segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Brett Stevens - Como Culturas São Destruídas: A Experiência do Black Metal

por Brett Stevens



O Black Metal morreu como morrem as civilizações: foram substituídos aqueles que podiam entendê-lo por aqueles que podiam imitá-lo. Isto foi, contudo, o resultado final de um processo anterior, que foi a mudança do bom para o medíocre.

É didático para qualquer movimento (por exemplo, a direita alternativa) ver o quão rápido uma tendência foi eliminada.

Primeiro, como um vírus de computador perto de sua vítima, os invasores parecem ser parte do gênero. Os clones vieram das pessoas que queriam participar mas não tinham ideia de como inventar a música, antes de tudo. Eles, de primeira, foram fieis, e então começaram a avançar em direção aos padrões medíocres de toda música, os estilos rock/pop.

Então, chegou a hora do "progresso". As pessoas que não puderam inventar o gênero, ou cloná-lo, começaram a fazer um rock "viajado" que usava algumas técnicas do Black Metal. Isso seduziu a maioria da audiência, porque era parecido com o que eles já escutavam e com o que os amigos deles já escutavam. As barreiras foram corroídas.

Então, a agressão midiática começou. Sites como a Wikipedia e o Metal Archives começaram a publicar artigos sobre a música que estavam errados da perspectiva original do gênero, mas certamente se encaixavam nos novos híbridos de rock que eram resultado do "progresso". As ideias originais foram esquecidas, substituídas por ficções convenientes.

Finalmente, o exército invasor chegou. Primeiro os hipsters, então os guerreiros da justiça social, começaram a adotar a retórica e a aparência pessoal dos estilos do gênero. Eles compraram alguns álbuns clássicos, mas então se viraram para os novos híbridos de rock e os divulgaram em sites populares de música.

Neste ponto, o gênero perdeu sua integridade. As bandas originais viram que elas tinham uma chance de ganhar dinheiro e se aposentar, então começaram a produzir estes híbridos de rock, dando aparente legitimidade a esse novo estilo. Novas bandas surgiram, uma a cada mês, que faziam álbuns "grandes, revolucionários" que ninguém guardava por mais que poucos anos.

E por toda a parte, a música antiga era ignorada pela imprensa, mas apreciada pelos fãs, muitos dos quais se encontraram deixando de lado as novas imitações, assim que descobríam as raízes. Isto causou temor entre os invasores, que começaram a avançar com a narrativa de que o antigo era mal, "racista" e fora de moda.

O que um movimento que não quer ser assimilado, ou convertido no mesmo lamaçal medíocre de onde estava tentando escapar, pode fazer para evitar isso? Alguns pontos:

 - Seus apoiadores mais fiéis podem ser invasores.

Quando os clones das ideias originais surgirem e parecerem repetir fervorosamente estas ideias, pare e pense. Uma invasão nunca se anuncia. Ao invés disso, ela se camufla, parecendo ser a coisa real, e vagarosamente se revela de dentro.

 - O inimigo é descentralizado.

O problema não são poderes sombrios te manipulando, mas a fraqueza de humanos individuais. As pessoas querem ser populares, e então seguem modas, mas neste processo elas tornam qualquer coisa que estejam fazendo na mesma de antes, porque a sua mentalidade não mudou.

 - Evitar o mainstream não ajuda.

O mesmo comportamento e processo mental que existe no mainstream, existe também em todo lugar, porque as pessoas são fracas e seguem disposições sociais mais do que, digamos, os ideais e conceitos de um gênero. Eles procuram comportamentos diferentes, então fingem ser partes da coisa original.

 - Cuidado com os que simplificam e fazem afirmações "autoritárias".

Os invasores tentam afirmar barreiras sólidas em torno do gênero, mas estas só o tornam ainda mais fácil de ser violado. Os teimosos e os "progressistas" andam em conluio, talvez não intencionalmente. 

 - Enquanto a popularidade cresce, a qualidade decai.

O bom a curto prazo é o posto do bom a longo prazo. Você vai ter de aturar quantidades cada vez maiores daquilo que você escolheu tolerar. Sem oradores fortes para afirmarem as ideias originais, estas ideias se tornarão adulteradas enquanto a fraquia expande.

Na visão realista da vida, o sucesso é a queda porque aquilo que ascende, deve cair. A única maneira de continuar voando é evitar formalizar o gênero ou o movimento, e manter o bom diálogo interno com líderes claramente reconhecidos que mantém os princípios vivos e não estão cegos pela popularidade. Idealmente, estas pessoas precisam ser independentemente estáveis, para que não alterem suas ideias para agradar a audiência, ao invés de selecionar a audiência para aqueles que entendem suas ideias.

Para celebrar os anos de metal underground, nós apresentamos "The Meek Shall Inherit Death Compilation" (117mb). Este traz à memória muitos das melhores (e perdidas) ideias de um gênero que instruiu a Direita alternativa e a contrarrevolução moderna que deseja um futuro melhor através da compreensão do passado.

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