra é uma guerra espiritual...nossa Grande Depressão é nossas vidas. Nós fomos todos criados pela TV para acreditamos que um dia seríamos todos milionários e astros do cinema e rock stars. Mas nós não seremos. E nós estamos lentamente aprendendo esse fato. E nós estamos muito, muito putos". - Clube da Luta

No final da década de 70, a Frente Nacional Britânica se encontrou nos estertores de uma luta interna entre sua ala de soldados políticos e uma facção direitista reacionária. Uma questão que contribuiu para esse racha foi a sugestão por Patrick Harrington - um jovem nacional-revolucionário dos escalões superiores da Frente - de que os membros do grupo deveriam praticar a "expropriação" no local de trabalho para promover os objetivos da causa nacionalista (roubar suprimentos de papelaria, fazer fotocópias não autorizadas, etc...).

Os reacionários ficaram horrorizados, considerando que tais atividades escusas não só seriam anti-eticas como também uma influência corruptora sobre todos aqueles que participassem nelas. E, como regra geral, eles estavam completamente corretos. Fora de uma estrutura revolucionária e carecendo de uma justificativa ética superior, a expropriação no local de trabalho pode levar à dissolução moral do indivíduo e coletivamente a uma cultura de corrupção. Porém o que Harrington propôs - se adequadamente refletido, explicado e implementado - pode muito bem ter o efeito oposto ao abrir uma nova esfera da luta nacional-revolucionária, uma que não só é reta em um sentido moral, mas que também emprega táticas eticamente superiores (ou seja, não-letais e dirigidas principalmente contra a propriedade).

A resistência no local de trabalho, é claro, vai muito além da mera expropriação de bens. Ela pode incluir um vasto espectro de atividades, incluindo liberar o próprio tempo da tirania do relógio (o assim chamado "furto de tempo), atrasar o trabalho (a "subtração consciente de eficiência", como os antigos wobblies chamavam), revelar segredos (à lá Wikileaks), sabotagem, pregar peças, grafitagem e panfletagem revolucionária, atrapalhar chefes e fura-greves, difundir dissenso e solapar a moral geral, hackear computadores, e assim por diante. Para usar uma expressão anarquista recente, há toda uma verdadeira "diversidade de táticas" disponível.

Em primeiro lugar, é importante para nacional-revolucionários situar o local de trabalho em seu contexto estratégico adequado. Muitas vezes nós relegamos os espaços nos quais trabalhamos - e perdemos tanto de nosso tempo - como mundanos ou monótonos, separados de nosso ativismo político. Atos de resistência no local de trabalho são desprezados como mera criminalidade ou rebelião juvenil, mas essa é uma abordagem completamente equivocada.

O tamanho e poderio econômico de grandes corporações supera em muito o PIB de diversos estados-nações. O Wal-Mart, por exemplo, é valorado acima do Paquistão, a Exxon supera a Nova Zelândia, a British Petroleum faz sombra sobre a Ucrânica, e o Citigroup sobrepuja a Romênia. A gigante brazileira de mineração, a Vale, que opera uma mina em Newfoundland, é mais rica do que a província que a hospeda. Essa concentração sem precedentes de riqueza tem permitido às corporações despejar exércitos de lobistas com baldes de dinheiro para capturar os processos políticos de muitas nações modernas, impondo legislações danosas para maximizar seus lucros (ou seja, promover o trabalho barato através da imigração em massa) e se defender de regulações.

É preferível olharmos para nossos hipermercados "locais", redes de restaurante de fast-food e redes varejistas corporativas como entrepostos da globalização, território inimigo em uma vasta luta geopolítica colocando as forças do consumismo padronizado e da exploração capitalista ("eles") contra as forças do tradicionalismo radical e da justiça econômica ("nós"). A resistência no local de trabalho é uma forma atualizada e eficaz de guerrilha ou conflito assimétrico perfeitamente adequada às realidades modernas. À longo prazo, por exemplo, o furto em pouca intensidade/risco de fios de cobre é muito mais eficaz em enfraquecer o sistema do que qualquer número de bombas de fertilizante ou massacres aleatórios. Isso pode não ser tão "másculo" ou hollywoodiano como um ato terrorista explosivo, mas a resistência no local de trabalho é muito mais vantajosa tanto de um ponto de vista econômico como de um ponto de vista da propaganda revolucionária.

E as multinacionais estão em uma desvantagem estratégica distinta: a natureza de suas operações demandam que eles nos permitam acesar - como consumidores e trabalhadores - suas fortalezas corporativas (lojas, shoppings, centros corporativos, fábricas, centros de distribuição, etc.). Em termos militares, isso é o equivalente a permitir que um time de comandos se infiltre por trás de suas linhas ou até mesmo estender o tapete vermelho para eles.

