quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Eduardo Velasco - Nutrição e degeneração física: o estudo crucial do Dr. Price

por Eduardo Velasco

"Uma longa experiência cirúrgica provou-me conclusivamente que há algo radical e fundamentalmente errado com o estilo de vida civilizado, e acredito que, a menos que os atuais costumes dietéticos e de saúde da raça branca sejam reorganizados, a deterioração social e a deterioração da raça são inevitáveis".
(Sir William Arbuthnot Lane, 1856-1943, cirurgião escocês e um dos mais destacados profissionais de saúde no Reino Unido na época).

É um fato bem conhecido que a dentição, pelo milímetro de sua configuração, é uma boa indicação da saúde de um indivíduo: em tempos de escravidão, a primeira coisa que costumava ser feita antes de adquirir um escravo era verificar o estado de seus dentes, ver se era um indivíduo bem formado e bem alimentado desde a infância. Tradicionalmente, as unidades militares de elite também atribuem grande importância à saúde bucal e, até hoje, ainda é dada prioridade aos indivíduos com dentes saudáveis ​​para serem astronautas, pilotos ou mergulhadores. Atualmente, a frequência de cáries e defeitos dentários entre os países mais modernizados é de cerca de 85-99%, talvez a condição mais comum. Além disso, havia outros problemas comuns, como a falta de espaço para os dentes do siso, devido ao subdesenvolvimento da mandíbula, que por sua vez mostrou uma falta de desenvolvimento do esqueleto. Que, juntamente com os corpos dilapidados e a saúde deplorável da grande maioria da atual população "civilizada", foi mais do que suficiente evidência de que, já nos anos 1930, algo cheirava podre no estilo de vida moderno.

Um dos especialistas que agudamente percebeu esse fato foi o Dr. Price (1870-1948), dentista e nutricionista americano de Cleveland, Ohio, que estava escandalizado pelas taxas de deformidades dentárias e mandibulares que ocorriam em seu país, até o ponto de ser praticamente impossível encontrar alguém com um conjunto normal e bem ajustado de dentes.

O Dr. Weston A. Price (1870-1948), chamado "O Darwin da nutrição", descende de uma estirpe de qualidade. Era o nono de doze filhos, incluindo um inventor, um doutor, dois dentistas, um ministro metodista e um fazendeiro bem sucedido. Seu sobrinho era um famoso escritor e explorador da National Geographic. A família Price poderia traçar sua origem de uma linhagem de nobres celtas centrada na população de Brecon no País de Gales (Grã-Bretanha) de pelo menos 230 AEC.

Price, bem familiarizado com os benefícios da vida no campo, estava convencido de que esses defeitos dentários não eram genéticos, mas eram devidos a uma série de hábitos não naturais, especialmente alimentários, que eram prejudiciais à saúde. Ele considerava que os dentes são a primeira linha de frente para as "advertências de saúde" do corpo, que a má saúde dental das nações ocidentais era apenas o começo e que mostrava um sério problema nutricional e de saúde que ameaçava causar a queda da raça branca. Sua busca por dentes perfeitos levou-o a um estudo de 10 anos, durante o qual viajou com sua esposa Florence para partes isoladas do nosso planeta, com o objetivo de estudar milhares de indivíduos de comunidades "primitivas" que não tinham sidos tocados pela civilização industrial — e às vezes até pela agricultura.

Os grupos estudados por Price incluíam aldeias isoladas dos vales suíços, comunidades de herança celta das Ilhas Hébridas Exteriores, pescadores irlandeses gaélicos, índios das Américas, esquimós, insulares melanésios e polinésios, várias tribos africanas, aborígines australianos, maoris neozelandeses etc. Entre essas pessoas, de composições raciais, dietas e origens extremamente diversas, Dr. Price encontrou uma proliferação de arcos dentais totalmente perfeitos e em sintonia com o plano da Natureza. Isso confirmou suas suspeitas de que, na maioria dos casos, a cárie dentária se deve a deficiências nutricionais (tanto nos pais como no indivíduo durante a fase de crescimento), e não defeitos genéticos hereditários.

