terça-feira, 11 de março de 2014

Aleksandr Dugin - A Guerra Contra a Rússia em sua Dimensão Ideológica

por Aleksandr Dugin


A Guerra Vindoura como Conceito

A guerra contra a Rússia é agora a questão mais discutida no Ocidente. Ela é ainda uma sugestão e possibilidade. Ela pode se tornar realidade dependendo das decisões tomadas por todas as partes envolvidas no conflito ucraniano - Moscou, Washington, Kiev, Bruxelas.

Eu não quero discutir aqui todos os aspectos e a história desse conflito. Eu proponho ao invés a análise de suas raízes ideológicas profundas. Minha visão dos eventos principais está baseada na Quarta Teoria Política, cujos princípios eu já descrevi em meu livro sob o mesmo nome aparecido em inglês pela Editora Arktos há poucos anos atrás.

Assim, eu vou estudar não a guerra do Ocidente com a Rússia avaliando seus riscos, perigos, questões, custos ou consequências, mas o significado ideológico da mesma em escala global. Eu vou pensar no sentido de tal guerra e não na guerra em si (real ou virtual).

Essência do Liberalismo

No Ocidente moderno há uma ideologia dominante - o liberalismo. Ele possui muitos tipos, versões e formas, muitas tonalidades, mas a essência é sempre a mesma. O liberalismo possui em sua estrutura fundamental interior os seguintes princípios axiomáticos:

* Individualismo antropológico (o indivíduo é a medida de todas as coisas);
* Progressismo (o mundo ruma a um futuro melhor, o passado é sempre pior que o presente);
* Tecnocracia (o desenvolvimento técnico e a performance eficaz são tomadas como a maneira mais importante de julgar a natureza da sociedade);
* Eurocentrismo (sociedades euro-americanas são aceitas como a medida padrão para o resto da humanidade);
* Economia é o destino (a economia de mercado é o único sistema econômico normativo - todos os outros tipos devem ser reformados ou destruídos);
* Democracia é o governo das minorias (se defendendo contra a maioria sempre predisposta a se degenerar em totalitarismo, "populismo");
* Classe média como único ator social realmente existente e norma social (independente do fato de a pessoa já ter alcançado esse statos ou estar a caminho de se tornar classe média, representando por um momento uma classe média hipotética);
* Unimundialismo, globalismo (seres humanos sendo essencialmente o mesmo, com apenas uma distinção - o indivíduo - o mundo deve ser integrado em base individual, cosmopolitismo - a cidadania global).

Esses são os valores nucleares do liberalismo, a manifestação de uma das três tendências originadas no Iluminismo, lado a lado com comunismo e fascismo, que propunham interpretações alternativas do próprio espírito da Modernidade. Durante o século XX, o liberalismo venceu seus rivais e após 1991 se tornou a única ideologia dominante em escala global.

A única liberdade de escolha no reino do liberalismo global era entre liberalismo de direita, liberalismo de esquerda ou liberalismo radical, incluindo liberalismo de extrema-direita, liberalismo de extrema-esquerda e liberalismo ultra-radical. Assim, o liberalismo foi instalado como sistema operacional das sociedades ocidentais e de todas as outras sociedades que se encontravam na zona de influência ocidental.  Ele é a partir de certo momento o denominador comum para qualquer discurso politicamente correto, o marco daqueles aceitos pela política oficial ou relegados à marginalidade. A própria sabedoria convencional se tornou liberal.

Geopoliticamente, o liberalismo estava inscrito no modelo americanocêntrico em que anglo-saxões são o núcleo étnico e a parceria euro-americana atlantista, a OTAN, representava o núcleo estratégico do sistema de segurança mundial. A segurança mundial era equiparada com a segurança do Ocidente e em última instância com a segurança americana. Assim, o liberalismo não é apenas poder ideológico, mas também político, militar e estratégico. A OTAN é liberal em suas raízes. Ela defende sociedades liberais, lutando pelo liberalismo.

Liberalismo como Niilismo

Há um ponto na ideologia liberal que é responsável por sua crise atual. O liberalismo é profundamente niilista em sua essência. O conjunto de valores defendidos pelo liberalismo está essencialmente ligado à tese central - liberdade, liberação. Mas a liberdade na visão liberal é uma categoria essencialmente negativa: ela reivindica ser livre de (J.S. Mills), não livre para. Isso não é secundário, é a essência do problema.