Os nacional-revolucionários precisam explorar essa rachadura na armadura corporativa e reorientar nossa luta contra a infraestrutura econômica difusa da economia capitalista. Nosso povo, alienado e gasto em suas precárias vidas de trabalho, serão encontrados lá. E eles serão receptivos a uma mensagem de resistência quotidiana prática combinada com uma visão positiva da economia futura e da justiça social. Nós devemos nos tornar novos wobblies...Trabalhadores Industriais Nacional-Revolucionários do Mundo, uni-vos!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pessimismo?

por Oswald Spengler



O meu livro (O Declínio do Ocidente, Vol I) se deparou com ampla incompreensão. Em um certo sentido, isso é quase um concomitante inevitável para qualquer abordagem nova que chegue a novas conclusões. Tal reação é mais ainda esperada quando as conclusões alcançadas, ou mesmo as perspectivas e metodologia que levou a elas, apresentam um desafio sério ao humor dominante de uma era. Quando um livro assim por acaso se torna popular, as incompreensões se multiplicam. Pois então as pessoas são confrontadas subitamente por um complexo de idéias que elas de fato não deveriam ter tentado diferir até anos depois de leituras preparatórias.

Com meu próprio livro há ainda a dificuldade de que apenas o lado negativo da figura chegou até então ao público. A maioria dos livros esqueceu de observar que este primeiro volume representa apenas um fragmento a partir do qual, como eu logo perceberia, não é fácil formar conclusões sobre o que deve seguir. O segundo volume ainda por vir abordará a "Morfologia da História Mundial", levando então a um fim meu exame de ao menos um aspecto do problema. Leitores atentos terão notado que eu toquei brevemente em um segundo aspecto, a questão ética, em meu ensaio Prussianismo e Socialismo.

Um outro obstáculo a uma compreensão do meu livro é o título um tanto quanto desconcertante que ele leva. Eu fui cuidadoso em enfatizar que este título foi escolhido anos antes de sua publicação, e que ele objetivamente descreve um fato simples para o qual evidências podem ser encontradas nos eventos mais familiares da história mundial. Ainda assim, há pessoas que não podem ouvir a palavra "declínio" sem pensar em uma calamidade súbita e temível. Meu título não implica catástrofe. Talvez possamos eliminar o "pessimismo" sem alterar o sentido real do título se substituíssemos "declínio" pela palavra "realização", tendo em mente as funções especiais que Goethe atribuiu a esse conceito em sua própria visão-de-mundo.

Porém, mesmo a primeira parte do meu livro não era dirigida a pessoas especulativas, mas sim ativas. Meu objetivo era apresentar uma imagem do mundo com o qual se deve viver, ao invés de construir um sistema para que sobre ele filósofos profissionais ruminem. Eu não percebia essa distinção à época, mas ela obviamente previne um grande número de leitores de chegarem a uma compreensão verdadeira do tema do livro.

A pessoa ativa vive no mundo dos fenômenos e com eles. Ele não demanda provas lógicas, de fato geralmente ele não as pode compreender. O "ritmo fisionômico" - um dos termos que praticamente ninguém foi capaz de compreender totalmente - lhe dá percepções mais profundas do que qualquer método baseado na prova lógica jamais poderia dar. Eu fiz afirmações em meu livro que leitores acadêmicos consideraram como completamente contraditórias. Ainda assim, todas essas são coisas que há muito já tem sido consideradas e sentidas privadamente, ainda que não necessariamente de modo consciente, por indivíduos inclinados a uma vida de ação. Quando tais indivíduos leem livros, isto quer dizer, quando eles entram no reino da teoria, eles rejeitam o mesmo "relativismo histórico" que é segunda natureza para eles quando estão engajados em atividades práticas, ou quando estão observando pessoas e situações para os propósitos de ação.

A pessoa contemplativa, por outro lado, é por natureza remota da vida. Ele a vê à distância, por ele é estranho e nada contra a maré. Assim que ela ameace se tornar algo mais do que um objeto observado, ele se incomoda. Pessoas contemplativas colecionam, dissecam e arrumam coisas, não para qualquer propósito prático, mas simplesmente porque isso as satisfaz. Elas demandam provas lógicas e sabem como consegui-las. Para eles, um livro como o meu deve permanecer eternamente uma aberração.

Pois eu confesso que eu jamais tive nada além de desprezo pela "filosofia pela filosofia". Para o meu modo de pensar não há nada mais tedioso do que a lógica pura, a psicologia científica, a ética geral, e a estética. A vida não é feita de ciência e generalidades. Cada linha que não é escrita à serviço da vida ativa me parece supérflua. Sob risco de ser entendido literalmente demais, eu diria que meu modo deo lhar o mundo se relaciona ao modo "sistemático" assim como as memórias de um estadista se relacionam ao Estado ideal de um utópico. O primeiro escreve o que ele viveu; o segundo registra o que ele sonhou.

Agora de fato existe, particularmente na tradição germânica, o que se pode chamar de um modo estadista de experimentar o mundo, uma atitude não-forçosa e assistemática em relação a vida que só pode ser registrada por um tipo de escrita memorial metafísica. É importante perceber que meu livro pertence a essa tradição. Se a seguir eu menciono alguns nomes ilustres, isso não tem como intenção implicar qualquer coisa sobre a qualidade do livro, mas meramente indicar o tipo de visão que estava presente em sua criação.

Uma poderosa corrente de pensamento germânico corre de Leibniz a Goethe e Hegel, e segue em direção ao futuro. Como todas as coisas germânicas, essa corrente foi forçada a correr de modo subterrâneo e a seguir desapercebida ao longo dos séculos. Por mais do que esse período mesmo os criadores dessa tradição descobriram que eles tinham que se adaptar a padrões de pensamento estrangeiros e superficiais.