Nativos da Ilha de Harris, nas Ilhas Hébridas Exteriores, a noroeste da Escócia. São irmãos, no entanto o de esquerda utiliza comida moderna e o do direito segue com a dieta tradicional de seus antepassados. O primeiro tem dentes defeituosos e uma face estreita devido a um desenvolvimento esquelético mal feito (devido, por sua vez, a uma deficiência ou assimilação pobre de minerais). O segundo tem uma face larga, dentes perfeitos e uma melhor constituição física.
O quadro era o semelhante em todas as etnias "primitivas" que Dr. Price estudou: rostos largos, aletas nasais desenvolvidas, arcos dentais pontiagudos e encaixados com perfeição milimétrica, taxas de cárie de menos de 1%, em suma: boa saúde. Estes indivíduos são de origens e composições raciais muito diversas, mas todos têm em comum a adesão à dieta tradicional de seus respectivos antepassados e são consideração como "atrasados", "desculturados", "subdesenvolvidos" e até mesmo "terceiromundistas", por parte do mundo moderno. No entanto, nenhum destes indivíduos têm necessidade de usar creme dental, escovas de dente, enxaguantes bucais, ortodontia, cirurgiões plásticos ou dentistas para se ter dentes totalmente perfeitos.

CARACTERÍSTICAS DA DIETA TRADICIONAL

Price logo percebeu que a perfeição das arcadas dentárias era apenas a ponta do iceberg, e que a saúde dos indivíduos examinados ia muito além dos dentes. Aqui estão alguns das ideias que ele pdulou sobre as dietas tradicionais em seu estudo, "Nutrition and physical degeneration":

• Testes de laboratório revelaram que as dietas tradicionais continham quantidades extraordinariamente alta de proteína e aminoácidos. Todas as dietas tinham ao menos uma fonte de proteína cru e inalterada, a partir de carnes, frutos do mar, peixes, nozes, ovos de peixe ("caviar") ou sementes germinadas de alta qualidade. Hoje sabemos que a revolução carnívora é o que nos fez evoluir, desenvolvendo nosso cérebro e nos tornando humano.

• As dietas tradicionais continham, pelo menos quatro vezes a quantidade de vitaminas hidrossolúveis (que se dissolvem na água, como a B e C: ), cálcio e outros minerais, do que as dietas industriais modernas.

• Também continham, pelo menos, dez vezes (!) a quantidade de vitaminas lipossolúveis (que se dissolvem na gordura,: como A e D) do que as dietas industriais modernas. Estas vitaminas, além disso, são absorvidas muito melhor graças à abundância de gorduras de origem animal na dieta. As vitaminas lipossolúveis atuam como catalisadores para a absorção de minerais, a produção de testosterona, uma melhor utilização de proteínas e construção de tecidos, por isso seu efeito mais notável é a maior corpulência óssea como muscular. 

• Alta ingestão (maior quanto menor for a temperatura ambiente) de gorduras animais saturadas. De acordo com a região, essas gorduras vinham de manteiga, peixes, mariscos, órgãos de animais ou óleo de foca, baleia ou de fígado de bacalhau. De acordo com a etnia e latitude (em regra, mais gordura quanto mais ao norte e mais frio), a gordura constituía 30 a 80% das calorias na dieta, dos quais apenas 4% vinham de óleos poliinsaturados de origem vegetal. O balanço calórico obtido a partir de gordura era principalmente entre ácidos graxos saturados e monoinsaturados. A gordura animal aportava vários fatores lipossolúveis, incluindo as vitaminas acima mencionadas e um elemento chamado "Ativador X" por Price, que agora se acredita ser a vitamina K2.

• As dietas "primitivas" continham quantidades semelhantes de ácidos graxos essenciais ômega-6 e ômega-3. Isso contrasta com as dietas modernas, que têm muito mais ômega-6 do que ômega-3. (Atualmente, para obter ômega-3, além de vitaminas lipossolúveis, é aconselhável tomar óleo de fígado de bacalhau).

• Tinham alto conteúdo de enzimas e bactérias benéficas de legumes lacto-fermentados, frutas, bebidas, produtos lácteos, carnes e condimentos.

• Os produtos de origem animal, especialmente aqueles provenientes da caça e do marisqueio (conquilicultura), gozavam de grande prestígio. As carnes de órgãos (especialmente fígado, coração, cérebro, testículos, medula e rins) tinham o maior prestígio, seguido por gorduras e carnes musculares.

• Os métodos de armazenamento e conservação de alimentos dificilmente alteraram o perfil nutricional dos alimentos: enterramento, secagem, desidratação, congelamento (somente em climas frios) etc.

• A maioria dos alimentos foi consumida crua, mal cozida ou cozida de forma extremamente lenta e prolongada, "em fogo baixo", para que todos os nutrientes fossem preservados intactos. Um dos métodos usados para cozinhar a carne "cozida lentamente" era fazer um buraco no chão, colocar pedras ardentes, cobri-las com grama, colocar carne em cima, mais grama, cobrir tudo com terra e deixar entre metade de um dia e um dia inteiro.

