domingo, 29 de janeiro de 2017

Eduardo Velasco - Os benefícios do jejum

por Eduardo Velasco

"A saúde de todo o corpo é forjada no escritório do estômago".
(Cervantes).

"O estômago é o que torna difícil para o homem se considerar um deus".
(F. W. Nietzsche).

No artigo sobre bioeletricidade, vimos até que ponto o corpo humano está polarizado em torno de dois grandes centros metabólicos de estrutura labiríntica e sinuosa: o cérebro (a vontade e o espiritual) e os intestinos (instinto e carnal). Vimos também que, ao longo da evolução humana, esses dois centros "competiram" até certo ponto, pegando a maior parte da energia, inclinando o equilíbrio metabólico em favor do cérebro, quando, graças à revolução carnívora, o homem simplificou seu sistema digestivo, reduzindo as necessidades energéticas de suas vísceras e permitindo desviar o "capital metabólico" para a construção de tecidos (especialmente a substância cinzenta e o neocórtex do cérebro) e outros processos. Da mesma forma, já foi mencionado até que ponto uma digestão pesada produz peso no pensar e agir. Isso significa que a redução da atividade digestiva é equivalente a melhorar o resto das funções do corpo?

A tradição chinesa denomina "dantians" os principais centros de energia do corpo humano. O inferior é chamado Xia, coincide com o centro de gravidade do organismo e com o que os hindus chamam de chakra Svadhisthana (plexo prostático ou uterino de acordo com a ciência moderna). O intermediário é chamado Zhong (Anahata hindu, ou plexo cardíaco). O superior é chamado Shang (Ajña hindu ou plexo cavernoso) 

Nosso circuito superior (o cérebro) e nosso circuito inferior (os intestinos) são verdadeiros centros de energia. Esses dois labirintos consomem grande parte de nossas necessidades calóricas (energia nervosa, sangue, bioeletricidade). A digestão e a metabolização de alimentos é um processo muito caro em termos de "capital calórico", e quando se trata de alimentos que não convém, o custo para o nosso corpo aumenta, às vezes roubando moedas metabólicas do cérebro e do resto do corpo (incluindo músculos, sistema nervoso e sistema reprodutor). Em qualquer caso, ter o sistema digestivo sempre cheio, sempre ativo e sempre acumulando grandes quantidades de sangue, conflita com o funcionamento ideal da mente. A Natureza nos mostra que apenas os herbívoros têm o sistema digestivo sempre cheio e sempre ruminando, fermentando, digerindo e defecando, algo que deve estar em contradição com as origens de raças caçadoras como aquelas que formaram a humanidade europeia.

É um fato inegável que o aparecimento da vida sedentária foi um forte golpe para o código genético do homem. Por um lado, a seleção natural foi varrida e, por outro lado, através dos sistemas digestivo e respiratório, os resíduos tóxicos começaram a ser filtrados em nosso sangue e, por extensão, em todos os tecidos do corpo, perturbando o funcionamento correto do organismo — incluindo o cérebro e, portanto, a mente. O coração era anteriormente concebido como um intermediário entre os centros superior e inferior do corpo, bombeando sangue para todos os tecidos, mas o que acontece quando o sangue está sujo e não mais cumpre sua função corretamente? O que acontece quando o sistema digestivo nunca é dado uma trégua, permitindo que se obstrua com todos os tipos de substâncias de resíduos? O que acontece quando ingerimos, junto com a comida, pesticidas, herbicidas, fungicidas, inseticidas, hormônios, antibióticos e outras substâncias nocivas? O corpo começa a acumular tecidos redundantes e a degenerar lenta mas seguramente. As toxinas e os radicais livres (ou seja, a versão corporal dos íons positivos) proliferam e muitas áreas começam a ser acidificadas, mal oxigenadas e necessitadas de sangue e bioeletricidade. Ninguém pode se envenenar impunemente sem pagar o preço.

A única maneira de resolver este estado de coisas é entrar em catarse, um processo de destruição e reconstrução de materiais intoxicados. Isso parece absurdo para muitos médicos modernos — educados por multinacionais farmacológicas, cada vez mais expressos no papel de "pílulas prescritas" e totalmente ignorantes de que os três pais da medicina ocidental (Hipócrates, Galeno e Paracelso) eram grande partidários do jejum e acreditavam em suas qualidades de cura. Em outros tempos, pensava-se que a prevenção era melhor do que a cura e que tínhamos que tratar as causas de um mal, não seus sintomas. Hoje, na era da iatrogenia, doenças nosocomiais e cientistas que estudam as doenças e os doentes em vez de estudar a saúde e os saudáveis, é pensado de outra forma.



HISTÓRIA DO JEJUM

A história do jejum remonta a muito antes do aparecimento do homem, uma vez que a maioria dos animais seguem instintivamente períodos de jejum, especialmente quando estão doentes ou feridos. E, naturalmente, períodos de fome e escassez são perfeitamente previstos pela Natureza e formaram muitas de nossas funções adaptativas no passado remoto, uma vez que o homem é evolutivamente "projetado" como um caçador-coletor, e passar fome de vez em quando era normal durante o Paleolítico ― isto é, durante o tempo em que nos formamos como uma espécie.

Após o surgimento das primeiras civilizações, as práticas de jejum continuaram a ser comuns na vida humana até praticamente o surgimento da civilização tecnoindustrial. Todas as civilizações mesopotâmicas contemplavam o jejum em ocasiões rituais ou como remédio medicinal. Os antigos egípcios curavam a sífilis com o jejum, e os sacerdotes e sacerdotisas eram obrigados a passar quarenta dias de jejum para serem aceitos, enquanto que sete dias de abstinência de alimentos eram obrigados para ser iniciados nos cultos de Ísis e Osíris. Na Grécia antiga, o jejum era comum como preparação antes de ser iniciado em certos mistérios, como Elêusis. Tanto Sócrates quanto Platão e Aristóteles jejuavam para aumentar sua eficiência física e mental. Pitágoras jejuou por quarenta dias, respirando de certa maneira e concentrando sua vontade em certos pontos corporais, antes de permitirem-lhe entrar na escola de Diospolis no Egito. Posteriormente, o próprio Pitágoras exigiria aos seus alunos quarentas dias de jejum. Hipócrates e Galeno, dois dos fundadores da medicina ocidental, reconheceram os benefícios do jejum para a saúde. Em Roma, jejuar (jejunium) era uma prática comum. Téssalo de Trales, médico de Nero, jejuava frequentemente, e o historiador e sacerdote Plutarco também recomendava: "Ao invés de medicina, jejue". Tertuliano escreveu um tratado sobre o jejum por volta do ano 200.

A queda do mundo antigo não supôs com o fim da prática do jejum. Os maniqueístas contemplavam sete dias de jejum por mês, e havia muitos grupos cristãos praticando jejuns prolongados, como os albigenses (ou cátaros), cujos jejuns muito frequentes e prolongados lhes davam uma característica aparência delgado e pálida. No Oriente islâmico, o célebre médico persa Avicenna (séculos X-XI) prescreveu jejuns de até mais de três semanas. O suíço Paracelso (século XVI), o terceiro pai da medicina ocidental, mencionou que "o jejum é o maior remédio, o médico interno".

Durante a Reforma, a maioria dos protestantes mantiveram dias de jejum ou restrições alimentares em certas datas. A única exceção a essa regra foram as seitas particularmente fanáticas e rupturistas do passado, como alguns grupos puritanos, que condenavam o jejum. Tanto Catarina de Aragão como Filipe II seguiam dias de jejum em datas religiosas. A Igreja Ortodoxa segue rigorosamente períodos de jejum ou restrições alimentares até hoje.

Daí em diante, a lista de médicos que estudaram cuidadosamente o jejum é extensa: Boerhaave, Brown, Hoffman (que escreveu no início do século XVIII "sobre os magníficos resultados da chamada cura da fome, ou como curar uma doença grave através da abstenção de comida"), Anton Nikolai, Bernard de Malte, Wunderlich, Ricord, Durian, Graves Taner, Dewey, Von Zelândia, Burfield, Benedict, Voit, Adolf Meyer, Möller, Guelpa, Riedlin, Kapferer, Von Segesser, Mozdwal, Grothe, Brauchle, Lützner, Verdugo, Zabel, Heun, Jennings, Graan, Trall, Taylor, Shelton, Otto Buchinger, Osbeck, Furman e outros.