Leibniz foi o grande professor de Goethe, ainda que este jamais tivesse tido consciência disso. Goethe costumeiramente adotou idéias genuinamente leibnizianas, seja por uma afinidade natural por seu pensamento ou pela influência de seu amigo Herder. Em tais instânicas, porém, ele sempre se referiu a Espinoza, cujo modo de pensar era na verdade bastente diferente. A característica notável de Leibniz era seu envolvimento constante nos eventos importantes de seu tempo. Se removessemos de suas obras todos os itens que são relativos à política, à reunificação das igrejas, aos projetos de mineração, e à organização da ciência e da matemática, não sobraria muito. Goethe se assemelha a ele no sentido de que ele sempre pensou historicamente, ou seja, com referência constante aos fatos reais da existência. Como Leibniz, ele jamais teria sido capaz de construir um sistema filosófico abstrato.

Hegel foi o último grande pensaro a tomar as realidades políticas como seu ponto de partida sem deixar seu pensamento ser completamente sufocado por abstrações. Então veio Nietzsche, um diletante no melhor dos sentidos, que se manteve firmemente distante da filosofia acadêmica, que à sua época já havia se tornado completamente estéril. Ele foi tomado pelas teorias de Darwin, e ainda assim ele transcendeu a era do darwinismo inglês. Ele nos deu a visão com a qual nós podemos agora concretizar uma vitória para uma abordagem vital e prática da história mundial.

Essas são, como eu vejo agora, as premissas que inconscientemente influenciaram minha escrita. Entre elas não há um único "sistema" de generalidades. As compilações históricas de Leibniz, as observações da natureza de Goethe, e as palestras de Hegel sobre a história mundial foram todas escritas tendo claramente em vistas a realidade factual - algo que não pode ser dito das obras de Kant e Schopenhauer.

Eu construo as relações entre realidade e pensamento especulativo de uma maneira completamente diferente dos filósofos sistemáticos. Para eles a realidade é matéria morta da qual se pode derivar leis. Para mim, a realidade apresenta exemplos que iluminam um pensamento experimentado, um pensamento que é comunicável apenas nessa forma.

Porque essa abordagem é acientífica, ela requer uma facilidade incomum para pensar em linhas amplas e em sintetizar. Normalmente ocorre, como eu já percebi ocasionalmente, que conforme o leitor se concentra em um ponto de meu livro ele rapidamente perde vistas dos outros. Ao fazê-lo, ele entende tudo errado, pois o livro é tão coeso que isolar um único detalhe equivale a cometer um erro. Ademais, é necessário ser capaz de ler nas entrelinhas. Muitas coisas são apenas sugeridas, enquanto outras não podem ser ditas de modo algum de modo científico.

A idéia central é o conceito de Destino. A razão pela qual é tão difícil fazer o leitor compreendê-lo é que o processo do pensamento sistemático e racional o leva a seu oposto: a idéia de causalidade. Destino e Acaso são questões bastante remotas da apreensão da causa e do efeito, do antecedente e do consequente. Há um perigo em que o Destino possa ser equivocadamente compreendido como simplesmente outro modo de se referir a uma sequência causal que existe sem estar prontamente visível. A mente científica jamais será capaz de entender isso. A habilidade de perceber fatos de natureza emocional e vital cessa logo que se começa a pensar analiticamente. O Destino é uma palavra cujo significado é sentido. O Tempo, o Anseio e a Vida são conceitos próximos. Ninguém pode presumir compreender a essência do meu pensamento a não ser que ele possa sentir o sentido último dessas palavras do modo que eu pretendi.

A idéia de Destino leva a um tipo de experiência que é excessivamente difícil de compreender. Eu a chamo de "experiência de profundiade". Ela é mais proximamente relacionada ao pensamento racional, mas apenas em seu efeito final, não em suas origens. Esse conceito nos apresenta com dois dos problemas mais difíceis. O que se quer dizer pela palavra "Tempo"? Não há resposta científica para essa questão. O que se quer dizer pela palavra "Espaço"? Aqui, o pensamento racional pode talvez nos dar uma resposta. Porém uma conexão existe entre Destino e Tempo, e também entre Espaço e Causalidade. Qual é, então, a relação entre Destino e Causa? A resposta para isso é fundamental para o conceito de experiência de profundidade, mas ela se encontra para além todos os modos de experiência e comunicação científica. O fato da experiência de profundidade é tão indisputável quanto inexplicável.

Um terceiro conceito, também muito difícil de compreender, é aquele de Ritmo Fisionômico. Isso é na verdade algo que todo ser humano possui. Ele vive com isso e constantemente o aplica para fins práticos. É algo com o que se nasce e que não pode ser adquirido. A ingenuidade proverbial e a comicidade demonstrada em questões públicas pelo retrógrado acadêmico abstrato é um resultado do desenvolvimento retardado desse ritmo. Não obstante, mesmo esse tipo de personalidade possui o bastante dele para seguir vivendo.