O liberalismo é luta contra todas as formas de identidade coletiva, contra todo tipo de valores, projetos, estratégias, objetivos, fins e daí em diante que seriam coletivistas, ou pelo menos não-individualistas. Essa é a razão pela qual um dos mais importantes teóricos do liberalismo, Karl Popper (seguindo F.v. Hayek), definiu em seu importante livro "A Sociedade Aberta e seus Inimigos" (considerada por Soros como sua Bíblia pessoal) que liberais devem combater qualquer ideologia ou filosofia política (de Platão e Aristóteles a Marx e Hegel) que pretendesse propor para a sociedade humana algum objetivo comum, valor comum, sentido comum. Qualquer objetivo, qualquer valor, qualquer sentido na sociedade liberal (sociedade aberta) deve ser estritamente individual. Assim, os inimigos da sociedade aberta (a atual sociedade ocidental pós-1991 e norma global para o resto do mundo é considerada como sendo precisamente esse modelo liberal de sociedade aberta) são concretos. Os principais inimigos são o comunismo e o fascismo (ambos derivados da mesma filosofia iluminista, com conceitos não-individuais centrais - classe no marxismo, raça no nacional-socialismo, Estado nacional no fascismo). Assim, o sentido da luta do liberalismo frente às alternativas modernas existentes (fascismo ou comunismo) é bastante óbvio. Os liberais afirmam libertar a sociedade do fascismo e do comunismo, das duas principais versões modernas (explicitamente não-individualistas) do totalitarismo. A luta do liberalismo no processo de liquidação das sociedades não-liberais é bastante significativa: ela adquire seu significado do fato da própria existência de ideologias que explicitamente se negam a aceitar o indivíduo como máximo valor. É bastante claro contra o que essa luta é. É a "liberação de" que é objetivada. Mas o fato de que a liberdade (como concebida pelos liberais) é uma categoria essencialmente negativa não é percebida claramente aqui. O inimigo está aqui e é concreto. Esse próprio fato dá ao liberalismo conteúdo concreto. Eis uma sociedade que não é aberta e sua própria existência factual é suficiente para justificar o processo de liberação.

Período Unipolar: Ameaça de Implosão

Em 1991 quando a URSS, último oponente do liberalismo ocidental, caiu, alguns ocidentais (como Fukuyama) proclamaram o Fim da História. Muito logicamente: não havia mais inimigo explícito da sociedade aberta - assim não havia mais história, que foi durante a Modernidade precisamente a luta entre as três ideologias políticas (liberalismo, comunismo e fascismo) pela herança do Iluminismo. Estrategicamente, assim começa o momento unipolar (Ch. Krauthammer). Esse período de 1991 a 2014, com ponto médio no ataque de Bin Laden ao World Trade Center - foi efetivamente o período de dominação global do liberalismo. Os axiomas do liberalismo foram aceitos pelos principais atores geopolíticos - incluindo China (na economia) e Rússia (na ideologia, economia e sistema político). Havia apenas liberais e quase-liberais, não-ainda liberais, liberais não-suficientemente-liberais e daí em diante. As exceções reais e explícitas eram poucas (Irã, Coréia do Norte). Assim, o mundo se tornou liberal, a nível ideológico e axiomático.

Esse foi precisamente o momento mais importante na história do liberalismo. Ele derrotou seus inimigos, mas ao mesmo tempo os perdeu. O liberalismo é essencialmente a liberação, a luta contra o que não é liberal (ainda ou de forma alguma). Assim, o liberalismo adquiriu de seus inimigos o seu sentido real, seu conteúdo. Quando a escolha é não-liberdade (representada na sociedade totalitária concreta) ou liberdade muitos escolhem liberdade, sem refletir pelo quê ou para fazer o quê é essa liberdade. Quando existe a sociedade não-liberal o liberalismo é positivo. Ele começa a mostrar sua essência negativa apenas após a vitória.

Após a vitória de 1991, o liberalismo avançou para sua fase implosiva. Depois de ter derrotado o comunismo bem como o fascismo ele estava sozinho. Sem inimigo para combater. E este era o momento para iniciar o combate interno, o expurgo liberal das sociedades liberais, tentando exterminar os últimos elementos não-liberais - sexismo, politicamente incorreto, desigualdade entre sexos, quaisquer resquícios de dimensão não-individual em instituições como Estado, Igreja e daí em diante. Assim, o liberalismo precisa de inimigos dos quais liberar. Do contrário, ele perde seu conteúdo, seu niilismo implícito se torna muito saliente. O triunfo absoluto do liberalismo é sua morte.