• Nenhum alimento foi refinado, desnaturado, adulterado ou despojado de fibras. Isso contrasta com abominações modernas, como açúcar refinado, xarope de milho de alta frutose, farinha branca, alimentos enlatados ou cozidos demais, leite pasteurizado, homogeneizado ou desnatado, gorduras hidrogenadas ou aditivos químicos.

• Os grupos étnicos que praticavam a agricultura o faziam em solos com riqueza mineral natural, e não usavam pesticidas ou fertilizantes químicos. Eles também eram muito cuidadosos para não esgotar a riqueza mineral do solo, deixando-o descansar e não superexplorá-lo por meio de uma agricultura muito intensiva.

• Havia acesso a fontes de água mineral natural de alto valor para o organismo humano. Não havia contaminação e não era necessário tratar a água com aditivos tóxicos como cloro ou flúor. Ao contrário da sociedade industrial, a água não era canalizada através de tubos metálicos que carregavam metais tóxicos para a saúde humana.

• Sementes, nozes, grãos de cereais, legumes e outros alimentos problemáticos eram posto de molho, germinados, fermentados ou ou levados para neutralizar certos anti-nutrientes naturais (como inibidores enzimáticos, taninos e ácido fítico). Só após esta preparação foram considerados adequados para consumo humano.

• Todos os grupos étnicos examinados realizavam atividade física intensiva no dia a dia. Esta atividade poderia vir na forma de esportes, trabalho de campo, construção de casas, jogos, danças folclóricas, concursos e competições, caça, deslocamentos nômades ou colheita.

• Todos os indivíduos passavam grande parte do dia longe de casa, em contato com o ar puro e a luz solar, e isso incidia um efeito positivo sobre os níveis de vitamina D, que tinha um impacto positivo na força esquelética e outros fatores. Além disso, estavam pouco protegidos de todos os tipos de clima.

• Os doces, mesmo os naturais, eram geralmente consumidos com pouca frequência, e quando eram feitos, eram para rituais ou festas especiais.

• Todos os grupos seguiam estádios periódicos de jejum total, durante os quais não ingeriram nada que não fosse água. Estes jejuns tinham um papel ritual relacionado com a purificação e ajudavam a purificar a corrente sanguínea, purgar toxinas e renovar os tecidos do corpo.

• Importância da alimentação pré-conceitual e pré-natal. Em todos os grupos étnicos, foi dada atenção à alimentação de casais jovens durante a "lua de mel". Tanto para o marido como para a esposa, durante a fase de concepção, uma maior proporção de produtos animais densos em nutrientes (ovos, peixes, mariscos, caça etc.) foi reservada para aumentar a vitalidade, a libido, qualidade do sêmen do homem e as reservas biológicas da mulher com vista à gravidez (sabemos agora que as reservas de vitamina A no corpo da mulher estão se esgotam durante a gravidez e precisam de ser substituídas). Estes alimentos também eram considerados importantes para as mulheres durante a gestação e lactação, e depois disso, para a criança durante os anos de crescimento. Esses processos foram considerados como resultando em crianças fortes, saudáveis ​​e inteligentes.

• Eram utilizados ossos de animais, geralmente na forma de caldos ósseos ricos em gelatina, o que ajudava o corpo a desintoxicar e fornecer uma grande quantidade de minerais altamente biodisponíveis.

• Todas as mães amamentam seus próprios filhos, o faziam por mais tempo do que nas sociedades civilizadas e não tinham problemas na produção de leite materno.

LIÇÕES DO ESTUDO DO DR. PRICE

Os resultados dessas condições de vida tão ideais eram imediatos. Nesse estudo, o Dr. Price extraiu conclusões interessantes sobre a qualidade biológica dos povos "atrasados", com vistas a melhorar a dieta e a constituição física dos povos "avançados":

1. Constituição ótima do esqueleto. Devido à maior contribuição e melhor absorção de vitaminas (especialmente lipossolúveis) e minerais, bem como à alta ingestão de gorduras, a densidade óssea dos indivíduos era muito maior do que a dos seus compatriotas "civilizados". Essa densidade óssea manifestou-se em um esqueleto mineralizado melhor e mais pesado, e uma face mais larga. O rosto mais largo se manifestava em uma mandíbula mais larga, de modo que os dentes não se aglomeravam e cresciam ordenadamente e em linha reta, com espaço livre para os dentes do siso. Além de formar arcos dentários perfeitos, os dentes são fortes e não tinham cáries e outros defeitos devido à mineralização excelente. Fraturas ósseas também eram muito raras.