No Extremo Oriente, o jejum é ainda mais recorrente do que no Ocidente. O taoísmo, hinduísmo, confucionismo, budismo etc., contemplam o jejum como um método de melhoria física e mental, e toda a literatura japonesa e chinesa é salpicada com referências ao jejum, especialmente como meio de cura de doenças. 

Esta estátua (atual Paquistão) representa Buda jejuando. Os jejuns incrivelmente prolongados e perigosos que os ascetas do Extremo Oriente faziam tinha objetivos espirituais. A estátua parece enfatizar que a capacidade de esvaziar o abdômen serve para preencher a aura.

A Rússia soviética, muito avançada no estudo da saúde, usava o jejum (chamado "cura da fome") em muitas de suas clínicas. O Dr. Yuri Nikolaev do Instituto de Pesquisas Psiquiátricas de Moscou informou em 1972 que tinha tratado com sucesso mais de 7.000 pacientes que sofriam de vários transtornos mentais (esquizofrenia, neurose etc.) usando o jejum

DIMENSÃO ESPIRITUAL DO JEJUM

Não há como negar que a satisfação mata a vontade e seda os instintos e que, pelo contrário, a fome aguça o engenho e os instintos: para ser um bom caçador, você deve estar com fome. O jejum também provoca um estado alterado de consciência, que dissipa a espessa "neblina cerebral" de pessoas que nunca estão completamente acordadas ou totalmente adormecidas.

Parece absurdo não complementar períodos de gratificação com períodos de abstinência. Que sentido tem o prazer sem o sofrimento, a recompensa sem o sacrifício ou a vida sem a morte? Será que o comodismo está causando a degeneração do ser humano? Nossos ancestrais sabiam combinar os dois extremos. Tinham festividades de alegria e dos sentidos, mas também tinham ocasiões de abstinência e ascetismo, e ambos os tipos de festividades agiam como o pólo negativo e positivo de um circuito elétrico, proporcionando a tensão necessária para o desenvolvimento da vida. Mesmo o catolicismo, herdeiro de uma forte carga pagã, tem festivais dedicados ao prazer e à carne (como o Carnaval) e épocas de penitência, recolhimento e abstinência (como a Semana Santa). No momento, parece que nos esquecemos do "lado negro", da morte, da coisa mágica e da coisa demoníaca. 

Concentramo-nos na superestimulação sensorial, nos prazeres fáceis e em saturar os nossos sentidos sem cessar, mas não pensamos em moderar essa tendência e, naturalmente, não nos ocorre equilibrar a balança com uma dose equivalente de sacrifício. Períodos de abstinência alimentar não são cogitados, e o ascetismo é quase politicamente incorreto. A tendência autoindulgente e hedonista de nossa civilização significa apenas que virá uma época de sacrifícios, privações e sofrimentos para compensar o equilíbrio.

Em um mundo de estímulos sensoriais desordenados que nos assaltam ferozmente, tanto o corpo quanto a mente raramente recebem uma pausa. Mesmo quando dormimos, o aparelho digestivo continua a funcionar, enquanto a mente permanece acordada no mundo dos sonhos. A este respeito, é revelador que o filósofo chinês Chuang Tzu chamou de "jejum mental" à meditação, uma vez que o jejum se torna para o corpo o que a meditação é para a mente: buscar o vazio e a quietude para despertar o lado automático e instintivo da consciência e entrar sintonia com a ordem correta. Se o objetivo das alquimias "esotéricas" era espiritualizar a matéria e materializar o espírito, esvaziar o cérebro provisoriamente é uma boa maneira de provocar a ascensão das forças inferiores, enquanto esvaziar a barriga provoca o descensão das forças altas.

Portanto, não é surpreendente que o jejum tenha sido usado por muitas sociedades e civilizações como um meio de penitência ou cura, como método de iniciação, para honrar um falecido, realizar eventos astrais (solstícios etc.) e até mesmo evitar desastres naturais. Esperava-se que alcançar a quietude total traria o ser humano em um estado semelhante ao da morte, o do caos vazio primordial ou os instantes antes do nascimento, já que somente o vazio primordial é capaz de iluminar o raio-estrela da energia primordial.

Ao mesmo tempo, o jejum é sobre fechar a porta de energia no abdômen inferior para que a bioeletricidade e sangue do corpo possam fluir para o cérebro e outros tecidos, revigorando áreas que não receberam atenção suficiente até então. Antigamente, aqueles que se dedicavam à religiosidade apreciavam esses efeitos. Da mesma forma, o jejum era uma questão de simples propriedade: não se podia entrar num templo ou honrar uma divindade com um estômago cheio de comida ou um corpo cheio de toxinas. Era inútil lavar as mãos e a pele, ou murmurar algumas rezas, se ainda estava sujo por dentro.

O QUE ACONTECE DURANTE O JEJUM

Obviamente, o jejum tem uma clara dimensão biológica, que também tende para a limpeza e purificação, e será descrita nesta seção.

Cerca de 24 horas após parar a ingestão de alimentos, o tubo digestivo esvazia. As enzimas continuam a ser liberadas no sistema digestivo, mas como elas não têm nada para digerir ou metabolizar, passam para os capilares e percorrem os 96.000 quilômetros de vasos sanguíneos no corpo.

A partir de agora, uma série de processos serão desencadeados, que irão varrer todo o organismo no que é conhecido como autólise, uma autodigestão a nível celular, que nos devorará pouco a pouco. No entanto, porque nosso corpo não é tolo, ele salva seus tecidos essenciais, de modo que a primeira coisa que lança no voraz e ácido mar de autólise são seus tecidos mais desnecessários e redundantes. O metabolismo finalmente tem carta branca para soltar lastro. É assim que as substâncias digestivas, que circulam por todo o corpo, consumirão primeiro os resíduos metabólicos e os materiais mais inferiores e impuros do corpo: os depósitos de gordura (que por sua vez servem para armazenar todos os tipos de substâncias tóxicas, tecidos defeituosos e nutrientes), abscessos, retenção de líquidos, celulite, varizes, edema, manchas cutâneas, células mortas ou moribundas, colônias fúngicas, protuberâncias, tecidos espessados, furúnculos, acumulações mórbidas, ginecomastia, toxinas, radicais livres, membranas mucosas do sistema respiratório, resíduos no baço, fígado e rins, cristais de ácido láctico nas articulações, depósitos nos tubos microscópicos que nutrem as células cerebrais e até neoplasmas e tumores. Assim que o corpo percebe que está em jejum, estes materiais serão decompostos e passarão para a corrente sanguínea e sistema linfático para serem "queimados" como combustível ou removidos através dos rins, fígado, urina, língua, pulmões e pele.

Assim como quando colocamos combustível de má qualidade no veículo, siando fumaça negra, a "combustão" de nossos resíduos produzirá sujeira. Enquanto eles estão no sangue a ser purgados, os detritos podem provocar sintomas muito desagradáveis, tais como mau hálito, suor fedorento, fraqueza, cãibras, tontura, dor de cabeça, acidose e, em suma, algo como uma boa ressaca. Se os sintomas se tornam demasiado fortes, o jejum deve ser interrompido porque o corpo está muito intoxicado. Geralmente, se o indivíduo é saudável, os sintomas de desintoxicação vão durar alguns dias e, em seguida, remitarão.

A fome "real", ou seja, autofagia ou inanição, só inicia quando o corpo começa a autoconsumir tecidos essenciais para sobreviver (coração, pele, rins, fígado etc.). Enquanto isso, as proteínas necessárias ao corpo são sintetizadas a partir dos materiais autodigeridos. Dessa forma, os níveis séricos de albumina no sangue permanecerá constante ao longo de um jejum, como o corpo quebra os materiais armazenados. Não se esqueça que o organismo está evolutivamente preparado para isso.

