sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Expondo os Crimes contra a Humanidade de Hillary Clinton na América Latina

por Katehon



A carta latino-americana é um dos trunfos de Clinton na campanha presidencial. Como candidata, ela desfruta do apoio exclusivo de imigrantes latino-americanos vivendo nos EUA. Ela promete suavizar condições para imigrantes e não busca construir um muro na fronteira com o México, diferente das promessas de campanha feitas por Donald Trump. Mas ela realmente merece o apoio hispânico? Para responder a essa questão, é necessário olhar para as ações prévias da sra. Clinton na América Latina.

Pelo menos como Secretária de Estado dos EUA, ela pode ter melhorado relações com a América Latina, mas uma verificação mostra o contrário: Hillary Clinton foi uma firme apoiadora do imperialismo americano mais radical. Golpes bem sucedidos e falhos, esquadrões de extermínio, guerras de traficantes e desestabilização de países inteiros, colaboração com políticos corruptos, e guerra de informação contra o povo latino-americano, são os legados de Clinton na região.

Apoio a esquadrões de extermínio na Colômbia

A família Clinton tem uma longa história de apoio a regimes pró-americanos na Colômbia. Um dos últimos passos da administração Bill Clinton foi dar uma ajuda de 1.3 bilhão de dólares principalmente para as forças armadas colombianas. "A interpretação permitia à administração se esquivar inteiramente de qualquer garantia de condições humanitárias em relação à ajuda", como os jornalistas americanos Alexander Cockburn and Jeffrey St. Clair escreveram sobre o tema. Assim, segundo eles, fundos americanos foram diretamente para as mãos de infames esquadrões de extermínio, engajados em operações contra inimigos políticos de regimes pró-americanos.

Hillary Clinton se posicionou contra o Acordo de Livre Comércio com a Colômbia, quando ela tentou ser indicada pela primeira vez à candidatura presidencial pelo Partido Democrata em 2008, mas pouco depois de ela se tornar Secretária de Estado, ela reverteu sua posição e passou a apoiá-lo. Essa mudança coincidiu com um enorme fluxo financeiro para o fundo da família Clinton vindo de interesses empresariais colombianos e americanos. Para colombianos, a assinatura desse acordo significou a ampliação da exploração dos cidadãos por capitalistas estrangeiros que descobriram o mercado americano. Nos primeiros 10 meses da administração Santos na Colômbia, a qual foi recompensada por Clinton com o Acordo de Livre Comércio, 104 sindicalistas e ativistas de direitos humanos foram assassinados no país. Mais de 50 militantes de sindicatos foram assassinados por esquadrões de extermínio. Algumas fontes locais culparam corporações multinacionais dos EUA e Canadá por usarem gangues contra os trabalhadores (incluindo a Dole, Coca-Cola, Drummond Coal e Chiquita, anteriormente conhecida como United Fruit Company). Tudo isso ocorreu enquanto Hillary Clinton era a Secretária de Estado dos EUA, e a intensificação da repressão política e da exploração foi um resultado deliberado de sua política na Colômbia.

Apoio ao golpe hondurenho

Durante o período de Hillary Clinton em seu cargo ela apoiou o resultado do golpe militar em Honduras em 2009. Nesse levante militar, o presidente legítimo José Manuel Zelaya, que tentou aproximar seu país da Venezuela e para fora da esfera de influência dos EUA, foi derrubado. Tom Shannon, Secretário Assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidenal do Departamento de Estado de Clinton esteve em Honduras uma semana antes do golpe, em reunião com grupos militares e civis depois envolvidos nele.

Nem o presidente Obama apoiou oficialmente o golpe hondurenho, mas Clinton o fez. O abuso sistemático de direitos humanos, a violência e a repressão a opositores foi o resultado óbvio do levante militar. Porém, Clinton saudou a eleição ilegítima de Porfirio Lobo, que havia endossado o golpe e recompensou golpistas com ministérios importantes, como um passo na direção da "democracia".

Como o jornal Nation aponta, a transição democrática em Honduras terminou com um resultado bastante previsível.

Há um mês, em 3 de março, a renomada ativista ambiental Berta Cáceres foi assassinada em sua casa por um pistoleiro desconhecido. Duas semanas depois, Nelson Garcia, membro do Conselho Cívico de Organizações Indígenas e Populares de Honduras (CCOIP), cofundado por Cáceres, foi executado por tiros. Desde então, milhares de hondurenhos tem protestado contra o que o programa Democracy Now tem descrito como uma "cultura de repressão e impunidade ligada ao apoio do governo hondurenho a interesses corporativos".

Os assassinatos puseram os programas governamentais americanos em Honduras sob um escrutínio cada vez maior e atraíram críticas por conta do apoio de Clinton ao golpe de 2009 enquanto ela era Secretária de Estado.

Guerras de traficantes no México

Quando Clinton era Secretária de Estado, os EUA ampliaram as vendas de armas ao governo mexicano para combater carteis do tráfico. Na verdade, a guerra contra o tráfico financiada pelos EUA se transformou em uma sangrenta guerra entre traficantes, que levou a uma drástica deterioração da situação no país. O México era um exemplo de como os EUA tentavam resolver seus problemas às custas de seus vizinhos, sem levar em consideração possíveis perdas que poderiam resultar de suas decisões. A venda de armas beneficiou empresas americanas. Clinton e Obama disseram aos americanos que eles estavam liderando uma guerra contra os carteis, mas como resultado a situação no México piorou. As tais guerras do tráfico já mataram mais de 100 mil pessoas desde 2006.