Esse é o sentido ideológico da crise financeira do início do novo milênio e de 2008. Os sucessos e não as falhas da nova economia puramente financeira (do turbocapitalismo segundo G. Lytwak) são responsáveis por seu colapso. A liberdade para fazer qualquer coisa que você quiser, mas apenas em escala individual, provoca implosão da personalidade. O humano passa ao reino infra-humano, a domínios sub-individuais. E aqui ele encontra a virtualidade. Como sonho sub-individual, a liberdade de tudo. Isso é a evaporação do humano. O Império do nada como a última palavra da vitória total do liberalismo. O pós-modernismo prepara o terreno para essa reciclagem pós-histórica auto-referencial do sem-sentido.

Ocidente necessitado do Inimigo

Você pode perguntar aqui: que raios tem tudo isso a ver com a guerra (presumidamente) vindoura com a Rússia? Eu estou pronto para responder isso agora.

O liberalismo venceu em escala global. É o fato de 1991. E ele começou imediatamente a implodir. Ele chegou ao ponto terminal e começou a se liquidar. A imigração em massa, os choques de culturas e civilizações, a crise financeira, o terrorismo virtual, o crescimento do etnismo são marcas do caos que se aproxima. Assim esse caos ameaça a Ordem. Qualquer tipo de ordem, incluindo a ordem liberal em si. Quanto mais o liberalismo tem sucesso mais ele se aproxima de seu fim. E do fim do mundo presente. Aqui estamos lidando com a essência niilista da filosofia liberal, com o nada como o princípio (me)ontológico interior da liberdade de. Arnold Gehlen, antropólogo alemão, definiu justamente o homem como "ente desprovido", Mangelwesen. O homem em si mesmo é nada. Ele toma tudo que compõe sua identidade da sociedade, da história, do povo, da política. Assim, se ele retorna a sua pura essência ele pode reconhecer ali nada. O abismo está oculto por trás das ruínas fragmentadas de sentimentos, pensamentos vagos, desejos nebulosos. A virtualidade de emoções sub-humanas é um véu tênue e por trás dele há escuridão absoluta. A descoberta explícita dessa base niilista da natureza humana é a última conquista do liberalismo. Mas este é o fim. E é o fim também para aqueles que usam o liberalismo para seu próprio proveito, que são beneficiários da expansão liberal, os mestres da globalização. Qualquer ordem cai em tal emergência de niilismo. A ordem liberal também.

Assim, de modo a salvar o mando dos beneficiários do liberalismo eles precisam dar um certo passo para trás. O liberalismo adquirirá seu sentido apenas ao lidar novamente com a sociedade não-liberal. Um passo para trás é a única maneira de salvar os resquícios da ordem, de salvar o liberalismo de si mesmo. Dessa forma a Rússia de Putin aparece no horizonte. Não antiliberal, não totalitária, não nacionalista, não comunista. Ao invés, não ainda liberal o suficiente, não plenamente liberal-democrata, não suficientemente cosmopolita, não tão radicalmente anti-comunista. Mas a caminho de se tornar liberal. Passo a passo. No processo de ajuste gramsciano à hegemonia, no transformismo.

Mas na agenda global do liberalismo (EUA, OTAN) há necessidade de um outro ator, de uma outra Rússia que justifique a ordem no campo liberal, que ajude a mobilizar o Ocidente que se desintegra por problemas internos, que atrase a irrupção inevitável do niilismo interior e assim salve o liberalismo de seu fim logicamente próximo. É por isso que eles precisam tanto de Putin, da Rússia e da guerra. É a única solução para impedir o caos no Ocidente e salvar os restos da Ordem.

A Rússia nesse jogo ideológico deve justificar a própria existência do liberalismo, porque ela é o inimigo que dá o sentido à luta da sociedade aberta, que a ajuda a consolidar e a continuar a se afirmar globalmente.