Por outro lado, devido à falta de glicose, o fígado também começará a explorar suas reservas de glicogênio (gliconeogênese), liberando-os na forma de glicose e energia. O restante da glicose é obtida a partir da decomposição de proteínas e ácidos graxos (convertidos em cetonas) do corpo.

O efeito final de um jejum é que o tubo digestivo é esvaziado de impurezas, que toda a corrente sanguínea e linfa são completamente limpas e, portanto, todos os tecidos e células do corpo regado pelo sangue são igualmente desintoxicados e renovados. Muitos materiais redundantes, especialmente gordura e retenção de líquidos, também são destruídos.

FASES DO JEJUM

O corpo não reage igual durante todo o jejum. Várias fases mais ou menos definidas podem ser reconhecidas, e é bom saber como identificar.

A primeira fase pode durar cerca de um dia e meio, sempre com variações de acordo com a pessoa e a situação. Durante esta fase, o corpo consome as reservas de glicose armazenadas no fígado e músculos (na forma de glicogênio) e circulando no sangue. O indivíduo sente-se mais ou menos como sempre, um pouco fraco e com fome, mas o corpo ainda não "percebe" que está em jejum.

São 2-3 dias para a segunda fase. A glicemia baixará, o corpo vai começar a "queimar" ácidos graxos e corpos cetônicos (especialmente a partir dos 12-17 dias), enquanto as células beta do pâncreas vão parar de liberar insulina. Este momento é crucial, uma vez que a civilização moderna emprega os açúcares como principal fonte de energia, e essa saturação estimula anormalmente a secreção de insulina pelo pâncreas, tornando este órgão um dos mais maltratados e inflamados do homem moderno. A partir de agora, o pâncreas tem um descanso e nosso corpo será capaz de recuperar-se de seu vício de açúcares, prestando atenção aos tecidos gordurosos (incluindo tecidos subcutâneos), que representam a verdadeira reserva de energia do corpo e onde é armazenado todos os tipos de resíduos metabólicos .

O corpo então entra em cetogênese (produção de cetonas, o objetivo das dietas cetogênicas) e em gliconeogênese. A gluconeogênese (biossíntese de glicose a partir de aminoácidos e outras substâncias) é essencial para alimentar os tecidos que funcionam apenas com açúcares, como o cérebro, para alimentar esforços musculares específicos e emancipar o corpo de fontes externas de açúcares, tornando-o, por assim dizer, "autárquico". Quanto às cetonas (derivadas de ácidos graxos), elas têm um forte efeito anti-inflamatório e neuroprotetor, e podem suprir a maioria das necessidades do cérebro, libertando-o de sua dependência de tanta glicose.

A terceira fase do jejum, que deve ser evitada, é a da autofagia. O corpo, tendo consumido adequadamente suas reservas de energia, começa a devorar tecidos que não são concebidos como fonte de energia, como as proteínas dos órgãos. A fome, que desaparece durante os primeiros dias de jejum, reaparece violentamente após 20, 30 ou 40 dias dependendo do indivíduo, sua constituição e sua resistência à fome. A autofagia pode começar 50-75 dias após o início do jejum.

COMO JEJUAR

Uma vez que a "prática" de jejum é muito simples (não comer e não beber mais do que água), é apenas necessário dar algumas ideias. Não é necessário esclarecer que quem faz um jejum, o faz sob sua própria responsabilidade.

• Saiba mais sobre o jejum. Você tem que estar confiante e convencido do que você está prestes a fazer.

• Escolha uma data que lhe agrade. Você deve ter vários dias de folga e sem trabalho. Aproveite os feriados. Se você pode ir para uma área rural, melhor.

• Estabeleça uma meta. Um jejum "bom" (sem contar mini-jejuns de preparação) deve durar 7 dias. Um jejum de 7 dias duas vezes por ano, além de mini-jejum intermediário (por exemplo, um dia de jejum por semana) é um bom programa.

• Você deve fazer o jejum de preferência em um tempo quente ou amena do ano. É muito mais difícil de jejuar durante o Inverno, já que o frio rouba calorias do corpo. Evite o frio abrigando-se e cobrindo a cabeça, se necessário.

• Reduza sua atividade física. Descanse o máximo que puder. Não faça esportes. Os primeiros dias você pode ir para passeios, mais tarde você provavelmente vai querer ficar na cama uma boa parte do dia. Ventile sua casa e não deixe o ar ficar viciado. Lembre-se que o jejum é uma ruptura técnica: seu corpo está se reorganizando e quer ficar em paz. É hora da reclusão, engajar-se na contemplação e deixar a Natureza assumir o controle e fazer seu trabalho maravilhoso.

• Beba muita água, preferencialmente de baixa mineralização. Beba em abundância, mas sem exceder, já que os rins já estão sobrecarregados de resíduos de filtragem que por largos tempos haviam bloqueado seu corpo. A melhor água que você pode beber é a alcalina e ionizada. Água mineral natural de "verdade", como córregos de montanha, poços, fontes naturais etc, é outra excelente opção. Você também pode beber água destilada (desionizada), que atua como uma esponja no corpo, absorvendo e suspendendo enormes quantidades de toxinas e limpando "agressivamente". Mas você deve ter muito cuidado, porque se você beber água excessivamente, você vai perder muitos sais e vai desidratar perigosamente.

• Se a qualquer momento os sintomas de desintoxicação se tornarem demasiado desagradáveis ​​para resistir, você deve quebrar o jejum imediatamente. Você terá chances de jejuar mais tarde. Entretanto, dedique-se a cuidar de seus hábitos para desintoxicar-se lentamente e estar melhor preparado para o próximo jejum.

PERIGOS DO JEJUM

Quando uma pessoa é incapaz de completar um jejum, geralmente não é devido à fome, mas porque ela começa a experimentar uma série de sintomas extremamente desagradáveis. A razão é que, durante um jejum (especialmente o primeiro), nos intoxicamos com todo o lixo que temos acumulado no passado.

Tenha em mente que no mundo moderno, há muitas pessoas que sofrem de uma mistura de sobrealimentação e desnutrição. Você pode ter excesso de peso e sofrer de desnutrição. Os alimentos que comemos são desnaturados e não contêm as enzimas, vitaminas, minerais, fibras e aminoácidos que deveriam. Ou o trato digestivo é tão corrompido e entupido que é incapaz de quebrar e absorver nutrientes de alimentos.

Acima de tudo, somos inconscientemente viciados em muitas das substâncias que ingerimos, não apenas os açúcares e as elevações de insulina que fornecem, mas uma longa série de produtos químicos. Também deve ser levado em conta que uma boa parte da "gordura" das pessoas, especialmente dos gordos e/ou idosos, não é tecido adiposo simples, mas acumulações de muco e resíduos tóxicos que se projetam a partir da parede intestinal, da papada, das gânglios linfáticos, os rins e outras partes do corpo onde tais resíduos são armazenados. Você não pode mobilizar esses tecidos corrompidos, dissolvê-los no sangue e purgá-los sem pagar um preço em desconforto temporário. Há muitas pessoas que, se realizassem um jejum em condições sem terem se preparado de antemão, desencadeariam uma avalanche tão tóxica em sua corrente sanguínea que logo morreriam.

Pessoas muito intoxicadas (gravemente doentes, obesas ou muito magras) devem primeiramente submeter seu corpo a uma preparação, fazer exercício físico ― especialmente aeróbio ― e eliminar de seu organismo farinhas e outros amidos (especialmente refinados), açúcar de mesa, refrigerantes, edulcorantes artificiais (especialmente xaropes de milho de alta frutose e semelhantes), amidos, tabaco, álcool, drogas, gorduras hidrogenadas e trans, café, leite pasteurizado, aditivos, antibióticos, contraceptivos e ansiolíticos etc. Apenas com isso, é mais do que provável que experimentem efeitos de desintoxicação semelhantes aos de um jejum. Após a estabilização, eles podem fazer jejuns parciais, com produtos fibrosos como frutas ou legumes. Posteriormente, eles podem começar a fazer mini-jejuns de 24 horas e ir aumentando sua duração. Ou jejuns parciais podem ser feitos, com base em certos sucos de frutas ou vegetais (na antiga União Soviética eram famosos os centros onde o jejuns eram prescritos com uma base de uva preta, um fruto com propriedades antioxidantes reconhecidas e outros).