O que eu tenho em mente, porém, é uma forma bastante exaltada desse Ritmo, uma técnica inconsciente de compreender não apenas os fenômenos da vida quotidiana, mas o sentido do universo. Poucas pessoas podem ser consideradas como mestras nisso. Essa é a técnica que faz do genuíno historiador igual ao estadista nato, apesar da disparidade entre teoria e prática. Das duas principais técnicas de adquirir conhecimento e entendimento, essa é sem dúvidas a mais importante para a história e para a vida real. O outro método, o pensamento sistemático, serve apenas para descobrir verdades. Mas fatos são mais importantes do que verdades. Todo o curso da história política e econômica, de fato de todas as realizações humanas, é dependente da aplicação constante dessa técnica por indivíduos, incluindo os indivíduos significativos que são historicamente passivos bem como os grandes que fazem a história.

A técnica fisionômica é predominante durante a maior parte da vida dos indivíduos historicamente ativos e passivos. Por comparação, a técnica sistemática, que é a única reconhecida pela filosofia, é virtualmente reduzida à insignificância histórica. O que faz da minha abordagem tão heterodoxa é o fato de que ela é conscientemente baseada na técnica da vida real. Como resultado, ela é interiormente consistente, ainda que careça de um sistema.

O conceito que causou as incompreensões mais sérioes é aquele ao qual eu assignei, não muito afortunadamente talvez, o termo "relativismo". Este não possui absolutamente nada em comum com o relativismo da ciência física, que é baseado tão somente no contraste matemático entre constante e função. Levará anos para que leitores se tornem suficientemente familiarizados com meu conceito para que ele ganhe vigência real. Pois ele é uma visão completamente ética do mundo no qual as vidas individuais tem seu curso. Para aqueles que não compreenderam o conceito de Destino, esse termo parecerá sem sentido. Como eu o vejo, o Relativismo na história é uma afirmação da idéia de Destino. A singularidade, irrevogabilidade, e não-recorrência de todos os eventos é a forma na qual o Destino se manifesto aos olhos humanos.

Como a Técnica Fisionômica, esse Relativismo existiu, seja na vida ativa ou na observação passiva, em todos os tempos. Ele é uma parte tão natural da vida real, e está em tamanho controle das ocorrências quotidianas, que ele não alcança a consciência. Em verdade, quando a mente se engaja na teorização, ou seja, quando ela está formando generalizações, a existência desse Relativismo é normalmente negada empiricamente. A idéia não é realmente nova enquanto tal. Em nossa era tardia não pode haver idéias novas. Ao longo de todo o século XIX nem uma única questão foi levantada que já não houvesse sido descoberta, refletida, e brilhantemente formulada pelos Escolásticos.

É apenas porque o Relativismo é uma elemento tão intrínseco da vida, e assim uma idéia tão não-filosófica, que ele nunca foi considerado adequado como parte de um "sistema". O velho adágio "A carne de um é o veneno de outro", é basicamente o contrário de toda filosofia acadêmica. O acadêmico é impelido a demonstrar que a carne de um é carne para todos os homens, ou seja, que o ponto ético que ele acaba de demonstrar em seu livro vincula a todos. Eu de modo bastante consciente assumi a perspectiva oposta, nomeadamente aquela da vida, e não a do pensamento. As duas posições ingênuas, mantém ou que existe algo que possui valor normativo por toda a eternidade independentemente de Tempo e Destino, ou que tal coisa não existe.

Porém, o que é aqui chamado Relativismo não é nenhuma dessas duas posições. É aqui que eu criei algo novo. É um fato experimentado que a "história mundial" não é uma sequência unificada de eventos, mas uma coleção de altas culturas, das quais houve oito em número até agora. As histórias vitais dessas culturais são bastante independentes umas das outras, porém cada uma partilha de um padrão estrutural similar à de todas as outras. Estando isso estabelecido, eu demonstrei que cada observador, independentemente de ele pensar em termos de vida ou apenas de pensamento, pensa unicamente como representante de seu tempo particular. Com isso nós podemos descartar uma das críticas mais absurdas lançadas contra minhas perspectivas: o argumento de que o Relativismo carrega consigo sua própria refutação.

A conclusão a ser tirada é que para cada cultura, para cada época dentro de uma cultura, e para cada tipo de indivíduo dentro de uma época, existe uma perspectiva geral que é imposta e comandada pelo tempo em questão. Essa perspectiva deve ser considerada absoluta para aquele tempo particular, mas não em relação a outros tempos. Há uma perspectiva imposta pelo nosso próprio tempo, porém é desnecessário dizer que ela é diferente daquela da Era de Goethe. "Verdadeiro" e "falso" são conceitos que não podem ser aplicados aqui. Os únicos termos descritivos pertinentes são "profundo" e "superficial". Quem pense diferente é, de qualquer modo, incapaz de pensar historicamente.

Qualquer abordagem vital dos problemas da história, incluindo a que eu estou propondo, pertence a um único tempo. Ela evoluiu a partir de uma abordagem prévia e por sua vez evoluirá em outra. Há em toda a história tão poucas abordagens totalmente corretas ou totalmente falsas quanto há fases certas e erradas do crescimento deu uma planta. Todas são necessárias, e a única coisa razoável a se dizer é que uma certa fase é bem sucedida ou não em relação às demandas do momento. O mesmo é verdadeiro para cada visão de mundo, não importa quando ela emerja. Mesmo o filósofo mais ferrenhamente sistemático sente isso. Ele usa termos como "obsoleto", "típico de sua época", e "prematuro" para descrever as opiniões dos outros. Ao fazê-lo ele está admitindo que os conceitos de verdade e falsidade possuem sentido apenas para a casca externa da ciência, mas não para sua essência vital.