Os números foram tirados de "Paleopathology at the origins of agriculture" (Mark N. Cohen), e referem-se à área do Mediterrâneo Oriental, incluindo a Grécia e a Turquia. Deve-se deixar claro que este quadro, ao dar a impressão de evolução ininterrupta, não reflete invasões, mudanças na composição racial, diversidade étnica ou diferenças de classe social. Por exemplo, a nobreza sempre esteve melhor constituída do que o campesinato por causa de seu maior consumo de produtos animais. Os esqueletos de túmulos micênicas na Grécia (1500 AEC) mostram que a aristocracia tinha uma dieta melhor do que a plebe, uma vez que tinham estaturas de 5 a 7 cm mais alta e constituição dentária muito melhor e com um menor índice de defeitos. Além disso, a aristocracia costumava ser de composição racial diferente de pessoas comuns. No entanto, os termos médios são bastante indicativos e, acima de tudo, é interessante ver como a qualidade de vida refletida na constituição esquelética sofreu um colapso absoluto quando a agricultura foi adotada, atingindo durante o final do Neolítico e renascendo ligeiramente com o advento dos povos indo-europeus.

2. Índices pélvicos ótimos, alta fertilidade. Geralmente, as mulheres ficavam muito facilmente grávidas e devam à luz em uma idade jovem e com pouco sofrimento. Isso confirma com o registro fóssil de caçadores-coletores paleolíticos, que mostra índices pélvicos (proporções do canal pélvico, através do qual se dá à luz) ideal para o parto. Problemas reprodutivos (infertilidade, baixa fertilidade, baixa libido, impotência) de mulheres e homens eram praticamente desconhecidos. Uma esquimó do Alasca, examinada pelo Dr. Price, teve 26 filhos (!). Muitos dos seus partos ocorreram durante a noite e ela sozinha foi o suficiente para dar à luz sem ajuda. Ela nem acordou seu marido, mas em silêncio dava à luz e apresentou-o ao seu novo filho na manhã seguinte. Todos os seus 26 filhos tinham próteses perfeitas

Esta mulher esquimó tem uma constituição facial sólida e bons dentes, embora devido a golpes, ela não tem um dente e tem outro quebrado. Ele teve 26 filhos, todos com dentes perfeitos. Os esquimós comiam quantidades recordes de gordura animal de mamíferos aquáticos, como a foca, morsa ou narval.

3. Harmonia corporal. Em todas as comunidades estudadas, praticamente não havia homens ou mulheres com cintura mais larga do que os quadris, apesar das imensas quantidades de gorduras animais saturadas (incluindo colesterol) em suas dietas. Isso contrasta fortemente com a sociedade atual, que está consumindo cada vez menos gorduras saturadas, mas que está sofrendo cada vez mais de obesidade devido ao consumo indiscriminado de amidos concentrados, açúcares refinados, farinhas brancas, adoçantes artificiais e outras substâncias indesejáveis desprovidas de enzimas e gatilhos de insulina.

4. Ausência de doenças degenerativas. Não havia praticamente nenhum caso de diabetes, câncer, Alzheimer, obesidade, gota, reumatismo, hipertensão, artrite, várias formas de esclerose, osteoporose, raquitismo, flambagem de coluna etc, e gozavam de maior imunidade a doenças infecciosas. Não se encontravam entre eles doenças cardíacas, ataques cardíacos, alergias, asma, dores de cabeça, fadiga muscular, narcolepsia e muitas outras pragas que a sociedade moderna toma como garantida como se fossem normais ou fossem parte da condição humana. Eles também não tinham consciência de males psicológicos ridículos do mundo moderno, como neuroses, histeria, esquizofrenia, anorexia, ansiedade, bulimia, distúrbios bipolares ou depressão, de modo que estavam otimistas, seguros e confiantes sobre a vida. As principais causas de morte eram acidentes e infecções. Este quadro contrasta com as taxas catastróficas de doenças psicofísicas das sociedades "avançadas", sociedades que só perduraram graças a toda uma indústria farmacêutica transformada em prolongar anormalmente a quantidade de vida humana ao custo de reduzir drasticamente a sua qualidade.

5. Continuidade da tradição ancestral. A fim de proteger e perpetuar o seu patrimônio genético, estas sociedades foram capazes de instruir as suas novas gerações na sabedoria dos seus antepassados e nos costumes tradicionais. Mais uma vez, isso contrasta com as sociedades "avançadas", que têm desarraigado o indivíduo de sua estrutura ancestral, esvaziando-o de toda a tradição e inflando-o com uma bagagem de comportamentos artificiais e pré-fabricados que danificam o código genético.