Mesmo assim, a autointoxicação a que estamos sujeitos a um jejum pode produzir vários sintomas, semelhantes aos de uma boa ressaca. Estes sintomas, que geralmente aparecem dentro de 24 horas do início do jejum, serão mais fortes quanto pior a nossa toxemia: um indivíduo saudável não vai notá-los, enquanto um intoxicado terá desconforto. Os sintomas são parte do processo de catarse do corpo e você deve ficar orgulhoso deles. Logo você vai se sentir melhor do que sentia em muito tempo.

• Urina escura, especialmente na parte da manhã. Pode cheirar e carregar o sedimento.

• O branco dos olhos pode ficar amarelo.

• "Boca de cloaca", especialmente nas manhãs. Importante lavar a boca.

• Língua macia e inflamada, com cores que vão do branco ao amarelo e até marrom. Pode avermelhar. A língua deve ser limpa com uma escova de dente.

• Halitose.

• Diarreia, náuseas.

• Sudorese, possivelmente malcheirosa. Quando suar, talvez irrite a pele e sinta coceiras, já que o suor será mais ácido do que o normal devido à mobilização de toxinas e detritos. Banhe-se várias vezes ao dia para evitar esses aborrecimentos. A pele é o maior órgão do corpo e sofre a deposição de muitas toxinas saindo dos poros. Pode ser uma boa ideia escovar a pele para se livrar da camada de resíduos oleosos e estimular o movimento da linfa.

• Gengivas inflamadas.

• Insônia. Durante um jejum, a necessidade de dormir é reduzida. Pesadelos também pode ser frequentes, talvez o corpo também mobilize o resíduo emocional e psicológico acumulados. Pode haver fortes reações emocionais, especialmente nas mulheres.

• Muco excessivo no nariz e no sistema respiratório.

• Diminuição da pressão arterial.

• Dor de cabeça, tonturas. Toxinas podem causar convulsões e tensões no pescoço, nuca e ombros, que por sua vez "beliscam" os dutos do corpo que são direcionados para a cabeça. Massagem, alongamento, aquecimentos do pescoço e posturas do corpo invertidas (com os pés para cima e a cabeça para baixo), como muitas posturas de yoga, ajudam a aliviá-los, bem como sentar com as pernas levantadas acima de sua cabeça. Antes de se levantar de uma posição deitada ou sentada, respire profundamente um par de vezes para fazer bombear o coração, e levante-se lentamente. Se ficar tonto ou com a vista embaçada ao se levantar, ajoelhe-se no chão ou sente-se, e respire profundamente, apertando o diafragma para esvaziar os pulmões bem, drenar o sangue que ficou preso nas vísceras e circulá-lo através do corpo.

• Cãibras musculares e/ou dores articulares devido à mobilização de cristais de ácido láctico. Dores nas costas.

• Evacuações muito desagradáveis ao esvaziar o aparelho digestivo. Pessoas muito intoxicadas vão se surpreender com a quantidade de resíduos antigos que estavam carregando e seu aspecto e odor nojento.

• Nas mulheres, a menstruação adianta durante o jejum. Após o jejum, atrasa.

• Fraqueza geral.

Os sintomas vão durar enquanto o nosso corpo levar para livrar-se de seus detritos metabólicos e venenos acumulados. Depois disso, apenas a fraqueza física, insônia e distúrbios no ciclo menstrual das mulheres permanecerá.

SUPLEMENTAÇÃO ― IMPORTÂNCIA DO EQUILÍBRIO IÔNICO E QUÍMICO DO CORPO

Há pessoas que gastam seu dinheiro em álcool, tabaco e outras drogas, roupas, prostitutas, carros, hipotecas em sete vezes o seu valor real, feriados em praias abarrotadas ou objetos desnecessários. A outra opção é investir em seu próprio corpo. No entanto, ninguém pode negar que gastar dinheiro em coisas boas para a saúde é mais inteligente do que gastá-lo em coisas ruins para a saúde. Um suplemento de fibra (como Plantaben) e outro a base de montmorillonita (como Figurplan) ajudam a maximizar os benefícios de um jejum, uma vez que se expandem no trato digestivo, absorvendo detritos como uma esponja, suavizando, descalcificando e empurrando-os para fora. Eles também tendem a dar uma sensação de saciedade.

Outro bom investimento, que é caro, mas a longo prazo pode nos salvar muitas despesas derivadas de má condição física, é um ionizador de água.

No artigo sobre venenos quotidianos, vimos, entre outras coisas, a importância dos íons negativos para a saúde humana, bem como o papel prejudicial dos íons positivos tão desenfreado na moderna civilização tecnoindustrial. Isso também pode explicar o sucesso das disciplinas orientais projetadas para absorver íons negativos da atmosfera e oxigenar o corpo, como Yoga ou Chi kung. Também explica os benefícios do exercício físico para o corpo. No entanto, os íons afetam não só o ar, mas também os ambientes aquáticos ... e o corpo humano é 60% água.

Os íons minerais de carga negativa (cálcio, ferro, magnésio, oxigênio, potássio, sódio, zinco etc.) são nutritivos para o corpo e tendem a constituir água de pH alcalino. Por sua vez, uma água alcalina rica em tais minerais tendem a doar sua carga elétrica para o corpo. Pelo contrário, os íons minerais carregados positivamente (alumínio, cádmio, mercúrio, chumbo etc.) são nocivos para o corpo e tendem a constituir água com pH ácido. As moléculas carregadas positivamente são oxidantes e manifestam-se como radicais livres. Estes agentes "ladrões de elétrons" acidificam o corpo, produzem a oxidação e o envelhecimento do organismo e tendem a ser armazenados nos tecidos moles, especialmente adiposos. Logicamente, uma água iônica alcalina e negativamente carregada ("doador de elétrons") tende a cancelar os radicais livres e alcalinizar o corpo.

Ambientes alcalinos são naturalmente ricos em oxigênio, talvez o produto químico mais essencial para a vida (podemos viver semanas sem comida e dias sem beber, mas apenas alguns minutos sem respirar). Curiosamente, o fisiologista alemão e médico Otto Warburg (o único médico a ganhar o Prêmio Nobel duas vezes e na mesma modalidade) mostrou que o câncer é anaeróbio, ou seja, desenvolve-se em um ambiente de pH baixo (ácido) e sem oxigênio livre. Warburg pensava que era muito difícil para o câncer se desenvolver em um ambiente fortemente oxigenado e de pH alto (alcalino), assim como é difícil cheirar mal uma água que está sempre em movimento, oxigenada por bolhas de ar e cheia de minerais de carga negativa elétrica, arrancadas e dissolvidas quando a corrente avança.

Dr. Otto H. Warburg (1883-1970).

O doutor escreveu que "a primeira causa de câncer é a substituição da respiração normal de oxigênio (aeróbio) das células do corpo por respiração celular anaeróbia (livre de oxigênio)". Warburg explicou como a falta de oxigênio impedia o metabolismo normal das células e como isso por sua vez impedia a criação de novas células normais, a produção de energia e a eliminação de resíduos metabólicos. Quando este estado de coisas persiste por um longo tempo, a toxemia é estabelecida no tecido celular, o ácido dos resíduos se acumula nos fluidos corporais e o sistema imunológico, envenenado e sitiado de dentro, fica cada vez mais enfraquecido para resistir às agressões externas.