Assim nós chegamos à distinção entre fatos e verdades. Um fato é algo único, algo que realmente existiu ou realmente existirá. Uma verdade é algo que pode existir como possibilidade sem jamais adentrar a realidade. O Destino tem relação com fatos; a relação entre causa e efeito é uma verdade. Tudo isso tem sido sabido desde tempos imemoriais. O que os homens falharam em perceber, porém, é que a vida, por essa mesma razão, tem a ver apenas com fatos, que ela é exclusivamente feita de fatos, e que seu único modo de resposta é factual. Verdades são quantidades de pensamento, e sua importância reside somente circunscrita no reino do pensamento. Verdades podem ser encontradas em uma dissertação doutoral em filosofia; ser reprovado em um exame de doutorado é um fato. A realidade começa onde o reino do pensamento finda. Ninguém, nem mesmo o sistemático mais ascético, pode ignorar esse fato da vida. E, de fato, ele não o ignora. Mas ele o esquece assim que ele começa a pensar a vida ao invés de vivê-la.

Se eu posso reivindicar alguma realização, é que ninguém jamais poderá ver o futuro de novo como uma tábua em branco na qual qualquer um pode inscrever o que lhe agradar. A perspectiva caprichosa e arbitrária que defende o motto "Que assim seja!" deve agora dar lugar a uma visão fria e clara que vê os possíveis, e portanto necessários, fatos do futuro, e que constrói suas opções de acordo. A primeira coisa que confronta o homem na forma do Destino é o tempo e lugar de seu nascimento. Este é um fato inescapável; nenhuma quantia de pensamento pode compreender sua origem, e ninguém pode impedi-la. Ademais, este é o fato mais decisivo de todos. Todo mundo nasce dentro de um povo, uma religião, uma classe, uma época, uma cultura. É o Destino que determina se um homem nascerá escravo na Atenas de Péricles, um cavaleiro na época das Cruzadas, ou um filho de um trabalhador ou de um burguês em nossos dias. Se algo pode ser chamado de fado, fortuna, ou destino, é isso. A história significa que a vida está constantemente mudando. Para o indivíduo, porém, a vida é precisamente de certo modo, e não de outro. Com seu nascimento o indivíduo recebe sua natureza e uma amplitude particular de tarefas possíveis, dentro da qual ele possui o privilégio da livre escolha. Independentemente do que sua natureza deseje ou seja capaz, independentemente do que seu nascimento permita ou impeça, para cada indivíduo está prescrita uma amplitude definida de felicidade ou miséria, grandeza ou covardia, tragédia ou absurdo, que fará de sua vida exclusivamente sua. E mais, o Destino determina se sua vida terá significância para as vidas daqueles que o cercam, isto é, se ela será significativa para a história. Sob essa luz, os mais fundamentais dos fatos, toda filosofia sobre "a" tarefa da "humanidade" e "a" natureza da "moralidade" é perda de tempo.

Isto é o que é verdadeiramente novo em minha abordagem, uma idéia que teve que ser expressa e feita acessível à vida após todo o século XIX ter buscado por ela: a relação consciente do homem faustiana com a história. As pessoas não entenderam por que eu escolhi colocar uma imagem nova no lugar do padrão usual (antiguidade - idade média - tempos modernos). O homem vive constantemente "em uma imagem"; ela governa suas decisões, e molda sua mentalidade. Ele jamais pode se livrar de uma velha imagem até que ele tenha adquirido uma nova e a tenha tornado completamente sua.

"Visão histórica" - isso é possível apenas para o homem europeu ocidental, e mesmo para ele isso é possível apenas desse momento em diante. Nietzsche podia ainda falar da doença histórica. Ele usou este termo para descrever o que ele viu ao seu redor: o romantismo sentimental dos poetas e escritores, a nostalgia onírica dos filólogos pelo passado distante, o habito dos patriotas de timidamente consultar a história prévia antes de chegar a qualquer decisão, a avidez pela comparação, sintomática de independência mental insuficiente.

Desde 1870 nós alemães temos sofrido mais dessa doença do que qualquer outra nação. Não é verdade que nós temos continuamente olhado para os antigos teutônicos, para os cavaleiros cruzados, e para os gregos de Hölderlin sempre que não sabemos o que fazer na Era da Eletricidade? Os britânicos tem sido mais sortudos. Eles preservaram todas as instituições que emergiram após a Conquista Normanda: suas leis, liberdades, e costumes. Em todos os tempos eles tem sido capazes de sustentar uma impressionante tradição sem jamais colocá-la em perigo. Eles jamais sentiram a necessidade de compensar por mil anos de ideais despedaçados olhando nostalgicamente para o passado remoto. A diença histórica perdura ainda no idealismo e humanismo da Alemanha de hoje. Ela está nos fazendo desenvolver planos pretensiosos para melhorar o mundo; cada dia traz algum esquema radicalmente novo e infalível para dar a todos os aspectos da vida sua forma correta e final. O único resultado prático de todos esses desenhos reside no fato de que eles estão exaurindo energícias cruciais através de querelas inúteis, desperdiçando nossas chances de descobrirmos oportunidades reais, e falhando em dar a Londres e Paris qualquer competição real.