O Islã radical (Al-Qaeda) era outro candidato para este papel, mas tal inimigo carecia de estatura. Ele foi usado, mas em escala local. Ele justificava as intervenções no Afeganistão, a ocupação do Iraque, ajudou a derrubar Gaddafi, a começar a guerra civil na Síria. Mas ele era fraco demais e ideologicamente primitivo para representar o desafio real que os liberais demandavam.

A Rússia - inimigo geopolítico tradicional dos anglo-saxões - é muito mais séria como oponente. Ela se encaixa bem a quaisquer demandas - a história e memória da Guerra Fria ainda estão vivas na memória. O ódio pela Rússia é mais fácil de provocar por meios relativamente pequenos. É por isso que penso que a guerra com a Rússia é possível. Ela é ideologicamente necessária como último meio de adiar a implosão final do Ocidente liberal. Um passo para trás.

Para salvar a Ordem liberal

Considerando diferentes camaradas desse conceito "guerra com a Rússia", eu sugiro alguns pontos.

A guerra com a Rússia ajuda a adiar a desordem comum em escala global. A maioria dos países estando envolvidos na economia liberal, partilhando os axiomas e instituições da democracia liberal e sendo dependentes ou diretamente controlados pelos EUA e OTAN, se consolidará uma vez mais ao lado do Ocidente liberal em sua cruzada contra o Putin não-liberal. Isso pode servir como reafirmação do liberalismo como identidade positiva quando essa identidade está se dissolvendo por sua essência niilista.

A guerra com a Rússia fortaleceria a OTAN e acima de tudo as suas partes européias que serão obrigadas uma vez mais a considerar a hiperpotência americana como algo positivo e útil. Com medo dos malignos russos que avançam, os europeus se sentirão novamente leais aos EUA, seus salvadores. Dessa forma o papel de liderança dos EUA na OTAN será reafirmado. A União Européia está se desintegrando. A ameaça comum dos russos pode impedir um eventual racha pela mobilização das sociedades de forma a tornar as pessoas mais dispostas a defender suas liberdades e valores sob pressão do Império de Putin

A Ucrânia e a junta de Kiev precisam da guerra para justificar e cobrir todos os erros cometidos pelo Maidan a nível jurídico e constitucional, para suspender a democracia (que impediria seu governo nos distritos majoritariamente pró-russos do sudeste) e instalar o governo e ordem nacionalista por meios extralegais.

O único país que não deseja guerra agora é a Rússia. Mas Putin não pode permitir que o governo radicalmente anti-russo fique com a população russa e tantas zonas pró-russas. Se ele permitir, ele estará acabado a nível internacional e doméstico. Assim, relutantemente ele aceita a guerra. E uma vez entrando nela não haverá outra solução para a Rússia além de vencer.

Eu não gosto de especular sobre os aspectos estratégicos da guerra. Eu deixo isso para outros analistas qualificados. Eu gostaria de formular algumas idéias relativas à dimensão ideológica dessa guerra.

Enquadrando Putin

O significado dessa guerra contra a Rússia é o último esforço de salvar o liberalismo de implodir. Assim sendo, os liberais precisam definir a Rússia de Putin ideologicamente - obviamente a identificando com o inimigo da sociedade aberta. Mas no thesaurus das ideologias modernas há apenas três versões principais. Liberalismo, comunismo e fascismo (nazismo). É bastante claro que o liberalismo é representado por todos, exceto a Rússia (EUA, OTAN, Euromaidan, junta de Kiev). Logo, sobram comunismo e fascismo. Dessa forma, Putin é o comunista soviético da KGB. Essa imagem será vendida para o tipo mais estúpido de público ocidental. Mas alguns aspectos de reação patriótica da população pró-russa e anti-banderita (defesa de monumentos de Lênin, retratos de Stálin e memórias da Segunda Guerra) podem confirmar essa idéia. Nazismo e fascismo estão muito longe de Putin e da Rússia moderna, mas o nacionalismo russo e o imperialismo russo serão evocados na construção da imagem do Grande Mal. Assim Putin é nacionalista, fascista e imperialista. Isso vai funcionar para outros ocidentais. Putin pode ser ambos - comunista e bolchevista ao mesmo tempo, assim ele será representado como nacional-bolchevique (mas isso é um pouco complicado demais para o público ocidental pós-moderno completamente ignorante). É óbvio que na realidade Putin não é qualquer dessas coisas - nem comunista, nem fascista, nem ambos ao mesmo tempo. Ele é politicamente realista (no sentido das Relações Internacionais - é por isso que ele gosta de Kissinger e Kissinger gosta dele em retribuição). Ele não possui qualquer ideologia. Mas ele será obrigado a se encaixar no quadro ideológico. Não é sua escolha. Essas são as regras do jogo. No curso da guerra contra a Rússia Putin será enquadrado e este é o aspecto mais interessante e apaixonado da situação.