O ácido acumulado nos tecidos pode provocar uma reação em cadeia: ao matar células saudáveis, os "cadáveres" em decomposição dessas células, ácidos também, são adicionados ao quadro. Quando a acidez sobe acima dos níveis normais, o tecido afetado sofre de um déficit de oxigênio, que é o passo final da doença. Células normais e saudáveis, em um ambiente muito ácido, fazem apoptose, um suicídio programado pelo corpo. Nessa espécie de seppuku celular, a célula se autodigere num ato de "honra", para salvar o resto do corpo da expansão do mal. No entanto, algumas células optam por sobreviver tornando-se células anormais que pervertem seu metabolismo, abandonando a queima de oxigênio e se dedicando a fermentar açúcares para se alimentar. Essas células desconsideram a "autoridade superior" do organismo do qual fazem parte, esquecem-se de suas antigas funções, deixam de responder ao concerto geral do corpo e se reproduzem agressivamente e indefinidamente de forma caótica... mesmo à custa de danificar o resto do corpo. Aparece o tumor maligno.

Os tumores aparecem em tecidos onde foi instaurado uma grave toxemia, como o fígado de um alcoólico, os pulmões de um fumante, as entranhas de um gordo, as glândulas mamárias de uma cabeleireira (exposição à contaminação eletromagnética de secadores de cabelo) ou o cérebro de um controlador de tráfego aéreo (exposição de micro-ondas de radares).

Este processo ― que guarda uma analogia muito perturbadora com o desenvolvimento das sociedades humanas do Neolítico adiante ― é simplesmente o exemplo extremo do que acontece quando certos tecidos do corpo se intoxicam, acidificando e deixando de ser oxigenados. Para evitar que isso aconteça, é necessário manter o corpo com um pH adequado e equilíbrio de íons negativos, algo que pode ser alcançado por respirar ar limpo e beber água "real". Isso faz com que seja mais sensato durante o jejum, quando o corpo está em um estado de acidose generalizada devido à mobilização de todos os resíduos metabólicos, que passam para o sangue a ser eliminado. Beber água alcalina e ionizada negativamente ajuda muito rapidamente a neutralizar as substâncias residuais do corpo. Você também pode consumir um copo de água com suco de meio limão e uma pitada de bicarbonato de sódio. A mistura é altamente alcalinizante e oxigenante para o corpo.

A água de um rio de montanha é cheia de oxigênio graças aos minerais e as bolhas de ar dissolvidas ao bater contra as rochas. Sua carga iônica é negativa e seu pH é alcalino. Existem águas de um especial valor pela sua composição mineral, que foram reverenciadas nos tempos antigos e se tornaram centros de peregrinação e cura.


DESJEJUAR

"Qualquer tolo pode jejuar, mas só um sábio sabe como quebrar um jejum".
(George B. Shaw).

O corpo é inteligente: embora durante o jejum haja muito desejo de comer, quando se trata de desjejuar, não devemos comer em excesso. Mesmo assim, é muito importante desjejuar bem, já que o sistema digestivo é particularmente sensível e deve recuperar gradualmente sua funcionalidade.

O jejum deve ser quebrado com uma quantidade moderada de vegetais fibrosos, crus e cheios de enzimas, vitaminas, antioxidantes e minerais (cenoura, repolho, alface, alho, espinafre) que, se possível, ajudam a restaurar as lactobactérias do trato digestivo. Um produto lácteo fermentado, tal como um iogurte orgânico ou kefir ecológico, podem ajudar nisso. Depois de algumas horas, você deve comer algumas frutas (uvas pretas, cerejas, maçãs etc). O segundo dia do desjejum também deve ser baseado em produtos vegetais crus, e a partir do terceiro dia é possível voltar a comer normalmente, mas com muito cuidado. Nesses momentos, uma má refeição pode ser semelhante à um tiro no umbigo. 

"Desjejuar" também inclui não voltar a mal mal, reeducar nossos hábitos nocivos e erradicá-los. Tenha em mente que agora seu sistema digestivo absorverá melhor tudo o que você comer, tanto para o bem quanto para o mal.

O JEJUM E A MUSCULAÇÃO

O jejum à primeira vista pode parecer muito radical e prejudicial para aqueles que treinam com pesos, já que entre os adeptos dos ferros geralmente existe um medo atroz de catabolismo, ou seja, o oposto do anabolismo: a destruição de proteínas. Sem embargo, muitos dos que sofrem de catabolismofobia, em seguida, não têm dúvidas em levantar-se pela manhã e correr por meia hora com o estômago vazio e com um copo de água para melhorar a queima de gorduras. Eles também não têm nenhum problema em aceitar que as nove horas de sono, longe de serem "tempo perdido para comer", servem para regular o ambiente hormonal do corpo e atualizar nossas funções corporais. Mesmo a maioria dos fisiculturistas aceitam que, de vez em quando, uma semana de descanso pode calhar e até mesmo melhorar os resultados na academia mais tarde. Às vezes você apenas tem que entender que o organismo inteiro― incluindo o sistema digestivo e músculos ― precisa de repouso total.

É bem verdade que durante um jejum você perde peso, força e volume muscular. No entanto, embora as fibras musculares diminuam em volume, o número de fibras musculares não diminuem. Embora as células saudáveis ​​possam perder volume e força, eles permanecem no lugar, e podem recuperar-se perfeitamente dentro de um par de semanas, e ainda menos se o corpo já está acostumado a jejuar.

Também é indiscutível que, para obter bons resultados no ginásio, é necessário ter boa saúde, e o jejum é um fator essencial para a boa saúde. Não devemos esquecer que 80% do fisiculturismo é nutrição, e que não estamos aproveitando adequadamente da nossa dieta, por melhor que o protocolo seja, se o nosso sistema digestivo está desgastado, envenenado e desvitalizado. Em diversos sites de fisiculturismo há inúmeros artigos sobre o jejum intermitente.  

A DEGENERAÇÃO DO CÓLON MODERNO

"Todas as doenças começam no intestino".
(Hipócrates).

"Nas 22.000 operações que realizei pessoalmente, nem uma vez encontrei um cólon normal".
(John H. Kellogg, médico e eugenista americano).

Nas disciplinas de Yoga (Índia), Chi kung (China) e similares, uma grande ênfase é colocada na importância do abdômen e umbigo. Considera-se que, quando devidamente respirado usando o diafragma, a barriga atua como um "segundo coração" capaz de auxiliar no bombeamento de sangue, e como um "terceiro pulmão" capaz de melhorar a capacidade respiratória. É também essencial nas tradições das artes marciais. Suas denominações ("grande mar de energia", "centro yin", "campo de elixir inferior" etc.), atestam que essa parte do corpo era concebida como um centro energético relacionado às forças da Terra e onde os fluxos corporais se acumulam (a "essência" da tradição taoísta) como se fossem eletrólitos em uma bateria, ou como o óleo de uma lâmpada. É o pólo negativo do corpo, o caldeirão do organismo, o núcleo do poder físico, o lugar onde o material alimentar é transformado em hormônios e substância reprodutiva, onde ocorre a concepção de bebês e onde nos alimentamos quando ainda estamos no ventre da mãe. É por todas estas razões e mais que manter a barriga limpa, lisa, reduzida, seca e em forma, evoca saúde e força geral de todo o corpo, e no caso das mulheres, também a capacidade de dar à luz a crianças saudáveis. 

Localização do "dantian inferior" de acordo com a tradição taoísta.

Durante a era dos sacrifícios, o exame das entranhas de um animal era um ritual muito importante e difundido em muitas culturas. Considerava-se que os intestinos fornecem os segredos mais profundos do estado geral do animal e suas várias qualidades, e que tinham algum poder sugestivo, magnético e hipnótico. Os espartanos, os etruscos, os macedônios, os celtas e os romanos olhavam para as entranhas dos animais em cerimônias rituais. Mais cedo, na Idade dos Metais, incluso viceravam corpos humanos, provavelmente de caídos em combate, com a leitura de suas entranhas como uma provável explicação. E certamente durante o Paleolítico a carne do animal não era consumida até que um exame das vísceras pelos anciãos confirmava o bom estado da besta.

Vísceras em mau estado: sangue estagnado, matéria fecal acumulada. Na época dos sacrifícios rituais, esta aparição significaria um mau presságio, ou a invalidação de toda uma cerimônia.