Visão histórica é o oposto direto disso. Aqueles que a tem são especialistas - confiantes e frios especialistas. Mil anos de pensamento e pesquisa históricas espalharam diante de nós um vasto tesouro, não de conhecimento, pois isso é relativamente desimportante, mas de experiência. Uma vez que essas experiências sejam vistas na perspectiva que eu acabei de descrever, elas adquirem um significado inteiramente novo. Até agora - isso é mais verdadeiro para os alemães do que para qualquer outra naçã - nós temos olhado para o passado em busca de modelos segundo os quais viver. Mas não há modelos. Há apenas exemplos de como a vida de indivíduos, povos, e culturas tem evoluído, alcançado a maturidade, e se extinguido. Esses exemplos nos mostram as relações que existem entre caráter inato e condições externas, entre Tempo e Duração. Não nos são dados padrões a imitar. Ao invés, nós podemos observar como algo ocorreu, e assim aprender que consequências esperar de nossa situação.

Até agora poucas pessoas tiveram tais percepções, e então apenas em relação a seus pupilos, subordinados ou cotrabalhadores diretos. Alguns estadistas superiores também as tiveram, mas apenas em conexão com personalidades e nações de seu próprio tempo. Essa era a arte refinada de controlar as forças vitais, adquiridas pela habilidade de tomar de assalto suas oportunidades e prever suas mudanças. Com essa arte é possível se tornar mestre sobre outros ou mesmo ser o próprio Destino. Nós estamos agora em uma posição de fazer o mesmo por nossa própria cultura, prevendo seu curso pelos séculos vindouros como se ela fosse um organismo cuja estrutura interior nós estudamos exaustivamente. Nós percebemos que cada fato é uma ocorrência do acaso, imprevista e imprevisível. Ainda assim com a figura de outras culturas diante de nós, nós podemos ter tanta certeza de que a natureza e curso da vida futura, de indivíduos bem como de culturas, não são acidentais. Desenvolvimentos futuros porém, é claro, ser levados à perfeição, ameaçados, corrompidos, e destruídos pela livre escolha de pessoas ativas. Mas eles jamais podem ser afastados de sua direção e sentido.

Isso tornou possível pela primeira vez uma verdadeiramente grande forma de educação. Ela demandará o reconhecimento de potencialidades interiores. Ela significará impor obrigações, não com base em abstrações "ideais", mas em concordância com a previsão de fatos futuros. Ela necessitará do treinamento de indivíduos e gerações inteiras para a realização dessas obrigações. Pela primeira vez nós somos capazes de ver que toda a literatura de "verdades" ideais, todos aqueles esquemas, contornes e inspirações nobres, de boa intenção, e tolas, todos aqueles livros, panfletos, e discursos são completamente inúteis. Todas as outras culturas, em uma fase correspondente de seu desenvolvimento, chamaram essas coisas pelo que elas são e as consignaram ao esquecimento. Seu único efeito tangível foi fazer com que acadêmicos decrépitos escrevessem livros sobre elas depois. Permitam-me repetir: Para o mero observador pode haver tais coisas como verdades; para a vida não há verdades, somente fatos.

Isso me leva à questão do pessimismo. Quando em 1911, sob a impressão dos eventos em Agadir, eu subitamente descobri minha "filosofia", o mundo euro-americano estava infundido com o otimismo trivial da era darwinista. Com o título de meu livro, escolhido em oposição instintiva ao humor dominante, eu inconscientemente coloquei o dedo no aspecto da evolução que ninguém queria ver. Se eu tivesse que escolher de novo agora, eu tentaria com outra fórmula atingir o pessimismo igualmente trivial de hoje. Eu seria a última pessoa a manter que a história pode ser avaliada por meios de um slogan.

Mas seja como for, no que concerne ao "objetivo da humanidade" eu sou um pessimista convicto e cabal. Conforme eu vejo, a humanidade é uma entidade zoológica. Eu não vejo progresso, nem objetivo ou caminho para a humanidade, exceto talvez nas mentes dos progressistas ocidentais. Nessa mera massa de população eu não posso distinguir tal coisa como um "espírito", nem falar em uma unidade de esforço, sentimento, ou entendimento. O único lugar onde eu posso identificar um avanço significativo da vida em direção a algum objetivo particular, uma unidade de alma, vontade, e experiência, é na história das culturas. O que nós descobrimos ali, com certeza, é limitado e factual. Ainda assim nos mostra uma progressão do desejo à realização, culminando em novas tarefas que não assumem a forma de slogans éticos e generalidades mas, ao invés, de objetivos históricos tangíveis.

Quem escolha chamar isso de pessimismo revelará assim seu idealismo absolutamente pedestre. Esse tipo de pessoa vê a história como uma estrada, com a humanidade seguindo constantemente em uma direção, eternamente seguindo algum clichê filosófico ou outro. Os filósofos, cada um a sua própria maneira, mas não obstante "corretamente" em cada caso, há muito já atingiram a terminologia sublime e abstrata para descrever o verdadeiro objetivo e essência de nossa jornada terrena. Consiste ainda em otimismo seguir perseguindo esses slogans sem jamais alcançá-los. Um fim concebível para toda essa busca estragaria o ideal. Quem levante objeção a tudo isso é um pessimista.