As autoridades mexicanas tem estado envolvidas em violações sistemáticas aos direitos humanos e Clinton sabia disso (como provado pelo WikiLeaks), mas apesar de as leis americanas proibirem vendas de armas para esse tipo de regime, ela aprovou essas vendas de armas e se gabou da cooperação militar.

Desestabilização da Venezuela

Sob Hillary Clinton como Secretária de Estado, os EUA continuaram sua política de sabotagem e guerra de informação contra a Venezuela. Enquanto ela saudava publicamente a melhora de relações entre os dois países, na verdade ela contribuiu para a desestabilização da república sul-americana. Ela insistia em deslegitimar a política do presidente Hugo Chávez. Documentos comprovam que Clinton estava interessada em "como botar um arreio em Chávez" e endossou a amplificação das atividades da BBG - Broadcasting Board of Governors (as estações Marti, Voice of America, Radio Free Europe, Radio Liberty, Radio Free Asia e a Middle East Boradcasting Networks) para combater os "inimigos americanos", entre os quais a Venezuela foi mencionada.

Documentos recentes da WikiLeaks revelam que Debbie Wasserman Schultz, congressista da Flórida e ex-presidente do Comitê Democrático Nacional, que fraudou as primárias democratas em favor de Hillary Clinton, patrocinou sanções contra a Venezuela, apesar da situação econômica difícil no país.

Tentativa de golpe na Bolívia

Clinton conseguiu piorar as relações com a Bolívia, apesar de elas já estarem ruins sob a administração republicana anterior. Em 2009, quando ela se tornou Secretária de Estado, o presidente Morales expulsou o embaixador americano do país por apoiar uma conspiração liderada pela oposição contra ele. Durante essa época, Hillary Clinton acusou Morales de "propagar medo". Mais tarde, em 2010, Chelsea Manning revelou que a conspiração do governo americano para assassinar o presidente boliviano Evo Morales e orquestrar um golpe realmente existiu. Essa informação foi publicada no livro "The WikiLeak Files: The World According to US Empire".

Tentativa de golpe no Equador

Em 2010 um golpe de Estado foi tentado no Equador. Unidades da Polícia Nacional tentaram derrubar o presidente Rafael Correa. Um ano antes as autoridades equatorianas protestaram contra a influência potencial dos EUA sobre indicações dos principais cargos policiais do Equador. A advogada americana Eva Golinger afirmou que a tentativa de golpe foi planejada pelos EUA. Ela revelou que apesar das palavras de apoio, os EUA sob Obama e Clinton continuaram a política de desestabilizar os países da ALBA, liderada pela Venezuela. Seu propósito era destruir qualquer alternativa à hegemonia americana no Hemisfério Ocidental.

Mudança de regime no Paraguai

No Paraguai, o presidente Fernando Lugo foi derrubado por um impeachment em 2012 através do que ele e outros líderes latino-americanos chamaram de um "golpe parlamentar", no qual os EUA reconheceram a mudança ilegítima de presidente por meios extraconstitucionais. O Departamento de Estado de Clinton foi exposto pelo WikiLeaks como estando, no mínimo, informados sobre os preparativos para uma tentativa de golpe. O reformista Lugo sempre foi percebido pelos EUA com suspeitas.

Influências sobre Brasil e Argentina

Ao mesmo tempo que apoiava ou orquestrava diretamente mudanças de regime em países latino-americanos pequenos ou médios, Clinton explorou uma atitude mais delicada em relação a dois gigantes, Brasil e Argentina. Ela tentou engajar o Brasil em projetos comuns e estabelecer relações pessoais com a presidente Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, ela tentou afastar Brasil e Venezuela, afirmando o quanto ela gostaria que a Venezuela "olhasse mais para o seu sul, para o Brasil, para o Chile e outros modelos de países de sucesso". Em relação à presidente argentina Cristina Elisabet Fernández de Kirchner, Clinton defendeu a reaproximação entre os países, confessando em privado, porém, que ela a considerava deficiente mental, e perguntando como ela poderia ser emocionalmente influenciada.

Imperialismo Básico

A política de Hillary Clinton em relação a América Latina sempre foi agressiva e imperialista, e esteve marcada por números sem precedentes de tentativas de golpes e outras atividades subversivas. Não há evidência de que ela esteja disposta a mudar de opinião ou atitude. Ela tratou a região como "quintal" dos EUA, onde a única potência dominante deve ser os EUA. Durante seu período no cargo, Hillary Clinton foi uma das apoiadores mais entusiásticas do Acordo de Associação Transpacífico. A essência do acordo já assinado por três países latino-americanos, Chile, Peru e México, é a criação de uma estrutura megacorporativa supranacional, que subordinaria as nações individuais ao controle de corporações transnacionais. Hoje, ela afirma se opôr a ele, mas sabendo como Hillary tratou suas promessas anteriores, nós podemos assumir como ela tratará um acordo benéfico a grandes empresas. Assim, a escravidão econômica se tornará mais uma característica das atitudes de Clinton perante a América Latina. Presidentes pró-americanos da Argentina e do Brasil, Macri e Temer, já estão prontos para abraçar essa agenda, e após estes gigantes econômicos serem tomados, outras economias não terão escapatória. Donald Trump pode estar falando coisas confusas sobre os mexicanos, mas pelo menos ele sempre se opôs a esses planos e declara abertamente sua oposição ao globalismo e ao TPP.

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