A barriga, que é onde arraigam os bebês e onde eles se juntam à mãe, o núcleo da respiração devidamente praticada e que deveria ser um saco de energia e força vital ― o fole de nosso forno interno ― é, no momento, o oposto: um saco de lixo dentro da barriga, o cólon (intestino grosso) é, sem dúvida, o órgão mais selvagemente maltratado pela humanidade moderna. É submetido a uma variedade de substâncias tóxicas, a uma contínua erosão, e nunca é permitido descansar, regenerar ou purgar, uma vez que é rara a pessoa que passou 48 horas sem comer em toda a sua vida . Isso significa que, desde que nasceram, seus intestinos, seu pâncreas, seu fígado, todo seu sistema metabólico, nunca tiveram uma pausa para poder dirigir sua energia e sangue para outros lugares além da barriga.

Vamos ver o que acontece com o cólon moderno.

Quando consumimos alimentos perniciosos para o trato digestivo (algo tão simples como leite pasteurizado, produtos de farinha refinada, junk food ou misturar carboidratos com proteína), o estômago envia um sinal para o cólon para se "blindar" por dentro, para evitar a absorção de substâncias nocivas para o organismo. Não se esqueça que o cólon entra em contato com "o pior do pior" de tudo o que comemos. Assim, o cólon segrega uma camada de mucosa que impede a absorção de muitas substâncias (boas e más) do bolo alimentício. Isto não seria um problema se acontecesse de vez em quando: a camada de mucosa é liberada após um curto período de tempo e é evacuada sem problema. O problema surge quando todos e cada um dos alimentos que consumimos é incompatível com a química do corpo. Neste caso, o cólon segrega camada após camada de mucosa, fazendo com que a substância acumule nas paredes e dobras, endurecendo com o tempo e formando uma espécie de "capa" rançosa, gomosa e dura como gesso escuro. Esta placa mucoide alcança espessuras de entre 3 e 6 mm, atingindo em alguns casos a superação do centímetro. Interrompe gravemente a evacuação da matéria fecal, reduzindo a luz (o "calibre") do órgão e acaba se tornando um foco de desperdício metabólico estagnado, que permanece seco, endurecido e embutido (impactação fecal, fecaloma) no órgão agredido, que mudam a forma do cólon por deflexão e torção, que eventualmente passam para os capilares sanguíneos, envenenando todo o organismo de dentro e comprometendo a eficácia do sistema imunológico. Pode também levar a um problema de desnutrição devido à má absorção de alimentos (por exemplo, vitamina K, sais minerais ou água). As famosas barrigas de "cerveja" não têm realmente nenhum cerebelo: são abdômens perversamente permeados porque o cólon está inflamado (megacólon) de substâncias de desperdício estagnadas. Uma boa parte de uma "barriga de cerveja" não é a gordura subcutânea, mas as vísceras inchadas e duras que formam um imenso balão tóxico. Para corroborar isso, o câncer de cólon é a segunda principal causa de morte nos EUA. 

Cólon saudável vs. cólon moderno "normal". Sacos de gás e alimentos em putrefacção ou fermentação, fezes presas, incrustações fecais, camadas de muco, curvas demasiado tortuosas, secções que quase degeneraram completamente etc. Hoje em dia, parece que praticamente o único lugar onde um intestino grosso normal pode ser encontrado é em um atlas de anatomia.

Este estado de coisas é também o terreno fértil perfeito para as centenas de tipos de bactérias e centenas de tipos de parasitas e fungos que podem abrigar o intestino humano e que eventualmente filtram para o sangue quando a água perniciosa do cólon doente é removida. Uma dessas bactérias ― particularmente comum devido a uma alimentação moderna baseada em farinha ― é a candida. A candida é o que faz com que a água de uma irrigação do cólon para fique amarelada ou mesmo esverdeado e leva à candidíase, uma doença que estourou na história do ser humano com a Revolução Neolítica. O Dr. William Crook postulou que a candidíase "sistêmica" e subclínica (ou seja, candidíase "light") era responsável por uma enorme quantidade de doenças, incluindo esclerose, distúrbios digestivos e urinários, fadiga, dores musculares, várias disfunções sexuais e menstruais e asma, entre outros.

A farinha refinada, portanto, não pode ser negligenciada como um agente muito importante na formação de resíduos internos do corpo. A farinha faz parte de muitos alimentos comuns em sociedades civilizadas: pão, bolos, biscoitos, pizzas, massas, pastas etc. É um alimento quase completamente desprovido de enzimas, vitaminas, minerais, aminoácidos e outros nutrientes que agem sinergicamente facilitando sua digestão, como no caso de alimentos "naturais" (frutas, vegetais, carne, nozes etc.). Assim, a comida "rouba" de nosso corpo as substâncias que ele precisa digerir. Os resíduos indigestíveis da farinha, incorporados nas paredes do cólon, impedem que o cólon, o "tubo de escape" do corpo, absorva nutrientes.

Os antigos egípcios sofreram sérios problemas de saúde por causa de sua dieta muito rica em pão. Eles perdiam os dentes em uma idade precoce, e entre eles, a candidíase, cegueira, lepra e sífilis eram endêmicas. A medicina egípcia tinha um conceito que explicava de onde a decadência do corpo vinha. Se tratava do whdw (poderia ser traduzido como "putrefação" ou "corrupção"): uma degeneração que se enraizava nas partes inferiores do aparelho digestivo (phyla) e era transmitida para o resto do organismo ― incluindo o cérebro e, portanto, a mente ― através dos vasos sanguíneos (mtw). O Eurifonte grego ecoou este conceito ao descrever o efeito pernicioso dos resíduos indigestos ao circular pelo sistema circulatório.

Hoje, o cólon adulto estadunidense médio contém entre 4 e 15 kg de placa de mucoide, fezes estagnadas e resíduos indigestos. O cólon moderno tornou-se uma espécie de poço negro terrível, onde acumula camada após camada de lixo de todos os tipos, juntamente com parasitas, fungos, ácidos, gases, restos de alimentos de anos atrás, incorporado em bolsas e dobras intestinais, todavia, ainda fermentando, apodrecendo, alimentando bactérias e enchendo a parte inferior do estômago com toxinas e parasitas que se infiltram no sangue causando muitos problemas. Não importa que roupa você usa, o carro que você tem, o tamanho de sua carteira, a cor de sua gravata ou vestido, o prestígio de seu trabalho, como se maquia ou como  corta o cabelo: todos (excepto aqueles que jejuam em condições e com certa freqüência e/ou fazem irrigações do cólon e/ou vivem uma vida em plena harmonia com a Natureza) tem, em maior ou menor grau, resíduos rançosos (estamos falando de quilos) presos em seus intestinos desprendendo lixos. É repugnante perceber isso, mas é nojento não fazer nada sobre isso e se contentar com a vida como um lixo ambulante. E a única maneira de resolver isso é combinar jejum com hidroterapia do cólon, ou seja, passar uma grande quantidade de água através do cólon para drenar a sujeira acumulada. Isso pode parecer nojento para muitos, mas, novamente, é mais nojento continuar vivendo com o lixo trancado dentro de nós. Eu não incluo imagens do que sai do aparelho digestivo por respeito ao estômago do leitor. No entanto, uma rápida pesquisa no Google (por exemplo, hidrocolonterapia) lhe dará uma ideia da quantidade de resíduos que podem ser transportados pelo ser humano civilizado. A quantidade aumenta quanto maiores é a idade do sujeito e pior seus hábitos. Curiosamente, na ex-União Soviética, era um procedimento normal administrar uma irrigação do cólon aos pacientes, uma vez que era considero que um paciente não poderia se recuperar se seu sangue estava contaminado.

O QUE É POSSÍVEL ESPERAR DE UM JEJUM: RAZÕES PARA JEJUAR

Os efeitos variam muito de pessoa para pessoa, de acordo com sua idade, resistência, grau de intoxicação etc. Como regra geral, pessoas mais saudáveis, mais jovens e mais limpas no interior terão menos sintomas de desintoxicação do que pessoas em condições biológicas precárias.

• Limpeza completa da circulação sanguínea e desintoxicação do tecido.