Eu me envergonharia se seguisse pela vida com ideais tão vulgares. Há em tudo isso a insegurança dos sonhadores e covardes natos, pessoas que não são capazes de encarar  realidade e formular um objetivo real com umas poucas palavras razoáveis. Eles insistem em generalidades amplas que brilham à distância. Isso acalma os medos daqueles que são impotentes em relação a tudo que demanda liderança ou iniciativa. Eu sou consciente de que um livro como o meu pode ter consequências devastadoras para essas pessoas. Alemães tem escrito para mim da América, que para pessoas determinadas em ser algo na vida, o livro possui o efeito de um tônico fortificante. Ainda assim, aqueles nascidos apenas para sonhos, poesia, e oratória podem ser contaminados por qualquer livro. Eu conheço esses "belos jovens"; as universidades e círculos literários estão repletas deles. Primeiro foi Schopenhauer, e então Nietzsche, que os libertaram da obrigação de gastar energias. Agora eles encontraram um novo libertador.

Não, eu não sou um pessimista. Pessimismo significa não ver mais qualquer tarefa. Eu vejo tantas tarefas por resolver que eu temo que não terei nem tempo, nem homens suficientes para realizá-las. Os aspectos práticos da física e da química nem ao menos se aproximam dos limites de suas possibilidades. A tecnologia tem ainda que alcançar seu pico em quase todos os campos. Uma das principais tarefas ainda confrontando a filologia clássica é criar uma imagen da antiguidade que removerá das mentes de nossa população educada a imagem "clássica", com seu convite ao idealismo pedestre.

Não há lugar melhor do que a antiguidade clássica para entender como as coisas realmente estão no mundo, e como o romantismo e os ideais abstratos tem sido despedaçados de novo e de novo por eventos factuais. As coisas seriam bastante diferentes para nós se nós tivéssemos gasto mais tempo na escola com Tucídides e menos com Homero. Até agora nenhum estadista já pensou em escrever um comentário sobre Tucídides, Políbio, ou Tácito para nossos jovens. Nós não temos nem uma história econômica da antiguidade, nem uma história da política antiga. Apesar dos paralelos assombrosos com a história européia ocidental ninguém jamais escreveu uma história política da China até o reino de Shih Huang Ti. A Lei, imposta pela estrutura social e econômica de nossa civilização, está ainda em seus estágios iniciais de ser investigada. Segundo aqueles familiares com o campo, a ciência da jurisprudência tem ainda que se expandir para além da filologia e do escolasticismo seco. A economia política ainda não é efetivamente uma ciência.

Eu vou evitar discutir as tarefas políticas, econômicas, e organizacionais que nós encaramos em nosso próprio futuro. O que nossos contemplativos e idealistas estão buscando é uma Weltanschauung confortável, um sistema filosófico que demanda apenas que sejamos convencidos por ele; eles querem uma desculpa moral para sua covardia. Esses são os debatedoes natos que desperdiçam seus dias nos rincões remotos da vida discutindo coisas. Deixemos que eles fiquem lá.

Nós não podemos desenvolver um programa para o futuro milênio da humanidade sem correr o risco dele ser abortado imediatamente pela realidade. É possível, porém, fazer algo do tipo para os próximos poucos séculos de cultura faustiana, cujos contornos históricos são visíveis. Quais são as implicações desses fatos? O orgulho puritano da Inglaterra diz, "Tudo é predestinado. Portanto eu devo emergir vitorioso". Os outros dizem, "Tudo é predestinado. Isso é prosaico e nada idealista. Assim não vale a pena nem tentar". Mas a verdade é que as tarefas encarando as pessoas factuais entre nós ocidentais são inúmeras. Para os românticos e ideólogos, porém, que não podem pensar o mundo sem escrever poemas, pintar quadros, desenvolver sistemas éticos, ou solenes Weltanschauungen, é bem compreensivelmente um prospecto desesperançoso.

Eu afirmarei diretamente - que aqueles que quiserem chorem em protesto: a importância histórica da arte e do pensamento abstrato é seriamente superestimada. Não importa o quão importante seu papel tenha sido durante grandes eras, sempre houve coisas mais essenciais. Na história da arte a importância de Grünewald e Mozart não pode ser superestimada. Na história real das de Carlos V e Luís XIV sua existência é completamente insignificante. Pode ser que um grande evento histórico estimule um artista. O reverso jamais ocorreu. O que está sendo produzido ao nível de arte hoje nem ao menos possui importância para a história da arte. E no que concerne a filosofia acadêmica de hoje, nenhuma de suas várias "escolas" possui a menor pertinência para a vida ou para a alma. Nem nossos cidadãos educados ou acadêmicos nas outras disciplinas estão realmente prestando atenção a elas. Tudo para que elas servem é para que dissertações sejam escritas sobre elas, que serão citadas em ainda outras dissertações, nenhuma das quais jamais será lida a não ser por futuros professores de filosofia.

Foi Nietzsche quem questionou a validade da ciência. Já é hora de fazermos as mesmas perguntas à arte. Eras sem arte e filosofia genuínas podem ainda ser grandes eras; os romanos demonstraram isso para nós. Porém para aqueles que estão sempre um passo atrás dos tempos, as artes são sinônimo da própria Vida.

