segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Jay Dyer - Manipulando o Terror

por Jay Dyer

No filme de 1971 The French Connection, o detetive policial nova-iorquino "Popeye" Doyle (Gene Hackman) revela uma operação de tráfico de drogas envolvendo a importação de milhões de dólares em heroína por um cartel francês que planejava usar uma personalidade midiática como cobertura involuntária.

Essa semana, nós ficamos chocados ao saber que a publicação satírica francesa Charlie Hebdo havia sido atacada por terroristas, com a Al Qaeda assumindo responsabilidade pelo assassinato de 12 membros da equipe da revista e convidados. Ainda que seja tentador ficar preso em detalhes situacionais "fluidos", nós devemos sempre relembrar padrões similares de eventos desse tipo no passado recente que servirão para informar o contexto maior desse novo evento na eterna "guerra ao terror".

Naturalmente, a primeira referência histórica que vem à mente é a Gladio, a infame rede da OTAN na Europa da Guerra Fria que se utilizou de ataques terroristas e tiroteios em locais públicos (entre outras coisas) para depois responsabilizar grupos socialistas. A Gladio assim representa o lado supostamente "conservador" das operações dialéticas contra a suposta esquerda. O incidente de Aldo Moro na Itália, por exemplo, envolveu um assassinato ensaiado de um ministro socialista por uma frente marxista operada pela OTAN. Operações da OTAN/Gladio jamais cessaram, conforme vemos os mesmos padrões presentes em falsas bandeiras mais recentes.



O serviço de inteligência francês, DGSE, trabalha de forma bem próxima com a OTAN e outras agências de inteligência ocidentais, e ao longo dos últimos anos ajudou no treinamento de subprodutos da Al Qaeda na tentativa de derrubar o líder sírio Bashar Al Assad. O "Exército Sírio Livre" notoriamente tem sido armado e financiado pelas elites atlantistas desde 2012, quando o CFR pediu mais presença da Al Qaeda no ESL, a 2013, quando vimos o senador John McCain e outros se encontrando com líderes da Al Qaeda rebatizada. Conforme olhamos para eventos passados associados ao terror franco-europeu, as imagens convergem.

Em 1995, Rachid Ramda, membro de organizações islâmicas radicais previsivelmente chamadas "Frente de Salvação Islâmica" e "Grupo Armado Islâmico", explodiu uma bomba no metrô francês RER, matando oito. Segundo uma entrevista com o Liberacion, Ramda descreveu seu envolvimento passado com ONGs ocidentais e a Médicos Sem Fronteiras - ambas coberturas clássicas de operações de inteligência, lançando dúvidas sobre a narrativa oficial de Ramda como o típico palco fundamentalista para tantas histórias midiáticas de terror. Esse evento relembra as participações em ONGs de supostas vítimas em vídeos do ISIS, bem como de Tamerlan Tsarnaev.

Em 2004, vimos um fiasco midiático similar com a provocação agitprop das caricaturas de Maomé do cineasta holandês Theo van Gogh, que levaram a sua morte em retaliação. Um violento confronto com uma célula terrorista em Haia se seguiu. Então, de 2005 a 2010 vimos jornais dinamarqueses criarem um escândalo novelesco com inúmeras zombarias de Maomé no jornal Jyllands-Posten. Também somos lembrados da associação dúbia do filme Inocência dos Muçulmanos ao incidente de Benghazi, curiosamente ocorrendo no aniversário do 11 de Setembro em 2012. O ex-operativo da CIA Claire Lopez relatou em outubro de 2012 vários detalhes suspeitos cercando Benghazi sugerindo uma falsa bandeira, tais como transferências de armas para a Al Qaeda na Líbia, bem como a segurança do local sendo terceirizado para a Blue Mountain, um grupo ligado à Irmandade Muçulmana.

Os ataques de ontem possuem notáveis semelhanças ao ataque de Anders Breivik em 2011, que supostamente envolveu um "direitista" orquestrando o massacre terrorista na Noruega. Como costuma ser o caso, porém, Breivik tinha inúmeros laços com operações da inteligência ocidental, e afirmou ser um "templário", dando indícios de envolvimento maçônico. Breivik também vem à mente graças às conexões curiosas de François Hollande com o Grande Oriente da França, uma versão atéia, socialista e de extrema-esquerda da Maçonaria existindo na França desde o tempo dos jacobinos e da Revolução Francesa. Várias figuras do séquito de Hollande, como Manuel Valls, são membros do Clube Bilderberg.