• Melhoria da saúde mental. O estado mental depende em grande parte da química do cérebro. Quando o cérebro é intoxicado com substâncias perniciosas e funcionando em modos metabólicos aberrantes, a mente fica ressentida e há mudanças muito pronunciadas no humor, depressão, irritabilidade, confusão, vulnerabilidade. É o primeiro passo no aparecimento de doenças mentais, tão comuns em nossa civilização.

• Melhora a capacidade intelectual. A ausência de digestão leva a um estado quase constante de alerta e vigília, algo que não é frequente quando há saciçãoo. Foi o Dr. Herbert Shelton que supervisionou os jejuns de mais de 40.000 pacientes ao longo de cinquenta anos. Sua conclusão foi que quando o corpo está livre de materiais tóxicos fluindo através do sangue e do sistema linfático, e quando o cérebro é regado por uma corrente sanguínea limpa, a capacidade de pensar é maior.

• Re-estabelece o pH correto do corpo. A grande maioria dos corpos hoje estão mais acidificados, uma vez que o alimento moderno é baseado em cereais e amigos altamente acidificantes.

• Eficácia metabólica: o corpo é forçado a ser mais eficiente em termos energéticos.

• Melhoria da capacidade de absorção dos alimentos. Também reduz a tolerância do sistema digestivo aos venenos que você tem antes do jejum, que vai tirar o desejo de comê-los novamente.

• Graças à limpeza das passagens nasais e da língua, o sentido do paladar volta a inclinar-se para os alimentos que são benéficos para nós. Nós "desacostumados" a comer alimentos nocivos. O prazer da boa comida é redescoberto.

• A respiração torna-se melhor, mais profunda, mais completa e livre. Quando o abdômen está vazio de alimento, o diafragma pode ser usado para respirar melhor. Graças a isso, mais oxigênio e íons negativos entram no corpo. No início, é difícil se acostumar. Certos exercícios yoguicos de respiração e de controle do abdômen ("stomach vacuum" ou vácuo de estômago) só fazem sentido ou podem ser realizados quando o trato digestivo está vazio.

• Melhora a ação peristáltica (movimentos de contração do intestino).

• Limpeza do trato intestinal.

• Mais resistência à fome.

• Perda de gordura corporal. Solução de celulite e outros problemas de retenção de gordura e líquidos. Em praticamente todos (com exceção de casos de pessoas extremamente ectomorfos ou fisiculturistas que purgaram grande parte de seu tecido adiposo e aquoso subcutâneo), uma rápida "melhora na cintura". Convém comentar que a gordura mencionada não é simplesmente material que "fica feio" esteticamente, mas acumulação excessiva de gordura que é produzida como defesa contra um potencial tumor (na gordura se acumulam toxinas, líquidos e outras substâncias de resíduos).

• Rejuvenescimento. Maior vitalidade. Nenhum produto cosmético pode imitar o efeito rejuvenescedor de um jejum bom. Pode ser devido à segregação de sirtuínas e hormônio de crescimento.

• Melhoria surpreendente na fertilidade, libido, qualidade do sêmen e potência sexual. Muitas pessoas inférteis ou impotentes podem recuperar suas funções normais. Restauração da regularidade menstrual correta em mulheres.

• A pele fica lisa, uniforme e limpa. Supressão de manchas na pele, varizes, olheiras e capilares soprados na pele.

• Aumento da sensibilidade à insulina, diminui a resistência à insulina. Nós não somos mais viciados neste hormônio e o corpo para de nos pedir tantos alimentos açucarados. Em vez disso, eles aumentam os níveis de glucagon e hormônio do crescimento.

• Melhora o funcionamento do fígado, pâncreas, estômago e rins, entre outros. Deixamos esses órgãos fazer seu trabalho em paz e lhes damos um merecido descanso.

CITAÇÕES SOBRE O JEJUM

"Eu jejuo para uma maior eficiência física e mental.
(Platão, 348-347 AEC, filosofo grego e base da filosofia ocidental).

"Todos temos um médico dentro de nós; devemos apenas auxiliá-lo em seu trabalho. O poder natural de regeneração interna é a maior força que temos para retornar à saúde. A nossa alimentação deve ser o nosso medicamento. O nosso medicamento deve ser a nossa alimentação. Porém comer quando se está doente é alimentar a doença.
(Hipócrates, 460-370 AEC, considerado o pai da medicina).

"Ao invés de medicina, jejue"
(Plutarco, 46-120, historiador grego)

"O jejum cura doenças, seca os quatros humores corporais (teoria de Hipócrates), expulsa demônios, acaba com os pensamentos impuros, torna a mente clara, o coração puro e o corpo santificado, elevando o homem ao trono de Deus". 
(Ateneu, morre em 200, escritor grego que viveu no Egito) 

"Os vapores ascendentes da comida rica e abundante cortam como uma nuvem densa as iluminações do Espírito Santo, que são infundidas na mente".
(São Basílio Magno, 330-379, bispo romano).

"O jejum tem grande poder. Se for praticado com a intenção correta, torna-se um amigo de Deus. Os demônios estão cientes disso".
(Quinto Tertuliano, 160-220prolífico autor do Cristianismo primitivo).

"O jejum é o primeiro princípio da medicina".
(Mevlana Rumi, 1207-1273, poeta persa fundador da fraternidade turca Mevleví do Sufismo).

"O jejum é o maior remédio, o médico interno. A Natureza cura, o médico ajuda".
(Paracelso, 1493-1541, médico suíço e um dos três pais da medicina ocidental, todos eles jejuavam habitualmente).

"Se você quiser preservar um corpo sólido, utilize jejum e caminhada. Se você quiser preservar uma alma sólida, jejum e oração. A caminhada exercita o corpo, a oração exercita a alma, o jejum exercita ambos".
(Francis Quarles, 1592-1644, poeta inglês).

"Vi poucos morrerem de fome, mas por comer? Centenas de milhares".

"Para prolongar sua vida, encurte suas refeições. O melhor de todos os remédios é o jejum e o descanso".
(Benjamin Franklin, 1706-1790, inventor estadounisense).

"Rejeitar comida e bebida é mais do que um prazer; é a alegria da alma".

"Como a primeira condição para uma boa vida é o autocontrole, assim a primeira condição de uma vida de autocontrole é o jejum".
(Leon Tolstói, 1828-1910, escritor russo).

"Embora comecei minha prática na superstição médica coberta de nevoeiro, cheguei à conclusão de que só a Natureza pode praticar a medicina". 

"Eu sustento que durante a doença, a alimentação se torna um fardo para os doentes. Ela usa energia que de outra forma seria usada para combater a doença".
(Edward H. Dewey, 1837-1904, médico e pioneiro da terapia de cura através do jejum)

"Um pouco de fome pode realmente fazer mais para o doente médio do que os melhores remédios e os melhores médicos. Não me refiro a uma dieta restrita, me refiro a abstinência total de alimentos. Falo por experiência; a fome tem sido meu médico para resfriados e febres por quinze anos, e consegui a cura em todos as ocasiões". 

"Quando você tiver uma doença comum, particularmente do gênero febril, não coma nada durante vinte e quatro horas. Isso irá curá-lo. Irá curar o teimoso resfriado na cabeça também. Nenhum resfriado sobrevive a vinte e quatro horas de jejum".
(Mark Twain, 1835-1910, escritor estadunidense).

"Onde não há jejum nem oração, há os demônios".
(Santo Teófanes, o eremita, 1815-1894, santo ortodoxo).

"Eu preciso dizer, com toda a seriedade, que o jejum, quando combinado a uma dieta apropriada é a abordagem mais próxima de uma 'cura para toda as doenças' que é possível conceber ― profundamente simples e simplesmente profundo". 
(John Henry Tilden, 1851-1940, médico estadunidense e adepto da medicina alternativa)

"Toda vitalidade e energia que tenho vem a mim porque meu corpo é purificado pelo jejum".

"A verdadeira felicidade é impossível sem a verdadeira saúde. A verdadeira saúde é impossível sem um rígido controle do paladar. Um jejum genuíno limpa o corpo, a mente e a alma".
(Mahatma Gandhi,1869-1948, ícone indiano)

"Inanição parcial (jejum) inibe a senescência (envelhecimento). O organismo em uma idade avançada, quando entra em jejum é trazido de volta para o início de sua vida pós-embriônica (após o nascimento); é quase como nascer novamente".
(Charles Manning Child, 1869-1954, zoólogo estadunidense conhecido por seu trabalho sobre a regeneração).