6. O modus vivendi do mundo moderno é prejudicial à espécie. De um ponto de vista estritamente sanitário, evolutivo e de qualidade humana, aderindo estritamente à harmonia e à saúde física e psicológica, como um médico examinaria um paciente, o contato com a civilização foi desastroso para todos os grupos estudados. Price observou que quando um casal "primitivo" se mudava para o modo de vida civilizado, concebiam crianças com uma configuração esquelética, facial e dentária inferior: faces estreitas e, portanto, dentes desordenados e/ou mal posicionados devido a mandíbulas muito pequenas, problemas com os dentes do siso, narinas mal desenvolvidas (incluindo casos de complicações respiratórias que bloqueavam as vias nasais e a respiração forçada exclusivamente pela boca), defeitos congênitos, comportamentos erráticos que indicam doença mental e maior susceptibilidade a doenças infecciosas e crônicas. Significativamente, quando esses casais retornavam aos seus costumes ancestrais, os defeitos das crianças deixam de piorar, e os filhos concebidos depois disso já gozavam de uma perfeita constituição física e mental. Esse foi um dos fatos que negavam a possibilidade de que a perfeição dentária fosse um fator exclusivamente genético ou resultante da seleção natural.

Hoje os homens modernos se orgulham de seu estilo de vida, como se tivesse um grande mérito pressionar um botão repetidamente, ou como se cada um deles tivesse inventado pessoalmente a máquina do qual utilizam. O que o "senhorito satisfeito" de qual falou Ortega y Gasset não percebe é que o modus vivendi atual parece projetado quase propositadamente para corroer a qualidade biológica do ser humano e deixá-lo doente — para não mencionar o desgaste do nosso planeta . Esta situação não é sustentável e não só entrará em crise e colapso, mas é desejável que assim seja.

7. A escória genética moderna é o resultado da civilização. Os estratos sociais inferiores, os delinquentes, os defeituosos e uma grande parte da população penitenciária do mundo civilizado, têm características faciais que evidenciam deficiências nutricionais dos pais, especialmente da mãe durante a gravidez e durante a amamentação, assim como má nutrição durante a infância e adolescência. Este tipo de traço está aumentando, porque, em condições civilizadas, a escória biológica é mais promíscua e tem uma taxa de natalidade maior do que a elite. Além disso, hoje, a "solidariedade" mal entendida da civilização tende a proteger legados genéticos defeituosos, ao mesmo tempo em que dilapida genética valiosa. Nas sociedades tradicionais, com os rigores da seleção natural, a escória genética permanece baixa.

8. Sensatez ou extinção. Se o homem moderno pretende sobreviver a longo prazo, deve operar uma revolução alimentar, imitar os rigores do mundo natural e adotar a sabedoria nutricional do homem "primitivo". Caso contrário, enfrentará taxas crescentes de esterilidade e extinção devido à inépcia evolutiva. O homem moderno enfrenta a possibilidade de que o instinto humano volte à superfície e passe do subconsciente ao consciente, saltando todas as barreiras, cortando todos os laços, manifestando-se da maneira mais primitiva e reivindicando os direitos que legitimamente lhe pertencem.

O preço de trair os antepassados ​​e virar as costas para a Natureza. Todos esses indivíduos pertencem a grupos étnicos tradicionais que adotaram recentemente a dieta trazida pela sociedade industrializada. Alguns (como os dois africanos abaixo à esquerda) trabalham em plantações dirigidas por ocidentais, outros (como a direita superior, bem penteado, mas com uma constituição dentária lamentável) são pessoas "privilegiadas" que tiveram acesso a uma educação "civilizada"... embora infelizmente também tiveram acesso a comida "civilizada". Os resultados são sempre os mesmos: degradação dentária em graus variados (dependendo se a proporção de produtos processados ​​na dieta é maior ou menor), menor estatura, faces e mandíbulas mais estreitas, narinas menos desenvolvidas (incluso atingindo a obstrução permanente das passagens nasais, ao ponto de ser incapaz de respirar, chegando ao ponto de ter que respirar só pela boca) e um aspecto mais fraco e mais doente do que o dos seus compatriotas "selvagens". Quando pensamos que o homem ocidental vive sob este tipo de alimentação por muitos séculos, nós compreendemos o dano imenso feito.

Que todos estes princípios funcionavam em sua aplicação prática mais tarde provaria George E. Meinig (1914-2008), diretor de cirurgia oral, nutricionista e membro da Price-Pottenger Foundation. Seus princípios nutricionais e o excelente efeito dentário decorrente de sua aplicação atingiram tal fama em certos meios elitistas que foi contratado pela 20th Century Fox para ser o "dentista das estrelas" e aconselhá-los sobre nutrição. Por outro lado, esses princípios nunca foram pregados em meios destinados ao público comum.