A idéia principal é que os liberais tentarão definir Putin ideologicamente como a sombra do passado, como vampiro, "às vezes eles voltam". Essa é a própria razão do passo atrás para prevenir o liberalismo da implosão final. A mensagem central é que o liberalismo está realmente vivo e cheio de força porque há algo no mundo do que todos nos devemos ser libertados. A Rússia se torna o objeto de liberação. O objetivo é liberar a Ucrânia (Europa, humanidade) da Rússia, e no fim liberar a própria Rússia de sua identidade não-liberal. Assim temos o inimigo. Tal inimigo dá ao liberalismo a razão de existir uma vez mais. A Rússia é o desafio do passado pré-liberal lançado no presente liberal. Sem esse desafio não há mais vida no liberalismo, não há mais Ordem no mundo, tudo se dissolve e implode. Com tal desafio o gigante decadente do globalismo adquire novo vigor. A Rússia está aqui para salvar os liberais.

Mas de modo a fazê-lo a Rússia deve ser ideologicamente enquadrada como algo pré-liberal. Dessa forma ela será comunista, fascista ou pelo menos nacional-bolchevique. Essa é a regra ideológica. Assim lutar com a Rússia, apenas considerar lutar ou não lutar, há uma tarefa mais profunda que isso - enquadrar a Rússia ideologicamente. Isso será feito por dentro e por fora. Eles tentarão obrigar a Rússia a aceitar ou o comunismo ou o nacionalismo ou simplesmente tratarão a Rússia como se fosse comunista ou nacionalista. É um jogo de enquadramento.

Rússia Pós-Liberal: Primeira Guerra da Quarta Teoria Política

O que eu proponho na conclusão é o seguinte.

Nós precisamos combater conscientemente quaisquer tentativas de enquadrar a Rússia como potência pré-liberal. Precisamos não permitir que os liberais se salvem do fim que se aproxima fatidicamente. Precisamos não atrasar isso, mas acelerar esse fim. De modo a fazê-lo, precisamos apresentar a Rússia não como entidade pré-liberal, mas como força revolucionária pós-liberal que luta pelo futuro alternativo para todos os povos do planeta. A guerra russa não será por interesses nacionais, mas pelo mundo multipolar, por dignidade real e liberdade positiva real - não liberdade de, mas liberdade para. A Rússia nessa guerra se tornará o exemplo da defesa da Tradição, dos valores orgânicos conservadores, da liberação real precisamente em relação à sociedade aberta e seus beneficiários - a oligarquia financeira global. Essa guerra não é contra os ucranianos ou contra parte dos ucranianos. Não é contra a Europa. É contra a (des)ordem liberal mundial e nós não vamos salvar o liberalismo, vamos matá-lo de uma vez por todas. A Modernidade estava essencialmente errada. Nós estamos no ponto terminal da Modernidade. Para aqueles que assumiram para si o destino da Modernidade ou que permitiram que isso fosse feito inconscientemente, esse será o verdadeiro fim. Mas para aqueles que estão do lado da verdade eterna da Tradição, da Fé, da essência humana espiritual e imortal, este será um Novo Começo.

A luta mais importante agora é a luta pela Quarta Teoria Política. Ela é nossa arma e com ela vamos impedir o enquadramento de Putin como os liberais desejam fazer e reafirmar a Rússia como primeira potência ideológica pós-liberai lutando contra o liberalismo niilista em prol do futuro aberto multipolar e verdadeiramente livre.

Um comentário:

  1. A abordagem ao longo do texto pareceu-me encontrá-la algo superficial, em uma relação de meras etiquetas políticas e com algumas inexactidões de apreciação quanto a razões muito mais profundas como se apenas de uma natural causa-efeito e suas relações de equilíbrio, mas, entende-se a necessidade de obviar sem desnecessárias complicações. Apenas algo soft.
    Quanto à conclusão... Excelente, Precisa e Autêntica!

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