Como os jihadistas, Breivik também havia pré-produzido um "manifesto" que logo apareceu online, levando a várias especulações sobre seus elementos notavelmente plagiaristicos de manifestos prévios escritos por "malucos solitários", tal como a vítima de experiências da MK Ultra, o "Unabomber" Ted Kaczynski. Breivik parecia ser uma euro-versão "direitista" do bode expiatório islâmico radical, enquanto acima desses idiotas úteis estão agências de inteligência e sociedades secretas, elas próprias subservientes a elites internacionais como os Bilderberg e os bancos.

O que começa a emergir é um padrão consistente de serviços de segurança interligados e interconectados no nível do "evento terrorista", bem como seus recursos - tudo para servir à mesma elite empoleirada no topo. Quando consideramos a inteligência francesa, as digitais não são diferentes, na medida em que a DGSE possui uma longa história de falsas bandeiras e negociações sujas junto de suas contrapartes na OTAN. A França ajudou a treinar rebeldes ligados à Al Qaeda junto das forças dos EUA e da Grã-Bretanha na Jordânia, há muito um Estado-marionete da CIA. Armas e piratas do deserto estão em constante oferta para as agências de inteligência do Ocidente que precisem de distrações ou desejem incrementar o teatro de segurança. A França também desempenhou um papel no intento falho de falsa bandeira na Turquia em março de 2014, objetivando culpar novamente a Síria e Assad, e por extensão, antagonizar ainda mais a Rússia.

A inteligência francesa também parece ter tido algum envolvimento no assassinato de Diana, segundo Gordon Thomas, que afirma em Gideon's Spies que o motorista/guarda-costas Henri Paul foi manipulado pelo Mossad para espionar Diana, mas ela finalmente encontraria seu fim em circunstâncias questionáveis que levavam ao MI6 e aos serviços franceses (Gideon's Spies, pgs. 1-25). É sabido que o MI6 estava "na cidade" e que soldados da SAS podem ter sido responsáveis.

Similarmente, o ataque em Ottawa em 2014 também possui vários indícios de falsa bandeira, nos levando a imaginar - com tantos ataques ultimamente que parecem evocar padrões similares, conforme emergem detalhes do incidente do Charlie Hebdo, nós provavelmente veremos as mesmas conexões aparecendo. Não nos esqueçamos também do cerco de Toulouse em 2012 e nos assassinatos na sinagoga que envolveram outro conhecido jihadista, Mohammed Merah. Merah teve permissão de ser bastante ativo ainda enquanto portava um currículo bastante pesado, assim como o "sheikh louco" de Sydney.



Já há elementos questionáveis nos supostos vídeos sendo exibidos pela mídia, desde o homem no topo do prédio usando colete à prova de balas enquanto o ataque ocorria supostamente ao vivo na rua, à notável ausência de transeuntes nas ruas em plena luz do dia. Também há discrepâncias em outros vídeos relativos ao ataque e à balística dos tiros disparados. Como o 21st Century Wire notou, o próprio Charlie Hebdo parece ter publicado antecipadamente o que aconteceria, sugerindo influência de serviços de inteligência. Os terroristas também parecem ter conhecido detalhes do lugar, a que horas o encontro semanal era, e como entrar no prédio, bem como falavam francês fluente e demonstravam treinamento militar ocidental, o que é estranho para a célula "Al Qaeda no Iêmen" que a mídia já culpou como vilã. Para coroar isso tudo, a França lançou novos exercícios anti-terrorismo, e nesse sentido, o treinamento familiar como motivo de acobertamento pode estar presente.

O euroterrorismo, particularmente eventos tangencialmente conectados à França, porta todos os mesmos padrões das operações de inteligência atlantistas que tem ocorrido desde a Guerra Fria e a Gladio. Conforme novos detalhes emergem, uma imagem mais clara pode ser pintada sobre o cerco, mas nós podemos esperar todos os mesmos vilões e elenco de personagens que entram em cena no show de variedades que é a guerra global ao terror. O plano de "estratégia de tensão" da elite neocon objetiva um "choque de civilizações" entre as nações "judaico-cristãs" pós-modernas e a civilização islâmica - para desestabilizar e refazer o Oriente Médio na longa marcha fabiana rumo ao governo tecnocrático global.

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