"A eliminação de dejetos metabólicos através do jejum aumenta a longevidade".
(Alexis Carrel, 1873-1944, biólogo francês)

"Através do jejum... Eu encontrei uma saúde perfeita, um novo estado de existência, um sentimento de pureza e felicidade, algo desconhecido para os seres humanos".
(Upton Sinclair, 1878-1968, escritor estadunidense) 

"Através do jejum, permite que sua mente dependa de seu próprio poder. Quando esse poder é manifestado, a força vital do corpo é cada vez mais reforçada com a energia eterna fluindo continuamente para o cérebro e medula da energia cósmica ao redor do corpo, entrando através da medula. Emancipando-se da dependência de fontes físicas externas de sustento físico, a força vital vê que está sendo mantida de dentro, e se pergunta como isso é. A mente então diz: "Os sólidos de que o corpo dependia não são senão grosseiras condensações de energia, você é pura energia e você é pura consciência". Então, qualquer ordem que a mente dê à consciência da força vital, ela se manifestará de acordo".

"O jejum é um método natural de cura. Quando animais ou os selvagens estão doentes, eles jejuam".
(Paramahansa Yogananda, 1893-1952, guru indiano).

"A perda do apetite é o sinal da doença e a indicação da Natureza de sua forma de cura. Ela demonstra ao organismo, seu próprio e único remédio. Seu único remédio é a abstinência".

"A palavra autólise é derivada do Grego e significada, literalmente, autodestruição. É usada na fisiologia para designar o processo de digestão e desintegração dos tecidos por fermentos (enzimas) gerados pelas próprias células. É um processo de autodigestão  digestão intracelular."

"Se aprendermos a ver o jejum como um processo fisiológico e biológico de grande e vital importância, parar de associá-lo à inanição e entendermos que existem diversas condições de doenças nas quais comer é morrer e abster-se é viver, poderemos prontamente avaliar a inexatidão de usarmos os dois termos, jejum e inanição, como sinônimos, como é feito pelos médicos. Uma pratica muito mais antiga que a civilização e que é generalizada na Natureza não pode ser ignorada ou levemente deixada de lado pelo homem inteligente. Sua grande importância será apreciada quando compreendida."
(Herbert M. Shelton, 1895-1985, escritor estadunidense)

"Coma menos para viver mais".
(Frank Zane, 1942-, fisiculturista três vezes campeão do Mr. Olimpia).

O jejum
(Tirado de Daniel Reid, "The Tao of health, sex, and longevity").

O jejum é um dos mais antigos mecanismos naturais de cura no mundo. Todos os animais, exceto o homem moderno, instintivamente jejuam quando estão doentes. Ainda hoje, há tribos primitivas na Amazônia, na África Central e regiões remotas da Ásia, que mantêm "casas de doentes" nos arredores de suas aldeias, onde os doentes se retiram para sofrer jejuns prolongados até recuperar a saúde e a vitalidade. Os iogues da Índia são bem conhecidos por seus jejuns e suas limpezas do cólon. O jejum terapêutico sempre foi uma parte muito importante dos regimes de ensino taoísta. Os professores faziam seus discípulos jejuarem por longos períodos, para purificar o corpo e a mente, antes de expor suas técnicas mais avançadas.

Os antigos gregos jejuavam pela saúde e pela longevidade, e eram conhecidos pela sua robusta constituição física. Galeno, Paracelso e Hipócrates, pais fundadores da medicina ocidental, praticavam e prescreviam jejum para todas as doenças graves e recomendavam-no como um excelente regime preventivo. Pitágoras exigia que seus discípulos jejuassem por quarenta dias para purificar corpo e mente antes de passar seus ensinamentos mais elevados. Platão e Aristóteles, cujo pensamento é a raiz e o núcleo da filosofia ocidental, jejuavam regularmente para melhorar sua saúde física e estimular suas faculdades mentais. A Bíblia menciona o jejum em 74 ocasiões, e o próprio Jesus costumava jejuar frequentemente, às vezes até quarenta dias seguidos. Buda também jejuava. O jejum é uma resposta natural e universal à doença e à fraqueza, não um "rolo" cultural ou religioso.

O jejum desencadeia um processo de limpeza realmente maravilhoso que atinge a última célula e o último tecido do organismo. Dentro de 24 horas de suspender a ingestão de alimentos, as enzimas já não entram no estômago para direcionar os intestinos e para a corrente sanguínea, através da qual circulam e destroem todos os tipos de resíduos, tais como células mortas e doentes, micróbios indesejáveis, subprodutos do metabolismo e substâncias poluentes. Todos os órgãos e glândulas recebem um descanso necessário e merecido, durante o qual seus tecidos são purificados e rejuvenescidos e suas funções são reguladas e equilibradas. Todo o canal digestivo é esvaziado, e o que sai em sua extremidade inferior certamente surpreenderá e desagradará aqueles que jejuam pela primeira vez, ao ponto de fazê-los adotar o jejum e a limpeza do cólon como hábitos permanentes.

O benefício mais importante do jejum pode ser que ele limpa e purifica a corrente sanguínea completamente. O sangue tem a função de transportar oxigênio e nutrientes para todas as células do corpo, e também de remover o desperdício metabólico das células para ser excretado pelos rins e pulmões. Além disso, o sangue é o "observador imunológico" do corpo que circula enzimas, glóbulos brancos e outros fatores imunes 24 horas por dia em missões de "busca e destruição" dos invasores. E o sangue sujo não pode realizar essas funções corretamente. Como resultado, a desnutrição é estabelecida, a resistência diminui, a toxemia torna-se crônica e os germes são completamente livres para invadir os tecidos mais vulneráveis. A menos que você carregue uma vida ascética longe da civilização e evite todas as aberrações do alimento, seu sangue e outros tecidos estão necessariamente acumulando toxinas e perdendo gradualmente sua vitalidade funcional. Ao não limpar essas toxinas em uma base regular, a toxemia torna-se cada vez mais grave até que o corpo é incapaz de continuar suportando e espontaneamente se purga em forma de diarreia, acne, erupções cutâneas, "manchas marrons", suor malcheiroso, corpo fébril, halitose e assim por diante, ou desiste da luta completamente e transforma-se em vítima de câncer, tuberculose ou qualquer outra doença.

Um boletim da Associated Press datado de 28 de Maio de 1986 relata os seguintes resultados de jejum forçado em ratos de laboratório, obtidos em um estudo recente sobre o envelhecimento que foi realizado nos Estados Unidos:

"Quando a dieta de ratos de laboratório é drasticamente reduzida, os ratos vivem muito mais tempo do que outros ratos, idênticos, que são autorizados a comer tanto quanto eles querem. Na verdade, os pesquisadores afirmam que esta limitação de alimentos é a única maneira que eles sabem de prolongar significativamente a vida normal desses roedores".

O jejum também restaura o pH adequado do sangue. Como vimos, o Yin e Yang da dieta e digestão se traduz em terminologia científica ocidental como equilíbrio ácido/básico. A acidose do sangue tornou-se uma condição importante da civilização contemporânea, e é responsável por todos os tipos de infortúnios. Quando a acidez do sangue atinge níveis intoleráveis, a corrente sanguínea deposita o ácido nas várias articulações, sob a forma de cristais que então formam "esporas" que literalmente "soldam" as articulações e substituem o líquido sinovial que os lubrifica naturalmente. A consequência é uma artrite dolorosa e incapacitante. O jejum permite que as enzimas entrem nas juntas e dissolvam esses cristais, restaurando assim o líquido sinovial e recuperando a mobilidade articular. O jejum também elimina a acidose da corrente sanguínea. Na verdade, os efeitos colaterais desagradáveis ​​que são percebidos durante os três primeiros dias de um jejum são apenas devido ao fato de que estes cristais ácidos e outras toxinas entrar na corrente sanguínea em massa a ser eliminado.

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