Não para nós, porém. Pessoas me disseram que sem arte a vida não vale a pena ser vivida. Eu pergunto em retorno: Para quem ela não vale a pena ser vivida? Eu não daria a mínima para o fato de ter vivido como escultor, filósofo ético, ou dramaturgo nos dias de Caio Mário e César. Nem eu me interessaria por ter sido membro de algum Círculo Stefan George, atacando a política romana de trás do Fórum com a pose grandiosa do littérateur.

Ninguém poderia ter uma afinidade maior pela grande arte de nosso passado - pois não há nenhuma hoje - do que eu. Eu não me interessaria por viver sem Goethe, Shakespeare, ou os grandes monumentos arquitetônicos antigos. Eu fico excitado com qualquer obra de arte renascentista sublime, precisamente porque eu tenho noção de suas limitações. Eu amo Bach e Mozart mais do que posso expressar; mais isso não pode me fazer falar dos milhares de escritores, pintores, e filósofos que inundam nossas cidades como verdadeiros artistas e pensadores.

Há mais pintura, escrita, e "delineações" acontecendo na Alemanha hoje do que em todos os outros países juntos. Isso é cultura? Ou é uma deficiência de nosso senso de realidade? Nós somos tão ricos assim em talento criativo, ou carecemos de energia prática? E os resultados justificam de alguma maneira toda a auto-propaganda barulhenta?

O expressionismo, a moda de ontem, não produziu uma única personalidade ou obra artística notável. Assim que eu comecei a questionar a sinceridade daquele movimento eu fui silenciado por mil vozes. Pintores, músicos, e poetas tentaram provar que eu estava errado, mas com palavras, não com ações. Eu estarei refutado quando eles se apresentarem com um equivalente de Tristão, da Sonata para Piano nº29, de Rei Lear, ou das pinturas de Marées.

É um grande equívoco considerar esses "movimentos" flácidos, afeminados, supérfluos como os fenômenos necessários de nossa era. Eu chamo isso de abordagem decorativa. A arquitetura, a pintura, a poesia, a religião, a política, mesmo a filosofia são tratadas como artesanatos, como técnicas que podem ser ensinadas e aprendidas entre as quatro paredes do estúdio. Este é o argumento que emana de todos os nossos "círculos" e fraternidades, cafés e salões de leitura, exibições, jornais, e editoras - e seu fedor alcança os céus. Ele não apenas quer ser tolerado, como ele quer domínio total. Ele se diz alemão. Ele almeja reivindicar o futuro.

Mesmo nessa área eu vejo tarefas a nossa frente, porém eu procuro em vão pelos homens (homens!) para realizá-los. Uma das tarefas para nosso século é o romance alemão. Até agora nós tivemos apenas Goethe. A arte do romance demanda personalidades impressionantes, superiores em vigor e amplitude de visão, geradas em excelência cultural, altivas porém dotadas de tato em suas perspectivas. Ainda não há prosa alemã comparável à inglesa e à francesa. O que nós temos é o estilo individual de escritores singulares, exemplos isolados de maestria pessoal contra um pano-de-fundo de performance média muito pobre. O romance poderia fazer emergir essa melhora. Hoje em dia, porém, homens práticos como os industrialistas e oficiais do exército estão usando uma linguagem melhor, mais sonora, mais clara, e mais profunda do que os rascunhadores de quinta categoria que acham que estilo é um esporte.

Aqui na terra de Till Eulenspiegel nós temos que ainda produzir uma comédia à grande maneira, sublime e profunda, esperta, trágica, leve e refinada. É agora quase a única forma remanescente na qual um escritor pode ser poeta e filósofo ao mesmo tempo, e sem pretensiosidade. Como Nietzsche há pouco tempo, eu ainda sinto a necessidade por uma Carmen alemã, cheia de tempero espirituosidade, faiscando com melodia e ritmo, uma obra para se erguer na orgulhosa tradição de Mozart, Strauss, Bruckner, e do jovem Schumann. Mas os acrobatas orquestrais de hoje são incompetentes. Desde a morte de Wagner nenhum único grande criador de melodia apareceu em cena.

Houve um tempo em que a arte era uma iniciativa vital, quando o ritmo da vida tomava o controle de artistas, de suas obras, e de seu público de maneira tão notável que a profundidade de pensamento, ao invés da exatidão formal, era o verdadeiro critério de grandeza artística. Ao invés desse ritmo vital, nós temos hoje o que é chamado de "contorno criativo" - a coisa mais desprezível imaginável. Tudo que carece de vida está sendo "delineado". Estão "delineando" uma cultura privada com teosofia e cultistas; estão "delineando" uma religião privada com edições de Buda em papel manufaturado; estão "delineando" um Estado no espírito de Eros. Desde a Revolução tem havido "delineamentos" para agricultura, comércio, e indústria.

Esses ideais deveriam ser despedaçados; quanto mais barulhento, melhor. Dureza, dureza romana está agora assumindo o controle. Logo não haverá espaço para nada mais. Arte, sim; mas em concreto e aço. Literatura, sim; mas escritas por homens com nervos de aço e profundidade descompromissada de visão. Religião, sim; mas pegue seu hinário, não sua edição clássica de Confúcio, e vá à Igreja. Política, sim; mas nas mãos de estadistas, e não idealistas. Nada mais será de consequência. E nós não devemos jamais perder de vistas o que se encontra por trás e diante de nós, cidadãos desse século. Nós alemães jamais produziremos de novo um Goethe, mas sim um César.